#42 • Jesus e Saúde Mental • Perguntas e Respostas
WEBSÉRIE • Jesus e Saúde Mental » Episódio 42: Perguntas e Respostas » Apresentação: Leonardo Machado
Muito bem, vamos começar mais um Jesus e saúde mental na noite de hoje com as perguntas e respostas que vocês fizeram e que nós podemos selecionar e aqui iremos abrir espaço. perguntas sobre saúde mental, em que nós tentamos responder na primeira terça de cada mês na ótica da psiquiatria, da psicologia, mas sobretudo com enfoques da doutrina espírita. Então, pode mandar também a tua pergunta aqui no YouTube da Mansão do Caminho, eh, no chat ao vivo, eventualmente as perguntas acabam se perdendo porque não ficam guardadas durante muito tempo. Mas se você colocar logo depois que o vídeo fica gravado nas nos comentários a sua pergunta, fica mais fácil nós podermos resgatar e selecionar no momento adequado. ou então no nosso Instagram pessoal chamado Prof._leonardo Machado, em que nós naquele Instagram colocamos assuntos ligados à psiquiatria, ligado ao comportamento humano, ligado também a alguns ao espiritismo e você pode mandar lá perguntas pelo direct, tá bom? Então vamos continuar hoje com essas perguntas e respostas. Uma primeira pergunta que achamos bastante importante é de uma pessoa que relata uma característica, uma situação com ela e fala assim: "Professor, eu sempre observo se não deixei nada ligado quando eu saio de casa". Então, a pessoa que toda vez que tá saindo de casa, ela observa se não deixou nada ligado e ela pergunta: "Isso é toque, ou seja, transtorno obsessivo compulsivo?" Essa é uma pergunta bastante eh interessante, bastante importante também. Por quê? Porque sintomas não necessariamente são transtornos. Muitos, muitas pessoas têm sintomas obsessivo compulsivos, mas não necessariamente tem o transtorno obsessivo compulsivo, o toque. Na realidade, os soque, sintomas obsessivo compulsivos, eles são eh muito comuns na população. Há mesmo um momento da vida que é natural acontecer isso. Por exemplo, na infância, se você parar para perceber, a criança tem um certo toque é da idade, um certo toque fisiológico, só come tais comidas, né? Não muda, não
a vida que é natural acontecer isso. Por exemplo, na infância, se você parar para perceber, a criança tem um certo toque é da idade, um certo toque fisiológico, só come tais comidas, né? Não muda, não faz variações e em relação ao tipo de alimentação, gosta, precisa e gosta da rotina, gosta de brincar com tais brinquedos, né? Então, a criança tem uma certa seletividade que a gente encontra muito no toque. Mas naquela fase da infância, essa seletividade, essa organização que os sintomas obsessivos, compulsivos dão, elas são é uma organização estrutural, né, para criar uma rotina, para criar um desenvolvimento eh saudável, inclusive. Então, não vai ser um transtorno propriamente dito. Temos que observar também que há alguns momentos da cultura, alguns momentos da nossa existência humana, que nós precisamos também de alguns hábitos que adotamos naquele período e eventualmente a gente não adota mais em outros momentos. Por exemplo, a gente passou pela pandemia da COVID-19 em que tínhamos que adotar uma série de hábitos restritivos, protetivos, para não passarmos, né, para os outros, eh, a infecção e nem também nos contaminar. Eh, por exemplo, uso de de máscara, uso de álcool, né, uma série de medidas que no no natural eh, a gente não encontrava. Imagine então a gente dando aula antes da pandemia e a plateia com muitas pessoas com máscara, a sala de aula com muitas pessoas com máscara não era comum. Mesmo eu dando aula na Universidade Federal de Pernambuco, mesmo dando aula dentro de um hospital, não era o habitual. Depois da pandemia passou a ser o habitual, então todos ficamos com sintomas obsessivos, compulsivos, né? um toque, entre aspas, naquele momento. Então, com isso tô querendo dizer o seguinte, que a gente precisa observar eh se esses sintomas eles estão primeiro muito intensos, a ponto de atrapalhar a nossa rotina. Segundo, se eles estão não só muito intensos, muito persistentes, tá? Fora do padrão. Não é só uma coisa é a pessoa, vamos pegar ali o a a pandemia, né? Uma coisa
