#50 • Jesus e Saúde Mental • O código do monte (Perdão)
WEBSÉRIE • Jesus e Saúde Mental » Episódio 50: O código do monte (Perdão) » Apresentação: Leonardo Machado
Bem-aventurados os misericordiosos. Por que eles encontrarão a misericórdia? É sobre esse tema que nós iremos nos debruçar hoje, na última terça-feira do mês, em que nos temos dedicado a aprofundar análise sobre o Código do Monte, um livro editado pela Federação Espírita do Rio Grande do Sul, de autoria do nosso amigo Sérgio Lopes. Excepcionalmente hoje, por questões de saúde, ele não vai poder estar conosco, mas eu estarei junto com vocês analisando eh essa perspectiva, essa passagem bíblica, uma perspectiva psicológica, sobretudo voltada para misericórdia, perdão, indulgência, mágoas, ofensas. Como é que a gente pode lidar com isso no sentido de construir a uma vida mais virtuosa dentro de nós? Então fica conosco para que a gente possa ir ampliando as nossas visões. Bem-aventurados os misericordiosos, porque eles encontrarão misericórdia. Muito interessante a gente poder tentar aprofundar o que essa briaventurança nos traz do ponto de vista psicológico, do ponto de vista de como lidamos com as emoções. E aí acho que a primeira reflexão que a gente precisa fazer, primeiro grupo de reflexões, é o que seria a própria misericórdia em si. E a misericórdia, ela acaba sendo definida como uma característica que traz a capacidade de a pessoa perdoar, né? Trazer um perdão em relação aos às ofensas, em relação às dívidas. Ao mesmo tempo, uma pessoa que tem uma capacidade de indulgência. Então, perceba que misericórdia ela é um guarda-chuva que dentro desse guarda-chuva ela acaba englobando essas duas forças que a gente tem, né? Força no sentido de eh trazer uma uma potência pro nosso ser, que é a força do perdão e a força da indulgência. São conceitos próximos, mas que trazem uma diferença que eventualmente ao longo do Jesus e saúde mental, ao longo também de como lidar com as emoções, um outro programa que conduzimos aqui na TV da Mansão, a gente poôde falar um pouco, mas aqui seria importante a gente poder trazer novamente a tona. O perdão, ele lembra a indulgência, mas ele é um tanto quanto
ograma que conduzimos aqui na TV da Mansão, a gente poôde falar um pouco, mas aqui seria importante a gente poder trazer novamente a tona. O perdão, ele lembra a indulgência, mas ele é um tanto quanto diferente. Por quê? Porque tanto perdão quanto indulgência envolvem um equívoco, né? Então, por isso que a misericórdia, ao ser uma característica que traz eh no seu bojo o perdão e a indulgência, ela também acaba envolvendo um equívoco e acaba envolvendo uma falha. Quando temos, porém, a o perdão, geralmente a gente utiliza o perdão quando essa falha ela toca mais na gente, quando é uma falha que nos magoou, ou seja, quando é um equívoco do outro que foi tão assim intenso e que mexeu tanto conosco que mobilizou em nós uma emoção difícil de lidar. tá, que é uma emoção chamada mágoa. Já a indulgência envolve também um equívoco em relação a o a do outro, mas em geralmente em geral essa indulgência envolve eh o lidar com o equívoco do outro, mas um equívoco que não nos atinge tão diretamente. Então acaba sendo um equívoco que não gera em nós uma mágoa, né? Por quê? porque é um pouco mais indiferente, é um pouco mais distante já. Eh, o perdão não é uma arte, é uma força virtuosa mais potente, porque também a emoção que ela tenta lhe dar uma emoção mais forte, é uma mágoa mais intensa, é uma raiva mais intensa, enquanto a indulgência é também uma força virtuosa, mas uma força virtuosa que é é menos intensa, porque a mágoa ela é menos intensa, a raiva que gera em nós é menos intensa, pode gerar uma indignação, mas não é tão pessoal. Então, a misericórdia ela engloba tudo isso. Aí eu queria aprofundar um pouco mais trazendo um pouco da doutrina espírita. Por quê? Porque em o livro dos espíritos há uma pergunta muito bonita, muito importante de Allan Kardec, que é uma pergunta sobre o que seria a caridade na visão de Jesus, assim como entendia Jesus. E os benfeitores vão dizer, né, a caridade e o perdão das ofensas, a benevolência para com todos e a indulgência para com as faltas
