#33 • Jesus e Saúde Mental • Sabedorias do livro Eclesiastes (parte 2)

Mansão do Caminho 16/05/2023 (há 2 anos) 42:26 5,740 visualizações 700 curtidas

WEBSÉRIE • Jesus e Saúde Mental » Episódio 33: Sabedorias do livro Eclesiastes (parte 2) » Apresentação: Leonardo Machado

Transcrição

Tudo tem o seu tempo determinado e há tempo para todo propósito debaixo do céu. Há tempo de nascer e tempo de morrer. Tempo de plantar e tempo de arrancar o que se plantou. Tempo de matar e tempo de curar. Tempo de derrubar e tempo de edificar. Tempo de chorar, tempo de rir. Tempo de plantear e tempo de dançar. Tempo de espalhar pedras e tempo de ajuntar as pedras. Tempo de abraçar e tempo de se afastar do abraço. Tem tempo de buscar, tem tempo de perder. Tempo de guardar e tempo de lançar fora. Tempo de rasgar, tempo de cozer, tempo de estar calado e tempo de falar, tempo de amar e tempo de odiar. Tempo de guerra e tempo de paz. Essa é uma parte importantíssima do Eclesiastes, poética, profunda, que nós queremos nos debruçar no nosso encontro de hoje, pedindo para que você possa estar junto conosco, complementando as reflexões sobre o Eclesiastes e também pedindo para que você mande as suas questões, as suas dúvidas sobre saúde mental para que a gente possa responder aqui nesses programas, nas primeiras terças-feiras de cada mês. para então darmos aprofundamento sobre como a visão espírita, como Jesus pode nos ajudar em relação à saúde mental. Quando abrimos o livro Eclesiastes e encontramos as várias constatações sobre o sofrimento, a gente logo fica pensando como é que isso pode estar dentro de uma de um livro religioso. Mas eu queria lhe dizer que a religião ela é justamente buscada, não quando as coisas estão bem. Dificilmente a gente busca uma visão religiosa, uma visão espiritual. Dificilmente a gente busca Deus quando tudo tá bom. É assim como nós, filhos, quando buscamos nossos pais. Às vezes nós buscamos o nosso pai, a nossa mãe para comemorar os momentos festivos, uma formatura, um aniversário, um parabéns que ganhamos, uma aprovação, uma celebração. Procuramos nossos pais, nossas famílias, geralmente procuramos para agradecer. E isso se somos um pouco gratos. Se a gente não é um pouco grato, mas tá todo mundo fazendo e a gente ficaria feio na fita se não fizéssemos

ais, nossas famílias, geralmente procuramos para agradecer. E isso se somos um pouco gratos. Se a gente não é um pouco grato, mas tá todo mundo fazendo e a gente ficaria feio na fita se não fizéssemos um agradecimento. Ainda bem que às vezes uma questão social nos leva a uma um amadurecimento espiritual, mas na intimidade, independente das questões sociais nos constrangerem para fazer, e nesse caso uma coisa boa, né? um constrangimento para a gratidão, pra gente poder valorizar aqueles que contribuíram para nós estarmos nos formando. Como eu vejo isso, né, sendo homenageado como paraninfo, como professor homenageado ou patrono das turmas, de algumas turmas de medicina. Eh, eu tenho habitualmente essa visão bonita, o momento de gratidão, o momento em que os alunos, agora médicos, exalunos, conseguem para eh agradecer, parar para agradecer as várias pessoas que foram importantes para a vida deles, não só na no curso. No curso eles homenageam alguns professores, mas também durante a vida como um todo e os pais ou aquelas figuras parentais. E é um momento que é meu um ritual. Então eu tô brincando assim, mesmo que a pessoa não sinta, sei lá, seja um ingrato humor, mas ali é um ritual, eu sinto que não. Eu sinto que há uma gratidão legítima, uma gratidão que brota mesmo daquele momento poético. Mas habitualmente na intimidade a gente busca os nossos pais, busca uma mãe ou pai quando nós estamos sofrendo, quando nós estamos em sofrimento. Então, é interessante a gente eh ver, né, essa perspectiva, como é que pode ter ali um pessimismo, um livro divino, digamos assim, como a Bíblia. Mas é por isso, porque é nesse momento de sofrimento em que a gente não consegue pensar em alguma perspectiva de colo, de ombro, que nós nos lembramos da figura parental. Aí pode ser biologicamente falando ou pode ser aquela pessoa que é referência, mas que desempenha para para nós uma paternidade ou uma maternidade, porque às vezes o pai e a mãe é biológicos, eles eh têm uma imaturidade e a gente busca, mas a

