A Força do Espiritismo - Breve avaliação sobre o censo das religiões - Daniel Salomão e Fábio Fortes
"A Força do Espiritismo" é ao vivo e traz convidados para discutir aspectos relevantes da Doutrina Espírita, sempre às segundas-feiras, às 19h30. Vamos estudar e debater juntos? Uma produção do Espiritismo.NET em parceria com o Conselho Espírita do Estado do Rio de Janeiro - CEERJ e a FEBtv.
Olá, queridos amigos, queridas amigas. Boa noite. Hoje eh nós faremos um programa especial aqui na Força do Espiritismo. Teremos a presença de dois amigos queridos que vão tratar eh do último senso das religiões e fazer uma uma avaliação, algumas ponderações e reflexões que se fazem justas e necessárias, né? Então, chamar o nosso querido amigo Daniel Salomão e o Fábio Fortes. Ambos são de Juiz de Fora, eu também agora sou, né? Eh, o Daniel é da FEAB e o Fábio Fortes da Primavera. Boa noite, meus amigos, tudo bem? Boa noite, Thago. Boa noite, Fábio. Feliz de poder participar com vocês. Opa, muito bem. Boa noite, Caros. também é uma alegria estar aqui. Muito bem. Olha, a primeira questão nós vamos dividi-la em três partes. E essa primeira eu gostaria de fazer para os dois, se fosse possível. Tudo bem? Muito bem. Então, eh, bom, a consenso nós percebemos eh três pontos. Primeiro, a diminuição do percentual dos que se declaram espitas. nas diversas eh na diversidade religiosa brasileira, né? Eh, um outro ponto relevante, o lugar do espiritismo como religião institucionalizada no Brasil. E o terceiro ponto é que muitos espíritas, né, lendo os dados, apontaram eh para uma maior identificação de pessoas que antes se autodeclaravam espíritas, como religiões de matriz africana, como a Umbando, candomblé, né, e e por aí vai, devido a uma maior visibilidade e relativamente menor preconceito religioso em torno dessas religiões, dessas religiões, perdão. O que que vocês pensam dessa correlação? Posso começar, meu querido? Então, é, como você colocou bem, Thago, é sim, é um fato, né? É um dado, pelo menos a partir da o resultado do senso, né? De que a gente tem uma diminuição daqueles que se declaram espíritas no Brasil, né? Agora, é muito difícil a gente já de cara e talvez até com uma análise mais aprofundada, a gente ter conclusões certeiras, tá, sobre esse motivo ou para onde as pessoas estão indo, né, se elas estão se colocando mais agora como sem religião ou se elas realmente estão abraçando, como é o
, a gente ter conclusões certeiras, tá, sobre esse motivo ou para onde as pessoas estão indo, né, se elas estão se colocando mais agora como sem religião ou se elas realmente estão abraçando, como é o terceiro item aí, ou talvez já estivessem ligadas as religiões Áfricas, agora estão se assumindo mais. Então, a gente tem por hipótese, né, como também até uma outra hipótese, se se a forma como eh o movimento espírita reagiu ao retorno após a pandemia, se essa se esse retorno ele foi menos competente, vamos dizer assim, que as demais tradições religiosas. Então são vários fatores que a gente tem que avaliar com cuidado e que eu entendo que ainda são hipotéticos, tá? Agora, de certa forma, o senso confirma a posição da do espiritismo como uma religião, né, vamos dizer assim, institucionalizada e com uma presença ainda forte, tá, no nosso país, algo que já tem sido percebido eh em alguns sensos, né, já eh anteriores, inclusive. Agora, uma coisa que é legal, chamando atenção para esse terceiro ponto, né, da daqueles que talvez estejam se assumindo mais como umbandistas ou candombrecistas, né, e por isso uma pequena queda, né, no no índice espírita. Uma coisa interessante é que a gente realmente eh nota no senso um aumento das religiões afro-brasileiras, tá? Em paralelo a essa diminuição espírita. Isso também é um fato, né, do dos nossos dados aí. E uma outra coisa interessante é que já em sensos anteriores essa desconfiança era colocada, tá, de que aqueles que que são vinculados a religiões afro-brasileiras se colocavam tanto quanto espíritas, mas não apenas, tá? Muitas vezes também se identificavam como católicos, tá? Então, a gente tem muitas regiões do Brasil, inclusive, em que a pessoa, né, como é a nossa própria região aqui, né, no nosso entorno aqui, em que a pessoa tem uma dupla ou uma múltipla pertença, né? E aí, claro, na hora de se identificar no senso, dado preconceito que ainda existe, né, em relação a a a se assumir como bandista comomcis, a pessoa talvez prefira se colocar ali,
