#03 • Jesus e Saúde Mental • Bondade ou ansiedade? Exemplo do Samaritano
WEBSÉRIE • Jesus e Saúde Mental » Episódio 03: Bondade ou ansiedade? Exemplo do Samaritano » Apresentação: Dr. Leonardo Machado
Há mistérios peregrinos nos mistérios dos destinos que nos mandam renascer. Da luz do Criador nós nascemos, múltiplas vidas vivemos para a mesma luz volver. Mas buscamos aqui na humanidade as verdades da verdade, sedentos de paz e de amor. E em me aos mortos vivos, nós somos míseros cativos da iniquidade e da dor. Os versos poéticos de Castro Alves em Marchemos do Parnio Dela em Túmulo do Chico Xavier nos falam desse anseio que todos temos de em saindo do criador voltarmos ao criador, nos unirmos à divindade no sentido de conseguirmos entender a essência da vida, a essência do universo, a essência do criador, podermos fazer o que Jesus nos colocou quando disse: "Eu e e o pai somos um só. a unicidade criatura com o criador através do pensamento na visão espiritista que consegue se ampliando, se ampliando e penetrar a intimidade do pensamento divino. Nessa trajetória, porém, é natural que anseios do nosso eu possam nos colocar em atividade. E é muito interessante que o anseio de poder ser melhor, o anseio de ser bom ou um anseio da bondade seja um motivador dos nossos passos. Porque afinal se a gente quer ser melhor moralmente falando, se a gente quer ser melhor espiritualmente falando, se a gente quer ser bondoso de uma forma geral, isso já nos mostra uma pequena evolução, porque nos mostra que saímos do estágio da psicopatia, da personalidade antissocial, que não sente culpa e, portanto, pouco se importa em ser bondoso. Ele pode até se importar em parecer bondoso para manipular as massas e conseguir seus interesses. Mas na sua intimidade, a culpa não o mobiliza e, portanto, o anseio de fazer algo diferente, o anseio de ser melhor para a sociedade e para os outros também não move. Então, se nós temos dentro de nós alguma fagulha, alguma força que faz com que a gente queira voltar ao criador para penetrar a intimidade do universo através da do nosso pensamento, da nossa evolução, essa força criadora que nos chama para sermos melhores e, portanto, bondosos é um passo evolutivo, mas é um passo, não
etrar a intimidade do universo através da do nosso pensamento, da nossa evolução, essa força criadora que nos chama para sermos melhores e, portanto, bondosos é um passo evolutivo, mas é um passo, não é a completude, obviamente. E nessa trajetória em que saímos do Criador, vivemos múltiplas vidas e um dia encontraremos o retorno ao criador, nós temos um largo interregno, um largo intervalo. E esse intervalo gera muitas vezes ansiedade, a ânsia de ser bom hoje, a ânsia de ser bondoso totalmente hoje. E aí é interessante que nesse capítulo Jesus também nos ensina muito quando ele fala: "Olha, bom é o meu pai, bom é o pai". Ou seja, Deus é que é a perfeição absoluta. Nós, por mais que evoluamos, né, que insistamos, temos uma perfeição relativa. Então, Deus com D maiúscula, nós deuses com D minúsculo, ou seja, eh, temos um potencial a uma perfeição relativa. que Bis Red Minezes coloca muito bem no livro chamado A loucura sobre o novo prisma, que nós somos perfectíveis. Essa perfectibilidade, esse potencial de ser perfeito e, portanto, ser bondoso e, portanto, ser melhor é uma potência, mas relativa, porque o parâmetro absoluto é a divindade. Essa perfeição relativa, porém, nos coloca, pelo que a gente entende, pelas palavras de Jesus, interpretadas pela visão espírita, num patamar de comunhão com o grande todo, com a divindade. Nesse sentido, como maneirar a ansiedade de ser bom, a ansiedade por evolução, com a tranquilidade do passo, a bondade como sendo a meta e o caminhar como sendo a trajetória dessas múltiplas vidas que vivemos. Como é que a gente pode alinhar de forma saudável, de forma tranquila, evolução com tranquilidade, sem cairmos na acomodação de não querermos modificar? Me parece que Jesus explica muito bem quando Lucas anota no seu capítulo 10, versículos 25 a 37, a parábola que é conhecida como a parábola do samaritano. E eu vou ler aqui com vocês pra gente poder ir interpretando. E eis que se levantou um certo doutor da lei, tentando-o e dizendo: "Mestre, que
