#38 • Jesus e Saúde Mental • Para quê ganhar o mundo e se perder?
WEBSÉRIE • Jesus e Saúde Mental » Episódio 38: Para quê ganhar o mundo e se perder? » Apresentação: Leonardo Machado
Ora direis ouvir estrelas. Por certo, perdeste o senso. Eu vos direi, no entanto, que para ouvi-las muitas vezes desperto e abro a janela pálido de espanto. E conversamos largo tempo, enquanto a Via Láctea como um pálio aberto senti-la. E quando vem o sol ainda saudoso e em pranto, eu as procuro pelo seu deserto. Direis agora, trêslado amigo, que conversas com elas? Que sentido tem o que dizem quando estão contigo? E eu vos direi: "Amaio, amai, porque só quem ama pode ter ouvido capaz de ouvir e de entender as estrelas. Os versos eu gosto muito são de lavo bil chamado viac. Gosto muito porque ele nos fala pelo menos de dois pontos fundamentais. O nosso tropismo em relação à luz, em relação à luminosidade, a nossa vinculação com o divino, simbolizado na nossa nosso fascínio em relação às estrelas. Ora direis ouvir estrelas. Que coisa poética. Mais poética ainda é quando perguntam que direis, né? Quando conversas com elas, que sentido tem o que dizem quando estão contigo? E Olavo Belac vai dizer assim: "Ora, só quem ama pode ter ouvido capaz de ouvir e de entender as estrelas. Às vezes a mensagem do universo já está posta. Nós aqui precisamos desenvolver a nossa percepção para entender. Muitas vezes essa mensagem do universo já foi traduzida em palavras mais eh entendíveis ao nosso intelecto, a partir, por exemplo, do Novo Testamento, do Velho Testamento, a partir de diversos códigos religiosos. Mas nós não conseguimos aprofundar o entendimento, não conseguimos transcender o entendimento, porque ainda estamos lendo com a letra, ainda estamos lendo com o racional, ainda estamos lendo uma ótica muito parcial e muito eh superficial. Quando começarmos a ler com o espírito que vivifica, o entendimento, porque faz com que a gente entenda não só racionalmente, mas de alguma forma experimente, de alguma forma faça uma leitura mais aprofundada dessas coisas santas da vida, ou seja, dessas leituras que não deveriam ser apenas alvo de debate, mas que deveriam ser alvo de mudança, de
perimente, de alguma forma faça uma leitura mais aprofundada dessas coisas santas da vida, ou seja, dessas leituras que não deveriam ser apenas alvo de debate, mas que deveriam ser alvo de mudança, de um debate. debate interno para que a gente possa mudar, porque o debate assim de convencimento externo, a gente já fez várias reencarnações, já tentamos várias reencarnações, não deu lá muito certo. A proposta é que a gente faça um outro debate, o debate interno, para que a gente possa se convencer internamente de que aquele caminho que a gente tá seguindo é um caminho luminoso, é um caminho que está nos transformando, é um caminho que está fazendo com que a gente transcenda a nossa existência. Se a gente está convicto disso, os debates externos eles começam a ganhar menos importância, começam a ganhar menos força, porque a gente está convicto da nossa do nosso do nosso caminho. E aí, mesmo que não entendam o nosso diálogo com as estrelas, mesmo que não entendam o nosso diálogo com os benfeitores, mesmo que não entendam, portanto, esse diálogo que a gente trava com essas coisas santas da vida, nós estaremos tranquilos, porque nós estaremos entendendo, porque já não estaramos falando com a linguagem da razão, mas sim com a linguagem da do amor. E quando nós amamos, nós conseguimos entender o que dizem as estrelas. É nessa perspectiva que Marcos, no seu capítulo 8, traz uma passagem que eu gostaria de ler, alguns versículos, né? O versículo 34, quando Jesus diz assim, na verdade, Marcos anota, né? E chamando a si à multidão com os seus discípulos, disse-lhe: "Se alguém quiser vir após mim, negue-se a si mesmo, tome a sua cruz e siga-me." Vem no versículo 35. Por qualquer que quiser salvar a sua vida, perdê-la há. Mas qualquer que perder a sua vida, por amor de mim e do evangelho, esse a salvará. E aí vem o versículo que dá título à nossa palestra de hoje. Pois que aproveitaria o homem ganhar todo o mundo e perder a sua alma ou que daria o homem pela pelo resgate da sua alma? No versículo 37. É muito
