Podcast com Andrei Moreira, Marcus Ribeiro e Suzana Simões | Congresso Espírita Juiz de Fora MG

Conecta Espiritismo TV 17/08/2025 (há 7 meses) 36:42 112 visualizações 19 curtidas

Sábado – 16/08 - Noite | Podcast com Andrei Moreira, Marcus Ribeiro e Suzana Simões | Congresso Espírita Juiz de Fora MG Tema: A Fraternidade, segundo Jesus Realização: CONECTA ESPIRITISMO Acesse: https://www.conectaespiritismo.com.br/ Transmissão e Gestão de imagens: TV IDEAK-RJ Conheça o IDEAK: https://institutoideak.com.br/

Transcrição

Olá a todos. Meu nome é Susana Simões. Estamos aqui na conferência de Juiz de Fora para falar hoje sobre o tema fraternidade com Jesus. Eu tenho aqui comigo o meu amigo Marquinhos que vai também se apresentar. Marcos. >> Sim. Um olá olá a todos que estão nos acompanhando aí pela plataforma digital aqui no Conecta Espiritismo em Juiz de Fora. Meu nome é Marcos, mais conhecido como Marquinhos. Sou psiquiatra e estamos aqui hoje para falar desse tema que nos convida a grandes reflexões, que é o exercício da fraternidade com Jesus. >> Sim. E só para acrescentar, eu tô aqui, né, visitando, porque eu moro em Miami e trabalho na divulgação do espiritismo em português, em inglês. Eh, lá em Miami também sou voluntária do Fraternidade Sem Fronteiras. tive recentemente, há um ano atrás no Malawi. Então, é com muita alegria que a gente toca nesse tema tão importante, tão fundamental, que é a fraternidade segundo Jesus. entender o que a fraternidade verdadeiramente significa e onde que essa mensagem tá eh dentro do evangelho, dentro da boa nova, como que a gente entende a necessidade e o conceito de fraternidade? Tem duas passagens que eu gosto particularmente, uma delas que é a oração, o Pai Nosso, né, onde eh Jesus traz a oração mais completa e mais complexa. E a gente fala dessa oração, muitas vezes comenta a oração, há palestras sobre a oração, mas como sempre há uma grande distância entre eh o conhecimento cognitivo daquilo que é a fraternidade e a vivência da fraternidade, né? Mas na oração no Pai Nosso, Jesus começa dizendo: "Pai nosso, pai de todos nós". E ali naquele momento ele estabelece pra gente então esse paradigma entre muitos outros momentos da fraternidade, nos lembrando que nós somos uma família, nos lembrando que Deus é pai de todos nós. E se Deus é pai de todos nós, nós todos somos irmãos. Uma das grandes dificuldades, eu penso, de nós eh sentirmos esse paradigma que Jesus traz para nós, é o fato de nós estarmos dentro de um mundo tão material, onde a matéria ela

nós todos somos irmãos. Uma das grandes dificuldades, eu penso, de nós eh sentirmos esse paradigma que Jesus traz para nós, é o fato de nós estarmos dentro de um mundo tão material, onde a matéria ela ela cria barreiras e limites físicos bastante distintos, né? Então eu tô aqui, você tá aí, né? Então, é o outro e e nós vivemos dentro de um paradigma ainda bastante materialista, bastante tribalista da minha família, da minha cidade, da minha nação. E isso cria, né? Eh, apesar de nós falarmos pai nosso, é meu pai, é meu pai, pai meu, dos meus filhos, da minha família, da minha religião. Então, aí há uma uma grande barreira para que a gente traga essa mensagem do cérebro pro coração e sinta verdadeiramente cada pessoa como nossa irmã. Achei muito interessante a escolha, né, da passagem aí, referindo ao Pai Nosso. Isso me levou a pensar na figura de Jesus mesmo enquanto esteve aqui conosco, né? E pensar o contexto em que Jesus surge, qual é o convite que ele vem fazer justamente desse chamado como uma visão de comunhão, partilha, de visão de paternidade por parte de Deus e consequentemente de irmandade por parte de parte de nossa, né, criaturas. E a gente sabe que no contexto em que Jesus veio à terra, existia-se já a esperada do Messias, né? Mas tinha essa visão de que o Messias viria para salvar um único povo, né? Eh, libertando do julgo ali de Roma e de tudo aquilo que acontecia naquela época e que seria um grande príncipe da guerra que juntaria as armas e o povo eh que libertaria determinada população, determinada eh eh povo ali daquela época que era o povo hebreu, né? E Jesus vem e traz o ensinamento que vai a quase que no movimento oposto disso, chamando a uma percepção e ao convite justamente da visão de que somos todos irmãos, filhos de um mesmo pai e trazendo perspectivas, na verdade que desconstruíam em muito aquilo que se esperava dentro daquela época, né? Então, se existia ali uma fronteira, né, uma barreira, eu acho que a mensagem que Jesus traz naquele contexto que vai em

