Leonardo Machado • Momentos Evangélicos • Síndrome de burnout e lei de trabalho

Mansão do Caminho 03/03/2024 (há 2 anos) 59:50 26,956 visualizações 3,420 curtidas

Palestra doutrinária realizada no Cenáculo da Mansão do Caminho, todos os sábados, com transmissão ao vivo.

Transcrição

Muito boa noite a todos. Vamos dar início a nossa reunião doutrinária de sábado à noite e eu convido o nosso irmão Paulo de Tarso para proferir a prece de abertura. Amigo e mestre querido, a tua voz em nosso coração ecoa como um abraço carinhoso e a tua alma generosa se envolve com a energia que emana dos nossos espíritos, trazendo uma sensação de paz e de amor que pode alcançar o mundo inteiro na velocidade do nosso pensamento. Ser conosco sempre, Senhor, para que nós possamos fazer dos nossos dias gloriosas aventuras da vida sobre a terra no prenúncio dos tempos novos que haverão de vir. E nós, trabalhadores de todas as horas, vamos erindo essa estrada, construindo todas as escadas, portas, portais necessários para ultrapassarmos a ignorância, vencermos a escuridão na direção da luz. Que os nossos irmãos necessitados sejam abraçados nesse instante, que os seus corações sejam acolhidos na esperança do futuro glorioso e que todos estejamos em paz em nome de Deus. Que assim seja. Antes do início da nossa reunião, eu darei alguns avisos. O retorno das atividades da infância juventude do grupo de pais. Será amanhã às 9 horas. Estão todos convidados. Nós teremos um seminário com o projeto Manuel Filomeno de Miranda no dia 23 de março. É sábado, das 16 às 19:30. E a palestra de encerramento será pelo Divaldo. As inscrições podem ser realizadas no site da Mansão do Caminho, www.mansoncaminho.com.br. O seminário será realizado aqui neste cenáculo. Nós também temos um um grupo sistematizado de saúde mental e espiritismo através da AM. da Bahia. A reunião é quinzenal, sempre às terças-feiras, das 18 às 19 horas. A última reunião foi no dia 27 aqui no prédio enfrento Labanhos. Estão estudando o livro Cérebro Triuno. Também já está no ar a nova temporada da psicologia espírita com Joana de Angeles. O tema central dessa sexta temporada é transtornos mentais. As videoaulas são apresentadas na plataforma da web TV Mansão do Caminho por Cristiano Ribeira, sempre às quartas-feiras

m Joana de Angeles. O tema central dessa sexta temporada é transtornos mentais. As videoaulas são apresentadas na plataforma da web TV Mansão do Caminho por Cristiano Ribeira, sempre às quartas-feiras às 20 horas. O Dr. Leonardo Machado, que está aqui conosco, também tem um tema Jesus e saúde mental todas as terças-feiras às 20 horas pela TV Web Mansão do Caminho. E agora eu passo a palavra então a Edivaldo. Senhoras e senhores, queridos irmãos e amigos, seja conosco a paz. Termos o Dr. Machado conosco é sempre uma grande satisfação. Tendo ele assumido um compromisso em Salvador no fim desta semana, convidamos-lo desde que estava aqui para aproveitar e nos eliminar. com as grandes problemáticas da vida solucionadas à luz do espiritismo e da psiquiatria. O nosso jovem amigo já lançou três livros, um dos quais, ou melhor, dois dos quais pela Federação Espírita Brasileira. O primeiro dele é transtornos psiquiátricos, um olhar médico espírita sobre o problema. às vezes tão controvertido da loucura, da obsessão, dos transtornos de natureza espiritual e os de natureza psicológica. Também vida saudável e feliz, que é um estudo da doutrina do evangelho de Jesus e a saúde mental. Vamos aproveitar que ele está aqui hoje e por antecipado, vamos dizer que os livros estão ali em nossa livraria. E lançou um que eu não sei até hoje o que foi. Edivaldo Franco, mediunidade distúrpio mental. Eu ainda vou ler um dia com calma para ver o que é dos dois, porque também eu tenho dúvida. Mas quem quiser lê-lo antes de mim, aproveita a oportunidade, porque o livro foi escrito por ele e pela doutora Luciane Liliane Machada. Estão as ordens e terminada a reunião, ele terá prazer de autografar os livros adquiridos. Vamos ouvi-lo sem mais delongas. Boa noite todos que estão aqui presentes, todos que estão nos escutando pela web TV da Mansão, pelo YouTube. Na ideia de podermos desdobrar temas sobre a psiquiatria, sobre o espiritismo, nós queríamos hoje abrir o livro dos espíritos em sua parte das leis morais,

cutando pela web TV da Mansão, pelo YouTube. Na ideia de podermos desdobrar temas sobre a psiquiatria, sobre o espiritismo, nós queríamos hoje abrir o livro dos espíritos em sua parte das leis morais, quando Allan Kardec vai analisar a lei do trabalho e fazer uma reflexão sobre uma questão que vem eh ganhando um volume cada vez maior de estudos, desde que foi descrito na década de 70, chamada síndrome de Burnout, sendo que essa síndrome, ela foi descrita inicialmente e muito estudada em profissionais da área de saúde e profissionais da área da educação. Eram os dois primeiros os dois principais grupos que a gente encontrava esse esse diagnóstico, essa síndrome de exaustão relacionada, totalmente ligada ao trabalho. No entanto, especialmente a partir da pandemia, nós vamos vendo números crescentes e não só na educação, não só nos profissionais da educação, não só nos profissionais da área de saúde, mas em vários tipos de profissão. Uma coisa me chamou atenção que dificilmente, pelo menos lá em Pernambuco, um profissional da área da educação, a educação pública especialmente conseguia e consegue até hoje terminar a sua carreira dentro da sala de aula. Impressionante o número de professores que adoecem ao longo do seu ministério e o adoecimento diretamente relacionada a à carga de trabalho e as questões tão difíceis que a parte social vai impactar dentro da sala de aula. E muitos acabam tendo que ser readaptados para outras funções fora da sala de aula. Isso eu vi vários eh profissionais que tive a oportunidade de ajudar, especialmente no âmbito do SUS, e tendo que ficar readaptados em outras funções e muitos nunca mais conseguindo voltar às suas atividades. Uma verdadeira epidemia que se você não for da área, você não fica sabendo e muitos lionados a quadros psiquiátricos, a quadros depressivos, a quadros ansiosos. Mas que a gente, para que a gente possa refletir sobre a questão, eu queria pegar um pouco de um resgate que está no capítulo 5 do livro de João, o Evangelho de João.

