Roda de Conversa com Artur Valadares e Carlos Campetti | 105 Anos da Fergs
Amigas e amigos, que bela celebração dos 105 anos da nossa federativa. E vamos nos encaminhando então para a atividade final, contando com os nossos dois convidados, Artur e Carlos, que estarão ainda nos proporcionando mais reflexões nesta roda de conversa. Eu sou Tânia, trabalhadora da área da mediunidade Ferges. Eh, sou morena, cabelos grisalhos e estou eh com o vestido azul marinho. >> Boa tarde, amigas e amigos, aqueles que nos acompanham presencialmente, aqueles que nos acompanham pelas redes sociais. É uma alegria tê-los conosco. Eu sou o Jeferson. Tenho pele morena, uso barba, que tal qual meus cabelos já estão desbotados pelo tempo, e tenho os olhos castanhos. Lembramos a todos também, uma coisa importante que estamos ainda contando com a colaboração de todos, com as perguntas. pessoal aqui presente, pessoal nas redes sociais, podem enviá-las que nós as trataremos aqui conforme o nosso tempo. Vamos então à primeira pergunta, meninos. Artur, então começamos contigo. Como despertar nos jovens que não foram educados desde o berço e hoje se destacam em rebeldias? As noções do essencial? É algo até que nós comentávamos ali na entrevista que foi feita, né, para Fergs TV, Fergs Play, a respeito dos melhores caminhos de despertar o jovem ou quaisquer outros corações para a grandeza da mensagem do evangelho. Eu acho que o Carlos já abordou isso na roda, nas perguntas pela manhã, mas eu acho que o caminho mais efetivo, e parece até clichê dizermos isso, mas é o que a vida nos demonstra, é sempre o da exemplificação. Recordo-me de uma frase de Jesus Atadeu, discípulo, que está registrado no livro Boa Nova, capítulo de número sete, que ele diz assim: "Adeadeu, a luz ilumina, dispensando os longos discursos, porque esse é o caminho que às vezes queremos seguir, os longos discursos em que falta muitas das vezes aquela eloquência no verbo que nasce da aplicação daquilo, o coração que se dispõe aplicar, que se proponha a fazer aquilo, ainda que esteja longe da perfeição ou da integral
ue falta muitas das vezes aquela eloquência no verbo que nasce da aplicação daquilo, o coração que se dispõe aplicar, que se proponha a fazer aquilo, ainda que esteja longe da perfeição ou da integral aplicação de um princípio, de uma proposta do evangelho, ele já vibra em uma outra faixa, digamos assim. Há mais alma nas suas palavras, há mais eloquência no seu argumento e mesmo na ausência das palavras, a própria vibração, o modo de viver e de proceder já discordina para aqueles que estão ao seu redor que há ali uma proposta diferente de vida. Que proposta é essa? em que a criatura nos momentos mais difíceis, desafiadores, permanece assim tão serena, assim tão confiante, exalando bom ânimo, contentamento, alegria. Então, imagina só para um coração nessa fase da juventude que se vê às vezes perdido, sem sentido pra vida, sem propósito, desalentado. Imagina para ele ter a oportunidade de olhar para uma vida assim, sentir-se envolvida por ela, por aquela vibração, por aquela alegria. Creio, não haja meio mais efetivo de transmitir de maneira tão eloquente a mensagem de Jesus. Então, tudo passa, né, inicialmente pelo compromisso com a exemplificação. O evangelho expresso em nossas vidas será sempre a tradução mais viva da mensagem de Jesus. Mas claro, isso não nos impede também de buscarmos meios que possam ser mais propícios ao jovem, né, no contexto em que ele se encontra. Nesse sentido, podemos lembrar aqui a utilidade que temos, por exemplo, da arte. E esse é um aspecto que precisamos destacar mesmo em nosso movimento, que ele esteja cada vez mais vivo, né, e preenchido pela arte, porque essa é uma linguagem muito envolvente, seja por meio da música, do teatro, do livro ou do cinema ou outras formas que venhamos a conceber. em geral, ela tem uma ascendência maior sobre o jovem e é um meio de veicularmos esses conceitos, esses chamamentos, eh, chegando ali ao plano da sensibilidade, mais do que ao plano da razão propriamente, porque às vezes eh o espírito está numa tal postura já de
