Esquina de pedra | Stela Martins | 28.09.25

Conecta Espiritismo TV 29/09/2025 (há 6 meses) 1:00:51 19 visualizações 4 curtidas

Essa série de lives tem por objetivo principal divulgar a obra “A esquina de pedra” e seu autor, Wallace Leal V. Rodrigues. O livro aborda a história do cristianismo primitivo e a formação do catolicismo, com capítulos que se assemelham a crônicas poéticas, explorando temas como a fé, a caridade e a transformação moral. Wallace Leal Valentim Rodrigues, autodidata, foi ator e diretor de teatro, diretor de cinema, escritor, jornalista tendo atuado durante 25 anos na Casa Editora o Clarim como continuador da obra de seu fundador, Cairbar Schutel. Conheça a trajetória inspiradora desse espírito no documentário WALLACE LEAL – PODERES DO ESPÍRITO (Márcia Tamia | Zé Henrique Martiniano) https://youtu.be/pwItf50t0fg?si=D2qw3eQpXZMVXeyo #espiritismo, #doutrinaespírita, #allankardec, #reencarnação, #mediunidade, #evoluçãoespiritual, #vidaapósamorte, #cristianismoprimitivo, #esquinadepedra

Transcrição

เฮ Vivi, vivo, vivo e viverei, vivere porque sou imortal. e viverei o que sou e votar e vi vivo e viverei o que sou e vortar. Boa noite a todos. Sejam muito bem-vindos ao nosso encontro de leitura e reflexão sobre o livro Esquina de Pedra, de autoria do Alace Leal Rodrigues, um dos sucessores do nosso querido Kaibar Chutel nos trabalhos da editora Clarimão, no interior do estado de São Paulo. dirigiu o jornal Clarim e também a revista internacional de espiritismo. E essa música que eu acabei de compartilhar com vocês chama-se Bandeirante. E é uma frase de de Kai Shutel: "Vivi, vivo e viverei porque sou imortal". A música do Zé Henrique Martiniano. Tá tudo ligado aqui, tudo conectado. Espetáculo. Como vocês estão? Espero que estejam todos bem. Me desculpem a a ausência no domingo passado, mas eu tive umas questões aí de saúde e não tive condição de apresentar o esquina de pedra. Infelizmente senti muita falta desse nosso encontro, mas estamos aqui novamente para seguir eh nas reflexões, né? E se vocês já puderem ir compartilhando com outras pessoas, falando com outras pessoas a respeito do livro, principalmente, eu agradeço bastante porque o objetivo principal dessa live é fazer com que mais pessoas conheçam a obra e conheçam o Alace Leal, porque ele tem um trabalho maravilhoso que eh andava meio esquecido no movimento espírita e tem sido eh recuperado com muito cuidado, com muita atenção pelos nossos amigos de Matão e de Araraquara. E eu espero participar com um pouquinho disso, falando de um dos livros que eu mais gosto. Acho que o livro que eu mais gosto na literatura espírita. Óbvio que a gente não tá contando aqui com obras básicas, né? Obras básicas é outro patamar, mas é o livro que eu mais gosto da literatura espírita é a Esquina de Pedra. Boa noite para Rosiane, boa noite para Chirley, boa noite para Olga também, esquineiros. Eliamar, boa noite, querida. Nivalci, boa noite para você também. Muito bem, só para relembrar, nós paramos ali no Oi, re, boa noite, querida.

te para Chirley, boa noite para Olga também, esquineiros. Eliamar, boa noite, querida. Nivalci, boa noite para você também. Muito bem, só para relembrar, nós paramos ali no Oi, re, boa noite, querida. Boa noite para você. Boa noite pro César. Eh, só relembrando, nós estamos no capítulo seis, né? Nós começamos o capítulo seis do livro A esquina de pedra e a gente vem aí do capítulo cinco, obviamente, em que Gala conta para nós que começa a chegar ali na região onde ela vivia as questões, os questionamentos, o debate a respeito do arianismo, que na época tinha a era dizia respeito a uma discussão eh no movimento cristão, né, que ainda chamado de apenas de cristianismo, eh em que eh se discutia se Jesus era Deus e, portanto, uma divindade ou se ele era filho de Deus. Os arianistas garantiam que ele era filho de Deus e, portanto, não era uma divindade, era um nosso irmão, como é o que a gente acredita hoje. Já os esqueci o nome deles agora, esqueci o nome do líder deles, mas enfim, a outra turma dizia que não, que Jesus era Deus. E aí começava aquela aquela questão da Santíssima Trindade. É aí que vai começar essa essa questão. Eliamar, te achei nessa esquina. Excelente. Essa esquina é ótima, né? Essa esquina é excelente. Nós vamos falar ao longo do tempo muito sobre essa questão da esquina, que lá na no nosso segundo encontro eu falei para vocês, o primeiro a gente é uma conversa com o Zé Henrique Martiniano e a Márcia, que são os dois pesquisadores do Alace Leal, fizeram um documentário sobre ele e eles vão explicar pra gente porque a eh por que o Alace Leal escreve esse livro, quais foram as circunstâncias e aí depois eu conto para vocês que esquina eh de pedra quer dizer que é um ponto de convergência. Eh, bem interessante essa essa explicação do porquê esquina de pedra. Mas vamos lá, vamos aqui continuar com o nosso com a nossa nós temos feito mais leitura, pessoas, porque não há muito o que mostrar aqui exatamente, né? Eu achei, trouxe algumas imagens, inclusive

