#18 • Jesus e Saúde Mental • A criança que há em nós
WEBSÉRIE • Jesus e Saúde Mental » Episódio 18: A criança que há em nós » Apresentação: Dr. Leonardo Machado
Olá. Deixai que ven a mim as criancinhas. Se Jesus pediu para que deixassem, que fosse até ele as criancinhas, eu lanço uma pergunta para você hoje. Por qual motivo você não deixaria também eh que a sua criança interna emergisse e você pudesse conversar com essa criança? É esse convite que eu faço esta noite para que a gente possa entrar em contato com algumas memórias. da nossa infância para que a gente possa entrar em contato com essa criança interna que habita dentro de nós. Deixai que venham a mim as criancinhas, porque delas é o reino dos céus. Jesus, nessa exortação, nos convida, inclusive a sermos semelhantes à criança, porque aquele que não fosse semelhante a uma criança não seria digno do reino dos céus. Então, quando a gente pensa nessa perspectiva, a gente tem uma certa dificuldade de entender ao certo o que significa deixar vir a criancinha, o que é que significa conversar, dialogar com a criança interna, o que é que significa a criança que há dentro de nós? Além disso, como é que pode o reino de Deus, aquele reino que se assemelha a uma evolução na qual nós almejamos chegar, eh, em que chegaremos a uma perfeição relativa e essa perfeição relativa construirá ao nosso reidor eh o reino de pais. Como é que esse reino pode ser também, né, daqueles que se assemelham às crianças? E logo a primeira interpretação mais rápida e possível é que as crianças são puras. E como a gente tem lá a bemaventurança da pureza, bemaventurados que são puros, a gente tende a lembrar da pureza das crianças. E essa pureza, ela começa a ser colocada em cheque com a proposta reencarnacionista. Quando, por exemplo, você e eu sabemos, com a visão reencarnacionista, que quando você era criança, quando eu era criança, a gente não era essa pureza perdida eh ao longo do tempo, né? Eu não era puro, você não era puro. Por quê? Porque todos nós temos uma bagagem reencarnatória, todos nós temos eh uma bagagem de dificuldades, bagagem de problemas, bagagem também de defeitos. bagagem de esperanças, bagagem também de
. Por quê? Porque todos nós temos uma bagagem reencarnatória, todos nós temos eh uma bagagem de dificuldades, bagagem de problemas, bagagem também de defeitos. bagagem de esperanças, bagagem também de promessas. Então esse ser que tem uma bagagem, ele passa, segundo a visão espírita, na infância, por um período de eh esquecimento, um período de adormecimento das memórias, eh que faz eh que tem uma importância sobretudo para que ele não lembre dos erros, ele não lembre das dificuldades, ele não lembre da culpa, porque senão imaginem que esse ser espiritual calejado, caído e cansado tivesse a oportunidade da reencarnação e tivesse desde a infância a memória de todas as entrelinhas da sua existência. Era possível e muito provável que esse ser espiritual ficasse aprisionado, né, na nos redemoinhos da culpa e não conseguisse fazer a evolução que ele tanto merecia e que ele tanto almejava. Então, ao invés de andar paraa frente, ele ficaria aprisionado para trás, aprisionado no passado com as suas memórias. Então, a própria visão espírita da necessidade do esquecimento que a infância nos impõe, ela coloca como um dos principais argumentos que é a necessidade também de um certo desligamento eh de algumas amarras, especialmente de culpa, eh que esse ser espiritual interesistencial, esse ser espiritual que está reencarnado, precisa para poder ter uma nova jornada. Quantas vezes eu não encontro assim pessoas que me perguntam, será que não tem um remédio que apagasse a minha memória e deixasse só as coisas boas? Porque são as memórias que nos tornam quem nós somos. A memória é que nos dá essa bagagem. Por isso que eh demências e doença, por exemplo, de Alzheimer causa tanto impacto, né? e filhos de pessoas com doença de Alzheimer me dizem assim: "Doutor, é como se eu tivesse meu pai vendo meu pai, vendo minha mãe desencarnado, né, ou falecido em vida de acordo com a visão espiritual, eh, religiosa de cada um, porque não deixa de ser um luto antecipado, porque aquele pai já não é aquele pai, ele tem aquela
