Mediunidade e Transtornos Mentais (Palestra 3) - Dia 1 | 3º Encontro Nacional da Área da Mediunidade
3º Encontro Nacional da Área da Mediunidade — “A mediunidade além do fenômeno” Local: Recanto Lins de Vasconcellos (Campo Largo/PR) Data: 12 a 14 de setembro 🎤 Palestra Título: Mediunidade e Transtornos Mentais (Palestra 3 - Sexta-feira) Palestrante: Thiago Aguiar Este vídeo faz parte do 3º Encontro Nacional da Área da Mediunidade, que reuniu lideranças espíritas de todo o Brasil para integração, reflexão e convivência fraterna. A programação contou com palestras, rodas de conversa e oficin...
Agora o desafio é tentar falar depois dessa música, né? Nossa Senhora. Bem, enquanto a emoção vai se organizando, eu gostaria, na verdade, de agradecer imensamente o convite, o convite para falar aqui no evento, no terceiro encontro nacional da área da mediunidade. Eu estive presente no primeiro encontro no Rio de Janeiro, na sede da FEB, e foi um momento, se eu não me engano, foi em 2011 e foi um momento muito feliz, assim, de muito congraçamento e sempre é um momento muito bonito quando nós estamos todos reunidos de norte a sul do país, dando-nos essa ideia de fortalecimento, né, respirando entre pessoas, entre compan companheiros e irmãos que comungam dos mesmos valores, enfrentam desafios sempre semelhantes. Então, eu gostaria de fazer essa esse agradecimento à FEB e a Federação Espírita do Paraná pela acolhida, sempre muito queridos, sempre uma acolhida muito fraterna. Bem, hoje coube a mim falar sobre mediunidade e transtornos mentais. Esse tema é um tema que eu diria muito interessante. é um tema muitas vezes que necessita de idas e vindas, ampliações de determinados conceitos, mas ao mesmo tempo nós precisávamos, nós precisamos na verdade fazer algumas delimitações, porque também é um tema que abarca um grande número de pontos importantes a serem colocados. Então, hoje nós vamos eh atentar as questões que envolvem especificamente a mediunidade, o transtorno mental, como tentar diferenciar esses padrões, como nós podemos entender esses padrões e algumas ah alguns desdobramentos a partir dessas reflexões, dessa interseção entre os fenômenos psíquicos que envolvem a faculdade mediúnica, o sentido mediúnico, como Jacobson disse hoje pela manhã, e o que faz referência à psicopatologia, os sintomas psiquiátricos, as questões de ordem mental propriamente ditas. Eu gostaria de começar falando sobre dois cliques. Não é para baixo, para cima, pro lado, né? Não tá indo. >> Agora foi. Eu gostaria, na verdade, de trazer pra gente começar essa reflexão de hoje, eh, um conhecedor da ciência e da religião,
s cliques. Não é para baixo, para cima, pro lado, né? Não tá indo. >> Agora foi. Eu gostaria, na verdade, de trazer pra gente começar essa reflexão de hoje, eh, um conhecedor da ciência e da religião, um pesquisador chamado Peter Harrison, que lançou um livro no ano passado que o título em inglês em português seria Algum Novo. E eu achei muito interessante trazer esse essa citação, essa colocação dele, porque ele vai nos falar a respeito dos aspectos que envolvem a razão, a ciência e a religião. E intrigantemente, curiosamente, na verdade, ele vem nos dizer que não há uma dicotomia entre o pensamento científico e o pensamento religioso, que na verdade isso se deu no final do século XIX, início do século XX, mas que não há uma diferença exata entre o pensamento natural fisicalista da ciência e o pensamento dito sobrenatural ou espiritual que está na religião. Ele vai dizer que, na verdade, a ideia de que a modernidade rompeu com uma fé supersticiosa e adotou um racionalismo desinteressado na religião foi um mito construído. E por ter sido construído nesse período, ao final do século XIX, os cientistas e outros que vieram a partir de então passaram a crer nesse posicionamento, que apesar de hoje nós entendermos que a ciência ela está numa perspectiva de se considerar natural, eh muitos do seu dos seus pressupostos, por exemplo, ainda estão mergul ulhados na religião, como, por exemplo, a concepção de que o universo é um espaço organizado e compreensível. Então, esses pressupostos, por exemplo, segundo esse pensador, são pressupostos teístas. E as fotos aí do James Web estão para provar que o universo não tem nada de compreensível da forma como se está posto, né? E ele então coloca, como eu disse antes, que não existia no pensamento pré-moderno essa relação ou essa oposição entre o que é natural e o que é sobrenatural. Para nos dizer que quando nós adentramos os aspectos da ciência e da religião, nós não podemos cometer erros de estarmos nos extremos. Nós precisamos entender, conceber esses