ra. Mas vamos lá, vamos aqui continuar com o nosso com a nossa nós temos feito mais leitura, pessoas, porque não há muito o que mostrar aqui exatamente, né? Eu achei, trouxe algumas imagens, inclusive para explicar alguns termos e algumas circunstâncias que o Alace eh eh fala do no livro, mas agora ele tá contando as relações, né, falando sobre questões que a gente já viu. Isso, querida. Semana passada não teve, viu, Lúcia? Desde Orlando juntos já temos a página. Olha, eu tô acompanhando pelo Kindle, então eu não tenho uma página. Pera aí que eu até saiu daqui, ó. Eita, pulou. Espera que eu me perdi aqui. Ah, voltei. Achei. Nós estamos no capítulo 6. Capítulo seis. Deixa eu só ver um um problema que tá rolando, tá? Ai ai. Nós estamos no capítulo seis do livro. Espera só um pouquinho, gente. E assim segue o baile. Segue o baile. Vou de novo tentar, hein, Lúcia. Agora vai dar certo. Calma que agora vai dar certo. Eh, aqui para mim é a página 32 do Kindle, então não sei muito bem, mas logo que começa o capítulo seis, tem um item em que chama João. É onde a gente vai começar agora. Nós vamos começar a falar de João. Tomamos café e nos encontramos na esquina. É, é isso mesmo. A gente toma café no Bom Dia Café de segunda a sexta-feira pelo Consolar Esclarecer e também pelo canal Renovando Consciências. E aos domingos à noite a gente se encontra na esquina. É perfeito, perfeito. Oi, Roberto, bem-vindo. Então, nós estamos lá no João, certo? Lembrando que a gente a gente terminou eh a gente terminou o capítulo e esse trecho do capítulo sexto com a chegada de um doente à casa de Gala, que é a nossa personagem principal, certo? Gala conta que chega um uma pessoa, um jovem meio escondido dentro de uma de uma carro de uma carruagem, não, de uma carroça, né? meio escondido dentro de uma carroça, muito, muito, muito doente. E ele é deixado na casa da gala para que a mãe dela e ela cuidassem desse desse rapaz. Eles não sabem muito bem qual que é a história dele, também não fazem muitas

carroça, muito, muito, muito doente. E ele é deixado na casa da gala para que a mãe dela e ela cuidassem desse desse rapaz. Eles não sabem muito bem qual que é a história dele, também não fazem muitas perguntas, porque esse é um período ainda de perseguição aos cristãos. E o muito interessante disso é que assim, a gente tem visto nesses primeiros capítulos do livro como é que se dava a relação entre eles ali, né, da comunidade. Então eles tinham, cada um tinha seus problemas, cada um tinha sua produção de alimentos, né, cada um tinha seu jeito ali de se manter eh de se garantir, de se manter vivo, né, da de garantir a sua subsistência. Mas dentro desse desse dessa condição de cada família cuidar de si, havia uma relação muito íntima, muito forte da comunidade. Então, os cristãos também tinham uma dispensa comunitária. Então, ali eles levavam o que eles podiam das suas próprias casas, né? eh, para que esse material pudesse ser oferecido para as pessoas que, por algum motivo, passasse por uma dificuldade. Alguém da comunidade que ficasse doente, não pudesse completar a a colheita ou os cuidados com a agricultura ou que não pudesse cuidar direito dos seus animais, né? muitas vezes era alguém da família que desencarnava e precisava de mais atenção. E para situações como essa, doentes que chegavam até a comunidade, que eram trazidos até a comunidade para meio que serem escondidos, porque possivelmente tinham sido vítimas de alguma perseguição por parte dos romanos, principalmente, né? Nós estamos falando do período do Império Romano. Eh, então a gente tá vindo dessa história. Então ele veio contando ali que alguém foi deixado na casa e quando o esse personagem ainda que a gente ainda não sabe muito bem quem é, diz que abre os olhos, né? E a mãe da gala diz para ele que vai cuidar dele, mas que ele tem que que aceitar tudo que ela der para ele beber, todos os cuidados que ela vai dar, porque ela vai dar uns remedinho amargo, né? A gente toma remédio amargo até hoje, tomava naquela

e, mas que ele tem que que aceitar tudo que ela der para ele beber, todos os cuidados que ela vai dar, porque ela vai dar uns remedinho amargo, né? A gente toma remédio amargo até hoje, tomava naquela época e continua agora. Muito bem. Muito bom. lá o pessoal Olga dizendo que é na página 37 da edição que ela tá usando. A Rosiane diz que é a página 39. Ritoca, boa noite. Ainda bem que você chegou a tempo. Isso. Oi, Leila, boa noite, querida. Oi, Rosâela, boa noite. Você também. E a R tá dizendo que no dela é 35, então no meu também tá 35. Então, mas vamos lá. É o item esse aqui, ó. João. Tá vendo? Nós estamos começando aqui em João. Durante todo o dia ficamos esperando o momento de correr à casa de Felipe para saber se há alguma novidade. Ele já tá falando de outra coisa, hein, gente. Ele já tá contando, tá contando outra história. E ao chegar todas as vezes, a família já fizer o repasto da tarde e está saindo. Não, não, não há novidades", respondem-lhe com delicadeza e em seguida, discretamente, com humildes sorrisos, como a pedir desculpas, dão um passo ao outro até que se despedem e saem rua acima. João pergunta-se porque todas as noites aquilo se repete. Além de não explicarem, como seria natural, não o convidam para os acompanhar. Ele, o João, achou que aquilo era uma coisa meio falta de educação, né? Assim não lhe resta mais do que voltar à casa e assentar-se entre a irmã e o pai para mais um serão de trabalho a luz das velas. Mas enquanto torce a Lã, os seus pensamentos são tristes e a irmã e o pai percebem sua tristeza. Quando ele volta, querem saber se há notícias. João acena que não. Os três abaixam a cabeça e põe-se a trabalhar. Dali a pouco deitam-se, pois que é preciso levantar muito cedo para que o trabalho todo possa ser feito. Eu queria dar uma paradinha aqui para dizer para vocês que eh, vejam só, né, o esforço que já existia naquela época das famílias precisarem trabalhar noite adentro, né, a luz de velas, que as condições deles eram muito piores do que