ltipla pertença, né? E aí, claro, na hora de se identificar no senso, dado preconceito que ainda existe, né, em relação a a a se assumir como bandista comomcis, a pessoa talvez prefira se colocar ali, né, como católico, como espírita. E, e, e isso a gente observa, né, eh, no nosso dia a dia, pessoas que a gente conhece, ainda que a gente não tenha uma, como é que eu vou dizer, como eu comentei antes, né, uma certeza assim, né, uma conclusão certeira, tá? Agora, esse outro aspecto interessante também, eu tava vendo algumas críticas em relação à metodologia do senso, né? E todas as áreas do conhecimento, elas ficam tentando colocar mais perguntas ali para ter mais detalhamento, né? E uma que muitas vezes as pessoas sugerem é é de se questionar assim: "Ah, você já pertenceu a uma outra religião ou você em paralelo a sua religião, vamos dizer assim, assumida, você tem outra, né? Porque essa, como eu citei, essa múltipla pertença já é uma característica da pós-modernidade, mas no campo religioso brasileiro ela já é percebida, tá? E aí, só para eu não me esquecer, já vou passar a palavra pro Fábio aqui. Eh, uma das obras que eu reli e que eu até recomendo, que foi uma análise a partir do censo de 2010 e que eu acho que tem bases interessantes paraa reflexão de agora, claro, né? É essa obra aqui, ó, Religiões em Movimento, o Censo de 2010, que ela é da editora Vozes, tá? E foi organizada pelo professor Faustino da UFJF, já aposentado, e a professora Renata Menezes, tá? Então, até vou fazer referência a esses textos aqui daqui a pouco novamente, mas eh já recomendo de cara, tá? Com uma leitura muito interessante pra gente entender essa dinâmica das religiões no Brasil. Eu acho que os pontos fundamentais já foram aqui abordados pelo Daniel. De fato, o espiritismo parece se manter como uma expressão religiosa relevante no Brasil. Assim, embora o senso, né, ele apenas capture aqueles que se declaram espíritas, mesmo entre os que se declaram religiosos, o espiritismo permanece, já isso há décadas, como
giosa relevante no Brasil. Assim, embora o senso, né, ele apenas capture aqueles que se declaram espíritas, mesmo entre os que se declaram religiosos, o espiritismo permanece, já isso há décadas, como terceiro grupo religioso mais importante no Brasil. É claro que o segundo grupo mais importante, que é o grupo dos assim eh chamados pelo próprio senso de evangélicos, na verdade é um grupo extremamente plural, né, formado por muitas diferentes igrejas. Então, é interessante pensar que o espiritismo, mesmo nessa diversidade religiosa enorme que ainda que o censo capturou dessa vez em eco ao que já vinha sendo observado, retrata ali um lugar específico do espiritismo. Houve sim um decréscimo daqueles que se declaram espíritas. Efetivamente, no último censo, se declaravam espíritas cerca de 2,2% da população brasileira e agora foram 1,8%, eh, portanto, o número menor, numericamente menor. Muito se têm cogitado dessa correlação entre o número de espíritas que se declaram agora e o número de pessoas ligadas a religiões afro-brasileiras, que surpreendentemente talvez tenha triplicado o grupo que mais aumentou foi o grupo de pessoas que se declaram agora pertencentes a religiões de matrizes de matriz africana. Então, esse percentual numérico de 0,3 que vai para 1% entre as pessoas que se declaram pertencente, afiliadas ao candomblé, a Umbanda, poderia, em certa medida, hoje espelhar um movimento de afirmação de identidade de pessoas que outrora, em outro momento, quando essas religiões estavam ainda mais estigmatizadas, eram acolhidas ou abarcadas dentro do da identidade espírita. Pode até ser, é impossível que a gente possa bater o martelo sobre isso, porque efetivamente o senso faz perguntas muito genéricas, né? Mas eh o é fato histórico, né, no movimento espírita que desde o início do século passado, esse sincretismo entre espiritismo e Umbanda acontece na prática, né? Muitas tendas de Umbanda se intitulam tendas espíritas. Muitas pessoas de Umbanda eh praticam o espiritismo numa perspectiva mais
