#05 • Jesus e Saúde Mental • A tristeza também eleva e ensina

Mansão do Caminho 11/10/2022 (há 3 anos) 35:21 12,867 visualizações 1,189 curtidas

WEBSÉRIE • Jesus e Saúde Mental » Episódio 05: A tristeza também eleva e ensina » Apresentação: Dr. Leonardo Machado

Transcrição

Vai, pensamento sobre as asas douradas. Vai sobre as encostas e as colinas, onde os ares são tépidos e macios, sobre a fragrância da terra natal. Vá piensero ou vai pensamento é o nome da da área de uma obra famosa de um compositor chamado Giuseppe Verd. A obra chama-se Nabuco e narra a história do povo hebreu quando estava escravo na Babilônia. E essa cena é muito famosa nos na história da ópera, porque são os escravos hebreus que se juntam e começam a cantar. Eles estavam escravizados, sem poderem ter liberdade de ir e vir, mas eles percebem que o pensamento deles era livre. O pensamento poderia subir sobre as asas douradas, sobre as encostas, sobre as colinas. E é muito interessante a gente encontrar a história por trás dessa composição e encontrar a história por trás da própria vida de Josep, porque Josep começou a vida na música muito cedo e de certa forma um sucesso moderado ele começou a obter com as suas primeiras óperas. E mais ou menos na estreia da sua segunda ópera acontece uma grande tragédia. A primeira grande tragédia da vida do Josep Vert. Os seus filhos, muito pequenos, né, acabaram falecendo e ele ficou desolado. Não só ele como a esposa, como a gente encontra descrito, a esposa parece ter tido um quadro depressivo e ele ficou ali desvelado cuidando da esposa. No entanto, o diretor do teatro Ala Escala de Milão, ele havia pedido, né, para que Giuseppe Verde pudesse compor uma nova ópera, porque naquela, naquela época as óperas eram como se fossem assim a a principal atração, digamos até de de entretenimento. Então, as pessoas iam pro teatro, não existiam as vitrolas, não existiam eh os aparelhos de sons, não existia o celular, o smartphone, não existia TV. Então, as pessoas consumiam muito a ópera que misturava um enredo, né, ou seja, uma parte teatral com a música. E a a It a Itália era famosa, né, por seus compositores, por suas, especialmente o teatro Ala Escala. E acontecia que os diretores dos teatros encomendavam as óperas ou então eram as

ral com a música. E a a It a Itália era famosa, né, por seus compositores, por suas, especialmente o teatro Ala Escala. E acontecia que os diretores dos teatros encomendavam as óperas ou então eram as óperas eram encomendadas por outras pessoas a fim de que alguns enredes pudessem vir à tona. E naquele momento o diretor do teatro, sabendo do sucesso, né, não era um sucesso estrondoso ainda, mas era um sucesso moderado, considerável do José Verde, pede para que ele possa compor uma música cômica, uma ópera cômica, porque até então já existiam muitas operas trágicas e como as pessoas iam como forma de entretenimento, era importante também elas pudessem que elas pudessem sorrir, pudessem se divertir, ter um tema mais ameno. E foi isso que ele pediu para que José Piv fizesse. Mas ali ele se encontrava no dilema. Primeiro dilema, ele estava em um luto, havia perdido os filhos, né? os filhos haviam desencarnado, ele estava num processo de luto porque a perda de entes queridos é muito profunda, dói muito, mas quando é a perda de entes queridos, crianças, né, quando são filhos, isso é uma dor maior ainda. a gente vê, por exemplo, nos hospitais, né? Eh, quando acontece um falecimento de um adulto, acontece um choque, uma dor na equipe inteira, mas quando é o falecimento de uma criança, é muito mais pesado e parece que quanto mais jovenzinho, pior ainda essa dor. Então, assim, ele tava estava em luto, ele não estava com o clima de fazer uma ópera cômica. Ele estava com um clima mais entristecido, mais melancólico. Além disso, havia o segundo obstáculo. A esposa dele, a esposa do José Pedde estava deprimida, estava com depressão na cama. E ela também pediu para José Verde, ao mesmo tempo que ela estava precisando de cuidados, né, de uma atenção maior, ela também e compor uma ópera é sempre um esforço muito grande. São músicas grandiosas, pelo menos em tempo, na orquestração, enfim, dá muito trabalho. né? E além disso, ela havia pedido, que seria o terceiro obstáculo, ela havia pedido para que José Verde não

