#02 • Jesus e Saúde Mental • O poder terapêutico da fé e da oração
WEBSÉRIE • Jesus e Saúde Mental » Episódio 02: O poder terapêutico da fé e da oração » Apresentação: Dr. Leonardo Machado
Pai nosso que estais nos céus, na luz dos sóis infinitos, pai de todos os aflitos neste mundo de escarcus, santificado Senhor, seja o teu nome sublime, que em todo o universo exprime concórde, ternura e amor. Vem ao nosso coração o teu reino de bondade, de paz e de caridade na estrada da redenção. Cumpra-se o teu mandamento, que não vacila, que não erra, quer seja no céu, quer seja em toda a terra de luta e de sofrimento. Evita-nos todo mal. Dai-nos o pão no caminho feito de luz no carinho do pão espiritual. Perdoa-nos, meu Senhor, os débitos tenebrosos de passados escabrosos, de iniquidade e de dor. Mas auxilia-nos também nos sentimentos cristãos. para conseguirmos amar os nossos irmãos que vivem longe do bem. Portanto, com a proteção de Jesus, livra o nosso eu do erro neste mundo de desterro, ainda distante da vossa luz. Que a vossa ideal igreja seja o altar da caridade, onde se faça a vontade do vosso amor. Sì. Não era bem esse o Pai Nosso do Monsenhor Silvério Horta no Parnaso dela em túmulo de Chico Xavier, que eu fazia com a dona Isabel. Era o Pai Nosso que Jesus nos ensinou dentro do Sermão do Monte. Mas a musicalidade que nos convida à reflexão, a musicalidade do Pai Nosso que nos convida à percepção e a ativação da nossa fé era a mesma. Porque eu conheci a dona Isabel quando eu estava no início da faculdade de medicina. Eu estava no terceiro período e participei de um estágio em que eu tinha a oportunidade de conversar com os pacientes, eu e outros estudantes de medicina, e conversávamos não sobre a doença que o paciente tinha, até porque nós éramos muito iniciantes, estávamos no terceiro período e a ideia daquele estágio era conversar com as pessoas, saber das suas histórias de vida, estabelecer um contato, né, inicial e estabelecer ali uma vinculação naquilo que seria futuramente entendido pelo pelo médico, né, como a relação que ele estabelece com o seu paciente. Era um treino, portanto, de estabelecimento profundo com a pessoa que estava ali temporariamente na figura de paciente. E
do pelo pelo médico, né, como a relação que ele estabelece com o seu paciente. Era um treino, portanto, de estabelecimento profundo com a pessoa que estava ali temporariamente na figura de paciente. E eu tive a oportunidade de ir para a enfermaria de oncologia, a enfermaria que cuidava de pessoas com câncer, porque a faculdade onde me formei na Universidade de Pernambuco, no meu estado, era e é uma referência no tratamento de pessoas com câncer. No início da minha faculdade, inclusive, eu até pensei em fazer oncologia e ali na estágio, a gente podia escolher as enfermarias. E como eu pensei em fazer oncologia, eu então escolhi a enfermaria de oncologia. E naquele contato inicial eu pude conversar com algumas pessoas, mas muitas estavam no estágio da terminalidade, ou seja, a doença não tinha mais cura, mas eles estavam lá para fazer o tratamento, a terapêutica. Porque não é só o terapeut, a terapêutica curativa, mas também a terapêutica paliativa, que tem muita importância e cada vez mais eh vem mostrando o seu poder, a sua função. E ali estavam, portanto, internados pacientes de que tiveram anos de vida, que conseguiram eh receber a alta, mas eu tive contato com muitos que vieram a falecer, que vieram a desencarnar pouco tempo depois. Lembro de algumas que eu conversava num dia, na semana seguinte elas já não estavam mais num hospital porque haviam desencarnado. E dentro dessas pessoas que eu tive contato, a dona Isabel me chamou atenção. E posso contar o nome dela, porque na ocasião eu pedi eh para que a história que a gente vivenciou pudesse ser compartilhada, porque certamente iria ajudar muitas pessoas. E eu pedi para ela, pedi pra irmã dela que acompanhava de forma muito nobre, de forma muito persistente e continuada em todo o tempo que eu tive contato com a dona Isabel. e vou compartilhar com vocês essa história que marcou, né, a minha formação médica e de certa forma marca a minha vida e me dá a autenticidade da força terapêutica, da fé e da oração. Dona Isabel estava lutando contra um