ser aquela pessoa que é referência, mas que desempenha para para nós uma paternidade ou uma maternidade, porque às vezes o pai e a mãe é biológicos, eles eh têm uma imaturidade e a gente busca, mas a gente busca uma referência. Então Deus, para quem é uma pessoa espiritualizada, espiritualista é uma referência. Portanto, é natural que haja um sofrimento dentro de uma casa espírita, dentro das religiões. E vou lhe dizer, são sofrimentos muito atrozes, porque muitas vezes as outras estratégias não conseguiram dar tanto respaldo para calar essa dor, ou pelo menos para diminuir a dor. Às vezes a gente não cala a dor, mas faz ela diminuir e só uma visão de Deus. Então, nesse sentido, o Eclesiastes traz sim um pessimismo, que não é paradoxal, um pessimismo dentro de uma esfera religiosa. Não é paradoxal, na verdade é muito natural, né? Porque a gente tá buscando justamente por isso, como se fala no popular, ou vai pelo amor ou vai pela dor. Mas pelo amor é muito difícil, realmente a gente vai geralmente pela dor. A não ser que a gente já tenha uma cultura de, né, uma cultura espírita, sei lá, por exemplo, eu nasci numa família espírita, então já conheço a doutrina espírita eh desde berço. E aí você pode pensar: "Ah, então você foi pelo amor?" Não, eu fui pelo hábito, pela cultura. Ah, mas você pediu? Aí sim, eu concordo. Mas se eu pedir, certamente foi porque eu queria algo de remédio, né? Para remediar as minhas angústias desde cedo, eu enquanto espírito. Então, de fato, a dor é que nos mobiliza em geral. Então, não é tão contraditório esse pessimismo, eh, essa dor, esse sofrimento que a gente encontra no Eclesiastes. Mas o que eu acho interessante é que essa constatação do sofrimento, esse tédio que eu falei no outro encontro, na outra palestra, que a gente percebe no Eclesiastes, o cansaço que esse orador ele demonstra pensando sobre o sofrimento da vida como um todo, do tipo, não tem muito o que fazer, porque o bom e o ma vai morrer do mesmo jeito, vimos do pó e vamos voltar

o cansaço que esse orador ele demonstra pensando sobre o sofrimento da vida como um todo, do tipo, não tem muito o que fazer, porque o bom e o ma vai morrer do mesmo jeito, vimos do pó e vamos voltar para o pó. não traz como solução o suicídio, porque é uma um desdobramento muito natural de se pensar: "Ah, é tudo tão ruim, é tudo tão sofrido, é tudo tão doloroso que o não vale a pena viver, não." Ele inclusive termina o livro dessa do livro dessa seguinte forma. Eh, teme a Deus e observa seus mandamentos, porque aí está o homem todo. Ou seja, nós não somos nada sem Deus. Aí está o homem todo. A vida não é nada sem a ideia da divindade. A vida é muito pouco sem a presença da divindade. E depois dessa dessa perspectiva toda que não chega numa conclusão, digamos, do porquê do sofrimento, mas nos leva a uma postura terapêutica. Então, eu acho o eclesiastes muito terapêutico do ponto de vista psicológico, eh, psiquiátrico, e uma terapêutica que não leva a uma ideia de um suicídio, e sim a uma ideia de permanecer na vida, a uma ideia de buscarmos a divindade como forma de aguentarmos também. Aguentarmos também é preciso aguentar. E vem essa outra postura que o Eclesiaste me parece ensinar, que é a postura de aceitação. Aceitar tem a ver com aguentar, também tem a ver com resistir também. E essa presença de Deus encerra o homem como um todo. Então, teme a Deus, que é uma palavra que eu também já trouxe aqui eh no livro de Jó, ou seja, a ideia de Deus, né? a ideia eh do dessa relação que nós temos com Deus, que passa um pouco pelo medo, né, de não desagradar a Deus, mas e deve passar também, como o filho deve passar pelo medo de não desagradar os pais para seguir na linha reta, mas também o amor, o preenchimento que Deus nos dá. E ele fala de forma muito bonito, porque aí está o homem todo, beleza, né? Aí está o homem todo. Nós não somos nada sem Deus. Por isso, eh, o suicídio não é uma opção, não é uma solução, não é colocado o suicídio como opção no Eclesiastes, tá? E a gente

