#32 • Jesus e Saúde Mental • Sabedorias do livro Eclesiastes (parte 1)
WEBSÉRIE • Jesus e Saúde Mental » Episódio 32: Sabedorias do livro Eclesiastes (parte 1) » Apresentação: Leonardo Machado
Vaidade de vaidades, diz Coeler ou o pregador da assembleia. Vaidade de vaidades. Tudo é vaidade. Que proveito tem um homem de todo o seu trabalho que faz debaixo do sol. Porque uma geração vai, outra geração vem, mas a terra para sempre permanece. Nasce o sol e o sol se põe e apressa-se e volta ao seu lugar de onde nasceu. O vento para ao sul, faz o seu giro pro norte, continuadamente vai girando o vento e volta fazendo os seus circuitos. Todos os rios vão para o mar e contudo o mar não se enche nunca. Ao lugar para onde os vão, para ali tornam eles a correr. Todas as coisas são trabalhosas e o homem não pode exprimir a profundidade desse trabalho. Os seus olhos não se fartam, os ouvidos não se enchem de ouvir. O que foi, isso é o que há de ser. E o que se fez, isso se fará. Porque de modo algum nada há de novo debaixo do sol. É com o índice início do livro Eclesiastes que eu queria começar convidando você para estar conosco e também enviar suas dúvidas, suas perguntas sobre saúde mental para o nosso Instagram ou para a conta, né, as perguntas do YouTube aqui na Mansão do Caminho. O livro Eclesiastes, ele se insere dentro dos chamados livros sapienciais da Bíblia. aqueles livros que falam de sabedorias muito profundas, particularmente eh me atrai porque fala de uma sabedoria muito prática, assim, lidando com o sofrimento. Então aqui na web série Jesus e saúde mental, nós trouxemos eh análise sobre o livro de Jó, que tá dentro também dos livros sapienciais. E o livro de Jó vai trazer a questão do sofrimento, mas trazendo o porquê do sofrimento, porque o homem justo sofre. O livro Ecclesiastes, ele também traz a questão do sofrimento, mas em uma outra perspectiva muito profunda, muito interessante. E é interessante a gente pensar logo no início, né, situar um pouco historicamente falando, né, pensa-se que talvez o autor do Eclesiastes tenha sido o rei Salomão, mas há uma controvérsia em relação a isso, talvez não bata muito a data, né? Então, há uma controvérsia inclusive quando foi escrito, mas
se que talvez o autor do Eclesiastes tenha sido o rei Salomão, mas há uma controvérsia em relação a isso, talvez não bata muito a data, né? Então, há uma controvérsia inclusive quando foi escrito, mas Eclesiaste significa, digamos, eh, o orador, o pregador da assembleia, né? Por isso que tem lá o coelé. Quando vai falar vaidade das vaidades, diz coelé ou o pregador, porque é como se fosse um discurso que tava na assembleia, o pregador defendendo, um discurso, portanto, sobre o sofrimento humano. a gente pensa que é sobre as vaidades, mas no final das contas a temática eh mais profunda do livro Eclesiastes vai ao encontro da temática mais profunda do livro de Jó, que é a temática do sofrimento, a temática do por nós sofremos e trazendo algumas outras visões que se complementam. É um livro bastante pessimistas, né? Mas se você percebe a introdução, é um livro que traz um pessimismo. Um pessimismo que tem a ver com a constatação do fato básico da vida, que é a existência de um sofrer, um fato básico da vida, que é a existência de um sofrimento. E nesse nessa perspectiva, o Eclesiastes até foi colocado em cheque. perguntaram se, né, ao longo do tempo, se ele de fato deveria estar dentro da Bíblia. Ou seja, é um livro canônico que traz uma revelação divina. Eh, e a ideia que se chega, né, você vê alguns teólogos chegando nessa conclusão que sim, mas é um livro eminentemente de um humano, provavelmente um rei, talvez o rei Salomão, talvez não, mas um rei sábio, uma pessoa sábia, uma pessoa com conhecimento, com sabedoria, que pega o conhecimento divino e traz uma uma reflexão, um aprofundamento sobre o conhecimento divino. Então, não é uma revelação divina, né? Porque, por exemplo, no livro de Jó, você tem ali, né, o Jó trazendo a sua, as suas lamentações, a sua tristeza. Portanto, tem um pessimismo também no livro de Jó, mas em algum momento o livro de Jó tem uma revelação mística e aí tem uma uma canonicidade no livro de Jó. No livro Eclesiástico, que é um livro mais curto,