eio de veicularmos esses conceitos, esses chamamentos, eh, chegando ali ao plano da sensibilidade, mais do que ao plano da razão propriamente, porque às vezes eh o espírito está numa tal postura já de resistência que a argumentação racional não vai fazer tanto sentido, mas a argumentação sentimental, pelas vias da sensibilidade, às vezes pode abrir porta que as palavras e os argumentos não conseguirão fazê-lo. Então, a gente pode pensar nisso, na arte, eh, vincular a mensagem espírita aos temas e acontecimentos do nosso mundo atual, mostrando como o espiritismo tem ali respostas, tem orientações, pode ser algo que os atraia mais. Então isso é parte do trabalho, né, a ser desenvolvido, a ser desdobrado, mas que não será tão eficaz quanto poderia ser se tudo não começar antes, num empreendimento cada vez mais efetivo, especialmente no âmbito do lar, daqueles que são os responsáveis por esse jovem, aqueles que foram incumbidos, né, de tutelá-lo. Se isso não começar nesse âmbito, os nossos esforços serão muitas vezes ainda muito limitados ou restritos em seu alcance. Então eu acho que começando por isso, no mais, se a gente tiver realmente dedicado, aplicado, o alto, há de nos inspirar os meios, porque também é preciso fazer a leitura para cada contexto e para cada jovem, né? O que alcança a um, não necessariamente alcançará o outro. Temos espíritos muito diversos e mesmo na juventude, gostos muito distintos. Um gostará mais do âmbito das palestras, outro gostará mais do aspecto artístico. Então há que se fazer uma leitura contextual que será tão mais efetiva também quanto mais inspiração conseguimos captar. E essa inspiração, essa sintonia nasce antes de mais nada do esforço da vivência. Então a gente vê que tudo, na verdade, é um desdobramento desse primeiro e mais fundamental esforço. >> Carlos, as tuas considerações também, por favor. Bem rapidamente, eh, dentro disso que o Artur tá colocando, muito importante a questão do diálogo. Eu me lembro daquele autor da nona profecia, 10ª profecia, o
as tuas considerações também, por favor. Bem rapidamente, eh, dentro disso que o Artur tá colocando, muito importante a questão do diálogo. Eu me lembro daquele autor da nona profecia, 10ª profecia, o Hunt. Ele descreve uma situação em que ele está, pegou uma carona eh na floresta tropical amazônica com uma senhora que tinha uma criança, talvez de uns 5 anos. E no dado momento ele quer puxar a conversa e pergunta pra mãe qual o nome dela. E a mãe diz assim, pergunta para ela, ela sabe falar. Então nós muitas vezes ignoramos as crianças e os jovens, achamos que eles não têm condições de conversar e precisamos estabelecer um diálogo, ainda que não seja os nossos filhos. Às vezes a gente tá no trabalho e aparece o jovem, então se a gente estabelece um diálogo, a gente se dispõe a ouvi-los, não é? vai considerar também o que eles o que eles estão colocando. De repente se estabelece uma vinculação, né, de intercâmbio que favorece tudo isso, né, que que aqui estava sendo colocado pelo Artur. Muito bem. >> Obrigado. Vamos pra nossa segunda pergunta. Então, hoje em dia, apesar da busca individual por saúde mental, física e espiritual, há um distanciamento afetivo nas famílias. Isso parece cada vez mais visível. Como transformar esse isolamento/ra indiferença em conexão real, conforme o reino lecionado pelo mestre Jesus? >> Muito bem. Eh, seria interessante a gente seguir a orientação da própria psicologia, não é? Que a gente se coloque na altura da criança quando ainda temos os filhos pequenos. Que a gente não fale de cima para baixo, né? Que a gente mantenha uma vinculação de respeito que favoreça depois, não é, a continuidade da relação conforme eles vão crescendo mais. Aquilo que vai sendo estabelecido, né, dentro da família, eh, enquanto ainda são pequenos, vai prevalecer. Mas e aí? se os filhos já são adultos hoje já estão maiores, já estão adolescentes, inclusive naquela fase de contestação, voltamos à questão outra vez do diálogo. Às vezes é preciso sentar e ter a humildade de como pai,
os já são adultos hoje já estão maiores, já estão adolescentes, inclusive naquela fase de contestação, voltamos à questão outra vez do diálogo. Às vezes é preciso sentar e ter a humildade de como pai, como mãe, dizer: "Me perdoem ou nos perdoem". Até agora nós nos equivocamos, mas nós queremos fazer o melhor que a gente pode. E a gente percebeu que a única maneira de fazer o melhor que a gente pode é nós juntos e iniciar o que é preciso fazer mesmo o diálogo, a conversa, ouvi-los, colocar as coisas como elas são e utilizar o evangelho, que a gente inclusive já comentou que as lições do evangelho não são simplesmente retórica pra gente comentar, mas pra gente examinar a luz da nossa própria vivência. Rapidamente eu me lembro do nosso pai, nós somos quatro irmãos, né? Digo sempre, nosso pai, um dia no evangelho, no