mãe desencarnado, né, ou falecido em vida de acordo com a visão espiritual, eh, religiosa de cada um, porque não deixa de ser um luto antecipado, porque aquele pai já não é aquele pai, ele tem aquela cara, aquele ser super, como me diziam, ele era super inteligente, ele era super perspicais, era uma pessoa dinâmica. E agora eu vejo meu pai dependente fisicamente, não lembrando de nada, porque no estágio mais avançado eh do Alzheim, né, a a pessoa vai tendo tanta morte cerebral, tanta degeneração cerebral que inclusive fica dependente das questões físicas para poder fazer as atividades diárias, até como fechar um botão da própria camisa, até como se alimentar. Então, é quase, como dizem as pessoas, uma morte em vida e os familiares acabam sofrendo um luto eh antecipado. Então, as memórias acabam dando a tonalidade do que eu sou, a tonalidade do que você é. E as memórias também às vezes nos aprisionam, mas às vezes também nos libertam. Então é para que a gente não pudesse ficar tão fixado nas memórias ruins que a gente tem a oportunidade do esquecimento temporário na infância da reencarnação. Então a tese de que a criança é pura no sentido mais profundo, teológico, espiritual eh do termo, não seria a resposta para entendermos a proposta de Jesus na questão da criança interna. Não é que a gente era puro na na nossa essência, não. A gente era o que a gente é, né? do ponto de vista de evolução, se Deus quiser, a gente hoje tá até um pouco melhor do que quando era criança, porque tivemos eh uma década, duas décadas, três décadas, quatro décadas, ou seja, algumas alguns anos, alguns bons anos para poder nessa existência dar um passo maior. Então, se Deus quiser hoje, né, eu eu espero eh que o Leonardo hoje seja um pouco mais evoluído e, nesse sentido, um pouco mais, entre aspas, puro no sentido de evolução do que quando era criança. Mas por que, Léo, a memória ruim, ela teria tanto impacto? E aí há uma uma explicação eh que está para além inclusive da doutrina espírita, uma explicação biológica, né?
ção do que quando era criança. Mas por que, Léo, a memória ruim, ela teria tanto impacto? E aí há uma uma explicação eh que está para além inclusive da doutrina espírita, uma explicação biológica, né? As memórias ruins, elas têm um impacto ruim, duradouro e pesado e muito forte na nossa vida, simplesmente porque a elas estão eh vinculadas a emoções negativas, a emoções que nos causam despraer, que nos causam angústia, que nos causam sofrimento. E essas emoções negativas, elas estão postas no nosso corpo para que a gente possa sobreviver. Então, eu tô falando de tristeza, eu tô falando de raiva, eu tô falando de medo, eu tô falando de nojo. São as quatro emoções negativas básicas, negativas porque causam desprazer, que nós temos eh a facilidade de sentir, porque elas nos protegem. Quando eu sinto nojo, eu me protejo para não me envenenar. Por exemplo, quando eu sinto nojo social, eu me protejo para eu não me envenenar com aquele comportamento negativo que eu não acredito ser o mais importante. O ou aquele aquele comportamento social que eu acredito que não é bom para minha evolução. Então, sinto um nojo social. Quando eu sinto medo, eu também me protejo da minha da minha sobrevivência. Quando eu, de certa forma sinto tristeza, eu também me protejo. Imagine alguém que tem a dependência química. Se essa pessoa não sente tristeza pela dependência química que ela tem, em nenhum momento, ela nunca vai mudar o comportamento. Ela vai continuar naquele comportamento viciado, porque ela não sente uma tristeza pelo que ela tá causando nela ou nos familiares. Então, a tristeza também protege. E a raiva protege também protege. É a parte da raiva que nós temos uma atitude afirmativa do que nós somos, do que nós queremos. Eh, é a partir da raiva que a gente constrói uma assertividade. Então, todas essas linguagens, embora sejam linguagens básicas, portanto, primitivas, é, são linguagens de sobrevivência. E antes de nós, eh, digamos assim, vivermos em plenitude, a gente precisa sobreviver.