o que seria a caridade na visão de Jesus, assim como entendia Jesus. E os benfeitores vão dizer, né, a caridade e o perdão das ofensas, a benevolência para com todos e a indulgência para com as faltas alheias. Então, perceba que amor, caridade, misericórdia, né? Amor, caridade, amor, misericórdia tem uma característica em comum, porque os dois no seu bojo, no seu íntimo, tem indulgência e perdão. Misericórdia tem perdão e tem indulgência. Caridade, amor, caridade também tem perdão, também tem indulgência. Então veja que quando a Allan Kardec pergunta os benfeitores vão dizer perdão das ofensas, né, indulgência para com as faltas alheias, mas os benfeitores colocam antes desse um B, que é a benevolência para com todos. Então, de certa forma, o amor caritativo, eh, ele amplia a perspectiva da misericórdia porque ele tem a benevolência para com todos. E a benevolência para com todos, ela independe do erro do outro. Eu quero o bem do para o outro, independente da presença da mágoa, independente, portanto, da presença do equívoco. Mas de qualquer forma, a gente percebe o quê? A raiz em comum, quando a gente tá falando da misericórdia, raiz em comum com o com a caridade. Por quê? Porque ambas são como se fossem forças do amor. E a gente pode então dizer que nas virtudes como um todo, a virtude primordial principal, que até transcende as próprias virtudes é o próprio amor, né? Amor como sendo a força maior do universo, que se desdobra em várias virtudes. E ela própria é uma virtude primordial, mas ela é ampla demais para ser enquadrada apenas numa virtude, porque ela desdobra outras virtudes, né? E a gente pode também colocar o amor como o sentimento maior de todos, né? o amor como sendo o a força que engloba todos os sentimentos e que vai se desdobrando em outros tipos de emoções. Então, o amor é essa potência maior. Nesse amor, misericórdia, nós temos eh uma força para poder lidar com os equívocos, os equívocos inicialmente dos outros, os equívocos que que nos atingem
emoções. Então, o amor é essa potência maior. Nesse amor, misericórdia, nós temos eh uma força para poder lidar com os equívocos, os equívocos inicialmente dos outros, os equívocos que que nos atingem diretamente e nos geram, portanto, muita mágoa. A gente precisa da misericórdia, perdão. e os equívocos que nos atingem menos diretamente e gera uma indignação, uma raiva, mas um pouco menos intensa. Aí a gente precisa dar indulgência. De toda forma, isso vai eh trazendo para nós uma capacidade virtuosa. Se a gente for pegar um paralelo agora, não com a doutrina espírita, não com o evangelho, mas com a psicologia positiva que estuda as chamadas forças de caráter e as virtudes, ela sinaliza o perdão dentro da virtude chamada temperança. Então, a virtude chamada temperança, ela se desdobraria em outras quatro forças. uma força chamada perdão, uma força chamada humildade, uma força chamada prudência e outra força chamada autocontrole. Para a filosofia, né, por exemplo, do Sponville, no livro Pequeno Tratado das Grandes Virtudes, a temperança, ela seria eh, na verdade, como se fosse a base das virtudes. Por quê? Porque a temperança envolve um autocontrole, a temperança envolve uma prudência. prudência, uma capacidade cognitiva, uma capacidade racional de, digamos assim, eh fazer um balanço sobre as os diversos pontos de vistas, os diversos fatores, né, a a as várias variáveis que existem diante de um acontecimento pra gente poder fazer uma avaliação melhor. Então, tem a eh prudência tem a ver com isso e autocontrole tem a ver com essa prudência, seja essa eh racionalização, esse entendimento, mas também tem a ver com controlar os impulsos, tem a ver com controlar as ações. Então, autocontrole é um toque a mais em relação à prudência. E aí acho que é muito interessante na psicologia positiva a gente colocar dentro da temperança a humildade e o perdão. Por quê? Porque para eu ter um certo autocontrole, eu também, né, acabo desenvolvendo ou preciso dessa humildade. E a humildade por quê? Para entender que
