A esquina de pedra | Stela Martins | 15.03.26

Conecta Espiritismo TV 16/03/2026 (há 2 semanas) 1:03:14 17 visualizações 2 curtidas

Essa série de lives tem por objetivo principal divulgar a obra “A esquina de pedra” e seu autor, Wallace Leal V. Rodrigues. O livro aborda a história do cristianismo primitivo e a formação do catolicismo, com capítulos que se assemelham a crônicas poéticas, explorando temas como a fé, a caridade e a transformação moral. https://www.oclarim.com.br/a-esquina-de-pedra/p O autor Wallace Leal Valentim Rodrigues, autodidata, foi ator e diretor de teatro, diretor de cinema, escritor, jornalista tendo atuado durante 25 anos na Casa Editora o Clarim como continuador da obra de seu fundador, Cairbar Schutel. Conheça a trajetória inspiradora desse espírito no documentário WALLACE LEAL – PODERES DO ESPÍRITO (Márcia Tamia | Zé Henrique Martiniano) https://youtu.be/pwItf50t0fg?si=D2qw3eQpXZMVXeyo #espiritismo, #doutrinaespírita, #allankardec, #reencarnação, #mediunidade, #evoluçãoespiritual, #vidaapósamorte, #cristianismoprimitivo, #esquinadepedra

Transcrição

Nascer >> O rei nascer ainda e progredir sempre [música] não é além. [música] Nascer, [música] nascer renascer, renascer [música] ainda [música] e progredir, progredir sempre sem [música] ser. Não é o rei nascer [música] ainda e progredi [música] sempre. Não é [música] ali. Boa noite para todos. Sejam bem-vindos. Vamos começar aqui mais um encontro para refletirmos sobre essa obra maravilhosa do Ala Cileal Rodriguez, A esquina de Pedra, um romance que mostra pra gente um pouco da vida dos cristãos primitivos, a fé aplicada na rotina, né? A certeza da vida após a morte. e outras coisas tantas que parece que nós deix fomos deixando para trás. Sejam todos muito bem-vindos. Eu sou Estela. Eu acho que eu nunca fiz autodescrição aqui no esquina de pedra, né? Uma falha danada. Então, eu sou a Estela Martins, sou uma mulher branca de cabelos grisalhos. A, uso óculos de aro arredondado vermelho, uso batom. Hoje eu tô com brinco também vermelho em formato de coração. Camiseta vermelha da fraternidade sem fronteiras. Ainda bem que eles vão lançando cores novas, que é pra gente fazer uma coleção. Estou no quintal da minha casa, então atrás de mim são várias plantas. Deixa eu falar boa noite pra turma, para quem já chegou. Oi, Tânia, boa noite, querida, bem-vinda. Oi, Rosiane, boa noite. Os esquineiros hoje estão dormindo. Quero agradecer vocês. Me desculpem, eu tô com uma pastilha na boca. Eu tô saindo de um resfriado que me pegou a semana passada. Então eu precisei pôr uma pastilha agora porque a garganta tava começando a querer falhar. Então vou, vocês me perdoem, mas era uma, era só para garantir que eu ia conseguir fazer o esquina de pedra hoje. Quero agradecer aos canais parceiros dessa transmissão. Eh, o estudo de do livro A Esquina de Pedra é feito a partir do Consolar Esclarecer, mas ele é retransmitido pela Rádio Espírita do Paraná, pelo Grupo Espírita Fonte Viva, pelo Conecta Espiritismo TV, Instituto Goiano de Estudos Espíritas, que é o Ig Rádio Fraternidade. A todos eles, muito

le é retransmitido pela Rádio Espírita do Paraná, pelo Grupo Espírita Fonte Viva, pelo Conecta Espiritismo TV, Instituto Goiano de Estudos Espíritas, que é o Ig Rádio Fraternidade. A todos eles, muito obrigada. Não se esqueçam, sempre que vocês estiverem assistindo uma live espírita, de se inscreverem no canal, de curtirem a live ou o vídeo e também de comentar no chat, mesmo que seja um vídeo já postado há 2, 3 anos, porque é esse movimento no na no canal que mostra pro YouTube que esse é um conteúdo relevante, significativo para ele apresentar para mais pessoas. Então é fundamental curtir o vídeo, curtir a live e também inscrever no canal. Escreva boa noite, bom dia, boa tarde ou a cidade da onde você tá falando, o que você achar melhor. Mas faça um comentário no chat, tá? Porque é muito importante isso, porque senão o YouTube não vai oferecendo para outras pessoas. Não é esta live especificamente, não tô falando desta, tô falando de todas, porque eu também às vezes assisto um vídeo do, sei lá, de qualquer palestrante ou de qualquer tema que me interesse e eu esqueço de curtir o vídeo, de fazer comentário. E a gente não pode esquecer, a gente precisa lembrar de fazer comentário para que ele seja apresentado para outras pessoas. Às vezes você não vai fazer ali nenhum grande comentário, não vai falar nada demais, mas você pode colocar ali boa noite e a cidade da onde você já tá, você tá falando que já é o suficiente. Tá bom? Eu vou compartilhar aqui com vocês aí, ó. Miriam já me ajudou. Gostei, Miriam, fiquei contente agora lá ó, São José dos Campos. Muito bem, muito obrigada, viu? Oi, Margarete, boa noite para você. A Rosiane já tinha falado com ela, né, Rô? Ó lá, Rosiane de Freitas, Campinas. Ah, não, essa é outra, então. Não é não. Rosiane Caetano. É uma é Roseane Caetano e Rosiane de Freitas. Tá certo. Eu que tô fazendo aqui confusão, desculpe. Muito bem. Vou colocar aqui uma mensagem para ser nossa prece de abertura e a gente já continua, tá bom? Vamos lá. Pelo amor maior fomos gerados em mil