ade que desconstruíam em muito aquilo que se esperava dentro daquela época, né? Então, se existia ali uma fronteira, né, uma barreira, eu acho que a mensagem que Jesus traz naquele contexto que vai em consonância aquilo que a gente tá querendo pontuar aqui enquanto o movimento da fraternidade, era justamente de um movimento de afeto, de comunhão, de parceria, de fraternidades sem fronteiras, né? sem fronteiras políticas, étnicas, religiosas, eh qualquer fronteira no sentido de que somos todos filhos de um mesmo pai. E reconhecer isso através do exemplo que ele deu, eu acho que é o a o grande desafio, mas ao mesmo tempo a grande tarefa e o grande chamado que ele vem fazer. Porque quando eu sou convidado a olhar pro outro como meu irmão ou filhos de um mesmo pai e a partir disso reconheço que há algo maior do que todos nós, necessariamente isso vai me levar a convite de posturas, de percepções, de olhares para aquele que compartilha comigo a vida de alguma forma, seja mais próximo ou distante, fisicamente falando, mas que me chama a um olhar de reconhecer no outro alguém que caminha a meu lado. Eu acho que isso é o grande desafio, mas também é o mesmo convite, né, que nós temos quando a gente pensa na fraternidade com Jesus. Um convite e um exercício, né? Então, eh, nós temos Jesus, a figura de Jesus, a referência de Jesus e nós temos aquilo que a gente já consegue fazer e consegue ofertar. O que eh me vem à mente é de que o mal, a dor, eh eles acontecem na nossa vida, na nossa existência meio que em ciclos automáticos, mas o bem ele requer uma ação consciente e ativa da criatura. Então, a fraternidade ela, nesse momento há uma grande distância, como eu falei, entre aquilo que nós entendemos ser a mensagem de Jesus e aquilo que nós praticamos no dia a dia. Mas fica o convite, fica o convite para o exercício. É preciso que a gente entenda que a fraternidade, assim como o amor, é algo que pode crescer, é algo que nós devemos escolher, exercitar. Então, na hora que a gente

e, fica o convite para o exercício. É preciso que a gente entenda que a fraternidade, assim como o amor, é algo que pode crescer, é algo que nós devemos escolher, exercitar. Então, na hora que a gente eh se vê humo, por exemplo, né, como o inimigo ou ver alguém que a gente sente distante, que a gente não se identifica como um irmão, aproveitar estar vigilantes nessas situações para que a gente se pergunte, né, o que me afasta dessa pessoa? O que que o que que existe, quais são as barreiras paraa vivência real da fraternidade? Quando nós nos engajamos num projeto como a fraternidade sem fronteiras, nem sempre, provavelmente eh nunca nós vamos estar ainda no no nível evolutivo que nós estamos vivendo a fraternidade como Jesus pregou, né? naquela identificação de alma para alma, no reconhecimento de que o outro é realmente meu irmão e tem todos os a gente ainda faz muito a caridade sem essa conexão mais profunda, mais real com esse sentimento de fraternidade, mas isso não significa que nós não devemos fazê-la. Pelo contrário, penso que eh o que nós temos hoje, a vida nos convida a nós fazermos uma escolha consciente pela fraternidade, pela caridade, porque se nós queremos ver esse mundo transformado, vai, a vida pede de cada um de nós esse compromisso. Eu acho que é isso que a vida espera de nós. Não é uma perfeição, não é a inconsciência, não é a ilusão de que nós somos bons, mas é o compromisso com esse processo de trazer o conhecimento espírita pra nossa vivência diária. Você você não concorda que é um sentimento que a gente pode ir desenvolvendo e o trabalho da fraternidade sem fronteiras nos permite essa vivência? >> Sem dúvida. Às vezes a gente tem a ideia, né, assim, quando a gente fala na palavra fraternidade, ela nos leva a esse esse essa percepção de olhar grandes movimentos de fraternidade. A gente às vezes vai levando a ideia de que é algo eh que só se traduz em grandes projetos, em coisas grandiosas, né? Eu achei muito interessante quando você pontuou dessa escolha ativa