para dizer para vocês que eh, vejam só, né, o esforço que já existia naquela época das famílias precisarem trabalhar noite adentro, né, a luz de velas, que as condições deles eram muito piores do que a nossa, do que as nossas são hoje, né, obviamente, mas que eles têm que trabalhar até muito tarde a luz de vela e e acordar assim que o sol nasce para conseguir produzir o suficiente para a subsistência, porque ali ninguém fica rico, né? Lembrando que nós estamos numa região bastante pobre, eh é uma área já eh bem eh castigada porque a produção agrícola é difícil, porque a chuva é escassa, então eles têm bastante dificuldade inclusive na alimentação, né? Oi, Ducineia. Boa noite, querida. Vamos lá. Esta noite João está desesperado. Corre à casa de Felipe, abre a porta com quase violência e pergunta: "Felipe chegou?" Mas então dá-se conta de que está sendo grosseiro e intempestivo. Deixa-se cair sobre um pequeno banco e põe-se a chorar. Felipe não chegou. Maria, a mãe de Felipe, assenta-se ao seu lado, passa-lhe a mão pelos cabelos. Felipe não chegou, mas pode chegar a qualquer momento. Durante todos esses dias, ela tem querido convidá-lo para alguma coisa, mas se trata de um segredo, de uma coisa a respeito da qual é melhor que ele, João, evite falar aos outros. O caso é que Felipe é cristão. Todos aqui somos cristãos. De noite frequentamos o local das reuniões habituais dos seguidores de Jesus e com os companheiros oramos por Felipe. Todas as noites eles iam rezar todas as noites. Por acaso gostaria de nos acompanhar? Ele se sobressalta. Entretanto, a voz de Maria, serena e calma, o recompõe. Então, Felipe é um dos homens do caminho. Agora, não lhe estranham certas recordações que guarda do amigo, suas atitudes, reticências, o próprio gesto que dera origem àquele desassossego, aquela intranquilidade que estava promovendo de dolorosa maneira o despertamento da sua consciência. João aceita o convite e Maria lhe diz: "Tu te afogas de tristeza. A palavra de Jesus te reconfortará.

uela intranquilidade que estava promovendo de dolorosa maneira o despertamento da sua consciência. João aceita o convite e Maria lhe diz: "Tu te afogas de tristeza. A palavra de Jesus te reconfortará. A esta primeira noite seguem-se outras." O culto em torno do Evangelho balsamiza-lhe a mente torturada. Na terceira noite formula questões: desejoso de estabelecer comparações em face ensino ancestral do Torá. Eu vou dar uma paradinha aqui pra gente pensar numas coisas muito interessantes, né? Eh, primeira delas é que ele é convidado para acompanhar o evangelho. E a gente fica em casa hoje em dia preocupado quando alguém chega no horário do nosso evangelho. Desculpa, a gente fica preocupado quando chega alguém na hora do evangelho. Ah, e aí, que que eu faço? Como que eu vou chamo a pessoa para fazer o evangelho junto, né? Hoje nós nem somos perseguido. Naquela época eles eram perseguidos e convidavam as pessoas do mesmo jeito, né, para participar. Não é uma coisa fantástica? É uma coisa fantástica, né, que a gente devia acompanhar. E outra coisa muito interessante é que, veja só, nós estamos falando do Felipe e João está nervoso porque quer saber do amigo, né? Seu amigo voltou, seu amigo não voltou, ele está angustiado, ele está sofrendo muito. Mas a família dele, como tá? A família do Felipe, como é que está a mãe do Felipe? Calma, sena, indo fazer o evangelho todas as noites, rezando pelo filho, que ela não sabe onde está. Quanta diferença, não é? E aí ela convida o João para aproveitar dessa desse conhecimento consolador que é Jesus, os homens do caminho, né? Você viu que ele você viu que ele como ele coloca, né? Como é que Gala descreve, né? Porque aí é Gala contando essa história, não é? Não é o o Não é o Alace, é gala. Muito interessante, né? Voltamos lá ao nosso texto. Eh, e aí outra coisa interessante também, desculpa, vou vou falar também, Kardec nos diz o tempo todo nas obras básicas que nós devemos fazer questionamentos, que a fé tem que ser raciocinada, que a gente precisa

ra coisa interessante também, desculpa, vou vou falar também, Kardec nos diz o tempo todo nas obras básicas que nós devemos fazer questionamentos, que a fé tem que ser raciocinada, que a gente precisa questionar as coisas, as situações, as explicações, as falas. Não é pra gente ir engolindo tudo e aceitando tudo como se tudo fosse verdade, né? E eu na hora lembrei quando eu li esse pedacinho, João três dias, né? Esse personagem, o João, vai no terceiro dia que ele vai na na leitura do Evangelho, na casa dos do nessa casa de preces aí dos cristãos, ele já começa a fazer os questionamentos, ele já começa a perguntar, porque é assim que a gente entende, perguntando, tirando as nossas dúvidas, fazendo questionamentos. Por que que é desse jeito, não é do outro? É assim que a gente aprende, né? É muito legal. Solicitamente os assistentes revesando-se dispõem-se a responder-lhe. João tem a curiosa impressão de que finalmente é apenas abrandada. Barnabé voltou? Torna sempre a perguntar, mas Barnabé não volta. Lembrando aqueles que estão começando hoje ou que perderam alguns dos nossos encontros, essa essa casa, né, essa esse grupo aí onde eles vão participar dos dos evangelhos, ela foi fundada por Barnabé e ele deixou textos eh evangélicos, né, textos das sobre as falas de Jesus, sobre as histórias de Jesus, que ele mesmo transcreveu dos apóstolos, né? Ele usou os originais e fez uma transcrição para deixar aí. Então, eles têm essa esses pergaminhos que foram feit eh escritos pelo próprio Barnabé. Entretanto, seus escrúpulos em relação à fé de seus amigos de pouco em pouco se dissipam. Esta noite, em face do pai e da irmã, confessa que vem frequentando a igreja de Jesus e sua argumentação é forte. e vivaz, transfigurada, impossível de ser refutada. Ele já tava contaminado. O adolescente frágil cede lugar a um atleta inflamado, cuja luz o cega. No dia seguinte, embora os rígidos preceitos dos antepassados decidem-se a acompanhá-lo. E nessa noite, exatamente, há notícias sobre