a ponto de atrapalhar a nossa rotina. Segundo, se eles estão não só muito intensos, muito persistentes, tá? Fora do padrão. Não é só uma coisa é a pessoa, vamos pegar ali o a a pandemia, né? Uma coisa são os hábitos eh de proteção que eram adotados no início da pandemia. Outra coisa são os hábitos agora depois eh do pós-pandemia. Não dá para ficar com todos os hábitos. Mesmo na própria pandemia eh os hábitos foram diminuindo, né? os hábitos de proteção. Isso vê a pessoa que continua com o mesmo hábito, mesmo sem mudar nada, eh, ao longo do tempo, mesmo o evento estressante tendo passado, mesmo as recomendações tendo passado, provavelmente é porque ali não foi mais só um sintoma, mas tá virando um transtorno em si. Então é aquela pessoa que chega, né, para ser atendida e além da máscara, porque é um ambiente, por exemplo, hospitalar, ela vai com uma touca, ela vai com óculos, ela vai com a capa, ou seja, ela vai com uma série de eh equipamentos de proteção individual que seriam apropriados se ela estivesse indo trabalhar dentro de UTI, né? seria apropriado eh se ela tivesse no momento inicial da pandemia e mesmo assim não no momento inicial da pandemia, porque no momento inicial da pandemia, ela sendo, não sendo trabalhadora da área de saúde, o recomendado era ficar o quê? Em casa. Então, veja que há um certo eh uma certa confusão de orientações dentro da cabeça da pessoa. Então, muito importante essa pergunta pra gente poder colocar um outro ponto. Então, falei da intensidade, da persistência e também do desencaixe eh daqueles sintomas com a cultura, do desencast daqueles sintomas com o momento. Por isso é importante. A gente não saiu de dando diagnóstico para todo mundo de toque durante a pandemia, porque entre aspas era um toque natural. Então não era um toque. A gente deixa o nome toque quando não é algo natural, quando não tá algo dentro da cultura da pessoa, quando tá exagerando, quando tá extrapolando, tá? Aí eu preciso explicar para você o a definição, né, de obsessão. Por exemplo,
ando não é algo natural, quando não tá algo dentro da cultura da pessoa, quando tá exagerando, quando tá extrapolando, tá? Aí eu preciso explicar para você o a definição, né, de obsessão. Por exemplo, a gente chama de obsessão, não é obsessão eh no conceito espiritista, é a obsessão no conceito psicopatológico, que é o quê? Quando vem de forma intrusiva. O que é v intrusiva? Eh, não é a pessoa que fica buscando, aparece na cabeça dela de forma muito intensa, como se fosse algo eh colocado, algo que vem meio que forçadamente, tá? Então, vem muitos pensamentos ou imagens ou então palavras ou então impulsos que não são desejados pela pessoa, mas vem. E essas obsessões, por não serem desejadas e serem intrusivas, elas são repetitivas, ficam vindo e por não serem desejada, geram um incômodo. Geram um incômodo. Então, obsessões são essas características, né, de pensamentos, imagens, palavras, tá? eventualmente sons, eh, ou então impulsos, sensações. Às vezes a pessoa tem uma sensação, bota uma roupa e tem uma sensação de que não tá e fala em inglês, dir right, ou seja, que não tá adequado, fica apertando demais, fica cutucando, fica ali, fica com lá. Então, eh, são sensações que também podem acontecer de desagrado, de desconforto, que a pessoa não fica buscando, mas elas vêm de forma repetitiva. E para poder eh lidar com essas obsessões, a pessoa acaba desenvolvendo alguma compulsão. E essa compulsão, então, é um ato, um comportamento que ela faz ou um ritual mental para tentar diminuir a angústia causada pela obsessão, até para tentar eh fazer com que a obsessão não apareça mais. Então, no exemplo, a pessoa tá saindo de casa, pode vir na cabeça dela a ideia de que ela deixou algo ligado. E se ela deixou algo ligado, pode ser que, sei lá, a cafeteira ligada, pode ser que aconteça um incêndio na casa dela, então ela precisa o quê? Voltar. Aí fica vindo o pensamento repetitivo, gera um incômodo, né? Porque gera toda essa, é, sensação de tragédia. E ela volta para casa e verifica todos