mem todo, beleza, né? Aí está o homem todo. Nós não somos nada sem Deus. Por isso, eh, o suicídio não é uma opção, não é uma solução, não é colocado o suicídio como opção no Eclesiastes, tá? E a gente pode entender um outra outra argumentação que ele traz no capítulo 9, ele diz assim: "Este é o mal que existe em tudo o que se faz debaixo do sol. O mesmo destino cabe a todos. Ainda há, porém, uma esperança para aquele que está vivo, né? aquele a todos os vivos. E um cão vivo vale mais do que um leão morto. Muito bonita essa frase, né? Um cão vivo, ou seja, um ser menos eh potente de de ferocidade assim, né? Menor, inclusive, é mais valioso do que um leão morto. Por quê? Porque os vivos sabem ao menos que morrerão e os mortos nem disso sabem, não sabem de nada. Então, eh, o que é que o Eclesiaste faz naquele primeiro momento? Ele exalta a sabedoria, mas ao mesmo tempo a busca pela sabedoria, mas ao mesmo tempo nos coloca que nós temos limitações sobre o que nós podemos saber. Então, nos fala da do excesso de vaidade, que também é nós pensarmos que vamos saber de tudo. Ao contrário, ele quer mostrar esse mistério da vida, né? os mistérios dos pormenores e de que, por mais que a gente aprofunde e aprofunde, não vai conseguir saber os pormenores. E tudo bem, faz parte, a gente precisa aceitar esse ponto. Mas aí é interessante que pelo menos nós temos uma ciência de que ao pó voltaremos e os mortos nem essa ciência t. Então, como a busca pela sabedoria é pelo menos algo que nos gratifica, nos dá alegria, nos dá eh nos enche, né? Já que Deus é essa sapiência maior, já que os desígnios estão em Deus, então a maior eh propriedade que nós podemos nos encher um pouco de sabedoria, né? Porque nos aproximamos um pouco da divindade. E essa sabedoria só a pessoa viva tem, o morto não. Veja, não é um livro que eh considera, a gente não encontra a questão da reencarnação. Então, numa visão espiritista, a gente teria uma outra perspectiva, né? Teremos uma outra visão, a visão de que, olha, os mortos,

ivro que eh considera, a gente não encontra a questão da reencarnação. Então, numa visão espiritista, a gente teria uma outra perspectiva, né? Teremos uma outra visão, a visão de que, olha, os mortos, né, os desencarnados, eles continuam estudando, continuam aprendendo, continuam eh crescendo de alguma maneira na chamada erraticidade. No entanto, na visão espírita, de certa forma, isso vem a calhar, porque a vida é a oportunidade desse conhecimento sair da teoria e entrar na prática, porque a teoria é importante, mas é a prática que faz com que a gente se torne um pouco mais sábio, porque conhecimento é teórico, sabedoria prática. Sabedoria é o conhecimento que muda uma existência, muda uma forma de ser. Então, a gente só pode ter realmente sabedoria também se da visão espírita se nós tivermos condições de manter a nossa vivência e manter a vivência também nas adversidades, especialmente nas adversidades. A sabedoria é especialmente útil para os momentos desafiadores. E os momentos desafiadores são muito de adversidades. Eu diria também que os momentos momentosos, saber lidar com a alegria é também muito desafiador. Saber lidar com as facilidades é também muito desafiador. Saber lidar com as oportunidades, as portas abertas, a porta larga é muito desafiador também. Mas aí é debate por outro ponto. Mas eu queria trazer essa questão e sugiro, por exemplo, eh, a o livro O Evangelho Segundo o Espiritismo, quando nós temos ali a mensagem da rainha, que vai dizer que a última encarnação dela, do ponto de vista eh expiatório, né, provacional, em que ela daria um salto de qualidade, ela pediu para ser justamente uma reencarnação como rainha, porque ela sabia que eh daria teria muitas muitas aberturas, né, como princesa, rainha. E essa abertura, ela não saberia se teria condições de usar. Então, às vezes a gente não faz porque não pode. Se a gente pudesse, a gente faria pior, porque a gente não sabe lidar muito bem com o poder. Então, há também um grande desafio em lidar com o poder. Então, de

s vezes a gente não faz porque não pode. Se a gente pudesse, a gente faria pior, porque a gente não sabe lidar muito bem com o poder. Então, há também um grande desafio em lidar com o poder. Então, de toda for, de qualquer forma, a reencarnação, né, é uma forma de gente colocar em prática esse conhecimento adquirido e colocar em prática nos momentos desafiadores. E esse desafiador é a adversidade, portanto, as expiações, as dores, o sofrimento que a gente tem enaltecido falando muito. Mas também há esse outro momento que a vida nos apresenta, as portas que se abrem, e aí eu tô trazendo essa mensagem da princesa, da rainha, as portas abertas também são muito difícil. O poder também é muito difícil e tanto tão difícil que às vezes faz com que a gente fique extremamente envaidecido. E esse extremamente envaidecido faz com que a gente se perca. Então o Eclesiastes ele vai não vai trazer a suicídio como solução. Eh, e eu acho importante porque tem crescido, e eu me preocupo bastante porque tem crescido uma ideia eh do suicídio assistido, né, que é uma ideia de como uma forma de eutanásia, né, uma forma de eutanásia. E é, eu acho muito interessante, preocupante quando eu dava aula e dou aula, mas eu comecei a dar aulas pro curso médico em 2014 na Universidade Federal de Pernambuco. E achit e acho interessante que naquele momento quando eu falava sobre depressão, sobre suicídio, óbvio que sempre o suicídio nos leva a pensar sobre a vida, né? A filosofia já nos colocou que o suicídio é o único e grande problema filosófico. E o eclesiast tá também trabalhando sobre isso aqui, né? O sofrimento é para suicidar, não. Beleza, mas os alunos como médicos que seriam e são, né? Ou seja, o serão eles ficavam preocupados muitos em como dar assistência à aquela pessoa na tentativa de suicídio. E é interessante que hoje, né, cada vez mais, quando eu vou falando eh em relação a ao suicídio, a abordar, a tentar ajudar, a pergunta não é mais e a gente perde um tempo danado da aula. A pergunta é por que não por nós não