erto. Eu que tô fazendo aqui confusão, desculpe. Muito bem. Vou colocar aqui uma mensagem para ser nossa prece de abertura e a gente já continua, tá bom? Vamos lá. Pelo amor maior fomos gerados em mil [música] estações nos encontrando. E hoje, em cada tempo que renasço, minha alma renasce já [música] te amando. O amor persiste em morte ou vida, mesmo com a saudade aos corações. Une-nos numa mesma família. Une as nossas duas dimensões. [música] Mas instado por teu sofrimento que me ama e sofre na saudade, meu amor rasgou firmamento para te consolar na eternidade. [música] Tu flecha ao peito a tua desdita, tua revolta a teu [música] desfalecer, frutos da ilusão que te domina, que morrer [música] é desaparecer. Ah, se me escutasses um só momento, [música] te diria em rasgo de ventura: ergue o teu olhar ao firmamento e esquece a fria sepultura. [música] Sente enfim que mesmo além da morte, como nesse instante ainda [música] me encontro, pulsa em minha vida de tal sorte que hoje e para [música] sempre eu te amo. Que lindo, né? É muito emocionante, né, a gente saber que nós não estamos separados daqueles que amamos, não é mesmo? A gente pode estar até afastado um pouquinho, mas separado, separado a gente não tá. É bom, não é? Muito bem. Lá a Tânia contando que é tá em Caxias, na Serra Gaúcha. Muito bom. Ros. Isso. Duas. É. Oi, Rê. Boa noite, querida. Oi, Elamar. Boa noite, meu bem. Bora lá. Vamos para pra nossa leitura de hoje. Linda poesia, né? R. É. Sâmia. Sâmia aoada. Sâia. É isso. Oi, ó. Boa noite, querido. Bem-vindo. Então, vamos lá. Lembrando a todos, nós estamos fazendo a leitura do livro A Esquina de Pedra, que é de autoria do do Ala Cilial Rodrigues. Nós já caminhamos, nós estamos já na metade do livro. Vai mais um tempinho aí, hein? E o livro narra a história de eh tem como personagem principal a Gala, que é uma faz parte de é uma uma moça que faz parte de um grupo ã de cristãos primitivos que viveu ali na região da hoje Turquia, né, aquele pedaço eh Capadócia,

tem como personagem principal a Gala, que é uma faz parte de é uma uma moça que faz parte de um grupo ã de cristãos primitivos que viveu ali na região da hoje Turquia, né, aquele pedaço eh Capadócia, que é a região da Turquia E nós estamos acompanhando aí a é um período de transição, quando o cristianismo passa a ser o início do catolicismo. Então tá terminando o cristianismo primitivo e iniciando o catolicismo. Ele, o cristianismo continua sendo chamado, eles, os cristãos continuam sendo chamados de homens do caminho, né? Eles ainda são chamados assim, mas de cristãos também. E eles ainda não tinham essa denominação de igreja, eles chamavam de eclésias, enfim. E o lugar onde a Cala tá vivendo é Sebastos. Tudo bem? Acho que sim. Acho que até até o final de 2026 a gente termina. Jesus amado. Posso acelerar, Tânia? Aí a gente termina mais cedo. [risadas] Ai ai. Ô meu Deus. Vamos lá. Então nós paramos aqui nesse trecho, eh, que ela tá contando para nós que a Gala foi dormir e sonhou com o Prisco, né? E ela vai começar a contar. Ela lá, ela tá dizendo: "Adormeci, sonhei que Prisco se aproximava de mim numa bm". Corri ao seu encontro e meus dedos aqui e meus dedos tocaram o seu peitoral metálico, onde a cabeça de um leão estava esculpida. Demo-nos as mãos e ele disse: "Estás em paz?" Eu olhei em torno e tive medo. Estaríamos a sós como nos parecia? Não tem importância", ele me disse. Suas mãos pousaram sobre minha cabeça e devagarzinho ele foi desfazendo minhas tranças. E a luz que partia de seus olhos me aquecia. Parecia dar-me novos austos de vida e de disposição para seguir ao encontro de minhas dúvidas, de minhas silenciosas angústias. Ele disse ainda: "Não devemos descansar se estamos à espera. Sim, por que seccionar nossa vida? Por quê? Por que dizer não sei do passado, não sei do futuro? Então, a face de Otávia surgiu entre nós. Meu passo não vacilou e meu peito não teve o mínimo arfar. Não, não era ilusão. A face dela era lívida e traduziu um ódio mortal. Depois

o, não sei do futuro? Então, a face de Otávia surgiu entre nós. Meu passo não vacilou e meu peito não teve o mínimo arfar. Não, não era ilusão. A face dela era lívida e traduziu um ódio mortal. Depois desfez-se na sombra. Um instinto poderoso me dominou. Eu o apertei contra o meu peito, voltei no ar e fui arrastada pela brisa. O rosto apaixonado de Prisco substituía ao vivo a outra face dura de lívidas narinas, aquele rosto belo e terrível. Que fizeste à tarde? Que saber? Cuidávam-nos de um lugar para nos reunirmos. A distância da igreja, ele estranhou. Por quê? Mesmo no sonho eu corei violentamente. Não podia falar-lhe de quanto se passava. Eu não me atrevia. O que pensaria ele de minha fé? Tomei-lhe as mãos e não respondi diretamente. Eles falavam e eu pensava em ti. Sim. Esse lugar será como um pouso para os nossos os vossos voos. Estarão todos muito ocupados. Então ele falou. A voz dele era plácida, como se falássemos de coisas simples e habituais. Tu me contarás quando fizeres e não te aborrecerás. Além de ti, tudo é aborrecido demais. Então, os aborrecimentos que me dás se tor se transformam em alegrias. Entendes? É estranho, não é? Sim, como tudo mais. Capítulo 20 ou desculpa, capítulo 18. Capítulo 18. Levantamos-nos muito cedo e quase não conversamos enquanto nos aprestávamos para sair. Antes de nos dirigirmos às prisões, deveríamos passar pela casa de AONA e a e entregar a nossa parte da colheita do último outono, pois o prazo se esgotava. Eles estão entregando o imposto, né? Eles estão entregando a parte da de Roma, a parte da produção deles para Roma. É o imposto sendo pago. Em vez de pagar em dinheiro, eles pagavam em em espécie, né? Oi, Nivalci. Boa noite, querida. Boa semana para nós todos. O imposto sobre a lã não era aceito em bruto, mas em fios e tecidos já feitos. Assim, tínhamos trabalhado juntos naquele começo de inverno para satisfazer ao fisco. Quer dizer, não podia entregar o a lã bruta, né? Eles ainda tinham que tecer, eles tinham que ou fazer o fio ou fazer o tecido. Olha

