#44 • Jesus e Saúde Mental • A viúva de Naim e o trabalho da compaixão

Mansão do Caminho 15/08/2023 (há 2 anos) 34:29 3,699 visualizações 605 curtidas

WEBSÉRIE • Jesus e Saúde Mental » Episódio 44: A viúva de Naim e o trabalho da compaixão » Apresentação: Leonardo Machado

Transcrição

Muito boa noite. Sobre o Evangelho de Mateus, Ernest Renan escreve que foi o mais importante livro jamais escrito. Sobre o evangelho de Lucas, o mesmo autor escreve que este livro foi o mais belo livro jamais escrito. E a vida de Lucas, a obra de Lucas, o Evangelho de Lucas, o ato dos apóstolos também atribuído a Lucas, é uma um caso a parte do ponto de vista de análise. Por isso que hoje a gente quer se debruçar sobre uma das passagens que nós encontramos exclusivamente no Evangelho escrito por Lucas, que é a cura, né, do filho, né, a ressuscitação, digamos assim, do livro da viúva de Naim. Então fica comigo para que a gente possa se debruçar sobre essa passagem e os desdobramentos em relação à compaixão. Quando nós analisamos os evangelhos de Jesus, nós podemos fazer muitas considerações e muitas considerações teológicas, históricas, geográficas. No entanto, aqui nesta série, nós pegamos alguma dessas informações que sejam úteis para contextualizar, mas o objetivo principal não é uma análise eh do evangelho em si, teologicamente falando, historicamente falando, mas pegar essas passagens para que a gente possa fazer eh análises junto com a doutrina espírita para a nossa saúde mental. Nesse sentido, a gente pode escrever muito ou falar muito sobre o evangelho de Lucas. Falar, por exemplo, que ele é um dos evangelhos sinóticos, ou seja, os evangelhos que fazem uma sinopse da vida de Jesus. E eles são chamados assim porque são evangelhos que, de uma certa forma, trazem narrativas de passagens parecidas. Você encontra uma certa intercambialidade eh entre esses evangelhos. Esses evangelhos sinódticos são considerados o evangelho de Marcos, de Mateus e de Lucas. Provavelmente tiveram como base eh comum um esqueleto da narrativa trazida por Marcos, mas cada um vai trazendo também as suas perspectivas. E nós temos o Evangelho de João, que não é considerado um evangelho sinótico, porque traz uma passagem, eh, passagens muito específicas, né? é até considerado por muitos o evangelho mais místico,

vas. E nós temos o Evangelho de João, que não é considerado um evangelho sinótico, porque traz uma passagem, eh, passagens muito específicas, né? é até considerado por muitos o evangelho mais místico, porque é como se trouxesse ou se eh debruçasse em passagens eh de conteúdo mais espiritual, né, e algumas questões que só ele traz no campo da narrativa, né? Por exemplo, o fato de Jesus ter ido mais de uma vez a Jerusalém, a gente encontra no Evangelho de João, né? No evangelho de Lucas, o que chama atenção, primeiro é uma certa eh erudição poética na escrita. O que a gente pode entender também pelo fato de ele ter sido um profissional que estudou, né? Ele teve uma formação de estudos a partir de seus pais, né, a partir de contato que teve em suas vidas. Há um livro famoso, né? O Evangelho eh de um médico, né? O Evangelho de Lucas, que traz a narrativa histórica, misturando com o sabor também eh de alguma coisa ficcional que a autora traz, mas se baseando muito na história e narrando a história bonita da vida de Lucas. Então, Lucas, o médico, tinha um contato com a erudição e isso é percebido, né, no evangelho que ele traz e também no ato dos apóstolos, que é atribuído também a ele. É a Lucas, que se atribui também a perspectiva do nome cristão, já que eram seguidores do Cristo. Então, portanto, cristãos. E o uma outra marca, talvez por isso Ernesto Renan traz, que foi o mais belo livro jamais escrito, é também uma marca eh do cuidado com o ser humano. E há algumas passagens, apesar de ser um evangelho sinóptico, que faz uma síntese muito parecida com o que a gente encontra na narrativa de Marcos, na narrativa eh de João, de Mateus, traz algumas passagens mais específicas, né, que a gente só encontra nele. E essa que a gente quer analisar hoje rapidamente, a o retorno à vida de um filho da viúva de Naim, a gente só encontra nele. Nos fala também da questão muito humana, por exemplo, da compaixão, o cuidado. É muito provável que Lucas, pelo contato próximo que tinha com