a parábola que é conhecida como a parábola do samaritano. E eu vou ler aqui com vocês pra gente poder ir interpretando. E eis que se levantou um certo doutor da lei, tentando-o e dizendo: "Mestre, que farei para poder herdar a vida eterna?" Então, o que é que eu posso fazer para evoluir? O que é que eu posso fazer para essa vida eterna na visão espiritista? essa perfeição relativa, essa comunhão com Deus, eh essa vida em que a gente não tá mais preso nos ciclos de reencarnações em que faz a gente evoluir. Veja o Castro Alves, da luz do Criador nascemos, múltiplas vidas vivemos o ciclo reencarnatório de provas e expiações para podermos um dia voltarmos a essa luz do criador. Então, nós teremos existências num num corpo físico, mas com outra perspectiva. Então, a herança eh da vida eterna numa simbologia de evolução significaria isso na visão espírita. E diria Jesus: "Eh, o que é que tá escrito na lei? Como é que você lê?" E respondendo esse doutor da lei, disse: "Amarás o Senhor, teu Deus de todo o teu coração e de toda a tua alma e de todas as tuas forças. e de todo teu entendimento e ao teu próximo como a ti mesmo. Então, o doutor da lei resgata esta lei que, veja bem, não é uma coisa nova naturalmente que Jesus estava falando, já estava lá. Por isso que ele fala que ele veio eh transformar, ampliar a lei, porque já estava lá. Ele, porém, amplia e uma ampliação que toca diretamente nessa questão de evolução, tranquilidade, busca por bondade e por ser bondoso com eh tranquilidade da alma para não ficarmos ansiosos em sermos bons hoje. Então, ele vai resgatar, né, na conversando, tirando a lei do doutor da lei, o qual era o melhor, o maior mandamento que fazia com que a gente pudesse herdar a vida eterna. portanto, evoluir e ele vai resgatar essa mandamento, amar a Deus acima de todas as coisas e ao próximo como a si mesmo. Então, respondeu Jesus, respondeste bem. Faz isso e viverás. Viver essa vida eterna, irásis evoluir, irásis encontrar essa bondade. O doutor da lei, porém, ele quis se
as e ao próximo como a si mesmo. Então, respondeu Jesus, respondeste bem. Faz isso e viverás. Viver essa vida eterna, irásis evoluir, irásis encontrar essa bondade. O doutor da lei, porém, ele quis se justificar, né, e quis ampliar a pergunta e trouxe mais uma questão para Jesus. E quem é o meu próximo? Porque esse é o ponto interessante, né? Amar a Deus acima de todas as coisas e ao próximo como a si mesmo. Então, quem é o meu próximo? E então Jesus disse uma parábola, né, a parábola do samaritano, que alguns colocam a parábola do bom samaritano. Mas há um questionamento sobre essa parábola do bom samaritano, porque de certa forma já seria esse bom aí interposto, já seria um certo preconceito, né? Eh, como se os samaritanos fossem, em geral ruins, né? Emprestáveis, e esse fosse uma exceção por toda a cultura que existia em relação aos samaritanos. Porque o que é que acontece? Nós temos ali eh na Judeia antiga, na Palestina antiga, na realidade, eh a divisão de alguns de algumas regiões. Então, a Palestina antiga era dividida por regiões. E você tem, então, eh, a Judeia, né, a, a Galileia e a Samaria, três grandes regiões. E a Samaria ficava entre a Judeia e a Galileia. E muitas vezes o que é que acontecia? Os judeus de então eles desviavam a Samaria pela Pereia e por Draconítedes e outras regiões para poder não cruzar a Samaria. Porque naquela altura e que estamos nos reportando nos tempos bíblicos, portanto, nos templos da boa nova, né, do Evangelho, eh os samaritanos já estavam eh desconectados dos judeus. Por quê? Porque ao tempo do imperador assírio, né, Sargão II, eh ele tentou dominar Jerusalém, sendo que Jerusalém era muito desenvolvida em termo, inclusive econômico, tinha uma fortificação, muralhas, e os assírios não conseguiram entrar em Jerusalém, não conseguiram dominar. E a Galileia era uma região bastante pobre e não tinha essa possibilidade, assim como a Samaria. A Samaria tava lá no Monte Garizim, né? A sua principal eh a principal geografia da Samaria era o Monte Garizim. E eles