abalhado juntos naquele começo de inverno para satisfazer ao fisco. Quer dizer, não podia entregar o a lã bruta, né? Eles ainda tinham que tecer, eles tinham que ou fazer o fio ou fazer o tecido. Olha só, não bastava pagar o imposto, tinha que diminuir o trabalho dos romanos, né? O postelum foi carregado, que é a carroça deles lá, foi carregado e saímos sob um agradável e morno sol, enquanto o vovô ficava a tomar conta da casa. Eu não tinha ideia do que resultaria daquele plano envolvendo os cárceres. E nos últimos momentos a ideia me parecia fantasiosa e irrealizável. Entretanto, os esforços primeiros já tinham sido feitos. Eu não tinha dúvidas quanto à espécie de gente que ia encontrar. Íamos enfrentar a mais miserável classe humana. Ladrões, assassinos, rufiões e bêbados, entre perseguidos políticos revoltados contra a dominação romana que os espoliava. Prisco deveria estar na chefia da guarda. Estaria mesmo? Nós nos detivemos na anona e descarregamos uma parte do que havia no plelum. Os funcionários da arrecadação eram mal humorados e não hesitavam em nos atirar palavrões. Haviam de ter problemas sobre problemas para arrancar aos contribuintes, muitos deles míseros que mal faziam para se sustentarem. O jogum aplicado arbitrariamente por outros funcionários, aos quais pouco importavam asções e os reclamos. Então descarregavam sobre uns e outros o seu mau humor em forma de esbarrões, de gritos e frases grosseiras. Respiramos aliviados quando nos vimos livres daquele encargo e rumamos com impaciência na direção da porta e a volena, além da qual ficavam as prisões. Transpusemo-la e já na estrada, outra vez em pleno step, fomos encontrando os companheiros da empreitada. chegavam em pequenos grupos e em breve éramos um magote compacto de cerca de 30 pessoas e ataelarem ininterruptamente, até que, mostrando-se a distância o fortim, Filotemo nos deteve, lembrando que bem faríamos orando antes de chegar. Era um ambiente difícil, né? Eles sabiam que era um ambiente difícil e mais do

ente, até que, mostrando-se a distância o fortim, Filotemo nos deteve, lembrando que bem faríamos orando antes de chegar. Era um ambiente difícil, né? Eles sabiam que era um ambiente difícil e mais do que isso, era um benefício era um um ambiente difícil comandado por romanos que não tinham menor a menor paciência com aqueles aquela gente esquisita, né, que eles achavam. Nona parte da produção. Isso, querida. Obrigada, Eliamar. Bora lá. A estrada na manhã de inverno estava solitária e sossegada. Fizemos nossa pressa em silêncio, ao mur no sol e por cima de nossas cabeças, de vez em de quando em vez os gaviões soltavam seu grito estridente e agudo. Éramos cinco mulheres, mamãe e eu, Zenóbia, Gema e a irmã de João. Juntas vencemos o percurso que nos separava de nosso objetivo. Lembro-me bem daquela primeira caminhada, não apenas pelo meu natural nervosismo, ante uma situação inteiramente nova e o possível encontro com Prisco, mas também por um diálogo que foi travado junto a mim. Eu vinha notando que Domiciano, ao se referir essas assembleias da igreja, denominava-as missa, título esse que me soava estranho e totalmente desconhecido. Vocês estão percebendo, né? Tão percebendo? A Donato, que se encontrava ao meu lado, perguntei se compreendia o que Domiciano queria significar. Eu supunha que num momento de tantas inovações estranhas e inesperadas se tratasse de uma nova cerimônia ou coisa equivalente. Ante a perplexidade de nosso amigo, abordamos Domiciano. O que era a missa? Um cerimonial, um ato novo introduzido no até então singelo desenrolar das reuniões cristãs. Não, não. Ele respondeu nada de novo. A reunião chamam missa. Puseram um nome na reunião dos cristãos. Como se já não tivesse. Não é uma reunião. Onde nós vamos? Nós vamos lá na reunião da eclésia. Nós vamos lá fazer a leitura do evangelho. Aí eles pegaram, inventaram o nome, era missa. Então, Donato lembrou-se em Roma para encerrar as reuniões, os bispos costumam dizer missa. Isso quer dizer que podíamos ir

fazer a leitura do evangelho. Aí eles pegaram, inventaram o nome, era missa. Então, Donato lembrou-se em Roma para encerrar as reuniões, os bispos costumam dizer missa. Isso quer dizer que podíamos ir embora. Tudo estava terminado. Nícalo, entretanto, divergiu: "O termo pode estar chegando de Roma, mas não passa de uma compreensão errônea de um mal entendido que ganha corpo. Tudo porque o pão e o vinho que passaram a empregar para o sacrifício são enviados pelos frequentadores pelo povo. Ex dono misses. Nossa, só fica pior, né, gente? Só fica pior. Aí eu eu digo para vocês, imaginem a cara dos eh católicos da época em que esse livro foi lançado, como é que eles ficaram com relação ao ala cilial, né? Ele sofreu, viu? Sofreu. Oi, Marilda, que bom que você chegou, meu bem. Oi, Terezinha, boa noite. Então, vocês pensam só, né, que que eles estavam aprontando. Eh, de qualquer forma, ou era uma coisa ruim ou era outra coisa ruim. Esse nome não tinha interesse nenhum para eles, né, pros cristãos primitivos, né? Bem, disse, Heráclio, com mais um pouco, estarei tão estranho dentro do próprio cristianismo quanto estaria hoje entre os culturadores de Prerpina. Estávamos então diante dos portões do edifício fortificado por grossos paredões de pedra. ficava do outro lado de um pequeno valado, ao centro do qual uma lagoa de águas salubras e apodrecidas fornecia a água para o fosco que contornava as muralhas. Aquela hora em tonéis e odres detentos colhiam líquido torvo e viscoso para os serviços do interior. Paramos um instante a olhá-los, enquanto um guarda cheio de desconfiança dividia sua atenção entre nós e eles. a emitir pequenos gritos próprios ao governo dos animais de carga. "Ei, oua, oua, ei, repetia. O sol ibernal, erguendo-se a posição a pino, revelava cruelmente a miséria daqueles homens sob a penalidade e fazia parecer repulsiva a água que colhiam, a escorregar desajeitadamente na vasa enverdecida. Era preciso espantar com as mãos o lodo e as imundícies antes de mergulhar os vasil vasilhames.