da de um filho da viúva de Naim, a gente só encontra nele. Nos fala também da questão muito humana, por exemplo, da compaixão, o cuidado. É muito provável que Lucas, pelo contato próximo que tinha com Paulo, tenha escrito o seu evangelho também muito inspirado, né, pelo contato que teve das narrativas que Paulo contava. Porque tanto Lucas quanto Marcos, eles não foram testemunhas oculares eh de Jesus. Eles não foram contemporâneos, não viveram, não seguiram Jesus, né? não conheceram Jesus diretamente. Então, a a o contato que tiveram foi a partir dos discípulos. Só que segundo a narrativa, né, eh, por exemplo, de a gente encontra em Paulo e Estevon, de Marcos sendo muito influenciado por Pedro, a gente encontra Lucas sendo muito influenciado por por Paulo, mas também pelo próprio Evangelho de Marcos, que foi anterior. Então, há uma uma espinha dorsal, um esqueleto eh de referência ali das narrativas. Mas também Lucas, ele sai eh a entrevistar, a conversar com várias testemunhas oculares. Então, é muito provável que não seja um livro diretamente apenas influenciado por Paulo, mas sim por várias testemunhas oculares, várias pessoas que testemunharam a vida de Jesus. E talvez por isso a gente encontre algumas passagens que nós não encontramos nos outros Evangelhos sinóticos, apesar de no conjunto eh ele ele ele vir com uma harmonia muito grande em termos de passagens que são contadas com o Evangelho de Mateus e com o Evangelho de Marcos. O evangelho de Lucas que a gente abre hoje, a gente quer abrir no capítulo 7, no a partir do versículo 11. E eu vou ler então a passagem para que a gente possa depois se debruçar. Pouco depois, Jesus seguiu eh viagem para uma cidade chamada Naim. E iam com ele seus discípulos e uma grande multidão. Quando chegou perto da porta da cidade, eles eh eis que levavam para fora um defunto que era um filho único mãe que era viúva. Então vou frisar. era uma mulher viúva, portanto já estava com um emlutamento pela própria viúvez e só tinha um filho. E naquele momento ela

a fora um defunto que era um filho único mãe que era viúva. Então vou frisar. era uma mulher viúva, portanto já estava com um emlutamento pela própria viúvez e só tinha um filho. E naquele momento ela estava num outro luto, que era o luto de um filho, ou seja, uma dor muito grande. Com ela, uma grande multidão eh ia saía da cidade. Logo que o Senhor a viu, encheu-se de compaixão por ela e disse-lhe: "Não chores". Então, chegando-se perto, tocou no esquif, eh, e quando pararam eh os que eu levavam, disse: "Moço, a ti te digo, levanta-te". O que estivera morto sentou-se e começou a falar. Então Jesus entregou a sua mãe. O medo se apoderou de todos e glorificaram a Deus, dizendo: "Um grande profeta se levantou entre nós e Deus visitou o seu povo." E a partir disso, já estamos agora no versículo 17, correu a notícia por toda a Judeia, né? E por toda a região circulvez vizinha. E aí o capítulo começa a se desdobrar na questão de João, o Batista. Ora, os discípulos de João anunciaram-lhe todas estas coisas e João, chamando a dois deles, João já estava ali eh no encarceramento, no cárcere, enviou-os ao Senhor, né, esses discípulos diretamente de João, para que perguntassem para Jesus: "És tu aquele que havia de vir? ou havemos de esperar um outro. Quando aqueles homens, discípulos de João, chegaram junto de Jesus e e falou e falaram então da pergunta: "És tu aquele que havia de vir ou temos que esperar por outro?" Jesus naquela mesma hora curou a muitos de doenças, de moléstias e de espíritos malignos e deu vista a muitos cegos. E depois de fazer essas enormes curas, ele respondeu: "Ide e contai a João o que tendes visto e ouvido. Os cegos vem, os coxos andam, os leprosos são purificados e os surdos ouvem, os mortos são ressuscitados e aos pobres é anunciada anunciado o o Evangelho. E bem-aventurado aquele que não se escandalizar de mim. E tendo se retirado os mensageiros de João, Jesus começou a dizer as multidões a respeito de João. Eh, e aí começa uma uma outra parte, né, que é a parte