esse sincretismo entre espiritismo e Umbanda acontece na prática, né? Muitas tendas de Umbanda se intitulam tendas espíritas. Muitas pessoas de Umbanda eh praticam o espiritismo numa perspectiva mais sincrética, eventualmente com a bibliografia cardecista. Então, não seria de todo surpreendente que hoje em dia, dado um movimento de afirmação e de e de emancipação desses grupos afro-brasileiros, devido a um avanço na concepção geral, que essas pessoas hoje deixem de se declarar espíritas e se declarem eh filiadas a essas religiões afro-brasileiras. Mas eu acho que o Daniel tem razão ao dizer que também o espiritismo tem essa característica particular de ser uma espécie de segunda religião de pessoas que histórica ou por uma tradição familiar são oriundas ou frequentam ou se identificam como filiadas a outras religiões, especialmente católica, eu diria. Eu acho que se a gente observa a nossa prática de um centro espírita, embora haja aqueles que estejam ali trabalhando, estudando e totalmente identificados com, vamos chamar aqui, né, de cardecismo, eh, existem também muitos frequentadores que frequentam uma casa espírita e que vão a essas casas espíritas em busca de auxílios pontuais ou de orientações específicas. Então, de certo modo, também eh como o Daniel que salientou, essa dupla pertença, que é tão característica do nosso tempo, né, não tá não tá ali registrada. Então, enfim, eh, e só para o segundo ponto da sua pergunta, eu acho que esses dados eles não são exatamente, eu sei que no calor do momento, quando eles foram divulgados, houve muitas lives e e manifestações assim, talvez bastante preocupadas, né? Mas hoje, depois de assistir a outras eh repercussões desses dados, eu vejo que o fenômeno ele é multifacetado, que esse que esse número de espíritas ao longo dos anos já diminuiu, já aumentou, já foi maior como a gente viu 2010, mas já foi menor como nos anos 80. Então, também não é algo assim que precisa alarmar de forma muito absoluta, eh, porque efetivamente, eh, esses dados
já aumentou, já foi maior como a gente viu 2010, mas já foi menor como nos anos 80. Então, também não é algo assim que precisa alarmar de forma muito absoluta, eh, porque efetivamente, eh, esses dados eles não capturam muitas coisas que acontecem, né, na prática social do espiritismo, mas efetivamente eles mostram que o espiritismo é entendido como um grupo religioso, né? Costumo até falar às vezes em algumas palestras, se alguém bate na porta no censo e pergunta qual a sua religião, muitos vão dizer espírita se lá houver a opção, né? Muito bem. Aproveitar essa primeira rodada para dar o nosso boa noite pro Josemar, pro Davidon, para Elô, pro Henrique, pro Pablo, pra Lina, para Elizabe, paraa Soraia, para Teliana, uma boa noite para nós. Bom, eu vou fazer a segunda questão, começando com Fabinho, aí o Daniel fica à vontade também, que é a seguinte: se idicam certo desconforto eh de espíritas que se declaram pertencentes a uma religião, ou seja, que o espiritismo é uma religião. O espiritismo no Brasil, ele é uma religião? Eu vou vou responder essa pergunta, mas de antemão eu já digo que aqui eu tô exprimindo uma posição totalmente pessoal, tá? Porque eu entendo que essas questões que envolvem a maneira como nós encaramos o espiritismo pode variar e essa variação é perfeitamente legítima dentro do nosso movimento. Então, assim, da minha parte, o espiritismo é uma religião e ele é uma religião eh tanto do aspecto sociológico, ou seja, o modo como o espiritismo é vivenciado na sociedade é um modo religioso, ou seja, as instituições espíritas são instituições religiosas. As pessoas frequentam essas religiões motivadas por anseios e por eh demandas de ordem religiosa. A gente estabelece na prática espírita a como nós a vivemos. Embora haja muita variação no Brasil. Eu já morei em alguns estados do Brasil, sei que prática do espiritismo varia bastante, mas a gente estabelece determinados determinadas formas. vamos chamar assim, entre aspas, de ritos que são ali praticados, tem uma linguagem própria,