todas essas linguagens, embora sejam linguagens básicas, portanto, primitivas, é, são linguagens de sobrevivência. E antes de nós, eh, digamos assim, vivermos em plenitude, a gente precisa sobreviver. Então, a sobrevivência é como se fosse um pré-requisito para vivência de uma plenitude, vivência de alguma coisa. mais profunda. Então, eh nessa perspectiva, as emoções negativas, elas têm uma importância de gravar na nossa cabeça memórias que nos dizem: "Olha, não segue aquele caminho não, porque aquele caminho eh te fez sofrer." Olha, não se junta com aquelas aquele comportamento, com aquelas pessoas da forma muito profunda, porque se você se juntar fazendo as mesmas coisas que ela, você também vai ter um sofrimento. Então, as emoções negativas, elas estão ligadas à sobrevivência e é por isso que elas têm uma importância tão intensa e por isso que elas deixam uma marca tão profunda, tão profunda, tão profunda, que a gente precisa muitas vezes de eh uma nova existência para poder ficar um período sem ter contato com essas emoções mais densas, essas memórias eh mais pesadas, pra gente poder sonhar, pra gente poder se encantar, pra gente poder ter mais esperança e aí ser mais envolvido com as emoções positivas. E é curioso que das emoções básicas, a emoção básica positiva que existe é a alegria. Então, nós temos seis emoções básicas, ou seja, emoções que são naturais, que todos nós temos desde criança, desde pequena idade, né? Então, quatro são ruins assim, no sentido de serem desprazerosas. Mas não significa que sejam ruins, porque causem consequências só ruins, não. Elas causam consequências até positivas de comportamentos de proteção, de mudança, eventualmente até de evolução, tristeza, raiva, nojo e medo. Temos uma emoção mais neutra que é surpresa. Nem é boa nem é ruim, mas potencializa as outras. E temos uma emoção positiva que é a alegria. Então, inclusive eu faço um convite para você conhecer o Espiritismo Play, em que a gente fez uma temporada inteira só adentrando em todas as emoções, fazendo
emos uma emoção positiva que é a alegria. Então, inclusive eu faço um convite para você conhecer o Espiritismo Play, em que a gente fez uma temporada inteira só adentrando em todas as emoções, fazendo um link entre o biológico, o espiritual, o psicológico, tá? eh, que seria como lidar com as emoções. A gente aprofunda isso que a gente tá resumindo aqui. Mas então nós temos só uma emoção básica positiva, que é a alegria. Então, veja, de se a gente tem quatro emoções negativas e só uma emoção positiva, é muito mais fácil a gente sentir as emoções negativas do que alegria. Então, de fato, né, a a os artistas têm razão, as pessoas têm razão ao dizer que é muito mais fácil sentir tristeza, eh, raiva, né? Se sentir com emoções negativas do que alegria. É porque você só tem uma. Por quê? Porque antes de viver em plenitude, que seria a uma emoção mais positiva, a gente precisa sobreviver. Então, as emoções negativas elas têm uma importância. Então, veja que eh essa infância não é sinônimo de pureza por causa dessa questão da bagagem. Essa infância é uma oportunidade de a gente se desapegar, né, por um tempo dessas memórias traumáticas, reencarnatórias, que estão ligadas às emoções mais pesadas, mas é também um tempo em que a gente tem mais contato com as emoções positivas, a alegria. E aí, deixai vir a mim as criancinhas. É preciso que essa criança alegre, que sentiu uma época com mais facilidade, alegria, possa emergir dentro de nós nesses nesse momento de vida, para que a gente caminhe para a plenitude. Então essa criança que não era pura, não é pura na sua completude do termo, mas que sentia com mais facilidade e alegria, precisa energir dentro de nós. E por mais que você imagine que você não era uma criança tão alegre assim, é porque você tá lembrando de um período da sua vida só, um período que foi marcado de traumas, de dores, de emoções negativas, que fica mais guardada na tua cabeça. Mas eu posso afirmar com total tranquilidade e total clareza que se você tá vivo, reencarnadamente falando,