m o versículo que dá título à nossa palestra de hoje. Pois que aproveitaria o homem ganhar todo o mundo e perder a sua alma ou que daria o homem pela pelo resgate da sua alma? No versículo 37. É muito interessante entender o contexto, né? Porque essa é uma frase, sinceramente, que a primeira vez que li, n o evangelhos, né, no Novo Testamento e fui estudando, essa foi uma das frases que mais me chamou a atenção, né? E aqui no programa, né, nessa palestra está traduzida como ficou na minha cabeça, no meu no meu no meu íntimo. Para que ganhar o mundo inteiro e se perder? Porque quando eu perco a minha alma, isso simboliza que eu perco a mim mesmo. Eu me perco no caminho. Eu me perco da trajetória. Eu me perco desse caminho que eu estou traçando. E às vezes os convites do mundo, eles são muito eh tentadores assim, no sentido de desviar o nosso foco. E eventualmente e os caminhos do mundo não necessariamente são eh assim pecaminosos, sabe? Eh ou algo perturbado. Não é isso. Só vou dar um exemplo pessoal, né? Eh, muito cedo também a vida começou a me colocar em postos de trabalho, eh, para além da doutrina espírita. Veja, se eu comecei fazendo palestras com 17 anos, comecei eh fazendo trabalho no Centro Espírita com 13 e desde então nunca parei nenhum ano, né? Até no época do vestibular, que foi um período que foi mais difícil, eu continuei fazendo os trabalhos e até fazendo palestras, né, de forma inicial. Eu nunca deixei, mas quando eh me formei, aí entrei na residência de psiquiatria logo no outro ano. Aí logo depois passei no mestrado, no doutorado, aí no concurso público para professor. Ou seja, a minha vida profissional, ela ganhou uma abrangência e uma amplitude que eu nunca imaginei, nunca imaginei tão rápido, tão cedo, estar em lugares eh profissionalmente falando, eh, que eu não imaginava, né? Eu até imaginei que como palestrante espírita as coisas iam se desdobrando, iam se desdobrando, mas eu ocupei espaços eh na profissão até mais rápido do que ocupei na na tribuna
eu não imaginava, né? Eu até imaginei que como palestrante espírita as coisas iam se desdobrando, iam se desdobrando, mas eu ocupei espaços eh na profissão até mais rápido do que ocupei na na tribuna espírita ou em tribunas espíritas ou até do que ocupo ainda hoje. E nesse sentido, o que me chamava atenção é que eu não tava ali abrindo um caminho perturbado, entendeu? Nesse sentido, não era um caminho perturbador, não era um caminho pecaminoso, era um caminho profissional de ajuda, em que eu estava ali dando o o meu testemunho e dou o meu testemunho enquanto pessoa, porque nunca deixei de ser espírita, não é? E as pessoas sabem, eh, bota meu nome na internet, encontram coisas do trabalho, essa própria, a, a, programa que tô falando aqui pela moção do caminho fica gravado, enfim. Então, não é, eu não, não, não é escondido. Eu só não faço na minha parte profissional uma tribuna de convencimento para ninguém, porque eu não faço isso nem na doutrina espírita. Eu não tenho essa necessidade de convencer ninguém. Mas o fato é que em algum momento eu fui percebendo que eh se avolumava a quantidade e se avolumam a quantidade de atribuições extra Jesus, digamos assim, extra oficialmente Jesus. E não é que nesse canto aqui eu não leve Jesus, sabe? Só que aqui na no espiritismo eu posso me debruçar mais profundamente em Jesus. E nesse sentido, me debruçar mais profundamente em Jesus é também ganhar forças emocionais para poder continuar na rota. Quando eu dou uma aula de psicofarmacologia para um aluno, para um estudante, é muito bom. Eu tô dando dando, dando ali uma didática, tô ensinando jovens. Eu tenho uma função que acho muito importante quando eu tô falando sobre psicoterapia para o residente de medicina, quando eu tô fazendo a supervisão, quando eu tô apresentando, né, como estava lá num proc, né, um trabalho que cuida de pessoas com esquizofrenia de São Unifesp, eles estavam completando 30 anos de idade, né, de projeto, um dos principais eh locais do Brasil que fazem artigos científicos.