il, sei que prática do espiritismo varia bastante, mas a gente estabelece determinados determinadas formas. vamos chamar assim, entre aspas, de ritos que são ali praticados, tem uma linguagem própria, que é uma linguagem parecida com a linguagem de um movimento tipicamente religioso. Mas o espiritismo é também uma religião, isso aqui é minha leitura, da codificação espírita. É uma religião já dentro da codificação cardequiana. Embora a gente possa aqui refletir que talvez nos primeiros momentos, nos primórdios da codificação kardequiana, não houvesse ali uma clareza cristalina sobre se estava diante de uma filosofia exclusivamente. E a gente há a gente vê ali efetivamente alguns discursos nos primeiros textos de Kardec da do fato de que pessoas pertencentes a outras religiões poderiam se beneficiar. de um olhar filosófico espírita. Mas a medida que a gente avança na própria literatura de base do espiritismo, que é a literatura da codificação, a gente vê a revelação se desdobrando no na direção de uma religião. Claro, não é uma religião nos moldes das instituições religiosas que existiam na época de Kardec. Não é uma religião entendida como uma instituição, talvez, mas é sim uma religião entendida na sua concepção mais profunda, digamos assim, o momento de encontro com o sagrado, um momento de encontro com o divino, momento de crescimento a partir da experiência com o espiritual. Então sim, isso não vem em demérito, em detrimento da dimensão filosófica e até mesmo daquela experimental que o espiritismo teve e ainda tem em certa medida. Mas eu vejo sim o espiritismo como uma religião. Olha, eu concordo plenamente com o que o Fábio tá trazendo, tá? Eu só eu só questiono uma um detalhe na própria pergunta que é essa esse início, quando você coloca assim, ó, muitos identificam certo desconforto. Olha, não tem muitos não. A maior parte das pessoas não tá nem aí para isso, tá? Mas sim, aqueles que que questionam, tá? A maior parte das pessoas vão assumir sim que são religiosas e que o espiritismo é uma
o tem muitos não. A maior parte das pessoas não tá nem aí para isso, tá? Mas sim, aqueles que que questionam, tá? A maior parte das pessoas vão assumir sim que são religiosas e que o espiritismo é uma religião, né? Mas como o Fábio colocou muito bem, acho que ele resolveu muito bem a o próprio debate que Kardec já inicia, né? ainda que ele resista muitos anos para bater o martelo nisso, né? Quando ele vai dizer lá no finalzinho, né, de da revista espírita, né, lá em dezembro de 68, ele vai colocar, né, eh, o espiritismo ser e não ser religião ao mesmo tempo, né, o espiritismo não ser uma religião no formato tradicional que se vê a época dele, que ainda se vê hoje, como o Fábio colocou, né, com seus dogmas, seus sacerdotes autorizados, a liturgia rígida, tá? Então, nesse ponto não seria, mas um ponto que o Fábio colocou também muito bem enquanto essa união de pensamentos, né, de de esse conjunto de de pessoas que t uma um certo objetivo, que tenha um um uma busca de união com o divino, com o espiritual e das suas próprias práticas, vamos dizer assim, derivadas disso, né? Sim, o espiritismo para Kardec é uma religião, tá? Agora, eu penso que no Brasil, concordando com o Fábio, a gente fica entre esses dois polos, tá? A gente tem sim, como na maior parte das religiões, essa postura de busca do divino, não é claro uma exclusividade do espiritismo, tá? Agora a gente tem, ainda que eu pense ser minoritária, tá? Alguns arrobos mais assim autoritários ou sacerdotais, sabe? Ou dogmáticos em alguns movimentos ou em alguns centros espíritas, tá? mas dizendo que na maior parte da daqueles que se colocam como espíritas, eles se entendem como religiosos, tanto nesse sentido de busca do que é espiritual, como no sentido de se frequentar um templo religioso, de de identificarem nas práticas espíritas do passe, da água frutificada, mesmo que nós não entendamos, né, caráter ritualístico no espiritismo, mas de identificar nisso práticas semelhantes a das igrejas católicas evangélicas, tá?