depressivos, a quadros ansiosos. Mas que a gente, para que a gente possa refletir sobre a questão, eu queria pegar um pouco de um resgate que está no capítulo 5 do livro de João, o Evangelho de João. Um evangelho que nos traz uma perspectiva bastante aprofundada sobre as palavras de Jesus. O livro de João, ele vai ser escrito por último dentro dos quatro evangelhos chamados canônicos, os evangelhos oficiais, e parece que vem à tona em torno de 100, 110 depois do nascimento de Cristo. O momento em que João, portanto, já estava no amadurecer da sua idade, já estava em Éfeso e criava ali uma comunidade que podia aprofundar questões sobre a a religiosidade, questões místicas. E encontramos o Evangelho de João começando de uma maneira muito bela. No princípio era o verbo e o verbo era Deus. Ele vai trazer no bojo do seu evangelho a perspectiva que a gente chama do Logós ou da do arqué, que está na base da sustentação da vida psíquica, segundo vamos abrindo outros livros na modernidade, especialmente a literatura feita por Car Gustavo Jung. Mas encontramos isso no Evangelho de João. No princípio era o verbo. E colocando ali a vinculação profunda que Jesus, que seria o filho direto de Deus, teria para poder nos ensinar esse verbo vivificador do criador. Essa visão mística, essa visão transcendente que João impregna todo o seu evangelho. uma visão que nós encontramos inclusive no estoicismo, essa visão do logós, essa visão eh arquetípica encontramos no estoicismo, não com o nome arquétipo, que é o nome que a gente vai encontrar em Jung, mas com uma visão de que sustentando todo o universo e inclusive a nossa vida, existe Deus, existe a ideia transcendente do Criador. O Evangelho de João, portanto, traz uma visão transcendente sobre várias temáticas, sobre vários aspectos. E no capítulo 5, ele narra uma das visitas de Jesus a Jerusalém. Porque, diferentemente de outros outros evangelhos em que encontramos Jesus indo apenas uma vez a Jerusalém, no Evangelho de João, nós encontramos pelo menos três momentos de

tas de Jesus a Jerusalém. Porque, diferentemente de outros outros evangelhos em que encontramos Jesus indo apenas uma vez a Jerusalém, no Evangelho de João, nós encontramos pelo menos três momentos de Jesus em Jerusalém. E no capítulo 5, ele vai narrar a entrada de Jesus no templo de Jerusalém e indo a uma das portas, que seria as portas das ovelhas, as portas, portanto, provavelmente que traziam as oferendas ao templo, porque perto das portas das ovelhas existia um tanque de Betés. Um tanque que, curiosamente, apesar de estar no templo judeu, ele tinha uma mística de cura dentro desse tanque, porque os enfermos ficavam lá e se acreditava, né, que os anjos, enfim, que o os eh forças naturais se manifestavam na água do tanque que estava dentro da igreja de Jerusalém, do templo de Jerusalém. Então, os enfermos das mais variadas ordens ficavam lá, porque quando as águas borbulhavam, eles acreditavam que estava ali a cura e todos saíam desesperadamente correndo para poder se banhar na água ou pegar um pouco da água. Mas existia ali uma pessoa que havia eh tinha um problema de locomoção, né? um ainda jovem que tem um problema desde muito tempo e estava muito triste porque toda vez que acontecia essa manifestação de as águas borbulharem, ele não conseguia chegar a ter as águas porque os outros passavam na frente e ele não conseguia obter a sua cura. Então Jesus vai ao encontro desse jovem e o cura. faz então uma uma cura naquele momento e ele fica maravilhado. O evangelho de João narra que Jesus o encontra ainda no templo, que Jesus haveria caminhado ali no templo. E depois dele ter sido curado, Jesus teria tido um outro contato com esse jovem e teria tido feito um alerta para esse para essa pessoa, para que ele pudesse mudar a vida, para que ele pudesse fazer uma transformação na sua vida, a fim de que a problemática não se eh restabelecesse com outros matizes, com outras consequências. Ele então a partir dali transforma a sua vida de certo modo como um testemunho. Curioso que não é bem no

im de que a problemática não se eh restabelecesse com outros matizes, com outras consequências. Ele então a partir dali transforma a sua vida de certo modo como um testemunho. Curioso que não é bem no momento da cura em si. Parece que no momento da cura ele fica tão maravilhado, tão alegre, que ele sai e vai andar. Mas é nesse segundo contato de Jesus, segundo a fala de João no capítulo 5, que Jesus o recomenda uma mudança de postura. E ele começa então a falar, né, de Jesus como sendo o o Messias, Jesus como sendo o Salvador e dando testemunho da própria cura que havia se efetuado dentro da sua vida. Com isso, os fariseus, né, os doutores, eh, do judaísmo, doutores da lei, começam a ficar indignados, porque tinha sido mais uma cura que havia acontecido num dia de sábado, um dia de sábado. E por isso vão ao encontro de Jesus e o condenam, né? Olha, como é que você vai desrespeitar as leis de guardar o sábado? E então quando Jesus dá uma resposta que está anotada no versículo 17 do capítulo 5 deste Evangelho que nós estamos abrindo de João, meu pai até hoje trabalha e eu também trabalharei. Ele vai dar, portanto, uma ideia transcendente a respeito dessa temática, a ação e repouso, trabalho e descanso. E vai ali o evangelho de João se desdobrar sob, digamos assim, na terra fazendo o chamado, fazendo o mandamento de Deus para a vida das pessoas, sendo, né, de certa forma, o verbo do criador, né, a imagem que nós temos mais perfeita para nós podermos ter como um espelho para podermos seguir. É muito interessante a ideia de que até hoje o meu pai trabalha, eu por isso também o trabalharei. Como Jesus na proposta de João é o reflexo do verbo de Deus para nós, Jesus vai ser, portanto, aquele que nos ensina as transcendências das coisas do alto. E para a visão espiritista, é, portanto, o guia, é, portanto, o modelo. Nessa perspectiva, o que nós conseguimos encontrar nas suas passagens, o que nós conseguimos encontrar na sua vida, seria um reflexo da mensagem teológica, da