êndio na casa dela, então ela precisa o quê? Voltar. Aí fica vindo o pensamento repetitivo, gera um incômodo, né? Porque gera toda essa, é, sensação de tragédia. E ela volta para casa e verifica todos os aparelhos. Vamos supor, situação um, ela volta, né, na tava na porta já fechando, volta, dá uma checada geral e depois vai embora. Bem, ela faz uma vez, vai embora. Isso não seria um toque. Situação dois, ela vai, dá uma checada, vai pra porta, mas vem. Eita! Será que eu chequei direito mesmo? Aí ela volta, checa tudo de novo, vai pra porta. Eita, será que eu conferi a cafeteira? Aí ela vai lá só na cafeteira especificamente, aí volta. Quando chega na porta de novo, vem outro pensamento. Mas será que eu conferi a tomada de cada um? Será que conferi o controle do standby? Eu perceba que a checagem ela gera um alívio momentâneo se for um toque, se for uma algo natural, se não for um toque, a checagem vai dar uma tranquilizada eh duradora, porque realmente ela ficou na dúvida, foi lá e checou de novo. Isso é natural, pronto. Mas aí ela fica tranquila e vai. Numa numa situação de toque, uma checagem não consegue deixar a pessoa tranquila em geral. Ela fica presa, fica angustiada e quanto mais ela faz a compulsão, mais ela fica presa no toque. Até que ela vai aumentando o tempo dela de checagem. E aí já deu para perceber o impacto que isso tem na vida da pessoa. Então veja o tempo, a persistência e o quanto isso vai impactando. Então os sintomas eh normais, né, de de conferir os sintomas normais eh obsessivos que acontecem todo mundo, na população em geral, eles não geram um impacto na vida, tá tão grande, mas o toque vai gerar um impacto bem grande na vida. Aí vamos pensar na situação três. Ela tá lá na porta, eh, não deu tempo de checar. Ela percebeu que tava que tinha que checar, mas não deu tempo de checar porque ela tinha que ter uma reunião que já tava meio atrasada. Então, ela vai e lá com as reuniões dela, com a rotina, ela nem lembra mais dos eletrodomésticos, nem lembra mais se ia
tempo de checar porque ela tinha que ter uma reunião que já tava meio atrasada. Então, ela vai e lá com as reuniões dela, com a rotina, ela nem lembra mais dos eletrodomésticos, nem lembra mais se ia ficar ligado ou não. Ou seja, ela consegue embarcar na rotina. é algo natural, ficou preocupada, mas depois seguiu em frente. Outra coisa seria, ela não conseguiu checar por causa do horário, porque ela também é muito responsável e aí não pôde, não pôde checar, teve que ir. Mas lá no trabalho ela também não conseguiu render, porque ela ficou só pensando, pensando, imaginando as coisas que estavam em casa. Essa essa quarta situação é muito provável que ela tenha eh um toque. Então, perceba como eh vai se desdobrando e a pergunta não consegue ser respondida de forma tão simples se é ou se não é, porque você tem que fazer uma verdadeira anamnese, uma verdadeira investigação individual para ver o quanto esses sintomas eles estão eh gerando impacto e estão desmedidos. Mas pra gente pensar, até para chegar na outra pergunta que tem muito a ver, a gente tem que pensar no quanto eh essas coisas que estão acontecendo com você, elas estão eh impactando a tua vida, elas estão atrapalhando ou elas estão, digamos assim, ajudando, tá? o quanto elas estão atrapalhando o teu relacionamento. Porque às vezes é interessante, tem eh pessoas que não tem toque doença, mas tem o que a gente chama de personalidade ancástica. Elas é como se fosse um jeito de ser mais toque, né? E às vezes ela não se incomoda e ela se adaptou tanto, né, que não gera um incômodo, mas gera muita dificuldade de relacionamento com familiares. Por quê? Porque ela tem uma uma rotina muito inflexível, muito rígida, muito própria, que não consegue dar espaço paraa adequação de outras pessoas. Então, ela acaba ficando eh mais isolada. Então veja, ela não, ela por si só não está incomodada, eventualmente ela nem tem toque mesmo, mas tem essa personalidade chamada anancástica, que dificulta os relacionamentos porque ninguém está na
