#24 • Jesus e Saúde Mental • Filhos e pais- rompendo nós

Mansão do Caminho 14/03/2023 (há 3 anos) 36:46 5,848 visualizações 785 curtidas

WEBSÉRIE • Jesus e Saúde Mental » Episódio 24: Filhos e pais- rompendo nós » Apresentação: Dr. Leonardo Machado

Transcrição

Olá, é um prazer estarmos mais uma vez nessa palestra que faz parte desse programa, dessa websérie Jesus e saúde mental. Hoje a gente quer refletir sobre um livro, uma parte do livro Êxodo, o capítulo 20, versículo 12, que na realidade é uma parte do decálogo, quando vai nos dizer: "Honrai a vosso pai e a vossa mãe, a fim de viverdes longo tempo na terra que o Senhor, vosso Deus, vos dará." Então fica comigo pra gente continuar daqui a pouco. A relação entre os pais e os filhos, entre as mães e os filhos, é sempre uma relação muito profunda que traz marcas indeléveis, que marca a nossa memória profundamente no que a gente chama de forma simbólica, a nossa criança interior. O nosso lado infantil, ele se vincula às figuras parentais. E aí é importante que às vezes essa figura parental é um pai e uma mãe biologicamente falando. No entanto, essa biologia nem sempre é seguida. Existem várias conformações de paternidade e de maternidade, desde aquela conformação do pai e da mãe que adotam o filho e se tornam pais e mães de fato, não consanguíneos, mas não só de direito, mas de fato, como também existem outros arranjos, por exemplo, às vezes acontece de o pai ser mais ausente e a figura de cuidador, a figura parental que remete a um cuidado, não ser muito bem eh estabelecida e exercida por essa figura. E aí um tio acaba exercendo essa figura de cuidado, de afeto, sabe, de presença. Às vezes pode ser a mãe, uma mãe um pouco mais fria no contato e aí uma avó supre esse afeto, esse mimo, esse cuidado. Então, na cabeça da gente, quando nós passamos nesse período infantil, eh, por diversos motivos, o pai ou a mãe, biologicamente falando, eles estão ausentados. No entanto, surgem outras figuras que servem, né, como um complemento da função parental, que é uma função eminentemente de cuidar, uma função de cuidador. E essa função de cuidador historicamente é exercida pela mãe biológica, mas especialmente nos tempos mais atuais, a gente vê às vezes uma mudança de papéis e alguns pais tendo uma figura de

cuidador. E essa função de cuidador historicamente é exercida pela mãe biológica, mas especialmente nos tempos mais atuais, a gente vê às vezes uma mudança de papéis e alguns pais tendo uma figura de cuidador até mais eh visível e mais estável do que algumas mães do ponto de vista biológico. Na história do Espiritismo, a gente encontra até algumas situações bastante curiosas. Por exemplo, o do Chico Xavier, que muito criança perdeu fisicamente a mãe, mas por conta da sua mediunidade, ele teve esse papel de maternidade não apenas exercido pela madrasta dele, mas também pela própria mãe. Por quê? Porque ele via a mãe frequentemente. A mãe o visitava todos os dias. E aí, de certa forma pela mediunidade exercia esse papel de cuidador, esse papel afetuoso nessa criança Checo Xavier. É uma exceção, mas essa exceção também nos chama a atenção para o que a gente vê muito as pessoas me dizendo, essas pessoas que perderam fisicamente suas mães, seus pais, né? O sonho, o contato da intuição vindo como um acalento, né? e um acalanto para eh essa figura de cuidado. Como seja, a figura do pai e da mãe deixa a marca indelével. Às vezes essa marca, porém, não é uma marca muito positiva, é uma marca de cicatriz, é uma marca de ferida, porque até quando cicatriza já simboliza um passo que nós demos enquanto adolescentes, enquanto adultos, para que essa ferida fosse cicatrizada, fosse diminuída em na sua dor. Mas essas feridas vão nos acompanhar. E aí eu gostaria de aqui citar algumas histórias. A primeira história, ela começa numa música que eu gosto muito, que leva o nome Pais e Filhos do Renato Russo da Legião Urbana. Porque os pai, essa música Pais e Filhos é muito famosa pelo refrão. É preciso amar as pessoas como se não houvesse amanhã, porque se você parar para pensar, na verdade não há. E eu me recordo quando eu era da juventude espírita e participava dos encontros que geralmente existem no carnaval de mocidades espíritas, era assim um incentivo para que se cantassem músicas espíritas, mas sempre