portanto, o guia, é, portanto, o modelo. Nessa perspectiva, o que nós conseguimos encontrar nas suas passagens, o que nós conseguimos encontrar na sua vida, seria um reflexo da mensagem teológica, da mensagem divina para a nossa existência. Mas antes mesmo de João, nós encontramos uma ideia de movimento, uma ideia de que o divino transcende a partir do trabalho. Quando vamos encontrar os textos de Aristóteles, que foi um dos que mais escreveu sobre as mais variadas temáticas, especialmente sobre as ciências naturais, mas também sobre a ética, também sobre a política, também sobre a poética e também sobre questões chamadas metafísicas. quando ele passa a pensar sobre qual é a substância do universo, qual é a substância das pessoas, dos seres, quando, por exemplo, ele vai trazer a ideia da matéria. A reflexão de Aristóteles é, de certa forma, consequência da reflexão do seu professor Platão. Platão também pensa na essência das coisas, só que para Platão, a essência das coisas transcendia a madeira, a matéria. Estava, portanto, no mundo do eidos, no mundo das formas. A essência para Platão era, por exemplo, essa cadeira. Mesmo que você não esteja vendo a cadeira, quando eu falo a palavra cadeira, já existe uma forma, já existe uma ideia que nós concebemos que é algo que se senta, geralmente com quatro pés, às vezes com três ou a mais moderna, mas algo que tem alguma algum equilíbrio. O que os filósofos vão dizer seria a cadeiriidade da cadeira, seria a forma, o ej, aquilo que está por trás. Essa ideia traz a consequência mais na frente da visão estoica do estoicismo, do arqué, ou seja, do logós. Aquilo que dá sustentação às coisas. Antes das coisas se corporificarem, antes das coisas serem, elas teriam uma ideia. O discípulo dele, o mais famoso, Aristóteles, vai também pensar nessas coisas, mas vai divergir, porque enquanto Platão encontra as explicações na transcendência, e aí ficou famosa a ideia, é uma ideia platônica, né, no sentido de ser uma ideia idealista, uma

nsar nessas coisas, mas vai divergir, porque enquanto Platão encontra as explicações na transcendência, e aí ficou famosa a ideia, é uma ideia platônica, né, no sentido de ser uma ideia idealista, uma coisa que transcende. Aristóteles, ele era mais o um dos pais da ciência, digamos assim, da observação. E ele vai trazer a ideia da imanência, a ideia de que a forma está na imanência e não na transcendência. Então, nos textos de Aristóteles, nós encontramos a palavra madeira, que foi traduzida ali para eh para o latim, não madeira, ele é uma palavra que foi traduzida para o latim como madeira e daí a matéria. Então, para Aristóteles, nós vamos encontrar a ideia da matéria como sendo a substância das coisas. Portanto, é uma explicação que vai pro imanente, o aqui e o agora. não recorre ao transcendente e Platão recorre à ideia do da transcendência. Porém, mesmo em Aristóteles, uma ideia que talvez seja mais próxima de um materialismo, porque fala da madeira, fala da matéria, que seria a essência das coisas, nós vamos vendo um desdobramento quando ele vai aprofundando, aprofundando qual seria a substância do universo e vai ter que recorrer a outro tipo de matéria que ele chama de éter. uma matéria que tem uma quinta essência, uma coisa mais refinada. E ele vai aprofundando, vai aprofundando e vai chegar na ideia do motor primário. Tudo na natureza se move. Tudo na natureza se movimenta. Se pegarmos uma relação com o trabalho, diríamos: "Tudo trabalha". Mas existe algo que é o trabalho inicial, é o movimento inicial. Esse algo que se movimenta inicialmente para Aristóteles seria o motor primário, o motor incausado que causa o movimento da vida e do universo. É a ideia, portanto, de Deus como sendo o artífice, o construtor, aquele que sustenta o universo. E como consequência todos nós precisamos também de uma movimentação em nossas vidas para podermos ter uma uma semelhança, uma vinculação com o divino, uma vinculação com uma potência maior em nosso ser. É por isso que quando abrimos

ecisamos também de uma movimentação em nossas vidas para podermos ter uma uma semelhança, uma vinculação com o divino, uma vinculação com uma potência maior em nosso ser. É por isso que quando abrimos o livro dos espíritos, na questão 674, quando Allan Kardec vai trazer a primeira pergunta dessa parte da lei do trabalho, ele vai perguntar se o trabalho seria uma convenção social, digamos assim, ou se é uma lei da natureza. E os benfeitores vão dizer: "O trabalho é uma lei natural. Tudo na natureza trabalha". E aí a gente recorre a resposta de Jesus aos fariseus, aos doutores da lei. Por que você tá trabalhando no dia de sábado? Meu pai até hoje trabalha e não pergunta qual é o momento. Eu também trabalharei. Tudo na natureza tem uma movimentação. É, portanto, uma lei natural, não é apenas uma convenção. E aí a gente vai ampliar dentro da visão espírita a partir da questão 674, que toda ocupação útil é trabalho. Toda ocupação útil, está lá no livro dos espíritos, é trabalho. Então a gente começa a ver a primeira característica saudável, salutar do trabalho em nossas vidas. É fazer com que a gente se sinta útil. Quando nós estamos fazendo alguma coisa com propósito, com senso de responsabilidade, com senso de propósito, nós nos sentimos úteis. E no, ao nos sentirmos úteis, nós estamos nos conectando com essa lei natural que tem um propósito, tem um porquê, tem um para que, não só um porquê, mas tem um paraquê, uma finalidade. Então, quando nós estamos conectados a um propósito, o trabalho transcende uma questão da convenção social, transcende uma questão material e vai para uma perspectiva de sentido de vida. O trabalho nos vai dar um sentido. Mas aí Allan Kardec é muito perspicaz quando ele vai perguntar que tipo de trabalho. Existem vários tipos de trabalho e os benfeitores dão uma resposta ampla, filosófica, bonita. Toda ocupação útil é um trabalho. Toda ocupação útil, portanto, é uma lei divina. Toda ocupação útil faz com que o teu psiquismo entre numa esfera mais salutar. Porque a