fraternidade. A gente às vezes vai levando a ideia de que é algo eh que só se traduz em grandes projetos, em coisas grandiosas, né? Eu achei muito interessante quando você pontuou dessa escolha ativa o espírito de fraternidade, né? E eu acho que estar nesse movimento é uma construção que é um processo, né, ativo, diário da gente escolher. E aí me vem uma história eh que me marcou muito, que foi na minha primeira experiência de caravaneiro quando eu fui para Moçambique. Isso foi em 2015, passa rápido do tempo, né? E isso me marcou muito, porque para mim foi uma lição de como a fraternidade se traduz em pequenos gestos que no contar da perspectiva espiritual não tem um valor de maior ou menor pela grandiosidade daquilo que move, mas da grandiosidade do movimento que é feito no coração. Eu lembro que a gente tava na numa aldeia em Moçambique e para quem foi, porque não foi, geralmente a gente tá ali rodeado de crianças, né, que querem ficar próximo, sempre numa uma alegria gigantesca e mas ao mesmo tempo com muito pouco recurso do ponto de vista material, das necessidades que se apresentam. E a gente vai com algumas coisinhas, umas barrinhas de proteína que a gente comer, algumas coisas assim. Eu lembro que eu tinha um chiclete no bolso e sempre tem uma criança ou outra que se afiniza mais com você, fica mais próxima e tudo e eram centenas de crianças, né? E a gente acaba brincando, se afinizando ali. E eu tava com uma dessas crianças que estavam mais próximas de mim ali, uma delas, e em algum momento tava só eu e ela ali brincando e tal. E eu tive a excelente ideia, né, de pegar meu chiclete e dar para ela, né, na na ilusão de que eh eu estaria ali agradando ela, né, que ela pegaria o chiclete. Que que eu esperava? Que ela pegaria o chiclete, por boca e ia comer ali correndo e ninguém ia ver, né? Essa era é a minha ideia daquilo que eu imaginava na minha cabeça. E ela me surpreendeu grandemente porque a no momento que eu peguei o chiclete e entreguei para ela e era o único que eu

m ia ver, né? Essa era é a minha ideia daquilo que eu imaginava na minha cabeça. E ela me surpreendeu grandemente porque a no momento que eu peguei o chiclete e entreguei para ela e era o único que eu tinha, ela prontamente olhou e aquilo tinha um valor para ela que era muito maior do que o valor que eu dava, né, pela escassez de tudo. E ela pegou esse chiclete e ela chamou eu não sei quantas outras crianças, muitas crianças, muitas. E ela começou a partir esse chiclete em pequenos pedaços, muito pequenos. E eu não, eu não sei falar até hoje se ela mesma comeu algum pedaço daquele chiclete, porque eu não conseguia mais visualizar tanto porque eu não enxergava o chiclete, tanto que eu tava chorando. E nesse movimento dela pegar aquele chiclete e partir, repartir com todos os amigos ali, os colegas dela, eu vi a fraternidade acontecendo, né? Eu vi aquilo se fazendo e numa grandiosidade que era muito maior do que a perspectiva que eu tinha, talvez, no movimento próprio de tá indo lá fazer algo, de exercer algo. Então, a gente vai também sendo convidado a vivenciar a fraternidade nesses pequenos gestos e aprender disso como uma escolha de vida, né? Uma escolha de jeito de ser na vida, eu estar na vida a partir de uma perspectiva mais fraterna. >> Muito legal. me vem à mente a hora que você falou da partilha de Jesus quebrando e partilhando pão entre os seus discípulos. Mas uma outra ideia veio também à minha mente quando eu escutava você, que é a parábola do Bom Samaritano. E Emanuel tem uma página onde ele analisa essa parábola e fala da completude da parábola e fala de como que nós eh muitas vezes pensamos nessa parábola em termos de grandes obras, quando muitas vezes eh pessoas bem próximas de nós, e ele fala, por exemplo, em todas as nossas famílias há sempre um caído no caminho. Às vezes somos nós mesmos os caídos do caminho, mas é exatamente no momento em que a gente se dirige ao caído e ergue o caído que nós também nos erguemos, né? Então essa essa é uma perspectiva da