o, tem um pessimismo também no livro de Jó, mas em algum momento o livro de Jó tem uma revelação mística e aí tem uma uma canonicidade no livro de Jó. No livro Eclesiástico, que é um livro mais curto, não tem essa, digamos revelação divina, né? É um pregador pensando sobre a vida. Então, é como se fosse um um uma pessoa, né, religiosa, pensando sobre a vida e compartilhando, né, a sua visão espiritual, a sua visão religiosa, a sua visão eh com os outros sobre o que aprendeu. Então, sim, deveria estar na Bíblia, segundo a interpretação de muitos religiosos, na ideia de que é não uma revelação direta de Deus, mas uma revelação eh interpretada ao homem para, digamos, até de certa de certa forma fazer com que a gente entenda as nossas limitações de entendimento, já que o Eclesiastes mostra muito essa limitação. Então, nesse sentido, eh, o que eu gostaria de primeiro de destacar hoje, primeiro a gente vai ler muitos, muitas partes do livro, mas eu queria começar destacando o início, vaidade das vaidades. Tudo é vaidade. E de certa forma tudo é vaidade porque não há nada novo na terra, no mundo, debaixo do sol. Tudo já está posto, sendo que nós, por mais que nos debrucemos para o entendimento do mundo, do universo, nós temos muitas limitações. E nos acharmos capazes de dar a última resposta seria a principal, né, o principal indício da nossa vaidade. E o livro é repleto dessa conclusão, tudo é vaidade. Mas há também uma outra conclusão que seria tudo é vaidade e correr atrás do vento. Ou seja, é impossível correr para tentar chegar a pegar o vento. A gente sente o vento, né? Então, seria um esforço inaludito. Então, eh, dessa forma, a palavra vaidade aí tem uma um uma veracidade de tradução, segundo grande parte dos estudiosos, porque a vaidade significaria essa ilusão, essa fuga, essa aparência, né? Portanto, eh, algo que é fugidil. Então, vaidade, nessa perspectiva profunda, vaidade seria o sinônimo de a nossa tentativa de correr atrás do vento. A vaidade, uma ilusão, né, em que
a aparência, né? Portanto, eh, algo que é fugidil. Então, vaidade, nessa perspectiva profunda, vaidade seria o sinônimo de a nossa tentativa de correr atrás do vento. A vaidade, uma ilusão, né, em que a gente tenta se apegar, mas que não consegue encobrir a realidade e não consegue explicar a realidade. Então, quando a gente vê assim a essa questão da vaidade, a gente pode primeiro dizer: "Não, não é bem assim". Ele tá também sendo muito pessimista e de fato é uma visão pessimista no sentido de trazer uma ideia de mais triste. Beleza? Tudo bem. Mas vamos primeiro então se nos debruçarmos, né, sobre vaidade. Eh, e aí acho que é interessante, a vaidade tem a ver com orgulho. A vaidade tem a ver com com, portanto, com a necessidade de eh aparência para encobrer alguma deficiência íntima, então alguma aparência externa para encobrir alguma limitação interna. Aí eu tenho a vaidade, eu tenho o orgulho. E em geral, ao darmos essa definição, a gente logo vai pensar na vaidade de forma negativa, de forma ruim. Mas eu queria pegar tanto o conceito eh kardeciano quanto o conceito das das psicologias, especialmente da psicanálise, porque veja o que traz eh o rudimento da construção do amor a si mesmo é o instinto de conservação. Então o instinto de conservação faz com que eu me preserve, faz com que eu olhe para mim. Então, esse olhar para mim é um rudimento do amor a mim mesmo, mas esse olhar para mim também é um rudimento de uma de um orgulho. Então, se a vaidade tá ligado a um orgulho, a vaidade, assim como o orgulho, tem um germe inicial, um rudimento igual ao rudimento do amor a si mesmo, que é o instinto de conservação. Então, qual é a consequência, qual o desdobramento disso? é que existe um tipo de vaidade, um tipo de orgulho que é muito necessário e que tá muito vinculado ao amor próprio. A psicanálise vai chamar isso de narcisismo primário. Nós temos o narcisismo, todos nós temos o narcisismo, que é a ideia de como nós construímos a nossa autoimagem. Mas há o narcisismo primário, que é um