alidade e fazia parecer repulsiva a água que colhiam, a escorregar desajeitadamente na vasa enverdecida. Era preciso espantar com as mãos o lodo e as imundícies antes de mergulhar os vasil vasilhames. Depois punham-nos à costas e se agrupavam para voltar. De onde estávamos podíamos contar-lhe as costelas sob as roupas em farrapos. Um deles, vendo-nos, começou a rir em momíces de idiotia, enrogando o rosto magro e deixando ver um único dente podre no maxilar pontudo, como o bico de uma ave. E isso até que um golpe de lança, não de todo inofensivo, fê-lo calar-se. A mãe de Zenóbia estava fria. A mão de Zenóbia estava fria e úmida na minha. Serás capaz? Perguntei-lhe baixinho. Eu me recomporei. Seguimos o pequeno cortejo irsuto e cabeludo. O pequeno cortejo irsuto e cabeludo. E foi um pequeno ruído familiar o responsável pelo retorno de minha coragem. Mamãe tinha a mão no bolso de seu avental e lá de dentro vinha o familiar ruído da pedra de afiar sobre o tensório. Está ruim essa questão da água. Ela disse a meu irmão e depois voltou-se para os outros. É o que precisamos ver primeiro. Carecemos de água boa, limpa e em bastante quantidade. Alexandre, que se debruçava sobre a lagoa, concordou com ela. Sim, é o que vem primeiro. É impossível que não exista algum manancial por aqui. Ela prosseguiu. Esta água de onde vem? Estamos num valado, o lugar não é mau. Então ouvi uma voz desconhecida e humilde a dizer: "Pode parecer um pouco esquisito, porém às vezes consigo descobrir onde existe um lençol d'água". Tu podes descobrir, mas como? com a ajuda de uma vareta, mas não posso garantir, seria uma tentativa. Tenho conseguido, mas uma vez ou outra pode falhar. Houve quem rese, levando afirmativa a conta de brincadeira. Bem, não custa tentar, mas não tens muito tempo. De que espécie de vara precisas? Eu mesmo saberei encontrá-la. A espécie e a forma podem ser importantes. O grupo moveu-se com o novato à frente em direção ao pequeno renque de vegetação, às margens da água estagnada.

vara precisas? Eu mesmo saberei encontrá-la. A espécie e a forma podem ser importantes. O grupo moveu-se com o novato à frente em direção ao pequeno renque de vegetação, às margens da água estagnada. Nós nos sentamos sobre as pedras a esperar. Mamãe estava visivelmente interessada e eu lhe perguntei vagamente, sem esperar que ela pudesse me responder. Esse quem é? Ora, quem imaginas que seja? Valério, o do Mâncio, ou mancilo, depois que Cleante o acolheu, ganhou o corpo, cresceu. Foi uma boa obra. Quem viu este Valério e quem o vê? Agora nós vamos saber quem é o Valério, né? Ela vai contar quem é o Valério. O albergue é um recinto espaçoso para o qual entra-se por sob pérgulas enredadas de videiras. Aos cantos e ao centro estão as mesas menores, onde se sentam os camponeses de roupas cinza amareladas rústicas. As mesas maiores, as da frente, ficam reservadas aos viajantes de posses e aos romanos. Que coisa, né? A, a gente vai discriminando ao longo da dos milênios. Ao longo das paredes estão enfileirados os odres e os barris. Do lado de fora numa placa está escrito em vermelho e preto, mansio. O movimento é intenso, pois que por ali entra-se e sai-se da cidade, passando pelo mercado e os entrepostos de compra e venda. A mesa dos pobres é sempre desleixada, pois, pois que estes são silenciosos e fáceis de tratar, são tranquilos e apenas ficam a seguir com os olhos os que entram e saem com lentidão e indiferença. Entretanto, as primeiras mesas são animadas, estreptosas, empuralhadas e Valério recebe murros e bofetões em torno delas. Em certos dias são quase insuportáveis essas agressões físicas. E foi assim este dia. Já é muito tarde e todas as luzes estão apagadas. Ele pôde, exausto procurar o seu cubículo e seu cre. Tem equimoses nos braços, no rosto, nas pernas. Fede a vinho azedo e suor pois duas vezes atiraram-lhe canecos à face. O mais negro desalento envolve-lhe a alma infantil. Empurra a porta e dali mesmo cai em pranto sob a esteira e as mantas ralas em que dorme. Sua fadiga e desolação

s vezes atiraram-lhe canecos à face. O mais negro desalento envolve-lhe a alma infantil. Empurra a porta e dali mesmo cai em pranto sob a esteira e as mantas ralas em que dorme. Sua fadiga e desolação extravazam em gemidos curtos e roucos, para os quais não existe a bênção das lágrimas. Então, sem saber como entrara, vê a mocinha ao seu lado. Ela sorre com doçura e olha o de soslai. Seu braço se estende, sua mão acarcia-lhe mansamente os cabelos. é miúda, de olhos tristes e tem duas tranças compridas pendendo-lhe aos lados da cabeça. Quando aquele olhar tristonho toca o seu, uma espécie de névoa rosada e macia parece expandir-se em torno dele, acalmando seu desespero, e ela dá-lhe uma impressão de velho conhecimento, como se soubesse por antecipação tudo quanto lhe era referente. Entretanto, com um sobressalto, Valério retorna ao seu seu natural e pergunta: "Desejas alguma coisa?" "Venho pedir-te um favor". Valério se sobressalta. "Um favor, ele balbucia um monossílabo. Mas um favor, amanhã, muito cedo, um homem deve vir falar-te. Não tenhas medo. Acata e aceita quando te disser parte comigo. Entendes bem? Não tenhas medo. Parte com ele. Parto com ele. Sim. Ele enxugará tuas lágrimas e curará tuas feridas. Ensinar-te há os segredos da vida. Aprende-os e segue-os. E aquele com quem seguirás respeita e ama. Tu o abençoarás em todos os dias de tua vida. Valério a vê agora de perfil. Seu rosto é suave e sério. Ela se vira completamente e desaparece nas trevas do corredor. Valério está vencido pelo cansaço e dorme profundamente até que os galos o despertam. terse atrasado. Corre ao pate e mesmo ali um homem intercepta-lhe os passos e diz-lhe: "Responde-me ligeiro: "Tens pais? Tens família?" O homem fala apressado e assim nervosamente. Valéria agita a cabeça significando que não. Acabo de adquirir a estalagem do outro lado da cidade e meu nome é Cleante. Isto deve bastar por hora. Levo-te comigo. Corre e vai esperar-me além do alcantil na curva da estrada. A bondosa desconhecida mandou-vos, o Senhor. Não,