om vocês essa história que marcou, né, a minha formação médica e de certa forma marca a minha vida e me dá a autenticidade da força terapêutica, da fé e da oração. Dona Isabel estava lutando contra um câncer há mais ou menos 5 anos, quando eu a conheci. Ela tinha começado com câncer no colo do útero e quando ela descobriu o câncer já estava no estágio avançado. De tal modo que naquele momento que eu a conheci, ela já estava com metástase, estava com câncer espalhado pelo corpo e metástase óssea e não tinha mais a possibilidade curativa, tinha possibilidade paliativa. e ela estava lá no hospital justamente fazendo uma uma certa paliação, porque não estava mais tomando nenhuma quimioterapia, nem fazia mais radioterapia. Por isso que ela se destacou no meu olhar também, porque diferentemente de vários pacientes que estavam com o seu cabos seus cabelos caídos, né, por causa do efeito do tratamento, elas tinham o cabelo longo e depois me revelou o motivo, porque quando eu comecei a conversar com ela, ela me falou o seguinte: "Dona Isabel, eu posso conversar com a senhora? Eu me chamo Leonardo, sou estudante de medicina, estou participando de um projeto em que eu preciso eh conversar com pessoas e queria conversar com a senhora. E se a senhora permitir, eu vou ficar vendo aqui quase todos os dias para que a gente possa conversar. Ela me respondeu algo muito curioso que eu só entendi tempos depois. Ela me falou assim: "Olha, meu filho, eh, podemos, mas eu só tenho pouco tempo de vida. a minha a minha o meu prognóstico, né, o termo técnico, ou seja, o tempo que me deram foi muito pouco, me deram um mês de vida. E eu não entendi muito bem porque ela estava falando aquilo, né? Eh, porque eu não tava pensando, digamos, a longo prazo, tava querendo conversar ali, eh, estabelecer aquele rapó. E eu falei: "Não, não se preocupe. Se a senhora puder, se a senhora desejar, se não for eh trazer nenhum atrapalho pra senhora, a gente pode conversar." E ela então aqueceu e depois eu que eu
le rapó. E eu falei: "Não, não se preocupe. Se a senhora puder, se a senhora desejar, se não for eh trazer nenhum atrapalho pra senhora, a gente pode conversar." E ela então aqueceu e depois eu que eu fui entender, é como se ela tivesse ali me protegendo, dizendo assim: "Olha, você pode conversar comigo, mas eu vou morrer daqui a pouco e você vai sentir dor." É curioso porque a gente vê isso na prática. Às vezes quando estamos diante da terminalidade da vida, temos muito medo e às vezes nos afastamos. Acontece isso em hospitais, mas acontece também nas famílias. aquelas pessoas que estão na terminalidade, nós às vezes afastamos do nosso convívio e às vezes pensamos que estamos dando o nosso melhor cuidado, mas às vezes não. Às vezes é um afastamento para que a gente não tenha esse contato com a dor. E ela então não queria que eh eu tivesse esse contato porque eu iria mais próximo do que eu imaginava ter o contato com o luto. E o convite inicial que eu já queria fazer é a fé. Eu só fui entender isso muito tempo depois, atendendo já como médico outros pacientes na terminalidade e entendendo como de fato lidar com o luto, lidar com as perdas é doloroso não só para quem sente o luto, só não só para quem sente a perda diretamente, mas também para aqueles que estão ao redor lidando com o sofrimento da perda. Ao mesmo tempo, como é doloroso para a figura do profissional de saúde, entre aspas, perder um paciente. Mas eu já sou espírita desde que, digamos, nasci, né? Ou seja, nessa atual encarnação, eu tive a oportunidade de nascer em um ambiente familiar espírita. A linguagem do espiritismo, a linguagem da transcendência está dentro da minha visão, mesmo antes da linguagem. da medicina. Então, para mim, naquele momento, terceiro período da faculdade de medicina, eh, eu havia uma, eu tinha uma tranquilidade de lidar com essas situações que até hoje muitas vezes a gente enquanto espírita é reconhecido, né, a tranquilidade que muitas vezes nós conseguimos lidar diante dessas
