#76 • Jesus e Saúde Mental • Estoicismo e Cristianismo (parte 7)

Mansão do Caminho 07/05/2024 (há 1 ano) 20:33 3,184 visualizações 566 curtidas

Websérie | Jesus e Saúde Mental » Episódio 76: Estoicismo e Cristianismo (parte 7) » Apresentação: Leonardo Machado

Transcrição

Olá, mais uma vez Jesus e saúde mental se debruça em estoicismo e cristianismo, abrindo o livro de Epicteto mais uma vez para trazer uma pontuação bem específica de duas características, dois ensinamentos que encontramos bastante no espiritismo, bastante no Evangelho de Jesus, mas que eu acho bem interessante a gente pensar eh de outra forma que complementa esses dois pontos. Então, um encontro mais uma vez breve para que a gente possa relembrar duas posturas fundamentais para nossa saúde mental, inspirados pelo historicismo, inspirados pelo cristianismo. Fica comigo mais uma vez para que a gente possa se debruçar juntos. Muito bem, vamos então abrir o manual de epicteto. Desta feita, no ponto 43. Veja que inteligência Epicteto faz para que a gente possa lidar com as questões difíceis dos relacionamentos humanos, as questões que geram raiva através de mágoa por decepções que passamos. E de certa maneira essa estratégia mental, essa estratégia cognitiva que Epiceton nos dá, nos ajuda na construção do perdão. Porque ele vai dizer assim: "Todas as coisas têm duas asas, sendo que por meio de uma delas a gente consegue carregar essas coisas enquanto pela outra a gente não consegue carregar." E ele vai dar um exemplo específico. Se teu irmão é injusto, não tomes isso pela asa da ação injusta. Perceba que aí, irmão, ele tá sendo mais específico, de fato, aos laços consanguíneos, né? Nós não encontramos aí numa visão eh grega de uma forma tão explícita, a visão de fraternidade universal que a gente encontra em Jesus. Então, quando Jesus fala de irmão, ele tá falando de uma irmandade mais profunda. Quem são meus irmãos? Quem é minha mãe? Seja o parentesco espiritual que todos nós temos com Deus que é o Pai. De certa forma, não é bem isso que a gente encontra no estoicismo. Muito embora talvez tivesse uma uma coisa mais reflexiva eh em relação à vinculação que todos nós temos. Porque veja, se todos nós somos deuses no sentido de eh de fazermos partes da divindade, ou seja,

ito embora talvez tivesse uma uma coisa mais reflexiva eh em relação à vinculação que todos nós temos. Porque veja, se todos nós somos deuses no sentido de eh de fazermos partes da divindade, ou seja, se todos nós somos parte integrante de Deus e vamos voltar para a mesma unidade do grande todo, então de certa forma o outro não deixa de ser alguma parte de mim, mas não é bem irmão aí, porque é como se nós fôssemos um só. Então, há aí um rodimento de fraternidade, há aí um rodimento assim de uma visão amorosa para que a gente que a gente tenha que ter com todos, né? Mas não é bem literal e tão aprofundado nessa visão de paternidade que Jesus traz à humanidade. Essa visão é de Jesus é uma visão bem mais aprofundada gêneres, digamos assim. Mas perceba que a filosofia histórica, ela se desdobra nessa ética de uma irmandade maior, porque existe uma vinculação panteísta, uma vinculação de que todos nós fazemos parte de um grande todo universal. Então faz sentido aí a gente poder desdobrar essa fala de picteto, talvez não para o irmão biológico, mas para toda a humanidade, já que todos nós fazemos parte de um grande todo na visão histórica, que não é a visão espírita, nem a visão cristã, mas na visão espírita cristã, todos nós fazemos parte de uma fraternidade maior, porque somos filhos de Deus. Somos, portanto, literalmente irmãos no parentesco espiritual mais profundo, né? E não só a questão de um parentesco espiritual, eh, que a gente fala no no Evangelho Segundo o Espiritismo, daquela família espiritual que a gente tem uma vinculação mais profunda, às vezes mais do que uma família biológica. A gente tá querendo aprofundar aqui para além disso, que é a família espiritual universal que a visão de Jesus traz. Então, se teu irmão, se teu irmão é injusto, não tomes isso pela asa da injustiça. Ou seja, não fica vendo a o fato injusto em si. Porque se todas as coisas têm duas asas, é como se tá dizendo, todos os fatos têm pelo menos duas formas de nós interpretarmos. Asas são as formas que nós