do outro lado da cidade e meu nome é Cleante. Isto deve bastar por hora. Levo-te comigo. Corre e vai esperar-me além do alcantil na curva da estrada. A bondosa desconhecida mandou-vos, o Senhor. Não, ninguém mandou-me. Vi o que te fazem. Tratam-te como um a um animal, senão pior que a um animal. Vamos, apressa-te. Mas se a moça não vos mandou, por que me leva, senhor? O homem desenha um peixe sobre a areia. Sabes o que significa isso? Alguém sabe? E aí, chat, o que significa o peixe que ele desenhou na areia, hein? É, querida? É sim. Oi, José, boa noite, bem-vindo, querido. Oi, Graça, boa noite. Bem, Famelo Anton, boa noite, bem-vindo. Jorge Ret, consegui, mas não conseguir apertar o botão de curtir. Culpa do inimigo. [risadas] Ai, Jorge. Nossa, símbolo dos cristãos. Isso mesmo, Tânia Maria, é o peixe, o símbolo dos cristãos que ele us eles usavam naquela época para se identificar, né? Mais um cristão. Exatamente. Mais um cristão salvando o outro que também vai se tornar um cristão. Valério não sabe. Bem, levo-te em nome daquele que disse: "Deixai vir a mim os pequenos. Vens ou não vens? Sim, vou, porque a moça disse-me que vos acompanhasse. Disse-me ontem à noite. Cliente olha-o com curiosidade. Já tinhas visto essa moça antes? Não, senhor, não tinha. O olhar de Cliante face vago e é possível que nunca mais a vejas. E foi assim. Mas naquele instante, Valério apenas pôs-se a correr desabaladamente em direção à curva do caminho. Entre as árvores, Valério procurava muito compenetrado que lhe convinha. Eu sabia com olhar de dúvida. Oh, desculpa, eu o seguia com olhar de dúvida. aprofundou-se entre as moitas das bétolas desnudas e quando voltou, trazia uma espécie de forquilha com um dos ramos em ângulo reto, apontando para a frente. Este talvez sirva, ouviu dizer, este galho vai descobrir a água potável. Como? Não sei, não posso explicar. E não posso dizer se que será água potável. Talvez seja possível descobrir uma fonte. Isto apenas. Vamos tentar. Apertando a forquilha nas mãos, pôs-se a

ua potável. Como? Não sei, não posso explicar. E não posso dizer se que será água potável. Talvez seja possível descobrir uma fonte. Isto apenas. Vamos tentar. Apertando a forquilha nas mãos, pôs-se a caminhar. Notei que se inteiriçava e que toda sua atenção parecia concentrar-se na vareta. Andando de um lado para o outro em movimentos regulares, foi cobrindo a extensão da encosta. Nós o seguíamos e eu procurei rentear-me a ele. Não observava nenhum movimento estranho na vareta. Porém, Valério dava-me a impressão de estar sendo arrastado por um misterioso fio, de súbito ou atraída por qualquer coisa no seio da terra ou movida por uma por uma sua contração muscular, a vareta pendeu como que ganhando peso e marcou um ponto aos pés do experimentador. Não se dando por satisfeito, apenas marcando com o pé o ponto inicial, afastou-se em outra direção e outra vez foi se acercando até que idêntico movimento, voltou a marcar o ponto já assinalado. E isto se passou três ou quatro vezes antes que se convencesse. Deve ser aqui disse. É quase certo encontrarmos uma boa nascente por aqui. Então enfrentemos o melhor. Vai ser preciso pedir no forte material para cavar. Não vai ser preciso ouvi mamãe dizer triunfamente. Eu já esperava por isso. Levantou a palha que forrava o plelum e exibiu nossos instrumentos de lavoura. Vê só. Eu coxicheixei a Ciril e João, que se encontravam ao meu lado. Com a pá nas mãos. Mamãe parece uma guerreira. Ingenuamente, nós nos orgulhamos de sua beleza e de sua irradiante vivacidade. E eu tive vontade de bater palmas quando, com aquele mesmo gesto decidido, ela retirou a principal arma de seu arsenal, a sua caixa de remédios, a sua grande Nardx, que dependou por correias de couro a tira colo. Enquanto um grupo punha se cavar, nós nos dirigimos, já agora, confiantemente para a guarda postada ante a grade do portão, ante o grande portão. No pátio interior, ao primeiro olhar, via a biga de Prisco. "Desejamos falar ao chefe da guarda", disse Filot Filotemo,

nfiantemente para a guarda postada ante a grade do portão, ante o grande portão. No pátio interior, ao primeiro olhar, via a biga de Prisco. "Desejamos falar ao chefe da guarda", disse Filot Filotemo, respeitoso aos soldados. Não sei onde Prisco se encontrava, mas certamente muito por perto, pois que no momento seguinte se aproximava de nós. Olhou para mim com ar de conspirador e ainda hoje posso rever aqueles olhos muito negros brilhando através dos cílios grossos e compridos. Eu fiquei a imaginar se não estivera num daqueles corrediços mais altos a espiar-nos pelas ceteiras, acompanhando a mágica procura da água que Valéria setara. Filotemo formalmente solicitou-lhe permissão para atendermos aos encarcerados enfermos em nome da filantropia. Embora o momento fosse de seriedade, tive de me conter para não rir. É que, ouvindo-se as explicações de Filotemo, tinha-se a impressão de que a filantropia, em cujo nome falava, era uma pessoa importante e real, cujo pedido precisava ser acatado. Aquelas frases propositais, entretanto, faziam sentido para os guardas broncos, aos olhos dos quais as medidas que iam se tomar ficavam plenamente justificadas. A filantropia não podia passar no mínimo, da esposa de um dos primeiros funcionários ou de pessoa ligada diretamente ao procurador. Aquelas mulheres eram todas umas excêntricas. Não era de admirar que subitamente se tomassem de atenções pelos prisioneiros. Fala sério, o Filotemo deu uma desperto, né, para conseguir autorização. Oi, Bet, boa noite. O catolicismo ainda usa o símbolo. É verdade. É, é verdade. Ainda certas pessoas usam a forquilha para encontrar o veego de água potável. Olha, no sertão lá do Nordeste eles usam sim. Já vi inclusive no Globo Rural eles mostrando, o pessoal procurando água, usando essa forquilha. Diz que funciona, né? E não sou eu que vou duvidar. Não sou eu que vou duvidar. Ai, ai. Eu me diverti, acompanhando-lhes furtivamente as expressões de pasmo e assentimento, e percebia que, bem à frente de Prisco, Nícalo parecia rubro e