l e o que é sobrenatural. Para nos dizer que quando nós adentramos os aspectos da ciência e da religião, nós não podemos cometer erros de estarmos nos extremos. Nós precisamos entender, conceber esses conceitos com uma mente mais aberta, mais disposta a encontrar as causas dos problemas, sejam eles quais forem. Muitos cientistas ocorrem nos mesmos erros que os religiosos quando estão nesses extremos do pensamento. Então nós é comum nós eh encontrarmos essas posições em que os para os cientistas tudo é orgânico, tudo é biológico, tudo é físico e nada é espiritual. E para os religiosos, nada é biológico, nada é orgânico, tudo é espiritual. Então, a gente aqui hoje vai discutir na tentativa de encontrar os perfis e as melhores abordagens para entender esse meio termo. E aí eu começo com a com esse com o item 221 do livro dos médiuns, em que Allan Kardec pergunta nesse item sobre a influência do exercício da mediunidade sobre o cérebro, se a mediunidade poderia produzir então a loucura. E o que os espíritos respondem é de que não. E eles são categóricos em dizer que não mais do que qualquer coisa. Desde que não haja predisposição para isso, em virtude da fraqueza cerebral, a mediunidade não produzirá a loucura se esta em estado rudimentar. Como o livro dos médiuns eh é um escrito de 1859 e de lá até aqui muito já se avançou em termos de saúde mental, hoje, por exemplo, eh o termo loucura já não é mais utilizado e ele é substituído, então por transtorno mental. E o que ele tá dizendo, então, é que se não houver predisposição para algum transtorno mental, ele não vai ser produzido a partir do exercício da mediunidade. Mas o que é exatamente transtorno mental? Vamos então seguir para que a gente possa ir caminhando conceito a conceito para construir essa compreensão. Então, o transtorno mental é uma síndrome, é um conjunto de sintomas ou uma condição que tem como principal característica a perda ou o prejuízo da função do indivíduo. Aqui a gente tem uma um conceito mais comprido, mais amplo, que fala
rome, é um conjunto de sintomas ou uma condição que tem como principal característica a perda ou o prejuízo da função do indivíduo. Aqui a gente tem uma um conceito mais comprido, mais amplo, que fala sobre uma perturbação significativa que pode ser da cognição das emoções ou do comportamento do indivíduo. Mas todas as vezes que nós falarmos transtorno, eu quero que vocês eh compreendam que nós estamos falando sobre a deterioração da funcionalidade. E o que que exatamente isso quer dizer? Quando nós temos uma condição qualquer que afeta a nossa vida em determinada área, então os transtornos mentais eles podem ser eles podem afetar, por exemplo, eh a nossa área profissional, a nossa área pessoal, pode trazer prejuízos pra nossa pra nossa área acadêmica, não é? paraa nossa área escolar. Enfim, esses são alguns dos prejuízos que um transtorno pode pode trazer. E além deles, eh, o sofrimento psíquico significativo também é uma outra característica. Então, quando nós nos referimos à palavra, quando nós chamamos uma doença mental, digamos assim, de transtorno, nós já estamos utilizando um novo paradigma. Porque o transtorno é uma condição comportamental, sobretudo que não pode ser diagnosticada como uma fratura de um osso, por exemplo, ou uma pneumonia, não é? Quando nós adoecemos e a gente vai a um pronto socorro e tem suspeita, por exemplo, de uma infecção respiratória, o médico vai pedir um exame de imagem, um raio X, uma tomografia e você vai ver naquela imagem se existe alguma condição que esteja afetando o seu pulmão. Por exemplo, o transtorno não depende de qualquer um desses exames para que haja o diagnóstico. Ele ele é uma alteração da funcionalidade, ele é uma alteração do comportamento. E os exames atuais eles não têm condições, por exemplo, de fotografar essas alterações que são psíquicas e não necessariamente físicas. Os exames, caso sejam solicitados, são para descartar outras condições do que propriamente para diagnosticar as suspeitas, não é, ou as hipóteses que