, né, um trabalho que cuida de pessoas com esquizofrenia de São Unifesp, eles estavam completando 30 anos de idade, né, de projeto, um dos principais eh locais do Brasil que fazem artigos científicos. enfim, produção. E daqui a pouco me convidaram para ser um dos palestrantes do simpósio comemorativo de 30 anos. Eu tava lá apresentando as minhas pesquisas acadêmicas, mais tímidas, bem mais tímidas, eh, do que outras, quando falo tímida, no sentido de assim, a pesquisa que eu faço não tem um impacto que um cara, né, eh, Carrel, por exemplo, pesquisa na Alemanha, nos Estados Unidos. Então ele tem um impacto de pesquisa, né, muito mais intenso. E tava lá eu falando junto dele no evento e só eu representando ali essa região eh do Brasil. Fiquei bastante impressionado, né? Poxa, como é que eu tô aqui ocupando esse espaço? Eh, então essas outras portas da vida podem se abrindo, né, a partir de um sucesso e a gente pode ficar meio encantado demais. E esse encantado demais pode ir aumentando a nossa vaidade para além do limite. E aí a gente pode se perder no caminho que não era um caminho perturbador de início, mas eu digo para você, a gente pensa que só é difícil lidar com os insucessos da vida, mas lidar com o sucesso na vida também é muito difícil, porque o sucesso na vida às vezes faz com que a gente se perca de nós mesmos, da nossa essência, se perca no excesso de vaidade e não à toa que você vê vários artistas assim famosos na história da arte, da música, sobretudo, que conseguiram ategir um sucesso, mas rapidamente morreram de overdose, de drogas, de substâncias psicoativas, porque em algum momento, né, eles acabaram sendo usados também para uma série de pessoas que estavam ao redor ou eles próprios não conseguiram lidar com aquela situação. E aí vieram as substâncias psicoativas para tentar e anestesiar as dores inerentes das decepções. Quando você ganha um sucesso, você atrai muita inveja, muitos olhares de pessoas que queriam não eh pegar você como exemplo de admiração e tentar fazer
r e anestesiar as dores inerentes das decepções. Quando você ganha um sucesso, você atrai muita inveja, muitos olhares de pessoas que queriam não eh pegar você como exemplo de admiração e tentar fazer da maneira deles, mas pegar você como um objeto de competição e tentar destruir o teu lugar, né? Eh, porque a tua presença no mundo gera uma mensagem de que ele não é capaz e você não tava nem querendo isso, você tava querendo fazer o teu trabalho. Então, o sucesso tem essas dificuldades, tem esses, eh, esses desdobramentos e às vezes a pessoa que tá nesse local, né, de de a de de visibilidade, ela começa a ficar se decepcionando muito, se decepcionando, se decepcionando pelas coisas da vida, né, as coisas rudes que acontecem no dia a dia, enfim. E aí a gente vai se decepcionando e quando eu vê o nosso coração fica embrutecido. E quando o coração da gente fica embrutecido, a gente já perdeu o nosso ser, a gente já perdeu a nossa alma. Porque o objetivo da vida é desembrutecer o nosso coração. O objetivo da vida é deixar com que a gente fique uma pedra mais polida e não uma pedra mais bruta. Por isso que há muito sentido na música do Renato Russo, né? Eh, eu não vou deixar o meu coração se embrutecer. Eu acredito nos meus ideais. podem podem até maltratar meu coração, mas meu espírito ninguém vai conseguir eh derrotar, né? Nunca não vai conseguir vencer. É importante a gente permanecer com esses ideais e entender e entender o que que a gente quer. Porque quando a gente sabe o que a gente quer, a gente pode fazer os nãos da vida, né? fazer a seleção. Olha, eu entendo que eh esse é um caminho bom, mas eu não tenho condições de tempo, porque se eu disser sim para cá, eu vou dizer automaticamente não para cá. E às vezes eu preciso desse caminho aqui para poder lembrar do que eu sou. Então o que eu quero dizer? em algum momento eu tive que também eu tenho que ir dizendo não em algumas coisas profissionais, por mais que sejam boas, eh, no sentido de levar a influência, eu não tô nem