icanálise vai chamar isso de narcisismo primário. Nós temos o narcisismo, todos nós temos o narcisismo, que é a ideia de como nós construímos a nossa autoimagem. Mas há o narcisismo primário, que é um narcisismo que preenche de fato as nossas lacunas. de forma estruturada e estrutural das bases da construção da da nossa vida, da nossa personalidade, do nosso ser, do nosso ego. Portanto, tem a ver com o amor próprio. O narcisismo primário tem a ver com a capacidade de a gente colocar dentro de nós o amor que nós recebemos de fora dos nossos pais, por exemplo, ou das figuras parentais, das figuras que exerceram essa eh expressão de amor. Então, esse amor a si mesmo, ele tá vinculado a um narcisismo primário, a um narcisismo, eh, que faz a base primeira da construção do nosso ego, da nossa personalidade, do nosso ser. Então, não é algo ruim, tem a ver com o amor próprio, é algo necessário. Não é essa vaidade que o livro tá tratando. É a vaidade essa que tenta de forma atrapalhada, né, preencher algo apenas na aparência e não na essência. tenta preencher limitações, dificuldades, deficiências apenas na aparência e não se preenchendo de forma mais profunda. É essa a vaidade que é como o vento, que é fugidia, que é algo que, digamos assim, tem um trabalho de Sícefo, né, da mitologia. Quanto mais a gente tá levando, Císifo foi condenado. Sífo foi condenado a levar a pedra ao topo da montã, mas quando ele tava chegando, a pedra caía. Aí ele tem que fazer o trabalho de novo. Então o trabalho no narcisismo primário é um trabalho que vai e volta porque nunca consegue atingir o seu objetivo principal, que é se encher de amor, que se encher de estrutura para poder construir novas expectativas de vida, construir uma segurança. Nesse nessa perspectiva, eu acho muito interessante que o livro Eclesiastes eh ele traz um sentimento diferente, né? Enquanto o livro de Jó traz um sentimento de tristeza, de sofrimento, o sofrimento narrado pelo Eclesiastes traz uma emoção chamada certo tédio.
ro Eclesiastes eh ele traz um sentimento diferente, né? Enquanto o livro de Jó traz um sentimento de tristeza, de sofrimento, o sofrimento narrado pelo Eclesiastes traz uma emoção chamada certo tédio. Enquanto o Jó tá cansado pelo excesso de tristeza que ele vem acumulando, o pregador do Eclesiastes demonstra um cansaço pelo excesso de tédio que ele vem vivenciando. Então, o cansaço, a expressão externa, pode ser a expressão física externa, a expressão de energia externa, de movimentação, de comportamento externo, é mobilizada no livro de Jó pela pelo excesso de tristeza ao longo do tempo. Aqui no Eclesiastes a gente tem a tristeza, mas tem um algo a mais que é o tédio, essa emoção complexa que traz uma certa ausência de eh de surpresa. Nós nos entediamos quando nós ficamos sem surpresas, sem encanto pela vida e fazemos uma colocação de uma certa tristeza, porque rapidamente nos decepcionamos. Então, o tédio é uma emoção complexa, né? Não é uma emoção básica, uma emoção que a gente merece estudar, porque o tédio é uma das grandes eh motivadoras da infelicidade das pessoas. Já colocaria isso eh Bertrand Russell no seu livro, né, Caminhos para a felicidade, né? Então, nesse livro que o Bertrand Russel escreve sobre a felicidade, ele vai falar as causas da infelicidade e as causas da felicidade. Ele coloca que uma das causas da infelicidade era o tédio, justamente porque o tédio é essa ausência do encanto pela pelo excesso de decepção ou pelo excesso de proteção. Então, nós diminuímos o tôus afetivo. E perceba isso no livro do Eclesiastes, quando ele vai dizer: "Olha, o que foi será, o que se fez se tornará a fazer. Nada há de novo eh debaixo do sol". Mas na frente, ele vai dizer o seguinte, no capítulo 1, versículo 15, o que é torto pode se endireitar. O que está faltando não se pode contar. Então ele tá meio que dizendo assim: "Olha, não tem muito o que ser feito". E o tédio, ele vem justamente por essa sensação, sabe? É, não é tristeza apenas, é uma certa sensação de eh entediamento