s espíritas do passe, da água frutificada, mesmo que nós não entendamos, né, caráter ritualístico no espiritismo, mas de identificar nisso práticas semelhantes a das igrejas católicas evangélicas, tá? Então eu eu acho que é muito claro paraa nossa sociedade, na sua maioria, tá? Aqueles que são espíritos, o entendimento que sim, de que é uma religião, né? Porque mais preocupadas que talvez esses detalhes mais conceituais, as pessoas vão comparar a sua postura religiosa com o que elas tinham ou que as outras pessoas têm, né, na na nas suas religiosidades, nos seus templos, tá? Então acho que sem sombra de dúvidas a gente pode dizer assim que pra maior parte dos espíritas o espiritismo é uma religião. Agora isso é um problema nenhum, tá? Então o espiritismo quando chega no Brasil ele tem sim a sua adaptação, a sua adequação a uma matriz já estabelecida, né? E vai ter, claro, né, na na na nas suas práticas semelhanças com outras religiões, tá? Isso não é problema nenhum. O problema acontece se a gente deixa de lado a busca central, né, que Fá colocou bem, que é dessa união com o divino e da prática das leis divinas, né? Se a gente deixa isso de lado, aí sim nós temos um problema. Posso talvez acrescentar uma pequena palavra? Eh, e o o Daniel fez alusão a essa adequação a uma matriz cultural pré-existente. Evidente. O Brasil ele no quando o espiritismo chega aqui no século XX ou final do século XIX, para ser mais preciso, a gente já é uma sociedade profundamente enraizada no movimento católico, jesuítico em durante séculos, né? Então, evidentemente, os primeiros espíritas brasileiros são espíritas que são oriundos de uma cultura religiosa que não é que é exatamente católica. Então, como movimento, vamos chamar assim, cultural, religioso, minoritário, é perfeitamente compreensível que a gente vá construindo uma identidade para esse movimento que vai se desenvolver no Brasil a partir desse contexto brasileiro que já é dado. Por isso que eu acho sempre muito injusto ou sempre muito impreciso quando se olha
uma identidade para esse movimento que vai se desenvolver no Brasil a partir desse contexto brasileiro que já é dado. Por isso que eu acho sempre muito injusto ou sempre muito impreciso quando se olha para o que foi o movimento espírita lá da Sociedade Parisiense de Estudos Espíritas em Paris, na época de Kardec, para se condenar ou para se usar uma régua para diminuir ou para questionar a prática brasileira. Porque evidentemente um pensamento nascido na França no século XIX, naquele contexto cultural vai ser embebido dos elementos que estão ali povoando aquele universo cultural. Ainda que obviamente eu tô aqui assumindo a existência do aspecto revelatório da nossa doutrina, mas a revelação ela é traduzida na linguagem disponível pelos espíritos encarnados. Não existe uma escrita na pedra como sei lá os 10 mandamentos, né? Você vai ter uma tradução mediada por médiuns que são, por sua vez, seres embebidos numa cultura específica, que vão traduzir uma leitura. Então assim, o espiritismo brasileiro, ele vem caminhando nesse contato interreligioso com outras correntes religiosas e como movimento minoritário é natural que ele vá adquirindo elementos. Eh, é bem interessante a gente observar esses aspectos do espiritismo, né? Porque muitas vezes esses elementos que aparentemente são exógenos não são necessariamente elementos empobrecedores, podem ser elementos que enriquecem o espiritismo. Eu acho particularmente e que o momento o movimento espírita, como ele vem se organizando no Brasil e vem se constituindo inclusive doutrinariamente na obra que foi psicografada no Brasil no século XX, ele vem enriquecendo, ele vem ampliando, como diz o Daniel, adequando essa linguagem, esse espiritismo para pessoas do Brasil, para espíritos aqui encarnados, para pessoas que têm suas questões ligadas muitas vezes a essa herança que nós singularmente trazemos enquanto nação, né? Então é isso. Eu eu só fazer essa pequena ressalva para dizer que sim, esse caráter religioso diz muito sobre a