do quando eu era da juventude espírita e participava dos encontros que geralmente existem no carnaval de mocidades espíritas, era assim um incentivo para que se cantassem músicas espíritas, mas sempre cantava-se, né, legião urbana. E e era interessante que às vezes quando se cantar essa música queria se mudar a letra, né? Porque é como se aí Renato Russo tivesse sendo meio eh antimortalista, né? Porque diz assim: "Se você parar para pensar, na verdade não há". Então queria se dizer, é preciso amar as pessoas como se não houvesse amanhã. Aí continuava, porque era uma metáfora, né? Era uma figura de linguagem, dizendo assim: "Ame sem esperar muito, né? Sem esperar o amanhã. Ame como se fosse o último dia de sua existência". E aí vem: "Porque se você parar para pensar aí na mocidade espírita queria cantar". Na verdade, a que era reafirmando a imortalidade da alma. Eu sempre achei isso um pouco esquisito, porque eu não gosto muito de mudar as letras das músicas, né? Se for para mudar, canta outra. Mas mudar a letra essencialmente é como mudar, sei lá, a letra de Ave Maria, né? De Gunô, de Schuber, para poder se enquadrar ali numa visão espiritista. Olha, tem uma cultura, tem uma história, né? Bom, a gente sabe que a visão espírita não coaduna totalmente com a Ave Maria, porque não é mãe de Deus, né? A gente sabe que é mãe de Jesus e Jesus não é Deus. Mas assim, ou não canta às vezes modificar ou então faz uma nova letra, né? Como eu fiz, eu fiz uma, eu sempre quis fazer uma Ave Maria com um cunho espírita. Então, eh, compôs ali, com autorização da FEB, inclusive editora, uma música em cima da Ave Maria de Monsenhor Silvério Horta, lá do Parnio delentúmulo em que ele faz uma poesia pelas mãos de Chico Xavier, uma Ave Maria, e existem várias Ave Marias, então nada a gente poder, nada demais a gente poder compor uma nova Ave Maria. Agora é uma opinião pessoal, tá? Não gosto de mudar a letra eh das músicas. Então isso me incomodava. Se for para fazer alguma coisa, faz uma música nova,

mais a gente poder compor uma nova Ave Maria. Agora é uma opinião pessoal, tá? Não gosto de mudar a letra eh das músicas. Então isso me incomodava. Se for para fazer alguma coisa, faz uma música nova, pega um Ave Maria e faz uma música, né? Agora me incomodava mudar na verdade a e continuo com incômodo, porque na realidade o que Renato quer dizer é a ideia da do tempo. O que existe filosoficamente é o hoje, porque o passado já se foi e o amanhã vai se construir com a com o com a presença do hoje. O nosso destino não tá totalmente traçado na visão espiritista. O nosso destino tem ali relances de possibilidades. É como se tivesse, como se coloca em algumas redes sociais, no na plataforma de stream, né? Final A, final B, final C, para poder o jovem, a criança ou adulto interagir com o filme. Então, nós temos ali várias possibilidades, não tá totalmente traçado. Então, se não tá totalmente traçado, o futuro não há. o a o hoje, a gente construindo hoje para amanhã ter a nossa destinação. Então, se a gente já pensar por aí, não teria nada contradizendo uma visão espiritista, embora, provavelmente, Renato Russo não quis aprofundar tanto eh numa visão espiritista, mas há também um a há que se entender o que a letra fala. Na verdade não há, porque ele também tá falando de um de um futuro aqui na Terra, né, vivo, encarnado também. Além dessa questão filosófica de que o futuro só existe se a gente fizer no hoje, há também a questão do suicídio que é posta, porque a música Pais e Filhos começa narrando uma cena de suicídio. E por isso que às vezes Nato Russo não gostava de cantar sempre pais e filhos, porque eh ele falava assim: "Pô, as pessoas não estão entendendo que eu tô falando de um suicídio". Porque diz lá: "Estátuas e cofres e paredes pintadas. Ninguém sabe o que aconteceu. Ela se jogou da janela do quinto andar. Nada é fácil de entender. Então é uma descrição de um suicídio. A gente não sabe se as as paredes estão pintadas porque é uma casa nova que foi construída e era um futuro novo que