ar. Então ele tá meio que dizendo assim: "Olha, não tem muito o que ser feito". E o tédio, ele vem justamente por essa sensação, sabe? É, não é tristeza apenas, é uma certa sensação de eh entediamento pelo não encantamento da não esperança de se fazer algo. Então ele vai dizer o seguinte mais na frente: "Tudo caminha para o mesmo lugar. Tudo vem do pó e tudo vem ao pó". Essa frase certamente você já ouviu falar. Versículo 20 do capítulo 3. Tudo caminha para o mesmo lugar. Tudo vem ao pó e tudo volta ao pó. Então é como se a gente não tivesse muito o que fazer. Então vem aí o sentimento de tédio, né? O tédio nos tira o ânimo, o tédio nos tira a energia. E eu acho bem interessante a gente eh pensar no tédio ao lermos o Eclesiaste, porque o o Eclesiaste traz essa perspectiva, um certo cansaço por entendiamento, porque olha, é assim mesmo, não temos muito eh o que fazer. Beleza? No segundo momento, essa constatação pode nos levar a uma perspectiva diferente, que é uma perspectiva da aceitação. E a aceitação, de certa forma, nos tira o a as surpresas, né? Então, portanto, nos diminui a quantidade de emoções, mas não no sentido de trazer um tédio, mas no sentido de trazer uma calma. O tédio não é calma. O tédio é irritante, o tédio é triste, né? O tédio não é uma emoção eh que acalma. Então, no no segundo momento, eh essa conclusão do Eclesiastes que no primeiro momento nos dá uma sensação de entediamento, ela pode vir ao encontro da aceitação. E é isso que a gente vai trabalhar eh posteriormente, a aceitação que o Eclesiastes nos convida a fazer, a aceitação do fato da vida, do sofrimento da vida, das alegrias da vida, a aceitação da vida na sua plenitude. Porque ao fazer uma certa uma série de constatações de tédio, a gente poderia pensar que o Eclesiastes vai em algum momento eh concluir que o melhor é morrer, né? Já que vai voltar todo pro pó, não tem muito o que fazer. Já que a gente não vai descobrir o segredo da vida, não vai se encantar por essas coisas, vamos morrer. Mas o Eclesiaste não traz essa
er, né? Já que vai voltar todo pro pó, não tem muito o que fazer. Já que a gente não vai descobrir o segredo da vida, não vai se encantar por essas coisas, vamos morrer. Mas o Eclesiaste não traz essa solução. O Eclesiaste não traz a solução do suicídio. Ele coloca ao contrário, a submissão aos vontad aos desígnios da criação, né? Aos desígnios de Deus. Então ele faz inclusive em algum momento um enaltecimento da alegria. Porque se no primeiro momento ele a gente tem uma sensação de tério que mina qualquer e qualquer emoção mais positiva, no segundo momento, a postura nos leva a uma aceitação e essa aceitação nos leva a uma valorização dos momentos bons, para que nos momentos bons nós possamos nos alimentar para os momentos ruins da vida. E nesse sentido, ele não faz convite em nenhum momento ao suicídio como uma solução para lidarmos com esse fato do tédio, o fato da tristeza, o fato do sofrimento, melhor dizendo, da existência. Ele nos faz um convite à aceitação aos desígnios da vida, ao tempo que a vida tem. E aí a gente vai trabalhar mais profundamente na segunda parte, né, provavelmente na próxima semana, mas a gente queria ficar um pouco no tédio, que seria o primeiro momento. Por quê? Porque o tédio, né, ele é também gerado, tem outro tipo de situação que gera o tédio, é o excesso de sofrimento. E o eclesiaste nos chama atenção para isso. Quando a pessoa tá sofrendo muito, é drenada pelo sofrimento, é, digamos assim, aprisionada, encapsulada pelo sofrimento, esse sofrimento traz um um sentimento de tédio, porque às vezes o sofrimento excessivo tira a pessoa ou tira da pessoa, pelo menos momentaneamente, a capacidade dela de se encantar pelas coisas, a capacidade dela eh esperançar pelas coisas. Então, o excesso de sofrimento no livro de Jó traz ali a perspectiva de provavelmente um quadro depressivo. A queixa no livro do Eclesiastes, eh, traz uma questão do entediamento, o sofrimento excessífico como uma causa de tédio. E aí eu queria trazer essa reflexão.