sta ampla, filosófica, bonita. Toda ocupação útil é um trabalho. Toda ocupação útil, portanto, é uma lei divina. Toda ocupação útil faz com que o teu psiquismo entre numa esfera mais salutar. Porque a estagnação dá a ideia do lodo. No lodo nós escorregamos, no lodo, portanto, nós caímos. Quando nós estamos em movimentação, o lodo e o mofo, portanto, vai sendo aos poucos retirado e nós vamos tendo um campo mais fértil para poder construir uma saúde mais profunda e, portanto, uma saúde mental mais duradora. Allan Kardec vai questionar sobre o ponto do repouso, né, que é um ponto que tá lá em João. Quando você coloca o sábado, digamos assim, eh o judeu da época, ele vai colocar com uma crença, não é? Não era de uma maneira leviana, era com uma crença fervorosa de que era preciso um repouso, era preciso um limite. E aí eu acho bem interessante a gente pensar Jesus não destruindo a lei, mas complementando. O que que tá lá na lei do judaísmo? No dentro dela, intrinsecamente, né? a ideia de que nós precisamos trabalhar, mas a ideia de que nós precisamos fazer um repouso. Está escrito lá desde do Gênesis, né, mosaico, que nós temos que ter um repouso. Então, tem um princípio que nós devemos respeitar. recentemente com eh organizando um o evento de psiquiatria lá de Pernambuco, né, um congresso. Então, fui fazer os convites e uma amiga psiquiatra, uma colega psiquiatra, Paulo, muito obrigado pelo convite. Agora eu queria te pedir, se possível, que me colocasse em alguma atividade até tal hora, porque a partir dessa hora da sexta-feira, até o final de tal hora do sábado, eu guardo por uma crença religiosa. Ela me falou a crença religiosa dela e a gente fez conforme a possibilidade dela. Falei: "Nem se preocupe, a gente vai seguir". Porque quando nós estamos falando aqui, nós não estamos numa ideia de diminuir a crença de ninguém. Nós estamos apenas falando na visão espiritista, nós não comgamos dessa percepção literal, mas comulgamos da percepção do princípio, porque Allan

ão estamos numa ideia de diminuir a crença de ninguém. Nós estamos apenas falando na visão espiritista, nós não comgamos dessa percepção literal, mas comulgamos da percepção do princípio, porque Allan Kardec vai questionar se não existiria um repouso. E eles vão dizer que sim, os benfeitores sim. Para todo o trabalho existe um limite e existe a necessidade de repouso que constitui uma possibilidade. Os benfeitores vão dizer mais ou menos nesses termos. O repouso constitui uma possibilidade da inteligência transcender as questões do dia a dia. E é eu acho fantástico, né, essa perspectiva, porque vem ao encontro do que a gente já encontra na filosofia grega, né? E a gente pensa pela visão espírita que muitos desses filósofos gregos estavam na base da construção da codificação, né, ditando respostas à codificação. Nós vamos encontrar uma visão parecida nos gregos, eh especialmente nas escolas helenísticas, em que eles também falavam de um óscio, só que era o ócio criativo, era o óscio para poder dar vazão ao pensamento criar. E os benfeitores vão dizer nessa parte do livro dos espíritos que o repouso vai possibilitar a inteligência transcender as coisas do dia a dia, ao cansaço do dia a dia, as questões mais eh do varejo, digamos assim. Eu costumo falar as questões do varejo do nosso dia a dia, porque temos também a questão do atacado. Nenhum logista, nenhum eh empresário, ele pode ficar só preocupado com o balcão. Ele vai ter que ficar preocupado com estoque para poder o balcão atender as necessidades. É a questão da gestão mais profunda. Nós também temos que gerir a nossa vida não olhando apenas o dia a dia. Temos que pensar em coisas mais profundas. E quando pensamos em coisas mais profundas, é muito mais fácil a gente ter momentos de repouso. É muito mais fácil a gente fazer essas reflexões com momentos criativos, mas não é mais o ócio da estagnação que cria o lodo. É um ócio que significa um limite, que significa um repouso, que significa, queria aprofundar com vocês, nós

ssas reflexões com momentos criativos, mas não é mais o ócio da estagnação que cria o lodo. É um ócio que significa um limite, que significa um repouso, que significa, queria aprofundar com vocês, nós construindo humildade dentro de nós. Como assim humildade? Porque seria muito muita arrogância de nossa parte imaginar que a gente não assim, não, não, não, não preciso parar. Eu sou um trator, né? Eu consigo fazer tudo o tempo todo. Veja, nós somos filhos de Deus, né? Mas nós não somos Deus. Nós somos de uma origem divina, mas nós não somos os deuses nesse sentido. Porque essa ideia acaba gerando uma certa prepotência de que a gente pode fazer tudo e o cansaço eventualmente vai gerando portas para uma série de influenciações também. Então, nessa perspectiva, é uma construção de humildade, um uma construção de entender que o espírito quer, o eu quer, tem um entusiasmo de fazer logo, mas a matéria, o corpo precisa de um descanso, precisa de um repouso. E às vezes isso vai construindo paciência, que é outra virtude fundamental para podermos crescer, para podermos evoluir, construindo paciência para esperar as coisas acontecerem. Às vezes o que projetamos em uma existência só vai começar a poder ser feita em outra existência no sentido da execução. Mas antes da execução de um projeto, é preciso um planejamento deste projeto. E às vezes a reencarnação a partir de uma doença crônica, a partir de uma doença que degenera o corpo, é essa preparação do espírito para uma nova existência, que é uma existência de execução desde cedo. Humildade, paciência andam de mãos dadas com essa visão do limite, do repouso. Então, em princípio, a ideia de que devemos guardar um sábado nessa perspectiva judaica traz um princípio muito interessante que vem ao encontro da doutrina espírita. No entanto, Jesus transcende a perspectiva dogmática para uma questão eh de princípio principiológica, né, que tá na base da construção. Sim, temos que repousar, mas esse repouso não pode fazer com que eu esteja vendo a pessoa

de a perspectiva dogmática para uma questão eh de princípio principiológica, né, que tá na base da construção. Sim, temos que repousar, mas esse repouso não pode fazer com que eu esteja vendo a pessoa necessitada, né? E eu tendo condições, veja, eu tendo condições, eu estando com a possibilidade de fazer algo mais, eu não faça. E aí eu posso fazer, independente de ser sábado, domingo, qualquer que seja o dia. É mais ou menos como o samaritano que estava andando e vê um homem caído na parábola que Jesus conta. E vários doutores da lei fariseus passam e não fazem nada. Talvez por causa do dia, enfim, talvez porque não lhe dizia respeito. E o samaritano vai e faz algo a mais, né? Ele para, levanta o tranzeúnte, não só levanta o tranzeúnte, ele faz algo a mais. Ele vai para o praia, né? Explica a situação, dá um um dinheiro para pagar as despesas. Mas eu acho fundamental a gente pensar a parábola do samaritano nessa outra perspectiva que, aliás, uma uma excelente eh psicanalista da história chamada François Doutor propõe em um livro chamado Os Evangelhos à luz da psicanálise. Uma raridade conseguir encontrar autores que fizeram essa essa interface nesse campo de estudos. E ela faz a interface com a sua formação eh anterior, né, da sua formação profissional. Ela tenta fazer uma análise e vai dizer que olha, o samaritano ajuda, mas segue o caminho. O samaritano não fica lá parado, estagnado, querendo resolver a vida da pessoa. Ela, ele ajuda a levantar, faz um pouco mais, que é, por exemplo, pagar a hospedaria, faz um pouco mais, trabalha, mas ele não para a existência dele, as questões dele para poder levantar o outro, porque isso também geraria uma percepção de inércia no outro. a percepção talvez de vitimização no outro, de que eu só posso andar, só posso me levantar e continuar no alvo se eu tiver sempre alguém me dando a mão e eu preciso crescer aguentando angústia numa perspectiva eh técnica, angústia de separação, de angústia de separação do seio materno, do seio paterno, para