ntão o que eu quero dizer? em algum momento eu tive que também eu tenho que ir dizendo não em algumas coisas profissionais, por mais que sejam boas, eh, no sentido de levar a influência, eu não tô nem colocando a questão de retorno financeiro, porque muitas coisas que eu tô colocando aqui, como eh vida acadêmica, não é um retorno financeiro, publicar um artigo científico, ao contrário, eu que pago a tradução do inglês, sabe? Então, muita coisa a gente faz por ideal. Então vamos tirar essa questão financeira de lado, vamos colocar os ideais e quem faz parte de vida acadêmica, vida de pesquisa, vida de ensino, sabe que muitas coisas que a gente faz é por ideal, né? Eh, o pagamento que a gente recebe é o pagamento moral, pagamento por ideal. Então, também na doutrina espírita a gente não recebe nada, pelo menos eu nunca recebi nada diretamente da doutrina espírita, nem salário, nem retorno com livros, nada. Mas o que eu recebo é o meu ideal, é o pagamento moral, é a sensação de que eu estou sendo útil, mas aqui na profissão também, na como professor especialmente, eu me sinto útil. Então, o que eu tive que fazer foi ir selecionando e percebendo, por exemplo, que aqui espiritismo, Jesus me dá oportunidade não só falar sobre eh aspectos emocionais que gosto de entender porque é da minha área, mas falar sobre Jesus e Jesus ficar na cara, ficar na minha cara, na minha visão o tempo todo para não esquecer do meu ideal. E o meu ideal, assim como provavelmente o teu ideal, fala assim pra gente seguir Jesus. Mas quando Jesus nos convida a segui-lo, ele não convida e diz assim: "Vai ser tudo tranquilo". Veja o versículo de de Marcos. E chamando a multidão com os seus discípulos, disse-lhe Jesus: "Se alguém quiser vir após mim, negue-se a si mesmo. Tome a sua cruz e me siga." Negue a si mesmo no sentido de negar eh a nossa o a nossa vaidade, né? negar o nosso narcisismo extremo, negar a nossa persona na linguagem un guiana, negar a nossa o nosso ego na linguagem mais coloquial, ou seja, não ficar fazendo as
r eh a nossa o a nossa vaidade, né? negar o nosso narcisismo extremo, negar a nossa persona na linguagem un guiana, negar a nossa o nosso ego na linguagem mais coloquial, ou seja, não ficar fazendo as coisas apenas para aparecer. Óbvio que quando a gente faz as coisas, a gente aparece. a gente aparece, tem uma visibilidade, especialmente dependendo do local que você faça, do tipo de trabalho que você faça. Então, a gente tem uma visibilidade, a gente aparece, mas que esse não seja o objetivo principal, que essa seja uma consequência, que essa seja até inclusive uma necessidade para o trabalho eh ser efetuado, que não seja o o objetivo principal. negue-se a si mesmo. Negue-se o a a sua o seu excesso de vaidade para poder seguir na minha trajetória. Óbvio, veja só, quando Jesus eh faz a trajetória dele, ele se torna o maior homem da história do mundo, como várias pessoas colocaram. Ele divide a história antes e depois dele. Ele funda uma visão de mundo profunda, mas esse não era o objetivo dele. O objetivo era salvar o nosso ser, né, a partir dos ensinamentos dele. Mas o objetivo tão grandioso que que não tem como Jesus não aparecer. Mas esse é o ponto. Não é que ele foge do aparecimento, mas ele não faz isso porque é o principal objetivo, né? Então essa é uma é um ponto importante, negar a si mesmo. Outro ponto, que pegue a sua cruz e me siga. Não imagine que por ser