s que são psíquicas e não necessariamente físicas. Os exames, caso sejam solicitados, são para descartar outras condições do que propriamente para diagnosticar as suspeitas, não é, ou as hipóteses que são levantadas. Então, guardem que transtorno mental tem a ver com sofrimento psíquico, sofrimento psíquico significativo e perda ou prejuízo da funcionalidade. Mas quando nós queremos caminhar, tatear ali pela pelos fenômenos psíquicos mediúnicos, por exemplo, há três principais pontos da psicopatologia que nós separamos para conversar hoje, que tem exatamente a ver com as alterações ah ditas da mediunidade. Hoje, o que nós eh nós chamamos esses fenômenos relacionados à mediunidade eh de experiências espirituais. E para diferenciá-las, nós nós chamamos de experiências espirituais não patológicas ou não psicóticas. Porque na compreensão da psicopatologia, quando eu vejo algo que não existe, quando eu escuto algo que ninguém mais ouve, isso, esses são sintomas psicóticos, são alucinações. Nós também temos os delírios. E o terceiro ponto que eu vou trazer hoje para que a gente possa refletir é uma outra função psíquica chamada juízo crítico ou insite. Então vamos para as alucinações. As alucinações, eles são elas são os sintomas mais presentes tanto nos quadros psicóticos, tanto nos quadros de adoecimento, quanto na mediunidade. as visões, as a vidência, a clarevidência, a audiência e outras tantas faculdades, elas produzem ou através delas nós temos contato com o plano dos espíritos e nós veremos os próprios espíritos, ouviremos os seres espirituais, teremos acessos a imagens ou produtos que eles querem compartilhar e querem comunicar através através dessas imagens. Ah, o conceito de alucinação é a percepção sensorial na ausência de um estímulo externo, ou seja, a minha capacidade de enxergar um objeto sem que haja um estímulo real para que eu esteja vendo aquele objeto. Então eu tô vendo esse passador aqui que tá na minha mão, mas há um estímulo real para a minha visão para que eu veja.
r um objeto sem que haja um estímulo real para que eu esteja vendo aquele objeto. Então eu tô vendo esse passador aqui que tá na minha mão, mas há um estímulo real para a minha visão para que eu veja. Então, sendo assim, isto não é uma alucinação, mas será alucinação se eu ver alguém ao meu lado aqui enquanto eu falo e mais ninguém ver. Isso sim é uma alucinação. Então veja como esses conceitos eles se misturam um pouco com o que a gente entende a respeito do que é ver um espírito, não é? Do que é ah ter a vidência, a faculdade da vidência, né? Esse psicopatólogo Caupr, muito renomado, muito conhecido, diz que a alucinação verdadeira, ela é composta de uma percepção sensorial completa. Ela é, na verdade, uma percepção sensorial completa composta de vivacidade, clareza, força de realidade e ela se localiza no campo externo. exatamente o que nós faríamos se descrevêsemos uma visão. Exatamente o que nós falaríamos se nós descrevêssemos, por exemplo, um espírito, uma experiência espiritual através, né, dessa faculdade mediúnica. Pode passar. Então, as características de uma de uma alucinação verdadeira, elas são essas. Elas se apresentam como percepções reais. com todas as qualidades de um objeto externo. Ela tem força de realidade. Elas não são vividas como uma imaginação ou um sonho. Elas são eh tidas numa percepção imediata. O sujeito não consegue afastá-las voluntariamente e elas ocorrem fora da minha mente, ou seja, num espaço externo. É exatamente esse o motivo de eh alguém que tem medo dos espíritos, por exemplo, quando enxerga alguma coisa, ele não fica ali no mesmo cômodo para contar a história. a experiência de ver um espírito, não é? Ah, talvez, digamos assim, para para que para aquele que ninguém para aquele que nunca viu, ela é tão inédita, mas ao mesmo tempo ela é tão real que se a pessoa tiver medo, ela não fica ali batendo papo e conversando se ela entendeu que ela que ela que só ela tinha a chave do cômodo e ela entrou ali e estava sozinha. Pelo contrário, eh,