seja, não fica vendo a o fato injusto em si. Porque se todas as coisas têm duas asas, é como se tá dizendo, todos os fatos têm pelo menos duas formas de nós interpretarmos. Asas são as formas que nós interpretamos. Portanto, são como se fossem as asas que nós damos ao nosso eh pensamento, a nossa interpretação, asa ao pensamento, né? Uma forma simbólica. Então, faz sentido aí asas, como se fossem duas percepções que a gente pode ter, pelo menos. Então, uma percepção é o fato em si, é, foi uma ação injusta. Mas se você fica vinculado apenas nessa injustiça, no lado pesado da asa, essa asa você não vai conseguir carregar, porque essa asa traz em você mágoa, muita raiva. Agora, em lugar disso, olha pela outra asa. Olha pela asa de que é o teu irmão. Olha pra asa que esse irmão foi criado junto com você. Assim estarás empregando a asa que se permite carregue a coisa. Se você olhar, meu irmão, por isso mesmo que eu devo ter mais raiva, mais óbvio, mais mágoa, você não tá olhando pela asa leve, pela interpretação leve, e sim pela interpretação pesada, que aumenta o peso da injustiça. A proposta histórica é uma proposta, no final das contas, de bem-estar, de saúde, de felicidade. E veja que no bojo dessa felicidade, embora ele não fale aí de perdão, isso aí é como se fosse o terreno para o perdão, né? Como se fosse um terreno para mudar a percepção racional, para que o coração, o emocional venha ao encontro do racional, né? Aí vem a fala de Jesus reinterpretada por Pedro na primeira epístola dele. Amai-vos uns aos outros ardorosamente e com coração puro. Portanto, rejeitando toda maldade, toda mentira, todas as formas de hipocrisia, de inveja, de maledicência, desejai, como crianças recém-nascidas, o leite não adulterado da palavra, a fim de que por ela, por ele, cresçais para a salvação. Veja que coisa curiosa. Não é só a nossa atitude, o nosso comportamento para com o outro, que deve fugir de toda maldade, de toda mentira, de toda hipocrisia, de toda inveja, de toda maledicência,

ão. Veja que coisa curiosa. Não é só a nossa atitude, o nosso comportamento para com o outro, que deve fugir de toda maldade, de toda mentira, de toda hipocrisia, de toda inveja, de toda maledicência, mas também a nossa interpretação, a nossa relação para com o que o outro fez comigo. Porque veja que é: Amai-vos uns aos outros ardorosamente e com o coração puro. A mesma coisa que eu devo fazer para o outro, se eu não receber, ainda assim o amor me coloca na postura de tentar rejeitar a maldade, ou seja, a raiva destrutiva, né? Porque a raiva em si não é maldade, mas a raiva destrutiva, a mágoa em si não é maldade, mas a mágoa que se torna vingança, isso sim, ela se torna maldade. Maldade é o comportamento. Então, se eu quero rejeitar a vingança, eu preciso me pegar no amor para com essas atitudes que chegam até a mim. E para pegarme no amor, eu preciso rejeitar todas essas outras formas para tentar encontrar uma pureza simbolizada aí. Muito interessante, né? Como uma criança recnascida procura o leite puro para se manter e crescer, nós também devemos procurar o leite puro do amor para que deixe deixemos florescer em nós a salvação, a evolução, a felicidade. A gente tá falando basicamente de amor, de relacionamento interpessoal e de como nós vamos deixar eh fazer uma atitude para com o outro ou responder comportamentalmente falando a atitude que recebemos do outro. Perdão, amor. Uma estratégia muito interessante que Epiceto diz é: "Olha, não fique preso apenas a coisa ruim que o outro fez. Lembra que o outro é teu irmão, que você tem uma história com ele. No livro dos espíritos a essa proposta quando se fala de perdão, de amar o outro. Há essa estratégia. Se você tem uma vinculação com o outro muito profunda e o outro errou para com você, tenta não ficar preso ao mal que o outro te fez, porque essa asa do mal você não vai conseguir suportar, vai gerar mais raiva, raiva, raiva. Tenta olhar as coisas boas que o outro fez ao longo das tuas das tuas existências, porque essa