lescente frágil cede lugar a um atleta inflamado, cuja luz o cega. No dia seguinte, embora os rígidos preceitos dos antepassados decidem-se a acompanhá-lo. E nessa noite, exatamente, há notícias sobre Felipe. Felipe estava morto. Felipe morrera em seu lugar. Conforme combinado na corporação dos tapeiros, cada produtor alternadamente forneceria a pessoa de sua confiança para acompanhar os carregamentos rio abaixo até os mercados do ponto. Chegado o momento, João apresentara-se por seu pai. Embora já estivesse em plena estação das cheias, o rio conservava-se tranquilo e propiciava ainda aquele carregamento. Felipe estivera na última viagem, pois estava isento. Estava pois isento. Quer dizer, ele Felipe já tinha ido uma vez, então ele não precisava ir de novo. Entretanto, um instinto qualquer levara-o a substituir João, antecipara a partida em alguns minutos o suficiente para que João encontrasse o embarcador vazio e deixara-lhe um recado amistoso, que crescesse mais um pouco e se tornasse mais robusto para o próximo ano. Então, João tinha que fazer a viagem, né? Mas Felipe achou que João não estava pronto, então foi no lugar dele. Nos dias que se seguiram, as águas tornaram-se mais e mais caudalosas, mais e mais violentas. De longe, ouvia-se o escochoar das maretas. Chovia torrencialmente na cordileira distante. Depois começaram a chegar notícias sobre desastres na região do mar. Não se sabe ainda como tudo se passou, mas Felipe está morto. Para surpresa sua e dos seus e dos seus, a família do morto cerca-o de carinhos e atenções. De olhos enxutos, Maria colhe-lhe as lágrimas em seu próprio seio, acariciando-lhe a cabeça torturada. Sua resignação é como o rochedo, contra o qual quebram-se vagas furiosas. Sois mais benévolos do que quaisquer outros o seriam. Diz-lhes João com humildade e gratidão. Posso agora compreender porque sois assim? Porque para ele, né, para João, Felipe morreu por culpa dele, né? Era, era natural que a família de Felipe entendesse isso, mas a família tá dando

gratidão. Posso agora compreender porque sois assim? Porque para ele, né, para João, Felipe morreu por culpa dele, né? Era, era natural que a família de Felipe entendesse isso, mas a família tá dando uma prova de cristianismo verdadeira, verdadeiro, né? Dizendo, João, João, não se incomode. Felipe fez o que precisava ser feito, fez o que era dever dele fazer. Olha, olha-os um a um em torno a irmã, a mãe, a irmã, a mãe, o pai em seguida diz: "Tenho a rogar-vos algo de extrema importância para mim, é que me aceiteis no lugar de Felipe. Peço muito, talvez, mas eu me esforçarei. É preciso que me compreendais. Sê tranquilo, ser tranquilo, diz Maria. E sua mão grande, calejada corre-lhe pelos cabelos macios. Pensa nisso. Pensa nisso, gente. E nós estamos falando do cristianismo, eh, dos primeiros tempos, né? já ali 300 anos após a crucificação. Que coisa fantástica, né? Como eles entenderam com plenitude a proposta de Jesus, o amor ao próximo e o entendimento que a vida continua, o entendimento de que nós estamos todos eh docemente sujeitos aos desígnios divinos e que tudo é em nosso benefício. que nada do que nos acontece é contra a vontade divina, mas principalmente que nada é para o nosso mal, nada acontece para o nosso sofrimento. Jesus traz essa mensagem de um Deus amoroso, carinhoso, aquele pai fantástico, não é? Então é esse esse esse entendimento que faz desses cristãos primitivos e primitivos, obviamente no bom sentido, espíritos que realmente entenderam o que é que nós estamos fazendo aqui encarnados. É lindo, não é mesmo? É muito lindo. Vai paraa outra história. Gala agora volta pra rotina dela. Prendi o rebanho, separei os animais leiteiros, substituí a água dos coxos e entrei. Agora nós já sabemos o nosso o nome do nosso personagem, né? desse personagem que chegou lá para ser atendido, tratado, porque estava ferido. João fora instalado num leito armado às pressas na passagem mais larga existente entre a cozinha e o quarto de nossa mãe. Aquela noite, pouco dormimos.

ara ser atendido, tratado, porque estava ferido. João fora instalado num leito armado às pressas na passagem mais larga existente entre a cozinha e o quarto de nossa mãe. Aquela noite, pouco dormimos. A todo instante levantávamos e em derredor do enfermo trocávamos impressões, reavivávamos o fogo ou providenciávamos a cozedura de folhas e raízes que necessitavam ser substituídas. Na noite seguinte, a situação ainda não se modificara. sei antes dos outros. E a fim de que mamãe pudesse descansar um pouco, a substituir a cabeceira de João. Ela deitou-se e adormeceu quase que de imediato. Começamos então a falar baixinho e a andar na ponta dos pés para que o seu bem-merecido repouso não se interrompesse. Quando o vovô veio tomar meu lugar, reuniquei a limpeza na cozinha. estava ali quando ouvi o tropéu de um cavalo. Como a porta da cozinha e a da entrada da frente abriam-se em linha reta, de onde eu estava conseguia ver o que se passava lá fora. Entretanto, antes de ver, eu já sentia a aproximação de Filotemo. Filotemo personagem lá atrás, né? Houve ali uma aproximação dos dois. Eles se reconheceram como espíritos que já se conheciam eh de outras épocas, mas a gente achou que ia virar um casal, mas por enquanto ficou nisso. Era ele de fato e uma outra pessoa, uma jovem segurava-se a garupa. Não vi quando desapearam, nem quando entraram na casa, mas não tardou muito e já estavam na cozinha. Filotemo trazia a mocinha pela mão. Tinha a epiderme mais branca, pura e rosada que eu já vira, como as pessoas que vivem nos lugares altos e frios. Intimamente lamentei que muito em breve a aspereza da step fosse roubar aquela suave coloração de flor. Muito sol, muito vento, né? Pouca vegetação, iam certamente mudando a fisionomia das pessoas, né? Como a gente quando mora na montanha e vai morar na beira da praia, né? Muda tudo. "Esta é minha irmã gema", disse Filoteno. Sorrím-nos ali entre panelas, bilhas e potes, e, por um instante, fiquei sem saber se interrompia o serviço e os reconduzi à sala ou se