de. São músicas grandiosas, pelo menos em tempo, na orquestração, enfim, dá muito trabalho. né? E além disso, ela havia pedido, que seria o terceiro obstáculo, ela havia pedido para que José Verde não fizesse, porque ela percebeu o clima e falou: "Mas Verde, você não vai conseguir compor uma música cômica e se você compor algo que não fizer sucesso, a tua trajetória musical pode estar eh comprometida." Então ela pediu para que José Verde não fizesse e ele ficou naquele dilema, conversou com o teatro, o diretor do teatro, pediu para que pudesse compor outro tipo de música. O diretor não abriu mão, precisou que fosse de fato uma obra cômica e ele ficou naquele dilema. O dilema persistiu durante um tempo e ele começou a compor escondido a ópera, né? porque ele não queria contrariar a esposa, ele também não queria perder a oportunidade porque ele tinha que manter a família. Enfim, nesse momento muito traumático da vida, ele começa a compor uma ópera cômica e aquela que seria a terceira ópera dele. E a ópera vai a vai ser vai ser estreada, né? vai pra estreia e foi realmente um fiasco, como aliás a esposa havia previsto, um fiasco porque justamente a ópera não conseguiu fazer com que ninguém sorrise. A ópera que teve um q mais trágico, um q mais melancólico, então teve apenas algumas apresentações e se perdeu. E o próprio José Piverde ficou muito entristecido porque pela força do destino, aliás, o nome de uma obra que ele iria compor mais da frente, a força do destino. Ele que sabia tanto, né, que às vezes as coisas da vida elas têm um traçado que a gente chama de destino, que não é inexorável, mas há sim uns pontos que, por mais que a gente faça, a gente só consegue atenuar a dor e não se livrar do obstáculo, não se livrar dessa tragédia, porque essa tragédia, essa dor que a gente passa pela nossa existência, a dor que você passa, a dor que eu passo, tem um porquê. E esse porquê muitas vezes está nas entrelinhas, né, no entrelaçamento das várias existências, das várias

a gente passa pela nossa existência, a dor que você passa, a dor que eu passo, tem um porquê. E esse porquê muitas vezes está nas entrelinhas, né, no entrelaçamento das várias existências, das várias reencarnações. Então, nesse sentido, quis a força do destino, que a sua esposa, justamente próximo à estreia da terceira ópera, que foi um fiasco, também viesse a falecer. Então ele estava ali mais uma vez enlutado, ainda estava saindo do luto dos filhos, não tinha saído completamente, havia tido esse embate entre compor e não compor. E agora, mais uma vez, na estreia de uma nova ópera, a sua esposa vem a falecer. E ele então fica desolado, muito entristecido, provavelmente entra num quadro também depressivo e ele começa a entrar no ostracismo porque ele promete para ele próprio que nunca mais iria compor. Porque quando ele estreou a segunda ópera, os filhos morreram. Quando estreou a terceira ópera, a esposa morreu. Então ele viu, a música na cabeça dele ficou associada à tragédia. E para fugir da tragédia, ele foge da música. E ao fugir da música, ele começa a cair num esquecimento. Aí esse quadro tr de tristeza, provavelmente um quadro depressivo, faz com que ele também comece a beber mais alcoólicos e começa então a entrar inclusive num quadro mais de miséria financeira. estava praticamente esquecido quando um livreto eh chamado Nabuco, que narra a história eh do escravo, dos escravos hebreus, né, na durante a escravidão, né, no do do na verdade dos hebreus, enquanto escravos na Babilônia, uma cantora que havia participado da montagem, da ensinação de uma das obras de Josep Ferd, nunca conseguiu esquecer de fato o compositor. Talvez um misto de admiração, um misto de amor, um misto de alguma e percepção maior. Enfim, essa soprano famosa, ela insiste em em vários momentos para que o diretor do teatro Ala Escala pudesse e dar uma nova chance. Ela também talvez tivesse ficado muito condoída, né, pela tragédia que havia se sucedido na vida de José Verde. E o diretor nunca dava uma nova