dentro da temperança a humildade e o perdão. Por quê? Porque para eu ter um certo autocontrole, eu também, né, acabo desenvolvendo ou preciso dessa humildade. E a humildade por quê? Para entender que existem outros pontos de vista, existem outras possibilidades. E essas possibilidades elas podem estar tão certas quanto as nossas. Essas convicções podem ser tão fortes como as nossas e merecem ser avaliadas. Então, humildade nesse sentido. E aí é interessante o perdão como sendo uma força eh que está ligada a temperança. Temperança dá tempero, né? Temperança também dá origem à palavra tempero. E para podermos ter desenvolvimento de virtudes, a gente precisa ter uma certa temperança. Então o Sonville, nesse livro das virtudes, ele vai dizer que a temperança acaba sendo uma característica de da de todas as outras virtudes. E por isso que é muito falada. A gente vê inclusive Allan Kardec falando dessa palavra temperança. A gente vê eh o Platão, Sócrates, né, Aristóteles, justamente na ideia da virtude como sendo o justo meio, a justa medida, o equilíbrio temperante que tempera a vida. E a virtude, portanto, sendo uma força que nos dá um tempero. Não é, portanto, uma força chata, uma força que dá tempero, que dá sabor. Perdão, portanto, daria um sabor qualitativo melhor paraa nossa vida, na medida em que ele é um remédio potente para podermos lidar com as mágoas, para podermos lidar com essa raiva que é mais intensa porque é menos genérica, né? Raiva pode ser uma coisa genérica. raiva é uma emoção básica que todo mundo tem e é uma uma emoção, de certa forma de proteção, que gera um comportamento de proteção, gera, portanto, um comportamento eh que leva a um impulso eh muitas vezes destruidor, mas não só destruidor. A raiva também pode ser um impulso protetor, mas é um impulso de comportamento, né, que faz com que a gente às vezes perca o controle. Nesse sentido, eh, pode ser uma raiva genérica geral, por exemplo, quando a gente encontra um equívoco geral e aí vem a indulgência,
mportamento, né, que faz com que a gente às vezes perca o controle. Nesse sentido, eh, pode ser uma raiva genérica geral, por exemplo, quando a gente encontra um equívoco geral e aí vem a indulgência, que vai lidar com a raiva geral ligada a uma uma indignação geral, genérica, uma raiva geral, genérica, mas existe a raiva ligada a uma tristeza vinculada às duas, a uma percepção de decepção quando eu entendo que o outro fez algum equívoco para comigo. Então, percebamos aí raiva junto com tristeza a partir da decepção de que o outro fez algum equívoco comigo. E aí isso se chama mágoa. É, portanto, uma emoção de raiva é complexa ou complexificada, porque tá vinculada a outras emoções, como tristeza e a percepção de equívoco para conosco. Então, é uma coisa mais visal, mais próxima e menos e geral do que a raiva como um todo, gerado por um equívoco que não é propriamente propriamente dito com você. E aí o perdão acaba sendo a força de caráter. acaba sendo o desdobramento da misericórdia, acaba sendo o desdobramento do amor, acaba sendo remédio para podermos lidar com as máguas, para podermos diminuir as máguas. Nesse nessa perspectiva, a gente queria pegar o outro grupo de reflexões que vem dentro dessas bem-aventuranças, né? Bem-aventurados os misericordiosos. Então, a gente tá aqui ao explicar a misericórdia, o perdão. Como a gente pode entender o perdão? Pegando a visão do evangelho, pegando a visão espírita e pegando a visão da filosofia e da psicologia positiva. Agora vamos para um segundo momento de reflexão que vem como consequência da frase: "Porque eles também encontrarão miseric misericórdia. Bem-aventurados os misericordiosos, porque encontrarão misericórdia. Aí já muda o foco e amplia. No final das contas, essa frase, essa bem-aventurança, ela vem meio que ao encontro da oração que você certamente aprendeu, que eu aprendi e que muitos de nós aprendemos, que é o Pai Nosso, né? Pai nosso que estáais nos céus. E aí lá dentro do Pai Nosso vai ter: "Perdoa as nossas dívidas, perdoa as