uma região bastante pobre e não tinha essa possibilidade, assim como a Samaria. A Samaria tava lá no Monte Garizim, né? A sua principal eh a principal geografia da Samaria era o Monte Garizim. E eles então não tinham essa defesa. Então conta-se que o império assírio eh não conseguindo dominar a Palestina porque não havia dominado Jerusalém. Eles então eh violentaram sexualmente as samaritanas, eh mataram muitos samaritanos e desde aquele momento eh a Samaria e os samaritanos ficaram misturados. E como existia, né, um certo narcisismo no povo da Palestina daquele momento, narcisismo no sentido de ser o povo eleito, um povo que não se misturava com outras raças, os samaritanos desde então, além de perderem o seu território, além de virem um grande massacre, também passaram a ser segregados dos outros judeus, embora fossem judeus na sua origem, e agora foram então chamados de samaritanos. E quando um judeu de outra região via um samaritano, ele olhava pro lado e cuspia e chamava de raca ou raça impura. Impura por causa dessa eh dessa violência sexual de fato que eles sofreram e dessa violência física de mortes, etc. Então, e coloca-se que seria a parábola do samaritano, né? Porque o bom samaritano é como se fosse assim: "Olha, os samaritanos eram imprestáveis, existia exceção." Curioso é que Jesus, né, não só na parábola do samaritano, mas também ele passou algumas vezes pela Samaria, a palavra linda ali do da do diálogo dele com a mulher no poço do pai Jacó e ele trazendo a água da vida. Enfim, em vários momentos Jesus tem contato com os samaritanos e faz questão, pela que a gente percebe, pelos relatos bíblicos, de colocar os samaritanos eh um em uma posição que era possível, né, mais uma vez eh transcendendo essa questão das castas, essa questão da etnia, da raça e mostrando que o que importa são as ações, o que importa não é a o exterior. Não são nem os estereótipos. O que importa é a essência do que nós somos a partir da percepção daquilo que conseguimos fazer.
ostrando que o que importa são as ações, o que importa não é a o exterior. Não são nem os estereótipos. O que importa é a essência do que nós somos a partir da percepção daquilo que conseguimos fazer. Então disse Jesus: "Descia um homem de Jerusalém para Jericó e esse homem caiu nas mãos dos salteadores, os quais o despojaram e espancaram e se retiraram e deixaram ali aquele homem meio morto. Ninguém sabia quem era esse homem, qual raça, qual cor, né? Se era rico, se era pobre, enfim, ninguém sabia. E Jesus não coloca essa característica também. ocasionalmente descia pelo mesmo caminho a um sacerdote. E o sacerdote o viu, mas passou de largo, passou de longe. De igual modo, um levita chegou naquele local, viu esse homem caído e, da mesma forma passou de largo. Mas um samaritano que ia de viagem chegou ao pé dele e vendo moveu-se de íntima compaixão. E aproximando-se atou-lhe as feridas, deitando-lhes azeite e vinho. E pondo-se sobre E pondo-o sobre o seu animal, levou para uma estalagem e cuidou dele. E partindo no outro dia, tirou dois dinheiros e Deus ao hospedeiro, e disse-lhe: "Cuida dele! E tudo o que demais gastares, eu te pagarei quando voltar. Qual pois remete Jesus, né, arremata Jesus para aquele doutor da lei? Qual desses três parece para você que foi o próximo daquele que caiu nas mãos dos salteadores? E o Dr. Lei não teve que responder, né? o que usou de misericórdia para com ele, ou seja, o samaritano. Disse então Jesus, vai e faz da mesma maneira. É interessante a gente observar a postura enaltecida por Jesus na parábola do samaritano. Perceba que a gente não sabe quem é o samaritano. A gente não sabe se ele tem contato, né, com eh as leis, se ele tem contato com uma um lado espiritual. A gente não sabe exatamente quem é esse samaritano. A gente sabe que depois dessa divisão eh em que os samaritanos foram excluídos, eles não puderam mais eh orar, adorar a Deus no templo de Jerusalém, como todo judeu de então fazia. E eles começaram então a adorar a Deus na natureza, no