ela do quinto andar. Nada é fácil de entender. Então é uma descrição de um suicídio. A gente não sabe se as as paredes estão pintadas porque é uma casa nova que foi construída e era um futuro novo que estava sendo visualizado para aquela família, para aquela pessoa. e ela acaba, é, destruindo esse futuro na Terra de um suicídio se jogando do prédio, ou se aquelas marcas, né, que estão pintadas na parede são a próprio sangue, né, de uma tentativa de suicídio anterior, né, de se cortando, se machucando e ali o suicídio completado. Mas veja que coisa curiosa, a música começa de forma trágica, mas logo em seguida vem agora a relação parental. Dorme agora, é só o vento lá fora, né? E aí, em algum momento ele fala, eh, meu filho vai, eh, né, meu filho vai ter nome de santo, quero o nome mais bonito. Ou seja, aquele suicídio depois é eh é nos remete à relação entre pais e filhos, né? Eh, você culpa seus pais por tudo, isso é absurdo. São crianças como você. E o que é que você vai ser quando você crescer? Então ele horizontaliza a relação e de certa forma vem muito a calhar com a visão espírita, mostrando que nossos pais eles não são assim tão evoluídos como a gente às vezes precisaria ou desejaria. Porque se a gente não tem esse pai e essa mãe tão maduro assim, primeiro a gente não tem esse mérito todo. Porque se tivesse o mérito todo, estaríamos com pais muito eh maduros para nos acolher. completamente. Às vezes também a gente tem o mérito de de ajudá-los, né? Porque a gente pode ter um pouco mais de amadurecimento e aí a reencarnação da gente serve também para ajudar um pouco os nossos pais que são crianças como a gente em alguns aspectos. É isso não significa inverter papel, não dá para filho ser pai do seu pai, porque se fosse para ser pai do pai, ele tinha reencarnado como pai. De fato, biologicamente falando, isso é importante a gente pensar, né? Encontro muitas pessoas que t uma relação alterada de forma fixa. Uma coisa é você cuidar temporariamente na velice, na no pai que

e fato, biologicamente falando, isso é importante a gente pensar, né? Encontro muitas pessoas que t uma relação alterada de forma fixa. Uma coisa é você cuidar temporariamente na velice, na no pai que tá doente, eh dar algum conselho, ajudar. Outra coisa é ser pai constantemente. Isso é adoecedor. E não é bem isso, me parece que é o papel da vida, porque se fosse para você ser pai do seu pai, você teria reencarnado como pai dele, né? teria tido aí uma um equívoco. Agora, essas funções que são alternantes, elas são elas são saudáveis e acontecem por causa dessa às vezes horizontalidade espiritual de nível evolutivo e às vezes até dessa disparidade dos filhos um pouco mais eh amadurecidos. Então pode acontecer também, né, de uma certa eh necessidade de você reencarnar em uma família que, na realidade não são ligações simpáticas, são ligações antipáticas. Todos nós temos ligações em geral, mas às vezes são ligações antipáticas, ligações que a gente veio justamente como filho para poder refazer o amor que antigamente era um ódio entre as pessoas. E às vezes só essa ligação umbilicada de pai, filho, mãe e filho para poder refazer. E às vezes não refaz 100%, refaz uma parcela. Às vezes podem ser pessoas um pouco menos afins, um pouco mais estranhas, porque o filho pode ser bastante evoluído e eventualmente ali ele vem para ajudar, né? Não porque tem uma ligação muito profunda, mas uma ligação um pouco mais pretérita. Eh, e isso pode acontecer também, como a gente escuta, eh, o relato de alguns missionários. Então, há uma série de configurações, né, que certamente não foi a pretensão mais espiritual do Renato Russo escrevendo, mas ele conseguiu captar e vir ao encontro do que a doutrina espírita fala. Mas o mais importante também, eu penso, é que eh a perspectiva de que a amorosidade, o vínculo do amor que a família nos convida e as relações parentais nos convidam e a Bíblia nos remete a honrar e o pai e a mãe. Honrar como sendo uma consequência do amar nos remete a uma possibilidade de nos