oi marcado de traumas, de dores, de emoções negativas, que fica mais guardada na tua cabeça. Mas eu posso afirmar com total tranquilidade e total clareza que se você tá vivo, reencarnadamente falando, tá? Porque vivo você tá desencarnad ou encarnado, mas vivo encarnadamente falando, você tá com corpo, assistindo com o corpo que a gente tá falando, é porque você também tem memórias boas, é porque você também tem memórias positivas, é porque você também teve a capacidade e a possibilidade de sentir emoções positivas nesse período da infância. Se você acha que sua vida é um mar de lágrimas, imagine nas outras reencarnações. E esse período da infância foi um intervalo de sorriso, um intervalo, né, um interlúdio de alegria para você poder dar um novo passo, para eu poder dar um novo passo. Porque se a gente só tivesse eh amargura, só tivesse emoções ruins, só tivesse memórias ruins, a gente não conseguiria sobreviver. Como aquele jovem que eu vi numa eh numa reportagem na época que me tocou muito, ele era um menino gavião, né? Na verdade, eu era gavião, era falcão o nome que colocava assim, mas era o menino do tráfico de drogas. era uma criança que levava a droga do traficante até o consumidor, até o comprador. Então, essa criança era entrevistada, né, por um repórter, eh, que era, na verdade, um músico, um MC, e perguntou para ela: "Quantos anos você tem?" Obviamente não mostrou o rosto da no rosto da criança. E aquela criança respondeu: "Tenho 6 anos. 6 anos de idade já estava nessa função, muito precocemente nessa função. Então o o cantor repórter perguntou: "Você não tem medo de morrer?" Primeiro que já é uma pergunta que uma criança tem dificuldade de entender totalmente. Ela fala brincando, sabe? Ela não sabe exatamente o que é a morte, mas essa criança de 6 anos sabia exatamente o que era a morte e sabia exatamente o que era crueldade da vida, o lado cruel da vida. Porque essa criança respondeu assim: "Tenho não, morre eu, nasce um pior do que eu". Então veja que resposta amarga, triste.
morte e sabia exatamente o que era crueldade da vida, o lado cruel da vida. Porque essa criança respondeu assim: "Tenho não, morre eu, nasce um pior do que eu". Então veja que resposta amarga, triste. E provavelmente essa criança não viveu muito tempo, porque uma criança que tá no tráfico de drogas tem uma vida muito curta, quer seja porque morre baleado, quer seja porque morre assassinado, quer seja porque essas memórias ruins, né, assassinam todo tipo de esperança. E veja que com 6 anos de idade a criança não tem a mínima esperança e diz assim: "Morre eu, nasce um pior do que eu". No centro espírita que cresci, que nasci e me desenvolvi eh enquanto espírita, enquanto pessoa também, uma parte da minha pessoa, obviamente, a gente ajudava crianças nessa vulnerabilidade social, né? num bairro muito pobre, num local muito pobre aqui de Recife, a gente ajudava crianças assim. E eu me lembro de uma criança que foi nossa evangelizando e morreu muito jovem também, né? E aí morreu pelo tráfico de drogas e a morte dela foi traumática, sabe, com esmagamento, eh, por causa do dos assassinos lá da do tráfego. E o irmão dele tinha visto, o irmão dele viu e o irmão ficou extremamente amargurado. Então assim, se a gente tá hoje vivo, né, encarnadamente falando, eh, adulto, é porque alguma memória boa, algum sorriso, alguma alegria, né, alguém nos salvou. Algo ou alguém salvou a nossa infância, a nossa juventude, paraa gente poder sobreviver e estarmos aqui tentando viver de outra maneira. é a função da infância e por isso a gente precisa deixar vir a criancinha, porque para não ter contato com essas memórias ruins, a gente também vai ficando desmemoreado e não vai tendo contato com as nossas memórias boas. Mas se a gente fica desmemoriado, a gente fica desvitalizado. A gente morre antes de morrer, a gente perde a vida antes de perder. Então, para podermos eh sorrir com a nossa infância, a gente precisa também fazer contato com esse lado difícil e, portanto, sem aquela idealização da
