#14 • Jesus e Saúde Mental • A serenidade dos lírios do campo
WEBSÉRIE • Jesus e Saúde Mental » Episódio 14: A serenidade dos lírios do campo » Apresentação: Dr. Leonardo Machado
Só uma leve esperança em toda a vida mais nada. Disfarça a angústia que é viver. Nem é mais a existência toda resumida do que uma leve esperança malograda. E o sonho da alma desterrada, sonho que a coloca ansiosa e a faz embecida, é uma hora feliz que sempre vai sendo adiada e que não chega nunca em toda vida. Essa felicidade que sonhamos, árvore milagrosa que supomos, toda arreada de dourados pomos, existe sim, mas nós nunca a encontramos porque ela está sempre apenas onde nós a pomos e nós nunca pomos. onde nós estamos. Desde tempos inenarráveis, desde tempos muito antigos, nós estamos acostumados a identificar a angústia da vida. Nós estamos acostumados a identificar a angústia que é inerente ao viver. Isso não é apenas patrimônio das filosofias pessimistas, isso também está constante em códigos religiosos do budismo, do hinduísmo, do próprio cristianismo. No budismo, nós encontramos, por exemplo, a primeira grande verdade, a primeira nobre verdade, a ideia de que na vida nós temos muito sofrimento ou de que tudo na vida é sofrimento. A constatação da primeira nobre verdade é a constatação do sofrimento, portanto, da angústia. Nesse sentido também eh a ansiedade, o sofrimento que é inerente ao existir. A proposta, porém, do budismo vai em não ficarmos presos no sofrimento, vai em ficarmos numa postura de libertação desse sofrimento. E aí as outras nobres verdades vão identificando que é possível vencer, é possível eh ter algum crescimento. E as quatro nobre verdades, né, ela se desdobra no caminho óctoplo, que seriam caminhos mais pragmáticos, caminhos mais práticos para poder vencer essa realidade tão intensa de sofrimento. Quando nós abrimos também o Evangelho de Jesus, nós encontramos a constatação em vários pontos de que a vida, né, eh, nós passaremos por sofrimentos, né? Tende confiança, porém, porque eu venci o mundo. A diferença, talvez, das filosofias pessimistas para as ideias otimistas e as ideias que trazem uma noção de espiritualidade, aqui debruçando-nos, especialmente no
nça, porém, porque eu venci o mundo. A diferença, talvez, das filosofias pessimistas para as ideias otimistas e as ideias que trazem uma noção de espiritualidade, aqui debruçando-nos, especialmente no cristianismo, nas palavras de Jesus interpretadas pela visão espírita, é que nessa outra visão, uma visão espiritual e uma visão otimista, nós temos a ideia de que sim, nós temos sofrimentos, sim, nós temos angústia, Sim, nós temos uma série de pranto e de ranger de dentes e isso está posto no nosso dia. Sim, nós temos isso porque nós estamos em um mundo de provas, em um mundo de expiações, em que esses sofrimentos não dizem respeito às perturbações apenas do outro, mas as necessidades que eu preciso passar na minha existência para poder crescer, para poder me depurar, para poder aprender. Então, os as expiações e os sofrimentos que nós passamos dizem respeitos a nós mesmos. Então nós encontramos também essa realidade. No entanto, a visão otimista e espiritual da vida nos propõe um por vir e não fica no remoer de problemas apenas por remoer os problemas. não fica num remoer do sofrimento de uma forma masoquista, de uma forma a ficar olhando apenas no hoje. Talvez o grande diferencial da de uma visão mais espiritual e de uma visão mais eh otimista apresentada por Jesus, pelo budo, pelo espiritismo e por grandes códigos da vida, é a ideia de que o sofrimento é possível de ser vencido, de que nós, a partir da nossa postura, nós poderemos ter uma atenuação desse sofrimento. até uma libertação desse sofrimento. Mas no aqui, no agora, que nós não conseguirmos nos libertar completamente, nós teremos pelo menos uma atenuação, pelo menos uma diminuição desse sofrer. Então, esse é um ponto importante que nos diferencia. Quando encontramos a visão espiritista de que nós passamos por provas e por expiações, nós encontramos também que essas provas e expiações não são um sofrimento pelo sofrimento, um sofrimento masoquista apenas para podermos eh chorar, mas é um sofrimento que possibilita algum tipo de