ocê certamente aprendeu, que eu aprendi e que muitos de nós aprendemos, que é o Pai Nosso, né? Pai nosso que estáais nos céus. E aí lá dentro do Pai Nosso vai ter: "Perdoa as nossas dívidas, perdoa as nossas ofensas, assim como nós perdoamos aqueles que nos têm ofendido." Ora, se a misericórdia dentro dela tem um perdão, então, e a o ser misericordioso como consequência é encontrar misericórdia também. Nessa mesma medida, eu faço tanta misericórdia pro outro que eu também acabo encontrando misericórdia para comigo. E aí vem que a gente possa receber o perdão na mesma medida que a gente também consegue perdoar. Então isso é muito interessante. Por quê? Porque mais uma vez envolve essa força chamada humildade. E aí há uma vinculação clara entre humildade e eh perdão. Por quê? Porque quando eu vou aprofundando, né, o nível de entendimento, eu vou percebendo que eu também tenho uma série de equívocos para com os outros ou uma série de equívoco para com a vida. E eventualmente, vamos supor que imagine que eu não fizesse nada diretamente com ninguém. Ah, então não preciso um perdão específico de ninguém porque eu não fiz nada contra ninguém. Vamos pensar de forma hipotética que isso não acontece. Mas vamos pensar que isso aconte acontecesse. Mesmo assim é provável que eu tivesse algum equívoco para com a natureza, algum equívoco para com o universo, algum equívoco geral, né? Porque eu não sou perfeito. Então, não sendo perfeito, provavelmente eu vou eh desalinhar a harmonia do universo. Aí é um equívoco geral, que tem mais a ver a indulgência que eu preciso também. Então, mesmo que em tese eu não precisasse da do perdão que tá ali no Pai Nosso, mas eu precisaria da misericórdia, porque eu precisaria também da indulgência, porque eu não sou perfeito. Então, essa bem-aventurança, ela tá no bojo, ela vem ao encontro do Pai Nosso, mas ela amplia porque ela coloca a misericórdia e não só o perdão. E aí vem mesmo que você ache, né? Às vezes de forma pretenciosa, de forma arrogante, de forma vaidosa, que você
ncontro do Pai Nosso, mas ela amplia porque ela coloca a misericórdia e não só o perdão. E aí vem mesmo que você ache, né? Às vezes de forma pretenciosa, de forma arrogante, de forma vaidosa, que você não erra com ninguém. Mesmo assim, por entender que você não é perfeito e que teus pensamentos não são assim totalmente alinhados com a harmonia do universo sempre, porque há um boljo, né, uma mudança de pensamento, a gente vai entender racionalmente, pelo menos, que nós vamos precisar da indulgência do universo, a indulgência aleia, porque a gente também tem os nossos equívocos para com a natureza, para com as pessoas. Então, a misericórdia, o perdão, a indulgência é uma necessidade não só para eu trabalhar em mim e me tornar uma pessoa mais misericordiosa, uma pessoa, portanto, mais amorosa, afetuosa, que perdoa, que é indulgente, mas também porque eu vou precisar de misericórdia. Eu preciso de misericórdia universal, misericórdia de Deus, que aí é uma coisa amplificada. Talvez o perdão de Deus, né, seja bem mais amplo do que a gente imagina, porque eh o perdão é uma força para lidar com a mágoa. Então, como Deus não fica magoado conosco, o perdão de Deus tem mais a ver com misericórdia, tem mais a ver com indulgência, tem mais a ver com dar uma segunda chance na visão espírita, a própria reencarnação, uma segunda chance é a o desdobramento do perdão de Deus, da misericórdia de Deus, da indulgência de Deus. Não o perdão, como a gente entende, porque não haveria essa mágoa na divindade para conosco, esse ressentir negativo para conosco. Então, nesse sentido, a bem-aventurança, ela se complementa quando a gente faz esse movimento para conosco. Ou seja, eu preciso também de misericórdia, eu preciso também de indulgência, eu preciso também de perdão. Aí essa esse movimento me traz uma certa humildade, porque eu entendo as minhas fragilidades e começo a colocar a misericórdia como uma necessidade na economia divina, a uma necessidade na economia psíquica, uma necessidade eh