trabalhador do Cristo, trabalhador espírita, trabalhador do bem, você não vai ter a sua cruz. Você vai ter a sua cruz. E o que ele na verdade habilita você para ser um trabalhador do bem é exatamente essa cruz, porque senão seria muito teórico, né? Eu seria eh um terapeuta teórico que nunca me terapeutizei, ou seja, nunca olhei para mim. Não tem como, né? Não dá. Por isso que às vezes em processo de terapia, né, o psicoterapeuta com o passar da idade, ele até vai amadurecendo mais e vai podendo às vezes ficar um psicoterapeuta até melhor, porque ele tá mais maduro, com mais experiências de vida nessa existência. E não só experiências de
r da idade, ele até vai amadurecendo mais e vai podendo às vezes ficar um psicoterapeuta até melhor, porque ele tá mais maduro, com mais experiências de vida nessa existência. E não só experiências de vida, mas também eh autoconhecimento, aprofundamentos de si. Negue-se a si mesmo, pegue a sua cruz e me siga. Mas o que eu acho bastante importante é quem quiser ganhar, salvar a sua vida, perdê-la. A gente tem que entender do ponto de vista simbólico, né? Porque a gente às vezes fica querendo salvar a nossa imagem. Se eu pudesse resumir, não ficar tão preocupado com a imagem, não ficar tão preocupado com a foto, mas ficar mais preocupado com o que que tá acontecendo de fato, né? Não muito mais a foto, mas o fato em si. E aí, nesse sentido, eh, quando a gente quer ganhar, é salvar demais a nossa imagem, salvar demais ah, o que nós somos, sabe? e utilizar espaços que não são apropriados para isso, a gente acaba perdendo o tempo precioso. Então, imagine só, eu tô lá decepcionado com alguma coisa do movimento espírita, né? Naturalmente aconteceu ao longo desse tempo e eu vou ficar usando a tribuna para dar recados. Eh, aí eu começo a fazer a tribuna uma lança mísseis, né? Aí fica uma coisa que se perde o objetivo. Óbvio que eu posso contar as minhas histórias no sentido de compartilhadores e ajudar em experiências. Mas tudo depende da maneira também como a gente vai colocando. Então quem tá nesse nessa posição de trabalho espírita tem que ter muito cuidado, né? Porque a gente às vezes fica querendo salvar demais a imagem e se perde. Mas quem não tem medo de se perder, ou seja, de perder a imagem e continua trabalhando, aí sim vai ganhando titura moral, vai ganhando coragem, vai ganhando bravura para resistir, porque tem que ter bravura, tem que ter coragem para ter tranquilidade de se expor, né? Se expor é muito difícil, porque a gente fica exposto à opinião do outro. Mas o que importa ganhar o mundo todo em títulos, em posições, em lugares, em opiniões, ganhar opinião alheia e perder a si
é? Se expor é muito difícil, porque a gente fica exposto à opinião do outro. Mas o que importa ganhar o mundo todo em títulos, em posições, em lugares, em opiniões, ganhar opinião alheia e perder a si mesmo? Porque eu fico tão preocupado com a aparência que eu esqueço a minha essência. Eu fico tão preocupado com o título, com o currículo que eu esqueço o caldo profundo que eu devo ser. Então, nesse nessa perspectiva, eu acho um lembrete extraordinário do que importa ganhar a vida toda e perder a si mesmo. Perder a alma, se a gente quiser usar a linguagem que está escrita, mas perder a si mesmo é o principal ponto. Às vezes a gente não precisa falar nada. Eu tenho me lembrado muito de minha avó paterna, porque foi uma pessoa muito simples, né? Eh, ela em algum tempo, inclusive foi a pessoa que fazia faxina, lavava roupa paraa casa de outras pessoas, né? Aí depois meu avô, na época deles, né? Então, muitas vezes o homem não deixava a mulher trabalhar porque era culturalmente eh indesejado. Aí meu avô não deixou e ele foi trabalhar, tal. Eh, ele era