nturado aquele que não se escandalizar de mim. E tendo se retirado os mensageiros de João, Jesus começou a dizer as multidões a respeito de João. Eh, e aí começa uma uma outra parte, né, que é a parte do contato dele com João. Eh, Jesus começou a dizer a multidão a respeito de João. Que que saísse a ver no deserto? um caniço agitado pelo vento. Mas que saístes a ver o homem trajado de vestes luxuosas? Eis que aqueles que trajam roupas preciosas e vivem delícias estão nos passos reais. Mas que saístes a ver um profeta? Sim, vos digo, e muito mais do que profeta. Então Jesus faz um enaltecimento, né, em relação à à tarefa de João, ao papel de João, né, e faz essa comparação em relação àqueles que estavam eh nas facilidades e mostrando uma um paradoxo da daqueles que assumem muitas vezes papéis, não necessariamente papéis de relevância espiritual, não necessariamente estão na opulência. da vida. E ele dá o exemplo de João. Este é aquele de quem está escrito: "Eis aí eh envio ante a tua face o meu mensageiro que há de preparar adiante de ti o teu caminho." Então ele mais uma vez anuncia a importância de João como um preparador, como mensageiro. Pois eu vos digo, entre os nascidos de mulher não há nenhum maior do que João, mas aquele que é menor no reino de Deus é maior do que ele. E a todo o povo que ouviu e até os publicanos reconhecerem a justiça de Deus, recebendo o batismo de João. Mas os fariseus e os doutores da lei rejeitaram o conselho de Deus contra si mesmos, não sendo batizados por ele. A que pois compararei os homens dessas gerações a que são semelhantes? E aí vem Jesus com uma pequena história. São semelhantes a crianças, a meninos que sentados na praça, gritam uns para os outros: "Tocamos-vos flauta e não dançastes. Contamos lamentações e não chorastes. Porquanto veio João, o Batista, não comendo pão, nem bebendo vinho, dizeis: "Tem demônio." Veio aqui o filho do homem comendo e bebendo, e dizeis: "Eis aí um comelão e bebedor de vinho, amigo de publicanos e

to veio João, o Batista, não comendo pão, nem bebendo vinho, dizeis: "Tem demônio." Veio aqui o filho do homem comendo e bebendo, e dizeis: "Eis aí um comelão e bebedor de vinho, amigo de publicanos e pecadores, mas a sabedoria é justificada por todos os seus filhos". Então, é interessante a gente pensar primeiro na viúva de Naim, né? era uma viúva que estava eh ali sepultando o filho único. E aí eu acho que é um ponto histórico interessante, por que eles estão saindo da cidade? Porque o sepultamento em geral não era dentro da cidade, porque as pessoas também não podiam ficar eh tocando com no defunto, porque isso traria uma certa impureza. Então, em geral, os sepultamentos aconteciam fora da cidade, geralmente nas cavernas, tá? E aí por isso que Jesus vai chegando e as pessoas estão saindo da cidade para o sepultamento. Mas chama atenção a dor. Eh, alguns senoradores vão dizer que a lamenta tem aqui por escrito, que eu acho bonita essa frase, a lamentação de uma viúva pelo seu filho único é o caso extremo de aflição, porque é uma dupla dor. Ela já tá na dor da melancolia, da perda. tem um filho único e há uma perda de um filho único. Se a gente pensasse assim, a perda de um filho único já é uma dor muito grande. A perda de um filho já é uma dor muito grande. Um filho único parece que a dor é é ainda maior. E quem tem contato com essas situações percebe isso. E se for é de alguém que não tem é, né, esse amparo um do outro, porque a vivez dá uma sensação também de desamparo, do luto. É uma um momento de solidão que precisa ou não ser reconstruído, mas precisa ser trabalhado. Então é uma dor tripla. E por isso que e esse teólogo vai dizer que a dor do filho da viúva, né, a dor da perda de um filho único de uma viúva é o exemplo extremo de aflição. É importante a gente enaltecer isso para entender logo depois o versículo. Jesus se encheu de compaixão. E a partir disso, o que é que ele faz? Primeiro, tocar no defunto era algo meio proibido, porque deixava a pessoa eh não purificada, era meio sujo. E