s, nós encontramos também que essas provas e expiações não são um sofrimento pelo sofrimento, um sofrimento masoquista apenas para podermos eh chorar, mas é um sofrimento que possibilita algum tipo de aprendizado que não vai nos possibilitar uma libertação futura e que essa libertação futura começa aqui e agora a partir de um aten continuação das nossas angústias. Então, eu queria ler umas passagens que se encontram na Bíblia, no Novo Testamento, mas também que se encontram em Leon Denis, uma um autor que eu gosto muito e que aqui nesse nesses nossos encontros a gente abre com frequência. Mas a primeira passagem que eu queria ler é a passagem do capítulo 6 do Evangelho de Mateus. Porque no capítulo 6 a gente encontra uma série de, de certa forma, comparações entre a antiga lei e a nova lei proposta por Jesus, uma ampliação eh dessa lei. E aí é interessante que no capítulo 6, versículo 25, versículo 26, eh versículo 27 e versículo 28, né? Na verdade, até uma, até o capítulo, até o capítulo, até o versículo 32, 33, Jesus se debruça diretamente à questão eh da ansiedade, né, esse tipo de sofrimento. Mas é interessante que antes de falar da ansiedade, no versículo 24, ele vai dizer: "Ninguém pode servir a dois senhores, porque ou há de odiar a um e amar o outro, ou há de se dedicar a um e desprezar o outro. Portanto, não podeis se dedicar a Deus e às riquezas". É bastante curioso a gente ver esse versículo anterior do Evangelho de Mateus com o versículo que se desdobra na ansiedade, né? Porque ele fala assim: "Por isso vos digo, não estejais ansiosos quanto a nossa vida, pelo que havis de comer ou pelo que havis de beber, nem quanto a vosso corpo, pelo que havis de vestir." Não é a vida mais do que o alimento e o corpo mais do que o vestuário? E ele complementa: "Olhai para as aves do céu. Eles não semeiam, elas não ceifam, nem ajultam em celeiros, e vosso Pai celestial as alimenta. Não valeis vós muito mais do que estas? Ora, qual de vós, por mais ansioso que esteja, pode acrescentar um covado, né,
iam, elas não ceifam, nem ajultam em celeiros, e vosso Pai celestial as alimenta. Não valeis vós muito mais do que estas? Ora, qual de vós, por mais ansioso que esteja, pode acrescentar um covado, né, a sua estatura, né, 1 mil estatura? E pelo que havis de vestir, por que andais ansiosos? Olhai para os ilhos do campo como crescem. Eles não trabalham e nem fiam. Contudo, vos digo que nem mesmo Salomão em toda a sua glória se vestiu como um deles. Pois se Deus assim veste a erva do campo, que hoje existe e amanhã é lançada ao no forno, quanto mais a vós, homens de pouca fé. Portanto, não vos inquieteis, dizendo que havemos, haveremos de comer ou que haveremos de beber ou com que haveremos de vestir. Pois todas essas coisas os gentios procuram, porque vosso Pai celestial sabe que precisais de tudo isso. Mas buscai primeiro o seu reino e a sua justiça, e todas essas coisas vos serão acrescentadas. Então, primeiro, eu queria, eu li literalmente as passagens e aí queria analisar, né, do ponto de vista eh parte por parte. Então veja, versículo 24, no capítulo 6, em que ele vai trazendo passagens do Velho Testamento e vai ampliando a visão. E aí ele culina nessa nesse nesse momento em que a gente vai dizer assim: "Olha, a gente não pode servir a dois senhores." E é curioso que o senhor da riqueza, o senhor da posse, o senhor eh das coisas materiais é o grande senhor também que nos inquieta. Quantas vezes nós não ficamos inquietos, angustiados demais com o que nós temos e podemos perder. outras vezes ficamos inquietos pelo que nós não temos e queremos possuir. Então, é interessante que logo depois dessa visão de que olha, eh, não dá para servir a a dois senhores, né? A mam Deus, como se coloca, ou seja, o Deus das riquezas e a Deus. Porque às vezes, eh, a nossa preocupação com as posses fica tão grande, fica tão grande, que a gente fica com muito tempo eh empreendido em questões apenas profissionais, monetárias, apenas de subsistência e nos esquecemos do outro lado da vida.