que vou duvidar. Não sou eu que vou duvidar. Ai, ai. Eu me diverti, acompanhando-lhes furtivamente as expressões de pasmo e assentimento, e percebia que, bem à frente de Prisco, Nícalo parecia rubro e tenso, prestes a explodir numa gargalhada. A situação pareceu tanto mais plausível, porque Prisco, ouvindo com atenção, olhava para o chão muito compenetrado e a sentia dizendo: "Certamente, certamente." Fez depois um gesto de mão, dando-nos passagem, e disse, acenando para um jovem soldado que se encontrava a pouca distância: "Encarregarei o soldado esmarágdo, esmarágdo, de nos acompanhar e servir no que for possível. Não sei como foi que meu olhar encontrou de Nícalo e aquilo bastou. Soltamos cada qual uma gargalhada e ríamos ainda quando, olhando-me de forma fugidia, Prisco deu-nos as costas e desapareceu numa das passagens laterais. Lembro-me de que todas as visitas feitas à prisão de Sebastes tiveram aquele pretexto e passaram a constituir uma espécie de cumprimento às ordens da filantropia. Nossa, durante meses, ríamos-nos aos nos lembrar, ao nos lembrar daquilo. E mesmo depois, quando os anos passaram, eu ainda sorria ao ouvir pronunciada essa palavra. Ele cumpriu o que prometeu, ouvi Cirilo dizer. Sim, ele cumprir o prometido, mas eu não podia esquecer-me de que, ao rir junto com Ncalo, Prisco não se deixara contagiar. E por detrás de sua aparência indiferente, eu podia adivinhar o seu aborrecimento. Ser ia difícil agir de outro modo. Como ele mesmo dissera a Ncalo, sua mãe e irmã nunca procederam daquela maneira. Nossa iniciativa não podia deixar de parecer-lhe importuna e desarrazoada. As mulheres na prisão, né? Ela tá falando lá atrás, eles já tiveram uma conversa sobre isso, que ele achava um absurdo ela, a mãe e as amigas irem ajudar os o os detentos, né? Não era difícil imaginar sua posição no caso, a menos que se tivesse mudado muito o que não acontecera. Para ele, os culpados precisavam ser castigados, pois eram infratores. Qualquer intromissão nesse fato concluso era apenas uma

osição no caso, a menos que se tivesse mudado muito o que não acontecera. Para ele, os culpados precisavam ser castigados, pois eram infratores. Qualquer intromissão nesse fato concluso era apenas uma maneira de complicar as coisas. Da outra vez estivemos do lado de fora das grades. Desta vez desejamos entrar. Filotemo disse com naturalidade a Esmarágáguiddo. Esmarágdo. O outro estranhou. Isso nunca foi feito disse o hesitante. Há toda uma série de riscos a correr. Não se nos puseres lá dentro e fechares novamente a porta. Era uma proposta incrível. Esmaragdo nos olhava assustado, sem sombra de sorriso. Serei responsabilizado pelo que suceder. Asseguro-te que nada nos sucederá. Vê só, julgas que estejam em situação de nos agredir? Do outro lado das grades, grupos esquálidos e de expressões sofredoras em meio a montes de palha podre, fitavam-nos com desinteresse. Houve um curto silêncio e Esmagarágu. Sim, creio que dará certo. Eu suspirei aliviada. Uma onda de entusiasmo percorreu-me como um arrepio. Lembro-me de como trabalhando rapidamente entramos nas celas e recolhemos a palha velha. Com vassouras que mamãe trouxera, varremo-las e substituímos as mantas velhas por novas. A distribuição de agasalhos e alimentos que tinha sido feita antes aplainava-nos as dificuldades. Os presos colaboravam com facilidade, um pouco desorientados, porém sem agressividade. Com mamãe à frente, fomos repassando uma a uma celas espaçosas onde se amontoavam. E mamãe dizia-lhes: "Em breve, se tudo correr bem, nós vos daremos enxergões e e boa água, roupas e remédios para vossos males." Não foi difícil imaginar a inutilidade que seria falar-lhes das coisas do espírito, ao menos por enquanto. Em extrema miséria física, necessitavam dos cuidados materiais antes de mais nada. Além disso, receávamos por a perder o trabalho, mencionando os evangelhos. O fedor das celas, ela era quase intolerável. Entravam-nos pelas narinas e parecia arder dentro da cabeça. O melhor, segundo mamãe, seria lavar as

s por a perder o trabalho, mencionando os evangelhos. O fedor das celas, ela era quase intolerável. Entravam-nos pelas narinas e parecia arder dentro da cabeça. O melhor, segundo mamãe, seria lavar as celas. Porém, esse serviço só poderia ser feito depois que as tarefas mais urgentes junto dos enfermos estivessem realizada. Empurrávamos os montões de detritos em direção às grades e ali outros vinham coletá-los. Depois, pelo lado de fora, forneciam-nos a palha seca e cheirosa que tiravam do plostelo. Mamãe e Alexandre, com a caixa de remédios ao lado, cuidavam dos doentes. Era tudo um espetáculo desolador de imundí, enfermidade moral e física. Percebi discretamente Percebi que discretamente Zenóbia pusera-se a vomitar por duas vezes. Eu e Gema, entretanto, aguentávamos firmes e procurávamos animar a companheira mais frágil, dizendo-lhe: "Tu te acostumarás. Tu te acostumarás". As celas eram penumbrosas e frias. Então vou parar, né? Vou parar porque não não é possível, né? É isso. Mesmo vomitando, ela continuou lá para ajudar. Ela não foi embora. Ela não largou tudo, falou: "Preciso sair, não aguento ficar aqui". Eh, eh, é isso que a gente precisa sempre ficar refletindo nesse livro, né? o quanto eles agem naturalmente para ajudar o próximo. Não é uma coisa que eles têm que fazer força, não é um um nossa, uma dificuldade. Ah, como que eu vou agora ajudar? Pelo amor de Deus, esse cheiro insuportável aqui, eu não fico, vira as costas e vai embora. Não fica. Fica porque sabe que dois braços ali vão fazer falta na na limpeza, né? na ajuda daquelas pessoas que tão numa naquela situação absurda, numa situação absurda. E mais do que isso, é a consciência de saber que todas as pessoas precisam de ajuda, independente do que elas fizeram, independente de estarem presas por crimes horríveis, elas também precisam e merecem ajuda. É isso, Tânia. Quantas reflexões esse livro nos traz, né? É impressionante. Ai, ai. As celas eram penumbrosas e frias, até que o movimento aqueceu-me. Estive a