praia, né? Muda tudo. "Esta é minha irmã gema", disse Filoteno. Sorrím-nos ali entre panelas, bilhas e potes, e, por um instante, fiquei sem saber se interrompia o serviço e os reconduzi à sala ou se terminava o serviço ignorando o cumprimento da hospitalidade sob o pretexto da situação inabitual. Gema, entretanto, vem em meu auxílio, dispondo-se a me ajudar. E depois Cirilo já estava nos nossos calcanhares. Cirilo é o irmão da gala, viu gente? Aqueles dias de minha vida tiveram um estranho ar de irrealidade. Recordando aquela cena, vejo-a com suave encanto. Apago-me e ficam apenas as três jovens criaturas em meio às paredes de rocha escalavrada da cozinha. e a luz ambarina da candeia. Mesmo o rústico cenário ganha uma macia aparência de névoa. Conversando baixinho entre sorrisos e olhares significativos, parecem-me luminosos e belos, plenos de uma misteriosa exultação. E entre eles, eu sou apenas um ser ereto, silencioso e apagado de contraditórias emoções. penso exhaustivamente: "Sou uma candeia, cuja luz é intensa demais para o seu pequeno depósito de azeite. Os outros também perdem sua infância, mas isso lhes parece extremamente fácil". Naquela noite, entretanto, eu começava a participar. Tinha a impressão de compreender e ser compreendida. Nossos sussurros estimulavam-nos. Era como se estivéssemos contando uns aos outros os nossos segredos. E mais tarde, quando me senti atordoada de tanto tagarelar, Filotema e Gema já estavam definitivamente integrados entre os muitos animais e as poucas pessoas do meu mundo solitário. Depois, já com nossa mãe desperta, reunimo-nos em torno do leito de João e oramos juntos. Filotemo impôsles, impôs-lhe as mãos sobre a cabeça na forma de auxílio que vinha dos tempos apostólicos. Era medicina do coração puro e bem intencionado, sempre capaz de obrar os melhores resultados. Quantas vezes você fez um passe em algum parente seu este ano porque ele tava doente? Eu tô perguntando pro espelho, né? Vocês sabem que eu olho assim, ó, paraa tela

z de obrar os melhores resultados. Quantas vezes você fez um passe em algum parente seu este ano porque ele tava doente? Eu tô perguntando pro espelho, né? Vocês sabem que eu olho assim, ó, paraa tela do computador e eu tô me vendo. Eu não tô vendo vocês, eu tô me vendo. E aí quando eu li essa esse trecho, eu fiquei, a gente sabe o que é o passe. A gente sabe que a gente pode fazer uma doação de bons fluídos por amor. Se a gente só ficar do lado da pessoa e enquanto conversa com ela, fizer uma prece rápida e tiver vontade de doar bons fluidos, isso já vai ser suficiente para nós ajudarmos aquele aquela pessoa que está doente. Não precisa ficar em pé, não precisa impor as mãos, só precisa que a gente tenha vontade. Eles já faziam isso. Os cristãos primitivos, eles já impunham as mãos, como para alguns, né, eles abençoavam as pessoas, mas para nós nós entendemos porque reconhecemos no ato do do da bênção, do que é chamado de bênção, um passe, um desejo sincero de que aquele aquela pessoa, aquele espírito encarnado possa ser beneficiado com os nossos melhores sentimentos, não é? Assim uma atmosfera de paz, uma sensação de renovação, pareceu acrescentar-se ao pequeno aposento. Percebi que os esforços de mamãe, agora poderosamente coadjuvados pelo mundo invisível, começavam a dar os primeiros resultados. A respiração e o sono de João se normalizaram. O fluxo de suor intenso se conteve. Naquela noite, houve um momento em que pude falar a sós com Filotemo pela primeira vez. Estava sério ao dizer-me que adivinhava alguma coisa de muito velho entre nós. Um traço comum que muito me alegra e que gostaria de restabelecer. Papai costumava dizer-nos que nossa existência pode ser comparada a uma casa com muitos cômodos. Em cada vida abrimos e construímos um cômodo na forma de porões, prisões subterrâneas ou então de torres de onde vesse o céu. Entretanto, se construímos subterraneamente, teremos para chegar à torre de construirmos muitos cômodos de passagem. Talvez nós nos tenhamos