vo se eu tiver sempre alguém me dando a mão e eu preciso crescer aguentando angústia numa perspectiva eh técnica, angústia de separação, de angústia de separação do seio materno, do seio paterno, para poder dar os meus próprios passos e ir amadurecendo. Então, tudo vai se encadeando nos livros dos espíritos, nas visões filosóficas, nas visões evangélicas dentro do livro de João para nos propor que o trabalho é vida, mas que o repouso é uma consequência natural do trabalho que traz várias consequências positivas para não cairmos numa num estado de exaustão e aí começarmos a ficar estressados mesmo fazendo caridade, né? Pessoa tá fazendo caridade, mas estressada, adoecida pela caridade, porque tá esgotada. Talvez seja o repouso que a gente precise fazer para poder ter o gás necessário para poder dar a continuidade. Allan Kardec vai mais além e vai perguntar sobre a relação tirânica às vezes que acontece entre, digamos, o o patrão, né, a pessoa que manda e aquele que é o empregado, aquele que está eh servindo nessa função. E ele vai dizer, e os benfeitores vão colocar sim a perspectiva que vão esses tiranos responder as consequências. Mas eu queria ampliar, né, pros dias de hoje numa proposta muito bem colocada de um filósofo, um pensador, um sociólogo chamado Bin Chan, né, que ele vai falar sobre a sociedade do cansaço e vai propor que esses tiranos de outrora que escravizavam, eles estão hoje em dia dentro de nós. Não são senhores externos, são senhores internos que nos escravizam e nos levam até a exaustão. E esses tiranos internos, muitas vezes são as nossas metas inalcançáveis, as nossas ambições inalcançáveis. E como é inalcançável, nós ficamos exaustos. Então esse pensador vai colocar como paradigma de adoecimento psíquico dos tempos atuais a síndrome de burnout, né, a própria depressão. Mas essa síndrome lembra em alguns aspectos o que outrora já foi chamado de neurastenia, o que outrora também foi chamado de síndrome de fadiga crônica na atualidade, depois mudando. A diferença

ssão. Mas essa síndrome lembra em alguns aspectos o que outrora já foi chamado de neurastenia, o que outrora também foi chamado de síndrome de fadiga crônica na atualidade, depois mudando. A diferença é que essa exaustão é relacionada ao trabalho, não é bem uma doença psiquiátrica, tanto que entra no código diagnóstico na CID 11 dentro das doenças ocupacionais, porque é uma exaustão relacionada ao trabalho em si. Então, as pessoas me perguntam: "O que é que vai causar o burnout?" É sempre o chefe tirando é uma possibilidade, né? Mas hoje é muito mais o tirano interno de colocar algumas metas que foram muito bem traduzidas por aquela criança de 8 anos de idade, idade de minha de um pouco mais novo que minha filha. Ele filho de uma amiga psicóloga. E aí eu falei: "Olha, fulano, tu queres brincar lá em casa algum dia desse?" "Eu quero, então vou te pegar". Fui pegá-lo na casa da amiga para que a gente pudesse brincar, os meus filhos, ele e assim que ele entrou no carro, ele falou assim: "Tio, tem uma coisa que eu não entendo, não dei nem espaço para outro diário." Falou: "Não entendo uma coisa, tio, diga o que é que você não entende." Olha só, esse carro aqui, ele anda, ele faz tudo. Agora tem alguns carros que são, aí falou lá, milhões, tal, mas faz a mesma coisa, tio. Eu não entendo porque as pessoas então compram um carro tão mais caro do que esse. E aí eu, como é que é isso? Ele falou assim, é como se fosse ti, a gente comprar dois pares de tênis de sapato. As duas fazem a mesma coisa, fazem a gente andar, protege o pé, só que um vem sem a caixa e outro vem com a caixa. E aí o que vem com a caixa custa milhões e o que vem sem a caixa não custa nada, né? Custa bem pouco e a gente vai comprar o da caixa, tio, só por causa da caixa. Eu fiquei assim, achei fantástico, não respondi nada. Por qu, tio? Eu não quis responder sobre essas coisas das ambições, as metas, né? Eu quis aprender com a criança, porque de fato às vezes nossas ambições nos aprisionam dentro da caixa

respondi nada. Por qu, tio? Eu não quis responder sobre essas coisas das ambições, as metas, né? Eu quis aprender com a criança, porque de fato às vezes nossas ambições nos aprisionam dentro da caixa e a gente fica preso, atormentado nesses tiranos internos que nos tiranizam. E aí, quanto mais a gente quer, mais a gente trabalha, mais a gente faz. E aí não pode repousar. E a culpa não é de Deus, a culpa não é do chefe, porque às vezes a gente vai vendo, inclusive essas questões dentro dos autônomos, dentro de várias profissões que mudam um pouco esse tipo de relação. Dentro da síndrome de burnout, nós temos sintomas depressivos, nós temos sintomas ansiosos, mas temos um grupo de sintomas que a gente chama de sintomas dissociativos, especialmente um chamado de despersonalização, desrealização. É a sensação que a pessoa tem ao ir ao trabalho e se sentir desconectado com o trabalho. achar que é tudo muito estranho. Se for uma pessoa da área da medicina, um médico que esteja em burnout, um enfermeiro que esteja em burnout, ele vai entrar no trabalho e vai e vai perceber que a empatia dele diminui, porque ele se sente afastado, se sente estranho naquele local, ele está adoecido. E quando nós estamos adoecidos, a dor nos fecha em nós mesmos e nós não conseguimos enxergar o outro. A dor às vezes tiraniza a nossa empatia e faz com que a gente só enxergue a própria dor. E é mais ou menos isso que acontece num quadro de burnout relacionado ao ambiente que é relacionado ao ambiente de trabalho. O problema é que quando o burnout não é tratado, quando o burnout não é observado, ele vai ganhando a vida, né? E alguns dizem: "Nós estamos esgotados na vida". Mas esse burnout da vida é depressão. Aí já temos um outro nome, já temos uma outra perspectiva. Mas acho interessante essa ideia do burnout de vida, porque traz esse esgotamento que nós estamos tendo em relação ao viver, porque também as nossas metas estão nos enclausurando, as nossas perspectivas nos estão colocando dentro dessa caixa e nós

