A piedade, com André Siqueira | Palestras Virtuais FEB

FEBtv Brasil 01/12/2025 (há 4 meses) 1:02:49 336 visualizações

Acompanhe semanalmente, aos domingos às 17h as palestras Virtuais da Federação Espírita Brasileira. Tema: A piedade. ESE, cap. 13, item 17. Palestrante: André Siqueira Direção: Maurício Johann Link de Acesso: https://febtv.live/palestrasFeb Apoie a FEBtv! Para que este e outros estudos continuem a ser produzidos. https://doe.febtv.com.br

Transcrição

เฮ >> É com alegria que recebemos a todos vocês. vocês aqui na casa de Ismael, na casa de nossa casa. Também damos os nossos cumprimentos aqueles que nos acompanham pelas mídias sociais, que também fazem parte desta grande família, espalhados pelo mundo. Hoje continuaremos com o estudo do Evangelho Segundo Espiritismo, com a avaliação das obras de Emanuel, palavras de vida eterna, mas não sem antes elevarmos o nosso pensamento ao Pai Criador, ao Senhor Deus, agradecendo pela oportunidade de estarmos aqui reunidos em nome do Cristo Jesus, elevando o nosso pensamento abrindo nossas mentes para a mensagem que nos será ofertada. Pedimos, Senhor, que inspire os nossos irmãos para encontrar a melhor forma de nos trazer esta mensagem e que a nós nos seja dado os ouvidos de ouvir para que possamos ouvir, internalizar, compreender, verbalizar e agir. Que assim seja, Senhor. A nossa primeira parte, a preparação está por conta do nosso irmão Flamarion, que tem a mensagem de número 48. 48. Palavras de vida eterna. >> Boa tarde a todos, queridos irmãos encarnados e desencarnados. Então, hoje nós vamos fazer uma reflexão a respeito dessa obra Palavras de Vida Eterna. O item, como foi dito, é o de número 48, dinheiro e atitude. Emanuel começa sempre citando um trecho bíblico e esse trecho é de Paulo em sua primeira carta a Timóteo, capítulo 6, versículo 10. Porque a paixão do dinheiro é a raiz de toda a espécie de males. E nessa cobiça, alguns se desviaram da fé e se traspassaram a si mesmos com muitas dores. O verbo traspassar está relacionado a atravessar por uma arma, não é? Perfurar. Então veja que ele faz essa comparação da cobiça com a pessoa se ferir. A cobiça faz com que ela acaba acabe se ferindo. Então tem os comentários do nosso querido Emanuel. Diz o mestre espiritual: "Não encarceres o dinheiro para que o dinheiro não te encarcere". Bênção da vida que o Senhor permite, circule na organização da comunidade, qual sangue no corpo, converte-se em perigoso tirano de quem o escraviza,

s o dinheiro para que o dinheiro não te encarcere". Bênção da vida que o Senhor permite, circule na organização da comunidade, qual sangue no corpo, converte-se em perigoso tirano de quem o escraviza, de forma, por isso mesmo, os corações que o segregam no vício, como se faz verdugo implacável do avarento que o trancafia nos cofres da usura. Algemado à inteligência perversa, transforma-se em arma destruidora e estorquido às lágrimas de viúvas e órfãs, vinga-se daqueles que o recolhem, instilando-lhes enfermidade e cegueira do espírito. Libertado, porém, no campo do progresso e da bondade, converte-se em oculto libertador daqueles que o libertam. É por esta razão que se faz alegria na colher de leite à criança desamparada, ou no leito simples que agasalha o doente sem teto, voltando em forma de paz a aqueles que o distribuem. orientado na direção dos que sofrem, é preceidão em louvor dos braços que o movimentam e conduzido aos círculos de aflição, é cântico inarticulado de amor para as almas que o semeiam na gleba castigada de sofrimento. Não é a moeda que envilece o homem, e sim o homem que a envilece. no desvairio das paixões que o degradam. Deixa, pois que o dinheiro de passagem por tuas mãos se faça bênção de trabalho e educação, caridade e socorro, a feição do ar que respiras sem furtá-los aos pulmões dos outros. E perceberás que o dinheiro na origem é propriedade simples de Deus. Fantástico, né? Principalmente porque traz essa ideia que no passado foi muito discutido a questão do dinheiro como sendo algo ruim, como sendo algo de exploração do próximo. Aqui Emanuel deixa claro que não é o dinheiro que envilece o homem. Envilece vem de envilecer, tornar vilão. É o homem que o envilece. E aí é interessante logo nesse começo, quando ele fala a questão da libertação, a história nos conta que um sírio no ano de 135 da era cristã, época em que o imperador romano era Adriano, de nome desconhecido, os historiadores não conhecem o seu nome, mas quando se tornou escravo, passou a ser conhecido