o real que se a pessoa tiver medo, ela não fica ali batendo papo e conversando se ela entendeu que ela que ela que só ela tinha a chave do cômodo e ela entrou ali e estava sozinha. Pelo contrário, eh, a percepção, como eu disse, ela tem essa força da sensorialidade, ela é completa, então ela não estabelece meio termo, ela é. E você tem a exata noção, a o exato entendimento de que você está fazendo contato com aquela realidade. Mas da mesma forma é uma alucinação, segundo eh a psicopatologia. E esse também era um problema que Allan Kardec enfrentou. E também no livro dos médiuns, ele vem trazer a respeito da teoria da alucinação. No capítulo 6, ele vai dizer, preocupado em explicar o que seriam essas aparições, ele chega a dizer que existe as aparições completas, mas que algumas visões podem ser alucinações. Ele também coloca que certas visões podem ser produto da nossa imaginação, pode pode vir do impacto, por exemplo, de certas leituras e também essas alucinações, elas podem advir de alguns estados mórbidos ou patológicos que podem produzi-las e que não necessariamente são realidades espirituais. E no no slide seguinte, eu achei interessante ele encerrar a teoria da alucinação nessas palavras. Ele indaga no texto: "Nossa explicação é boa? Apresentamos a nossa pelo que ela possa valer em falta de outra." E se quiserem, a título de simples hipótese, enquanto não aparece coisa melhor, tal como foi dada, pode explicar todos os casos de visão? Claro que não. Eh, no item 113 está essa essa fala de Allan Kardec. E o que me diz da lucidez do codificador para colocar naquele texto que essas teorias, essa compreensão ainda necessitava de outras contribuições para ficar melhor compreendida, né? Parece que eu tô indo e vindo ali entre a psicopatologia e o espiritismo, né? Eh, eh, não sei se vocês estão ficando mais confusos do que compreendendo exatamente o que é uma visão espiritual, o que é uma aparição, eh, exatamente, ou uma alucinação. Mas resumindo só este ponto, ele diz o seguinte, na verdade esse é um
is confusos do que compreendendo exatamente o que é uma visão espiritual, o que é uma aparição, eh, exatamente, ou uma alucinação. Mas resumindo só este ponto, ele diz o seguinte, na verdade esse é um é um é um resumo, né, que ele não utiliza exatamente a palavra alucinação no conceito de hoje, mas deixa claro que existe possibilidades, que essas aparições não são exatamente eh realidades espirituais. e que ele sempre recomenda a crítica, a observação e a comparação para eh compreender a autenticidade do que aquele médium produz. E isso em termos de visões, de alucinações. Vamos ver agora a respeito dos delírios. O que que a gente encontra na ciência e o que que a gente encontra na codificação? Os delírios, eles são crenças irremovíveis. Então, quando o indivíduo sofre de uma condição que produz psicose, ele está adiante, ele está sob a influência de um pensamento que é irremovível. Nada do que se diga é capaz de demover dele aquela impressão, aquela compreensão. Não adianta empatia na relação com ele, não adianta argumentação. Nada demove aquele indivíduo do que aquela crença que ele tem é real. E é interessante porque o delírio é uma alteração do pensamento, mas nós também chamamos de delírio a uma alteração do juízo de realidade. É quando a gente perde a capacidade de discernir. E é exatamente isso que Allan Kardec fala quando ele descreve a respeito da fascinação. No capítulo das obsessões. Ele vai dizer que a ação direta do espírito sobre o pensamento do médium, a que a fascinação é essa ação direta e que de certa forma paralisa a sua capacidade de julgar. Então, nesse determinado ponto, a gente encontra esses pontos de encontro entre o que a gente compreende na psicopatologia e o que a gente quer buscar para compreender melhor o fenômeno mediúnico. Os delírios também que podem assim ser um pouco mais eh complexos, não é, para entender. Eu gostaria de citar um um paciente que apresentava alterações, né, psicóticas com alucinações visuais e auditivas e delírios.