lar caiu sobre o perdão e ele disse assim: "Meu Deus, aqui tá falando que precisa perdoar. Essa semana eu briguei com fulano, nós discutimos, o fulano disse que nem quer mais fazer negócio comigo, não é? que era negociante, vendia coisa e comprava aquela coisa toda. E então ele disse: "Mas eu vou procurar o fulano aqui no evangelho, tá dizendo: "Tem que perdoar e eu preciso, né, e preciso pedir perdão para ele também". E aí, passado um tempo, de novo no evangelho no lar, ele disse: "Falei com fulano, nos entendemos, eu pedi perdão a ele, ele pediu perdão para mim também e agora ele já quer fazer negócio comigo de novo." Então, eh, é interessante que a gente utilize o evangelho realmente como fator definição da nossa relação, porque ali estão as orientações que a gente precisa, né, para ter um equilíbrio maior nas relações. Não é que vai ser tudo mar de rosas, hein? Os desafios continuarão, mas a gente vai mudando a nossa maneira de encarar e de nós não reagirmos, mas agirmos diante das circunstâncias. Só complementando, eu acho que é importante considerarmos, né, especialmente no nosso contexto atual do mundo, os desafios impostos por essa nova realidade do mundo virtual, das
te das circunstâncias. Só complementando, eu acho que é importante considerarmos, né, especialmente no nosso contexto atual do mundo, os desafios impostos por essa nova realidade do mundo virtual, das tecnologias, desse volume gigantesco de informações com os quais somos bombardeados dia a dia e compreendermos que tudo isso cria um contexto para nós em que a nossa atenção digamos, a nossa o nosso terreno mental está sob disputa. E se a gente não tiver a atenção devida de olhar a que cedemos esse tempo, esse espaço mental, nós estaremos sendo levados pelas circunstâncias, absolutamente distraídos, desatentos para aquilo que acontece ao nosso redor ou diante de nós. Estaremos, como nos diz Emmanuel, presos à casca da vida, porque o mundo moderno nos induz a isso, a superficialidade quase em tudo. Superficialidade nas relações, superficialidade nas leituras, superficialidade na informação, superficialidade quase em tudo. >> Tudo muito rápido, tudo em grande volume, mas em pouca profundidade ou qualidade. Então a nossa mente ela é disputada hoje por vários convites e distrações, entre encarnados aqui, as informações, o conteúdo das redes sociais, o noticiário, entre desencarnados também que se aproveitam, aqueles que não nos desejam bem por horas, se aproveitam desse contexto para encontrar ainda mais margem de ascendência sobre nós e sobre a nossa mente, as influenciações perniciosas. Então, se a gente não tiver atento a isso, a gente vai estar num mecanicismo do mundo em que estamos na absoluta casca da vida, como nos diz Emân. Olhamos paraa criatura, mas não vemos um palmo de profundidade ali. Não conseguimos, portanto, ver a luta dela, intuir ou sentir a dor pela qual ela está passando. E às vezes ela está sob o mesmo teto diante de nós a cada dia. Então, como se falou também de saúde mental, parte fundamental da saúde mental em nossos tempos é isso, cuidar da nossa casa mental a quem abrimos a porta e a quem fechamos a porta, para que mais atentos e conscientes estejamos
de saúde mental, parte fundamental da saúde mental em nossos tempos é isso, cuidar da nossa casa mental a quem abrimos a porta e a quem fechamos a porta, para que mais atentos e conscientes estejamos também mais atentos nas relações, nos diálogos. Porque o que que é o mais importante às vezes no diálogo? aquilo que não está sendo dito. Quem está desatento não nota isso. As palavras que não estão sendo proferidas, só quem está presente de alma na situação é que conseguirá intuir ou penetrar nessa profundidade psicológica do outro. Então isso é fundamental, especialmente no âmbito do nosso lar. Então o cuidado que precisamos ter com esse contexto de desafios que o mundo moderno nos traz com todas essas suas características. Seguindo então nesse contexto de desafios, como interpretar a luz do Evangelho e do Espiritismo os problemas atuais do alcoolismo e da drogadição? >> Bom, eu acho que não são propriamente problemas atuais esses, né? Porque creio, tão antigos quanto a própria humanidade, nós temos é criado outros elementos que nos induzem a isso. Mas tratando dos vícios de um modo geral, o que muitas vezes nós notamos por detrás, processos de fuga. Em geral, o que temos ali a criatura que busca de alguma maneira anestesiar certas questões internas, certas