uma, eu tinha uma tranquilidade de lidar com essas situações que até hoje muitas vezes a gente enquanto espírita é reconhecido, né, a tranquilidade que muitas vezes nós conseguimos lidar diante dessas situações. E é interessante que a nossa fé, a fé de que há uma sobrevivência, certamente nos ajuda a aguentar. Depois eu fui entendendo que o fato de aguentar essa situação não significa de modo algum que a gente não vá sentir nenhuma dor. O fato de aguentarmos essa situação dolorosa não significa que a gente vai sair imune ao sofrimento. Porque a visão espiritista não é para deixar ninguém imune ao sofrimento. Da mesma forma, a fé não traz uma imunidade, né, espiritual ou uma imunidade biológica que faz com que a gente não sinta nada. Ela apenas faz com que a gente enfrente as adversidades da vida, inclusive as adversidades inerentes à terminalidade, as adversidades da despedida e da incerteza de quando se vai novamente restabelecer o contato com o ente querido ou com a pessoa querida. Mas a fé espírita me dava essa fortaleza, essa firmeza de falar para dona Isabel, mesmo sem revelar a minha eh espiritualidade, a minha vinculação espírita. Eu falei para ela: "Não, com tranquilidade, sem problema, eu posso ficar com a senhora." E começamos a conversar, eu me apresentei, ela se apresentou, começou a contar essa história do da de lidar com o câncer. Ela estava em outro estado. Ela não era aqui de Pernambuco, ela era de outro estado e estava aqui justamente para fazer esse tratamento e tinha dois filhos eh algum alguns anos mais novos do que eu. E ali ficou eh palpável a vinculação que começava a se estabelecer. E ela chamava logo de meu filho. Certamente a figura filial de um jovem estudante de medicina. Mas essas transferências numa linguagem psicanalítica, essas contras contratansferência daquilo que nós sentimos diante do outro são naturais, são inerentes. A gente nunca eh estabelece um contato com o outro apenas na figura que o outro representa para nós 100%. Nós estabelecemos também um contato com um
ntimos diante do outro são naturais, são inerentes. A gente nunca eh estabelece um contato com o outro apenas na figura que o outro representa para nós 100%. Nós estabelecemos também um contato com um outro que, de certa forma replica as vinculações parentais que nós temos com os pais, mas também com os filhos, com os parentes, com as figuras que t uma importância intensa em nossas vidas. Passamos então a conversar e eu comecei a visitá-la todos os dias e muitas coisas me chamaram atenção no contato com a dona Isabel. O primeira, primeiro contato, talvez a primeira coisa que eu queira eh expressar era a fé que ela tinha. Era uma pessoa católica que tinha uma fé bastante grande, bastante robusta. E eu percebi isso quando uma vez eu estava eh chegando no na enfermaria, chegando no leito dela e eu percebi que ela guardou a Bíblia que ela tinha e colocou embaixo do travesseiro. Eu achei um local diferente para se guardar uma Bíblia e perguntei para ela: "Mas por que a senhora guarda aí? Porque a senhora não bota aqui eh na cabeceira, né, na cômoda?" E ela disse: "Não, meu filho, sabe o que é? Eu já tô tão cansada, tão sem forças, que muitas vezes eu não consigo fazer a leitura eh mais demorada da Bíblia". Mas eu creio muito e eu acho, tenho convicção, tenho certeza que se eu colocar, né, e a Bíblia embaixo da minha cabeça, é como se eu tivesse mais perto de Deus. Eu achei essa expressão de fé muito bonita. Porque, como eu falei, eu sou espírita nesta encarnação desde que nasci, né? Já já cresci com essa linguagem. Então, eu não conheci outras vinculações de fato eh religiosas nessa existência. Tive muito contato na adolescência, buscando livros eh que pudesse fazer comparações com a doutrina espírita. li muito livros sobre budismo, livros sobre hinduísmo, livros também sobre a filosofia de Sócrates. Pude escrever algumas coisas no início da minha eh da minha vida enquanto palestrante espírita ali, fazendo comparações dessas linguagens. Fui atrás de algumas leituras que