e, né, cada vez mais, quando eu vou falando eh em relação a ao suicídio, a abordar, a tentar ajudar, a pergunta não é mais e a gente perde um tempo danado da aula. A pergunta é por que não por nós não médicos darmos essa assistência? E aí eu vou argumentando, vou argumentando e obviamente ali eu tô como professor trazendo os argumentos eh materialistas da medicina, né? Eh, e aí eu lembro de uma especificamente, mas professor, veja, eh, o senhor, né, como uma pessoa que entende a o ser humano, vai entender que às vezes não há o que fazer, etc. Eu falei: "Pois é, veja, e eu aprendi a ser médico para tentar curar pessoas, para tentar salvar vidas". Eh, essa essa perspectiva de um suicídio assistido não é bem o que eu acredito e eu só consigo fazer uma coisa que acredito. Então, eu, se fosse para ser isso, a minha função, eu não faria. E a gente tem que aprender a a ter limites, não é? Com a gente ensina para você na faculdade que você tem que aprender os seus limites, não é? Pois é. Então esse é o meu limite, porque eu não sou tão potente assim, né? Tão grandioso assim, tão capaz assim, que até para poder eh digamos assim eh tentar ajudar a dor, eu vou fazer essa situação achando que vou ajudar. Não. Então acho interessante trazer essa dúvida, porque às vezes para um uma visão materialista, só outro argumento materialista para poder trazer a dúvida. Então a gente às vezes tá enquanto sociedade e a medicina também quer ser tão tão grandiosa, né? É tão narcisista. Nós estamos entrando numa sociedade tão narcisista que nós queremos dar solução para todos os problemas, né? Então é tipo assim, eu sou tão narcisista, quero tanto ajudar o outro, sou tão bom que até para ajudar a morrer, né, eu vou ajudar porque eu sou eu sou, digamos assim, tem uma resposta. Então tem uma vaidade aí. Ecclesiastes, vaidade da vaidade, ou seja, é uma vaidade também, uma vaidade ruim nesse sentido, porque não é uma vaidade estruturante, é uma vaidade que não me vê, não vê o meu, os meus limites, uma vaidade que não me deixa

vaidade, ou seja, é uma vaidade também, uma vaidade ruim nesse sentido, porque não é uma vaidade estruturante, é uma vaidade que não me vê, não vê o meu, os meus limites, uma vaidade que não me deixa ver os meus limites. E aí eu quero ser tão demais, quero dar solução para tudo que até essa solução eu tenho encontrado, eh, tenho querido encontrar. Então essa é uma e quando eu coloquei isso, eu trouxe uma dúvida eh muito interessante, tá? Então esse é um assunto complexo, profundo, mas acho que toca aqui também nessa reflexão aí não é o suicídio e a solução para o Eclesiastes, né? Não por argumentos reencarnacionistas, mas por esses argumentos que eu acho bem interessante, né? Bem bem interessante. Mas outro ponto eh interessante é que ele exalta. Ele vai falar no capítulo 8: "Eu eu exalto a alegria." Perdão, eu exalto a alegria, pois não existe felicidade para o homem debaixo do sol, a não ser, aí vai falar de coisas básicas, o comer, o beber e o alegrar-se. E é isso que eu acompanho no seu trabalho, nos dias da vida que lhe deu, que Deus lhe deu abaixo do céu, do sol. Então é interessante, ele vai exaltar a alegria. Eu me lembro de uma conversa com uma pessoa com muitos altos e baixos pela personalidade borderline dele e muito com muita depressão recorrente. E ele me dizia assim: "Doutor, eu aprendi que quando a alegria vem, quando os momentos bons vêm, eu devo aproveitá-los no sentido de ganhar energia para poder lidar com os momentos difíceis, porque momentos difíceis vão chegar, eu sei." E antes, quando o momento bom chegava, eu ficava já sem querer aproveitar a alegria, porque ficava com medo quando ela fosse embora. Então, o que que eu fazia? Eu me prevenia do sofrimento. Aí essa prevenção do sofrimento era meio atrapalhada, porque eu nem vivia alegria, ao contrário, eu antecipava o sofrimento porque eu ficava muito precavido demais. Então, hoje eu faço outra propostura. Quando eu tenho alegria, um momento bom, eu vivencio para me dar gás para continuar a vida.