nho. Às vezes somos nós mesmos os caídos do caminho, mas é exatamente no momento em que a gente se dirige ao caído e ergue o caído que nós também nos erguemos, né? Então essa essa é uma perspectiva da fraternidade que nós precisamos uns dos outros e que nós nos erguemos na medida que erguemos aqueles que estão caídos. a gente levanta o outro e se levanta junto dele. Essa é uma imagem que ficou muito bonita para mim. na caravana que eu tive no ano passado no Malaui. Há uma foto que eu gosto muito, que é a quando nós entramos numa casa e para eh conversar e oferecer a uma mulher a oportunidade de trabalhar no campo e ela eh ela cai em prantos e a caravaneira eh se dirige na direção dela e a levanta, né? E é uma imagem tão bonita que eu tenho em foto. Às vezes eu ponho nas minhas eh apresentações porque eu vejo naquela imagem aquela caravaneira levantando aquela mulher, mas ela também tá ali, né, num processo de redenção da própria alma dela. É muito interessante essa lei de solidariedade que permeia a vida e que nos permite eh essas essas reparações, essas cicatrizações através desse movimento de amor entre as criaturas. >> Sem dúvida. E eu acho que é um movimento tão particular nosso e na verdade um convite que isso é tão intrínseco nosso, por mais que algumas vezes no movimento da vida a gente vai se esquecendo disso ou se deixando se distanciar, mas isso é uma parte eh intrínseca daquilo que nos torna humanos. Eu li uma pesquisa recente, uma pesquisa antropológica falando da espécie homo sapiens, né, que é a espécie do qual nós pertencemos. E essa pesquisa, através de estudos de inúmeros inúmeras múmias, né, enfim, estudos antropológicos, eh tentava descrever o por que a nossa espécie prevaleceu e outras espécies humanoides que coexistiram, inclusive junto conosco, deixaram de existir e entraram em extinção, né? Então, a nossa espécie coabitou o planeta que a gente vive, né, com o homem deales e outros astroptecos e outras, né, e eles encontraram uma múmia e quando eles viram essa múmia que

m em extinção, né? Então, a nossa espécie coabitou o planeta que a gente vive, né, com o homem deales e outros astroptecos e outras, né, e eles encontraram uma múmia e quando eles viram essa múmia que era de uma espécie do Homo sapiens, eles encontraram uma espécie de atadura na perna, mostrando ou sugerindo que já naquela época em que habitavam, né, coabitavam o planeta naquele momento, essas espécies, a nossa espécie, sapem, existia uma questão de cuidado Então, o que levou nós a eh estarmos aqui, as outras espécies deixarem de existir, na verdade, foi um espírito de solidariedade, porque nós não éramos os mais fortes, nós não éramos ali, talvez os mais inteligentes e nem os mais adaptados no ponto de vista de brutalidade, força, que os nossos eh outra que outras espécies eram. Mas quando alguns dos outros das outras espécies adoeciam, eles eram deixados para trás. E aquela agrupamento humano seguia ali o seu processo, deixando os outros para trás dentro de uma outra perspectiva. E a nossa parava para cuidar. E isso permitiu que nós estivéssemos hoje aqui falando sobre isso, existindo e as outras espécies e não. Não. Então a solidariedade, mesmo que a gente tente distanciar disso, isso, essa fraternidade é algo que até do ponto de vista biológico tá em no nosso DNA, tá na nossa essência. E quando a gente se afasta disso ou a gente vai numa perspectiva de isolar, de egoísmo, de orgulho, de não ver o outro, a gente tá deixando de viver algo que é muito particular nosso, né? E se afastando dessa essência. Então eu acho que o convite que vai nesse sentido é que a gente vai retomando essa perspectiva do humano, daquilo que nos torna humanos, né, no sentido filosófico da palavra, daquilo que nos aproxima para que a gente continue seguindo em frente, caminhando cada vez mais, né? E isso se reflete dentro de uma de uma frase que é muito emblemática dentro da fraternidade em fronteiras, né, que traduz aí a filosofia, o bto, né, que tá muito presente lá no Malau, que fala um