ão eh em que os samaritanos foram excluídos, eles não puderam mais eh orar, adorar a Deus no templo de Jerusalém, como todo judeu de então fazia. E eles começaram então a adorar a Deus na natureza, no monte Garizim. Então a gente sabe que tem uma espiritualidade ali envolvida. a gente deduz que esse samaritano ele tinha alguma condição eh financeira, porque ele tava ali com azeite, com vinho, que são artigos caros, né, nos dias de hoje ainda, mas naquele momento também. Ele tinha ali porque ele ajudou as feridas do samaritano, ou melhor, do homem que estava caído a partir do vinho, a partir da do azeite. E além disso, ele voltou na hospedaria e pagou as despesas e falou: "Olha, tudo que você gastar, eu vou pagar um pouco mais quando eu voltar". Me parece eh interessante observar que era um homem que tinha alguma atribuição, né? Como a gente tem nos dias de hoje, o samaritano era alguém que era atarefado, como em geral nós somos nos dias de hoje, que estava fazendo uma viagem. Ele não estava ali coletando, né, e catando oportunidades para poder servir a Deus de uma forma caridosa e ser bondoso. Não, ele estava nos afazeres dele. Mas quando ele viu aquele homem caído, ele percebe aquele homem caído e é tocado de íntima compaixão. Ou seja, ele tinha um patrimônio na alma, um patrimônio interior que a gente chama de compaixão, ou seja, moveu-se nele a emoção. E emoção em grego era patos. E veja que então patologia, o estudo eh da dos adoecimentos, porque os gregos tinham a visão de que o adoecimento como um todo era o excesso de emoção. Eles tinham que ser muito racionais. eh patético, né? Alguém que está muito emocionado, né? A a sinfonia de Tikovics ou sinfonia de Betoven, chamada patética, são sinfonias melodiosas que remetem às emoções, mas eh como consequência das emoções existia paixão. Então a paixão é uma emoção ainda mais intensa. Então quando eu tenho compaixão, eu souvido por uma intensa emoção que me faz estar com o outro. E quando ativo a autocompaixão comigo
s existia paixão. Então a paixão é uma emoção ainda mais intensa. Então quando eu tenho compaixão, eu souvido por uma intensa emoção que me faz estar com o outro. E quando ativo a autocompaixão comigo mesmo, nessa mistura de amar o outro como a si mesmo. Então, quando o samaritano vai lá e olha aquele homem caído, ele é tomado de compaixão. Não é só empatia. Todos nós temos a possibilidade, se não somos psicopatas, nós temos a possibilidade de eh nos sentir compadecidos e fazer um ato compassivo, porque nós empatizamos, nós temos os chamados neurônios espelho, mas o neurônio espelho que gera a possibilidade biológica da empatia pelos estudos atuais, eles não necessariamente geram em nós uma ação e às vezes pode gerar uma ação até destruidora. Então, veja ali o doutor da lei, o levita, eles também têm neurônios espelhos, eles também têm empatia. Eles observaram certamente nas suas pregações, no seu dia a dia, eles são favoráveis a fazer o bem, mas ser favorável a não significa que o outro vai estar fazendo este algo que ele é favorável, porque a ação ela sai da teoria. Então, o samaritano ele não é só, ele não só empatiza com a dor do homem caído, ele fica com com compaixão. Ele faz uma ação. E essa é a diferença, a força da compaixão. A compaixão, na sua essência é um desdobramento do amor. E o amor ele envolve uma atitude. É por isso que na visão espiritista nós temos o amor e a caridade como sendo sinônimos ali ou fais de duas moedas. Dentro de O livro dos Espíritos, nas leis morais, nós temos a lei de justiça, de amor e de caridade. Essas três faces dessa lei divina, pela nossa visão espírita, elas se complementam, porque o amor é como se fosse a inspiração teórica, mas a caridade é a ação prática. E a justiça é, digamos assim, o fiel, né, da balança, que faz equilibrar a equação do quanto de amor e de quanto de caridade eu vou fazendo pro outro e para comigo mesmo. Então, amor na visão espírita leva a uma ação caridosa. Então, compaixão seria e essa esse somatório, esse somatório do amor