o, eu antecipava o sofrimento porque eu ficava muito precavido demais. Então, hoje eu faço outra propostura. Quando eu tenho alegria, um momento bom, eu vivencio para me dar gás para continuar a vida. E depois de 10, 12, mais ou menos 10, 11 anos acompanhando ele com outra perspectiva, sem deixar de ser totalmente o que ele é, né, na sua nessas algumas características um pouco mais pessimistas. Mas e eu diz assim, eu dizia assim para ele: "Olha, eu acho que ele cria um novo projeto de vida." Eu falava para ele, acho que você tem condições nesse momento, porque você tem muito mais maturidade que veio, sabe como com quê? Com a capacidade de suportar perder. Você suportou perder muita coisa e essa sua capacidade de suportar perder te trouxe um amadurecimento e tanto. Se você puder, a gente pode terminar hoje a nossa conversa com essa música chamada Suporta o Perder da Flera Ferro, cantada então por ela, pelo Chico César. Nós colocamos então a música e ele que fala dessa felicidade. É chegado o tempo eh da de ampliarmos a ciência do que é ser feliz. E para ampliarmos a ciência do que é ser feliz, é importante aprender saber perder, né? Suportar perder. Então essa é uma lição que veio do leito de dor dele, né? das dores que ele sentiu de que olha, quando tiver alegria, não fica com medo dela ir embora de forma pessimista, antecipando um futuro, vivencia com isso. Eu não estou fazendo um convite para leviandade. Eu não estou fazendo um convite para você, eh, digamos assim, usufruir a todo custo, não, porque esse é um convite eh digamos assim, talvez imaturo. Por quê? Porque o convite assim de aproveitar a vida ao máximo, às vezes é um é um convite para se dividar, né? Você aproveita a vida ao máximo, divide tudo no cartão, bota aí você fica com juros, pega empréstimo para poder fazer aquela festa. E aí eu já vi várias situações assim de a pessoa eh precisar de uma ajuda, de um tratamento psiquiátrico por causa do gatilho ser a festa de casamento. Veja, gastou tanto, tanto

er fazer aquela festa. E aí eu já vi várias situações assim de a pessoa eh precisar de uma ajuda, de um tratamento psiquiátrico por causa do gatilho ser a festa de casamento. Veja, gastou tanto, tanto detalhe, tanto problema, tanto problema que ela para poder aproveitar o casamento, teve que se tratar, psiquiatricamente falando, pela ansiedade que foi desencadeada por causa da festa. Então é esse excesso de consumismo do aproveitar a vida que a gente não tá falando aqui, é aproveitar essa alegria simples do comer, do deitar, sabe? Essa alegria simples é muito interessante. Sem se ficar eh eh antecipando, né? Eu vou ficar assim, vou ficar me precavendo porque quando vier, vou ficar me preparando para quando vier o sofrimento, eu vou estar preparado. Não vai tá, vai tá é desmotivado porque não pegou motivação na alegria. Então o eclesiaste faz uma exaltação da alegria, embora constate a dor da vida, o sofrimento da vida. A alegria é potência. A alegria também é combustível para que a gente possa enfrentar esses ciclos, esses tempos. Porque aí vem a outra mensagem que eu queria enaltecer, a paciência. No capítulo três ele vai dizer a famosa essa frase, né, esses versículos que eu comecei, o nosso encontro, nossa palestra, tem tudo, tudo tem seu tempo, né? Eh, e a paciência tem a ver com isso, né? A paciência tem a ver com saber que tudo tem seu tempo. Ser paciente também é ter ciência de que tudo acontece no seu devido tempo. E ele vai falar de forma muito bonita, eu vou ler aqui pra gente poder ir refletindo. Há um momento para tudo e um tempo para todo propósito debaixo do sol, do céu. Tempo de nascer e tempo de morrer. Tempo de plantar e tempo de arrancar a planta. Veja que coisa interessante. Tempo de morrer na vida visão espírita, isso é completamente eh perceptível. Nós somos um ciclo. Nós estamos, nós não somos. Então esse estar mostra da mostra transitoriedade. Essa visão de que tudo tem seu tempo nos leva à paciência a partir da percepção da transitoriedade das coisas, da