etor do teatro Ala Escala pudesse e dar uma nova chance. Ela também talvez tivesse ficado muito condoída, né, pela tragédia que havia se sucedido na vida de José Verde. E o diretor nunca dava uma nova oportunidade. Até que com esse livreto ele deu uma oportunidade e essa soprano vai então ao encontro de José Ver. Vale aqui uma ressalva. Muitas vezes as óperas elas são compostas não necessariamente eh a música primeiro e depois o livreto, né, o enredo. Ao contrário, em geral, ao longo da história, eram feitos os livretos por um escritor, certo? Esses livretos então é como se fosse o roteiro do cinema e a partir do roteiro do livreto é que o compositor se debruçava na composição. Então as obras, o compositor faz a música, mas o enredo, as as falas eh é é atributo dos dos dos escritores. É que na história ficou apenas o nome do músico, né? o nome do compositor. Então isso aconteceu e a soprano foi ao encontro do Joseppe Verd e o encontrou de fato eh embriagado, muito entristecido, de fato com roupas muito miseráveis, numa numa situação eh social muito muito degradante. E insistiu, insistiu. Ele não queria aceitar, mas ela insistiu, insistiu e acabou que ele aceitou pegar o livreto para poder olhar em algum momento. A cena do filme mostra ele indo para casa, né, um cubículo e por algum motivo o livreto caiu no chão e abre justamente, né, na parte da área. Área significa canção. Então, geralmente as áreas são as partes mais famosas das óperas. e a como a abertura também a música instrumental, né? Então essa área vá piensero toca profundamente a alma de José Verde, porque de certo forma, de certo modo, ele também estava como os hebreus, escravizado, mas agora por uma dor, escravizada pela pela história, escravizado pelo luto. No entanto, assim como os hebreus, ele também tinha a capacidade do pensar, a capacidade de deixar o pensamento voar para além das encostas, para além das colinas, visitando a terra natal, ou seja, visitando algum local de paz na sua história. E ele começa então a a

o pensar, a capacidade de deixar o pensamento voar para além das encostas, para além das colinas, visitando a terra natal, ou seja, visitando algum local de paz na sua história. E ele começa então a a compor aquela ópera de forma frenética. aquela área toca a intimidade dele e é interessante como a arte nos faz tocar, nos faz transformar. E ali, ao tocar a sua intimidade, ele então vai e começa a compor. A ópera fica pronta, vai para a estreia e na estreia da ópera Nabuco, onde está inserida a área vapenseiro ou o couro dos escravos hebreus, você pode procurar na internet, se não conhece, torna-se um sucesso, porque naquela ocasião a própria Itália estava dominada pelo império austro-húngaro, se não me engano, mas era algum império que dominava a Itália. E o imperador estava lá assistindo a área. E os italianos então se sentiram representados também se sentiram no lugar dos dos hebreus, escravizados, dominados, mas com um pensamento livre. E todos começaram a cantar. E a ópera parecia que não conseguia ir para frente. Por quê? Porque as pessoas interromperam o couro cantando, cantando, cantando. E essa área ficou como um hino nacional italiano durante um tempo. A partir daí, Giuseppe Verde se torna um exímio compositor, um famoso compositor, um verdadeiro herói nacional, compositor de Latraviata, a força do destino, de um heck também, enfim, várias óperas que ficaram mortalizadas nos tempos atuais por áreas cantadas por Lutiano Pavarote, pelos três tenores, por vários eh tenores que conseguiram então imortalizar pros tempos atuais eh partes da opera de Giuseppe Verde. Ele nunca mais constitui uma nova família, não tem mais filhos e dedica toda a sua vida para música, para a composição. E quando ele desencarna, quando ele vem a falecer, ele tinha uma quantidade enorme de bens, né? Porque ele acabou fazendo muito sucesso e quase tudo ele doa para as obras de caridade da igreja. ele que era eh uma pessoa religiosa, uma pessoa que tinha uma devotação católica. Então ele devolve eh doa ali