as posses fica tão grande, fica tão grande, que a gente fica com muito tempo eh empreendido em questões apenas profissionais, monetárias, apenas de subsistência e nos esquecemos do outro lado da vida. É claro que a posse do necessário é é fundamental para a felicidade. Quando questiona Allan Kardec e os benfeitores, né, em o livro dos espíritos, o que era ser feliz, segundo eh Jesus, né, a recomendava. e vai falando sobre a felicidade em o livro dos espíritos. Há uma parte lá em que os benfeitores vão dizer que a felicidade ela tem três componentes: a consciência ficando tranquila, a fé no futuro e a posse do necessário. Então veja que a doutrina espírita e nem Jesus aqui tá dizendo que a gente não precisa se preocupar com as coisas do dia a dia, com as coisas materiais, com a nossa subsistência, com as nossas posses. Não é isso? A questão é que se a gente ficar endeusando demais as coisas materiais, ocupado demais apenas com a nossa vida material, nós, além de não eh conseguir não conseguirmos tempo para os aspectos transcendentes da vida, nós também ficaremos muito angustiados, ficaremos muito preocupados, ficaremos muito ansiosos. Porque como ele vai dizer, olha, eh, no, no versículo 27, qual é que de vós, né, qual é que de nós, pegando aqui pra gente, por mais ansioso que esteja, ou seja, mais preocupado, por mais pensamento que tenha, por mais eh conjecturas, planejamentos que faça, poderá acrescentar 1 cm a sua estatura. a gente vai poder botar um salto alto, mas é um aumento postiço na nossa estatura. a gente não consegue elevar a nossa estatura, né, eh, apenas com a força do nosso pensamento. Então, ele tá querendo também dizer que, olha, a força do nosso pensamento, ela tem um limite. E por isso que existe coisa mais concreta, que a gente não precisa ficar perdendo tanto tempo porque pensar muito não vai resolver o problema. Na terapia cognitiva, a gente vai propor a seguinte questão: tentar dividir os problemas em problemas que são úteis e problemas que não são úteis.
empo porque pensar muito não vai resolver o problema. Na terapia cognitiva, a gente vai propor a seguinte questão: tentar dividir os problemas em problemas que são úteis e problemas que não são úteis. Os problemas que são úteis geralmente são problemas que eh cabem a nós ou nós temos alguma alçada para poder resolver. E os problemas que não são úteis são aqueles que transcendem totalmente a nossa capacidade de resolução. Então, vamos pensar nessa questão de estatura. Vamos supor que eh eu achasse que minha estatura é muito baixa e ficasse muito preocupado com esse problema. Olha, eu não tenho como resolver totalmente isso, a não ser comprar um salto mais alto para poder ficar um pouco mais elevado, mas vai ser uma resolução temporária. A resolução total eu não vou conseguir resolver pensando. Então não adianta muito pensar sobre isso de forma tão profunda assim, ficar perdendo tanto tempo, que é um problema que não depende de mim. Então, problemas úteis que podem ser resolvidos, né? Eh, problemas úteis são problemas que podem ser resolvidos ou influenciados pela minha tomada de decisão. Então, existem coisas na vida que não dão para ser influenciadas pela nossa tomada de decisão. Então, a gente nos compete o quê? Tentar focar o nosso pensamento naqueles problemas que são mais úteis, que são mais pragmáticos, que são mais possíveis. E aí a doutrina espírita vai colocar a posse do necessário. Será que aquilo que eu tenho é realmente necessário paraa minha felicidade? Será que aquilo que eu não tenho, eu realmente precisaria para ser feliz? Essa é uma ideia que remete a filosofia. E aí eu vou remeter a a uma ideia de uma época do período helenístico. Depois de Sócrates, nós tivemos uma série de escolas chamadas helenísticas. Depois de Sócrates, Platão, Aristóteles, quando o Alexandre Grande ele dominou ali e os filósofos, na verdade a população não conseguia mais interferir na vida política. Então eles acabaram voltando a sua, o seu pensamento, as suas preocupações, as suas reflexões,