de morrer, a gente perde a vida antes de perder. Então, para podermos eh sorrir com a nossa infância, a gente precisa também fazer contato com esse lado difícil e, portanto, sem aquela idealização da pureza, de que na infância eu era totalmente feliz, mas sim pegar aquele aquela característica, veja que eh existe o sorrir social, né? A criança é muito pequenininha, tô falando de bebê, ela tem um reflexo do sorriso social, né, para poder ser cuidada, porque imagina se já fosse um bebê cisudo, né, que só não só fizesse careta, não sorrisse, a gente adulto também, né, cisudo, amargo, não cuidava eh do bebê. Então, o bebê para se proteger e para inspirar cuidado tem o sorriso. A alegria, portanto, faz parte do nosso DNA. A alegria faz parte do nosso lado biológico, do ser que somos, da nossa criança que precisa ser resgatada e revitalizada. E aí tem uma uma perspectiva fundamental da gente pensar deixar vir a minha criancinha, a gente poder agora adulto, da mesma forma que agora a gente tem a capacidade de colocar no colo uma criança bebê, a gente ter mais coragem de olhar a nossa história e sem ser tão carrasco conosco. nos acariciar para que a gente possa daquela criança ferida gerar uma criança feliz, né? como alguns colocam, uma criança dourada na metáfora de Jung, ou seja, uma criança que se sente um pouco mais liberta, porque do ponto de vista psicológico, é nessa etapa que a gente forma as nossas crenças nucleares, né, do ponto de vista da psicologia cognitiva, a visão do que a gente é, é nessa etapa de infância, adolescência que a gente vai criando essa visão do que nós somos. E obviamente as os xingamentos, os traumas, as dificuldades vão criando a sua marca na memória. Mas é preciso um esforço para lembrar também daquelas pessoas que disseram o contrário. Se várias pessoas na vida disseram que você não é capaz, é provável, muito provável que teve alguém que mostrou o contrário, que você é capaz. E é por isso que você é capaz de estar aqui hoje vivo, encarnado. Se várias
na vida disseram que você não é capaz, é provável, muito provável que teve alguém que mostrou o contrário, que você é capaz. E é por isso que você é capaz de estar aqui hoje vivo, encarnado. Se várias pessoas disseram que você não era útil, existiu alguém que mostrou porque simplesmente lhe amava, simplesmente cuidava, lhe acariciava e você tem uma utilidade. É esse deixar a ver as minhas criancinhas, né, que a gente precisa entender e se assemelhar à criança em uma outra característica que é a espontaneidade. Da mesma forma que o bebê muito pequeno tem um sorriso social, ele sorri de forma espontânea para poder receber cuidado, a gente precisa ter mais espontaneidade, porque a alegria é espontânea. diz até uma uma algumas pessoas dizem, olha, alguns humoristas, se a piada precisa ser explicada, já não é uma piada boa, né? O humor que precisa ser explicado, já perdeu a principal característica do humor, que é a espontaneidade. Aquela coisa que a gente escuta, a gente vê e nos toca. Então, a espontaneidade e a capacidade de sorrir espontaneamente. Eu me recordo em uma palestra espírita que realizei há muitos anos eh em um estado aqui do Brasil, no Nordeste. Eu tava hospedado na casa de de colegas, né, que me convidaram tudo. lá uma família feliz, né? E conversava com a criança, na verdade conversava com os dois filhos. E o pai me dizia: "Rapaz, convers contando, é, vamos supor que João, Joãozinho é complicado. Toda vez que eu chamo ele de manhã, né, ele fala assim: "Papai, só mais 5 minutos, né, eu quero fazer a prece". Então o pai ia chamar Joãozinho, né, para poder acordar e dá um dá uma preguiça, né, às vezes você acordar de manhã, você quer aquela soneca, tem até no celular a função soneca. E aí eh, como o pai não deixava, Joãozinho falava assim: "Papai, me dê mais 5 minutos, eu vou fazer a prece". E aí o pai não sabia se Joãozinho tava enrolando ou realmente tava fazendo a prece, mas o pai espírita não queria desencorajar o filho de fazer a prece. Então ele ficava naquela sin