risões subterrâneas ou então de torres de onde vesse o céu. Entretanto, se construímos subterraneamente, teremos para chegar à torre de construirmos muitos cômodos de passagem. Talvez nós nos tenhamos visitado em certa época, em um ou quem sabe em vários desses cômodos. "Sim, é possível", ele disse pensativo. Eu me sentia menos preocupada e por isso fiquei a olhá-lo com vivo prazer. Tive a impressão de que ia dizer alguma coisa, porém hesitou. E nesse instante os outros se aproximaram. Isso fez com que se desfizesse aquele breve instante de intimidade, mas a sensação de múo aceitamento já era definitivo. Ocorreu-me que se realmente existia um antigo laço nos unindo, esse laço poderia ser de alegrias ou de tristezas. Mas de qualquer forma eu estava certa de que já não fugiríamos. Olha eu aqui na torcida para ser um casal, pelo jeito não vai virar um casal, né? Já não vai virar um casal. Já fiquei chateada. Já quero saber que que vai acontecer com eles. A xarazinha dizendo: "Naquela época a medicina fluídica era muito utilizada pelos exênios e praticada também com imposição de mãos". Tá vendo? E agora a gente fica aqui cheio de dedos. Desculpa, gente, mas é isso. Tem algumas coisas que a gente não tem como resolver e parece que hoje tudo resolveu dar, sabe, dar uma enroladinha, uma É isso. Mas vamos lá, estamos aqui. Desculpa mais uma vez pela interrupção. Eh, ocorreu-me que se realmente existia um antigo laço nos unindo, esse laço poderia ser de alegrias ou de tristezas. Mas de qualquer forma estava certa de que já não fugiríamos. Despediu-se de mim com terna camaradagem. Pus-me a analisar todas as emoções e sentimentos que se tinham levantado em mim depois que o conhecera. Procurei a figura de Filotemo no meu coração e encontrei-a numa antecâmera com antecâmara com muitas outras companhias. A porta do lugar secreto ainda não estava aberta. Ele era belo e bom, porém estava na antecâmara e eu nada poderia fazer. Minha consciência desejou formular um protesto, porém a mulher que se banhava

A porta do lugar secreto ainda não estava aberta. Ele era belo e bom, porém estava na antecâmara e eu nada poderia fazer. Minha consciência desejou formular um protesto, porém a mulher que se banhava no rio de Luar habitualmente silenciou-a. Nos dois dias que se seguiram, suas ocupações não lhe permitiram voltar. Um mensageiro viera no primeiro dia em busca de notícias sobre o enfermo. E no segundo Cirilo pretestou acompanhar o velho pai de João, que passara as horas da tarde em nossa casa e descer a cidade. Consciente ou inconscientemente, eu não poderia saber, ele partia em procura da formosa gema. Tudo gira em torno do amor, né, Buda? colocava a mão na cabeça para abençoar. Pois é, gente. Pois é. Pois é. A gente nem precisa fazer isso. Se a gente parar do lado da pessoa, mesmo que a gente esteja distante, quilômetros de distância, se a gente fechar nossos olhos, pensar na pessoa e encher nosso coração de amor, de carinho e de desejo, de que tudo de bom aconteça para ela, que Deus abençoe, que Deus a ilumine, que Deus a ajude de verdade, verdadeira. Tudo isso de bom que a gente tá sentindo chega até a pessoa. Alguma dúvida disso? Nenhuma. Nenhuma. Mas se a gente puder fazer imposição de mãos e dar um passe, poxa, fantástico. Fantástico. Melhor ainda, não é? Melhor ainda. Os cuidados de mamãe, as vibrações e preces com que cercávamos o João, a João, o ar limpo da step, arrancavam-lo das perigosas condições em que chegara. E numa das tardes que se seguiram, como sua irmã tivesse vindo a passar a noite conosco, deixamos-los a sós já sem motivos para maiores para preocupações maiores. E descemos a cidade para a reunião semanal da eclésia. Eclésia é como eles chamavam a igreja, né? Em vez de chamar a igreja, falar igreja, eles usavam eclésia. Atravessamos a cidade discretamente, palmilhando as ruas que contornavam o interior das muralhas na direção dos bairros dos trabalhadores. Um emaranhado de tamarineiros e framboezeiras espinhosas cercava e ocultava construão construção singela aos olhares

s que contornavam o interior das muralhas na direção dos bairros dos trabalhadores. Um emaranhado de tamarineiros e framboezeiras espinhosas cercava e ocultava construão construção singela aos olhares exteriores. havia depois o pátio iluminado sempre por uma taeda de resina no meio do qual fora cavado um poço. Em seguida, entre pérgulas de plantas trepadeiras e vinhas, ficava o salão humilde de reuniões e preces, antecedendo os galpões construídos para se fazerem lardos desamparados. Deu para imaginar como é que era a igreja, a eclésia? Vocês conseguiram construir a imagem da eclésia na cabeça de vocês? Porque era um o lugar simples, porque o ambiente é um ambiente simples, porque o lugar ali era muito simples, né? Eles tinham muita dificuldade de sustento, inclusive. Então, a eclésia, né, o local feito para essas reuniões, era tão simples quanto o ambiente ali onde eles viviam. É natural, não é? Não é isso? Então, como disse hoje o numa palestra o Aldeir Sales, a casa espírita não precisa ser feia, nem desarrumada e nem despojada de conforto. Ela precisa, obviamente, ser simples, mas pode ser confortável, né? pode ter eh muita vegetação, pode ser um pode deve ser um ambiente agradável para as pessoas pessoas ficarem. Naquela época eles tinham eles tinham inclusive um espaço para abrigar os doentes, né? Hoje a gente não precisa mais desse espaço porque nós temos outros lugares mais adequados para isso, inclusive hospitais espíritas que foram construídos para esse fim. Mas nós podemos ter ambientes que ambientes bem construídos, bem montados para receber com carinho, com conforto, com beleza aqueles que vão em busca de socorro nas casas espíritas e a nós mesmos, não é? Mas veja que lindeza. Mesmo a eclésia sendo simples, ainda aí havia lugar para os desamparados. Exatamente. Lembrando, né, xará, que eles eram p eram famílias que viviam com muita dificuldade, com muitos problemas para se manterem, né, e que os romanos, o império romano ainda ficava com uma parte de tudo que eles produziam. Então,