um sírio no ano de 135 da era cristã, época em que o imperador romano era Adriano, de nome desconhecido, os historiadores não conhecem o seu nome, mas quando se tornou escravo, passou a ser conhecido como Flama, um apelido muito bonito, dig passagem, né? >> E Flama ficou conhecido por ter sido um gladiador eh muito competente e foi conquistando vitórias que lhe trouxeram glórias. As moedas daquele tempo eram cunhadas com as lutas de flama. E algum tempo depois ele era festejado, era um superstar. odiado, invejado pelos homens, admirado pelas mulheres. Todo mundo falava de flama, como nós falamos hoje de um grande atleta. E por suas conquistas, ele acabou conquistando o gládio de madeira, que era a representação da libertação do gladiador pelo seu pelo pelos seus feitos, pelas suas conquistas. E o que chama a atenção dos historiadores é que ele não queria ser, ele não queria a liberdade. Recebeu a liberdade, mas preferiu ser continuar gladiador, escravo. E assim, por mais três vezes, por, ou seja, quatro vezes, ele conquistou a liberdade, mas queria continuar escravo. Seria cômico se não fosse trágico, seria cômico se isso fosse só com ele. O problema é que nós hoje somos escravos. Somos escravos dos nossos apegos. O youtuber, o Instagrammer, ele é escravo dos joinhas, dos likes. O drogado é escravo do seu vício. E aqui Emana vai trazer essa comparação de que nós estamos escravos do dinheiro. Olha que coisa. Então, esse olhar de que o nosso apego nos escraviza, Jesus vem libertar. Agora, às vezes, um olhar mais apressado faz com que pareça que Jesus entre em contradição algumas vezes. E Jesus nunca entrou em contradição. Mas olha que interessante, quando se fala em dinheiro, parece que ele em algum momento teve condutas diferentes. Vamos citar aqui o caso de Joana Decusa. Joana de Cusa era uma mulher muito rica e estava, quando conheceu Jesus, queria largar tudo, largar o marido, largar os bens para seguir Jesus. E Jesus deu a ela um conselho bem diferente para que

sa. Joana de Cusa era uma mulher muito rica e estava, quando conheceu Jesus, queria largar tudo, largar o marido, largar os bens para seguir Jesus. E Jesus deu a ela um conselho bem diferente para que ela aceitasse o marido como era, para que visualizasse as coisas boas que ele tinha, para que seguisse no sacrifício da lealdade à sua casa. Então ela não deveria abandonar tudo para segui-lo. Vamos pegar agora o exemplo de Zaqueu. Zaqueu publicano, cobrador de impostos, era de pequena estatura. E quando ouviu falar que Jesus estava passando por lá, ele subiu em um cicômoro para ver esse tal de Jesus que todo mundo falava. E lá de cima ele viu Jesus passar com aqueles cabelos cor de mel. partido a Nazarena. E de repente Jesus olha pro alto e diz: "Simão, desce já daí, porque me convém hospedar na tua casa ainda hoje". Eh, Zaqueu ficou tão feliz, correu para casa, quando Jesus se aproximava, ele disse: "Senhor, a minha felicidade te recebi, que é tão grande que doarei metade dos meus bens aos pobres. E se algum dia eu defraudei alguém, pagarei em quádruplo. Aí Jesus diz: "Hoje a salvação entrou nessa casa". Então veja que para Jon de Cuza não teve nada. Ela era rica e tava tudo certo. Para Zaqueu foi metade dos bens, metade da fortuna, porque ele era muito rico. Agora vamos pro mancebo rico, né? A gente ouve muito falar o jovem mancebo, né? Mancecebo é jovem. Quando a gente fala jovem mancebo é jovem jovem. Então o manbo rico, ele disse, perguntou para para Jesus como fazia para alcançar a vida eterna, ou seja, essa salvação. E Jesus fala dos mandamentos e ele disse: "Senhor, isso aí tudo eu já faço". Aí Jesus complementa: "Então vende todos os seus bens, dá aos pobres e me segue." Aí o mano bico falou assim: "Eita, agora complicou. Não, eu vou pensar, Senhor. Vou pensar. E não seguiu Jesus. Por que que para Jon Decusa não precisava fazer nada? Para Zaqueu era metadinha e para o mancebo rico era todos os seus bens. Porque Jesus sabia o que que cada um era escravo, o que que era o apego, o que que era o

ra Jon Decusa não precisava fazer nada? Para Zaqueu era metadinha e para o mancebo rico era todos os seus bens. Porque Jesus sabia o que que cada um era escravo, o que que era o apego, o que que era o valor amoedado para Jon Cusa que ela não se importava. O que que era para Zaqueu e o que era para o manebo rico, que uma moedinha, ele que era avarento, fazia falta, então ele precisava se libertar. Então essa eh reflexão de Emanuel fala sobre a nossa libertação, porque ainda somos escravos do do dinheiro. E aí lembramos lembramos aqui dessa frase tão bonita. Não é a moeda que envilece o homem, e sim o homem que a envilece no desvario das paixões que o degradam. Uma interessante reflexão, não é? Boa tarde a todos. Agradecemos ao irmão e eu tava folhando este livrinho aqui, ideal espírita, uma mensagem de Sheira, treinamentos e regimes. É preciso treinamento para alcançar o que você propôs aí que manuel propõe. É preciso um regime para alcançar também. Ela escreve aqui: "Não ingressaremos no santuário da educação sem o constante exercício no estudo e nem penetraremos a glória do amor sem a prática incessante da caridade. Trabalhar e servir." E aí eu tenho uma indagação para nosso irmão que você pode responder na sequência. Eh, a piedade nos convida ao trabalho e nos convoca a servir. Com André, o tema da tarde, piedade, o Evangelho segundo o Espiritismo. Amigas e amigos, que a paz de Jesus, o nosso mestre, nosso Senhor, possa nos envolver também na tarde de hoje, como tem sido ao longo da nossa vida. Fazia tempo que eu não vi uma palestra começar pela pergunta, viu? Então vamos tentar responder, né, Maurício, pra gente pensar sobre isso. Recordando que a piedade ela é um exercício para o desenvolvimento de um sentimento que reconhece o outro como nosso próximo. Ela vai ganhar nuances muito interessantes ao longo da história e nós vamos percorrer alguns elementos da formação do seu conceito até alcançarmos a proposta do espírito Miguel, que no capítulo que nós estudamos hoje a define como uma forma