le acabou fazendo muito sucesso e quase tudo ele doa para as obras de caridade da igreja. ele que era eh uma pessoa religiosa, uma pessoa que tinha uma devotação católica. Então ele devolve eh doa ali as obras, o dinheiro para as obras caritativas, para hospitais, enfim. Josep verde. Quando a gente encontra a história de Josep, a gente também encontra a história de um brasileiro, um brasileiro compositor, um brasileiro que vindo da cidade de Campinas, em São Paulo, também foi para a Itália, também foi estudar ópera. Ele que já havinha feito algumas óperas aqui na época de Dom Pedro II. E Dom Pedro II, então, identificando esse talento, essa genialidade do Antônio Carlos Gomes, o Tonico, né, o campinense Carlos Gomes, leva-o para a Itália e ele também estreia uma ópera chamada O Guaranê, inspirado, né, o livreto na na obra de José delencar ou Guarani e ele coloca a música e lá no teatro Ala de Escala de Milão tem a encenação do da história inicial do Brasil com os índios, os colonizadores, a história de amor e aquela obra fantástica, né, frenética, com força, ah, que durante um tempo, inclusive, eh, a música da abertura ficou como a abertura de uma do chamado hora do Brasil, porque simbolizou e de fato Fato, o Carlos Gomes foi o primeiro brasileiro que levou, né, para o exterior a imagem do Brasil de uma forma que talvez poucas vezes tivemos a oportunidade hoje. E o que poucos sabem é que o Carlos Gomes encontra o José Verde, só que o José Verde mais famoso, né, ou seja, mais idoso, inclusive já um senhor eh com toda a maturidade. Ele está na estreia do de o guarani, de Carlos Gomes. E quando acaba o Guarani, o Josep Verde olha para o Carlos Gomes e fala: "Esse jovem está começando onde eu estou terminando". falando uma frase que simbolizaria a maturidade musical do campinense brasileiro Carlos Gomes, que também compõe a ópera O Guarani num momento de muita dor, no momento de perda pessoal, né? E segundo os relatos que a gente encontra em alguns livros, né? Eh, grandes vultos da história. E o

omes, que também compõe a ópera O Guarani num momento de muita dor, no momento de perda pessoal, né? E segundo os relatos que a gente encontra em alguns livros, né? Eh, grandes vultos da história. E o espiritismo, por exemplo, conta essa narrativa editado pela FEB, em que mostra o Carlos Gomes tendo aparições do seu pai, que tinha uma que foi quem iniciou ele assim na carreira musical, porque também era músico, não músico eh de grande destaque, mas também era músico, aparecendo sempre para Carlos Gomes, porque Carlos Gomes tinha a tarefa, tinha a missão de ser compositor e especialmente de compor essa música. música. Essa ópera Hugo Guarani, que sem sombra dúvida foi a principal obra de Carlos Gomes e uma das principais obras da música brasileira e a principal no no no estilo operístico. A história da música, pessoal, está cheio de exemplos, de dores que transformam os compositores e que fazem eles sintonizar com uma altura maior de sensibilidade. É por isso que percebendo que a dor tem uma função, percebendo que a dor e a tristeza tem algum significado, a gente queria abrir duas passagens de Jesus. A primeira está aí no capítulo 5 do Evangelho de Mateus, né, no versículo 4, quando ele Jesus vai dizer: "Bem-aventurados os que choram porque serão consolados". Bem-aventurados os que choram porque serão consolados. Ora, se existe eh alguma emoção vinculada ao choro mais fortemente, é a tristeza, é a emoção da melancolia, não é? Óbvio que o choro do ponto de vista neurocientífico, ele é na verdade a expressão de uma emoção muito forte. Então, quando eu estou alegre, eu posso ficar tão, tão, tão alegre que eu posso até me emocionar pela beleza, por exemplo. Mas às vezes eu posso ficar com tanta raiva que eu também choro de raiva. Ou seja, qualquer emoção mais forte, ela se extravaza, fisicamente falando, com o choro, tá? Então, a gente pode pensar primeiro nessa interpretação. Bem-aventurados os que choram porque serão consolados. Bem-aventurados, ou seja, felizes, né?