re a filosofia de Sócrates. Pude escrever algumas coisas no início da minha eh da minha vida enquanto palestrante espírita ali, fazendo comparações dessas linguagens. Fui atrás de algumas leituras que pudessem me aprofundar a linguagem da época histórica da Bíblia e também algumas questões mais teológicas, porque era ali o jovem adolescente aprofundando o conteúdo espírita e tentando comparar as visões. Mas eu nunca frequentei nenhuma outra instituição que não fosse uma instituição espírita. Então, a linguagem da expressão da minha fé é uma linguagem eh eminentemente espiritista. Então essa questão, por exemplo, de colocar um livro no peito, na cabeça, em determinado local para simbolizar uma vinculação com o criador, não é bem uma linguagem que nós aprendemos numa na instituição espiritista, aqueles que nascemos eh no espiritismo. No entanto, eu sempre achei, continuo achando e tive essa certeza, vendo a expressão genuína da fé de dona Isabel, que qualquer expressão autêntica de fé é merecedora de admiração. Mesmo que não seja a linguagem do meu coração, do meu intelecto, a linguagem da minha cultura, a expressão de fé genuína é sempre uma expressão que nos emociona. E eu fiquei emocionado ao ver esse relato bonito, esse relato profundo da dona Isabel. Eu estou colocando a Bíblia embaixo da cabeça porque eu não tô conseguindo ler, mas eu queria ficar perto de Deus. E eu acho que tendo esse contato com a palavra, né, eu estarei mais perto de Deus, mesmo que não esteja lendo. Eu achei aquilo tão bonito que lembrei-me de Paulo de Tarso, quando ele vai falar que a fé é a firme convicção, né, daquilo que se espera, a plena confiança mesmo das coisas que não se vêem. Então, veja que ela tem um contato ali com a Bíblia naquele momento, ela não está eh conseguindo ler porque tava muito cansada, né, por causa do adoecimento, mas mesmo sem ver, sem ler, ela está convicta, ela espera uma eh uma bênção, né? Espera energias positivas da divindade e aquilo faz com que ela estabeleça a sua fé.
ada, né, por causa do adoecimento, mas mesmo sem ver, sem ler, ela está convicta, ela espera uma eh uma bênção, né? Espera energias positivas da divindade e aquilo faz com que ela estabeleça a sua fé. na atividade. Isso é muito interessante, porque a fé só tem um sentido mais profundo se ela consegue ser ativa dentro de dentro de nós ou pelo menos ativar dentro de nós emoções positivas que nos façam transcender a expectativa daquele momento. Então, ela na dor conseguia transcender a parte da fé, da expressão da fé que ela possuía. Então, a partir daquele momento, sabendo que ela tinha uma fé, eu lhe falei: "Olha, dona Isabel, eh, eu também tenho muita convicção de que a fé é importante e se a senhora desejar, nós podemos começar a rezar um Pai Nosso." E toda vez que eu venho aqui, a gente conversa sobre a vida. sobre o que a senhora desejar e no final eu posso fazer uma prece com a senhora, pego na sua mão, né? E depois que a gente fizer o Pai Nosso, nós ficamos um pouco em silêncio e eu faço eh a prece também que eu estou acostumado a fazer. E ela ficou muito feliz. E a partir daquele momento, todos os dias que eu encontrava a dona Isabel, nós fazíamos um Pai Nosso no final do nosso encontro. Depois ela ficava em silêncio, eu ficava em silêncio e pegando nas suas mãos eu continuava uma oração conforme a convicção espírita, tocando nas suas mãos e também fazendo oração mais livre, sem uma fórmula ou uma forma prédefinida, como nos lembra Allan Kardec e não é o mais importante, o pensamento é tudo. Então a gente acaba tendo na visão espírita uma leitura da prece mais livre, como se fosse um diálogo que nós estabelecemos de acordo com aquele momento que estamos passando para com Deus. Mas isso não significa que a gente eh não possa utilizar algumas formulações eh gerais, né? O próprio Allan Kardec traz umas algumas instruções, né, de pontos gerais interessantes, eh, sobre algum tipo de prece, a prece para obsessor, a prece para um para uma questão de saúde, eh, a gente pode, então, se a gente não ficar