amor e de quanto de caridade eu vou fazendo pro outro e para comigo mesmo. Então, amor na visão espírita leva a uma ação caridosa. Então, compaixão seria e essa esse somatório, esse somatório do amor com a ação, do amor com a caridade. Mas veja que coisa interessante. A diferença é que às vezes a gente fala de caridade e se coloca num pedestal acima do outro, como se nós fôssemos os abastados e o outro fosse o miserável de toda a natureza. O samaritano naquele momento ele estava com mais condições de financeiras de saúde. Então ele estava numa posição diferente, de fato, acima, mas não significava dizer que ele era melhor do que o homem que estava caído. Porque para ajudar o homem que estava caído, para fazer uma ação compassiva, para fazer uma ação caridosa, o samaritano teve que o quê? Se abaixar, se nivelar. A compaixão faz isso. A compaixão faz com que a gente se nivele, porque a compaixão dentro da sua característica, ela tem o quê? A humanidade compartilhada. A minha dor não me torna mais importante do que o outro, porque eu estou sofrendo mais. O outro também tem o seu sofrimento, mas ao mesmo tempo a dor do outro não o torna, digamos assim, mais necessitado ou pior do que eu. Temos uma humanidade compartilhada nas dores e também nas alegrias. E por isso, para fazermos uma ação compassiva, é importante que a gente se nivele tentando os dois se elevar, no sentido de os dois se melhorarem. Então, é interessante que caridade não pode ser uma um convite ao orgulho, como se nós fôssemos aqueles que estamos fazendo o bem e fôssemos o bondoso, porque aí perde uma característica, né, que é a humildade, que gera essa humanidade compartilhada. Então, é muito interessante a gente observar essa essas nuances assim da parábola, né? A compaixão, o que gera uma ação é porque o samaritano foi tomado de íntima compaixão. Mas observemos que o samaritano ele desvia a rota dele. Sim, desvia, leva até uma hospedaria. Pelo que a gente entende, ele dorme nessa hospedaria e no outro dia ele consegue o caminho dele.
ompaixão. Mas observemos que o samaritano ele desvia a rota dele. Sim, desvia, leva até uma hospedaria. Pelo que a gente entende, ele dorme nessa hospedaria e no outro dia ele consegue o caminho dele. Então ele fez um desvio de rota. Ele precisou dar uma pausa no que ele estava fazendo para fazer essa ajuda compassiva. Então ele fez algo a mais e além disso, ele falou: "Olha, eu te darei, né, o dobro que você gastar quando eu retornar". Então, pelo que a gente percebe, o samaritano, ele para, faz um desvio na rota para ajudar o o homem caído, se coloca no lugar, se nivela, né? Porque ele se abaixa no sentido figurativo para poder levantar os dois e os dois se levantarem. E esse levantar do samaritano levanta o homem caído, ele o coloca na hospedaria, os dois eh dormem, pelo que a gente deduz, nessa hospedaria e no outro dia o samaritano vai embora. E essa é uma grande diferença de quando somos movidos pela bondade do que quando somos movidos pela ansiedade ou por outros, por outras emoções que são importantes, mas que às vezes nos aprisionam. A ansiedade faria com que o samaritano ficasse preso na hospedaria até o homem caído se recuperar. E os próprios afazeres do samaritano iam ser colocados de lado. E o afazer do samaritano certamente é importante, porque a gente não sabe, mas vai que ele tivesse família e essa viagem ele tivesse indo ver a família ou indo eh ajudar o filho. Vai que ele tá ali fazendo uma uma atividade também caritativa ou alguma função. Enfim, a gente não sabe o que é que o samaritano estava indo fazer. a gente sabe que ele estava indo, ou seja, que ele tinha um caminho, ele tinha uma tarefa. E esse é um ponto importante. Quando somos movidos por compaixão, que nos torna pessoas melhores para com o outro, nós também somos movidos por autocompaixão, amor ao próximo como a si mesmo. E percebemos que a gente também tem a nossa vida, a as nossas necessidades, as nossas limitações, os nossos deveres, os nossos afazeres. E não importa qual sejam os afazeres, eles