es ao longo da história e nós vamos percorrer alguns elementos da formação do seu conceito até alcançarmos a proposta do espírito Miguel, que no capítulo que nós estudamos hoje a define como uma forma de aliança entre a justiça e a caridade. Portanto, uma expressão de amor, mas um amor que tem características muito próprias. Quando pensamos em torno da temática da caridade, nós necessitamos visitar alguns momentos históricos primeiro, para a formação do conceito, o que é o indivíduo piedoso. Temos na história da humanidade diferentes papas que se autodenominaram quando foram escolher aquela mudança de nome se disseram pios, ou seja, aqueles que são os portadores da piedade. e vamos identificar em alguns teólogos grandiosos do passado, em especial Aurélius Agostinho, o famoso Santo Agostinho de Ipona, que vai centrar toda a sua teologia em torno da ideia da Piedade. E depois São Tomás de Aquino, conhecido como o doutor angélico, que vai tratar os diferentes aspectos e dimensões do que é ser um indivíduo piedoso. Mais tarde, nós teremos um combate muito ferrenho à ideia da piedade, levado a efeito pelo filósofo Frederick Niet, que acusava os indivíduos de, pela piedade degenerarem os conceitos de justiça. Quando você sente piedade por alguém que cometeu um crime contra alguém que fez algum tipo de maldade, para citar o exemplo que este filósofo apresenta. Mas para compreender esta evolução de conceitos e entender o que o Espiritismo quer trazer pelo assunto, nós precisamos primeiro lembrar que essa temática ela está encerrada dentro do capítulo não saiba a vossa mão direita, o que faz a vossa mão esquerda no livro que é o Evangelho segundo o Espiritismo, uma obra por meio da qual Allan Kardec resolve esclarecer os significados da moral que o Cristo nos apresenta à luz do pensamento espírita. Allan Kardec tem uma preocupação de primeiro identificar na moral do Cristo. Ele retira os elementos acessórios desta moral para que a gente não se confunda. Então, já na introdução

nsamento espírita. Allan Kardec tem uma preocupação de primeiro identificar na moral do Cristo. Ele retira os elementos acessórios desta moral para que a gente não se confunda. Então, já na introdução de O Evangelho Segundo o Espiritismo, ele faz uma divisão didática muito curiosa quando ele diz que, olha, nos Evangelhos nós encontraremos cinco aspectos. O primeiro é a história biográfica de Jesus, os atos comuns da vida do Cristo. Em segundo lugar, nós temos os milagres, os relatos das grandes curas que Jesus fez, dos grandes alterações que aconteceram e que surpreenderam as pessoas que os observaram. Nós temos as predições, isso é aquilo que foi dito como sendo alguma coisa que virá no futuro. A exemplo disso, todo o apocalipse de João como uma visão futura do que que está acontecendo. Seria a terceira parte. A quarta parte são os dogmas, isto é, as crenças que as diferentes áreas religiosas tomaram como fundamentos para a defesa, para a argumentação de seus pontos de vista. E finalmente a moral, isto é, a conduta ética proposta por Jesus como um caminho de construção da felicidade interior. E Allan Kardec vai dizer que o livro específico que nós estudamos no domingo de tarde, que é o Evangelho Segundo o Espiritismo, irá ignorar esses quatro primeiro aspectos e concentrar-se a especificamente na ética proposta por Jesus. Então esse é o ponto de vista inicial sobre o qual nós precisamos analisar esta virtude da piedade, não de um ponto de vista de crença dogmática, não do ponto de vista de algo que Jesus simplesmente falou, mas penetrar a ideia de um ponto de vista ético. O que significa o conceito, a virtude da piedade de um ponto de vista ético. Para isso, vamos voltar algum tempo atrás, porque vamos ter dentro da tradição hebraica o conceito que se aproxima de piedade, que é o conceito de justo. Vamos ter na tradição hebraica a noção de que o homem que conhece a lei divina, a lei estabelecida como princípio de norma, ao respeitar esta lei, ao procurar a sua verdadeira felicidade,

to de justo. Vamos ter na tradição hebraica a noção de que o homem que conhece a lei divina, a lei estabelecida como princípio de norma, ao respeitar esta lei, ao procurar a sua verdadeira felicidade, ele precisa andar, isto é, o comportamento dele diante da vida. é um comportamento justo. E essa noção de justiça é em conformidade com os princípios que a lei manda. E esse seria o sentido de piedade dentro de uma aproximação inicial hebraica, porque dentro dos ensinamentos que nós vamos encontrar na lei, encontramos amar ao próximo como a si mesmo, como sendo um princípio. alguns cuidados, por exemplo, que a lei recomenda de você apartar um pedaço dos seus ganhos para doar a comunidade, para atender a aqueles que não estão conseguindo produzir por si mesmo. Isto é, uma forma de comportamento que pretende uma justiça igualitária em todos os processos. De maneira que na concepção hebraica, o conceito de piedade, ele estará resumido dentro da haaká. Ralacá é o termo hebraico que descreve o caminho do homem justo. E vale a pena a gente descrever que para os hebreus o caminho não se referia a um traçado geográfico. Porque quando a gente diz assim, ó, eu para vir da minha casa para febre, eu pego um caminho. Pensem nisso. Quando você pensa nesse caminho, você pensa o trajeto que você cruzou para vir de um ponto até outro. Esse conceito de caminho, ele é o conceito grego, que é o conceito do odos, é o conceito do métodos. Isto é, o grande caminho que nós vamos seguir para o processo. A ideia da ralacá não é a ideia do caminho que você trilha, mas é como você veio nesse caminho, qual foi o seu comportamento para sair da sua casa e vir até a FEB. Este é o conceito de caminho. Então ele não diz respeito a um traçado, a um modo específico pelo qual você vai de um ponto a outro, mas ao comportamento que você adota ao sair de um ponto a outro. Daí a luz desse conceito é que nós começamos a entender aquela expressão de Jesus quando ele diz: "Eu sou o caminho". O que ele tá dizendo é: "Eu sou o exemplo para vocês.