vida, porque traz esse esgotamento que nós estamos tendo em relação ao viver, porque também as nossas metas estão nos enclausurando, as nossas perspectivas nos estão colocando dentro dessa caixa e nós perdemos a sensação de propósito. Porque o propósito, disse essa criança de 8 anos do sapato, é fazer a gente andar com o pé protegido e não a gente ficar preso na caixa que a gente vai jogar fora em algum momento. Então, quando nós invertemos as nossas os nossos propósitos, invertemos os nossos valores, nós vamos entrando numa outra perspectiva que está muito mais presente do que a tirania da relação de trabalho do passado. Estamos entrando na tirania da relação da gente com a gente mesmo, de nós para com a nossa intimidade, para com os nossos valores. E aí vamos nos perdendo, vamos nos desconectando com a nossa essência. E ao nos desconectarmos com a nossa essência, começamos a perceber assim: qual o propósito disso tudo? Qual o propósito desse trabalho todo? Qual o propósito dessa vida toda que eu tô levando? Porque estamos desconectados, enclausurados na Caixa e não estamos mais conectados com a lei de trabalho natural que está na natureza, porque já estamos sem propósitos, estamos, portanto, desvitalizados. Então, é muito interessante quando o autor que não recorre à questão espiritual, é um autor famoso, inclusive vai falar sobre assim a sociedade do cansaço, a sociedade da transparência, uma certa uma série de reflexões, são livros pequenos, são livros curtos, né, que ele vai muito incisivo em algumas reflexões muito pertinentes e muito eh às vezes duras, dizendo, por exemplo, isso nesse resumo que eu queria trazer desse livro, né? Nós nos tornamos os os senhores que escravizam a nós mesmos e ficamos, portanto, exauridos nas nossas energias como o servo, como o escravo ficava pela tirania do Senhor de outrora, sendo que hoje é a tirania do Senhor de agora. É importante refletirmos sobre esse segundo ponto do burnout, porque ele traz uma questão profunda diante de nós, diante da nossa

a do Senhor de outrora, sendo que hoje é a tirania do Senhor de agora. É importante refletirmos sobre esse segundo ponto do burnout, porque ele traz uma questão profunda diante de nós, diante da nossa vida, diante da nossa responsabilidade para conosco. E aí temos que reencontrar o propósito. Mas às vezes a boa notícia, né, para não ser só uma fala pessimista, né, que nos traz cansaço. A boa notícia é que às vezes no burnout, na depressão, na doença, nós reencontramos o propósito. A boa notícia é que Deus é tão divino, tão perfeito, tão misericordioso, que ele nos dá a perspectiva de o sofrimento mexer com as nossas entranhas e a gente reavaliar a própria vida. Eu me recordo e pedi permissão para que eu pudesse contar com o nome, inclusive daquela jovem chamada Anne, uma jovem médica que eu me identifiquei muito porque ela era uma jovem pediatra oncologista, então ela tratava de crianças com câncer. E eu sempre pensei em, quando entrei na medicina, em fazer coisas para tratar da cabeça, neurocirurgia, neurologia. Depois cheguei na psiquiatria, mas lá no início, lá no início eu pensei em oncologia pediátrica, tanto quanto ela era oncologista. Então, ela me procurou, nunca tinha ido a uma procura, uma ajuda, e ela me falava assim: "Léo, eu sempre lutei contra o câncer, no sentido de quando eu ia atender um paciente, ia atender a família, eu ia para ganhar a batalha. Não tinha a possibilidade de eu achar que poderia perder. Não era a medicina paliativa para ela era como se fosse um atestado de derrota e não uma possibilidade terapêutica. Para ela só existia a ideia da terapêutica que cura. Então, ela ia lutar contra o câncer com muita verdade, com muita eh com muito propósito de ajudar aquela aqueles familiares. Então, era ela, né, a jovem médica, ainda presa na vaidade médica, na vaidade dos profissionais de saúde, de acharem que conseguem curar, mas era ela com propósito. Então ela tinha um propósito real, firme, mas ao mesmo tempo o propósito que estava ali vinculado a essa a vaidade excessiva de

ais de saúde, de acharem que conseguem curar, mas era ela com propósito. Então ela tinha um propósito real, firme, mas ao mesmo tempo o propósito que estava ali vinculado a essa a vaidade excessiva de achar que vai conseguir curar tudo que vai ter pela frente. Pois bem, essa jovem foi para São Paulo, fez a especialização dela, se tornou oncologista pediátrica em São Paulo e quando voltou, ela voltou justamente para ter um campo de atuação que é muito difícil, né? Trabalhar como oncologista é muito difícil, trabalhar nessa área é muito exaustivo e na oncologia pediátrica mais ainda, porque quando é um adoecimento tão grave numa criança, isso impacta muito todo mundo, né? Mesmo que a criança seja um anjo de Deus, né? às vezes vem como uma grande missão de ensinar tantas coisas, mas mesmo assim a perda de uma criança tão nova por causa de um câncer que vem de uma forma tão vorais causa um impacto em todo mundo, na família. E aí o médico, os profissionais de saúde precisam ajudar não só a o o paciente, mas a família como um todo. Então era o caso dela. Porém, em algum momento, ela que era do interior de Pernambuco, ela foi pra cidade dela e encontrou uma companhia de teatro ensinando uma peça e se apaixonou pelo diretor do teatro, pelo ator e ele também se apaixonou por ela. Eles então se namoraram e a família não quis deixar esse encontro, esse enlace, porque eram de níveis sociais muito diferentes. E é o pai, né, não queria que ela pudesse ter esse contato, não pudesse se casar. Mas ela, muito corajosa, né, manteve essa vinculação com o amor e eles e foram se casar. Tudo tava preparado, né? Todas as, inclusive as festas, os rituais, a casa comprada, os móveis comprados, tudo comprado. Quando estava na trajetória para o casamento, ela já um tanto quanto rompida com alguns familiares, o jovem, né, o noivo dela, aparece com um câncer, a doença que ela queria matar, né, a doença que ela queria vencer. E ela fica extremamente triste, né? Porque era a doença que ela veio tratar nos outros e ela dizia