traz uma certa humildade, porque eu entendo as minhas fragilidades e começo a colocar a misericórdia como uma necessidade na economia divina, a uma necessidade na economia psíquica, uma necessidade eh para o viver bem, para o viver eh de forma mais plena. Nesse nessa perspectiva, eu acabo lidando com outro conceito, que é o conceito de auto perdão, o conceito de eu lidando com esses equívocos. De fato, eu acabo precisando também lidar com as minhas questões, com meus problemas, com meus equívocos de uma forma genérica, né, e de uma forma eh específica com perdão pessoal, né? O autão não é um campo aberto, um sinal verde para a a leviandade, né? Não é isso, mas é uma necessidade e uma consequência direta dessa bemaventurança, porque eu preciso também ser um pouco mais leve para comigo e aí eu preciso ter um pouco de humildade. Às vezes a gente não se perdoa porque às vezes a gente não tem nem humildade de admitir que errou, não tem nem humildade de admitir que precisamos também desse remédio. E aí a gente nem pede perdão pro outro, porque no final das contas a gente acha que nem esse equivocou. Então, tá num estágio ainda de imaturidade, porque eh a humildade é que gera maturidade em nós. A humildade é que gera, no final das contas, um desenvolvimento maior em nós. A humildade, como a gente falava lá no início do Código do Monte, é o húmus que humidifica a terra, que dá fertilidade à terra do nosso coração. Então, quando nós temos humildade, a gente vai ter em algum momento a percepção, a ciência, a consciência de que a gente se equivocou. Em algum momento a gente vai precisar pedir perdão. Mas, eh, esse perdão que a gente vai precisar pedir, ele também, de certa forma, pode começar a ser trabalhado com o autoperdão. E aí o autoperdão já não é mais o trabalho da mágoa, é o trabalho da culpa. Se o perdão é o antídoto, é a força que me leva a tentar diminuir a mágoa que eu sinto do outro pelo equívoco do outro para comigo, o autoperdão é o antídoto, é a força, né? É o remédio que eu tenho
. Se o perdão é o antídoto, é a força que me leva a tentar diminuir a mágoa que eu sinto do outro pelo equívoco do outro para comigo, o autoperdão é o antídoto, é a força, né? É o remédio que eu tenho para poder lidar com a culpa de ter eu próprio equivocado e mexido com a a harmonia do outro. E aí eu preciso um pouco de autão até mesmo para pedir o perdão. Porque às vezes acontece o seguinte, eh, ao pedir o perdão, eu vou abrir o céu e o inferno de Allan Kardec vai falar do Código Penal da vida futura, tá? Porque vamos lá, eu tenho humildade, né? Percebo que e me equivoquei e aí peço perdão para o outro. Aí o outro me perdoa, mas eu não consigo me perdoar. Porque no final das contas, para me perdoar eu preciso agora de um outro nível de humildade, que é a humildade de aceitar que eu realmente me equivoco, que eu posso realmente cair. E aí eu preciso de humildade para poder completar a tríade que me leva à evolução, que é o quê? O arrependimento, que tem a ver com a palavra culpa, né? Culpa e arrependimento são muito parecidos, né? Mas eh o arrependimento é como se fosse mais leve e mais saudável. Porque geralmente quando a gente pensa em culpa, a gente pensa muito em culpa tóxica, a culpa que fica martirizando, remoendo um disco, eh, um disco arranhado. Mas o arrependimento também é um pouco de culpa, certo? Então, o que que é a culpa? O arrependimento é o quê? É a raiva junto com a tristeza. ligados ao quê? A decepção. Mas não é mais a decepção para com o outro, é decepção para conosco. Lidar com a decepção para conosco é muito difícil. Por entro que pareça, às vezes é mais fácil lidar com a mágoa do que com a culpa. Porque a mágoa envolve a decepção para com o outro. A culpa envolve a decepção para comigo. Por isso que a humildade para que nos leva a um perdão para com o outro é uma humildade importante dentro dessa perspectiva de percepção geral, de que todo mundo tá no mesmo barco, todo mundo pode se equivocar, beleza? Mas essa humildade de lidar com alto perdão é um nível mais