ao sair de um ponto a outro. Daí a luz desse conceito é que nós começamos a entender aquela expressão de Jesus quando ele diz: "Eu sou o caminho". O que ele tá dizendo é: "Eu sou o exemplo para vocês. Se vocês querem caminhar à luz da justiça, façam como eu faço. Não é acreditem em mim, é vivam da maneira como eu vivo." Esse é o primeiro conceito que a gente vai ter dentro do da concepção de piedade, que passa então por um viver que é um viver interessado em atender aos mandamentos de uma lei que rege a sociedade como um todo, que rege a relação do homem com Deus, que rege a relação do homem consigo. Quando nós vamos olhar esse mesmo conceito de um ponto de vista grego, a palavra grega para piedade vai ser Eusebeia, de onde vem, por exemplo, o nome Eusébio e Eusébia são aqueles que são piedosos. Mas no conceito grego, a Eusebeia, ela representa uma obrigação do indivíduo com o seu dever, em especial, com o seu dever religioso. Então, se eu sou um adorador de um determinado Deus, a minha piedade, o meu comportamento, o meu dever para com este Deus é de seguir os seus ensinamentos e de me comportar de acordo com as virtudes que aquele Deus específico está me dando. Esse é o primeiro conceito que vai aparecer de Eusebeia e de onde se tirará a noção de que o respeito aos deuses, o ato de eu fazer alguns sacrifícios para o Deus, o ato de eu seguir os rituais de um determinado Deus, fazem parte de um conceito de Eusebeia. Vamos explicar isso paraa gente entender o fundamento desse conceito. Nós temos grandes deuses dentro da Grécia antiga que recomendam formas de alcançar a felicidade. Por exemplo, nós temos o deus Baco ou Dionísio, como ele ficou conhecido em Roma. E o deus Baco, ele dizia uma coisa interessante. Ele dizia assim: "Olha, muito cuidado com a razão, muito cuidado com o pensamento de olhar as coisas somente do ponto de vista do pensamento, porque o pensamento, a razão, a lógica é danada para nos enganar." e dava um exemplo dentro dos templos de Bacou de Unísio. Você tinha a

nto de olhar as coisas somente do ponto de vista do pensamento, porque o pensamento, a razão, a lógica é danada para nos enganar." e dava um exemplo dentro dos templos de Bacou de Unísio. Você tinha a famosa história de Aquiles e da Tartaruga. Então eles diziam assim, ó. A gente bota uma faixa, bota de um lado Aquiles, o grande atleta, e do outro uma tartaruga. Se a gente fizer uma corrida de 100 m, quem é que vai ganhar? Todo mundo diz assim: "Ora, a razão diz que Aquiles vai ganhar, porque Aquiles é um grande corredor". Tá ótimo. Mas e se eu botar a tartaruga 20 cm à frente de Aquiles? Quem vai ganhar? A gente diz assim: "Ora, é claro que Aquiles vai ganhar, porque 20 cm diante de 100 m não é nada". Os sofistas, adoradores de BACO, diziam assim: "Porém, a gente precisa lembrar que antes que Aquiles cumpra 20 cm, ele precisa percorrer a metade disso, que é 10. Mas quando ele percorrer a metade, a tartaruga dará um passinho e aí faltará 10. Só que antes 10 mais o passinho que a tartaruga deu. E antes que ele possa percorrer todo o caminho, ele tem que correr percorrer a metade. A tartaruga terá andado. Ou seja, por essa lógica, Aquiles nunca alcançará a tartaruga, porque sempre que ele precisar alcançar, ele tem que primeiro percorrer a metade e ela terá se deslocado um pouquinho. E eles argumentavam sobre esse ponto de vista do raciocínio, que o raciocínio ia de encontro ao que a experiência mostrava. Porque se a gente raciocinasse não dava certo. Se a gente visse a experiência dava certo. Resultado dessa brincadeira, os adoradores de Baco, ao pretenderem o exercício da Eusebeia, isto é, o exercício do dever para com o seu Deus, no caso de Dionísio, de Baco, eles não podiam fazer uso da razão. Aí vai decorrer um elemento muito conhecido dentro da cultura brasileira, que são as festividades por meio das quais nós enlouquecemos. Isto é, nós abrimos mão da razão para que a gente possa exprimir exclusivamente as nossas experiências. E o deus Baco criou para isso o vinho.