s algumas instruções, né, de pontos gerais interessantes, eh, sobre algum tipo de prece, a prece para obsessor, a prece para um para uma questão de saúde, eh, a gente pode, então, se a gente não ficar preso à forma, não quer dizer que a gente na visão espírita não possa, como por exemplo, recitando uma poesia, de certa forma, a recitação da poesia, que é uma oração, a gente fazer uma oração meio formulada numa poesia. O importante é que o pensamento esteja convicto e esteja conectado. Então ali a gente fazia o que eu costumei brincar, né, de um estetopasse. Eh, a gente pode dar passe na imposição das mãos, né, como a gente faz dentro do centro espírita, mas a gente também pode, né, dar um passe emitindo bons pensamentos. A gente pode dar um passe fazendo uma oração, porque o passe nada mais é do que uma transmissão de energias do bem nossas que pega o nosso próprio magnetismo, mas também uma transmissão de energia, especialmente do magnetismo espiritual, dos benfeitores que nos ajudam e que nos utilizam como instrumentos. Então, se a gente está ali diante da vida, né, se colocando como instrumento, não vai necessariamente importar se a gente vai estar dentro do centro espírita impondo as mãos ou se a gente vai estar ali no leito da dor tocando ou não tocando, eh, segurando as mãos, que eu estava lendo no caso, tocando, segurando as mãos dela. Então, a forma nada prende, o pensamento, a intenção é tudo. E a gente então pode improvisar. E foi isso que eu percebi quando eu estava eh mais na frente. Foi ali a parte dela que eu percebi isso, que haviam formas criativas de levar o que a gente aprende dentro de uma da nossa visão escritista. E eu comecei a então a brincar de chamar estetopáso, ou seja, o estetoscópio, que a gente escuta o coração das pessoas, porque além de escutar ou ao escutar o coração das pessoas, ao escutar o pulmão das pessoas trabalhando, a gente também como profissional de saúde não pode transmitir pensamentos bons. Demora um pouco mais ali na oscuta para poder
scutar o coração das pessoas, ao escutar o pulmão das pessoas trabalhando, a gente também como profissional de saúde não pode transmitir pensamentos bons. Demora um pouco mais ali na oscuta para poder transmitir bons pensamentos. Então, faz um estetopasse ou uma prece que se transforma em um passe, né? Então, foi era aquilo que a gente fazia com a dona Isabel todos os dias quando eu ia conversar, o Pai Nosso, nós dois juntos e depois eu orava da minha forma com essa minha visão espiritista que tinha. E ali foi passando, foi passando. E uma vez me chamou atenção um grupo de pessoas de uma determinada religião que foram fazer as visitas, como várias religiões fazem, mas naquele dia as pessoas estavam com pressa, eu acho, né? E a dona Isabel era a última. Então eles começaram a fazer uma prece e a dona Isabel estava chorando naquele dia. Foi um dia inclusive que eu cheguei e ela me pediu para ficar em silêncio, né? Ela falou assim: "Meu filho tá doendo tanto, se a gente puder não conversar hoje, melhor". E eu pensei em sair. Eu falei: "Tão, então eu posso vir em outro horário amanhã?" Ela: "Não, fique aí, mas eu só não queria falar muito, mas se você puder ficar". E eu fiquei e nesse ficar ao lado do leito dela, sentado em uma cadeira esperando, né, eh, esse grupo de pessoas chegar, eh, chegou e eles começaram a orar e ela tava realmente chorando. E foi curioso, meu trágico também, na minha percepção, porque eles falaram assim: "Pô, olha, por que você tá chorando?" Ela não, porque tá doendo. E essas pessoas então falaram, especialmente uma delas falou assim: "Mas você não tem fé em Jesus? Não, quem tem fé engole o choro, né?" E eu achei assim, nunca vi essa concepção de fé. Não vem no Paulo de Taro isso. Quem tem fé engole o choro. Quem tem fé consegue passar pelo choro, mas não significa que não vai chorar. Ou seja, a fé não traz uma imunidade na dor, mas pode, né? e faz com que a gente transcenda a nossa realidade. Aliás, como aproveitar e abrir aí eh o slide de um livro que a gente escreveu pela
horar. Ou seja, a fé não traz uma imunidade na dor, mas pode, né? e faz com que a gente transcenda a nossa realidade. Aliás, como aproveitar e abrir aí eh o slide de um livro que a gente escreveu pela editora FEB, Vida Saudável e Feliz, Evangelho de Jesus e Saúde Mental, que é inclusive muitos muitas páginas serão ali abertas nesse, nessa temporada do eh Jesus e saúde mental. Então, a parte que diz assim: "Certamente tanto a prece quanto a fé não poderão mudar determinados pontos do nosso destino, pontos que são gerados por várias causas e efeitos que nós construímos para nós mesmos. Entretanto, as duas instâncias, a fé e a oração, conseguirão amenizar em nós muitos problemas