bém que podem assim ser um pouco mais eh complexos, não é, para entender. Eu gostaria de citar um um paciente que apresentava alterações, né, psicóticas com alucinações visuais e auditivas e delírios. Então ele acreditava que ele seria punido pelo exército. Ele trabalhava no exército e ele havia faltado alguns dias o trabalho. E a compreensão dele era então que se ele voltasse ao trabalho, ele seria punido. nada fez e ele pensar o contrário daquilo, a ponto dele não mais sair de casa e o seu quadro ir deteriorando, deteriorando, até ao ponto dele acreditar que qualquer barulho externo significava que os companheiros de trabalho estavam buscando, perseguindo ele para levá-lo de volta à força pro quartel. Então ele ah tinha visões a respeito disso, tinha ouvia barulhos determinados que significavam que eles estavam à espreita daquela eh da casa dele, não é? E por muitas vezes os vizinhos tiveram que buscá-lo na rua, porque ele saía correndo, fugindo daquela situação, fugindo daquela ameaça real. Eh, e os vizinhos então traziam-no de volta para que ele ficasse aos cuidados da esposa. Eu quero que vocês nesse momento, possam parar e refletir a respeito desse ponto específico. O que me faz, por exemplo, sair correndo de casa, fugindo de uma ameaça. Isso eu acredito que nunca aconteceu com nenhum de nós. ou se já aconteceu, havia ali indícios de uma ameaça real. Então, entendam que a influência do delírio, a influência dos sintomas psicóticos produz uma vivência sensorial completa. Ele realmente acreditava que aquilo estava acontecendo e ele estava fugindo para se proteger. Nós não simulamos isso, a não ser que isso realmente esteja sendo sentido como essa ameaça real, como um sentimento de alerta, de autoproteção, que eu preciso me valer da força ou de qualquer método para conseguir escapar. Isso é exatamente eh o que fala o sintoma psicótico. E quando a gente compara, por exemplo, a mediunidade, o que diferiria então da mediunidade? Se aquilo, por exemplo, fosse uma visão
seguir escapar. Isso é exatamente eh o que fala o sintoma psicótico. E quando a gente compara, por exemplo, a mediunidade, o que diferiria então da mediunidade? Se aquilo, por exemplo, fosse uma visão real, fosse uma aparição, se ele tivesse vendo espíritos, o que que seria diferente naquele quadro? O que a ciência nos coloca é que diferente do quadro psicótico, a quando nós nos referimos a experiências espirituais ou mediúnicas, elas acontecem dentro de um contexto específico. Elas não têm essa característica de um contínuo. Veja, ele dormia e acordava sob a impressão de que estava sendo perseguido, de que estava sendo vigiado, de que a qualquer momento ele seria ah raptado, seria levado para ser punido. Isso não é da mesma forma quando nós falamos sobre o fenômeno mediúnico. Então, o fenômeno mediúnico, ele está mais para um curso transitório, em que em determinados momentos esses sintomas da mediunidade vão surgir e vão aparecer. Ele parou de trabalhar, ele parou de sair de casa, ele parou de se alimentar, porque ele desconfiava que tudo que ele pudesse fazer poderia colocá-lo em perigo. Prejuízo funcional, prejuízo profissional, prejuízo relacional. Quando nós falamos de mediunidade, a coisa não é desta forma, não é verdade? Apesar de ou quando do afloramento, por exemplo, da mediunidade, ainda que ela esteja em desalinho, é comum nós percebermos nos medianeiros, nos médiuns, momentos de tranquilidade, momentos sem os sintomas da mediunidade, em que ele não está vivenciando aquelas experiências não patológicas. E fora desse da vivência desses sintomas, a vida costuma seguir normalmente. Então, trabalha-se, estuda-se, alimenta-se e a despeito de todas essas atividades aqui a colar os sintomas, as visões, as audiências irão acontecer. Pode passar. E por último, uma um terceiro ponto que é importante paraa compreensão dessa diferenciação é a nossa capacidade ou o nosso insight, o nosso juízo crítico, a capacidade que o indivíduo tem de compreender o seu estado mental,