va de provavelmente um quadro depressivo. A queixa no livro do Eclesiastes, eh, traz uma questão do entediamento, o sofrimento excessífico como uma causa de tédio. E aí eu queria trazer essa reflexão. Édio é uma palavra que a gente escuta muito nos dias de hoje em crianças, nos jovens. Eu fico impressionado. Eu acho que meus filhos já falaram mais a palavra tédio. Papai, eu tô entediado do que eu falei na minha vida assim de criança, adolescência toda. Mas graças a Deus não são só meus filhos, né? É um problema geracional. As crianças estão entediadas, né? As pessoas estão entediadas. E aí eu queria levantar a bola para duas questões desse entediamento. Primeiro, o excesso de oferta, o excesso de oferta prazerosa. Então, esse excesso de dopamina causa também um tédio. Por quê? porque causa um esgotamento. O nosso organismo tem uma capacidade limite de sentir prazer. Então, se você vai dando muito, muito prazer, chega uma hora que a pessoa não sente mais prazer. Quer ver? Se você gosta de doce, vai comer muito doce de uma vez só, chega a hora que não tá mais, o paladar fica saturado pro doce, né? E se você continua comendo, às vezes vai chegar num num certo quadro compulsivo. E quando a gente pergunta para pessoas que têm compulsão alimentar, muit vocês vão me dizer: "Não, doutor, eu não tava mais sentindo prazer ao comer. Eu estava me sentindo um compelido, por isso uma compulsão para fazer. E depois veio até a vim até a tristeza. Às vezes automaticamente, doutor, enquanto eu estava comendo já vinha a tristeza. Por quê? Porque houve uma saturação do prazer e depois é um comportamento repetitivo. Tô falando do ponto de vista cerebral, o cérebro de forma desesperada tentando manter aquele prazer às custas de algo que vem de fora. Então você veja, hoje a gente tem ali o os feeds, né, as redes sociais que tem os feeds infinitos. dos feeds infinitos. Você fica lá no seu celular mexendo o dedinho e a sensação de que sempre vem algo novo, o feed infinito. Essa sensação de que vem algo novo dá
sociais que tem os feeds infinitos. dos feeds infinitos. Você fica lá no seu celular mexendo o dedinho e a sensação de que sempre vem algo novo, o feed infinito. Essa sensação de que vem algo novo dá uma liberação de dopamina, né? A dopamina ela sinaliza onde vai ter prazer, né? Para que a gente possa direcionar o nosso comportamento para esse alvo, para esse objetivo. E aí vem a liberação de serotonina pra gente sentir prazer, tá? Pois bem, veja brinquedos de criança. Teve uma época que o início estourou, né? Uma bolinha que vinha como surpresa uma bonequinha dentro japonesa. E aí tinha umas uma bonequinha. Então, eh, o que o encanto da da o encanto da bolinha do brinquedo era abrir, era abrir, entendeu? Veja, dá dê um presente para uma criança sem o embrulho e dê um presente com embrulho. Ela vai adorar muito mais com embrulho. Ela gosta de abrir, ficar surpresa, querer logo ver. Então, ela tem ali um excesso de dopamina, eh, motivando ela abrir aqueles aquele brinquedo e depois ela abre. Então, imagine bolar um brinquedo para que a criança pudesse abrir três, quatro vezes, né? É basicamente o fío infinito. Todas essas coisas vão, eita, vai vir, vai vir algo, vai vir algo e esse algo direciona, libera prazer. Então, o excesso de oferta, né, o excesso de eh ofertas que dão prazer, né? E a surpresa ela faz essa, né, essa sensação de prazer. Tem tudo que mostra que mexer assim no celular, né, ativa o circuito de prazer, o circuito de prazer cerebral. Então é uma coisa meio que automática, meio que automática. Então a gente tá ficando enquanto sociedade esgotado pelo excesso. O nosso corpo fica esgotado, né? É doce demais. E a gente acaba fazendo as coisas por compulsão ou às vezes por repetição, sendo compelido, mas no final das contas estamos entediados. Há outro ponto que eu queria levantar atenção é a o télio pelo sofrimento que o livro Eclesiastes nos mostra. Então, o excesso de sofrimento. Então, perceba assim as eh redes sociais, né? Vou trazer um conceito da psicologia da