depois o versículo. Jesus se encheu de compaixão. E a partir disso, o que é que ele faz? Primeiro, tocar no defunto era algo meio proibido, porque deixava a pessoa eh não purificada, era meio sujo. E Jesus faz isso, né? Ele toca o esquife. O esquife é a preparação do corpo, né? E não é uma preparação do corpo tão suntuosa quanto os egípcios faziam, né? Então você tinha ali um sudário que cobria a pessoa. Eh, e Jesus mostra mais uma vez a relativização de algumas tradições. ele para poder eh diminuir a dor da mulher, ele para curar a dor da mulher com o seu poder, ele não fica preso aos convencionalismos, por mais, digamos, eh, por mais e eh saudáveis que aparentemente o sejam, porque não era uma questão, digamos, por maldade que fazia isso, né? era uma cultura, assim como a cultura de não fazer algumas obras eh em algum dia da semana, mas ele quer sair do convencionalismo e mostra assim: "Olha, a convenção cultural ela pode ter o seu valor muito benéfico para as pessoas, mas nós não devemos ficar presas a presos a ela se a gente precisar fazer algo de bem, algo de melhor." Então a gente é como se fizesse uma balança, tudo bem, a cultura nos fala isso, mas eu preciso fazer essa outra coisa e essa outra coisa tem um benefício muito grande para as pessoas em geral. Então eu não devo ficar limitado pelas restrições culturais. Eu preciso transcender, avançar, superar, trazer um novo entendimento que possa, eh, digamos assim, não necessariamente escandalizar a cultura, mas transcender a cultura. Daí que ele fala: "E, eu vim eh não destruir a lei, mas eu vim retificá-la ou confirmá-la". Ou seja, ela ele veio trazer um novo olhar. Não é uma escandalização por uma por uma escandalização, não é um não apenas por uma oposição, né? É um não para trazer algo mais profundo. Como esse ensinamento, olha, eh, as pessoas não tocam no defunto, não tocam na esquif. Tudo bem? Eh, a gente for pensar, tem até uma questão com o tempo aí de higiene, né, em que a gente vai aprendendo com

esse ensinamento, olha, eh, as pessoas não tocam no defunto, não tocam na esquif. Tudo bem? Eh, a gente for pensar, tem até uma questão com o tempo aí de higiene, né, em que a gente vai aprendendo com com a medicina, porque havia um aumento quando a medicina começou a a crescer, né, em que, por exemplo, você, os primeiros anatomistas, eles tinham os corpos, né, primeiro que não podiam ter os corpos, era meio que proibido estudar o corpo corpo humano e eles precisavam meio que burlar a regra. Então eles pegavam os corpos às vezes da com algum tipo de de contato com os cveiros e tudo, mas levavam os corpos para dentro das suas casas e faziam a dissecção da anatomia humana sem proteção nenhuma. Então imagine a quantidade de bactérias, de infecções, a próprias cirurgias iniciais não tinham toda a asepsia. É por isso que quando você lê assim sobre as maiores invenções da medicina, você vê a questão da higienização das mãos, coisa básica, porque naquela época não havia ideia de que a maior parte das doenças, das transmissões, era a partir da mão e da falta de higiene. Então, assim, é uma questão eh sanitária também, né, muito útil. No entanto, às vezes, para transcender uma questão sanitária, a gente tem que ir ao encontro da dor, literalmente. E é isso que Jesus faz. Toca no corpo e vai e fala pra mulher: "Não chores" e devolve o filho com vida depois de ter ordenado que ele se levantasse para a mulher. O que eu acho interessante e que tem chamado a atenção das pessoas que analisam essa passagem, diferentemente de várias outras curas, diferentemente de várias outras situações em que Jesus vai atribuir a fé da pessoa a cura, vai, a tua fé te curou, dizia ele. Nesse momento é a ele próprio, é a compaixão, é ele próprio tomado por compaixão que faz. Então veja, encheu-se de compaixão por ela e disse-lhe: "Não chores". Tocou no esquif, ordenou que o moço se levantasse e devolveu o moço à sua mãe. Ou seja, diminuiu a dor, curou a dor eh do luto que ela tava sentindo, porque