. Então veja, ela não, ela por si só não está incomodada, eventualmente ela nem tem toque mesmo, mas tem essa personalidade chamada anancástica, que dificulta os relacionamentos porque ninguém está na sintonia eh, digamos assim, dos hábitos que ela acabou, eh, colocando pra vida dela de forma muito intensa, de forma muito inflexível. Aí uma outra pergunta que vem nessa mesma característica, ó, quando a gente vai perceber que a ansiedade ela tá normal e quando a ansiedade tá passando para para o patológico? Veja que eh a resposta ela vem no caminho do que eu tô colocando pro toque. A ansiedade ela se torna mais patológica quando ela está mais atrapalhando do que ajudando, certo? Então, o que é que significa isso? Significa que a pessoa agora tá com sintomas, tá muito irritada, tá se preocupando demais, tá muito tenso, tá com problema no sono, tá com problema na concentração, tá tendo agora sintomas físicos de aperto no peito, falta de ar, bolo na garganta, ou seja, uma série de sintomas que eh estão não estão ajudando em nada a produtividade dela, porque ansiedade pode ajudar Assim, ansiedade, ela é uma emoção, né, complexa do ser humano que mistura um pouco da emoção básica chamada medo junto com emoções eh de surpresa. Geralmente a pessoa ansiosa, ela inclusive interpreta o surpreso, a surpresa, o novo como sendo algo fatal, como sendo algo perigoso e aí acaba aumentando ainda mais o medo dela. Mas essa ansiedade é mesmo interpretada como se algo ruim pode acontecer amanhã, pode vir no sentido de preparação, prevenção, né? ela se prepara para poder que o para poder fazer com que o evento de amanhã ruim não aconteça. Então, é uma ansiedade antecipatória como a ansiedade o é. é uma ansiedade eh apreensiva, mas uma ansiedade que foi sublimada para uma precaução, para uma prevenção, para uma antecipação, para uma preparação ótima. Agora imagine eh essa ansiedade que acaba gerando, né, uma prevenção de tudo. A pessoa parta passa tanto tempo se prevenindo, se prevenindo, se prevenindo que ela não
pação, para uma preparação ótima. Agora imagine eh essa ansiedade que acaba gerando, né, uma prevenção de tudo. A pessoa parta passa tanto tempo se prevenindo, se prevenindo, se prevenindo que ela não vive o presente, ela vive o futuro no presente excessivamente. Então, a ansiedade sendo o futuro no presente, quando o futuro tá excessivamente no presente, quando eu tô vivendo excessivamente o futuro no hoje, eu começo a perceber que está saindo de uma esfera saudável e entrando numa esfera mais patológica, uma esfera que ajuda para uma esfera que atrapalha a minha existência. Então é nesse ponto que a ansiedade patológica ela começa a precisar de alguma ajuda. Agora você tem níveis, né, de ansiedade patológica, uma ansiedade leve, uma ansiedade moderada, uma ansiedade elevada. Veja, uma ansiedade leve, você tem uma série de, eh, alternativas para tratar, né? Eh, inclusive isso você vê nos estudos, quando vão comparar estudos eh que vão lançar um remédio novo, por exemplo, ou pegam um remédio que já existe, remédio da psiquiatria, que já existe, para ver se ele não é só bom paraa depressão, mas é bom também paraa ansiedade. Aí eles vão fazer um estudo com transtorno de ansiedade generalizada, que é o eh é o principal tipo de ansiedade, né? Um dos principais tipos de transtornos de ansiedade. Se ele coloca no estudo pessoas com ansiedade leve, não só pessoas com ansiedade moderada, é muito provável que o placebo do estudo seja muito elevado e o remédio em si, ele às vezes não consegue vencer o placebo ou vence com a distância não tão intensa. Por quê? Porque no estudo foram colocado pessoas também com ansiedade muito leve. E quando você pega um outro tipo de desenho de estudo e coloca ansiedade mais moderada, tô falando aqui ansiedade patológica, né, leve, ansiedade patológica moderada, aí muda o cenário. Quando no estudo você tem ansiedade moderada para grave, o placebo fica lá embaixo em termos de eficácia e o remédio se destaca bem mais, mostrando que eh quando a o