de ele dominou ali e os filósofos, na verdade a população não conseguia mais interferir na vida política. Então eles acabaram voltando a sua, o seu pensamento, as suas preocupações, as suas reflexões, não para a polis, e sim para uma vida mais pessoal. O que é que e o tema da felicidade acabou sendo o principal tema, o que é que tornava a vida mais feliz? O que é que poderia diminuir o sofrimento? E várias escolas surgiram com algumas ideias. Uma das escolas foi eh o cinismo, né? os cínicos diógenes láércio, eh, que representou, na verdade, não é nem uma escola, tá? Porque não era uma filosofia formal, uma filosofia acadêmica, era mais uma filosofia de vida. Então, Diógenes Laércio era o melhor Diógenes era o o principal representante e nós sabemos dele eh de algumas anedotas, algumas histórias. Então se fala aqui de orden seguia essa filosofia do cinismo, dos cínicos, que basicamente dizia que para ser feliz nós não podemos ter nada, porque quando nós temos algo, nós ficamos ansiosos, angustiados em perder este algo. E também quando nós queremos ter algo, nós ficamos ansiosos e angustiados por não termos o que nós desejamos. Então, a ideia dos cínicos, a ideia de diógenos era viver apenas com estritamente necessário. Então, conta-se que ele estava já com pouca roupa, poucos materiais que seriam necessários pra sua subsistência, quando ele vê um jovem bebendo água com as mãos e aí ele tem uma um insight, descobrir mais uma coisa que é inútil. E aí ele pega uma caneca que ele carregava no cinto e joga fora, porque afinal de contas para beber água a caneca não era necessária. Ele podia beber água com as mãos, né, fazendo uma certa caneca nas próprias mãos. Então a proposta do cinismo era bastante intensa, né? E hoje em dia, quando você fala assim, eh, cinismo, até é uma fala mais pejorativa, mais negativa, mas na época não era. Era uma tradição filosófica que levava ao pé da letra essa ideia de não ter posses. Então, é como se levasse ao pé da letra o versículo 24,
a fala mais pejorativa, mais negativa, mas na época não era. Era uma tradição filosófica que levava ao pé da letra essa ideia de não ter posses. Então, é como se levasse ao pé da letra o versículo 24, né? Ou eu sirvo a Deus ou eu sirvo a mamã. Não tenho como eh nem conversar, nem dialogar, né? De fato, servir, a gente precisa escolher um Senhor para servir. Mas isso não quer dizer que a gente não vá dialogar, porque como diz o Evangelho Segundo Espiritismo, a gente está no mundo. Então a gente não precisa ser do mundo totalmente, mas precisa estar no mundo. Então temos que dialogar com essas questões de materiais e usar essas questões materiais a nosso favor, sem medo delas também, né? Até porque às vezes essas questões materiais são grande testes, né, da nossa humildade, grande testes em relação ao que a gente quer, aos nossos valores. uma passagem no Evangelho que narra as a ideia, a perspectiva de uma rainha que o a última reencarnação dela no caminho de provas e expiações foi justamente como rainha, né, com muita posse, com muito poder, porque ela primeiro queria se munir de muita resistência moral para não sucumbir com um excesso de poder que ela teria naquela posição. Então, ter muita facilidade, ter muita posse também é muito desafiador. Agora, se a gente usa esses recursos da riqueza a favor, né, de uma felicidade coletiva, pessoal, a favor de uma transcendência, isso vem muito bem a calhar. Então, a gente não precisa ser radical ou uma coisa ou outra. A ideia é que não dá para servir, porque quando eu sirvo eu me dedico mais integralmente a uma causa, mas isso não significa que eu não possa dialogar, que eu não possa ter contato porque eu estou no mundo. A ideia é de que a gente não se ocupe tanto com as questões da riqueza, as questões materiais, para que a gente não fique também ansioso demais com as perdas e não fique preocupado demais. com essas essas situações. Mas aí existia uma outra escola que era a escola eh do epicurismo. Então, a escola epicurista,