a levantar atenção é a o télio pelo sofrimento que o livro Eclesiastes nos mostra. Então, o excesso de sofrimento. Então, perceba assim as eh redes sociais, né? Vou trazer um conceito da psicologia da dentro das ciências do comportamento. A gente precisa de um ambiente eh de validação. É muito importante que os pais consigam validar as emoções dos seus filhos, né? Que nós tenhamos um um ambiente de validação. Por exemplo, quando você vai lá e conta, sei lá, quando tá escutando alguma fala minha e eu conto uma história que você se identifica. Você se identifica com a história e percebe que olha, faz parte eu sentir isso. Outras pessoas sentem. Quando eu vou aqui, abro o livro de Jó e faço uma análise do livro de Jó e fala assim: "Olha, Jó sentiu isso. Eita, mas eu senti também. Então, eu estou validando, normalizando eh um sentimento humano. Então, a gente precisa de uma certa validação. Por outro lado, uma invalidação gera muito sofrimento. Uma invalidação a gente encontra muito nos preconceitos. a pessoa é invalidada por algo que ela tem como característica e que ela, digamos, nem pode mudar e nem deveria mudar, porque ela é assim, né? Uma cor da pele, um sotaque, uma característica física. E aí, enfim, a gente às vezes tem umas padronizações, né, na sociedade para que a gente possa passar eh despercebido e ser assim mais aceito, mais enquadrado. Pois bem, o que que acontece quando a gente tem muita invalidação, a gente tem muito sofrimento. E o problema da rede social é que ela pode fazer isso que eu tô fazendo com você, validar, né? pegando um conhecimento, usando a rede social e levando para você um conhecimento que pode validar a tua dor. Não no sentido de te acomodares na dor, mas no sentido de te eh dar oportunidade de entender a dor, validar a dor e tentar transformar a dor. Mas é preciso um momento de validação. Agora, as redes sociais também elas trazem muitas informações muito tubelicosas, muita agressividade e e às vezes não é uma agressividade diretamente a ti, é uma agressividade
um momento de validação. Agora, as redes sociais também elas trazem muitas informações muito tubelicosas, muita agressividade e e às vezes não é uma agressividade diretamente a ti, é uma agressividade com fulano, mas um fulano que tem característica igual a que você tem. Então, por uma sensação de identificação, você se identifica com aquela agressão, que é uma invalidação que ela tá sofrendo e você automaticamente se sente também invalidado. Então, eventualmente você ainda, você pessoalmente nem sofreu aquela invalidação, mas você viu a invalidação na rede social. Então, nós estamos encharcando também os nossos os nossos jovens, né? Mas não é só o jovem, né? Porque o jovem talvez seja eh assim como a criança eh mais em defesa em relação a selecionar as coisas. a idade, a maturidade vai fazendo com que a gente traga alguma eh seleção. Então, nesse sentido, eh a rede social traz também um entediamento por uma por um por um encharcamento de sofrimento que se eu tivesse uma comparação com o cimento técnico, é uma um excesso de invalidação quando a gente vai vendo briga, né, a pessoa fazendo eh atirando pedra no outro. Só que aquela pedra foi por uma característica do outro que eu também tenho, então me identifico e aí fica todo mundo sofrendo. Então as redes sociais elas amplificam. E aí eu queria trazer uma perspectiva. A gente às vezes e romantiza a neutralidade da da rede social. Não, a rede social é neutra. Eh, somos nós que fazemos coisas boas ou ruins dela. Beleza, eu concordo. No entanto, concordo em parte, porque a rede social tem uma característica a mais. ela é extremamente potente. Então, nisso ela não é neutra, ela é muito potente. Essa potência faz com que ela tenha uma característica, como eu conversava outro dia e até fez uma postagem na minha rede social, que até então eu eu só encontrava, né, descrito em Deus, que é a onipresença, a onisciência e a onipotência. Ou seja, ela tá em tudo, todos os cantos, ela está na nossa vida. Então, a rede social ela tem essa característica de ser muito