humildade importante dentro dessa perspectiva de percepção geral, de que todo mundo tá no mesmo barco, todo mundo pode se equivocar, beleza? Mas essa humildade de lidar com alto perdão é um nível mais aprofundado. Por quê? Porque quando eu percebo o equívoco do outro, de certa forma o outro é que tá encrincado, encrincado com as leis divinas, né? Tipo, eu não fui o autor, minha mão não tá suja de sangue, digamos assim, né? É a mão do outro. Então, de certa forma, eh, envolve um pouco uma sensação de liberação, né? Então, e eu me sinto melhor no sentido de eu não estou com as mãos sujas. Agora, quando eu percebo em mim as minhas mãos sujas, aí me dá uma sensação extrema de fracasso e eu preciso de humildade mais intensa para não cair na vitimização, porque eu entro na culpabilização de todo mundo, e também não entrar na martirização, que eu não culpabilizo ninguém, mas fico me martirizando na culpa tóxica. Então, eu preciso de uma humildade mais profunda, né? eh um arrependimento mais profundo, né, que é mobilizado por uma humildade mais profunda, que me tira dessa fase inicial, que e me leva a uma fase de sofrimento expiatório, faz parte, mas que me leva a uma reparação. Então, é nesse sentido que pegando o código penal, arrependimento, expiação e reparação, é que eu preciso do auto perdão para poder trabalhar de fato algum tipo de misericórdia, algum tipo de ação, né? Porque o que acontece? Se eu não fizer nenhum tipo de reparação para com o equívoco que eu fiz com o outro, essa minha culpa tóxica, eh, que no final das contas fala de uma humildade muito frágil, porque eu não consigo aprofundar e reparar o equívoco, não vai ser útil pro outro, porque eu não tô fazendo nada de de útil pro outro, de reparador pro outro ou pra vida. Vamos pegar então no equívoco para com a vida, não especificamente para com o outro. Então, para eu caminhar em direção à misericórdia e para eu caminhar em direção a ao perdão, eu preciso do auto perdão. Eu preciso de misericórdia para comigo
da, não especificamente para com o outro. Então, para eu caminhar em direção à misericórdia e para eu caminhar em direção a ao perdão, eu preciso do auto perdão. Eu preciso de misericórdia para comigo mesmo. Então, eu preciso de um pouco de indulgência para comigo mesmo. Então, como é que eu vou interpretar isso, Léo, com a fala do Evangelho Segundo o Espiritismo, que tem lá dizendo: "Sede severos para com os teus equívocos e indulgentes para com os equívocos alios?" Eu preciso interpretar nesse conjunto, palavras, elas são sempre limitadas. Quando a gente, quando o evangelho tá dizendo severo, né? Eh, ele não tá querendo dizer que a gente tem que ficar se punindo, porque ele estaria em contradição com o próprio eh o céu, o inferno, quando ele vai dizer que a gente precisa fazer uma reparação. Então, o que ele tá querendo dizer apenas é que a gente não fique extremamente eh olhando a falta alheia para não cairmos no equívoco de não vermos a trave no nossos olhos, mas conseguirmos ver o argueiro, né, na no olhar do outro, na vida do outro. E aí é essa outra mensagem que Cristo nos fala e que o evangelho nos relembra aí com essa parte que a gente precisa não ficar assim eh se vitimizando e sendo indulgente demais para com nossos equívocos, mas não significa que a gente tem que ficar na culpa tóxica, remoendo e se equivocando. Então a gente precisa entender o evangelho de Jesus, né? E aí entender passagem hum que ele disse aqui e pegar uma passagem que ele disse anteriormente, uma passagem que ele disse colar e ver outra passagem que ele falou ali para entender o conjunto, porque é muito profundo, né? especialmente quando a gente vai aprofundar as questões mais psicológicas eh no sentido de saúde mental, senão a gente vai pegar um texto e vai tirar fora do contexto e vai virar um pretexto para poder eh ficarmos numa atitude punitiva para com o outro ou autopunitiva, né? né? Seja punitiva para conosco. A gente tem que entender o texto dentro do contexto e esse contexto