eles eram p eram famílias que viviam com muita dificuldade, com muitos problemas para se manterem, né, e que os romanos, o império romano ainda ficava com uma parte de tudo que eles produziam. Então, lá no começo do livro eles, a Gala conta isso, que os romanos de tempo em tempo iam pelas aldeias contando o número de pessoas dentro da casa e da cabeça de quem tava ali fazendo a contagem dizia quanto de comida eles podiam reter para eles, manter ali para eles. E mesmo assim eles ainda pegavam uma parte dessa comida, desses alimentos que eles mesmos produziam e levavam para essa dispensa comunitária para poder socorrer aqueles que tivessem menos ou aqueles que estivessem eh passando por ali, indo de um lugar pro outro ou numa situação ali de doença, de um problema mais sério. É legal, né? É muito legal. Voltando lá no livro, ainda hoje posso experimentar o vivo prazer que me dava chegar até ali. Uma paz sobrenatural parecia envolver o escuro e feio conjunto duas vezes centenário. Então, já era um lugar já com 200 anos, né? Eu me arrepiava ainda no pátio e uma vívida alegria agitava meu coração. O ar ali me parecia mais puro, o melhor de mim mesmo, mesma, como que aflorava de íntimas reservas, oferecendo-me um divino e emocionado prazer. Eu imaginava o vulto de Barnabé, fatigado da grande jornada que o trouxera da Palestina remota para repetir a mensagem do Senhor. ao lado da generosa Aba pela primeira vez articulando o nome de Jesus. Via-os se descedentando no poço ou abrindo os braços para os aflitos sobre a pérgula envolvida nas parras. E esse extremado amor fazia-me ter visões. Aconchegada contra a noite azul e veludosa, acendida de estrelas, a eclésia parecia-me promanar opalina claridade, as luzes como que de antecipado amanhecer. Tenho-a ainda assim ante meus olhos e projetando-a entre os templos que o cristianismo divino ergueu, ocorre-me que os homens avançaram demais. Eles não compreenderam e por isso ofereceram a Jesus aquilo que nunca lhe lhe ocorrera receber.

rojetando-a entre os templos que o cristianismo divino ergueu, ocorre-me que os homens avançaram demais. Eles não compreenderam e por isso ofereceram a Jesus aquilo que nunca lhe lhe ocorrera receber. Acenderam-se luzes exteriores, mas as luzes interiores se apagaram. Por ecclésia igreja, compreendíamos então não o ofício, mas a reunião geral dos fiéis. Por esse motivo, pessoas de todas as classes da sociedade misturavam-se ali, inclusive os tutelados da casa em atmosfera de fraternidade e respeito. O que acontece na sua casa espírita se entrar um bêbado? O que acontece nas casas espíritas? Se entrar uma pessoa na altura pilha, será, será que é assim que nós vamos receber? Em paz, em tranquilidade, em amorosidade, nós vamos receber essas pessoas como irmãos em Cristo, filhos do mesmo Deus, filhos do mesmo Deus. Será? Essa é uma coisa pra gente pensar. Claro, nós vivemos outros tempos, não é? Nós vivemos outros tempos, mas ali em meio a uma reunião, uma leitura do evangelho, palestra, passe, como será que a gente deve se comportar? Ao chegar, dirigi-me ao alojamento das crianças, muitas das quais, em situações diferentes e quase sempre doentias. tinham passado temporadas em nossa casa, tonificando-se ao ar puro do nosso plano pedregoso. Apazia-me estar cercada pelas carinhas familiares, pelas minúsculas figuras que pareciam voar como abelhas em torno de mim, disputando meu colo. Gema foi encontrar-me ali e nos distraímos por algum tempo a conversar com Andreia, devotada colaboradora de Adastro, a cuja guarda ficavam as crianças recolhidas na rua. Foi a visão de Adastro que se dirigia para o local da reunião pela passagem interior, que nos fez regressar e procurar assento nos bancos já quase que inteiramente tomados. No silêncio que se fez, fiquei a olhar sua figura veneranda. Ele humildemente entrava, dirigindo-se a um dos escabelos da frente como de hábito. Trazia nas mãos queimadas de sol, envoltos cuidadosamente em panos de linho e metidos em estojos protetores de

anda. Ele humildemente entrava, dirigindo-se a um dos escabelos da frente como de hábito. Trazia nas mãos queimadas de sol, envoltos cuidadosamente em panos de linho e metidos em estojos protetores de madeira, os preciosos pergaminhos da igreja. Adastro era trabalhador comum entre os servidores da casa pretoriana. De menino iniciara-se nos segredos da jardinagem e da horticultura, trabalho que lhe garantiu pão ainda nos dias de sua senectude. Pão que amoroso dividia com o filho, também já entrado em anos, porém cego e paralítico. Visto ali a luz da lâmpada de azeite contornado pela auréula da barba e dos cabelos brancos, seu rosto cavado em rugas, tostado, parecia irradiar ainda o calor da luz intensa em que laborava. Era pequeno e seco de carnes, quer dizer, era magro, né? visto, entre outras pessoas, não possuía sequer um único traço capaz de despertar atenção. Entretanto, dentre todos, singularizava-se como o que tinha dado os mais altos testemunhos de fé. flagelado vezes sem conta, preso e escorraçado, Adastro pudera sempre manter a sua luz sobre o alqueir. E naquele instante, embora não o soubéssemos, era também, talvez, o último representante da Igreja Cristã Primitiva, escolhido e eleito por seus pares através dos títulos mesmos do seu testemunho. Muitos alcançariam depois os postos de direção firmados em esperanças e expectativas. Aquele representava as gerações desaparecidas. para as quais toda uma vida de realizações sem jaça era o preço da escolha entre seus pares. "Oremos", disse ele. E aqui a gente volta a dar uma paradinha, né? Eles já nos mostravam que pobreza não é desculpa ao auxílio a que se encontra em condições ainda mais difíceis. Sem dúvida, sem dúvida, Chará. Mas aqui é interessante, né? Porque quem eles consideram liderança, não vou nem falar aqui de eleição, de diretoria, de casa espírita, nem de federativa, não, nada disso. Mas quem a gente elege como nosso como pra nossa lista de admiráveis? Não tem sempre umas pessoas que você olha e fala: "Ai, queria ser que nem