aflingentes. Então, não é para engolir o choro, mas é para conseguir passar pelo pranto sem desesperação. Então, essa fala mais dura dessa pessoa deixou a dona Isabel constrangida e agoniada. E quando elas foram embora, eu tomei as dores da dona Isabel e falei assim: "Olha, dona Isabel, não se preocupe não. E a senhora tem uma fé muito grande". E aí eu fiz uma, né, uma uma, de certa forma, uma brincadeira positiva ali e fiz como se eu tivesse um termômetro de fé, né? Eu falei: "Olha, se eu tivesse um termômetro da fé ou se eu tivesse um fômetro para medir a sua fé, a dela e a minha e das pessoas que eu tenho contato, eu diria: "Olha, a senhora é a pessoa que mais tem fé que eu conheço, é quem tem uma fé mais elevada". Então não se preocupe, porque a fé da senhora não vai dizer que não tem dor, até porque a senhora me disse que às vezes a morfina é que nem água, né? A dor óssea dói muito. E ela então olhou para mim, né? balançou a cabeça. Eu ainda fiquei lá mais um tempo e depois de 30 minutos em silêncio, só rompendo o silêncio por esse instante, eu fui embora. Ela falou: "Tá bom, meu filho, agora vá, você tem suas coisas para fazer, tem o a sua faculdade". Tempos depois, né, em outros dias, eu perguntei assim: "Mas, dona Isabel, eh, por que a senhora pediu para eu ficar se a gente nem conversou, né? Fiquei sem
coisas para fazer, tem o a sua faculdade". Tempos depois, né, em outros dias, eu perguntei assim: "Mas, dona Isabel, eh, por que a senhora pediu para eu ficar se a gente nem conversou, né? Fiquei sem saber se aquilo tem sido bom ou não, tinha ajudado. E ela falou: "Ah, meu filho, me ajudou muito. Muito obrigado. Você tá aqui me ajudou". E ali eu tive mais uma lição de que muitas vezes o que a gente precisa é ter coragem de estar ao lado da dor e não necessariamente querer resolver a dor. Eu não tinha remédio ali para dar, para sanar a dor dela, já que a própria morfina era como água. Eu não tinha meios médicos, era estudante de medicina, não sabia no início do terceiro período, mas eu tinha presença no sentido de ter coragem de estar presente. E aquela mesma coragem instruída pela fé espírita que me fez ficar ao lado dela, me fez também estar ali em silêncio, entender na prática que é isso que a gente pode fazer com grande força na especialmente aqueles que estamos como cuidadores, né? Aqueles que temos alguma função de cuidar, ter coragem de permanecer. Ela me falou, me ajudou muito. No outro dia, o outro grupo de religiosos foi lá, mas esse grupo de religiosos era espírita, eram eram espíritas, né, os religiosos. e foram lá no final de semana, eh, e acho que conversaram com ela. Eu já li, já estava alguns meses conversando com ela e talvez eh ela contou de um jovem estudante de medicina que tava indo com ela lá, que fazia uma prece e que conversava e que depois ficava numa pressa em silêncio. Enfim, juntaram os nomes, né? Eh, e descobriram que eu era eu, né? Ou seja, eu já fazia palestras espíritas, sabe? E o grupo de espíritas que foi frequentava uma instituição que eu fui mais de de uma vez, fui várias vezes na minha eh adolescência, né, na na fase inicial, quando o tempo me oportunizava eh um pouco mais de ida física a alguns locais. Então eles sabiam que eu estudava medicina naquela faculdade e aí perguntaram. Enfim, quando eu cheguei na segunda-feira, a dona Isabel perguntou: "Meu filho,
pouco mais de ida física a alguns locais. Então eles sabiam que eu estudava medicina naquela faculdade e aí perguntaram. Enfim, quando eu cheguei na segunda-feira, a dona Isabel perguntou: "Meu filho, você é espírita?" Eu confesso que achei que ela tava perto de desencarnar quando ela perguntou isso, né? Porque às vezes a pessoa tá perto de desencarnar e começa a ter algum contato com a espiritualidade, né? Eh, dos desencarnados, enfim. Eu fiquei assim um tanto quanto assustado, preocupado. Eu perguntei: "Sou, como é que a senhora sabe?" Ela falou: "Ah, é porque as pessoas vieram aqui, eram de tal local, conhecem você, me disseram que você é espírita". Aí eu comecei a entender a nossa a o nosso momento. Ah, meu filho, me diga o que é que eu vou encontrar do outro lado quando eu morrer? Eu achei aquela pergunta forte. Porque eu tava acostumado a fazer