ou fazer a prece". E aí o pai não sabia se Joãozinho tava enrolando ou realmente tava fazendo a prece, mas o pai espírita não queria desencorajar o filho de fazer a prece. Então ele ficava naquela sin cuca de bico e deixava o filho dormir mais um tempinho. Aí daqui a pouco ele chegava e falava: "Pronto, meu filho, já fez a prece, vamos vamos acordar". E aí o filho falava assim: "Pera aí, papai, mais um pouquinho que a prece tá muito forte, tá muito intensa". E aí o pai, eh, né, já sorrindo internamente, deixava o filho dormir mais um pouco. Eh, e daqui vou, meu filho, agora pera aí, papai, eu tô pedindo pelo mundo todo. Eu achei aquilo fantástico, né? E rimos para caramba. E eu perguntei assim para o Joãozinho, mas rapaz, eu fiquei com inveja de você. Ele por quê? Porque eu, né, eh, na minha época de infância, o meu pai era professor do colégio onde eu estudava e ele acordava cedo que só e literalmente, que não é uma figura de linguagem, a gente era geralmente era éramos os primeiros a chegar no colégio. Então, só tinha um funcionário que abria porta ali, poucas pessoas e nenhuma criança. A gente era o primeiro a chegar. Então, acordava muito cedo e já existia, quando era criança, chuveiro elétrico, né? Eh, e meu pai até teria condições de comprar o chuveiro elétrico. A gente não era era uma família de classe média, média, bem média, mas teria condições de comprar o chuveiro. Mas lá em casa não tinha chuveiro elétrico e só tinha um banheiro, eram dois quartos, né? Eu tinha, eu, eu, eu sou o mais novo de dois irmãos, então eram umas lá um, era um trelige, né? Um beliche e uma bicama. Eu dormia na bicama e eu era o mais novo, o caçula. Então, quando ia chamar para tomar banho para colégio, cedo, que só, sem o chuveiro elétrico, quem aqui é primeiro era sempre eu, que era lei, né, do mais forte. O mais velho eu mandava do meio, do meio eu mandava a mim. Então, em geral, havia às vezes uma caridade, né, dos meus irmãos de irem na minha frente às vezes, mas em geral era
lei, né, do mais forte. O mais velho eu mandava do meio, do meio eu mandava a mim. Então, em geral, havia às vezes uma caridade, né, dos meus irmãos de irem na minha frente às vezes, mas em geral era eu que ia na frente. Então era muito cedo, com chuveiro gelado, gelado, e eu ficava às vezes na frente do chuveiro rezando para ver se a prece esquentava. Isso eu me lembro. Eu rezava para tomar coragem de tomar eh de tomar no chuveiro. E nunca me liguei na prece para adiar, né, a prece da soneca. Nunca me liguei nisso. Eh, eu e aí eu expliquei para ele: "Ah, tio, agora não dá mais, né? Só na próxima reencarnação." Pronto, na próxima reencarnação eu vou chegar já com essa ideia da prece para poder dormir um pouco mais. Eh, e mesmo com chuveiro elétrico, com banho quente, eu vou fazer essa essa estratégia. Eu vou julgar essa criança. Negativamente falando, né? você vai conseguir julgar essa criança ou ou dizer: "Ah, você não fez porque você era mais nada, muito inteligente, né? Eh, ele não tava fazendo mal, né? É apenas um menino criativo, digamos assim. Eu achei fantástico essa é fantástica essa ideia. Então, a espontaneidade, que não necessariamente significa pureza, mas a espontaneidade da criatividade, do sorrir, né? Eh, e aí o que me parece que resume bastante essa proposta de olharmos paraa nossa criança sem sermos ingênuo, olharmos paraa nossa criança eh para podermos resgatar algo de bom a as