ompaixão por ela e disse-lhe: "Não chores". Tocou no esquif, ordenou que o moço se levantasse e devolveu o moço à sua mãe. Ou seja, diminuiu a dor, curou a dor eh do luto que ela tava sentindo, porque traz a vida aquele jovem. Então, veja a dor que aquela mulher sentia, né? Caracterizado por essa personagem. Ou seja, viuvez, filho único que morre, toca profundamente a intimidade de Jesus, ele fica tomado por compaixão. E aí a ideia de que sim, o outro precisa estar aberto na fé para receber o benefício, mas nós também podemos fazer muitas coisas quando somos tocados por compaixão, porque a compaixão é uma emoção profunda, um desdobramento do amor, portanto, que nos leva a alguma ação. A compaixão é mais do que a empatia. A empatia leva a um entendimento e a uma emoção. Se a empatia ela é madura, né, ela tá bem eh alinhada, ela leva a um entendimento e a um sentimento. Mas a empatia por si só não leva a uma ação. A compaixão é a empatia aprofundada, é a empatia melhorada. Por quê? Porque ela leva a uma ação e a uma ação construtiva, a uma ação de amor, a uma ação que sana alguma coisa, que diminui alguma dor. Então, a compaixão é acionada em nós a partir do sofrimento e nos leva a uma ação de diminuir ou de tentar diminuir este sofrimento. E quando nós somos tocados pela compaixão, nós podemos fazer a coisas incríveis. Quando somos mobilizados pela compaixão, nós podemos fazer coisas extraordinárias. E talvez essa seja uma mensagem profunda de Lucas, que era médico. E como médico ele sabia o valor da compaixão. Porque na ofício da medicina, no ofício de tentar levar algum consolo, alguma ajuda ao próximo, nós somos levados a ter contato direto com esse sentimento de compaixão. E não é à toa que um médico evangelista é o único que escreve dessa cura na viúva, da viúva, né, de Naim, ou seja, a ressuscitação do filho da viúva de Naim. Porque talvez ele, enquanto médico, sabia do valor profundo da compaixão para a vida das pessoas. Nesse momento não está em jogo a fé que

, de Naim, ou seja, a ressuscitação do filho da viúva de Naim. Porque talvez ele, enquanto médico, sabia do valor profundo da compaixão para a vida das pessoas. Nesse momento não está em jogo a fé que a mulher tinha, a entrega que a viúva tinha, que provavelmente era muita, que a possibilitou ter o mérito desse momento. Neste nessa passagem, o que está em jogo é a compaixão que Jesus sentiu e mais uma vez o poder que Jesus tinha. Talvez Lucas tenha tido a intenção de enaltecer dois poderes. Primeiro, o poder e a legitimidade do poder de Jesus, não só para dentro do judaísmo, mas para a humanidade como um todo. Jesus como sendo, portanto, o Cristo que veio para o mundo inteiro. E isso faz muito sentido quando a gente percebe historicamente, segundo as análises, que ele faz uma genealogia de Jesus até os primórdios de Adão, ou seja, Jesus como sendo o Cristo que veio para todos, como também a possibilidade dele ter escrito como uma forma de legitimar para as autoridades eh romanas, né, para as autoridades, para além do judaísmo, que essa comunidade cristã tinha uma lei legitimidade, talvez também pelo contato que ele teve com Paulo e essa ideia de levar o cristianismo para eh os gentios também e a a intimidade que ele teve com várias pessoas ao coletar as histórias. Mas o outro poder que me parece bem eh palpável, bem factível, quando Lucas narra eh essa ressuscitação do filho da viúva de Naim, é o poder da compaixão, o poder do Cristo legítimo para a humanidade, o poder da compaixão do Cristo, ou seja, o poder de Jesus para conosco. A ideia de que sim, as curas são obtidas quando tua fé te curou, ou seja, a tua fé, a nossa fé possibilita a abertura do terreno. Mas além disso, ele próprio Jesus é um centro emissor de muita potência, de muita energia, de muita vitalidade. E aí Lucas enfatiza, né, nessa passagem, não a questão da fé da viúva, mas a questão do poder de Jesus. Então é um duplo poder enfatizado por Lucas. E um terceiro poder que talvez seja uma questão mais genérica, que é o