é, descrito em Deus, que é a onipresença, a onisciência e a onipotência. Ou seja, ela tá em tudo, todos os cantos, ela está na nossa vida. Então, a rede social ela tem essa característica de ser muito potente. Então, ela não é tão neutra assim, não. Ela não no ser, ao ser muito potente, não pense que você vai colocar uma um comentário, né? Um comentário que seja e esse comentário não vai ter uma potência. Esse comentário vai ter uma potência. Então, o problema não é da rede social em si, beleza? Mas o que eu quero dizer é que a rede social não é neutra assim, não. Não, não é neutra. Ela torna você mais potente e vai tornar você mais potente nas suas limitações, nas suas perturbações. Vai potencializar as suas perturbações, mas também vai potencializar as suas iluminações. Então você pode usar essa rede que não é neutra, é potente, tem essa potência para poder fazer o bem, beleza? Então, nada de achar não, aqui eu fiz nada demais. Fez sim, você utilizou um instrumento extremamente potente. Então, como é que eu tô usando? E aí, sem sair nessa romantização. Então, nessa perspectiva, a rede social tem trazido também muita invalidação, muito excesso de sofrimento por invalidação, identificação e com os outros. E aí a gente se sente também entediado. Estamos entediado porque é como assim, poxa, não adianta, né? Sempre vai ter uma situação difícil, sempre vai ter uma situação dolorosa e ver isso também é muito eh é muito intediante. Veja, vai ver um momento de aceitação, mas nesse primeiro momento é a entender a questão do entediamento, né? Mas eu acho interessante porque o Eclesiastes ele vai avançar nessa primeira parte que eu queria ir finalizando aqui com vocês nesses minutos finais do nosso encontro, né? No capítulo um, ele termina assim: "Olha, muita sabedoria, muito desgosto. Quanto mais conhecimento, mais sofrimento nos parece um contrassenso, porque na eh a princípio, né, no evangelho eh de Jesus tem lá: Conhecereis a verdade e ela vos libertará. A verdade como sendo
to. Quanto mais conhecimento, mais sofrimento nos parece um contrassenso, porque na eh a princípio, né, no evangelho eh de Jesus tem lá: Conhecereis a verdade e ela vos libertará. A verdade como sendo libertadora. Eu já cantei aqui a uma música de rato russo, né? Quando a esperança está dispersa, só a verdade me liberta. E aí vem um eclesiasta dizendo: "Olha, quanto mais conhecimento, mais sofrimento. Quanto mais eh quanto mais conhecimento, mais sofrimento. Quanto mais sabedoria, muito desgosto, né? Muita sabedoria, muito desgosto. Quanto mais conhecimento, mais sofrimento. Poxa, parece meio paradoxal. Parece meio paradoxal. Eu diria o seguinte, e a gente tem que lembrar, acho que faz sentido essa reflexão eh dos teólogos. Isso aqui é é uma é um livro e acho que por isso que aqui como psiquiatra, né, profissionalmente falando, como psicoterapeuta, eu acho interessante esse livro, porque ele traz essa possibilidade de eh falar a linguagem religiosa com você, mas pegando o conhecimento que trai, levando para um conhecimento psicológico. Então, é um ser humano, por mais sábio que seja, um rei sábio que escreveu, um orador que sabe usar sua palavra, como coloca o Eclesiastes ali, né? Eh, o próprio Eclesiasta é assembleia, orador, né? Coelé, orador, mas que fala do entendimento que ele tem das coisas divinas. Ele não teve uma revelação divina. Então, a verdade nos libertará. É como se fosse a meta. Veja, o nosso caminho de evolução, nosso caminho de perfeição, vai fazer com que a gente entenda a verdade, porque a gente vai est onde? Em Deus. Eu e o Pai somos um desse Jesus. Ou seja, esse é a, né, é o conhecimento maior, é verdade maior, a perfeição maior está conectado com a divindade. Deus está conectado conosco a partir do fluido cósmico, diz Allan Kardec, mas nós não estamos conectados com Deus por causa da nossa eh perturbação mesmo, né, vibratória, a nossa limitação. Então essa esse estado fusional da verdade é uma verdade futura, é uma utopia futura. Num primeiro momento, o conhecimento
s por causa da nossa eh perturbação mesmo, né, vibratória, a nossa limitação. Então essa esse estado fusional da verdade é uma verdade futura, é uma utopia futura. Num primeiro momento, o conhecimento traz sofrimento. O conhecimento traz sofrimento porque faz a gente ver coisas que a gente não queria ver. O conhecimento faz ver a gente ver coisas que a gente não queria ver. No entanto, o Eclesiaste vai trazer lá depois, no capítulo 7, a validade do sofrimento. O conhecimento traz sofrimento porque faz a gente ver coisa que a gente não queria ver no primeiro momento. No segundo momento, a gente vai a a ampliar ainda mais, vai ver mais ângulos. Então, imagina aqui no primeiro momento a gente vê um ângulo só, mas a gente não queria ver, a gente não queria nem ter. Então, a gente tem um mecanismo de defesa chamado negação. A gente usa a negação. Então, um