ógica moderada, aí muda o cenário. Quando no estudo você tem ansiedade moderada para grave, o placebo fica lá embaixo em termos de eficácia e o remédio se destaca bem mais, mostrando que eh quando a o transtorno de ansiedade ele tá mais moderado a grave, de fato, a gente não tem para onde correr muito eh a não ser eh medicamentos também que possam ajudar eh a pessoa quando a ansiedade, porém, ela tá mais leve, você tem uma série de outras abordagens que vão ser às vezes tão eficazes quanto uma medicação, né? Estou partindo do pressuposto que é a ansiedade patológica, que vão ser bem mais eficazes do que eh ou tão eficazes do que a medicação, tá? Agora, para uma ansiedade não patológica, não tem muito sentido dar medicamento psiquiátrico, porque você aqui não vai ter benefício, vai ter muito mais exposição efeito colateral e aí você vai ter abordagem psicoterapêutica, né? Eh, muito importante também que paraa ansiedade você tenha abordagens de psicoterapia, mas muito cuidado, pessoal, com o autotratamento. Por que muito cuidado com o autotratamento? Vem um terceiro ponto que questionaram, eh, e é muito comum esse questionamento, certo? Sobre a questão do risco do uso de maconha, eh, especificamente a maconha. o que que a gente vem eh percebendo de fato um um aumento muito intenso do uso, porque geralmente as pessoas têm eh usam as coisas de forma mais disseminada quando elas têm uma percepção de risco diminuída, quando elas percebem que o risco é pouco. Então veja o que aconteceu com o cigarro, né, com o tabagismo. No início do uso, as pessoas não tinham total e ciência sobre os riscos. Então, a percepção de risco era pequena, então era até muito elegante, era muito legal, descolado fumar, né? O tô falando o tabaco normal, fumar. Na medida que foi percebendo seu risco, continuam sim pessoas fumando, mas a quantidade de pessoas que fumam diminuiu e muito. Por quê? Porque em geral as pessoas hojeem percebem o risco do cigarro. Então, quando há uma percepção de risco
, continuam sim pessoas fumando, mas a quantidade de pessoas que fumam diminuiu e muito. Por quê? Porque em geral as pessoas hojeem percebem o risco do cigarro. Então, quando há uma percepção de risco eh diminuída, começa-se a ver a ver um aumento do uso. E o problema é que muitas dessas substâncias, né, que são chamadas substâncias psicoativas que mexem no nosso cérebro, elas têm algum efeito tranquilizador. as pessoas usam não porque eh, digamos assim, tem um efeito ruim, porque quando elas usam e tem um efeito ruim nelas, dificilmente elas vão continuar usando. Geralmente elas usam quando tem um efeito bom. Então, veja, o cigarro, as pessoas fumando porque era socialmente aceita, o cigarro elas fumando porque era, digamos assim, descolado, era legal, era chique, né? Ou seja, um efeito bom social, mas além disso tem um efeito químico cerebral. de dar um certo bem-estar, de dar um certo prazer, nem que seja momentâneo, mas dá um prazer. Então, quando você pega ali álcool também, a percepção de risco das pessoas caiu muito, né? Tem muito pouca percepção de risco em relação ao álcool. E até porque tem estudos mostrando um certo benefício do álcool. Aí você que fica mais eh difícil de fazer uma distinção. Por um lado, a gente tem eh estudos de benefício no corpo do álcool e, por outro a gente sabe também eh ter uma percepção de que não tem tanto risco. Agora, a gente sabe de casos, vários casos de alcoolismo, mas o que que acontece na mente das pessoas? É como se fosse uma exceção, sabe? como se esse problema da dependência não fosse acontecer com ela ou com o filho dela, não fosse acontecer dentro da casa dela. E aí aumenta-se também a disponibilidade. Na atualidade você tem acesso à bebida alcoólica de forma muito mais eh frequente, de forma muito mais intensa. Você onde você estiver, você tem algum acesso a alguma bebida pelos preços mais variados. Então, o que que tô querendo colocar? querendo colocar aqui eh uma série de situações da psiquiatria, toque, tag, depressão, ou seja, eh
cê tem algum acesso a alguma bebida pelos preços mais variados. Então, o que que tô querendo colocar? querendo colocar aqui eh uma série de situações da psiquiatria, toque, tag, depressão, ou seja, eh ansiedade patológica, depressão, transtorno obsessivo ou compulsivo. Tantas várias doenças, elas não acontecem como um infarto agudo do miorcárdio. Ela vem, a pessoa tem um infarto, tem a dor no coração e aí sabe que tá tá infartando, vai pro hospital. A maior parte das doenças da psiquiatria, elas vão chegando, elas vão se instalando sem a pessoa se dar conta. E sem a pessoa se dar conta, ela começa a tentar buscar alternativas de ajuda. E essas substâncias psicoativas, maconha, cigarro, álcool e sem falar as outras, ela tem um efeito no nosso cérebro, em geral um efeito