virar um pretexto para poder eh ficarmos numa atitude punitiva para com o outro ou autopunitiva, né? né? Seja punitiva para conosco. A gente tem que entender o texto dentro do contexto e esse contexto precisa eh entender a mensagem como um todo. Então, é nessa perspectiva que a bemaventurança realmente ela numa frase, né, ela consegue aprofundar todas essas questões que a gente tá aqui se desdobrando para poder pensar. Bem-aventurados os misericordiosos. Não termina aí, porque eles encontrarão misericórdia. Na medida direta em que a misericórdia eh madura ela está sendo construída em nós, a gente vai também encontrando misericórdia para conosco. Então, na medida direta que eu estou perdoando de forma madura o outro, eu vou também me autoperdoando de forma madura. Na medida direta que eu vou sendo indulgente para com o outro, eu também vou sendo indulgente para comigo. Porque quando eu vou construindo misericórdia para com o outro, eu estou construindo misericórdia para comigo. Na medida direta que eu estou amando o outro, eu estou amando a mim mesmo de forma madura. E aí vem o amor ampliado, vem também a compaixão, né, que é o querer bem, fazer bem para com todos. independente eh da dos equívocos, né? Ou seja, a compaixão é querer bem, fazer bem e além disso a empatia, né? entender os sucessos do outro, querer bem, não só quando o outro está num momento de dor, aí eu uso compaixão, mas eu quero bem para com o outro também no momento eh que ele tá com sucesso, aí eu amplio e eu consigo eh fazer uma forma mais madura. Nesse sentido, pessoal, eu queria eh trazer algumas eh reflexões, né? E aí eu vou ler aqui alguns pontos pra gente poder talvez sintetizar esses aspectos eh aprofundados sobre perdão, sobre autão, tá? E aí queria dizer o seguinte: indiferença ainda é uma raiva, mas é uma raiva mais sofisticada, é uma raiva mais refinada. Mas eu queria dizer para você que me parece do ponto de vista de saúde mental e do ponto de vista da harmonia universal que já é tá tudo bem, sabe assim, tá? Eu não tô
cada, é uma raiva mais refinada. Mas eu queria dizer para você que me parece do ponto de vista de saúde mental e do ponto de vista da harmonia universal que já é tá tudo bem, sabe assim, tá? Eu não tô perdoando completamente porque eu ainda percebo que eu tenho raiva porque eu tô com a raiva mais sofisticada que a indiferença. Mas já tá melhor. Por que já é melhor? já é melhor, porque com isso eu já não tô entrando mais num comportamento violento, destrutivo, de revide ou de vingança. A gente precisa também pegar um pouco mais leve, né? Se você não tá conseguindo o perdão completo, pleno, perfeito, misericordioso que você queria e que eu quero, mas pelo menos não é mais aquela mágoa que destrói, não é mais aquela mágoa que gera vingança, é uma indiferência. diferença e é um passo pra gente poder conseguir no futuro até que venha outras memórias, outros fatos, outro outro tempo e depois aí a gente faz assim: "Poxa, eu nem me lembro mais exatamente o que é que aconteceu". Porque o tempo vai fazendo o trabalho dele, de trazendo outras memórias, aquelas memórias dolorosas, irem ficando assim um pouco mais eh nubladas, até esquecidas, se não completamente esquecidas, mas um pouco mais nubladas porque outras coisas aconteceram. Mas para isso a indiferença a eh eh é uma ferramenta que a gente que a gente acaba tendo eh que encontrar nesse caminho do perdão para diminuir um pouco aquela mágoa intensa de revingança, para dar espaço para outras memórias acontecerem. O perdão, de uma forma mais aprofundada envolve a adição, né? ou seja, o somatório ou pelo menos a sensação de emoções positivas, nem que seja uma certa alegria, uma certa gratidão ou ao menos um alívio pela percepção de quê? O entendimento de quê? De que o erro, que portanto o erro que gerou a dor, ele trouxe algum aprendizado eh na minha vida. Não é gratidão pelo erro em si, mas é uma certa gratidão, um certo alívio, uma certa alegria pelos aprendizados que a vida nos trouxe a partir do evento doloroso. Acho que esse é um ponto