palestras, a dar aula de ESD, a dar aula de evangelização, né? Comecei a fazer palestras com 17 anos, então já fazer ler 20 anos. Eh, comecei a dar aulas, eh, fazer um trabalho espírita continuado desde os 13 anos. Então, fazem ali 24 anos. Era na evangelização espírita. Eu como evangelizador dos adolescentes, como eu também adolescente que era, mas nunca tinha falado sobre a morte, sobre a desencarnação, sobre o mundo espiritual para alguém que estivesse no leito da dor, né, com um prognóstico de vida pequeno de ponto de vista material. Mas ela me perguntou, eu comecei a falar da minha visão, né, enquanto espiritista, o que é que o espiritismo tinha nos ensinado. E depois de um tempo do diálogo, eu entendi a pergunta dela, porque no final das contas ela queria saber, meu filho, pela visão espírita, eu vou poder ter contato com meus filhos? Porque o que mais me dói não é acreditar que não vai ter nada, porque eu acredito, eu tenho convicção que ele vou ter. e que vai ter alguma vida, mas eu fico com medo de não ter contato com meus filhos, de ficar em algum local que não tem um contato. E então respondi: "Pela nossa fé, o contato continua. Os
le vou ter. e que vai ter alguma vida, mas eu fico com medo de não ter contato com meus filhos, de ficar em algum local que não tem um contato. E então respondi: "Pela nossa fé, o contato continua. Os laços de famílias não se rompem pela desencarnação. A senhora vai ter contato e mesmo que não seja por uma mensagem como o Chico Xavier tinha a oportunidade de fazer para as pessoas, vai ser pel um sonho. Vai ser quando eles sentirem a presença da senhora, quando estiverem lembrando no álbum de fotografias mental ou físico e se conectarem e a senhora poder lá abraçá-los, eles vão sentir e a senhora vai poder ajudá-los. Ela se tranquilizou e ali fomos continuando o nosso contato. Um mês de vida essa senhora tinha como expectativa, mas já estavam se passando um ano quando ela já estava em outro hospital. O meu estágio já tinha acabado porque era um estágio era de 6 meses. Então, em tese, eu tinha eh apenas 6 meses de eh obrigação, entre aspas, de conversar com ela. Mas o contato foi tão profundo que a gente foi tendo contato eh mesmo quando ela foi para outro hospital. E naquele dia me chamou muita atenção, porque eu pude perguntar para ela, dona Isabel, já em outro hospital, um ano depois ela ainda encarnada. Por que a senhora gostava tanto de orar? E gosta tanto de orar? Porque às vezes eu tava com pressa e para não fazer aquela prece mais alvoroçada daqueles religiosos e a gente brincar e sorria quando contava isso. Eu ia embora, mas a senhora pedia: "Meu filho, faça prece". E a gente orava e ela, meus amigos, me falou algo que eu nunca vou esquecer. Ela me falou assim: "Meu filho, lembra que a dor era que nem era a a dor era tão forte que morfina era que nem água?" Pois é, muitas vezes a gente orava e a dor passava. Eu estava agoniada com a dor física e a dor ia passando. Então, eu sempre quis orar. E aquilo foi muito forte, porque eu sei do poder da fé, sei do poder da oração, mas até naquele momento eu imaginava que o poder da fé e o poder da oração era, digamos assim, para as pessoas mais
rar. E aquilo foi muito forte, porque eu sei do poder da fé, sei do poder da oração, mas até naquele momento eu imaginava que o poder da fé e o poder da oração era, digamos assim, para as pessoas mais evoluídas, para aquelas pessoas que são missionárias. E aí a gente, ou então pros grandes benfeitores espirituais. E naquele momento eu tive a certeza de que pessoas normais, eu como ela, com benfeitores que não são da primeira ordem espiritual, digamos assim, podemos fazer muito. Não economizemos a nossa fé, não economizemos a nossa prece, nem terceirizemos a oração para que outras pessoas a o façam. façamos nós na nossa limitação, nas nossas dificuldades, mas que a gente ative, porque afinal de contas a dor nos ajuda nessa perspectiva também de ativar essa força que faz a gente transcender. E eu vi isso durante um ano, mas eu não me dava conta. E ela então me falava, me falou, me confirmou. E por isso que eu pedi para que ela eu pudesse contar a história dela. Por isso e por todos os outros contatos que aqui nesse