experiências. E claro, existe também todo um estudo do histórico do espírito, tendências que ele traz, influenciações às quais se vincula. Mas o que nós vemos, e isso talvez esteja um pouco mais acentuado no mundo moderno, é diante do vazio interior que nasce, da falta de propósito, de reflexão íntima, de conhecimento de si mesmo, de preparação para lidar com os conflitos internos, emocionais, com as lutas da vida. Diante disso, o mundo moderno se especializou em buscar anestésicos das mais diversas ordens ou tipos. Muitas das vezes a rede social hoje será um desses anestésicos, já quase categorizada a conta de vício. Pra gente ter uma ideia, algum tempo eu lia uma reportagem que colocava ali que o tempo médio de uso diário das redes sociais
l hoje será um desses anestésicos, já quase categorizada a conta de vício. Pra gente ter uma ideia, algum tempo eu lia uma reportagem que colocava ali que o tempo médio de uso diário das redes sociais aqui, todas elas no Brasil era de mais de 9 horas, computado, todo o uso aí ao longo de um dia. Então você imagina, né, aquele aquela busca ali por um pouquinho de dopamina que nós temos para fugir de determinadas questões, uma satisfação mais imediata que nos anestesia em relação a outros trabalhos e olhares mais profundos que precisamos ter. E é o que muitas vezes encontraremos no alcoolismo, na drogadição. É uma tentativa de suprir algo que falta, mas infelizmente uma tentativa que descamba para o excesso, para o desequilíbrio, para a destruição de si mesmo gradualmente, né? Então, de novo, a gente precisa trabalhar esse voltar-se da criatura para si mesma, o conhecimento, o entendimento da vida, das leis da vida, o sentir-se útil, integrado na criação, encontrar a sua vocação, o papel que nos cabe, né? Isso é o que mais nos traz, eu acho que o senso de utilidade, de propósito, de alegria no viver, para que então não cedamos a essas armadilhas, a essas tentações. Eu acho que há um um uma cena simbólica muito instrutiva, né, da mitologia grega, que eu acho que ilustra muito bem isso. Quando Ulisses Odiseu está fazendo a sua jornada de volta para casa, em determinado momento eles vão passar pelo mar das sereias. E o que ele pede aos seus companheiros, né? Aos seus companheiros, ele tapa os ouvidos para que não ouvissem o canto das sereias. Mas ele queria ouvir o canto das sereias e pede aos seus companheiros, a tripulação, que o amarrassem então ao mastro da embarcação para que pudesse passar por ali sem ceder a tentação e pular no mar. Então a cena assim pode parecer muito distanciada de nós, mas os elementos são muito belos. O mar ali simboliza a experiência material, né? A vida material, as sereias são os vários arrastamentos que o espírito ali encontrará. E a maneira para não ceder a
s, mas os elementos são muito belos. O mar ali simboliza a experiência material, né? A vida material, as sereias são os vários arrastamentos que o espírito ali encontrará. E a maneira para não ceder a eles é amarrar-se ao mastro. O mastro representa verticalidade, né? Busca de ascensão, compromisso com o dever. O mastro é aquilo que dá orientação a embarcação. Então, amarrando-se ao mastro, ele se faz imune ao canto das sereias. Traduzindo para nós, vinculando-nos ao trabalho no bem, ao dever, à consciência que traz elevação, a gente encontra aí o melhor meio de nos prevenirmos com relação a todos esses possíveis cantos de sereia da matéria e de suas ilusões. OK? Muito bom. como dizem os espanhóis, depois de tudo dito, lodío, podemos seguir adiante. Vamos lá, então, na nossa sequência aqui, quanto à separações conjugais, como lidar com situações assim, de modo a não nos afastarmos das lições do evangelho? >> Olha, fraternidade, né? pode acontecer situação de chegar à conclusão de que é necessário separar. Capítulo 22 do Evangelho Segundo Espiritismo fala sobre a questão do divórcio. Então pode chegar essa conclusão, mas não precisa brigar por causa disso. Não precisa deixar de ter companheirismo se tem filhos para a educação dos filhos. Então é uma questão realmente, né, de usar o bom senso e a gente sendo espírita especialmente, não é? Encontrar o melhor caminho, menos traumático para que haja separação, se chegou à conclusão o casal de que deve se separar, não é? e para a questão do cuidado com a os filhos, se tiver filhos na relação. E aí é uma questão realmente de nós aplicarmos a proposta que o espiritismo nos traz. Devemos evitar o divórcio? Se pudermos, sim. Se pudermos encontrar um caminho de compreensão, de de de renúncia, cada um buscando, não é, um fatores de entendimento, se apegando mais ao que une do que é o que desune e realmente de respeito. Então, a gente já tem visto situações de reconciliação, não é, muito interessantes em função dessa dessa decisão do casal de que iam procurar,