s, elas também precisam e merecem ajuda. É isso, Tânia. Quantas reflexões esse livro nos traz, né? É impressionante. Ai, ai. As celas eram penumbrosas e frias, até que o movimento aqueceu-me. Estive a tiritar, batendo os dentes. Hoje penso que uma potente força espiritual nos comandava. Com raras exceções, a passividade dos sentenciados me espantava. Recordo-me de que mamãe os aconselhou a cortar os cabelos e de que, pondo-me o tensório entre as mãos, apontou-me, dizendo-lhes: "Ela vos ajudará. Sede dóceis!". Assentei-me num dos degraus mais altos e eles foram chegando. Assentavam-se aos meus pés e ofereciam-me a cabeça. O tensório não era suave. puxava os cabelos e causava dores. Eles, entretanto, não se queixavam, submetiam-se sem murmurar. Tinham bichos nas melenas e estavam tão sujos que não se lhe podia ver a cor das peles. Lembro-me de como o trabalho começou e de como terminou, porém não posso saber por quanto tempo estivemos ali. Houve um momento em que os potes de mamãe se esvaziaram e em que suas faixas limpas e que suas faixas limpas se acabaram. O plostelum se esvaziara de palha. Os cestos de pão estavam limpos. Mas as células todas já tinham sido percorridas e no interior delas, certamente aliviados, a maioria dos presos dormia ocultos na palha quente. O dia morria e mamãe estava com as duas mãos nas cadeiras no meio do pátio. "Fizemos o melhor que podíamos", ela disse. O ideal seria dar-lhes água para se lavarem e depois um bom prato de sopa quente, uma caneca de leite fresco. Olhei para o céu e respirei profundamente. Esmarágdo estava perto de mim e seguia com curiosidade uma gota de suor que me descia das têmporas para o pescoço. Enxuguei-a e perguntei a ele: "E teu chefe, onde está?" Passou por aqui a pouco. Não fizera comentários. Estava claro. Olhei para meus braços, para minhas vestes e estremeci. Eu estava imunda, suja de sangue e de puso. Compreendi que deveria poupá-lo. Descansando em sua comprida lança, Esmarágdo dizia-me qualquer coisa que eu

ra meus braços, para minhas vestes e estremeci. Eu estava imunda, suja de sangue e de puso. Compreendi que deveria poupá-lo. Descansando em sua comprida lança, Esmarágdo dizia-me qualquer coisa que eu não podia ouvir e sorria simpaticamente para mim. Creio que mencionava seu propósito de nos visitar e o fato de, sendo cristãos, termos soldados no grupo, pois que mamãe deu uma curta risada e disse: "Ora, nós nos arranjamos muito bem, uns e outros." Escondi-me por detrás de Zenobema quando Filotemo se dirigiu ao guarda, pedindo-lhe que fizesse Prisco saber que desejávamos agradecer-lhe antes de partir. Meu desejo de ocultar-me, entretanto, resultou em vão. [risadas] É sempre assim. Ele se encontrava muito por perto e chegou pelo lado oposto, de sorte que, sobressaltada e confusa, terminei vendo-o à frente dele, vendo-me à frente dele. Temos a impressão de que nosso trabalho singelo não merecerá a vossa reprovação. Filotemo disse-lhe: "E sendo assim, rogamos vossa permissão para voltarmos periodicamente, tornando este gesto de boa vontade uma responsabilidade pessoal para cada um de nós." O olhar dele estava pousado em mim e tinha qualquer coisa de triste e duro. Eu me podia ver pelas suas pupilas. Nunca me distanciara tanto da figura pura de mármore que deveria deslizar por entre as colunas. da mansão do cabo Taenaro, que é a casa dele, né? A casa da família dele, pelo menos. A permissão é concedida, subordinando-se, entretanto, a minha permissão como encarregado da guarda. A voz dele parecia aborrecida e tinha um leve tom de rancor que não me passou desapercebido. Eu olhei fixamente e desejei que ele pudesse ouvir o meu pensamento. preferirias que eu fosse uma irresponsável criança que pudesses acariciar e dizer: "Faz isso ou faz aquilo, mas eu desejo que tudo se me torneio e desejo ser madura". Somos imensamente gratos", Filotemo disse. Prisco fez um comprimento de cabeça ao qual todos responderam, menos eu. Senti uma espécie de dor física quando me liber libertei do olhar dele e

er madura". Somos imensamente gratos", Filotemo disse. Prisco fez um comprimento de cabeça ao qual todos responderam, menos eu. Senti uma espécie de dor física quando me liber libertei do olhar dele e me virei para sair. Não olhei para trás. "Como se eterniza tudo isso?", pensava cheia de desânimo. Ele caminhava numa direção, eu noutra. E o mais doloroso era que nem ao menos compartilhávamos os pensamentos naquilo que pudesse nos recompensar. Tornei a olhar para as minhas roupas imundas, enodo de matéria sanguinolenta e de lama, e imaginei prisco no interior do Fortim, limpo, belo, romano e senhor. Nossa, nossa senhora. É isso, né, gente? Era natural, né? Conquistas. É verdade, Marilda. É verdade. Era a aplicação do amor ao próximo como a si mesmo. É isso. Bem, mas dá um apertinho no coração, não dá? Eu pelo menos sinto um aperto no coração. Ai ai. Enfim, saímos através do pesado portão que se abria com guincho ronco e lúgubre. E exatamente nesse instante houve um uma bulha em derredor do poço que cavava. A água tinha borbulhado clara e pura e jorrava num grosso fio. O grupo aplaudia. Com a água farta, mamãe dizia cheia de felicidade: "Tudo será diferente, Valério precisa ser nomeado mordomo mor das águas", disse alguém a rir. "O fato é que vamos cuidar dessa nascente", ouvi Valério responder. "Vamos murá-la, construir um tanque para reter a água e plantar arbustos em torno." Jantio estava ao meu lado, enlameado, mas com uma plácida expressão no rosto. O olhar interessado e sorridente. O esguicho e a olhar. Desculpa, gente. Jante estava ao meu lado enlameado, mas com uma plácida expressão no rosto, a olhar interessado e sorridente, o esguicho transparente. É, né? Porque enquanto uns estavam lá dentro cuidando dos dos doentes, né, e daquele lugar horroroso, os outros estavam lá abrindo, né, o poço para eles poderem ter água, né? Quando voltávamos já no lusco fusco da tarde de inverno, vocês sabem o que que é lusco fusco? [risadas] Lusco fusco. Quem sabe o que que é lusco