né? E isso se reflete dentro de uma de uma frase que é muito emblemática dentro da fraternidade em fronteiras, né, que traduz aí a filosofia, o bto, né, que tá muito presente lá no Malau, que fala um pouco disso e que nos diz que se você quiser ir rápido, vá sozinho, mas se você quiser ir mais longe, vá junto, porque é no junto, né, na união, é na fraternidade que a gente consegue muitas vezes eh se fortalecer e até minimizar aí as falhas individuais. de cada um, né? >> Com certeza. Outra outro aspecto que eu eh tava pensando, ainda voltando à parábola do bom samaritano, é como a fraternidade sem fronteiras ela representa os vários níveis de cuidado, falando de cuidado, eh, com aqueles que estão caídos, né? caídos pelos traumas, caídos pela miséria, pelo sofrimento, caídos eh pela dor. Então, é uma organização que trabalha para acolher as criaturas, para resgatar as criaturas naquele primeiro momento de uma fragilidade imensa, eh, limpando as suas as suas feridas, provendo, né, levando para um lugar eh seguro, dando um um teto, um apoio material e depois Eh, eh, há aqueles ali que cuidam, né, pensando na na parábola, né, que leva o homem é levado para pr para o hotel, né, não era me ajuda, né? E ali ele ele paga para que ele seja cuidado. Ele não pergunta o nome, ele não quer saber qual é a história. Ou seja, é um auxílio que não entra no mérito do julgamento, não é? Não importa, não importa quem você é, não importa qual é a sua história, o que importa é que você é um irmão, um irmão caído que necessita de auxílio, necessita de apoio. E a fraternidade sem fronteiras, ela é isso, né? Ela é um movimento eh de voluntários de toda sorte, porque nós estamos num evento espírita, mas nós sabemos que é uma uma organização onde há tipos de voluntários e que atendem essas pessoas dentro desse paradigma eh que o Cristo nos trouxe dentro da da imagem da parábola do bom samaritano. E nós, quando nós nos colocamos nesse movimento de amor, nós nos tornamos esse irmão que Jesus eh tão

ntro desse paradigma eh que o Cristo nos trouxe dentro da da imagem da parábola do bom samaritano. E nós, quando nós nos colocamos nesse movimento de amor, nós nos tornamos esse irmão que Jesus eh tão bem, tão lindamente nos ensinou através dessa imagem, dessa parábola. >> Sem dúvida. Aí pegando o gancho da parábola, eu fiquei imaginando também e aí fazendo um link com que você trouxe, né, desse processo ativo de escolha, de construção, né, de de fazer esse movimento interno, como que em muitas das vezes coexistem dentro de nós todos esses personagens da parábola, né? Eh, em algumas situações nós vamos ser lá o sacerdote que convictos, né, das nossas ideias, das nossas posturas religiosas, nossos convencimentos, eh acabamos às vezes eh isolando e condenando o outro pelos preceitos que a gente carrega. Outras vezes nós vamos nos eh enriquecer de vaidade diante daquilo que a gente conquistou, da sabedoria, do conhecimento e nos colocar na postura daquele que sabe mais, diante daquele que sabe menos. E outras vezes nós vamos ser chamados ou pelo menos sensar sensíveis, né, para essa necessidade de ser como samaritano, né, que para ali, consegue olhar pra necessidade do outro, mesmo tendo do dentro do impositivo cultural o lugar de excluído, né, ou de marginalizado nesse sentido. E tudo isso vive dentro de nós ao mesmo tempo, né, e tá constante porque nós estamos dentro desse processo de construção de uma perspectiva luminosa, que é o caminho que Jesus nos traçou. Mas é um processo que a gente vai se construindo, né? E é importante também que nos momentos em que a gente se perceber como o sacerdote, como saduceu, como a gente perceber como ali o o escriba ou o intelectual, que a gente também entenda e aprenda algo disso para que a gente vá construindo cada vez mais essa proximidade com a postura que o samaritano se coloca ali, né? Porque a gente é possível aprender isso, né? que quer dizer, é possível que a gente vá construindo esse espírito de fraternidade. Não é algo que, ah, tal