ao que une do que é o que desune e realmente de respeito. Então, a gente já tem visto situações de reconciliação, não é, muito interessantes em função dessa dessa decisão do casal de que iam procurar, inclusive procura de um profissional, não é, para poder orientar no campo psicológico para encontrar um equilíbrio e seguir, não é, com a vida. Não podemos desistir de nós mesmos, nem dos outros. na situação em que a gente vê que é insustentável a relação. Então, promover a separação de uma tal maneira que não fique trauma nem para um, nem para outro e nem trauma para os nossos descendentes também. Só um breve adentro que eu acho que vem bem aqui ao caso. Uma frase que certa feita Emanuano trouxe a Chico Xavier. Ele disse assim: "Por que cortar se é possível se é possível desatar um nó, né?" Então, quando chegarmos a essa ocasião em que realmente o quadro se torna insustentável, trabalhemos com todo o esforço por simplesmente desatar o nó e não rompê-lo ou cortá-lo de maneira abrupta, gerando depois todo um trabalho de reajuste mais à frente. Que saibamos buscar o caminho de apenas desatar o nor por agora, ao invés do mero rompimento. Em Mateus, capítulo 5 versículo 47, se saudardes somente aos vossos irmãos, que fazeis de especial? Não fazem os gentios também o mesmo? Para além de nós mesmos, o que fazer de especial para que o essencial surja em todo canto? Muito bonita a consideração e eu acho que vai à essência do evangelho. Eu me lembro de uma frase do espírito Neo Lúcio que eu acho muito marcante. Ele diz assim: "O cristianismo é a religião da segunda milha". Aqui ele faz referência à segunda milha que é trazida por Jesus nesse mesmo contexto, nesse mesmo discurso em que ele fala do o que fazer de especial. Ele nos diz, né? Se te pede que caminhe uma milha, caminha com ele duas. Então, o cristianismo, a essência da mensagem de Jesus, ela nos pede justamente isso, que saibamos ir além do mero dever, além da mera reciprocidade. Porque ainda hoje vemos muitos corações
ele duas. Então, o cristianismo, a essência da mensagem de Jesus, ela nos pede justamente isso, que saibamos ir além do mero dever, além da mera reciprocidade. Porque ainda hoje vemos muitos corações que querem operar apenas na base da reciprocidade. Ah, se me fizer o bem, eu faço o bem também, mas se me fizer o mal, mas vem cá, essa não é a proposta do evangelho. Se me fizer o bem, eu faço o bem também. Mas se fizer o mal, aí é que eu sou chamado a fazer ainda mais bem, porque é a alma daquilo que Jesus nos propôs, o fazer diferente, o apresentar à aquela criatura que ainda ignora a face do bem, essa face desconhecida. Essa é a outra face que o mestre nos pede. Apresentemos, saudar aqueles que nos saudam, né? comungar, conversar com aqueles que partilham conosco os mesmos ideais, as mesmas visões de vida. É agradável. É. E o laço da amizade, tão rico, tão fecundo. Mas o amor cristão vai além disso. O amor cristão olha, acolhe e ampara dentro das possibilidades até mesmo aqueles que nos queiram mal. Vez por outra eu me paro pensando nisso. Como um convite como esse poôde prosperar no mundo e segue tão vivo e tão eloquente o convite daquele que nos pediu que amássemos quem nos deseja o mal. Como um convite como esse prospera no mundo em que o interesse pessoal ainda fala tão alto, é porque no fundo intuímos que há algo aí de muito sublime, de muito divino. Nós sabemos que esse é o caminho e por mais difícil ele nos pareça, a gente vai gradualmente entendendo que fora disso não há verdadeiramente um caminho de progresso e sublimação. Então é essa mensagem do evangelho que a gente precisa compreender e aplicar. Alguém poderá dizer, mas faltam-me forças ainda para isso. Mas é por isso que Jesus disse que estaria conosco. Uma coisa, somos somente nós tentando amar aquele que nos odeia ainda. Outra coisa é o amor do Cristo querendo servir-se do nosso coração para amar ele, para chegar até ele, para orar por ele, para desejar o bem até ele. O nosso amor pode ser ainda frágil, pode ainda não conseguir