rceiro ponto que é importante paraa compreensão dessa diferenciação é a nossa capacidade ou o nosso insight, o nosso juízo crítico, a capacidade que o indivíduo tem de compreender o seu estado mental, de entender que aquela experiência é uma experiência que tem um contexto ela está eh enquadrada em uma determinada finalidade na minha vida. Ela tem um porquê de acontecer. Enquanto que quando eu não tenho essa capacidade, quando eu perco a capacidade de ter insight, de me perceber nesse contexto, os sintomas psicóticos fazem com que o indivíduo ah quebre com a realidade e tudo passa a ser real. Nada passa a ser diferente. Ah, nada passa a ser uma experiência específica, uma experiência posta num contexto e a vida que corre, que segue. Tudo é uma coisa só. Então, aquelas visões fazem parte da minha realidade. O que eu escuto faz parte da minha realidade. A, o pensamento de ser perseguido faz parte da minha realidade. E quando, por exemplo, na vivência da mediunidade nós sentimos algo semelhante, eh, terminada reunião mediúnica, por exemplo, aquilo cessa, aquilo some. Nós nos cumprimentamos, nós avaliamos a atividade daquela noite e nós voltamos às atividades habituais da nossa vida, da nossa rotina, da nossa casa espírita. Então, percebam os contornos do adoecimento mental, eles de certa forma em algum ponto se tocam com os fenômenos psíquicos da mediunidade, mas eles também têm bastante diferença entre si. Quando nós eh evidenciamos apenas a fenomenologia em si, pode ser mais complicado para que a gente entenda o que é um sintoma psiquiátrico e o que é um sintoma de mediunidade. Mas quando a gente traz essa fenomenologia para o contexto, seja ele religioso ou cultural, por exemplo, isso fica melhor de ser entendido. Nesse próximo slide, a gente trouxe, então, como eu acabei de colocar, que a mediunidade ela sim pode se assemelhar a sintomas psiquiátricos, mas as evidências mostram que os médiuns eles têm boa saúde mental. Eles têm funcionalidade. O exercício da mediunidade ou entre
que a mediunidade ela sim pode se assemelhar a sintomas psiquiátricos, mas as evidências mostram que os médiuns eles têm boa saúde mental. Eles têm funcionalidade. O exercício da mediunidade ou entre aspas esses sintomas de ver, de ouvir, de incorporar, não trazem prejuízos para a vida do indivíduo. Pelo contrário, o exercício da mediunidade, o cultivo da espiritualidade, o cultivo da nossa relação com a transcendência que existe na gente são todos fatores protetores da nossa saúde mental. Além disso, não há maior prevalência de doença mental nos médiuns em comparação com os não médiuns. E quando eu falei sobre o contexto cultural, eu faço referência exatamente a isso. Então, para mim que sou espírita, sou surpreendido com uma visão, eu vou ter muito mais condições de compreender do que se eu tivesse, por exemplo, numa outra religião que abomina até o próprio exercício da mediunidade. Então, o contexto cultural e religioso, eh, ele tem um papel fundamental na compreensão da experiência espiritual vivida. Além disso, esse as evidências neurocientíficas mostram que os médiuns eles ativam áreas cerebrais diferentes daquelas ativadas pelos sintomas psicóticos. Essa essas evidências elas sugerem então que a mediunidade tenha mecanismos próprios ainda desconhecidos no sistema nervoso central. Essa imagem de ressonância. Regina tá se aproximando. Eu não sei se é chegado o momento. Essa imagem aqui de ressonância, ela na verdade é um estudo comparativo entre médiuns experientes e não experientes. Médiuns com menos tempo de exercício da mediunidade. E o que que eles mostram? Eles mostram que os médiuns mais experientes, olha que interessante, eles eh ativam áreas diferentes dos não experientes, porém eles ativam menos. Então, essas áreas são hipoativadas, mas apesar dessas áreas que estão aqui sinalizadas serem hipoativadas, a produção mediúnica é mais complexa do que dos médiuns não experientes. Então, eu tenho uma hipoativação cerebral com uma produção psicográfica, nesse caso, de mensagens mais complexas,