emoções positivas. Me parece que tá também no capítulo 10 de Mateus, o versículo 16. O capítulo 10 de Mateus é o capítulo em que Jesus manda os 12 discípulos eh para poder pregar, para poder fazer, digamos assim, a divulgação da boa nova. O capítulo 10 começa com Jesus, digamos assim, eh abençoando, né, entre aspas, até dando o o poder da cura para os bem os os discípulos. E ali há um momento em que Mateus enumera todos os discípulos. E no final, né, desse primeiro, dessa primeira parte, no versículo 16, Jesus diz assim: "Eis que vos envio como ovelhas entre lobos. Por isso, sede prudentes como as serpentes e
a todos os discípulos. E no final, né, desse primeiro, dessa primeira parte, no versículo 16, Jesus diz assim: "Eis que vos envio como ovelhas entre lobos. Por isso, sede prudentes como as serpentes e sem a malícia como as pombas." Então essa talvez seja uma um um resumo, uma consequência desse ensinamento da infância, da criança que há em nós. A gente não pode ser a criança ingênua, não. A ingenuidade não é a característica, né, da maturidade. Não é a característica. Se você é maduro, você não é ingênuo. A maturidade tá mais com a perspicácia da serpente. A maturidade com a perspicácia vem a prudência. Então, prudência, emoção negativa. Ninguém fica prudente porque tá alegre. A alegria não é prudente. A alegria é espontânea. A alegria é saltitante. Quando a gente tá alegre, a gente sorri, né? A alegria eh, não, não é a alegria que nos dá prudência, é o medo, eh, a o nojo, sabe? É a tristeza. São essas emoções negativas que nos dão prudência. Então, sede prudentes como a serpente. E a prudência da serpente é o que? Olha, eu tô aqui olhando, se você me der o bote, eu dou o bote. Mas Jesus não falou para a gente dar o bote como a serpente, né? Só ser só ter a prudência e não a agressividade venenosa. Ele não falou isso. É a prudência, ou seja, o comportamento da de de ser sagaz, de ser perspicaz, né? de ser esperto, mas sem ser esperto, como a gente às vezes coloca na malícia, que aí vem o outro complemento, mas sem a malícia das pombas, ou seja, eh sem a sem a malícia como as pombas. Então, a leveza da pomba, a alegria nos deixa leve. Quando você tá alegre, você tá leve. Então, a imagem é muito interessante, né? a serpente que tá nos eh está rastejando, que está presa na Terra, que são as emoções negativas que se guardam, se afincam eh na sobrevivência e a pomba, a ave que voa, que nos dá leveza. Então, portanto, a alegria eh seria a emoção positiva, né, nessa comparação, nessa metáfora que a gente tá aqui criando, né, nessa nesse, nessa exortação de Jesus, da postura que Jesus
nos dá leveza. Então, portanto, a alegria eh seria a emoção positiva, né, nessa comparação, nessa metáfora que a gente tá aqui criando, né, nessa nesse, nessa exortação de Jesus, da postura que Jesus recomenda os discípulos estarem, que a nossa maturidade, que o passar dos anos nos deixe prudentes, nos deixe inteligentes, perspicazes, mas não nos deixem amargos, nem peçonhentos, não é isso? Nos continue deixando leves, como a ave que pode voar, como a ave que é usada algumas vezes, né? No exemplo eh que Jesus quer falar sobre a ansiedade, né? em que ele fala assim: "Olha, observai os lírios do campo e as aves do céu. As aves simbolizam esse voo da vivência plena, mas não dá para viver plenamente sem a segurança de andarmos no chão, né? Ou seja, sem essa prudência. Porque os discípulos estão lá pregando ao mundo. antes do do versículo 16, logo antes, ali no versículo 14, salvo engano, Jesus coloca: "Olha, se você for uma casa, né, em uma cidade e não receberem o vosso ensinamento, não fica ali preso, né, querendo convencer, tal, vai, né, e sacode eh os pés, né, eh, sacode o pó dos vossos pés e continua, né, até o cancioneiro popular diz assim: "Levanta sacode a poeira e dá volta por cima. O cancionário popular diz isso e a Bíblia, né, o