extravaza, fisicamente falando, com o choro, tá? Então, a gente pode pensar primeiro nessa interpretação. Bem-aventurados os que choram porque serão consolados. Bem-aventurados, ou seja, felizes, né? Ainda bem que nós podemos chorar. Bem-aventurados aqueles que sensibilizam-se, porque esses têm alma, ou seja, esses têm uma profundidade. Não podemos nos não podemos nos enlatar, nos enquadrar a tal ponto de ficarmos tão racionais que nós percamos a possibilidade de fazer contato com as emoções. Bem-aventurados os que choram. Ou seja, o choro como a manifestação de uma emoção intensa nos torna felizes, nos torna bem-aventurados, porque estamos saindo de um estágio de psicopatia em que a gente tem uma frieza emocional e não conseguimos chorar com veracidade e já entramos em uma outra em outra esfera, em outro patamar evolutivo, não é? o perfeito, mas já é um outro patamar que não é mais a psicopatia e que faz com que a gente se emocione, mas aí vem o complemento, porque serão consolados. Então, a gente entende que a mensagem não é necessariamente só isso que a gente tá colocando aqui, porque se existe um consolo, é porque se existe a necessidade de um consolo, é porque também existe alguma dor. Então, não seria um choro emocionado por alegria, provavelmente um choro emocionado por uma tristeza, por um sentimento mais desagradável. É por isso que algumas traduções colocam assim: "Bem-aventurados os aflitos, já mostrando a o choro da aflição, ou bem-aventurados os que estão tristes já mostrando o choro da tristeza." Ou alguns querem nos colocar bem-aventurados os enlutados. E aí eu chamo atenção porque um colega que é mais assim dedicado à questão das traduções, etc. Ele me falou: "Lé, olha, o correto mesmo é bem-aventurados os enlutados". Porque ali Jesus estava falando para uma grande quantidade de mães que haviam perdido seus filhos, etc, etc. E eu acho bem interessante essa perspectiva, mas eu devo complementar que o luto é um fenômeno que se dá não só com uma perda

ra uma grande quantidade de mães que haviam perdido seus filhos, etc, etc. E eu acho bem interessante essa perspectiva, mas eu devo complementar que o luto é um fenômeno que se dá não só com uma perda propriamente dita, com uma perda física, como foi o Joseppe Verde, que perdeu os filhos, a esposa, ele estava enlutado, literalmente falando, mas o luto se dá com qualquer tipo de perda, com qualquer tipo de situação que faz com que a gente sinta uma falta de algo. Então, o luto é, digamos, uma característica muito mais ampliada do que a perda de uma pessoa querida. Então, me parece que seria reduzir demais a fala de Jesus, dizendo que só a tristeza vinculada ao luto, só a aflição vinculada ao luto de uma pessoa, só o choro vinculado ao luta de uma pessoa, né, que perdeu alguém fisicamente falando, seria bem-aventurado. A gente precisa ampliar o leque, porque, como diz o próprio evangelho, a letra mata. Mas o espírito vivifica. Ou seja, o espírito é o entendimento global e não a coisa tão literal assim, porque a mensagem de Jesus é atemporal. Então, na atemporalidade a gente consegue perceber e pensar vários significados. Então, é importante primeiro a gente perceber que há uma tristeza que deve ser muito bem-vinda, uma tristeza que mobiliza. E aí eu comecei a contando a história de alguns compositores para dizer: "Olha, foi a tristeza, foi a dor, foi a aflição, foi um enlutamento de uma forma geral que fez com que esses compositores, esses artistas pudessem entrar em contato com as suas intimidades, né, e traduzir em música. traduzir em poesia, traduzir em algo de bom que pudesse consolar os outros. E aí é curioso que quando você escuta a música, mesmo a música mais triste, a tendência não necessariamente é só você ficar triste e baixar o teu nível, digamos, de vibração. É, às vezes quando a música é bem feita, mesmo que ela seja melancólica, ela metabolizar, colocar para fora, entre aspas, o sentimento que você tá no peito fechado. E aí a função da arte é fantástica.