a é o amor do Cristo querendo servir-se do nosso coração para amar ele, para chegar até ele, para orar por ele, para desejar o bem até ele. O nosso amor pode ser ainda frágil, pode ainda não conseguir fazer esse especial, mas o amor do Cristo encontrando espaço em nós pode fazer o especial nessa mistura, né, nessa união divina que se estabelece entre o mestre e o discípulo. Então, não nos esqueçamos disso. O cristianismo, a mensagem do Cristo é a proposta da segunda milha, onde outros têm caminhado uma que sejamos nós a dar o primeiro passo eh dessa segunda milha, avançando além da mera obrigação, da merac perdão, reciprocidade ou eh dos meros deveres, que saibamos alcançar e desenvolver esse espírito de abnegação, de renúncia, que é o que demais o evangelho trouxe para o mundo, né? o além a que o evangelho se propôs. Queria só citar um exemplo de situações práticas, assim do nosso trabalho, por exemplo, eh no num ambiente de trabalho, né, com várias pessoas, nem todo mundo sente a mesma afinidade, né, e a gente às vezes tem dificuldades. Então, eu trabalhava numa sessão eh no banco antes da minha aposentadoria e tinha uma colega, ela um dia disse: "Campete, eu não não sinto nem vontade de falar isso que eu vou contar para você, para outras pessoas, mas eu vejo que você eh tem uma um um sentido de fraternidade, porque eu tinha oferecido para abraçar todo mundo todo dia, né? Eu passaria abraçando todo mundo todo dia porque eu queria ser feliz e eu tinha ouvido dizer que para ser feliz no dia tinha que receber 20 abraços. E para receber 20 abraços tinha que dar 20 abraços, né? Então na minha casa nós éramos oito, ficava faltando 12 todo dia. Aí eu passaria quem queria abraçar e tal. É. Então ela disse: "Olha, eu eu vou contar para você o que eu nunca contei para ninguém. Eu saía da minha casa para vir pro trabalho e ficava procurando na rádio alguma música para ouvir, alguma coisa útil para ouvir. Era um desespero porque nunca achava nada e ficava mudando lá e aquela coisa toda,
minha casa para vir pro trabalho e ficava procurando na rádio alguma música para ouvir, alguma coisa útil para ouvir. Era um desespero porque nunca achava nada e ficava mudando lá e aquela coisa toda, me atrapalhando até dirigir. Um belo dia eu entrei dentro do carro, me deu um estalo, eu senti vontade de orar por todo mundo. Nós éramos 85 naquela divisão de orar por todos os colegas. E eu passei a fazer isso. Eu entro no carro de manhã e vou orando por todo mundo. Às vezes, a depender do trânsito, quando eu chego no estacionamento, já orei por todo mundo, mas às vezes o trânsito tá mais leve, eu tô no elevador subindo, ainda estou orando, não é, pelas pessoas. E aí eu fui prestar atenção, né, no que acontecia. A gente ouvia as pessoas falando no corredor: "Nossa, mas a fulana é tão agradável. Você já percebeu como a fulana é uma boa pessoa?" ouvi isso várias vezes. Aí desencarnou uma irmã dela e ela saiu cinco dias de licença, quando voltou numa paz, numa tranquilidade e alguém comentou: "Puxa vida, ela perdeu a irmã e olha só que coisa essa. Ela é realmente uma pessoa especial e ninguém sabia que ela estava orando por todo mundo. Não ouvi nunca ninguém falando do mal dela, falando nada dela. E lógico, não é que a gente tinha lá pessoas que não combinavam umas com as outras, que não se aceitava, que tinha dificuldade inclusive na nas na nas atividades que tinha que desenvolver, mas com ela ninguém tinha problema. Nossa próxima pergunta. Então, amigos, a área de assistência e promoção social espírita é o braço de uma casa espírita para o trabalho da caridade, mas muitas vezes o trabalho resume-se a alimentar o corpo. Sei que que essa necessidade é urgente. Não se alimenta o espírito com o corpo material desamparado, mas há necessidade de desconstruir na consciência dos nossos irmãos em vulnerabilidade a ideia do imediatismo. Então, como como tocar esses corações sobre a perseverança na vida terrena? >> Muito bem, eu vou contar uma experiência. estava morando no interior