imo como a si mesmo. E percebemos que a gente também tem a nossa vida, a as nossas necessidades, as nossas limitações, os nossos deveres, os nossos afazeres. E não importa qual sejam os afazeres, eles também têm uma importância, porque eles nos dizem de um autocuidado. Então, não significa que a gente só possa eh parar para voltar, né, a parar a ajuda, digamos assim, para voltar aos nossos afazeres se esse afazer for o mais importante do mundo. Porque veja que na parábola Jesus não especifica qual era o compromisso do samaritano. Talvez justamente propositalmente, como a gente imagina que foram os ensinamentos de Jesus, ele coloca de forma ampla que o samaritano estava indo para e depois volta à sua viagem e quando retornasse ele pagaria o a o dobro, né? Ou seja, pagaria o as outras despesas que aquele eh homem que estava caído precisou. Esse é um ponto fundamental, porque quando são mobilizados por ansiedade, a gente ajuda, mas paralisa a própria vida. paralisa a própria vida porque quer salvar o outro totalmente e se esquece de si mesmo. Mas quando a gente se esquece nesse sentido mais eh mais atrapalhado, né, mais deslocado de si mesmo, a gente acaba também esquecendo do outro, né? Porque a gente precisa estar bem para poder fazer algo. Então é necessário que essa balança do amor, né, mobilize, que comece a parábola, mobilize ações compassivas para o outro, mas também autocompaixão e faça com que você fique menos ansioso, sabendo que olha, eu fiz o que eu podia, eu fiz a minha parte, agora a minha a vida tem outros afazeres, porque é interessante também que na parábola o homem caído, ele até porque estava desacordado, muito ferido, muito fraco, pelo que a gente entende, ele não teve oportunidade de ficar cobrando. Mas é interessante isso também, quando nós estivermos na postura de receber a ajuda, que a gente a receba ajuda possível e não aquela que a gente acha que o outro deveria dar, aquilo que é possível, aquilo que a vida nos dá. E sejamos gratos, né, sem ficar
postura de receber a ajuda, que a gente a receba ajuda possível e não aquela que a gente acha que o outro deveria dar, aquilo que é possível, aquilo que a vida nos dá. E sejamos gratos, né, sem ficar sempre querendo mais, sempre querendo mais. Porque às vezes nós somos devedores perpétuos. Às vezes a nossa culpa de querer ser, né, a nossa culpa gera em nós uma pressa, uma sensação de que nada do que eu faço é bom o suficiente e, portanto, gera uma ansiedade de podermos, para diminuir essa culpa, sermos bons hoje. E aí ficamos presos, né, numa num ciclo vicioso entre ansiedade, paralisação, culpa, que gera mais ansiedade, enfim, quando a gente fica preso como se fosse devedor perpétuo, ou seja, aquele que sempre está em dívida, a gente fica preso nesse ciclo vicioso da ansiedade, sempre tendo que fazer mais, sem lembrar que a vida também tem as suas atribuições pessoais e que a vida também vai fazer o seu curso, o próprio tempo vai dar o seu curso para que as coisas aconteçam. Então, o samaritano teve que usar da sua bondade, mas também da sua tranquilidade para saber que que as feridas daquele homem caído iam ter o tempo para cicatrizar. Então, por mais que ele botasse vinho, botasse azeite para poder ajeitar as feridas, há um tempo de cicatrização. A ansiedade não espera esse tempo. A bondade mais madura espera, faz o tempo dela, vai continuar seus afazeres e depois volta quando o tempo permitir. Então, quando recebermos ajuda, não sejamos alguém que sempre acha que os outros estão em dívida, né? que seria o credor perpétuo, aquele que acha que todo mundo deve para ele, que a gente possa também ter a postura que o a parábola nos ensina de forma indireta, o homem caído que recebeu a ajuda possível daquele samaritano e já tá muito bom para que a gente não fique assim se vitimizando, porque aquele que é um eh credor perpétuo acha que todo mundo deve para ele sempre, ele geralmente se vitimiza, ele se eh eh faz um uso do coitadismo excessivo. E esse aqui que acha que tá