momento, nesse episódio, eu estou resumindo nesses pontos que mais são importantes pra gente pensar na fé e na oração. Mas eu ainda tive contato com ela depois dessa desse momento. E então naquele dia eu ia voltar pra casa, estava saindo da universidade, como falei, ele já estava em outro hospital, não mais um hospital universitário que eu estudava, tava indo para casa preocupado com algumas provas, mas tive a vontade de desviar o caminho e ir até o hospital onde ela se encontrava. E lá eu fui e quando eu cheguei, ela já estava desacordada fazia dois dias. Eu conversei com a irmã, pedi permissão para que a gente pudesse orar. A irmã permitiu naquele dia, eu me lembro de ter pego a mão da irmã, pego a mão da dona Isabel e nós termos feito o Pai Nosso. E conforme eu falava, Pai Nosso que estás nos céus, santificado Senhor seja o teu nome. E conforme ia falando, a dona Isabel começava a se mexer. Abriu os olhos, a irmã ficou assim espantada, né? Eu também, que fazia dois
Pai Nosso que estás nos céus, santificado Senhor seja o teu nome. E conforme ia falando, a dona Isabel começava a se mexer. Abriu os olhos, a irmã ficou assim espantada, né? Eu também, que fazia dois dias. E a Dona Isabel começou a balbucear algumas coisas. Eu cheguei perto da do da face dela, coloquei meu ouvido perto para poder escutar e escutei ela dizendo: "Muito obrigado, meu filho, muito obrigado por ter ficado". E eu disse: "De nada, eu também agradeço ter conhecido a senhora. A senhora quer fazer um Pai Nosso?" Claro que eu quero. Então vamos começar de novo. Pai nosso que estáais nos céus, santificado Senhor seja o teu nome. E conforme eu fui fazendo, ela foi balbuciando muito fracamente. Terminando, terminamos o Pai Nosso. Ela fechou os olhos e quando eu estava saindo da enfermaria, ela desencarnou. A irmã dela me chamou novamente, eu toquei, estava ali dona Isabel. Terminada essa trajetória e um Pai Nosso a ajudou a se desvincular, a fazer o passamento final da desencarnação. Essa melhora da morte de alguém que melhora um momento para se despedir, para dizer que é muito obrigado. Eu ia pra casa, mas uma força certamente espiritual me levou para ficar para ir ao encontro dela e tive a oportunidade de ver a expressão da fé nessa pessoa chamada Dona Isabel, que confiou até o final da sua existência e até hoje pode ajudar na sua simplicidade através de uma de uma palavra aqui, de uma palavra ali, através de uma palestra. através de um colóquio, ensinar pelo exemplo o poder terapêutico da fé e da oração. Não desistamos. Oremos e possamos ativar a nossa fé do nosso jeito, com um Pai Nosso simples, mas fazendo o que nós tivemos a oportunidade de fazer. Como ela, a gente toca as mãos e fala: "Pai nosso, louvado seja, Senhor, tu que estás nos céus, na luz dos sóis infinitos, pai de todos os aflitos deste mundo de escassemos. Santificado Senhor seja o teu nome sublime, que em todo o universo exprime paz, concórdia, ternura e amor. Que venha ao nosso coração um pouco mais do teu reino de paz, de
s deste mundo de escassemos. Santificado Senhor seja o teu nome sublime, que em todo o universo exprime paz, concórdia, ternura e amor. Que venha ao nosso coração um pouco mais do teu reino de paz, de caridade, de bênçãos e de ternura. Que seja feita, portanto, a tua lei que não vacila, que não erra, quer seja no céu, quer seja na terra de dores e de sofrimentos. Dai-nos o pão no caminho feito na luz e no carinho do pão espiritual. Portanto, que a gente possa ter mais fé em teu filho Jesus, para que possa cumprir-se esse mandamento dentro de nós e que a gente possa ir continuando a nossa trajetória de fé no nosso dia a dia. Dessa maneira, a gente vai aprendendo a ir perdoando os nossos inimigos sem retribuir o mal que recebemos com o mal. dando às vezes o limite necessário, mas não a retribuindo com a mesma moeda, porque a gente também vai aprendendo a se perdoar, a perdoar as nossas dificuldades, as nossas mazelas. E quando for vendo a nossa trajetória, a gente vai dizer: "Louvado sejas, Senhor, que cumpra-se sempre o teu mandamento. Assim seja.
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Estudo da Obra – Loucura e Obsessão | T7:E34 – Cap. 17: Terapia desobsessiva – Parte 2