hipoativadas, a produção mediúnica é mais complexa do que dos médiuns não experientes. Então, eu tenho uma hipoativação cerebral com uma produção psicográfica, nesse caso, de mensagens mais complexas, de conteúdos mais complexos do que com o grupo que foi comparado. Enquanto que na psicose, na doença mental, nós temos, na grande maioria delas, hiperativa dessas áreas. Então, percebam que se nós pudéssemos então começar a a definir critérios para diferenciar, não é? Nós poderíamos dizer assim que a experiência não patológica, ela mantém a funcionalidade do indivíduo, que ela está coerente ao contexto cultural ou religioso do qual ele está inserido, que ela é episódica, que ela é controlável, que ela não produz sofrimento. ao indivíduo e que ele mantém o seu juízo crítico presente. Ele compreende o seu estado. Ele sabe que naquele momento ele está mais propício a determinadas experiências e depois dali a vida segue da mesma forma como seguia antes. o transtorno mental é exatamente o oposto, como tá aqui descrito. Então, para resumir essa diferenciação, se a função ela é preservada e o contexto é coerente, é provável que nós estejamos diante de uma experiência espiritual. Se o prejuízo é crônico, se o sofrimento é intenso, então isso já fala a respeito de um transtorno mental. retomando aquela ideia de que nós precisamos discutir isso eh com uma mente de uma visão mais integrada, sem que nós queiramos chegar a uma causa espiritual para todos os problemas ou a uma causa orgânica e biológica para todos os problemas que nos são apresentados devido a essas últimas umas décadas onde houve grandes contribuições pela ciência às questões de espiritualidade. O Código Internacional de Doenças, o último, né, o mais atual, que é o 11 de 2018, já catalogou que existe variantes das experiências, variantes ditas normais. Então eles catalogaram algumas experiências espirituais e místicas que são não patológicas, desde que não causem da mesma forma sofrimento e desde que não causem prejuízos.
s, variantes ditas normais. Então eles catalogaram algumas experiências espirituais e místicas que são não patológicas, desde que não causem da mesma forma sofrimento e desde que não causem prejuízos. Entre elas, eu trouxe pra gente saber que já estão catalogadas no Código Internacional de Doenças, no SID, as experiências místicas sensor transitórias, que é uma sensação súbita de unidade com o todo, a expansão da consciência e sentimentos intensos de transcendência. Eles ocorrem em contextos meditativos, religiosos e normalmente são espontâneos. As experiências fora do corpo, a sensação de observar, de estar fora do corpo, observando o corpo, o próprio corpo de fora, são consideradas normais em alguns contextos espirituais e de relaxamento profundo. E as experiências de quase morte, que também são conhecidas por nós, elas são elas apresentam relatos de túnel de luz, de revisão da vida, da sensação de estar saindo do corpo e não por si só configuram-se em um transtorno mental. E mais uma vez, eh, esses pontos eles servem de base para nos conduzir diante das nossas dúvidas ou das nossas desconfianças quando estamos diante de uma experiência anômala, uma variante da experiência, ou quando quando nós estamos diante de um diagnóstico psiquiátrico. Então, eh, esses são alguns dos pontos trazidos pelos pelo CID 11. Caminhando pro, pro finalzinho da nossa fala, eu queria trazer alguns aspectos que eu considerei relevantes e práticos, não é? Já que nós estamos diante de um público que é de coordenadores e os coordenadores são formadores, não é? são lideranças que atuam como multiplicadores nos seus estados. Então, eh, sobre mediunidade, transtorno mental, tem essa questão 412 do Consolador, em que Emanuel faz uma fala que eu achei muito oportuna e ele diz assim que a mediunidade não pode ser confundida com desequilíbrio psíquico. Médium em desarmonia é suscetível de se transformar em enfermo, mas a faculdade mediúnica em si é neutra e divina. Passando paraa próxima, eh, mediunidade em pessoas com