do amor que a família nos convida e as relações parentais nos convidam e a Bíblia nos remete a honrar e o pai e a mãe. Honrar como sendo uma consequência do amar nos remete a uma possibilidade de nos mantermos vivos na vida física. começa com suicídio, uma ruptura eh das vinculações com a vida física e a vida nessa existência e nos remete que, olha, essa relação umbilicada com os pais às vezes causam tantas cicatrizes que as pessoas acham que não vão ser amadas nunca, né? Porque não foram amadas na sua inteza ou na sua integridade pelo seu pelas figuras parentais. Mas aí ele coloca então a necessidade do amor, amar sem ficar esperando muito. E aí vem mais uma consequência do refrão, porque às vezes os pais amam seus filhos projetando os futuros que os filhos vão dar para eles. Ah, os netos que vão chegar, as crianças que vão vir, mas às vezes não vão chegar porque o filho não quer ter, não quer ter filhos ou não conseguiu ter filhos. ou o filho pode desvir a desencarnar antes. E se você projetar o seu amor baseado apenas num futuro que ainda não existe, pode ser que esse amor nunca se concretize. A necessidade de amar hoje para que a vida se sustente hoje. E eu tenho falado muito sobre a questão do suicídio nas minhas redes sociais, porque depois do período mais duro da pandemia, em que houve uma diminuição do suicídio pelo um efeito pulling together, um efeito de vinculação das pessoas pelo sofrimento, o efeito também de que às vezes uma tragédia real eh meio que mascara uma tragédia psíquica interna, agora vem os efeitos psicológicos duradouros de um período tão de crises como nós vivemos. e os números de suicídio aumentando aqui na região metropolitana de Recife, mas em vários locais também. E aí eu falando mais a ênfase do amor nas minhas redes sociais também, porque o amor é que nos sustenta. E o amor nessa figura parental, como muito bem coloca e lembra o decálogo, nos prende a vida, nos faz viver. Tanto pai e mãe às vezes se prende à vida porque tem um rebento para sustentar,

s sustenta. E o amor nessa figura parental, como muito bem coloca e lembra o decálogo, nos prende a vida, nos faz viver. Tanto pai e mãe às vezes se prende à vida porque tem um rebento para sustentar, tem um filho para sustentar financeira e emocionalmente falando, quantos filhos se prendem à vida porque tem um amor, mas sobretudo aí o amor ampliando e não mais sendo uma prisão à vida e se uma libertação na vida por causa do amor que nós sentimos uns pelos outros. É esse amor que a gente às vezes cicatriza. E eu queria ler uma passagem desse livro, né, Vida Saudável e Feliz, que escrevi e publiquei pela FEB, justamente que dá o título ao nosso encontro, filhos e pais, rompendo nós. E é uma tradução de uma letra, uma segunda letra, uma segunda história. Portanto, feche os olhos, não sinta medo. Os monstros se foram. Eles estão lá fora e seu pai está aqui. Menino bonito. Belo menino. Antes de dormir, faça uma pequena prece. Todos os dias e todos os caminhos vão ficando os melhores. Ou seja, tenha calma, não tenha medo. Menino bonito. Pelo oceano navegando, mal posso esperar para ver você crescer. Mas acho que precisamos ser pacientes, ter calma, porque ainda estamos e temos um longo caminho à frente. Muito o que remar. O caminho é longo, mas por enquanto para atravessar a rua, segure a minha mão. A vida é assim, acontece enquanto você faz planos. Menino bonito, veja que bonito. A vida é assim. A vida acontece não plano que se concretiza, mas a vida acontece em quanto você vai fazendo os planos. Belo menino, antes de dormir, faça uma pequena prece. Todos os dias e todos os caminhos vão ficando melhores. Beautiful boy, querido é a música Beautiful Boy ou Darling Boy do John Lennon que eu acho linda, né? Acho que vale a pena você procurar, especialmente quando você entende a história do John Len, essa figura dos Beatles icônica, eventualmente polêmica, muito talentosa e que teve uma ferida parental grande, né? um pai com dificuldades, ausências e ele cresce com esse buraco.