ciclo. Nós estamos, nós não somos. Então esse estar mostra da mostra transitoriedade. Essa visão de que tudo tem seu tempo nos leva à paciência a partir da percepção da transitoriedade das coisas, da impermanência das coisas. Nós nascemos, mas vamos morrer. E tudo que a gente cria também vai ter o seu tempo, vai ter o seu ciclo. E assim como a gente planta, e o objetivo da plantação para manter a subsistência da nação é arrancar a planta. Então a gente planta esperando tempo para poder arrancar a planta paraa subsistência. Aí ele vai falar: "Tempo de matar e tempo de curar. Tempo de destruir e tempo de construir. Tempo de matar, tempo de destruir. Pego também a visão espírita, a lei de destruição. A lei de destruição é uma das leis que eu acho, achei mais difícil de entender, né? Por quê? Porque a gente tem dificuldade de entender esse conceito. Como assim? tempo de destruir, tempo de matar, porque às vezes a cura, às vezes a construção só é possível a partir da destruição. Às vezes as bases de uma casa tão tão complicadas e quem é engenheiro sabe disso, arquiteto sabe disso, que é realmente tá condenado à destruição para poder construir de novo. Então, a lei de destruição, vai dizer a lutina espírita, na verdade é uma lei de transformação. A gente pode reaproveitar, mas é uma transformação. Por isso que há momentos na vida que a casa já tá ruída, né? um relacionamento já tá acabado. E por isso que a doutrina espírita fala da possibilidade do divórcio. Quando ela fala da possibilidade do divórcio, ela tá colocando assim: "Olha, é possível sim uma destruição, porque numa visão de outras religiões não é possível o divórcio, porque como assim? Não, não posso ter nenhum tipo de destruição. O divórcio também vem na doutrina espírita para consolidar aquilo que já está acabado. Não é que nós fazemos um convite leviano ao divórcio, um convite leviano à impaciência dos casais, não é isso. Mas é que às vezes a coisa já tá tão destruída que o melhor para todas as partes é abrir mão. E aí vem às vezes

um convite leviano ao divórcio, um convite leviano à impaciência dos casais, não é isso. Mas é que às vezes a coisa já tá tão destruída que o melhor para todas as partes é abrir mão. E aí vem às vezes uma destruição, né, da idealização que você fazia, que a pessoa fazia para uma construção de nova etapa, até mesmo da da de uma construção de uma nova relação desses dessa parceria, não mais como cônjuges, mas como pelo menos indivíduos que podem ajudar a criar seres que estão sobre a responsabilidade deles enquanto filho. Então, às vezes, sim, é preciso ter essa percepção de abrir mão, porque a casa já caiu e você tá se apegando a escombros da casa. É preciso levantar às vezes uma nova casa. É tempo de, é, há tempo de chorar e tempo de rir. Olha aí o enaltecimento também da alegria. Tempo de gemer e tempo de bailar, tempo de ser leve, tempo de atrair pedras e tempo de recolher. Tempo de atirar as pedras e tempo de recolher as pedras. Tempo de abraçar e tempo de se separar. Tempo de atirar as pedras. Não é que a gente vai ser o venenoso que atira pedra nos outros, não. Mas a gente precisa em alguns momentos ser firme para poder, né, manter o nosso ideal. E outro momento a gente tem que se retrair. Às vezes o o mais corajoso a fazer é o silêncio, é a retração. Mas às vezes o mais indicado a fazer é a fala, é poder eh ter uma firmeza. Nesse sentido, há um tempo de abraçar, mas às vezes há também um tempo de parar de abraçar. Há um conceito de perdão, né, que me parece muito equivocado, que é o conceito de que não pode se ter tempo para uma mágoa. Mas veja, o perdão que não tem mágoa não é perdão, porque se não teve mágoa não tem perdão. O perdão precisa, né, a a necessidade da existência do perdão é justamente a constatação de que nós nos magoamos. E quando a gente está magoado, a gente não consegue abraçar, porque a pele está magoada, né, tendo num fala popular, né, minha pele tá magoada, ela tá sensível. E às vezes o melhor fazer é uma distância ecológica para que as pessoas não entrem na