são as festividades por meio das quais nós enlouquecemos. Isto é, nós abrimos mão da razão para que a gente possa exprimir exclusivamente as nossas experiências. E o deus Baco criou para isso o vinho. Então, a ideia da adoração de Baco é antes dos rituais para Baco, os chamados bacanais, o indivíduo precisava tomar vinho para se embriagar ao ponto que ele não perdesse a consciência, mas ao ponto em que ele não pudesse mais raciocinar integralmente. E nesse campo de pura experiência, ele cumpria o seu dever para com o Deus. Esse era o conceito de Eusebeia em Baco. Mas nós tínhamos um outro Deus que era o Deus Apolo. E o Deus Apolo era o Deus do domínio dos impulsos inferiores. E o deus Apolo dizia que o caminho da felicidade não era o prazer. O caminho da felicidade era o caminho do bom senso, do conhecimento, da filosofia. Então o vamos ter no cumprimento da Eusebeia, no cumprimento dessa piedade, no cumprimento desse dever para com o Deus Apolo, a busca do conhecimento como forma de encontrar o mecanismo da realidade. Vemos aqui que a ideia então de piedade para os gregos era uma ideia que dependia do Deus ao qual você se vinculava. Dependendo do Deus em quem você acreditava, as virtudes que você tinha que cumprir como deveres eram virtudes específicas para aquele propósito que o Deus lhe oferecia. Há uma história muito curiosa que é a história de Eutifon. Eu ti era um homem que estava indo para o juiz para denunciar o seu pai por ser um homem impiedoso, isto é, um homem que não cumpria os seus deveres para com o Deus. E enquanto ele vai, ele encontra Sócrates e um diálogo se estabelece entre eles, no qual Sócrates faz uma pergunta interessante. Ele começa a explorar o motivo pelo qual ele está indo indicar o seu pai ao juízo. E chega uma conclusão interessante que, ora, ou o Deus gosta da gente pelas virtudes que são dele e aí o que é certo para um Deus é errado para outro, seria mais valioso a gente mudar de crença para uma que se adaptasse melhor do que cometer

ra, ou o Deus gosta da gente pelas virtudes que são dele e aí o que é certo para um Deus é errado para outro, seria mais valioso a gente mudar de crença para uma que se adaptasse melhor do que cometer atrocidades contra o Deus. Essa era uma alternativa. A segunda alternativa era que o deus amavam os indivíduos piedosos porque eles eram piedosos, ou seja, porque eles buscavam uma justiça. E Sócrates vai então aproximar a noção de que os próprios deuses procuram atender a uma ordem, a uma lei que maior que rege o universo todo e que este seria o conceito de piedade, o conceito de eusebeia. A coisa fica dentro desse ponto quando ela migra, é conhecida a história do domínio que os romanos exerceram sobre a Grécia e daí importam a filosofia grega e passam a adotar alguns conceitos, entre eles o conceito de Eusebeia. Mas em Roma, esse conceito ele vai ganhar uma outra conotação. Ela passa a se chamar Pietá, tradução de Eusebeia em latim, que mais tarde origina pra gente piedade e pio. E ela vai se caracterizar como um conjunto de responsabilidades, não apenas com o Deus específico, mas um conjunto de responsabilidades com as leis estabelecidas pelo Senado que ordena o Estado. Então, era o dever do indivíduo para consigo, o dever do indivíduo para com a sua nação, o dever do indivíduo para com as tradições da sua família. Este é o conceito de piedade romana. E é um conceito que vai estruturar todo o pensamento de uma das mais famosas obras da poesia romana, que é a enida do poeta Virgílio. Neste poema, a Eneida, ele conta a história de Eneias. Eneas era um troiano que quando a Grécia invadiu Troia com aquela famosa história do cavalo de Troia, que houve aquela guerra, que Eitor morreu. Então, na história, Eitor em espírito, depois de morto, prevendo a invasão de Troia, aparece a Eneias e manda que ele fuja com os seus. Acontece que Eneas ele tinha uma dificuldade porque o pai dele não andava com facilidade. O filho dele era muito pequeno e a sua esposa não conseguia carregar. Então

e manda que ele fuja com os seus. Acontece que Eneas ele tinha uma dificuldade porque o pai dele não andava com facilidade. O filho dele era muito pequeno e a sua esposa não conseguia carregar. Então Eneia se torna um exemplo de piedade porque ele sai de Troia. Olhem que imagem interessante. Com o filho num braço, o pai carregado nas costas e a mulher no colo do outro. Então, essa imagem de Eneias saindo protegendo o seu pai, o cumprimento do para com os pais, o seu filho, o cumprimento do dever para com seu filho, com a esposa, o cumprimento do dever para com a esposa, mas com uma missão, a de criar uma nova nação. Ele foge, a esposa dele, Creusa morre. Depois Creusa aparece para ele e diz que ele precisa ir para a região onde hoje é a Itália para fundar uma nova nação que no futuro seria Roma. E Creusa diz que esta é a missão dele encarregada pelos deuses. Acontece que durante o processo de saída, Eneias se apaixona por uma princesa. Ele se apaixona pela princesa Dido. E o amor entre eles era um amor enorme. Até que uma bela noite, o espírito aparece para ele e diz para ele assim: "Olha, mas a sua obrigação não é ficar aqui nesse reino, a sua obrigação é seguir adiante, porque você vai fundar um reino novo." Então, Eneias, ele renuncia ao seu amor porido e segue adiante, sacrificando o próprio amor por piedade. E qual é o sentido da piedade? aqui é a noção de que nós temos deveres para com os deuses, deveres para com a família, deveres para com a nação. E por esse motivo ele abre mão dos próprios desejos para cultivar o seu papel dentro das coisas. E surge daí a grande noção do Pio Eneas. Eneas é o protótipo do indivíduo piedoso. Tô enchendo a paciência de vocês com essas histórias. Tô tentando conectar a ideia que tá começando a surgir. Então, chegamos dentro do modo de pensar romano com a ideia de que a piedade é, na verdade, o cumprimento pessoal dos nossos deveres para com os deuses, para com a nação, para com a tradição familiar. Esse é o conceito de piedade