stória do John Len, essa figura dos Beatles icônica, eventualmente polêmica, muito talentosa e que teve uma ferida parental grande, né? um pai com dificuldades, ausências e ele cresce com esse buraco. E é interessante ver a música como um processo de cicatrização, mas um processo de cicatrização que não é assim uma cura, é uma cicatrização, fica a marca, a marca do John Leno, por exemplo, quando ele faz sucesso e o pai que estava ausentado há um tempo, reaparece na vida do John Lennon, entre aspas, querendo dar o amor, mas na realidade também e sobretudo querendo tirar o dinheiro do filho e meio que usando como obrigação, sabe? E veja que emoção complexa, você se sentir usado, né? E não só se sentir ser usado emocionalmente, financeiramente, falando pelos pelo pai, por aquela figura que ele devia sustentar, né? Então o John Lennon, como aquela criança que reencontra o pai o acolhe, né? E depois há uma uma celema grande que toma os noticiários, tudo. Mas a dor, a dor que esse jovem agora já adulto, já famoso, sente e a história de alguns artistas, né, que crescem no nome e algumas figuras parentais reaparecem. Talvez por isso a gente pense que ser feliz é ter dinheiro. E nem sempre, porque o ter dinheiro às vezes faz com que figuras comensais, figuras parasitas reapareçam em nossa vida para sugar o nosso sucesso a partir de questões monetárias. E a gente se sente extremamente violentado. O pior é quando essa figura parasital, né, com mensal é o próprio pai. Então, acho que essa música Beautiful Boy tem uma simbologia muito importante, uma simbologia muito profunda, porque é um filho ferido, abandonado, usurpado pelo pai, que agora tem a oportunidade de ser pai e tenta, pelo menos através da música, criar uma música de niná para colocar o filho para dormir, tentando cicatrizar. E que letra bonita, né? Tentando ensinar para a vida. alguns algumas coisas e para quem já pôde compor algo, escrever lá algo, sabe que isso fica como registro. Esse livro, por exemplo, eu escrevi pensando nos

ra bonita, né? Tentando ensinar para a vida. alguns algumas coisas e para quem já pôde compor algo, escrever lá algo, sabe que isso fica como registro. Esse livro, por exemplo, eu escrevi pensando nos meus filhos. Eles estavam menores ainda, hoje eles têm 8 e 5 anos. Então eles estavam, um tava recém-nascido, o Guilherme, a outra tinha três aninhos, a Bia. E eu pensei assim, eu não queria falar só sobre adoecimento psiquiátrico, eu sempre quis falar sobre prevenções psiquiátricas. Então não queria falar só a visão espírita para entender a dor, o adoecimento. O que me encanta no cristianismo e o que me encanta no espiritismo é a possibilidade de usar essas ferramentas como prevenções, como ferramentas preventivas. Então, nasce o livro Vida Saudável e Feliz, que na realidade até o termo que a FEB coloca, o título original era evangelho de Jesus e saúde mental, né, que acabou sendo o subtítulo, que inclusive dá, né, inspira essa série de palestra que a gente tem feito ao longo de 2023, né, e também do ano passado, 2022, de um tempo, né, de um período inspirando para pensar assim: o que é que tem no evangelho? O que é que tem também na Bíblia? O que é que tem na relação da Bíblia, do evangelho com o Espiritismo, que pode nos ajudar na saúde mental? Não apenas quando nós adoecermos, mas também de forma preventiva. Então, escrevo assim: "Poxa, o que que eu queria dizer para meus filhos?" E por isso que eu coloco um capítulo de conclusão, pegando cada um dos capítulos e tentando deixar bem mastigado, como se fosse um pequeno ensinamento de um pequeno de uma pequena coisa que eu falo para meus filhos e conforme eles for vão crescendo, eu vou tentando ensinar, mas fica ali um documento, né? Então quem compõe, né? Quem faz alguma coisa assim sabe também que às vezes isso a gente faz pelos filhos, para os filhos, às vezes literalmente falando, às vezes indiretamente falando. E nesse sentido, darling boy, né, beautiful boy, é uma cicatrização que John Lennon faz das suas feridas de criança para poder