conhecimento de um ângulo faz com que a gente não consiga eh deixar de ver. Então, a gente não consegue negar, a gente tá vendo. No futuro a gente vai ampliar. É como diz eh Paulo de Tasso, hoje eu vejo em parte, eu vejo como que num espelho, eu vejo reflexo. Então esse reflexo às vezes me dá medo, sabe? No entanto, esse sofrimento gerado por um início de conhecimento é muito válido. Ele ainda vai dizer a seguinte: "Olha, mais vale ir a uma casa em luto do que ir a uma casa em festa, porque esse é o fim de todo homem, todo mundo morre, né? Desse modo, quem está vivo refletirá. Mais vale o desgosto do que o riso, pois pode-se ter a face triste e o coração alegre. O coração dos sábios está na casa em luto. O coração dos centatos está na casa em festa. a gente pode, a gente vai também desdobrar no, no programa seguinte, no encontro seguinte, para também não achar eh que estamos eh digamos desmerecendo a alegria. O Eclesiast não faz isso. Ele até, como eu falei já inicialmente, ele fala com que a gente sinta alegria, mas o que quer dizer é que sim, um sofrimento faz a gente rever. E por isso que ele coloca aqui, o sábio está muito mais na casa em
mo eu falei já inicialmente, ele fala com que a gente sinta alegria, mas o que quer dizer é que sim, um sofrimento faz a gente rever. E por isso que ele coloca aqui, o sábio está muito mais na casa em luto, porque o luto faz a gente pensar sobre a vida. A morte faz a gente pensar sobre a vida e a vida às vezes não. Curioso, né? A morte faz a gente pensar sobre a vida e a vida por si só, às vezes não faz a gente pensar sobre a vida. Então, ao pensarmos com o sofrimento da morte, que é o principal, né, eh, símbolo do sofrimento, a gente faz um caminho eh de crescimento e por isso o sofrimento é válido. E nesse sentido a sabedoria é válida. Então o Eclesiast no final não é um livro que fala assim: "Olha, não tem como você saber, não busca não, ele não faz isso. Ele vai apenas chamar atenção para que a gente não consegue saber tudo. A gente deve buscar a sabedoria, mas teremos ter a certeza da nossa limitação." É mais ou menos a visão filosófica de Sócrates, o sábio, né? O o filósofo na realidade é aquele que ama a sabedoria, mas sabe que nunca vai atingir a sabedoria, porque o filósofo está em vida e ele sabe que o corpo por si mesmo ele limita a sabedoria que está na forma e no mundo do eidos, né, no mundo das formas. Mas o filósofo, ele sabe que não vai ser sábio nunca, mas ele busca a sabedoria possível. É essa a mensagem também do Eclesiastes, buscar a sabedoria possível. E aí vem um alerta. Quando a gente quer saber excessivamente, ter a resposta de tudo, achar que a gente tá descobrindo ou redescobrindo a roda, ele vai dizer: "Olha, nada há de novo debaixo do céu. Baixe um pouco a tua vola, porque isso é vaidade. Querer ser sábio hoje é vaidade. Querer ser perfeito hoje é mais vaidade. é vaidade, não de amor próprio, mas essa vaidade narcisista, destruidora, destrutiva, porque faz com que a gente ache que já sabe. E aí vem um estalo final do Eclesiastes que a gente vai pensar. Ora, se eu sou ser humano, se eu tô na terra, a terra tem tanto sofrimento, seria vaidade eu pensar que eu não vou
nte ache que já sabe. E aí vem um estalo final do Eclesiastes que a gente vai pensar. Ora, se eu sou ser humano, se eu tô na terra, a terra tem tanto sofrimento, seria vaidade eu pensar que eu não vou sofrer, seria ilusão, portanto vaidade, eu imaginar e eu querer não sofrer. Vaidade das vaidades. Tudo é vaidade. E uma das vaidades é achar que a gente não iria sofrer. faz parte. E é importante a gente abrir esse livro Eclesiastes, para poder lembrar um pouco disso e entender também que esse sofrer traz algum ensinamento que não seja excessivo pra gente não ficar no tédio, mas que seja um sofrimento inerente e a gente possa fazer um salto qualitativo de aceitação do fato básico da vida. Muita paz. Até o próximo programa em que iremos nos debruçar também e desdobrar um pouco mais o livro Eclesiastes numa outra perspectiva, falando também que cada coisa tem o seu tempo. Um abraço, até lá.
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[EN FRANÇAIS] Pike et son fils toxicomane - Divaldo Franco
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Estudo da Obra – Loucura e Obsessão | T7:E34 – Cap. 17: Terapia desobsessiva – Parte 2