s ligadas muitas vezes a essa herança que nós singularmente trazemos enquanto nação, né? Então é isso. Eu eu só fazer essa pequena ressalva para dizer que sim, esse caráter religioso diz muito sobre a alma, digamos assim, do povo brasileiro ou do povo latino-americano como um todo, né? Esperar que o Brasil tivesse um espiritismo laico seria sim algo extremamente incoerente com a matriz da cultura brasileira, né? É, do ponto de vista sociológico e antropológico, seria muito pouco provável que isso acontecesse, né? Eu lembrei o caso aqui da Guatemala, né? A Guatemala é é um foi dominação hispânica, mas assim eh boa parte uma parte relevante da sociedade eh da Guatemala, ela é é composta por povos originários. E foi onde o espiritismo mais se difundiu, diferente do Brasil, foi entre o catolicismo, né? Lá foi entre os povos originários. Bem interessante. Eh, eh, só trazer o, eh, duas colaborações rapidinhas. O primeiro do Daavon, ele diz assim: "O senso demográfico 2022 registrou um eh 1,84 da população brasileira com mais de 10 anos como adepto do Espiritismo." E o do Pablo, que é no na obra Espiritismo e Cristianismo, do Deni, eh ele desenvolve uma relevante contraponto entre a doutrina espírita e as outras religiões do seu tempo. Da daqui a pouco a gente entra na Dalina. Bom, a terceira questão, vocês querem comentar isso ou podemos avançar? OK. Então, vamos lá. Eh, se os dados do senso mostro espiritismo é uma religião minoritária no Brasil, o que pensar da pretensão espírita de ser a terceira das grandes revelações ou de ser uma versão mais completa da revelação divina? Esse é o primeiro ponto. O que os dados nos ensinam sobre o nosso lugar na sociedade brasileira e no mundo? Aí, se o Daniel puder começar dessa vez, por favor. Sim. Vamos lá. Uma coisa que realmente é fato, né? Importante que a gente tem em mente é que sim, tá? Kardec, os espíritos, todos os nossos textos básicos, tá? Em vários momentos, a gente vê sim essa expectativa, esse entendimento da doutrina espírita como
tante que a gente tem em mente é que sim, tá? Kardec, os espíritos, todos os nossos textos básicos, tá? Em vários momentos, a gente vê sim essa expectativa, esse entendimento da doutrina espírita como essa terceira revelação, tá? E como sim, tá? Uma um uma versão mais completa da revelação divina ou pelo menos a revelação do Cristo, tá? Eu já vi algumas assim tentativas de se matizar essa expectativa, né, entendendo que na verdade está se falando ali da terceira revelação judaico-cristã, né, o que também não vejo o problema, tá? Para que se não deixe, para que não se deixe de lado contribuição das religiões orientais e outras, né, com que Kardec, a Europa como um todo naquele momento, começava a ter um contato mais aprofundado, tá? Então a gente não poderia nem exigir muito isso daqueles que estavam organizando ali, né, o Kardec, no caso do trabalho da codificação, tá? Então, a gente vê em vários momentos, tava dando uma revisada aqui, né, olhando na própria conclusão do livro dos espíritos e no no logo no primeiro capítulo do Evangelho segundo Espiritismo, né, a gente vê essa expectativa muito clara, tá? Então, eh, ah, por se a moral do Cristo é a mais elevada, para que ter espiritismo? Né? Eles vão dizer ali em vários momentos, olha, vai explicar melhor algumas coisas que estão alegóricas, vai retomar outros pontos, vai