É, às vezes quando a música é bem feita, mesmo que ela seja melancólica, ela metabolizar, colocar para fora, entre aspas, o sentimento que você tá no peito fechado. E aí a função da arte é fantástica. porque ela consegue traduzir pensamentos que a gente nem conseguiria colocar para fora de forma tão fácil. Traduzir emoções que são difíceis de sentir. E é interessante que tem uma uma eh uma visão da neurociência que coloca assim: "O prazer de escutar uma música triste". Porque a música triste que toca a alma toca também uma área cerebral chamada núcleoacumbes ou estriado ventral, que é uma área do prazer. Então veja que a gente pode sentir um prazer não só com a música agitada frenética. Às vezes essa música agitada frenética, se você não tiver na mesma agitação, no mesmo frenezir, você até se sente um peixe fora d'água e se sente meio deslocado. Então, necessariamente a música quando bem feita, especialmente quando tem toda essa história. E aí eu faço um convite a você. Pega a música que você goste, a música que toca a tua alma, toca o teu ser e procura a história do compositor, procura a história eh por trás da música. Pode ser que aquela música você nem, né, poxa, essa música foi mais, enfim, comercial, não teve tanta profundidade assim, mas você deve conhecer uma outra música. Vai atrás. Se você conhece a história por trás, muitas vezes você se surpreende com a profundidade que o compositor vivia na vida pessoal e que conseguiu traduzir na vida musical. Aí Jesus vai à frente no capítulo 11, versículos 28 e 30. Vinde a mim todos vós que estais aflitos e sobrecarregados, que eu vos aliviarei. Tomai sobre vós o meu julgo e aprendei comigo que sou brando e humilde de coração e achareis repouso para as vossas almas. Por quê? Porque o meu julgo é suave e o meu fardo é leve. Então, há um complemento aí fantástico, né? Primeiro o enaltecimento e a ideia de que olha vai haver um consolo. E aí como consequência a percepção de que ele próprio veio trazer uma consolação, eu vos aliviarei.

complemento aí fantástico, né? Primeiro o enaltecimento e a ideia de que olha vai haver um consolo. E aí como consequência a percepção de que ele próprio veio trazer uma consolação, eu vos aliviarei. Tomai sobre vós o meu jogo e aprender comigo que sou brando e humilde. Por quê? Porque o meu julgo é leve. O meu o meu jogo é suave. e o meu fardo é leve. Então aí é interessante a gente juntar essas du essas duas frases que eu acho assim fantásticas, né, que calam profundamente o meu ser ao longo da minha trajetória. Primeiro, a ideia de que olha, a dor que você tem para ser consolada não necessariamente tem que ser tirada de você. Não é isso que Jesus tá dizendo. Veja que ele fala: "Olha, eu tenho um fardo. Me seguir tem um fardo. Aquele que quiser me seguir, pegue a sua cruz e me siga." Então, há um fardo, há um peso a ser carregado no momento atual, que a própria situação dolorosa que você tá passando, que eu tô passando, que todos passamos, porque essa situação dolorosa a gente precisa passar. Não dá pro outro passar por nós. Não dá pro outro espiar por nós ou passar pelos testes, pelos testemunhos, por pelo por nós. Há uma parte nossa. a gente tem que entrar e ter muita consciência disso, porque aí eu acho curioso, conversava com um amigo recentemente, a ideia de que eh a gente às vezes quer, né, um Deus assim e Jesus ao mesmo tempo tão acolhedor, tão acolhedor, tão acolhedor, tão que passa a mão na cabeça, que é como se quisessem que a gente a gente quisesse que ele, que tirassem o nosso fardo, tirassem a nossa encrenca. Sabe? E não é bem por aí. Óbvio que Jesus é consolador, é acolhedor, mas existe algumas coisas que a gente precisa também se adequar. Senão a gente vai estar fazendo um Deus ao nosso bel prazer. A gente sai de um Deus que a gente temia, que a gente sentia medo para também um Deus que a gente quer que seja a nossa imagem. Ou seja, tudo que a gente faz, a gente quer que seja aceito, né? Então, a gente precisa se adequar um pouco mais. E se adequar um pouco mais é também eh saber