outro te fez, porque essa asa do mal você não vai conseguir suportar, vai gerar mais raiva, raiva, raiva. Tenta olhar as coisas boas que o outro fez ao longo das tuas das tuas existências, porque essa sim facilita o perdão, porque olha a gratidão como um todo. Ah, mas o outro não fez quase nada de bom para mim. Aí a gente pode pegar-se na asa de uma certa e indiferença. E poxa, se o outro fez isso comigo e eu não tenho tanta relação com ele, por que eu vou ficar tão preso? A asa da injustiça, a asa do mal, se isso não me tocou tanto, porque ele não é tão importante assim para mim. é outra estratégia mental para podermos sublimar, transcender as próprias imperfeições. E com a visão espírita, nós podemos ter uma percepção aprofundada, porque enquanto o histórico vai dizer assim: "Olha, aquilo que tá chegando na tua vida vem para um bem, mesmo que essa é uma asa que a gente pode pegar também. Alguém fez uma injustiça contigo, tá? essa injustiça. O ato em si, a gente pode dizer que é injusto. É a asa que a gente não consegue eh sair leve, não consegue alçar voos, mas a gente pode entender que aquela injustiça veio para algum aprimoramento do nosso ser, para algum crescimento espiritual. Então, independente eh de a gente lançar mão da ideia reencarnacionista, só com a ideia de Deus, só com a ideia também históica de que tudo vem para um bem, a gente aciona a confiança de entender que olha, aquele malfeitor, no final das contas, foi um benfeitor para lapidar o meu ser. É difícil. É difícil. Mas é a proposta dessas doutrinas para nossa vida não é de uma facilidade, né? Elas não tão indo para uma mera um um mero aconselhamento diário, simples. Eles está eles estão indo para um aprofundamento do ser em si mesmo. da mesma forma a visão espírita, porque aí a gente pode entender tudo isso acrescentando a percepção de que ela de que aquela aparente injustiça que acontece no nosso dia hoje não deixa de ser injusta no sentido do fato, não deixa de ser algo que a pessoa que fez contra nós vai precisar responder pela

e que ela de que aquela aparente injustiça que acontece no nosso dia hoje não deixa de ser injusta no sentido do fato, não deixa de ser algo que a pessoa que fez contra nós vai precisar responder pela própria consciência de culpa. Mas ela é, o fato em si, às vezes é uma reparação que a gente tá tendo de um passado difícil que a gente teve. Então aquela expiação, mesmo que venha pelas vias da injustiça, o outro é que vai sofrer as consequências da injustiça que está praticando. Mas nós podemos interpretar, perceber, e essa é uma asa que nos dá leveza, que é uma oportunidade de depuração, uma oportunidade de reparação diante da lei universal. O melhor seria que essa reperação viesse de uma maneira mais harmoniosa, de uma maneira mais eh amorosa. Esse vai ser o ideal, seria o ideal. No entanto, as pessoas ainda são muito vingativas, nós ainda somos muito vingativas, né? Então, acabamos a a frase, né, de que Deus escreve certo por linhas tortas. Essas linhas tortas são às vezes as pessoas que se equivocam, os fatos de injustiça que acontecem, mas a linha certa é o fato de a gente estar reparando. Aí vem a frase de Jesus, né, de que o mal, o escândalo ainda é necessário, mas ai daquele pela qual pelo qual vem o escândalo. Aquele que está sendo o instrumento da reparação do outro por uma via injusta. está se comprometendo com a lei de Deus que está na própria consciência, ou seja, está se comprometendo consigo mesmo e aí vai trazer necessidade de reparação futura. Mas aquele que está recebendo a reparação por essa via injusta, ele está se libertando. Então, ver essa asa do da libertação acaba sendo também uma utilidade para o perdão. E aí ele faz uma outra uma outra proposta que eu acho bastante interessante, prática, né? Alguém toma banho depressa, não vai dizer que essa pessoa tá fazendo o mal, tá, está fazendo mal, mas vai dizer que ela está fazendo depressa. Com efeito, até discernires o que ela pensa a respeito, como sabes o que que ele ele fez é um mal? A conclusão disso