tranquilizador e um efeito de aumento no prazer. Então, não deixa de ser um efeito positivo. E como é positivo, ao mesmo tempo ela está mal. ao mesmo tempo, a vida dela tá em crise e ela encontrou algo que traz um efeito positivo, ela vai usar mais. Ao mesmo tempo, a percepção social é de pouco risco. Ao mesmo tempo, na cabeça dela tem uma sensação ou uma eh uma ilusão de que o problema vai acontecer com outros, não com ela, porque ela seria invulnerável. Ao mesmo tempo, tá muito fácil de encontrar. Então veja os ingredientes necessários, né, todos ali na mesa para facilitar uma dependência. Então eu diria eh algumas informações pra gente poder aumentar. Primeiro aumentar a nossa percepção de risco, né, de real risco. Álcool, álcool. Em geral, a pessoa quando vai começar a usar alguma substância psicoativa, o álcool é a primeira. Então, o álcool é a porta de entrada para outras drogas, para outras substâncias psicoativas. Segundo maconha, que parece também uma situação descolada, uma situação chique, tranquila, mente aberta. Eu quero dizer que existe sim risco bastante de maconha, eh, de pessoas que usam maconha desenvolverem psicose. E eu ninguém me contou, eu já vi vários casos em emergências psiquiátricas, né, no
erta. Eu quero dizer que existe sim risco bastante de maconha, eh, de pessoas que usam maconha desenvolverem psicose. E eu ninguém me contou, eu já vi vários casos em emergências psiquiátricas, né, no ambulatório, por exemplo, de primeiro episódio psicótico. É a regra, né, você vê o uso de substância psicoativa nas pessoas que estão desenvolvendo ali alguma psicose, especialmente recentemente, né, nos últimos anos, nos jovens. Então, há um risco, a maconha e psicose. Maconha e esquizofrenia. Eh, não só outras drogas, não. Maconha, inclusive é um dos temas mais estudados. E o que que a gente sabe hoje? Vamos pensar na esquizofrenia. tem um percentual de pessoas, né, que já tem um risco genético e a maconha vem como um gatilho. Certamente, se não fosse a maconha era alguma outra coisa, mas a maconha entra também como um dos gatilhos possíveis para desenvolver a doença, porque ela já tinha um fator de risco muito grande. O segundo grupo não tem fator de risco, não desenvolveria a doença, mas há um uso tão intenso que acaba desenvolvendo. E aí eu tô falando especificamente de maconha. E um terceiro grupo que as pessoas se apegam nessa, realmente há um terceiro grupo de pessoas que parecem usar durante muitos anos, né, e não trazem assim nenhum tipo de problema em relação à esquizofrenia. Agora, se você estuda essas pessoas, você pode encontrar outros problemas. Por exemplo, o que a gente chama às vezes de a pessoa ficar meio desmotivada a longo prazo, tranquilona demais, às vezes deixar eh a cognição da pessoa eh atrapalhada, meio desatenta, sabe? Meio esquecida. Então, atrapalhar a cognição. São problemas que não são tão graves, como a esquizofrenia, como a psicose. Eh, e algum há um grupo de pessoas que eh vão usar e realmente nem problema na cognição vai ter, nem problema na motivação vai ter, né? Então, tem todo esse cenário heterogêneo e que a gente precisa ter para desenhar o parâmetro correto, a gente precisa ter os cenários todos e não achar que só esse grupo que
na motivação vai ter, né? Então, tem todo esse cenário heterogêneo e que a gente precisa ter para desenhar o parâmetro correto, a gente precisa ter os cenários todos e não achar que só esse grupo que existe de pessoas que usam e não vão ter problemas é a regra, porque a partir da percepção disso que você diminui a ideia de que não tem risco, tá? Outro ponto importante da maconha é que a maconha, se você usa com a primeira vez 30 anos de idade, 35 anos de idade, 40 anos de idade, é uma coisa. Se você usa com 15 anos de idade, com 14, com 17, é outra. E aí, embora os dados sejam diferentes na população de adultos em relação ao que vai acontecer com uso, a os dados são totalmente eh convergentes quando a gente vê o uso na população bastante jovem. Então, se você pega ali um cérebro que já tá formado, mais um cérebro que tá formando as suas conexões cerebrais, amadurecendo as suas conexões cerebrais e bota uma substância dessa, a gente vai ter certeza de que vai acontecer