os irmãos em vulnerabilidade a ideia do imediatismo. Então, como como tocar esses corações sobre a perseverança na vida terrena? >> Muito bem, eu vou contar uma experiência. estava morando no interior de São Paulo e o Divaldo ia fazer uma palestra num centro espírita em São Paulo e eu peguei o ônibus e fui para lá. Cheguei antes e estava no centro aguardando. O Divaldo chegou também antes, acompanhado do pessoal, né, que dirigiu o centro e resolveram mostrar para ele o centro. E como eu estava ali sentado, a gente cumprimentou e tal e me convidaram para acompanhar também para ver visitar o centro que eu também não conhecia. e chegou na área de assistência e promoção social. E a pessoa começou a dizer para Divaldo, olha, Divaldo, aqui é onde a gente faz, né, a nossa assistência e promoção social. Nós cadastramos as famílias, nós fazemos, anotamos tudo, se a família, se tem filhos, se tem agregados e tudo e fazemos a visita. E nós estabelecemos com eles uma combinação de prazo que a gente vai dar ajuda e estabelecemos com eles metas. Se os filhos não estão na escola, precisam precisam ir. Se acaso tem desempregado, que tipo de curso a gente pode ajudar, inclusive com apoio, né, que tem curso do governo para fazer, para conseguir ter um emprego. E aí foi contando o que que eu, né, fazia. O Divaldo então disse, fico muito feliz de ouvir isso, porque já estive numa outra instituição e que também foram me mostrar. E quando chegou nessa área, a pessoa disse assim: "Ô, Divaldo, deixa eu te apresentar. Essa daqui é a fulana. Olha, eu queria que você conhecesse. Ela é a neta da Mengana e vem aqui hoje buscar a cesta básica a ela." E o Divaldo disse que de repente ele foi tomado por espírito quando viu já tinha falado. Pois é, meu irmão, perpetuando a miséria alheia, não é? três gerações recebendo cesta básica. Então é por aí. Promoção não gera dependência, ao contrário, libera a pessoa da dependência. E o centro tem orientação, tem um material maravilhoso da ápice que orienta o
ações recebendo cesta básica. Então é por aí. Promoção não gera dependência, ao contrário, libera a pessoa da dependência. E o centro tem orientação, tem um material maravilhoso da ápice que orienta o livrinho, como é que a gente faz a promoção, não é? Faz a assistência e a promoção social. Mas nós estamos caminhando para mais do que isso. Bezerra de Menezes passou uma mensagem para Marta Antunes e ela levou para nós essa mensagem lá paraa Febe, que Bezerra teria recebido de Ismael amando do Cristo cerca de 300 anos para implantar um projeto aqui na terra e ele queria contar com a Federação Espírita Brasileira. Leiamos as federativas e todos os centros espíritas do país que estão ligados a esse movimento para não fazer simplesmente, não é, a assistência e a promoção nesse sentido que a gente vem fazendo, mas fazer o acolhimento e a inclusão das pessoas e famílias com fragilidade social na casa espírita. E a partir daí eles virem administrar a instituição também junto com os outros. A a FEB está fazendo um trabalho ali próximo de Brasília, é em Goiás já inclusive é uma escola tinha um um convênio com com o governo, né, da com o o a prefeitura e no começo o pessoal vinha para receber a cesta básica no final de semana, durante a semana as aulas para as crianças e tudo. No final de semana vi receber cesta básica, eles recebiam alimentação e tal. Quando eles iam embora, era uma sujeira para tudo quanto era lado, tudo sujo. Aí convidaram o pessoal para receber passe. Não podia não, porque o pastor tinha dito que passe não podia receber não. Mas e orar? Aí aceitaram orar. Sim, podia entrar. Então vamos entrar na sala para orar. Bom, o tempo foi passando. Eu posso dizer para vocês que hoje quando eles saem de lá tá tudo limpo. Não tem um papel no chão. Eles chegam a limpar ou se as folhas caíram das árvores, eles até isso fica limpo. Aí a gente pergunta: "O que que está acontecendo na casa deles?" Mas não parou aí não. Um belo dia foram fazer uma avaliação e perguntaram: "O
e as folhas caíram das árvores, eles até isso fica limpo. Aí a gente pergunta: "O que que está acontecendo na casa deles?" Mas não parou aí não. Um belo dia foram fazer uma avaliação e perguntaram: "O que mais a FEB pode fazer por vocês?" O senhor velhinho disse assim: "Vocês não tem um tal de ESD não? Por que que vocês não fazem esse tal de ESD aqui com a gente? Implantou o ESD, a turma tá terminando o ESD, tem um estudo da mediunidade, tem um grupo de mediúnico sendo formado e agora vai ter uma formação para as pessoas. Eles não só recebem passe, eles fazem a fila para receber e alguns deles estão dando passe. Então está no caminho de se tornar um centro espírita que vai ser administrado por eles mesmos. Pode tercer tuas considerações, Artur. >> Considerações. Bom, então, antes de mais nada, né, eu gostaria de agradecer pela oportunidade de aqui estarmos nesta manhã tarde de profunda alegria espiritual pelos 105 anos da Féx, mas creio que acima de tudo pela presença da doutrina espírita em nossas vidas, do evangelho explicado, iluminado pela grandeza da doutrina espírita