os filhos, às vezes literalmente falando, às vezes indiretamente falando. E nesse sentido, darling boy, né, beautiful boy, é uma cicatrização que John Lennon faz das suas feridas de criança para poder agora não repetir o padrão. a ideia de que a gente não repetir, repita o abuso emocional, o abuso físico que a gente sofreu, que a gente possa romper o ciclo e estar presente, ser o presente que nossos filhos precisam, para que o amor possa se amarrar e nos amarrar à vida de uma forma não mais prision prisioneiros, mas de uma forma libertadora. amarrar pra gente poder sobrevoar quando for o momento necessário. Assim como o balão, ele precisa também dos das amarras, né? Assim como o navio precisa da âncora para não ficar a deriva e o balão também a deriva. A gente precisa dessas âncoras na vida que nos prendem a vida para poder dar voos mais altos. E o amor tem essa capacidade. E o curioso, e eu falo agora como pai, não só como espírita, não só como profissional da área da saúde mental, mas como pai e como filho, as nossas feridas elas vão eh também podendo ser cicatrizadas quando a gente rompe o ciclo, quando a gente faz diferente para com nossos filhos. Curiosamente, a gente tá cuidando não só da criança que é o nosso filho, mas cuidando da criança interna. Se não recebi um carinho, um afeto muito profundo de abraço, quando eu abraço o meu filho, eu estou abraçando a criança interior ferida. E eu estou podendo de fato mudar o ciclo para um novo momento. Eu me recordo do meu próprio pai e tem aqui a história nesse capítulo, uma figura bastante inteligente, mas meu avô uma figura muito imatura, embora muito boa, um excelente avô. Eu só tenho recordações muito boas do meu avô. Ele morava numa casa muito simples, no bairro do Montese, eh, em Fortaleza, mas era uma casa acolhedora. A gente chegava lá e a minha avó muito e era uma família pobre, né, socialmente falando, chegava lá, mas sempre tinha uma lembrança, tinha um boneco de um Rambo, sabe? tinha um carrinho, às vezes tinha um

nte chegava lá e a minha avó muito e era uma família pobre, né, socialmente falando, chegava lá, mas sempre tinha uma lembrança, tinha um boneco de um Rambo, sabe? tinha um carrinho, às vezes tinha um dinheirinho pra gente poder comprar alguma coisa conforme a gente foi crescendo. Tinha a comida de vovó simples, mas super gostosa. Tinha uma cachorrinha, uma poodlezinha que eh era a chance de eu poder ter cachorro, de brincar, né? No Montes é um bairro que passa passa aviões, então tinha um barulho constante do avião, ensurdecedor, mas apesar disso tinha muito amor, né? a água da cacimba lá atrás, um galinheiro. Então, uma um pouco do interior, né, dessa família simples. E meu avô também muito brincalhão, mas ele tinha um problema de alcoolismo, ele era dependente de álcool e era profissionalmente era garçom, então ele tinha contato com a com a bebida, né, facilmente. E tanto que ele veio a falecer com um quadro demencial por causa também do do álcool, uma demência alcoólica. E foi muito muito triste, né, o final da existência dele. Mas nesse contato com o meu pai, ele era uma figura que, embora fosse bem amorosa com os netos, com meu pai, ele não conseguia ser esse amor que a gente tá acostumado a a dar carinho. Ao contrário, às vezes ele chegava alcoolizado e brigava com o meu pai, né? Meu pai estudando para tentar vencer na vida do ponto de vista profissional. E meu avô chegava às vezes embriagado e achava que meu pai tava na farra porque tava com o olho vermelho dos estudos. Então pensava que era de cansaço e aí tinha alguma punição física. Mas o curioso é que meu pai conseguiu romper um ciclo, por exemplo, o ciclo do honrar pai e mãe. Quando eu penso assim em honrar pai e mãe, eu realmente lembro de meu pai, porque ele enquanto filho, consegue honrar o pai dele de forma assim muito eh interessante, sabe? De forma que poucas vezes eu vi. Eu nunca ouvi falando mal eh do pai dele, né? Nunca ouvi realmente eh reclamando do pai. Agora, para poder eh ser um pai mais