a postura que o samaritano se coloca ali, né? Porque a gente é possível aprender isso, né? que quer dizer, é possível que a gente vá construindo esse espírito de fraternidade. Não é algo que, ah, tal pessoa é fraterna e outra pessoa não é, como se fosse uma moeda que você vira de um lado pro outro, mas que todo mundo é é passível de aprender. E aí eu lembro de uma vivência pessoal assim, quando eu morava em Uberaba ainda em outro em outro momento, e eu tinha muita dificuldade com trabalhos que eram feitos com pessoas em situação de rua. tinha muita dificuldade, eu tinha medo, eu tinha resistência, eu não sabia o que falar, eu não sabia abraçar, né? E eu ficava assim: "Meu Deus, eu não vou para essa tarefa de jeito nenhum porque eu não tô tô prejudicando, eu não consigo." Ficava irritado, né? Começava a julgar por que tá assim, etc. Uma série de questões, né? Internas assim nesse momento. E graças a algumas pessoas eu que eu pude me abrir e falar sobre isso, falou: "Não, continua, continua, continua". E todo dia eu ia, toda semana eu ia naquela tarefa, mas me sentindo assim, gente, tá tudo errado, tô fazendo errado, não é assim. Eu já entendia cognitivamente o que era a postura necessária, mas eu não conseguia sentir aquilo no meu coração e aquilo me magoava profundamente até comigo mesmo. Mas enfim, de alguma forma, não sei porque eu me prevalecia, me mantive ali, né, na na tarefa. E eu fui entendendo assim que ao longo do do tempo, meu coração foi se modificando, sabe? Eu fui me tornando mais maleável nessa nessa tarefa específica, fui me tornando mais aberto, fui conseguindo me aproximar mais, depois consegui abraçar, quando eu vi já tava conseguindo dar beijo no rosto. E aí aquilo foi modificando dentro de mim. E essa experiência me marcou, não pelo sentido de conquista, porque tantas outras vezes eu errei da mesma forma, mas no ensinamento de que é possível construir isso, é possível mudar isso, mas isso vai exigir da gente a permanência, né, a constância nesse desejo de de se modificar em algum

errei da mesma forma, mas no ensinamento de que é possível construir isso, é possível mudar isso, mas isso vai exigir da gente a permanência, né, a constância nesse desejo de de se modificar em algum aspecto que é individual de cada um, cada um aí na sua luta, no seu próprio processo. >> Bonita história, bem legal. Acho que ilustra bem essa ideia de que é um aprendizado e que vale a pena a gente persistir no bem, né? No Evangelho Segundo o Espiritismo, a gente a há uma frase que diz que toda doutrina de Jesus poderia ser eh sintetizada, resumida na palavra caridade e que a caridade é condição absoluta para felicidade futura. Eu gosto dessa frase porque os espíritos poderiam ter dito que a caridade é uma condição para felicidade futura, mas eles dizem absoluta, né? Então, quando a gente dentro do espiritismo lê uma coisa assim, muitas vezes nós somos movidos ao levados a fazer a caridade, eh, porque de fora para dentro nós entendemos que esse é o caminho. Nós queremos a nossa própria salvação, né? Então, nós vamos atuar muitas vezes porque nós temos que, porque foi dito que, ou seja, atendendo a um chamado externo. Mas quando nós fazemos a caridade a partir da conexão com o fraterno, aí o chamado é interno. Essa é a grande diferença. Porque fazer a caridade não é tão difícil, mas a caridade pura ou a caridade como Jesus, segundo Jesus ensinou, ela necessita que ela seja feita com o coração, com a conexão, que é o que Paulo vai nos ensinar na sua linda carta a Coríntios, quando ele vai dizer, né, que ainda que eu desse tudo que eu possuísse, né? Ainda que eu queimasse meu corpo, ainda ainda que ainda que se não houvesse amor, de nada valeria. Então é um começo a gente fazer porque a gente quer uma situação melhor no mundo espiritual, porque muitas vezes a prática da caridade é aquilo que nos ajuda na nossa autoestima quando a gente tá se sentindo eh eh inadequado ou não bom suficiente. caridade muitas vezes eh ainda ela na verdade atende aos nossos interesses eh pessoais. Mas o que