e não fique também ansioso demais com as perdas e não fique preocupado demais. com essas essas situações. Mas aí existia uma outra escola que era a escola eh do epicurismo. Então, a escola epicurista, aí sim uma escola que fundou o jardim de Epicuro, ele dizia que a felicidade vinha com um prazer e era preciso encontrar prazer. Eh, então esse prazer vinha com a boa leitura, vinha com mócio, vinha com as amizades, vinha assim eh saindo um pouco da vida política e encontrando um certo retiro. Era a ideia do jardim de Epicuro. E existia uma outra escola chamada estoicismo. Então, vou pegar as três correntes assim bem intensas, né? Existia outras escolas chamadas cética e outras com uma influência talvez um pouco menor, os ecléticos, enfim. Mas vou pegar essas três. Os históricos, eles já tentavam trazer felicidade meio que num equilíbrio ali, né? eh um pouco do cinismo, no sentido de olha, a felicidade ela não vem com a posse, ela não vem com prazer, ela não vem, portanto, com coisas externas. Eh, mas eu também não preciso ficar eh com medo disso. Então, o que o estoque vai dizer é que a gente precisa ficar um pouco mais independente, independente da crítica, independente do elogio, né? E aí a gente vai formando a nossa visão que eu gostaria de colocar nessa figura de linguagem. A felicidade pessoal não vem com o porcelanato, né? Eu me refleti muito em algumas mudanças de minha vida e refleti muito sobre isso, né? como coisas que eu achava que eram necessárias, que eram importantes. A gente vive tão bem sem isso. Pode viver bem também com isso, mas aí a questão é não condicionar o nosso bem-estar, a nossa felicidade, o a nossa alegria para coisas que podem ser tiradas de nós com tanta facilidade. Uma hora você tem muita coisa, daqui a pouco tem uma crise mundial. E você, mesmo sendo uma pessoa competente, você perde tudo. Uma hora você tem uma vida estável, uma casa, outra hora você tá sem uma casa por tantas mudanças na sua vida. Isso vai podendo ensinar não só a transitoriedade da vida, mas a
etente, você perde tudo. Uma hora você tem uma vida estável, uma casa, outra hora você tá sem uma casa por tantas mudanças na sua vida. Isso vai podendo ensinar não só a transitoriedade da vida, mas a necessidade de podermos reafirmar os nossos valores, reafirmar a que Senhor a gente quer seguir de fato. Então, veio muito na minha cabeça essa frase que eh não li nenhum canto, mas que ficou na minha cabeça, né? A felicidade não vem com um porcelanato. Se você conseguir botar um porcelanato na sua casa, que bom, vai ficar um piso bonito, mas vai dar um trabalho também, né? Nada que é bonito, que eh é belo, não dá trabalho para você manter a beleza. E quanto mais coisa moderna, mais trabalho dá. Você pensa em ar condicionado. Eu fico, eu fico refletindo nessas coisas. Antigamente era um ar condicionado de janela. Você chegava o ar condicionado, colocava ali na janela, você mesmo instalava a manutenção, muito mais simples. Aí depois veio o split, beleza? Massa, muito mais complicado para poder manutenção, instalação. Você gasta um dinheiro a mais para poder ter o quê? O silêncio. Mas veja, é tão bonzinho o barulho do ar condicionado, né? aquele barulho constante, a criança dorme que é uma beleza, você fica meio hipnotizado para aquele barulho do motor, né? É tão bonzinho, é tão silencioso o split, porque o motor tá tão longe do teu quarto, faz tanto silêncio que você fica com o barulho da rua, porque você não mora numa num local tão silencioso, você mora numa grande cidade e se for numa cidade pequena tem muito barulho, né? Aí você gastou mais dinheiro para colocar um split para mudar toda a estrutura, porque tem isso, não é só colocar na janela de casa. Você tem que fazer toda uma estrutura de um fio, né, de uma fiação, de uma tubulação. E tem que ser de cobre para não enferrujar, porque se for depois d mais trabalho ainda. Mas aí vem um acondicionado central, né? E aí eu acho engraçado porque quando eu me mudei para um local de trabalho, eu tinha que colocar esse bendito do ar