noivo dela, aparece com um câncer, a doença que ela queria matar, né, a doença que ela queria vencer. E ela fica extremamente triste, né? Porque era a doença que ela veio tratar nos outros e ela dizia assim: "Eu não consigo detectar na minha casa". Mas se tratava, na realidade de uma recidiva. Ele já tinha tido no passado e agora tinha recidivado e por isso que ela ficava ainda mais se culpando, como se ela tivesse esse poder de, digamos assim, blindar os familiares de qualquer tipo de doença. A doença foi devastadora. ele com condições econômicas eh que não davam a possibilidade de ter um plano de saúde e tudo mais, acabou se tratando no hospital onde ela se formou, que é o hospital, né, o local onde trabalho como professor. E ela ficou lá numa numa luta enorme, uma luta desgastante. E em algum momento o futuro esposo percebeu que estava perdendo, entre aspas, a batalha para o câncer e tentou falar para ela assim: "Ane, quando eu me for, por favor, quando ele falou isso, ela me disse: "Eu fiquei com uma ira enorme. Era como se ele tivesse abandonado a luta e ela não entendeu naquele momento, devido ainda a à vaidade natural que ela tinha, que ele estava começando a se despedir e pedindo para que ela vivesse a vida que ela era era tão nova, tinha tantas perspectivas. E ele queria, na verdade, liberá-la para que ela não se sentisse culpada e não se sentisse vinculada a uma vivez eterna. Mas ela não, ele não poôde continuar. Quando ele falou, "Anne, você viva a sua vida". Ela tomou de ira, gritou com ele e ele resignadamente ficou em silêncio. E esse diálogo não se travou mais. A doença veio de forma incurável do ponto de vista material e ele desencarnou. Tudo pago, tudo pronto. Um sonho de uma vida nesta vida que não veio. O luto que se transformou em uma depressão muito grande, o luto que se transformou numa ideia de suicídio constante. E ela pensava o tempo todo em voltar para o mundo espiritual, em também desencarnar para poder encontrar com grande amor da vida dela.

ande, o luto que se transformou numa ideia de suicídio constante. E ela pensava o tempo todo em voltar para o mundo espiritual, em também desencarnar para poder encontrar com grande amor da vida dela. Ela começou, ela era simpatizante com a doutrina espírita e começou a adentrar mais na doutrina espírita. E foi impressionante ver a força dessa dessa jovem, dessa moça com a doutrina espírita. Não era um espiritismo de berço, era um espiritismo que veio junto com a dor, um espiritismo que veio nesse momento da do adoecimento pela misericórdia do alto, que nos possibilita alguma vinculação para que a gente não sucumba junto. E ela então se apegou tão fortemente que era impressionante vê-la. Ela tinha um trabalho remunerado, dois vínculos públicos que ela tinha e todo outro tempo que ela tinha era atendendo em creches, atendendo em obras sociais, era ela ocupando o tempo. E alguém uma vez me disse: "Ah, mas se escondendo?" Ela perguntou: "Estou escondendo a minha dor. Que esconderijo bom, ajudando o outro. Que esconderijo bom, porque nós temos às vezes a vaidade, o narcisismo de achar que conseguimos enfrentar tudo sem ajuda, sem um esconderijo. Às vezes o hospital é um esconderijo, é como se fosse o seio materno mais uma vez nos dando a possibilidade de nos recompormos. Ela se recompôs trabalhando, vinculando-se a um propósito. Ela não conseguiu ser mais oncologista pediátrica. Era muito doloroso ela cuidar do câncer e ela com humildade se afastou, pediu ajuda aos colegas de profissão. Todos ficaram empatizados com compaixão. Todos trocaram o plantão e trocaram ela de função para que ela pudesse ser pediatra, continuar atendendo como pediatra, mas não mais no campo da oncologia. Ela não só se vinculava às creches de Recife, mas se vinculou também a trabalhos sociais que iam para o sertão de Pernambuco. E era o tempo quase todo vinculada. A família, naturalmente, o pai em algum momento vendo todo esse cenário, pediu perdão para ela, porque os pais podem pedir perdão.

iam para o sertão de Pernambuco. E era o tempo quase todo vinculada. A família, naturalmente, o pai em algum momento vendo todo esse cenário, pediu perdão para ela, porque os pais podem pedir perdão. Nós, enquanto pai e mãe, erramos e podemos pedir perdão também. Ela então abraçou o pai, a família foi quem trouxe para que pudesse ajudá-la. Ela nunca procuraria a psiquiatria, nem a psicoterapia. E foi curioso ela encontrando a humildade a partir da doença. Em determinado momento, ela falou assim: "Pô, as pessoas dizem que a gente fica dependente da psicoterapia e etc. Mas ninguém reclama quando uma pessoa com insuficiência renal vai pra hemodiálise e fica dependente da máquina. Aqui é como se fosse minha hemodiálise. Eu vou para poder renovar. Eu venho para poder renovar. E não há porque me sentir pior, menor, rebaixada. Eu achei fantástica a visão médica dela. O Centro Espírito às vezes é a nossa máquina de hemodiálise que nos mantém vivo. E não há por ficar com medo ou com vergonha porque estamos nos escondendo. Estamos com uma bengala psicológica. Todo mundo precisa de bengala. Quem acha que não precisa é o que mais precisa. Quem acha que não precisa de uma ajuda é quem está mais enfermo, porque está enfermiço na vaidade, que vai vir consumi-lo algum dia numa doença muito mais profunda. Procurar o fármaco, procurar a ajuda. Aliás, o terapeuta é uma palavra grega que significa acompanhar o trabalho da natureza. Terapeuta significa, na verdade, acompanhar o trabalho de Deus, acompanhar o trabalho da natureza. na vida da pessoa, enquanto nós próprios, enquanto profissionais, estamos nos curando do outro lado do birô, do outro lado do leito, outrora estando no leito da dor, hoje conseguindo estar se movimentando nos dois lugares. A vida é a grande oportunidade de podermos refazer as nossas feridas e podermos então entrar em outra perspectiva. E aí foi lindo ver essa jovem se reconstruindo nos seus valores, nas suas ideias, abraçada com a doutrina espírita para que pudesse aguentar e nunca tentar