segue abraçar, porque a pele está magoada, né, tendo num fala popular, né, minha pele tá magoada, ela tá sensível. E às vezes o melhor fazer é uma distância ecológica para que as pessoas não entrem na destruição. Às vezes a gente quer tapar o sol com a peneira, como diz o ditado popular, tapar o sol com a peneira, mas passa o raio do sol, ou seja, o problema tá ali, a raiva acumulada tá ali. E por isso que também vem a situação da destruição, a destruição no sentido de um afastamento. o divórcio, por exemplo, como um afastamento, porque às vezes tem tanta raiva ali que os filhos às vezes pedem, doutor, era melhor que papai e mamãe se separassem, porque é tanta confusão, é tanta briga que era melhor um ambiente de maior pais mesmo que fosse assim. Então, é interessante a gente perceber que até para você ter perdoa, até você, até para você conseguir perdoar, você precisa demitir a sua mágua, porque o perdão nunca vai, às vezes, é por isso que o perdão não é eh você não consegue perdoar, porque você nunca admitiu a mágoa. Como é que você nunca admitiu a mágoa? Aí a sua vaidade, né, como se fosse Deus. Não, eu não sinto mágoa, eu não não perdoo porque eu nem senti mágua. E você é Deus para isso. Você é Deus para nem sentir mágua. Se você não sentiu mágoa, é porque ou a pessoa é muito muito pequena, assim, insignificante, não te atingiu tanto, ou você já tá mais alejado, né, ou você tá negando. Então, assim, grande parte das vezes, né, dores muito profundas, sabe, calúnias, eh, difamações, elas nos ferem e a gente precisa se afastar um pouco. Essa é a ideia de que a gente vai ficar abraçado com o inimigo, né? fique muito próximo do seu inimigo. Isso é uma ideia eh de quem tá querendo fazer uma estratégia de guerra para entender a mente do inimigo e poder se antecipar no ataque. Mas numa estratégia de paz, numa estratégia de, digamos assim, eh, de saúde mental, às vezes, né, a gente não precisa ficar abraçado com uma pessoa inimiga, porque é uma uma eh uma repulsão, né?

aque. Mas numa estratégia de paz, numa estratégia de, digamos assim, eh, de saúde mental, às vezes, né, a gente não precisa ficar abraçado com uma pessoa inimiga, porque é uma uma eh uma repulsão, né? Os estudos se repelem, como diz a o próprio Allan Kardec no capítulo sobre amar o inimigo. Não dá para ter esse abraço, porque aí vai ser hipocrisia, vai ser mentira. E a pior mentira é a mentira para si mesmo. Então o Eclesiaste vai dizer: "É tempo também às vezes de se afastar, de se separar. Tempo de buscar e tempo de perder, tempo de guardar e tempo de jogar fora. Mais uma vez, há coisas que não cabem mais. E aí sim há um momento em que a mágoa não cabe mais. Você tá sendo corroído, você já percebeu, mas não tá acabando mais. Não tá acabando mais na tua vida. Tá tirando foco da tua existência, porque você só fica pensando na mágoa, na dor, na vida do outro. Então, há tempo de jogar fora essa mágoa, há tempo de perder, né? Como a perda nos ensina muitas coisas, como perder nos ensina a valorizar o que nós temos também. Tempo de rasgar e tempo de costurar, tempo de calar e tempo de falar, tempo de amar e tempo de odiar, que é isso que eu tô querendo dizer, né? É basicamente essa percepção do humano. Não é que ele tá dizendo que você tem que odiar, não é só ele só tá assim constatando o humano que ele é de que tá há tempo para tudo. Não basta você querer mudar para mudar. Querer não é bem poder assim. Querer vai ser poder se você souber que a vida tem os seus tempos, inclusive tempos de sentir todas essas coisas e saber que elas vão passar. É como o momento de expansão e de retração. Tudo tem o seu momento, inclusive o momento de perceber que há também o ódio, a raiva, a mágoa. E para poder você dar um salto de qualidade é preciso eh ter paciência. Ter paciência. Mas ter paciência não significa se acomodar. aceitação que a que a doutrina espírita coloca, que acho que vem total a ver com esse para capítulo três, né? Tempo de tudo. Veja os links que eu fiz aí com as leis

aciência não significa se acomodar. aceitação que a que a doutrina espírita coloca, que acho que vem total a ver com esse para capítulo três, né? Tempo de tudo. Veja os links que eu fiz aí com as leis morais. é uma aceitação que está baseada na percepção de que a vida tem um ciclo, de que as coisas têm um ciclo e de que a própria reencarnação tem um ciclo. Veja no exemplo da nossa existência, da nossa vida imortal, a gente às vezes precisa morrer para nascer de novo com a nova possibilidade, porque aquela vida já tem o que já deu o que tinha que dar. A gente não faz tudo na largada, a gente não faz tudo de uma vez só. É preciso esperar o concurso do tempo para as coisas acontecerem, para coisas terem o seu ciclo. Nascer, morrer, nascer ainda, renascer ainda. Tal é a lei, diz a doutrina espírita. E às vezes aquela vida tá tão prejudicada, tá tão comprometida, que é uma bênção divina a gente perder aquela existência para ganhar uma nova existência futura. São os ciclos. E o Eclesiastes, apesar de não falar da reencarnação, tudo isso aqui se incompleta, se encaixa muito bem. Então, se a a vida imortal tem esse ciclo de nascer e morrer, a gente também precisa ter ciclos. E esses ciclos nos levam à aceitação, nos levam a ter paciência. Nessa paciência a gente vai tentando entender as mensagens da vida. E eu queria terminar a reflexão dos sobre o Eclesiastes mais uma vez no leito da dor, já que ele fala tanto de dor. Uma eu pedi permissão, uma paciente havia tentado o suicídio pela segunda vez. 2 anos entre cada tentativa e no leito da do hospital, porque ela tentou eh o suicídio e acabou por causa disso tendo que ficar na UTI, né, para fazer a desintoxicação. Quando ela tentou para uma intoxicação, isso também acabou dando uma pneumonia para ela. Então ficou internada na UTI e na UTI ela ficou entubada e depois que saiu do tubo, né, depois que foi estubado, ela refletiu bastante, uma pessoa muito inteligente e uma pessoa que dizia assim para mim naquele momento: "Doutor, eu