algum problema de ordem psiquiátrica que não seja, não é às vezes só eh esquizofrenia, não. Entra um bocado de outros problemas, risco de suicídio, depressão, transtorno de pânico. Então, há sim riscos, tá? E a gente precisa eh levar essa informação às pessoas para que a gente possa perceber essas pandemias silenciosas, que são substâncias psicoativas. Porque nós temos muita dificuldade em saber como lidar com o prazer. Nós não temos medida no prazer e geralmente achamos que o problema vai acontecer apenas com o outro. Essas pandemias silenciosas geralmente atacam nas nossas vulnerabilidades quando estão estamos passando por problemas sociais, problemas ambientais, problemas emocionais e essas substâncias aparecem como uma solução, que é um outro problema que vem aumentando muito, eu vou expandir um pouco a resposta, eh, a questão da aposta, jogos de aposta, sabe? os chamados jogos de azar ou o jogo patológico. Antigamente você tinha esse problema eh às vezes no cassino apenas, né? Só que agora transformaram
osta, eh, a questão da aposta, jogos de aposta, sabe? os chamados jogos de azar ou o jogo patológico. Antigamente você tinha esse problema eh às vezes no cassino apenas, né? Só que agora transformaram os smartphones em verdadeiros cassinos e você tem acesso a vários sites de apostas, geralmente apostas esportivas. Quantas vezes e a bola vai bater na trave? Aí faz lá uma aposta. Quantas vezes não é só mais se vai ganhar ou se vai perder. existe um uma infinidade de coisas dentro de um jogo que pode ser apostado, né? Eh, e aí mudaram ali um a conformação, eh, para poder encontrar uma brecha na lei. E hoje você vê, né, celebridades, outdoors em tudo que canto e a e deixando e tentando jovializar a aposta. Jovializar a aposta. colocando ali jovens, entende? Porque jovens, né, com com a com a figura assim de descolada, tudo mais, e aumentando muito o endividamento. E o problema, né, que eu queria levantar aqui no nosso Brasil, países como o nosso, o Brasil tem um risco maior de ter problema de jogo patológico, de de endividamento e aí todas as consequências, porque é uma, a gente chama de dependência comportamental. Existe a dependência química, eh, em que a pessoa tem uma dependência do comportamento e tem uma substância química ali afetando toda a química cerebral. Mas existem os as dependências comportamentais em que a pessoa também o ato do da aposta, sabe? O ato da surpresa aciona as mesmas áreas cerebrais do prazer que a droga, né, a droga, eh, a substância psicoativa a age, então o circuito do prazer, o núcleo acumbes, as mesmas áreas, só que ali a partir de um comportamento, um comportamento de jogos, eh, de aposta em que você tem, não tem certeza se vai ganhar ou não. E países como Brasil tem mais problemas. Por quê? Porque tem, esse é um dado bem consagrado, geralmente pessoas eh mais pobres e consequentemente países mais pobres t mais problema, porque vamos supor, uma pessoa com um nível educacional, um nível econômico eh mais adequado, ela tá passando por um problema, passa ali uma
bres e consequentemente países mais pobres t mais problema, porque vamos supor, uma pessoa com um nível educacional, um nível econômico eh mais adequado, ela tá passando por um problema, passa ali uma no seu celular a possibilidade dela postar, ela vaiá vai lá e aposta uma quantia, aí ela vê que perdeu e aí ela entende entende que não vale a pena pela própria cultura, pela própria formação que ela tem. Uma pessoa que tem eh uma escolaridade menor, ela em geral não consegue ter esse freio e até porque as apostas são menores, né? A aposta ela é R$ 1. Aí ela aposta R$ 1 hoje, R$ 1 amanhã, R$ 1 depois de amanhã, né? R$ 2, R$ 5. Só que eh para ela essa quantia saindo todo dia é muito problemática. Enquanto aquela pessoa com uma condição econômica maior, ela já faz uma aposta maior de cara e consequentemente ela já sente o peso e ela consegue ponderar. Essa aqui não faz uma aposta pequena, não consegue ponderar o todo. Então isso que eu tô dizendo, não tô dizendo, tô dizendo não é um achismo, é um dado concreto de estudos que os países que mais têm problemas com jogos patológicos são os países mais pobres. O Brasil, por exemplo, tem mais, tende a