minha vida. Não é gratidão pelo erro em si, mas é uma certa gratidão, um certo alívio, uma certa alegria pelos aprendizados que a vida nos trouxe a partir do evento doloroso. Acho que esse é um ponto também que eu queria eh sintetizar algumas dessas falas de dessa desse encontro de hoje, mas também do Jesus e saúde mental como um todo. Embora, pessoal, nem sempre nós saibamos o que é o perdão pleno, perfeito, puro, ágape, nós temos a possibilidade de entender o que não é perdão. Então, talvez essas reflexões sobre o perdão são muito úteis pra gente entendendo esse caminho. E provavelmente um outro ponto que eu queria frisar é que o perdão mais acessível ao nosso nível de consciência, ao nosso nível de desenvolvimento dentro dessa perspectiva que a gente tá falando, é a não violência, é o não revide, a não vingança, é, portanto, a o não fazer o comportamento, não necessariamente a emoção. Se eu já não revido, mesmo que dentro de mim exista assim mágoa, mas é uma mágoa menos intensa, porque ela não tá dominando o meu comportamento. Então, que bom, que bom, eu tô num caminho. No futuro, essa mágoa já vai virar uma certa indiferença. No futuro, essa indiferença já vai virar algo diluído, né? E aí a gente conseguiu eh perdoar pela gratidão, né, do aprendizado. Cuidado com esse perdão que eu gosto de brincar assim, fast food, o perdão rápido demais. Eh, muitas vezes esse perdão rápido demais é na verdade uma negação, né, de todo esse processo complexo que tem dentro do nosso psiquismo diante dessas situações. Porque no caminho do perdão, eu preciso também de autocompaixão comigo por não ter ainda perdoado totalmente. A meta é perdoar plenamente, mas como não consigo, eu preciso essa autocompaixão por essas outras eh parcialidades que eu tenho, que fazem parte do processo evolutivo, no caminho do perdão. Portanto, eu preciso ficar feliz comigo pelas pequena, pelas pequenas metas que eu já consigo alcançar e os pequenos horizontes amorosos que eu já consegui vislumbrar. Eu queria trazer essa
do perdão. Portanto, eu preciso ficar feliz comigo pelas pequena, pelas pequenas metas que eu já consigo alcançar e os pequenos horizontes amorosos que eu já consegui vislumbrar. Eu queria trazer essa sínteses de forma eh resumida, porque acho que esse tema é tão complexo, mas tão importante da gente pensar, mas não apenas quando a gente está no perdão pleno, porque aí a gente nem, eu não poderia falar para vocês, ninguém certamente eh das palestras espíritas conseguiria falar, né, para vocês e falar para sigo mesmo. Mas quando a gente pensa nessa perspectiva, fica mais fácil a gente se abrir com humildade de entender que não, não é que a gente consiga fazer tudo plenamente que a gente gostaria, mas a gente já tá entendendo. E ao entender a gente tá tentando fazer. Ao tentar fazer, a gente já está sendo um pouquinho mais misericordioso para com o conjunto universal, inclusive para comigo mesmo, para conosco. Fica aqui o nosso convite para a misericórdia, o nosso convite para o amor, o nosso convite para o perdão, o nosso convite para a indulgência. Fica aqui o convite para que a gente possa continuar juntos nesse nessa série, nesse programa Jesus e saúde mental. E na próxima semana a gente entra com perguntas e respostas. Já temos algumas eh perguntas que iremos eh já que iremos responder, mas vamos abrir uma caixa de perguntas lá no no meu Instagram, nos histories para que você possa fazer a sua pergunta. também pode colocar pergunta aqui no YouTube, especialmente não no chat ao vivo, mas especialmente nas mensagens que ficam depois que o vídeo fica guardado no YouTube da mansão. Muito obrigado, muita paz, que você e eu possamos ficar bem ao longo desses dias.
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