porque se for depois d mais trabalho ainda. Mas aí vem um acondicionado central, né? E aí eu acho engraçado porque quando eu me mudei para um local de trabalho, eu tinha que colocar esse bendito do ar condicionado central. E outro dia deu um problema, teve que fazer uma manutenção. Eu vi cinco pessoas no meu local de trabalho pensando em como resolver esse ar condicionado, né? E e o ar condicionado dá mais trabalho do que eh facilita. Então a gente tem que começa a ficar refletindo porque a coisa mais simples também não pode voltar, né? que tem que ser tanta complicação, tanta modernidade que vai nos dando mais preocupação para poder ter um um ar gelado. Tudo isso pra gente poder pensar, né, que a felicidade pode vir com um ar condicionado no split e você dormir bem em silêncio, mas pode vir na brisa, pode vir no calor, porque a felicidade não vem com as coisas externas. É esse ponto, talvez, que a gente possa pensar na serenidade que a gente encontra nos lírios do campo. Não é que a gente vai eh agora pensar que a gente de uma hora para outra vai conseguir viver como Diógenes, né, o cínico da Grécia e nos tirar tudo, né? Não é vender como coloca, né? Literalmente vender tudo para poder seguir Jesus. Às vezes, para algumas vidas até isso se encaixa, mas certamente para minha vida, para sua vida, essa não é a ideia literal, mas é a ideia do desapego. Porque quanto mais apegados nós ficamos, mais ansiosos nós estamos. Quanto mais apegados ficamos a essa modernidade que traz tantas coisas complicadas, muitas coisas boas, mas tanta coisa complicada, complexa demais, a gente perde a simplicidade dos lírios do campo. A gente perde a simplicidade dos pássaros do céu. E às vezes, pessoal, é preciso a privação, é preciso a dor pra gente poder, se aperceber de que a gente precisa fazer um caminho de volta. Então, não vos inquieteis tanto com o dia de amanhã, porque a cada dia basta o seu mal. O mal de amanhã vai ser resolvido com amanhã. Não quer dizer que você vai ficar incomodado, imprevidente, não quer
tão, não vos inquieteis tanto com o dia de amanhã, porque a cada dia basta o seu mal. O mal de amanhã vai ser resolvido com amanhã. Não quer dizer que você vai ficar incomodado, imprevidente, não quer dizer isso. Porque no mesmo evangelho tem lá, ajuda-te que o céu te ajudará. E eu particularmente, né, eh, pedi e obtereis, batei e abre-se vos há. E aí tem lá a interpretação do evangelho. Ajuda-te, que o céu te ajudará. Faz a tua parte que as coisas vêm como consequência. E se não vierem, é porque não era para vir. Essa é a filosofia histórica. Tudo que acontece na tua vida v com acontece para um bem. E se não aconteceu aquilo que você queria, é porque o não acontecimento vai ser melhor para você. Nem que seja por um aprendizado doloroso, amargo, mas necessário para você tornar-se um pouco mais simples e sair dessa complexidade às vezes que atrapalha e entrar um pouco mais nessa simplicidade que ajuda, nessa simplicidade que faz a gente caminhar e faz com que a gente vai caminhando, vai caminhando e não fique pensando tanto na complexidade que é o dia a dia. vai caminhando com mais naturalidade, porque imagine se você fosse toda hora pensar, né, o teu cérebro fosse pensar, eu tenho que agora dar um passo, levantar a minha perna, dar outro passo, articular. Se a gente fosse ficar pensando nesses mecanismos complexos do corpo, a gente não viveria, né? Não viveria porque a gente não teria tempo mental. Então, sabiamente, o nosso corpo nos diz que algumas coisas a gente precisa deixar de mão o controle. E existe o sistema nervoso autônomo que tem uma autonomia para gerir a fisiologia do nosso corpo. A gente não precisa ficar pensando se nosso coração tá batendo ou não, se nos a gente tá respirando ou não, porque existe um sistema nervoso autônomo. É a biologia nos ensinando que sim, por mais que a gente se ocupe com muitos pensamentos, a gente não consegue mudar muitas realidades. E se talvez essa mudança de realidade não aconteceu, isso pode vir para o nosso bem, pode vir para o nossa