, né, nessa passagem, não a questão da fé da viúva, mas a questão do poder de Jesus. Então é um duplo poder enfatizado por Lucas. E um terceiro poder que talvez seja uma questão mais genérica, que é o poder da compaixão em si. Nós, a semelhança crística, segundo o Evangelho de Lucas e segundo as bem-aventuranças, evangelho de Mateus e as bem-aventuranças, nós somos, né, eh, de origem crística, nós temos uma origem divina. Temos, portanto, um poder muito maior do que nós eh sabemos. E esse poder é acionado quando a compaixão é acionada em nós. Quando a compaixão ativa o amor dentro de nós para com a humanidade, essa compaixão nos faz, nos mobiliza uma potência, nos mobiliza uma vitalidade. E aí o duplo poder da compaixão, que faz com que a gente perceba o outro, mas também perceba a si mesmo. A compaixão, ela tem esse movimento maduro que os teóricos, né, falam também de autocompaixão. A compaixão, ela já tem uma uma maturidade em si. Quando a gente é mobilizado pela compaixão com o outro, naturalmente a gente é mobilizado por uma compaixão para conosco, o que a gente chama de autocompaixão. E por que disso? Porque a compaixão é fruta direta do amor. É fruto direto do amor. E o amor na sua maturidade, na sua inteireza, ele é um amor ao próximo como a si mesmo. Então, ao mesmo tempo que a gente ama e faz uma ação amorosa para o outro, quando estamos num amor maduro, a gente também faz uma ação amorosa para conosco. E aí vem o complemento quando eh João, né, e os discípulos vão contar a a João, porque aí nesse momento João já estava no cárcere. E é bem interessante que existiam ainda os discípulos de João, né, aqueles que seguiam diretamente João. Eh, e é interessante que há esse diálogo, porque primeiro não é que João não soubesse da, digamos assim, da do papel crístico de Jesus, mas ele estava no cárcere, né, sobre os tormentos, né, do cárcere. E natural que ele sendo o mais nobre dos homens nascido de mulher, ou seja, dos homens dos seres humanos que não são o Cristo, é natural que ele vacile na