Evangelho de Mateus coloca, não fica ali continuando, né, e nem se torna, sabe? Porque às vezes a gente eh, digamos, a título de salvar os outros, a gente acaba se igualando as podridões que a gente vê no mundo. Não, mas eu tô aqui para salvar os outros. a gente às vezes não tem essa capacidade, né? Porque senão a gente, ao invés de ficar prudente se torna pensonhento, né? Se torna também venenoso. Então, que a gente possa ficar apenas com que a serpente nos dá de exemplo bom, que é a prudência, mas não ser peçohento, venenoso, sabe? eh, maldoso e ficar de com a língua ferina e com a língua ferina eh devastando a vida alheia, a gente possa ficar só com a perspicácia da maturidade. Então sim, a infância deve ser relembrada pela espontaneidade do brincar, pela
língua ferina e com a língua ferina eh devastando a vida alheia, a gente possa ficar só com a perspicácia da maturidade. Então sim, a infância deve ser relembrada pela espontaneidade do brincar, pela espontaneidade da alegria, pela espontaneidade de, por exemplo, o meu filho me dá um abraço, cheira a minha Barbie e fala: "Papai, eu gosto do seu cheiro". Qual foi a última vez que você falou isso pro seu pai, paraa sua mãe, para o seu filho, pro seu esposo, pra sua companheira? Eu gosto do seu cheiro. Algo mais viseral do que o cheiro? O cheiro nos dá memória. Hum. Esse cheiro do bolo de chocolate, da comida, da cozinha de minha avó, da cozinha da nossa infância, o cheiro ele nos dá inclusive do ponto de vista biológico, eu tô falando do ponto de vista não só poético, mas biológico, há uma via cerebral, né, que aciona as nossas emoções muito mais rapidamente com o cheiro. E aí os cãos, né, os cãos nos mostram muito bem isso. de muitos animais que têm, né, a questão do cheiro muito desenvolvida e sentem, né, farejam a partir dessa propriedade. Papai, eu gosto do seu cheiro. Que coisa linda para dizer que eu te amo, muito mais visal, muito mais poético, muito mais espontâneo e muito mais leve que nos faz viver em plenitude. Então, complementando, deixai vir a minhas criancinhas, deixemos vir a nós a criancinha. Eu queria encerrar a nossa reflexão de hoje, lembrando da criança que há em nós, se confraternizando com um adulto que nós somos, do adulto que há em nós. Jesus exortando os discípulos a irem no mundo, o adulto que somos, exortando a criança que ainda temos dentro de nós, para que ela possa amadurecer sem se perder. Eis que vos envio como ovelhas entre os lobos, os lobos das próprias memórias difíceis, os lobos das nossas próprias dificuldades. Não só o lobo dos outros, do mundo, mas os lobos que estão dentro de nós mesmo, sabe? As dificuldades que a gente guarda, as perturbações que nós ainda somos. Eis que a gente envia e convoca essa criança entre os lobos.
utros, do mundo, mas os lobos que estão dentro de nós mesmo, sabe? As dificuldades que a gente guarda, as perturbações que nós ainda somos. Eis que a gente envia e convoca essa criança entre os lobos. convoca que essa criança reencarne ou renasça dentro de nós e dentro da própria vida tem uma nova vida. Eu acho curioso essa perspectiva. Às vezes uma dificuldade faz com que a gente tenha uma nova possibilidade, parece que é uma nova vida dentro da mesma vida. E a gente convoca essa criança para que ela possa ser acionada e agora mais madura. Fala assim: "Olha, sede prudentes, não seja ingênua, minha filha, meu filho, criança interna, não seja ingênua mais. Agora você já é um adulto. Seja prudente como a serpente, mas permaneça sem malícia como as aves que estão no céu, voando em plenitude, voando em alegria. É um desafio, não é? Mas se a gente não convocar essa criança, não olhar para essa criança, a gente não vai poder fazer esse salto de qualidade que o evangelho nos convoca, que o evangelho nos convida. Muita paz. Até a próxima oportunidade.
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