itimizando, porque aquele que é um eh credor perpétuo acha que todo mundo deve para ele sempre, ele geralmente se vitimiza, ele se eh eh faz um uso do coitadismo excessivo. E esse aqui que acha que tá sempre eh em dívida com os outros, ele geralmente se culpa se culpa muito. Então, para resumir a mensagem que eu queria eh passar, né, analisando a parábola do samaritano, diferenciando a bondade da ansiedade, é que a bondade faz ajudar o outro, mas não prejudica a si mesmo. Deixa, portanto, a liberdade do outro agir e o tempo entrar em cena para que as coisas aconteçam. enquanto a ansiedade também faz ajudar o outro. Então, veja que a questão não é ajudar o outro. Ajudar o outro é um comportamento muito semelhante, tanto a ansiedade mobilizada por culpa, quanto a bondade mobilizada por aspiração para ser melhor, fazem. Agora, na ansiedade, a gente acaba prejudicando a nós mesmos. Por quê? Porque a gente quer viver e andar pelo outro. e se esquece que o outro precisa viver e andar com as próprias possibilidades. Então, a ansiedade não possibilita liberdade, mas não é uma liberdade porque a pessoa é controladora, tirânica, dominadora, é porque ela é ansiosa e se culpa muito. E ao ver um filho, um amigo, um ente querido em sofrimento, ela acha que é ela que não está fazendo tudo que podia, mas se esquece de que, por mais que a gente faça, nós não somos tão grandiosas assim para poder bloquear a dor dos outros. A gente não bloqueia a nossa, porque a dor tem um sentido, tem um porquê. Então, o que a gente pode fazer é ajudar, se levantar e continuar. É por isso que vale a pena olhar Castro Alves na síntese da visão espírita quando ele escreve por Chico Xavier: "Há mistérios peregrinos nos mistérios dos destinos que nos mandam renascer. Da luz do criador nós nascemos, múltiplas vidas vivemos para mesmo a luz volver, mas buscamos naquela humanidade as verdades da verdade, sedentos de paz e amor. Mas em meio aos mortos vivos, nós somos míseros cativos da iniquidade e da dor.
s vidas vivemos para mesmo a luz volver, mas buscamos naquela humanidade as verdades da verdade, sedentos de paz e amor. Mas em meio aos mortos vivos, nós somos míseros cativos da iniquidade e da dor. É a luta eterna e bendita em que o espírito se agita nas tramas da evolução. É a oficina onde a alma presa forge a luz, forja a grandeza da sublime perfeição. É a gota d'água que vai caindo no arbusto, que vai subindo pleno de seiva e verd o fragmento do estrume que se transforma em perfume na corola de uma flor. A própria flor que terna expirando cai no solo e vai fecundando o chão duro que produz. No entanto, nesse caí ela deixa uma aroma leve nas aragens que passam breves nas madrugadas de luz. É a rija bigor no malho pelas fainas do trabalho, a enchada fazendo pão ou o escopro dos escultores transformando as pedras em flores em carraras de eleição. É a própria dor que através dos anos dos algozes dos tiranos anjos puríssimos faz, transformando os neros rudes em araltos de virtudes, em mensageiros de paz. Porque tudo evolui, tudo sonha. Na imortal ânsia risonha de mais subir, mais galgar. Porque a vida é luz, a vida é esplendor. Deus é o seu autor. O universo, portanto, é o seu altar. Por isso que aqui na Terra às vezes se acendem radiosos faróis que esplendem dentro dessas trevas mortais e suas rútilas passagens deixam fugores, deixam imagens em reflexos que são perenais. É o sacrifício do Cristo portentoso, jamais visto no sofrimento da cruz, sintetizando toda piedade e cujo amor a verdade nenhuma pena traduz. É Sócrates com a Sicuta, é César ainda trazendo a luta tirânico e conquistador. É Tieline com sua arte, ainda o sabre de Bonaparte, o grande conquistador. Mas é sobretudo o exemplo de humildade, de extremos caridade do pobrezinho de Assis. Por isso, bendito sejam aqueles que semeiam o bem, bendito sejam aqueles que espalham a luz, porque esses também encontrarão um dia a alegria, a paz, a aventura que tanto desejam nas sendas da evolução. Por isso, uma excelsa voz nos
que semeiam o bem, bendito sejam aqueles que espalham a luz, porque esses também encontrarão um dia a alegria, a paz, a aventura que tanto desejam nas sendas da evolução. Por isso, uma excelsa voz nos dias de hoje para sempre ressoa e no universo inteiro ecoa e nos diz: "Para a frente caminha". O amor é a luz a que se alcança. Tenhamos fé, tenhamos esperança, paciência. Para frente marchemos.
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