a, de casa espírita, nem de federativa, não, nada disso. Mas quem a gente elege como nosso como pra nossa lista de admiráveis? Não tem sempre umas pessoas que você olha e fala: "Ai, queria ser que nem ele". Não é assim. A gente tem umas pessoas, mas como é que nós estamos escolhendo essas pessoas? Nós estamos levando em consideração o que exatamente? Quais são os nossos ã Quais são as credenciais dessa pessoa que a gente procura para saber se ela é alguém em quem devemos nos pautar, em quem nós devemos acreditar, né? Em quem a gente deve se espelhar. Vocês já pensaram nisso? naquela essas de todo dia, sabe? Essas de todo dia. Quem a gente segue nas redes sociais? Que tipo de informação essas pessoas estão passando para nós e pros outros? Quem a gente elege? Quais são os padrões de ética e moral que essas pessoas têm? Isso é muito importante, porque isso diz muito a respeito de quem nós somos e diz muito também a respeito de que sociedade nós estamos construindo. Porque quando nós olhamos e falamos assim: "Nossa, nós estamos num mundo muito violento, mas somos nós que estamos fazer esse mundo, não são outras pessoas. Não tem ninguém do lado de fora do planeta dizendo: "Não, agora eu quero que eles sejam todos ótimos seres humanos". Pã e pronto, seremos todos santos. Somos nós responsáveis pela situação do planeta, por toda a situação do planeta, pelas guerras, pela fome, pela pelos maus tratos ao próprio planeta, né, à natureza, ao meio ambiente. Nós é que somos responsáveis. E esses cristãos primitivos tinham uma consciência profunda sobre isso. Então, um homem ou uma mulher que verdadeiramente mereciam ser eleitos como representantes da igreja ou da comunidade, eram homens e mulheres de comportamento ilibado. falavam e que se comportavam, mais do que falar, se comportavam como cristãos. São esses que nós devemos admirar, são esses que nós devemos seguir. Nós vamos encontrar hoje eh Pedro, Paulo, Thago, talvez não, mas nós certamente vamos encontrar Divaldos, Chicos,

am como cristãos. São esses que nós devemos admirar, são esses que nós devemos seguir. Nós vamos encontrar hoje eh Pedro, Paulo, Thago, talvez não, mas nós certamente vamos encontrar Divaldos, Chicos, Ivones, não é? Tantos homens e mulheres maravilhosos que nós temos hoje em dia e que merecem a nossa atenção. Mas é preciso que a gente pense primeiro sobre o que eles estão fazendo, quem são eles para seguirmos essas pessoas. Aqueles cientistas que buscam o benefício de todos, os educadores que também buscam o benefício de todos. Esses homens e mulheres que existem aos milhares no nosso planeta e que trabalham sim em benefício do próximo, porque eles já estão aqui trabalhando em benefício do próximo. Tem muita gente no movimento espírito que tá esperando esse povo reencarnar, mas eles já estão aqui encarnados e já estão vivendo entre nós. É só a gente prestar atenção, mudar o nosso foco, parar de olhar tanto para para quem faz coisa errada e dar espaço para quem faz coisa errada e passar a olhar quem faz boas coisas e dar palco para quem faz boas coisas, não é? E acreditar essa semana que tá terminando, né? Eu contei da do Fraternidade Sem Fronteiras por uma pessoa que eu conheço e aí ele virou para mim e falou: "Ah, eu não acredito, eu não acredito que seja tudo honesto, porque impossível fazer isso tudo de forma honesta". Eu falei: "Por que que é impossível?" "Não, porque não dá para fazer". Falei: "Não, mas você tem que ter um motivo, né? Você tem que ter um motivo para dizer que é impossível fazer tudo de forma honesta. Não há nenhum indicativo de que haja ali algum motivo. E até porque existe uma uma regra dentro de comunicação que eu levo pra vida toda, que é se você tem um segredo, para ele continuar sendo segredo, você não pode contar para ninguém, só você pode saber. Então, quando uma entidade, um órgão, eh, seja lá qual for, não importa se é uma ONG ou se não é, tem alguma coisa errada acontecendo lá dentro, vai vazar. As pessoas vão ficar sabendo de um jeito

er. Então, quando uma entidade, um órgão, eh, seja lá qual for, não importa se é uma ONG ou se não é, tem alguma coisa errada acontecendo lá dentro, vai vazar. As pessoas vão ficar sabendo de um jeito ou de outro, vão ficar sabendo. E o que a gente sabe a respeito do fraternidade sem fronteiras é que o trabalho deles é maravilhoso, maravilhoso. Por isso que tem tanta gente apoiando, tanta gente ajudando, porque o trabalho é muito bem feito e muito sério, muito sério. Mas aí vem sempre a pessoa que acha que não dá para para pro ser humano ser gente boa. Ah, eu não acredito. Tem sim, tem muita gente maravilhosa por aí, muitas pessoas maravilhosas por aí. E essas pessoas, como as pessoas, o o pessoal do Fraternidade Sem Fronteiras e de outras ONGs, de outras instituições que merecem muito o nosso apoio, merecem-nos muito a nossa admiração e a nossa ajuda, nossa participação. Queridos, muito obrigada por estarem com noite. Eu agradeço muito a presença de todos vocês. Domingo que vem estaremos juntos novamente. Convidei Artur Valadares para participar conosco aqui um domingo para falar sobre o que ele pensa desse livro. E ele disse que tá lá procurando na agenda dele, tá tentando lá na agenda dele encontrar um domingo agora em outubro para poder falar conosco. Um beijo muito grande para vocês. Eu espero que vocês tenham uma semana maravilhosa e que nós nos encontremos o quanto antes. Beijo. Boa noite,

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