o de pensar romano com a ideia de que a piedade é, na verdade, o cumprimento pessoal dos nossos deveres para com os deuses, para com a nação, para com a tradição familiar. Esse é o conceito de piedade que é construído em Roma. E aí nós estamos falando ainda dos primeiros séculos, eh, cerca de dois a três séculos antes de Cristo. Essa noção, ela vai ser transferida quando o cristianismo se torna a religião oficial do Estado romano. Qual é a primeira virtude que aparece? Não é a virtude do amor. Lembram que Paulo quando escrevia, ele dizia: "Olha, ainda que eu fale todas as línguas dos anjos, ainda que eu fale todas as línguas dos homens, se eu não tiver amor, se eu não praticar a caridade, eu serei como um bronze que soa, um símbolo que rete. Mesmo quando eu tenha doado todos os meus bens para os pobres e dado meu próprio corpo para ser queimado em ritual, se eu não tiver amor, isso de nada me adiantaria, porque o amor, o amor é brando, o amor é suave, o amor é tranquilo. E ele vai dizer, então, restam-nos, portanto, três virtudes: fé, a esperança e a caridade, amor, caridade dentro desse sentido. Mas ele diz, destas, porém, a mais excelente é a caridade. Quando o cristianismo vira a religião oficial do Estado romano, esta noção de caridade do cristianismo primitivo, ela é transformada na noção de piedade. E aqui Aurélio Agostinho, Santo Agostinho, ele vai desempenhar um papel fundamental, porque ele vai dizer o seguinte: "A noção de piedade dos gregos é pagã. Porque você tá falando de uma adoração a um Deus pagão, então nós precisamos rejeitar ela. A noção de piedade romana também é pagão, porque é uma o cumprimento de um dever para uma coisa ou para uma legislação. São coisas que estão existindo, são acordos. E a verdadeira piedade somente acontece quando nós cumprimos as nossas obrigações com Deus. que é o Deus maior de todas as coisas. Então, Agostinho vai argumentar que a excelência da vivência religiosa é o ser piedoso, isto é, obedecer integralmente os mandamentos da lei de Deus.

s com Deus. que é o Deus maior de todas as coisas. Então, Agostinho vai argumentar que a excelência da vivência religiosa é o ser piedoso, isto é, obedecer integralmente os mandamentos da lei de Deus. E dentro desse processo estabelece-se então uma noção muito grande de dogma. Você, sem respeitar as crenças, aqueles elementos que estão no contexto da religião, você de fato não conseguirá entender o verdadeiro significado da religiosidade. Tomás de Aquino, um outro pensador que virá séculos depois, ele dirá que a piedade não é bem essa crença cega, porque a piedade não é apenas o cumprimento de um dever, mas a piedade é um sentimento que surge no campo da justiça. E o que que São Tomás de Aquino apresenta como a piedade? É piedoso aquele indivíduo que, vendo alguém injustiçado, se condói dele e tenta fazer alguma coisa para que aquela injustiça seja corrigida. Nesse contexto, Tomás de Aquino vai introduzir a noção de que a piedade tem a ver com justiça. Ou seja, só faz sentido ser piedoso quando nós reconhecemos que o outro está sofrendo injustamente. O que que significa que se o outro está sofrendo justamente, não é pra gente ter piedade. Essa é a noção em Tomás de Aquino. OK? Segundo, aquele sofrimento que ele está passando poderia estar acontecendo conosco. Então, não é pra gente ficar achando que nós somos diferentes. Se tá acontecendo com ele, poderia tá acontecendo com a gente. Eu desenvolvo para com aquele sofrimento um sentimento de empatia. E terceiro, eu preciso fazer alguma coisa para corrigir aquela injustiça, porque eu começo a ver o que poderia está acontecendo com mim mesmo. Então, ele traduz o sentimento de piedade a um terceiro nível. Esse é o status da piedade, como ela foi colocada. E é graças a isso que a gente vai identificar um grande combate na filosofia do início do século XX contra essa noção de piedade. Por quê? Quando os filósofos materialistas, em especial Nid, vai apresentar a ideia de que os deuses oferecem pra gente uma moral vazia. Por quê? Porque os próprios

lo XX contra essa noção de piedade. Por quê? Quando os filósofos materialistas, em especial Nid, vai apresentar a ideia de que os deuses oferecem pra gente uma moral vazia. Por quê? Porque os próprios religiosos não são capazes de cumpri-la. E ele está propondo pra gente uma ideia que, ora, se tem uma pessoa sofrendo e você começa a sofrer por causa do sofrimento do outro, esta é uma filosofia de multiplicação da dor. O flamarion está sofrendo, é um. Agora eu estou sofrendo porque o flamarion está sofrendo. São dois. Agora o Maurício está sofrendo porque eu e os flamarion estamos sofrendo. São três sofrendo. Nessa ordem, o mundo seria um campo de infelicidade por conta da piedade. Dentro desse sentido, acontece que tempos depois a própria filosofia começará a visitar aspectos diferentes dessa forma de pensar. Mas gostaríamos de destacar o que o espírito Miguel traz pra gente quando a luz do Espiritismo, ele vai explicar alguns elementos que vão nos permitir entender agora a piedade como esse sentimento de dever, mas não é um dever para com o Deus, não é um dever para com o Estado, não é um dever para com a família, é um dever para com nós mesmos. E de onde vem essa noção? Quando o espiritismo nos revela que nós somos espíritos imortais, que estamos continuamente passando por experiências educativas, não importa a experiência que você está vivenciando. Se é uma experiência de alegria, ela é para o seu aprendizado. Se é uma experiência de dor, ela é para o seu aprendizado. e que, portanto, o espírito, ao compreender as experiências pelas quais ele passa, ele engrandece o seu vocabulário de ações. Se eu aprendo a lidar com o sofrimento, resolvendo isto em mim, o sofrimento para de ser um problema para mim. aquilo deixa de ser uma dificuldade porque eu sei resolver, então não é mais uma dificuldade, mas eu também não me apego aos momentos de prazer ou de alegria, porque eu também sei resolvê-los dentro de mim e isso me edifica com uma postura diferente diante da vida como um todo. Então, o