e que nesses momentos conturbados que ainda vivemos no cenário do mundo, né? Tantos desafios já presentes surgindo ou se anunciando no horizonte. que não deixemos se apagar em nós aquela chama a qual o mestre se referiu, a chama do amor, da caridade, que sintetiza em si todas as virtudes que nós precisamos ter para seguirmos à frente. Esperança, fé, alimentando em nós serenidade, confiança, para que onde estivermos sejamos realmente um polo irradiador dessa presença do Cristo. que vivamos de tal modo, como nos diz Emânel, que mais à frente, quando retornarmos à vida maior, ao se recordarem de nossa vida, possam os demais corações o fazerem como quem agradece a passagem da luz e abençoa a presença da fonte. Bonito pensarmos isso, que sejamos onde estivermos, algo da luz de Jesus, uma fonte manancial da sua mensagem e daquilo que dela chega até nós. Que não nos deixemos tomar pelos horizontes às vezes sombrios
o pensarmos isso, que sejamos onde estivermos, algo da luz de Jesus, uma fonte manancial da sua mensagem e daquilo que dela chega até nós. Que não nos deixemos tomar pelos horizontes às vezes sombrios e turbulentos, mas antes que vencendo a nós mesmos consigamos projetar elementos de transformação para o mundo. Toda a nossa vida se resume no fundo a isso. ou somos pelo mundo tomados e levados, digamos assim, ou construímos um uma tal vivência íntima, um tal mundo interior que conseguimos nos sobrepor ao mundo, ofertando a ele elementos de renovação. O espiritismo nos oferece tanto que saibamos realmente nos disciplinar, realmente incorporá-la para que tenhamos então a oferecer ao mundo. Não nos deixemos levar pela mera inconformação ante os problemas que surgem. às vezes pela revolta. Lembremo-nos da mais legítima inconformação cristã, como nos disse Paulo na sua carta aos Romanos 12:2. E não vos conformeis com este mundo, mas transformai-vos pela renovação de vossa mente. Então, que não estejamos conformados, mas transformemo-nos. Bem, considerações finais. Eh, uma vez lá nesse mesmo local, uma senhora disse que ela queria entender como é que era o mecanismo, porque na igreja exigiu o dízimo dela, da família dela, e lá não pediu nunca nada para para eles e só trazia coisas para dar para eles. Como é que isso acontecia? Como é que era isso? Então, como é que isso acontece pelo trabalho da solidariedade coletiva? Um, não dá conta. Jesus enviou dois a dois sempre, mas as mulheres não eram contadas na época, tá bem? E elas são de 34 a 36 mulheres no Evangelho, citadas no Evangelho, no Novo Testamento. Então, não eram apenas os homens, as mulheres davam sua contribuição e era efetiva. Então, ele não falou só pros 12, as mulheres também estavam recebendo. E ele fala para 70 da Galileia. Depois ele vai falar depois da crucificação para os 500 da Galileia, enviando-nos dois a dois. Entendamos, nenhum de nós pode fazer o trabalho sozinho. Então, o que nós precisamos de formar
Galileia. Depois ele vai falar depois da crucificação para os 500 da Galileia, enviando-nos dois a dois. Entendamos, nenhum de nós pode fazer o trabalho sozinho. Então, o que nós precisamos de formar essa convicção de que precisamos da solidariedade, porque quando nós nos solidarizamos, nós formamos realmente o feche de varas, como Bezerra de Menezes dá o exemplo. Se nós estamos sozinhos, quebra. Mas nós estamos unidos, nós temos condições de realizar muito, muito por nós mesmos e por nossos irmãos e por aqueles que ainda nem descobriram, não é, que a fraternidade existe, porque de fato, de fato, a dureza, o rigor afasta, como está no no Evangelho Segundo Espiritismo, mas a solidariedade, a fraternidade, o amor atrai e não tem nada mais transformador de fato do que a vivência dessa proposta que o espiritismo nos traz da caridade. Muita paz. Obrigado pela oportunidade de estarmos aqui. Essa comemoração dos 105 anos, como nós dissemos, um respeito profundo por essas equipes de trabalho que ao longo do tempo fizeram possível esse momento que nós estamos vivendo agora. Muita gratidão a eles, muita gratidão à espiritualidade amiga e parabéns a todos. Esse estado é guerreiro, é trabalhador. Quando nós soubemos das enchentes, comentamos com Antônio, com os companheiros, tenho convicção de que o Rio Grande do Sul vai resolver essa questão e o estado vai estar em melhores condições do que esteve antes dessa situação. E é o que nós estamos vendo. Parabéns a todos e vamos seguir firmes adiante.
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