forma assim muito eh interessante, sabe? De forma que poucas vezes eu vi. Eu nunca ouvi falando mal eh do pai dele, né? Nunca ouvi realmente eh reclamando do pai. Agora, para poder eh ser um pai mais afetuoso, era importante, e aqui eu tô compartilhando uma um fato que já conversamos, né, aqui para ser útil para você, era importante que ele identificasse os pontos, digamos, ruins do pai, porque ele, senão, se a gente não identifica, a gente acha que o pai como um todo é 100% e a gente acaba repetindo 100% do ciclo, né? Então, se a gente identifica qual é o ponto ruim do pai, a gente pode repetir o ponto bom e não fixar e ficar fixado no ponto ruim. No que meu pai também não percebe nada e ama totalmente, ele acabou repetindo o ciclo, por exemplo, de ser pouco afetuoso. Ele não foi um pai que falava muito: "Eu te amo", um pai que abraçava, né? Não foi um pai que inclusive tinha presença física, todo esse cuidado do amor, do afeto, do tempo era de minha mãe e o meu pai era mais a figura tradicional de trabalhar, trabalhar. Então, de certa forma, esse ponto ele não conseguiu quebrar o ciclo e repete nas gerações dos filhos. E aí vem eu como pai agora e preciso identificar isso, não deshonrando, veja, não é deshonrando o papai, né? eh vendo o ponto que tava equivocado para tentar fazer diferente para que esse ponto da, digamos assim, do acareamento, né, e do cuidado especificamente possa ser rompido, coisa que ele próprio vendo o tempo, ele conseguiu ir rompendo. E aí foi muito interessante o momento em que meus filhos nascendo e aí o avô, né, para você que é avô, para você que é avó, às vezes é a oportunidade que a vida te dá para refazer o ciclo e cuidar dos netos com afeto. Você também vai cuidando com afeto, com carinho dos seus filhos, que você não conseguiu às vezes fazer no passado por uma série de motivos. Eu tô colocando um ponto específico. E aí uma vez ele queria: "Meu filho, eu quero fazer o café da manhã para você". Eu falei: "Mas não precisa não, pai". Eh,