ldade, mas eu também não me apego aos momentos de prazer ou de alegria, porque eu também sei resolvê-los dentro de mim e isso me edifica com uma postura diferente diante da vida como um todo. Então, o Espiritismo mostrou paraa gente que nós somos esse ser que passamos por dificuldades, que passamos por momentos de felicidade, mas estamos na verdade construindo o nosso caminho de uma felicidade verdadeira, que é uma felicidade íntima, que é uma conquista pessoal para isso, mas nos alerta que ninguém construirá essa felicidade ignorando o outro. Qual é o melhor caminho que eu tenho para perceber a grandeza das lições que a vida tem? É quando eu sou capaz de aprender com o outro, quando eu sou capaz de reconhecer as vivências do outro como vivências que me edificam. a noção de misericórdia que a doutrina nos apresenta, que é, olha, não é para você sofrer com o sofrimento do outro, mas na intenção de ajudá-lo, você aprende com a dificuldade dele, a tal ponto que você mesmo não precisa mais passar por aquilo, porque você já aprende durante o processo de correção, de auxílio, da experiência que o outro está fazendo. E isso cria um processo de aproximação. E essa é a chave para nós entendermos agora a proposta que o espírito Miguel apresenta, que diz que a piedade é o exercício de nós reconhecermos o outro como nosso semelhante. E ao reconhecê-lo como nosso semelhante, nós nos sentimos impulsionados. para resolver o problema dele como se fosse meu. Vejam que não é mais um problema de eu agora vou sofrer por ele. Não é esse, não é isso que se trata. É, eu agora reconheço o sofrimento pelo qual o outro está passando e vou me exercitar para auxiliá-lo, dando a ele as devidas liberdades, dando a ele o dividido livre arbítrio, o campo natural das escolhas, mas fazendo a minha parte perante a minha própria consciência. aparece de novo a noção de dever, mas o dever ético, o dever que aparece diante da minha própria consciência em entender o trabalho que a caridade exige que seja feito para que nós

rópria consciência. aparece de novo a noção de dever, mas o dever ético, o dever que aparece diante da minha própria consciência em entender o trabalho que a caridade exige que seja feito para que nós possamos nos encontrar dentro de nós mesmos. Esse sentido da piedade que evoluiu deixa de ser o cumprimento do dever para com o Deus. Deixa de ser o cumprimento do dever para com o ambiente da nação, da família, da religiosidade, para se tornar um sentimento de humanidade. Eu sou capaz de ver o outro. É muito curioso porque essas duas noções trazidas pelo espírito Miguel são exatamente as duas mais importantes noções que aparecerão posteriormente no campo da filosofia em Emanuel Levinas, quando ele apresenta o rosto do outro como reconhecimento de que ele é o meu semelhante e propõe a solução dos problemas sociais por uma ética que reconhecendo o outro como meu semelhante exige que eu tente corrigi-lo dentro desse processo. E a filósofa Simone V, que vai nos apresentar o conceito de atenção, sermos capazes de prestar atenção aos episódios da vida que não são apenas os nossos. Ela diz: "Essa é uma virtude particular, você ser capaz de prestar atenção nas experiências de vida dos outros e saber vivenciá-las a benefício do crescimento da sua própria humanidade", que em última análise é esta capacidade de nos colocarmos no lugar do outro, a capacidade de percebermos a dificuldade do outro, de entender o ponto de vista do outro como um instrumento que amplia a nossa percepção das coisas. É nesse sentido que o espírito Miguel apresenta então a piedade como uma espécie de exercício preparatório para o desempenho da ação. É quando nós somos capazes de perceber o que o outro está sofrendo. Temos uma história muito curiosa pra gente encerrar essa nossa conversa que já vai alongando demasiada, que é um momento muito curioso durante a história da libertação da Índia, do colonialismo inglês. Assim que a Índia foi decretada um país per si, à época, a Índia e o Paquistão formavam um único país, cujas diferenças

muito curioso durante a história da libertação da Índia, do colonialismo inglês. Assim que a Índia foi decretada um país per si, à época, a Índia e o Paquistão formavam um único país, cujas diferenças eram, de um lado, os hindus, do outro lado os muçulmanos, estabeleceu-se na região da Cachimira, que permanece ainda hoje conflituosa, um conflito de natureza religiosa em que hindus e paquistã aneses não se entendiam por conta das suas diferenças religiosas e isso à época criou uma grande guerra. Diante da guerra, Mohandas Gandhi, o grande libertador da Índia, através da proposta da não violência, quando ele se pararou com os seus irmãos guerreando por conta de uma questão religiosa, ele resolveu fazer um jejum. E ele dizia que não era um jejum de natureza política, era um jejum de natureza religiosa. Porque ele dizia: "Puxa vida, eu labutei tanto para promover a independência de nosso país e assim que a gente fica liberto, nós começamos uma guerra civil". Então ele dizia: "Eu errei em alguma coisa". E na tradição dele, ele jejuava com o propósito de procurar raciocinar com mais clareza diante das coisas. E ele já estava quase 20 dias de jejum. Os dois lados, em respeito a ele, arrefeciam as suas guerras e começaram a visitar, pedindo para que ele parasse o seu jejum, porque senão ele iria falecer. E há então um momento muito curioso que é quando um companheiro hindu entra na tenda em que Gand está para entregar aos pés de Gand um facão que ele tinha nas mãos, no qual ele dizia: "Gande, com este facão eu matei muitos muçulmanos, mas eu tenho um motivo por conta disso, é que eles entraram na minha casa, eles Eles mataram a minha esposa e assassinaram o meu filho de 10 anos de idade. Então eu fiquei revoltado e por isso eu fiz a mesma coisa com ele. Mas eu sei que eu vou pro inferno, mas eu não queria ir pro inferno tendo a culpa pela sua morte. Então eu tô aqui entregando meu facão e tô dizendo para você que a partir de hoje eu não vou mais participar da guerra por conta