garçom, analfabeto, então, a família de meu pai de uma origem muito humilde, financeiramente falando, eh, de de estudos também muito simples. E minha avó era um exemplo extraordinário de uma coisa chamada resignação. Ela teve uma trombose, né? Então, me lembro dela muito com as mãos desse jeito. Ela não conseguia abrir as mãos. E quando chegava na casa dela, no bairro do Montese, em Fortaleza, ela então fazia comida, uma desse jeito, ela própria fazia comida, eh, um feijão delicioso, simples delicioso, com uma farofa deliciosa, uma comida caseira. E muitas vezes quando eu vou a uma casa que tem um estilo mais antigo, né, eu lembro muito da casa de minha avó, uma casa simples que tinha até um galinheiro no fundo da casa. Então, bem simples, mas uma tranquilidade. Toda vez que eu chegava nas férias, criança, ela juntava um dinheirinho e me dava um presente, eh, um boneco qualquer, um boneco do Rambo, um boneco daquilo. E meu avô
simples, mas uma tranquilidade. Toda vez que eu chegava nas férias, criança, ela juntava um dinheirinho e me dava um presente, eh, um boneco qualquer, um boneco do Rambo, um boneco daquilo. E meu avô juntava um dinheiro e me dava em dinheiro, como se fosse uma espécie de mesada para que eu pudesse comprar algo. Então, na simplicidade deles, eles faziam muito. Mas a minha avó nunca me deu nenhum ensinamento falando. Ela era muito calada, né? É muito tranquila. andava com dificuldade arrastando um dos pés por causa dessa trombose que aconteceu. Eu não sei exatamente que doença foi, mas eu sei que ela tinha essa sequela motora, mas ela falou com a vida e no final da existência dela, a parte piorou muito. Então, depois que meu avô eh faleceu, ela ficou viveu ainda por muitos anos, mas precisou morar na casa de meu pai durante um tempo. Então, ela se mudou de Fortaleza, foi para Recife e ficou lá na casa de meu pai. E eu me recordo que ela começou a ficar bastante dependente, porque a parte motora dela, ela totalmente lúcida, a memória, a a parte cognitiva totalmente boa, mas a parte motora a limitava muito. Isso é muito difícil, só quem passa por isso sabe, você ter uma uma mente totalmente sã e o corpo limitando seus movimentos, né? Como se fosse uma espécie de aprisionamento, mas ela não se queixava. Impressionante como ela não se quechava. Impressionante como eu nunca vi minha avó de mau humor. Impressionante. E aí um dia eu a vi inquieta, angustiada. Eu tava ali com 17 anos estudando pro vestibular e estávamos apenas eu e ela em casa. Ela tava numa cadeira de balanço em que ela ficava. Eu no sofá eh na mesa, né, de centro, estudando pro vestibular de medicina. E eu vi ela inquieta e perguntei para ela, avó, o que que é? E ela: "Não, meu filho, nada não." Mas ela não ficou, não conseguia não ficar inquieta. Até que depois eu descobri e ela me falou que estava com vontade de fazer as suas necessidades fisiológicas, estava com vontade de ir a um sanitário, só que ela não conseguia ir sozinha e
ar inquieta. Até que depois eu descobri e ela me falou que estava com vontade de fazer as suas necessidades fisiológicas, estava com vontade de ir a um sanitário, só que ela não conseguia ir sozinha e meu pai não tava em casa, minha mãe não tava em casa, só tinha o neto dela. Ela tava muito envergonhada. E eu falei para ela assim: "Vó, eh, não precisa ficar com vergonha, eu sou seu neto, vou tentar lhe ajudar. Vamos dar um jeito de ajudar a senhora sem a senhora ficar com eh envergonhada". Aí eu peguei ela na mão, né? Levei até o sanitário e fim, dei lá o nosso jeito. E a partir daí ela, eu acabei ajudando, cuidando dela nesse nível, né? Que foi um nível de cuidar de cuidados médicos, né? cuidados de enfermagem e depois eu fui perceber que foi a primeira