azer no passado por uma série de motivos. Eu tô colocando um ponto específico. E aí uma vez ele queria: "Meu filho, eu quero fazer o café da manhã para você". Eu falei: "Mas não precisa não, pai". Eh, mas tava uma roda viva, eu acordando de madrugada para ficar uma parte com minha filha, no outro dia tendo que dar aula, depois tendo que atender. Então, tava fora as palestras de espírito, tava muito pesado mesmo em termo de físico, né? fisicamente falando. Eh, e aí ele quis fazer e eu não queria deixar, não queria deixar porque não tava acostumado, né, a meu pai ter esse tipo de cuidado comigo. Esse cuidado era de minha mãe. Então, eu não tava acostumado, não quis deixar. Até que uma colega falou: "Ó, pai, deixa, deixa ele demonstrar o amor dele agora dessa forma." E aí eu deixei e ele foi, fez um banquete do nada e a gente pôde conversar, né? né? Ficou muito guardada aquela conversa, aquele carinho, aquele cuidado, né? o abraço, o beijo que aconteceu. E aí depois eu fui dar aula na federal e mandei uma mensagem: "Poxa, pai, muito obrigado, foi excelente hoje, muito obrigado pela comida, pelo cuidado, pelo carinho, foi excelente." E aí ele respondeu a seguinte forma: "Meu filho, eh, eu trabalhava muito, eu tive que, enfim, por vários motivos, acabei não sendo muito presente fisicamente, não era muito carinhoso, então tudo que eu puder fazer agora para mudar, eu vou fazer." E foi o que eu vi meu pai conseguindo se aposentar. Ele trabalhava como professor de manhã, de tarde, noite, sábado. Era uma carga enorme de trabalho. E eu vi ele conseguindo se aposentar com o nascimento dos netos, os netos dando um ressignificado para ele de um outro propósito, né? E podendo eh trabalhar nele, né, esse cuidador que não foi trabalhado por causa de uma criança ferida. Então, a ideia, queridos, de mudar o ciclo, de cicatrizar, né, para que a gente possa não ficar pensando muito no amanhã, mas ficar pensando no hoje, na concretização do amor, não ficando nos pontos que estão equivocados,

dos, de mudar o ciclo, de cicatrizar, né, para que a gente possa não ficar pensando muito no amanhã, mas ficar pensando no hoje, na concretização do amor, não ficando nos pontos que estão equivocados, olhando os pontos equivocados para tentar modificar, como muito bem diz eh Allan Kardec, vou ler duas passagens. Allan Kardec, né, no capítulo 14 do Evangelho segundo o Espiritismo, tá? O item três, obviamente, há situações extremas em que alguns pais não são para os filhos o que deviam ser, mas mesmo aí não compete aos filhos qualquer tipo de retaliação. Perceber os equívocos não significa retaliar. Eu vi uma matéria que me chocou porque os filhos estão abandonando seus pais. Não é a função. Não é a função. Primeiro honrar pai e mãe. A retaliação não é a melhor maneira. Ao contrário, você cria débitos para você e tá ensinando também como não ser um bom filho para o seu filho se você tiver filho. Ao contrário, deve-se deixar as leis de Deus o desenrolar das tramas. Os que encarnam, continua Allan Kardec no capítulo 14, versículo 8, os que encarnam numa família, sobretudo como parente próximo, são as mais das vezes espíritos simpáticos, ligado por anteriores relações que se expressam por uma afeição recíproca na vida terrena. Mas também pode acontecer, sejam completamente estranho uns aos outros desses espíritos, afastados entre si por antipatias igualmente anteriores, que se traduzem na Terra por um mútuo antagonismo que a ele serve de provação. Essa relação de pais e filhos, né, pais e mães no lato senso, é uma relação extremamente importante. Allan Kardec vai dizer que é uma missão. Se você é pai, se você é mãe, abraça essa missão enxergando essa perspectiva da tua criança ferida, enxergando os pontos que foram equivocados, sem ficar presos neles e tentando fazer algo diferente, sem retaliação e sem abandono, honrando teu pai e tua mãe, porque também vai ensinando a teus filhos como ser um pai, como como ser um filho, como ser uma filha. Eu aprendi de certa forma como

erente, sem retaliação e sem abandono, honrando teu pai e tua mãe, porque também vai ensinando a teus filhos como ser um pai, como como ser um filho, como ser uma filha. Eu aprendi de certa forma como ser um filho com meu pai. sendo filho eh do meu avô, mas preciso ver os equívocos para não repeti-los 100% e tentar fazer um novo ciclo amoroso. Se você é filho, não se esconda nos erros, nos equívocos dos seus pais, porque afinal são crianças como você, né? É preciso amar as pessoas, os pais, os filhos, como se não houvesse amanhã. Porque se a gente parar para pensar, o amanhã só existe a partir do hoje. Então, amanhã só há se eu amar muito bem o que eu posso amar dias de hoje. Que a gente possa então refazer a mensagem, a figura e agora como John Lennon, abraçar a criança interna e dizer: "Beautiful boy, garoto bonito, garota bonita, durma em paz, sigamos em paz. Até a próxima.

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