ter mais do que um país como a Inglaterra, né? E dentro do do país, regiões como o Nordeste, o Norte, tende a ter mais problema por terem pessoas também com menor poder aquisitivo. E aí vem o problema se instala justamente em quem tem mais dificuldades também. Então esse é importante a gente chamar atenção, até porque eu queria arrematar todas essas questões que me foram feitas eh a gente levantou aqui nesse programa hoje a questão espiritual. Quando eu tô ali usando uma substância psicoativa, eu tenho uma série de espíritos que também estarão usufruindo um pouco comigo. São as chamadas obsessões pelo prazer. O prazer que o obsessor vai sentir nessa parceria que ele vai est fazendo, a gente chama até de vampirização, né? É um tipo de obsessão, né? Mas é diferente porque é como se ele também tivesse sugando as energias, não só para
ai sentir nessa parceria que ele vai est fazendo, a gente chama até de vampirização, né? É um tipo de obsessão, né? Mas é diferente porque é como se ele também tivesse sugando as energias, não só para desvitalizar, seria um tipo de vampiriação, mas também para eles se ganharam a vida no sentido de sentir coisas que ele sentia quando tava na terra através dessa comunhão, né, parasitária entre hospedeiro e hóspede, né, entre obsessor e obsediado. E o centro do prazer é acionado. Por isso que pouco importa se é uma substância eh psicoativa ou se é um comportamento sem a substância. O a área do prazer é acionada e aí a obsessão ela se intensifica a partir da vampirização, tá? Nesse sentido, a gente tem que eh aumentar ainda mais a nossa vigilância para situações que aparentemente não trazem problema, aparentemente não trazem situações problemáticas. Porque aí vem uma, a gente passa por um, por um estresse, aí já estamos com angústias pessoais, já estamos com às vezes problemas financeiros, às vezes já estamos preocupados com o futuro, tanta coisa. Aí vem o fator espiritual que quer nos perturbar ainda mais para nos tirar a rota e às vezes utiliza-se dessa substância prazerosa e você às vezes pode até sentir que não vai se sentir mal. Essa é uma é uma, digamos, um um risco ainda mais desse tipo de obsessão que é pelo prazer. Você não se sente mal de cara, você pode se sentir bem, até porque o obsessor pode gerar essa sensação de bem-estar programada para que você tenha uma percepção de não ter risco aquele caminho que você tá seguindo. E aí, consequentemente, quando chega mais na frente, porque era um caminho desastroso paraa tua vida, eh você acaba sentindo os efeitos. É mais ou menos como o toque, no primeiro momento, a compulsão gera um alívio e aí você abre. Então, encontrei a solução. Quando vier esses pensamentos na cabeça, eu faço essa compulsão. Só que depois, com o tempo, você fica preso na compulsão e aí aquele alívio não não gera não vem mais, porque você tá fazendo muitas compulsões para poder
ensamentos na cabeça, eu faço essa compulsão. Só que depois, com o tempo, você fica preso na compulsão e aí aquele alívio não não gera não vem mais, porque você tá fazendo muitas compulsões para poder dar conta dessas desses pensamentos que vem na tua cabeça. Então, são situações que eh geram um uma pegadinha, né, como digamos de uma forma popular, porque na hora inicial não geram aquela angústia, aquele desprazer. Porque se gerasse logo de cara um desprazer, uma angústia, a gente procurava ajuda. Mas em geral não é assim. Por isso que o toque a pessoa tem às vezes 10 anos de diagnóstico até descobrir que tem. ela vai se acomodando, é um fenômeno de acomodação nos sintomas. Da mesma forma, os problemas, né, eh, de conteúdo, eh, de dependências químicas ou comportamentais demoram a pessoa a procurar ajuda, aceitar, porque ela também vai se acomodando em termos de perda financeira, em termos de esconder as coisas, até que um problema se instala de forma maior, de forma mais ampla e aí você tem uma situação que era mais leve, que poderia ser resolvível de forma mais tranquila e agora não. Agora exige um esforço gigantesco. Temamos muito cuidado com esse tipo de influenciação, porque no início a gente fica preso na ilusão do prazer. Muita paz. Até a semana que vem.
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