á fazendo o mal, tá, está fazendo mal, mas vai dizer que ela está fazendo depressa. Com efeito, até discernires o que ela pensa a respeito, como sabes o que que ele ele fez é um mal? A conclusão disso é que não captas ideias evidentes de certas coisas, mas dais assentimentos a outras. Eh, como é que a gente pode entender isso? Como é que eu entendo quando eu leio essa parte de picteto, não julgueis, porque veja, o outro pode estar fazendo algo que eh a gente julga, ele tá ele e ele dá um exemplo mais simples, né? Alguém tá tomando banho depressa, a gente não vai dizer: "Olha, você tá tomando banho mal, não. Você tá tomando banho depressa. O fato em si pode ser um equívoco, o fato em si pode não ser tão bem feito, mas por trás do fato existe uma pessoa e a gente não sabe exatamente pelo que a pessoa está passando. a gente não sabe exatamente é o que é que a pessoa pensa a respeito. Então, nesse sentido, essa proposta de picteto nos convida a uma leveza, que é a leveza do não julgamento. Não é que o fato em si não seja um fato, como falou, a um fato de injustiça. Não é que a pessoa está fazendo um banho eh eh lento, não é de pressa que ele tá fazendo, tá fazendo com pressa. Mas é importante a gente tomar uma postura mais leve, uma postura mais cuidadosa, mais amorosa. Não julgueis, para que não sejais julgados, porque com o juízo com que julgais, sereis julgados, e com a medida com que mediz, vos medirão a vós. E por que você vê o argueiro no olho do teu irmão e não repara a trave que está no teu olho? Ou como dirás a teu irmão: "Deixa-me tirar o argueiro do teu olho quando tens a trave no teu". É a hipocrisia. Tira primeiro a trave do teu olho, então verás bem para tirar o argueiro do olho do teu irmão. E a gente vai tirar esse argueiro do olho do irmão com leveza, com amor, ajudá-lo e não derrubá-lo. Essa é a grande questão do não julgamento. O ato em si, a gente precisa entender, analisar. Não é que a gente vai concordar com o equívoco, mas às vezes nem é tão equívoco assim, é

o e não derrubá-lo. Essa é a grande questão do não julgamento. O ato em si, a gente precisa entender, analisar. Não é que a gente vai concordar com o equívoco, mas às vezes nem é tão equívoco assim, é apenas uma forma diferente. Outras vezes é um equívoco, sim, mas a gente não entende os dramas por trás. E a pessoa, ao invés de uma condenação, precisava de uma ajuda, de um acolhimento para que não caísse novamente naquele equívoco. Precisava de um levantar a moral com o amor para que ele pudesse seguir a trajetória. É isso que Jesus faz conosco. Se nós temos uma visão reencarnacionista, se nós temos uma visão espiritista, a gente tem mais convicção dessa perspectiva de que Jesus nos salva a alma, ou seja, nos eleva a um novo patamar de visão, a um novo patamar de perspectiva, não a partir do julgamento que nos coloca para baixo, mas a partir do amor que faz com que a trave no nosso olho seja retirada, porque ele já não tendo o argueiro no próprio olho, não tendo traves no olhar, percebendo em profundidade, poôde nos perceber enquanto seres luminíferos, enquanto seres perfectivos, apesar de estamos estarmos estagiando ainda na perturbação natural. do nosso estágio evolutivo. Outrora, ainda pior, mas ele nos resgata porque ele faz essa atitude amorosa. E se ele é o nosso exemplo, se ele é o nosso guia na visão espiritista, nós devemos pensar ou pelo menos intuir como ele iria agir. Por isso que esses enviados para nós espíritas, Epicteto e tantos outros filósofos, foram verdadeiros enviados de Jesus para poder espalhar essa boa notícia da forma cultural que cada um podia interpretar, compreender, que cada um podia aceitar. E aí, aos poucos, paulatinamente, a gente vai entrando numa nova ordem mundial baseada no amor, baseada no acolhimento, na compaixão, baseado, portanto, nesses princípios do evangelho que são atemporais. Muita paz para você hoje e sempre.

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