podermos então entrar em outra perspectiva. E aí foi lindo ver essa jovem se reconstruindo nos seus valores, nas suas ideias, abraçada com a doutrina espírita para que pudesse aguentar e nunca tentar um suicídio, apesar de pensar constantemente. Mas vê a doutrina espírita que ela então pedia. Se Deus puder me levar no na intimidade, não fazia uma oração para isso, mas na intimidade vinha um pensamento, um pedido, mas foi entendendo que as coisas devem acontecer no tempo do Criador. Em determinado momento, ela começou a receber mensagens e uma delas foi uma mensagem extremamente autêntica de um médium que colocou, deu sete nomes. E eu perguntei, ela me mostrou a mensagem, eu perguntei: "Mas você deu o nome pro médium?" Não, não, você tem, ela não tinha rede social para que pudesse encontrá-la na rede social e ver informações dela. E aí várias informações descrevendo o nome dos atores das peças, mandando recados específicos, descrevendo algumas características da peça em que os dois se encontraram. E ele no outro lado da vida, o câncer matou o corpo, mas recuperou o espírito. E ele conseguiu continuar a conversa que nunca pode ter em vida. E ao dizer: "Viva a sua vida". E ela não deixou, ele vim agora do além túmulo, vim agora pela medunidade, pela doutrina espírita, escrevendo a mesma coisa que não pode dizer ao vivo. Viva a vida. Eu lhe amo, nós nos amamos, mas viva a sua vida justamente em nome do amor. Aquilo recuperou junto com o trabalho que já vinha fazendo, as esperanças e ela como uma verdadeira fênix, foi aos poucos indo, recuperando-se. E quem encontra a história dela, porque vários pediatras, eu tive a oportunidade de conversar, de atender e sempre me falavam: "Poxa, a gente se curou vendo a Anne. A cura interna faz com que os outros que estão externamente falando também se curem". Ela não queria curar ninguém externamente. Ela queria apenas permanecer viva, se agarrando ao que ela podia se agarrar. naquele momento de 3 anos, não foi uma coisa rápida, 3 anos

do também se curem". Ela não queria curar ninguém externamente. Ela queria apenas permanecer viva, se agarrando ao que ela podia se agarrar. naquele momento de 3 anos, não foi uma coisa rápida, 3 anos de um tratamento, 3 anos de uma ajuda e depois de um tempo, alguns anos que não havia, eu lhe perguntei: "Como é que você está?" Ela voltou a trabalhar na oncologia, voltou a recuperar uma outra perspectiva de vida. E eu lhe perguntei: "Eu posso contar a tua história com uma biografia como um testemunho? Eu ficarei muito feliz. Se puder ajudar outras pessoas a encontrarem Deus o sentido da vida, no trabalho por Deus, o na o trabalho pelo bem, a conexão com a utilidade. Vejamos que ela não se encontrava antes num trabalho sem uma ocupação útil. Era uma ocupação sempre útil que ela se manteve, mas a dor fez com que ela transcendesse. Às vezes a nossa vida não está assim perturbada, mas também não tá conectada, está naquela certa indiferença, naquela certa faixa morna. E essa essa faixa morna vai fazendo com que a gente seja apenas um homem do nosso tempo. Quando você vê o senador Públo Lentolus era um homem do seu tempo, um homem romano do seu tempo. Existiam até umas pessoas muito mais complicadas do que ele. Mas a Lívia, a esposa, não era uma pessoa do tempo dela. Porque se a gente quiser ser uma pessoa do nosso tempo, a gente vai ser eternamente um homem e uma mulher do nosso tempo. Vai ficar eternamente no que os budistas chamam o ciclo de sansara, o ciclo das reencarnações, que são apenas novos erros e reparações. Se a gente quer algo diferente, a gente precisa transcender, fazer com que a nossa ocupação seja uma vinculação com Deus e não o mecanismo de exaustão. Por isso, precisamos nos reconectar com a humildade, nos reconectar com a paciência e nos reconectar com um propósito maior. Saírmos da caixa e o jovem falou assim: "Do tio, eu acho que é falta de inteligência. Eu também acho. Porque se você conecta-se com uma visão reencarnacionista e se você se conecta com uma visão

aior. Saírmos da caixa e o jovem falou assim: "Do tio, eu acho que é falta de inteligência. Eu também acho. Porque se você conecta-se com uma visão reencarnacionista e se você se conecta com uma visão transcendente, seria provavelmente ela não teria conseguido fazer o que eu vi ela conseguindo fazer. E ela achou que eu a ajudei, né? Mas ela me ajudou muito na perspectiva da esperança. Eu ficava pensando, "E se fosse eu, será que eu teria essa mesma conexão? Porque às vezes ser cristão nas bodas de Canaã é um pouco mais fácil. Ser cristão no momento dos testemunhos é um pouco mais difícil, vem a revolta. Porque a gente fala, acha assim: "Poxa, mas eu tô ao lado de Deus". Prepotência. Ninguém tá ao lado de Deus. Mas a gente acha, eu tô ao lado de Deus e acontece isso comigo. Graças a Deus. Graças a Deus que acontece. É uma oportunidade para que você teste a sua resignação, a sua paciência, a sua sede de mudar. Quando nós estamos com sede, nós mudamos. Nós buscamos o criador no leito do luto, no leito da dor. Espírita se tornou convicta e da sua forma, sem ser nos grandes trabalhos visíveis, no anonimato do dia. Esse anonimato que não se esconde, mas que faz o que é possível diante das suas forças, ela nos conecta numa experiência transcendente de podermos entender que há mistérios peregrinos dos mistérios dos destinos que nos mandam. Buscamos aqui na humanidade, ainda nesse terra a terra, as verdades da verdade e ficamos sedentos de paz, ficamos sedentos de amor, porque em meu nós espíritos nos agitamos, é também a oficima perfeição. É a gota d'água que vai caindo no arbusto que vai subindo pleno de seiva e verdor ou o sacrifício do estrume que se transforma em perfume na corola de uma flor. A própria flor terna que vai caindo e vai deixando o solo diferente, fecundo e fértil. Mas nesse cair, além de fecundar o solo, a flor deixa um aroma leve nas aragens que passam breves nas madrugadas de luz. Porque tudo evolui, tudo sonha na imortal ânsia risonha de mais subir, mais galgar,

nesse cair, além de fecundar o solo, a flor deixa um aroma leve nas aragens que passam breves nas madrugadas de luz. Porque tudo evolui, tudo sonha na imortal ânsia risonha de mais subir, mais galgar, porque Deus é o autor da vida. Portanto, nós somos um pouco desse reflexo. Precisamos nos reconectar com o autor e podermos dizer muito obador que através dos anos, dos algozes que fomos, dos tiranos que estávamos ontem, Yeah.

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