na UTI ela ficou entubada e depois que saiu do tubo, né, depois que foi estubado, ela refletiu bastante, uma pessoa muito inteligente e uma pessoa que dizia assim para mim naquele momento: "Doutor, eu acho que a vida tá esfregando na minha cara algumas mensagens. Como assim? Porque veja, eu tô aqui, isso depois que ela tava acordada, né? Eu tô aqui porque eu quis morrer e pela segunda vez eu já tentei de formas diferentes. E a senhorinha aí do lado, a senhorinha aí do lado, ela está com com Alzheimer e fala o tempo todo de medo da morte e eu aqui querendo morrer. Então eu acho que a vida tá esfregando na minha cara, aceita viver. E eu achei essa reflexão muito interessante, até porque tomando o conhecimento da vida anterior dessa dessa jovem, ela em determinado momento foi muito religiosa, tanto que ela tem uma veia espiritual de muita de ler muito sobre religiões, várias religiões. E a família dela então teve o conhecimento de algo que pareceu muito crível. Ela viveu em uma das épocas nas cruzadas, né, e se decepcionou profundamente com a visão da vida, essa esse entediamento e desde as cruzadas ela, né, não consegue manter a vida. ela acaba cometendo em muitas oportunidades o suicídio, porque as cruzadas, né, foi as cruzadas foram também para ela um grande motivo de decepção, um grande motivo de dor. E agora no leito do hospital, depois de uma tentativa de suicídio, enxergando uma senhoria que estava querendo viver e várias outras pessoas querendo viver, ela me diz assim: "E eu aqui querendo morrer". Eu já tentei de de mais de uma forma. Eu também tenho na minha família uma tia que já tentou sete vezes e ela só parou, né? E tá outra pessoa quando ela encontrou Jesus a partir da da religião evangélica. Eu, doutor, não consigo ter essa mesma percepção da de encontrar Jesus. No entanto, eu comecei a pensar o que é que a vida tá querendo me dizer. E aí eu entendi que a vida não tá me dizendo alguma coisa, ela tá esfregando na minha cara aqui na UTI que eu preciso aceitar

. No entanto, eu comecei a pensar o que é que a vida tá querendo me dizer. E aí eu entendi que a vida não tá me dizendo alguma coisa, ela tá esfregando na minha cara aqui na UTI que eu preciso aceitar a vida. Aceitar é o primeiro passo para amar. Estar vivo é o primeiro passo que a gente precisa fazer. A gente fala logo do amor, mas o amor já é uma consequência posterior. A aceitação é uma primeira postura muito importante de coisas que a gente às vezes não faz desde a época das cruzadas, como essa jovem veio então numa encarnação com um determinado diagnóstico e aí ela vai então aceitando a partir do leito da dor. Há tempo para tudo na vida. Se eu pudesse deixar uma grande mensagem assim do Eclesiastes que eu levei, são essas duas principais, vaidade das vaidades. Tudo é vaidade. Às vezes a gente se enche de soberba como se isso fosse uma garantia que a gente não vai sofrer. Como se por ser religioso, espírita, ter fé, a gente tivesse imune. Isso é vaidade. Porque esses conhecimentos nos tornam preenchidos, não imunes. É como Eclesiaste termina, é isso, né? Teme a Deus, porque é nisso que cabe a e cabe a vida. Se preenche de Deus, não para ficar imune, mas para ficar preenchido. E esse preenchimento nos dá a possibilidade da existência. Então, saímos um pouco da nossa soberba, que às vezes a gente preenche com uma visão religiosa, como se nós fôssemos mais do que alguém. Mas além disso, eu acho muito interessante a percepção de que há um momento para tudo e um tempo para todo propósito debaixo do céu. Há tempo de chorar e tempo de rir, tempo de gemer e tempo de bailar, tempo de nascer, tempo de morrer. Nós somos os ciclos da nossa vida que estão juntos nesta encarnação para podermos fazer o melhor. Que nós possamos exaltar a alegria de estar vivos para podermos continuar a nossa existência. Muita paz. Muito obrigado. até a próxima semana, quando nós poderemos falar um pouco mais também sobre resignação.

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