is que a gente se ocupe com muitos pensamentos, a gente não consegue mudar muitas realidades. E se talvez essa mudança de realidade não aconteceu, isso pode vir para o nosso bem, pode vir para o nossa a nossa melhoria. Então, me recordo desse tema porque foi o primeiro tema eh de palestra espírita que eu fiz. Eu tinha lá 17 anos de idade quando no centro espírita que frequentava. Eh, abriu-se as reuniões públicas para que os jovens da mocidade pudessem falar. E eu tava ali na época do vestibular, né, e me comprometi com a palestra. Então estudei e o tema foi ajuda-te que o céu te ajudará. Mas aí eu tive uma um exemplo prático, porque eu me preparei, li, digitei, que eu fiz isso, as minhas palestras iniciais, eu digitalizava tudo, criava um texto, decorava, pensava, treinava, sabe? decorava as historinhas todas para poder me preparar. Então, não dava sopa a à intuição, não vou lá, porque ela hora vai baixar lá, né, o Espírito Santo e vai falar ou então vou lá e vai daqui a pouco vem benfeitor intuir. Eu não dava muito sobre para isso não. Eu me preparava, estudava. E nesse e nesse dia especificamente, vamos supor que fosse uma terça, eu não sei se era ou era terça ou era quinta, eu tava no cursinho, né? Eu pensei: "Não, não posso faltar aula do cursinho, mas eu queria estar em casa decorando a palestra". Então, o que que eu levei? Eu levei a palestra e fiquei tentando nos intervalos do cursinho, dar a última memorizada. E aí eu, de forma eh muito boa, assim, pelas dicas que me deram, eu acabei colocando eh várias histórias, né? Então, colocava uma historinha e uma interpretação, uma historinha e uma interpretação sobre esse ajuda-te que o céu te ajudará. Foi a salvação. Por quê? Porque quando eu eu subi, eu me lembro dessa dessa primeira palestra, né? Eu subi no púlpito lá, era um um centro bem grande assim, um que dava para umas 500 pessoas, não tava com 500 pessoas, era uma reunião pública normal, mas assim, era um espaço bem amplo. Eu lembro que esse e esse movimento de subir, né, eh
bem grande assim, um que dava para umas 500 pessoas, não tava com 500 pessoas, era uma reunião pública normal, mas assim, era um espaço bem amplo. Eu lembro que esse e esse movimento de subir, né, eh era como se eu já tivesse feito isso várias vezes. E peguei lá o microfone e comecei a falar. Era curioso porque existiam existia o jovem que ia falar na noite e existia o dirigente. Porque caso o jovem não conseguisse falar uma hora inteira por 45 minutos, acho que era 45 minutos, vamos supor que o jovem chegasse, começasse a falar 15 minutos, então o dirigente assumia a palestra. Mas eu falei, fui falando, falando e falei de 45 minutos eh completo. Agora, o que que foi curioso? Quando eu me levantei, eu coloquei lá a fila, que era a palestra toda digitalizada, né, com os tópicos e tudo mais, porque eu poderia olhar. E aí eu fiquei brincando que eh eu não fui assessorado pelos Benfeitos Pud, acho que eu fui assessorado pelo capeta. Por quê? Porque veio um ventozinho e jogou a minha fila. Logo no primeiro, segundo, rapaz, eu me levantei, senti a tranquilidade ali de me levantar e a e teve um certo dejavido de ter feito isso outras vezes. E quando veio a palestrazinha que tava toda bonitinha, foi embora, né? Eu fiquei brincando que foi o vento do capeta, mas eu tinha me preparado. Então o que é que aconteceu? Eu me tranquilizei, né? Acho que aí foi o benfeitor me tranquilizando e fui puxando a historinha que eu tinha guardado. Historinha por historinha. Pá, pá. Fui falando, fui falando. Pera aí, deixa eu pensar. Aés de eu pensar 45 minutos, deixa eu começar 5 minutos, mais 5 minutos, mais 5 minutos. E fui falando, falando. E foi a primeira palestra que eu fiz, né? E de lá para cá nunca parei. Eh, são 20 anos eh falando mais mais da metade da minha existência. E as outras palestras, como eu já tava ali fazendo vestibular, depois início do curso de medicina, já não tinha muito tempo, o que que eu fiz? Eu vou aceitar. E começaram a a me convidar outros centros. E aí eu aceitava o convite, mas