lá abrindo, né, o poço para eles poderem ter água, né? Quando voltávamos já no lusco fusco da tarde de inverno, vocês sabem o que que é lusco fusco? [risadas] Lusco fusco. Quem sabe o que que é lusco fusco? Será que o Alace Gala voltou a encontrar o seu amor em outras encarnações? Certamente, né? Certamente. Mas aí eles já não se sentem mais como amor nesse sentido, né? Esse amor aí, nesse sentido que eles estão descrevendo, é porque eles estão no corpo físico. É outra outra descrição, né? Essa essa paixão, essa coisa de ah, preciso tá perto, isso tem muita relação com com o corpo físico. Isso mesmo, Eliamar. Isso mesmo. Espetáculo. Escurecendo final de tarde. É luz com o fusco, porque é a luz do final, né, do sol se pondo, né? E o fusco, que é o o a noite chegando. Lusco fusco. Lusco fusco. Não, não é confusão, Flor. Lusco fusco é final de tarde, aquele finalzinho de tarde, sabe? que ainda não escureceu, não tá claro, mas também não escureceu ainda. Tá o meio termo. Aquilo lá é o lusco fusco. Meu pai falava muito lusco fusco. Vamos lá, ainda tem uns minutinhos. Quando voltávamos já no lusco fusco da tarde de inverno, Filotemo perguntou-me se vira fúdio, um moço solícito que se dispusera a nos ajudar. Eu não podia lembrar. Absorvera-me no trabalho. Tu noolo mostrarás quando vier disse a ele. Quer dizer que estás agora entre um preso e seu guardião? Não gostas de um de um guarda e de um preso? Desculpa, gente. O sorriso descuidado e familiar de Filotemo, aquele tom de ingênua, provocação com que me falava, fizeram-me sorrir. Pedi-lhe: "Olha bem para mim. Estou horrível, não estou?" Ele não estranhou minha pergunta. Tu és sempre bonita aos meus olhos e as máculas que hoje trazes são a única auréula que podemos exibir na terra. Ai, ai, eu me ri. Tu estás imundo também, mas julgo-te atraente assim. Não era de toda uma brincadeira o que eu dizia. Eu estaria irresistivelmente atraída por ele se Prisco não tivesse surgido. João se interpôs entre nós. Pelo visto, podemos mesmo contar com o

te assim. Não era de toda uma brincadeira o que eu dizia. Eu estaria irresistivelmente atraída por ele se Prisco não tivesse surgido. João se interpôs entre nós. Pelo visto, podemos mesmo contar com o guarda. Sim, podemos. merece a nossa confiança. E no outro, podemos também confiar? Tenho certeza que sim. Lembra-te de que em todo o grupo há sempre um que volta atrás, era valente a dizer. Filotemo foi incisivo ao responder: "Sim, mas não te arrecei com por cúdio. Se um de nós voltar atrás, não será ele". Nós bom, vamos parar aqui porque ela vai contar agora quem é o cúdio, né? Eita, vamos parar lá porque ela vai apertar a a vai eh escrever ele. Aí vai durar mais tempo. Aí a gente estoura muito tempo aqui, né? Maravilha. Aprendi. Eu acho que esse é um termo muito do interior do estado de São Paulo. Eu acho. Não tenho certeza. Minha sogra também falava lusco fusco. É muito legal. É. Lusco fusco me causa melancolia. É verdade. É verdade. É um horário meio esquisito, né? Depois vou ver o início. Muito bem, querida. Muito bem. Olha, vocês me desculpem hoje a leitura meio meio mais ou menos, mas resfriado deixa a gente meio derrubadinho, né, esse horário. Então, durante o dia tava, eu tava melhor durante o dia de hoje, né? Eu tava mais animada, mas agora no final da noite e já tá pergando a garganta de novo. Bom, teremos os nossos próximos capítulos no domingo que vem. Você não perca, não perca e vai aproveitando. Goiás e Minas Gerais, ó. Goiás, Minas Gerais. Muito bem. Eu sou nordestina. De que estado você é? Graça. Amria, no Rio também falamos. Lco, lusco fusco. Ah, que bom, ó. Muito bem. Eh, vocês vão se preparando aí porque daqui para frente, né, eu já tô falando isso faz um tempo, né, as coisas vão ficando mais emocionantes, mas é importante a gente passar o resto da semana pensando, a gente não vai entrar hoje, as condições são outras, as situações são diferentes, né? Eh, mas a gente também pode entrar em lugares onde as pessoas estão passando por sofrimento. Tem um um grupo

ndo, a gente não vai entrar hoje, as condições são outras, as situações são diferentes, né? Eh, mas a gente também pode entrar em lugares onde as pessoas estão passando por sofrimento. Tem um um grupo aqui em São Carlos, por exemplo, um grupo não, eh, a Santa Casa daqui de São Carlos, eh, criou lá uma maneira de todas as religiões fazerem as visitas aos doentes juntas. Então vão os representantes das religiões todas vão juntas e eles vão se organizando para fazer uma visita a cada um dos doentes que aceite a visita, obviamente, né? Que era para não ficar aquela coisa do primeiro passava o pessoal dos evangélicos, depois passava os católicos, depois passava não sei quem. Quando chegava no quarto, na quarta turma visitando, o paciente já tava cansado, né? Eles resolveram dessa forma e parece que tá funcionando muito bem. Essa é uma possibilidade. Existem vários grupos espíritas que fazem visitas a penitenciárias, a cadeias. É um pouco mais complexo, um pouco mais eh difícil de fazer, mas também é uma atividade que vale a pena. Você também pode reunir uma turma aí na sua casa espírita e fazer visitas periódicas aos abrigos de idosos, sabe? Vai lá só para conversar com eles, para bater papo, né? ouvir as histórias deles. A gente não precisa falar do evangelho, mas a gente precisa ir lá e compartilhar o amor com eles, sabe? Compartilhar cuidado, carinho com eles. Isso vai fazer bem, com certeza. Essa é uma maneira da gente entrar nesses presídios, né? Nos presídios de cada um de cada um de nós, não é? Pernambuco, Bezerros, a cidade do bolo. Oh, nós temos que fazer visita a Maria das Graças, hein, gente. Tchau, Re. Beijo. Dá um beijo no César. Tânia, nós também usamos esse termo. Muito bem. Abençoada semana a todos. Para nós também. Obrigada, querida. Obrigada, Isa. Fica com Deus. Um beijo enorme para vocês. Espero que vocês tenham uma ótima semana e pensem, é um ano que ainda tá começando. Que tal começar com trabalho voluntário, prático, não é? Beijo grande para vocês.

Deus. Um beijo enorme para vocês. Espero que vocês tenham uma ótima semana e pensem, é um ano que ainda tá começando. Que tal começar com trabalho voluntário, prático, não é? Beijo grande para vocês. Até a semana que vem.

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