ue nos ajuda na nossa autoestima quando a gente tá se sentindo eh eh inadequado ou não bom suficiente. caridade muitas vezes eh ainda ela na verdade atende aos nossos interesses eh pessoais. Mas o que a gente faz, fala aqui, o que Jesus propõe é uma caridade que nasce desse chamado interno, a conexão da criatura com a presença desse pai interno que a nível emocional reconhece a sua filiação para que a partir desse reconhecimento ela olhe pro outro e reconheça no outro também o seu irmão. A fraternidade sem fronteiras, ela permite, ela é um espaço onde nós temos essa experiência de uma forma bastante eh singular, porque ao chegar lá e a e observar a miséria, nós também temos a oportunidade de observar pessoas, de escutar histórias e de conectar com aquelas pessoas para além daquela necessidade material ali presente, mas nós olhamos para elas e reconhecemos nela o espírito mortal que ela é, os valores, as suas trajetórias, as suas histórias. E ali não há um dar de cima para baixo, mas um trocar na horizontalidade. Então, é uma experiência bastante singular, a experiência única, diferente, que a gente convida, que a gente espera que o que as pessoas que estejam escutando sintam curiosidade e tenham vontade de saber o que que é isso, que movimento é esse, que experiência é essa de caridade, de conexão, que nasce de um chamado interno da presença de Deus dentro de nós. Muito lindo isso, né, Susana? E eu acho que pensando no tema até que dá título à nossa conversa aqui, né, dessa fraternidade com Jesus, né, eu fico pensando também qual é a postura, né, que o com Jesus, né, eh, acaba nos convidando a exercer, porque ela também vai nos levar a um lugar, a um convite que é de, ao me colocar também disponível para servir, para ajudar no exercício da caridade, isso vai me chamando também para um exercício da compaixão, da empatia, para que eu também consiga sair daquilo que eu entendo como o melhor ou o que foi o melhor para mim, para eu entender aquilo que é a necessidade do outro, né? Todas

exercício da compaixão, da empatia, para que eu também consiga sair daquilo que eu entendo como o melhor ou o que foi o melhor para mim, para eu entender aquilo que é a necessidade do outro, né? Todas as vezes que alguém buscou Jesus eh no seu auxílio, na sua ajuda, ele sempre colocava uma pergunta retórica, mas que ao mesmo tempo era um chamado a reflexão de que era, né? O que queres que eu faça? O que queres de mim? O >> que queres de mim, né? Jesus não falava: "Ah, eu quero que isso para você ou eu desejo isso para você". E muit das vezes no afã e no desejo de auxiliar e de ajudar, às vezes nós vamos com as respostas que são nossas, que aquilo que foi o que nos serviu ou o sapato que nós calçamos e que foi muito útil e bom paraa nossa caminhada. Mas na postura de fazer a fraternidade com Jesus, nós vamos precisar em muita circunstância de nos desvestirmos de nós mesmos, nos desnudarmos das questões que foram importantes para nós, paraa gente que entenda aquilo que é importante pro outro, para que eu possa então auxiliar o outro. Tem uma passagem que me marca muito nesse convite, que é a passagem do cego Bartimeu, que exemplifica isso. Eu vou pegar só o primeiro trecho dela, porque ela vai dizer que Jesus caminhava naquele sentido de Jerusalém a Jericó e passando pelo caminho, então existia ali um cego, Bartimeu, que se encontrava sentado junto ao caminho mendigando. E conta esse pedaço que ouvindo Jesus ele se moveu. E é muito, é muito simbólico isso para mim no convite da postura que essa passagem nos convida a adotar, quando no lugar não do cego, mas talvez no lugar daquele que tá levando a palavra ou servindo de alguma forma no exercício de se aproximar do Cristo. Porque por mais que ele se encontrasse ali simbolicamente cego paraas percepções da vida ou pelos vislumbre da vida de uma perspectiva mais ampliada espiritual, ele tinha outros sentidos que estavam sensíveis para que ele pudesse ser tocado pela palavra, pelo chamado, pela necessidade de transformação.