tava ali fazendo vestibular, depois início do curso de medicina, já não tinha muito tempo, o que que eu fiz? Eu vou aceitar. E começaram a a me convidar outros centros. E aí eu aceitava o convite, mas eu falava: "Olha, agora eu posso falar um tema X." Por quê? Porque eu preparei uma segunda palestra e aí ficava com duas palestras: "Ajuda-te, que o céu te ajudará". E há muitas moradas na casa de meu pai. Então, quando me convidava, pedia, pode ser esse tema, pode ser esse segundo tema, porque aí eu ficava nesses dois temas falando. E eu me lembro que eu fiz isso um ano inteiro. Então, depois de ter falado ali umas 12 vezes, umas 20 vezes os mesmos temas, eu já não aguentava mais eu falando e meus pais me acompanhavam, então tava até com pena deles, porque era a mesma palestra, tudo bem que mudava, mas no início não mudava muito, porque eu era mais o mental ali, era o raciocínio, o decorar do que a intuição. Mas era o quê? O ajuda-te que o céu te ajudará. fazer a nossa parte na preparação para que a intuição possa se dar, para que depois outros trabalhos pudessem eh vir na minha vida, mas eu tivesse ali o terreno preparado. Não imaginar que as coisas caem do céu. A gente aprende falando, né? Já aprende assim, não é? Não é todo mundo que tem essa habilidade, né? Eu acredito mais, muito mais nas coisas que vão sendo construídas paulatinamente. Aí você constrói uma obra social, tem as paredes, tem todas as eh a todos os setores construídos, mas não tem as pessoas para serem assistidas e nem tem os voluntários. Então, era muito melhor que tivesse os voluntários, as pessoas assistidas e depois o muro se levantasse com a necessidade do que o muro se levantar e não ter pessoa voluntária para trabalhar. A vida se aprende vivendo. Amar, diria Carlos de Mond Andrade, amar se aprende amando. Viver se aprende vivendo. E é nessa vivência que a gente pode lembrar Jesus, né, nesse alerta. ao nos chamar para a serenidade dos vírus do campo e nos falar que a vida tem angústia, sim, mas uma parte dessas
aprende vivendo. E é nessa vivência que a gente pode lembrar Jesus, né, nesse alerta. ao nos chamar para a serenidade dos vírus do campo e nos falar que a vida tem angústia, sim, mas uma parte dessas angústias são criadas pelas falsas necessidades que a gente coloca e que a gente precisa talvez fazer um retorno à natureza. Não é viver na natureza, não é isso que eu tô falando. É viver no campo, não é isso. Não é literal. É trazer o princípio que Jesus trouxe. Observai os lírios do campo. Eles não tecem, mas nem Salomão se vestiu com uma túnica tão perfeita como eles. Observai os pássaros do céu. Eles não semeiam, mas todos os dias Deus os alimenta. Então é pregar esse princípio para a nossa vida. E aí eu queria encaminhando pro nosso término de hoje trazer essa reflexão de Leonir no livro O grande Grande Enigma na parte um, capítulo 8. Quando quiserdes achar refúgio contra as tristezas e as decepções da terra, lembrai-vos de que há somente um meio, é levar o pensamento a essas puras regiões da luz divina, onde nem não penetram influências grosseiras do nosso mundo. Leonir. A observância da transcendência nos possibilita a tranquilidade nessa imanência. A observância de que existe uma realidade espiritual nos possibilita a constatação de que as coisas de hoje são transitórias. O nosso sofrimento é transitório, mas também as nossas conquistas são transitórias. A nossa alegria é transitória, assim como também a nossa angústia. Porque nos dias de hoje a nossa felicidade não é essa felicidade completa, plena, não é essa árvore milagrosa, toda arriada de dourados pomos, como pintou o poeta, mas é uma felicidade que é misturada com as angústias, mas que nos ajudam a vencer as angústias. A proposta é que a gente comece a colocar o nosso pensamento, a nossa idealização de uma vida feliz, não apenas no futuro idealizado, mas no presente, observando as mensagens do corpo, da fisiologia, observando a mensagem da natureza e tentando simplificar a nossa vida. Porque a felicidade não
feliz, não apenas no futuro idealizado, mas no presente, observando as mensagens do corpo, da fisiologia, observando a mensagem da natureza e tentando simplificar a nossa vida. Porque a felicidade não vai vir com porcelanato, não vai vir com split, não vai vir com a modernidade apenas. A felicidade vai vir no canto que eu tiver. A leve esperança disfarça a angústia que é viver. Existe angústia, mas ainda bem que existe esperança. Existe ansiedade, mas ainda é bem que existe espiritualidade para nos fazer transcender. Muita paz. Até a próxima.
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