da com desequilíbrio psíquico. Médium em desarmonia é suscetível de se transformar em enfermo, mas a faculdade mediúnica em si é neutra e divina. Passando paraa próxima, eh, mediunidade em pessoas com sofrimento psíquico, porque é é importante a gente pensar o seguinte, que nós vamos nos deparar com companheiros que possuem mediunidade e transtorno mental, possuem mediunidade ou transtorno mental, não é? E eles podem ser trabalhadores, podem atuar conosco nas nossas instituições ou também podem ser frequentadores, podem ser novíços, iniciantes em doutrina espírita. Então, eh, como disse a os espíritos no livro dos médiuns, eh, a loucura ou o transtorno mental, ele não vai ser produzido no exercício da mediunidade, a não ser que ali já tenham eh raízes, já esteja em estado rudimentar ou numa linguagem que nós poderíamos dizer: "Se o se o indivíduo, perdão, Se o indivíduo já não tem genética para que em algum momento da vida aquela doença que está lá naquele DNA, ela se expresse, OK? Então, ela não causa transtornos em si, mas pode o seu exercício ser gatilho para aqueles que estão vulneráveis. Ah, pode passar os transtornos mentais. graves. Eles envolve eles envolvem sempre um quadro múltiplo eh de adoecimento mental, de comprometimentos do passado, de questões anteriores a essa vida, normalmente de obsessões, de sequelas no corpo físico ou no corpo espiritual. Então, os transtornos mentais graves, eles estão sempre de mãos dadas com a complexidade e a presença de múltiplos fatores. É importante a gente sempre considerar a a causa do problema multifatorial e nunca de uma causa única determinada. É por isso que para o paciente com transtorno mental, por exemplo, a gente não indica apenas desobsessão ou tratamento espiritual. A ideia é que nada é melhor do que tudo integrado. Nada é melhor do que os tratamentos combinados. Em outras palavras, o tratamento combinado trará muito mais benefícios para aquele indivíduo do que se nós lançarmos mãos apenas de uma ou de outra
ado. Nada é melhor do que os tratamentos combinados. Em outras palavras, o tratamento combinado trará muito mais benefícios para aquele indivíduo do que se nós lançarmos mãos apenas de uma ou de outra terapia. E aqui eu falo da terapia médica, psicológica, mas também do tratamento espiritual, da fluidoterapia, da própria desobsessão, da do evangelho no lar, evangelhoterapia e etc. Um outro ponto importante é o uso de medicamentos psiquiátricos, né, ou de psicotrópicos. E a nossa compreensão é de que, na verdade, os psicofármacos eles estabilizam os sintomas, eles melhoram a vida do indivíduo e eles então desde que restituam, restituindo a saúde, o equilíbrio, não tem por não atuar, não tem por não trabalhar ainda em uso dessas medicações, salvo aqui determinadas situações específicas, determinadas situações de maior gravidade. Então, concluindo, eh nós temos sempre em mente que nós tenhamos sempre em mente de incentivar todos aqueles que demonstrem determinados sintomas na busca por o tratamento, visando a saúde global, não apenas a saúde espiritual, ah, levando em conta que muitos dos nossos assistidos até chegam primeiro ao centro espírita com determinado sofrimento. psíquico que será melhor eh abordado quando for integrado os tratamentos. O trabalho mediúnico é considerado sempre de fundamental importância e ele deve ser complementar a essa dimensão espiritual, sempre analisando tanto eh a gente pede, solicita o discernimento do próprio indivíduo que enfrenta esses desafios, quanto dos seus líderes, dos seus coordenadores, dos seus responsáveis dentro da tarefa, para que tenham o tato e a sensibilidade de saber o melhor momento, por exemplo, de interromper determinado exercício, determinada atuação para ser assistido, para se recuperar, para melhorar. E o papel do Centro Espírita é sempre eh o de um espaço de acolhimento, tá? Então, o verdadeiro espírito cristão, eu coloquei no último slide, é de acolhimento. E o diálogo respeitoso entre espiritismo e ciência enriquece
spírita é sempre eh o de um espaço de acolhimento, tá? Então, o verdadeiro espírito cristão, eu coloquei no último slide, é de acolhimento. E o diálogo respeitoso entre espiritismo e ciência enriquece ambos os lados e contribui para um cuidado integral do ser humano. Acho que passei alguns minutinhos, mas vamos então seguir em frente. Muito obrigado, gente.
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