mbre da vida de uma perspectiva mais ampliada espiritual, ele tinha outros sentidos que estavam sensíveis para que ele pudesse ser tocado pela palavra, pelo chamado, pela necessidade de transformação. Se ele não enxergava, ele poderia ouvir de alguma forma. Mas para que eu entendesse que ouvir para ele é mais importante do que ver, eu precisava fazer um movimento de entender a necessidade dele. O que acontece é que muit das vezes quando nós nos colocamos na postura de servir e ajudar, nós achamos que é o nossa perspectiva que é a certa. E eu falo que é como se a gente pegasse uma lanterna daquelas bem potentes assim, né? Chegasse ali na frente do cego batimeu, colocasse na frente do olho dele, falava: "Mas você vai ver sim. Você tem que ver como eu vejo. Você tem que enxergar como eu enxergo. Quase que como se a única perspectiva de ver o mundo fosse aquela que nós temos os nossos olhos. No entanto, a a fraternidade com Jesus, ela nos convida a parar e a entender aonde essa pessoa tem abertura, qual é a necessidade dela, né? aonde eu posso, como eu posso me conectar a esse coração? a partir de qual sentido, simbolicamente falando, ou qual movimento que eu posso realizar para que eu consiga levar realmente a ela algo que vá de encontro as necessidades dela e ouvir isso dela a partir de uma construção. É, e a fraternidade sem fronteiras eh integra muito essa ideia, né, essa prática, mais do que uma ideia, essa prática dentro do atendimento que faz as populações necessitadas, tanto na África, que é de eh escutar as criaturas. a gente não há um uma ânsia de simplesmente chegar e salvar, mas de enxergar o outro, de escutar o outro, de sentir o outro, de trabalhar com o outro. Então esse é um paradigma bastante eh diferente e muito bonito da gente testemunhar. E pra gente terminar, então diz aí pro pessoal, pros nossos ouvintes, como é que a gente faz, quem tiver interessado em ser caravaneiro, em ser apadrinhar, em fazer uma doação, como é que a gente pode se envolver mais nesse trabalho?

í pro pessoal, pros nossos ouvintes, como é que a gente faz, quem tiver interessado em ser caravaneiro, em ser apadrinhar, em fazer uma doação, como é que a gente pode se envolver mais nesse trabalho? >> Legal. Queria então finalizando, deixando o nosso convite para que primeiro que você que não conhece conheça a fraternidade sem fronteiras, né? Basta você acessar o site www.fraternidadesemfronteiras.com.br. br, tem o Qcode aqui do ladinho também que você pode acessar que vai te levar direto pra página da fraternidade e lá você vai poder conhecer um pouquinho de todos esses projetos que são tanto na África como no Brasil e que permitam permitem, né, que a gente possa viver um pouco disso que a gente tá conversando aqui. E lá você vai poder se apadrinhar através de R$ 25 por mês. você consegue viabilizar esses projetos, fazer com isso continue dentro de uma corrente do bem, favorecendo inúmeras aí necessidades. Você pode se inscrever numa caravana, você pode fazer imobilizar algo na sua região e reverter isso também pra fraternidade. E eu falo que é um ciclo sem fim, né? Porque a partir do momento que nós vamos sendo chamados a isso, isso não impede que a gente e até o contrário que acontece, né? Quanto mais a gente se envolve com a fraternidade, mais a gente vai sentindo a necessidade de fazer outros movimentos e a gente vai se abrindo para também necessidades locais na nossa própria casa espírita, na nossa própria instituição, a gente vai vendo que isso é algo que não dá para não dá mais para viver sem. Então, conheça as causas, assista os vídeos, se aproximem, né? estude, a gente tem uma vivência grande aí da fraternidade, sabe da idoneidade da instituição, mas sempre fica aí o convite para que você se deixe sentir e sensibilizar naquilo que mais te toca, porque o movimento é individual, é coletivo, mas ao mesmo tempo é dentro do coração de cada um. >> Muito legal. Obrigada, então. >> Obrigado. Ciao. Ciao.

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