cere, né, sobre os tormentos, né, do cárcere. E natural que ele sendo o mais nobre dos homens nascido de mulher, ou seja, dos homens dos seres humanos que não são o Cristo, é natural que ele vacile na dúvida em algum momento, tenha dúvida, se questione. E aí ele manda uma mensagem para Jesus para reafirmar, para como se tivesse assim mais certeza ainda desse papel crístico de Jesus, mostrando a humildade, né, e a humanidade de João Batista e a humildade de eh, digamos assim, de não ficar soberbo na certeza, porque às vezes a certeza nos dá uma soberba. Então ele vai lá e pergunta mais uma vez, e essa humildade de João Batista reafirmada aqui, ou seja, na possibilidade de aceitar que duvida, aceitar que na dor ele fica em questionamento, ou seja, a dor gera um questionamento e ele não fica na soberba da negação porque ele não tá com aquela resposta racional na cabeça dele. Ele vai lá e humildemente pede para perguntarem a a Jesus se ele é ele mesmo, né? Ou seja, aquele que há de vir ou a gente deve esperar um outro. Olha, uma postura humilde, porque quando a gente tá com dor, eh, e sem respostas, né, claras na nossa cabeça, às vezes de uma forma vaidosa, a gente cai numa negação destrutiva de uma revolta, não deixa de ser uma manifestação da vaidade. E ele então faz uma manifestação da humildade, que é pedir para perguntar de novo, né? E Jesus então reafirma eh o seu papel através dos atos, através de atos compassivos, de atos de cura, através de dos dos famosos milagres, digamos assim, que Lucas enumera, vários e alguns deles só Lucas enumera, inclusive esse da viúva de Naim. E depois, eh, João, eh, Jesus enaltece mais uma vez a figura de João Batista e faz uma comparação. Olha, é como se vocês fossem crianças, porque quando pediram um tipo de música, ou seja, a vida que João possibilitou os discípulos terem, né? Ou seja, essa vida de entrega no deserto, um certo aceticismo, eh, vocês não escutaram, mas também agora essa outra vida ou essa outra canção, ou seja, quer

João possibilitou os discípulos terem, né? Ou seja, essa vida de entrega no deserto, um certo aceticismo, eh, vocês não escutaram, mas também agora essa outra vida ou essa outra canção, ou seja, quer seja uma canção de lamentação, quer seja uma canção de alegria, vocês enquanto crianças ignoram, negam, se chateiam, não escutam a mensagem do céu, não. Então não importa muito o tipo da música e importa sim que vocês tenham os ouvidos de ouvir. Mas aí enaltecendo aqui a humildade de João, eu remeto à compaixão. Porque uma das premícias da compaixão é o quê? É a humanidade compartilhada. Quando nós somos mobilizados pelo amor, quando nós somos mobilizados pela compaixão, quando nós somos mobilizados pelo amor compassivo, automaticamente nós temos uma visão de humanidade compartilhada. Ou seja, a dor do outro pode ser uma dor minha. Por isso, a dor do outro não merece julgamento negativo e sim acolhimento. Assim como a minha dor não merece um julgamento eh negativo e sim acolhimento, a dor do outro também. Então, a compaixão, o amor faz com que a gente se olhe de uma forma mais horizontal, sem a soberba de nos acharmos melhores. E aí eu estou ajudando você porque eu sou melhor do que você. Você é um perturbado e eu sou melhor. Não. A sua dor é a minha. A sua dor pode também ser a minha. A sua queda também pode ser a minha. Ou seja, a o amor e a compaixão nos dá uma horizontalidade de olhar. O sofrimento nos possibilita também isso, uma horizontalidade de olhar, mas não mais um sofrimento revoltado que olha assim que todo mundo, digamos assim, não presta ou que a a vida é só dor e sofrimento e sim uma horizontalidade esperançosa. Porque no que eu faço algo de bom, algo que seja curativo para mim e para o outro, eu estou criando esperança a partir das minhas ações hoje e não apenas a partir de uma expectativa no futuro. Então, me parece muito profundo essa mensagem da viúva de Naim, desse fato ocorrido de Naim e de Jesus fazer essa cura, essa, na verdade, essa ressuscitação, né? Trazer de volta a

pectativa no futuro. Então, me parece muito profundo essa mensagem da viúva de Naim, desse fato ocorrido de Naim e de Jesus fazer essa cura, essa, na verdade, essa ressuscitação, né? Trazer de volta a vida, mostrando todo o seu poder oriundo da compaixão, da profunda compaixão que ele tem para conosco, para com as nossas dores, para com as nossas nossos sofrimentos. da profunda amorosidade que ele tem para com a humanidade. E se nós pudéssemos ser um pouco mais mobilizados por ações compassivas, nós estaremos também realizando um pouco do Cristo em nós, da vida crística na humanidade. Por isso que essa mensagem de Lucas é profundamente pertinente e importante para nossas vidas, porque todos precisamos do amor, todos precisamos da compaixão, todos precisamos do amor compassivo.

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