eh experiência, né, de cuidar fisicamente de alguém nessa existência. E ela então se emocionou, né, foi a primeira vez que eu vi ela emocionada, me agradeceu e viu a desencarnar muito tempo, um um acho que um ou dois anos depois. Aí eu já tava na faculdade de medicina, se não me engano, tava entrando, enfim. E depois de um tempo, né, nesses últimos dois anos de muitos desafios pessoais, eu me recordo que morando na casa novamente de meus pais por um tempo, por um período, eu estava no sofá deitado e angustiado, né? angustiado com as coisas da vida, preocupado com o futuro ansioso. E eu olhei para o lado, né, vi a cadeira de minha avó, que ela ficava sentada eh na minha mente, porque agora não tem mais a cadeira, a cadeira tá em outro local, mas na minha mente vi aquela cena e senti claramente a presença de minha voz espiritualmente falando, acariciando a minha cabeça e dizendo assim: "Meu filho, você cuidou de mim no final da minha vida. Deixe-me cuidar agora de você. né? E me colocava ainda, eu não sei falar muitas palavras, mas eu gosto muito de você, amo muito você, deixe-me cuidar. Aquilo me fez um choro profundo, porque de fato ela não falou nada, mas amou muito. E esse amor dela nesses últimos tempos tem sido
lavras, mas eu gosto muito de você, amo muito você, deixe-me cuidar. Aquilo me fez um choro profundo, porque de fato ela não falou nada, mas amou muito. E esse amor dela nesses últimos tempos tem sido fundamental, como foi também a vida dela fundamental para me ensinar o que é importante, o que é o mais importante da vida. Ela não teve nenhum título, não teve nenhum dom de oratória, não teve nenhum tipo de ensinamento falado. Não lembro de coisas que minha avó falava muito para mim, mas ela esteve teve presença, teve amor. Eu me recordo quando era criança, uns 7 aninhos, ito aninhos ali, eu comecei a trocar cartas com ela. Eu mandava uma carta pelo correio e ela retornava e eu ficava ansioso pela carta. E ela então foi ali, né, as poucas palavras que a gente trocou em termos de de discurso mesmo era ali onde ela demonstrava o afet, como aquilo foi importante pro meu ser, pra minha criança, né, se estruturar, se sentir amada, se sentir gostada por aquela senhora que não tinha o dom de falar, não era nenhuma, não era uma pessoa letrada, não tinha um currículo, mas tinha a capacidade de saber resignar-se, né? né? Saber o que queria da vida, ser mãe, cuidar dos filhos, enfim, fazer uma vida muito proveitosa, sem um currículo, muito proveitosa, sem os títulos, mas no mundo espiritual, dando a autoridade moral de cuidar e com a humildade dela me pedindo assim: "Me deixe cuidar de você. Eu não sei muito o que falar para você, mas eu sei lhe amar como você me amou". E ali o a presença dela, né, desse espírito que é um espírito nobre, não tenho dúvida, mas um espírito que se enobreceu porque não se perdeu, não perdeu a trajetória e, portanto, não perdeu a si mesma. Ora direis ouvir estrelas. Por certo perdeste o senso. Eu vos no entanto, que para ouvi-las muitas vezes desperto e abro a janela pálido de espanto. E conversamos largo tempo, enquanto havia láctea, como um palho aberto senti-la. E quando vem o sol, ainda saudoso e em pranto, eu as procuro pelo seu deserto. Direis agora a três loucado amigo: "Que
E conversamos largo tempo, enquanto havia láctea, como um palho aberto senti-la. E quando vem o sol, ainda saudoso e em pranto, eu as procuro pelo seu deserto. Direis agora a três loucado amigo: "Que conversas com ela? Que sentido tem o que dizem quando estão contigo? E eu vos direi: "Amai". Porque só quem ama pode ter ouvido capaz de ouvir e de entender as estrelas. Muita paz. Até a próxima semana. เฮ
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