inferno, mas eu não queria ir pro inferno tendo a culpa pela sua morte. Então eu tô aqui entregando meu facão e tô dizendo para você que a partir de hoje eu não vou mais participar da guerra por conta disso. E ele vai saindo quando o Gandy diz assim: "Eu sei um jeito de você não ir pro inferno". E ele para. Venha cá. O homem se aproxima e Gand numa voz muito baixinha diz para ele assim: "Você vai sair daqui e você vai procurar uma criança órfão de 10 anos de idade, igual à idade que tinha o seu filho que lhe foi tirado, mas uma criança que tenha perdido os pais. Mas você vai ter o cuidado de escolher um órfão muçulmano, mesmo sendo hindu, e você irá criá-lo de acordo com as tradições das religiões do pai deles. Você vai criar como hindu um menino muçulmano dentro dos princípios religiosos dele. Que que Gand tava propondo a ele? a descoberta do sentimento de piedade, dessa capacidade de nós, ao atender os compromissos íntimos que nós temos, nos colocarmos no lugar do outro para, vendo o mundo sob a perspectiva dele, movimentarmos a extensão do nosso entendimento sobre as coisas. O espírito Amélia Rodriguez, numa das mais belas páginas da literatura espírita, num livro chamado Além da Tempestade, num capítulo de número 23, ela vai encerrar uma mensagem intitulada Esse Tesouro e vai nos fazer um convite muito curioso quando ela diz assim: "Acompanhe com o olhar este pequenino lod assento e roto que passa pelo seu caminho. Siga-o à distância e viva com eles as experiências de um dia de abandono e de solidão. Esperança fanada em plena manhã dos sorrisos é no entanto, grandiosa esperança que o tempo destruirá. Os que o ajudam oferecem apenas a reprimenda cruel ou a esmola humilhante. No entanto, é no coração dele que está um campo fértil que poderia preparar o futuro para mais nobres aspirações. Contribua. Olhe este campo e semeiee. Se você o respeita, educá-lo há. Porque quando nós educamos uma criança, nós abrimos perspectivas para o futuro. Se você o vê com olhos de

mais nobres aspirações. Contribua. Olhe este campo e semeiee. Se você o respeita, educá-lo há. Porque quando nós educamos uma criança, nós abrimos perspectivas para o futuro. Se você o vê com olhos de cidadania, reeducá-lo há. Porque reeducar uma pessoa ignorante é abrir para elas novas perspectivas do futuro. Mas se você os amar, você irá evangelizá-los, porque evangelizar uma alma significa abrir para ela e entendimentos que os possam transformar efetivamente. O coração infantil é urna valiosa. Deposite a sua contribuição. Lembre-se que muitos corações labutam por piedade no mundo inteiro em nome de um outro menino que certa feita nasceu numa manjedoura e nos propôs um programa de trabalho inequívoco. Glória a Deus nas alturas. Paz. Em toda a terra, boa vontade para com os homens. A piedade é o exercício de afeto que nos encaminha nesta direção. Que Jesus nos abençoe. Agradecemos ao irmão André pela brilhante exposição e eu diria que a questão foi muito bem respondida. Mais uma vez nos encaminhamos para o encerramento deste encontro que por mim duraria mais algumas horas aqui pela vibração presente, pelas explanações que nós tivemos, mas temos que voltar aos nossos afazeres, à nossas casas. Então eu peço ao Pai, ao Pai Celestial, em nome do Cristo Jesus, para que ele nos acompanhe no retorno aos nossos lares, para que ele fique conosco na semana que se inicia através dos seus anjos de luz, dando-nos amparo, apoio, proteção, orientação nos momentos em que tivermos dúvidas que nos chegue a certeza nos momentos em que faltar a palavra que nos chegue a inspiração do gesto. No momento em que faltar o gesto, que nos chegue o benefício da oração. Oração buscando, pedindo por todos nós, por toda a humanidade neste momento e em todos os momentos de nossas vidas. Inspira, Senhor, e abençoa os médiuns passistas que dentro de pouco irão dividir essas energias com aqueles que assim o desejarem, depositando ali fluídos edificantes, curativos, fortificantes. Que essas bênçãos cheguem aos nossos

médiuns passistas que dentro de pouco irão dividir essas energias com aqueles que assim o desejarem, depositando ali fluídos edificantes, curativos, fortificantes. Que essas bênçãos cheguem aos nossos lares, abençoando e fortificando, fortalecendo também a todos eles. Mas que seja mais amplo ainda no dia de hoje, Senhor. Que chegue aqueles que não têm lá, não tenham par uma mão para segurar. Que sua luz os acompanhe, os aquceixe e os proteja sempre. Que assim seja. Sen aos irmãos que querem o benefício do passe, pedimos que aguardem seus lugares. A equipe vai preparar o ambiente, assim que concluído irá convidá-los. Tenham todos um excelente domingo, uma noite repleta de paz.

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