que a gente quer que seja a nossa imagem. Ou seja, tudo que a gente faz, a gente quer que seja aceito, né? Então, a gente precisa se adequar um pouco mais. E se adequar um pouco mais é também eh saber que a gente precisa carregar um fardo, né? E que não é culpa só das outras, né? Como se fosse culpa da sociedade inteira e eu não tivesse responsabilidade nenhuma. ou então que a minha felicidade vai ser baseada, né, numa perspectiva que assim pouco importa os outros. Eu quero é ser feliz. Não é bem aí. Fica uma felicidade muito egoísta, muito egóica, muito autocentrada e também uma felicidade que não é real. Porque uma felicidade real, um consolo real, um acolhimento real, envolve a percepção também de que há um fardo que há que é preciso ser carregado, um fardo que não tira, digamos assim, as nossas forças, né? Não é um fardo maior do que as nossas costas, mas há um fardo sim para ser carregado na vida. O sofrimento traz um fardo, o choro traz um fardo, a emoção intensa traz um peso. E esse é um ponto importante da gente perceber. E aí vem o terceiro ponto que eu queria eh queria refletir com vocês, a ideia de que eu vos aliviarei. Bem-aventurados os que choram porque serão consolados. Então veja que essa construção verbal está no futuro. Mais uma vez, e em alinhamento com essa ideia de que existe um fardo, existe uma dor, existe uma expiação, existe uma prova, existe um testemunho, qualquer nome que a gente queira dar ou que se enquadre mais ao momento que a gente tá vivendo, que depende de nós, que a gente precisa passar para poder aprender e que não dá para remédio tirar totalmente, terapeuta tirar totalmente, padre tirar pastor tirar, médium, tirar mãe, tirar sociedade tirar. É uma coisa que depende de você, depende de mim passarmos pra gente poder se iniciar em uma mudança. Então, por isso que tem ali, vos aliviarei, serão consolados. a ideia de que hoje vai ser preciso sim passar por algum tipo de sofrimento, mas que esse sofrimento não é um sofrimento pelo sofrimento, não é um sofrimento

tem ali, vos aliviarei, serão consolados. a ideia de que hoje vai ser preciso sim passar por algum tipo de sofrimento, mas que esse sofrimento não é um sofrimento pelo sofrimento, não é um sofrimento masoquista, não é um sofrimento que aniquila nossas forças, ao contrário, é um sofrimento que se bem é passado, com aceitação, é um sofrimento que nos inicia para um novo tempo, como diz nesse último último slide. Leon Den em problema do ser, do destino e da dor, na parte 3, capítulo 27, o sofrimento é um iniciador. Ele nos revela o sentido grave, o lado sério, o lado imponente da vida. Então, o sofrimento como um iniciador para modificação de trajetória, de rumo, para modificação de espaços e de passos. Nesse sentido, quando vemos a vida de Josep verde, de vários compositores da música, quando entendemos alinhado a essas mensagens do Cristo e a essa mensagem de Leonir, percebemos que sim, há uma dor, uma tristeza, um choro, um enlutamento, um peso que é bem-aventurado, porque ele nos inicia a uma mudança, a mudança mais profunda no rumo da vida. Segundo, que isso envolve, portanto, um nível de fardo pessoal, de peso pessoal, que não é possível de eh passar, né, de eh passar para outras pessoas, transferir totalmente para outras pessoas, que eu preciso passar por isso, mas que quando eu tenho essa percepção de que isso tá me iniciando em alguma mudança, isso tá me transformando para algum um ponto melhor hoje, amanhã ou até mesmo em outra encarnação. Eu entendo esse terceiro ponto que é o alívio, que é o consolo que virá, mas que ele não vem completamente, 100% totalmente hoje, porque é preciso o concurso do tempo para as coisas acontecerem. Mas até lá, às vezes, nessa aparente escravidão que a dor nos traz, que o sofrimento, que os problemas da vida nos trazem, a gente pode pensar como os escravos hebreus na Babilônia, como Josep Verde percebeu na sua ópera. Vai pensamento, viaja pelas encostas, pelas montanhas. pensamento onde os ares são tépidos e são suaves. Vai e encontra o consolo

escravos hebreus na Babilônia, como Josep Verde percebeu na sua ópera. Vai pensamento, viaja pelas encostas, pelas montanhas. pensamento onde os ares são tépidos e são suaves. Vai e encontra o consolo nessa terra natal. Encontra o consolo atual nesse local de paz que eu e que você temos. Essa terra natal que nos remete inclusive ao natalício, ao nascimento, que nos remete, portanto, a Jesus. A terra natal, local onde nós nascemos e talvez o próprio nascimento de Jesus traduza esse natalício em nossas vidas, esse nascimento de esperança, de força, de coragem e bom ânimo, porque ele nos aliviará. Até a próxima.

Mais do canal