relembrar mais alguns, tá? Então a gente vê sim essa essa expectativa do ponto de vista cardequiano. Porém, olha que interessante, muitas vezes a gente olha para essa para esse pensamento ali na na codificação, né? E a gente pensa assim: "Mas será que que eles estão falando ali de das pessoas se dizerem espíritas, né, do aumento da da religião espírita, da confissão espírita? Será que é disso que eles estão falando? Porque se a gente vê, pensa dessa forma, até o momento isso não aconteceu de uma forma destacada, tá? Em alguns trechos parece que os espíritos nos dizem, que Kardec espera que essa, vamos dizer assim, esse avançar do pensamento espírita na
até o momento isso não aconteceu de uma forma destacada, tá? Em alguns trechos parece que os espíritos nos dizem, que Kardec espera que essa, vamos dizer assim, esse avançar do pensamento espírita na humanidade seria mais rápido do que aconteceu, do que tem acontecido, tá? Então, às vezes eu leio, eu tenho essa impressão, tá? Porém, se a gente olha um outro aspecto, que é o que eu acho que é o mais adequado, tá, do espiritismo como um conjunto de ideias que vai avançar sobre a humanidade, nisso a gente vê essa expectativa se cumprir, tá? pelo menos no Brasil, porque a gente vai identificar que eh as ideias espíritas ou espiritualistas, que é o objetivo principal para Kardec, né, da difusão espírita, elas estão tomam conta da nossa sociedade, tá? Então, mesmo se a gente eh olha para outras contribuições religiosas, né, que talvez não tenha nada a ver com o espiritismo na sua origem, como o próprio campo evangélico, como o próprio campo católico, né, a gente vê as ideias espíritas difundidas, eh, às vezes, eh, com resistência, às vezes em oposição, né, mas a gente vê o quê? Na boca das pessoas, tá? Acho que até tem até uma questão à frente que a gente vai voltar nisso, tá? Mas de certa forma eh, a religião espírita enquanto conjunto de ideias ela avança, tá? Um outro lado, por outro lado também, eh, todo religioso tem a pretensão de que a religião que ele abraça se aproxime mais da verdade, tá? Por isso que as pessoas, é um dos dos motivos, né, das pessoas trocarem de religião, elas entendem que a explicação A é mais adequada no ponto de vista dela do que a B. Então, ela passa a adotar aquela, né? E isso é uma pretensão geral, tá? Agora, um outro ponto também que é legal que da gente que a gente vai aprofundar à frente aí, né? O fato dos espíritas ou de Kardec ou dos espíritos entenderem que a religião espírita, né? Já tô chamando de religião, olha só, é mais completa. Isso não é uma não nos remete a uma imediatamente, né, uma conclusão de que ela é a mais adequada para todos os
derem que a religião espírita, né? Já tô chamando de religião, olha só, é mais completa. Isso não é uma não nos remete a uma imediatamente, né, uma conclusão de que ela é a mais adequada para todos os nichos, para todos os momentos, para todos os grupos, tá? Então, também são coisas que eh é um ponto em que eu não vejo contradição. Ah, se ela é a mais adequada, a mais completa, vamos dizer assim, por que que todos não se tornam, não se dizem, não se assumem espíritas, né? Por, gente, eh, mesmo que a gente pense assim, né? Talvez outras linguagens, outras expressões, outros pontos toquem mais os corações das pessoas, né? Satisfaçam mais as exigências da razão dessas pessoas ou do sentimento dessas pessoas, tá? Então, eh, o que que isso tudo nos ensina, né, sobre o nosso lugar na sociedade brasileira, nós enquanto espíritas, entender como Kardec coloca um dos textos que eu acho mais mais legal, né, que aparece em vários pontos, o entendimento do espiritismo como materialismo, tá? Então, na divulgação das nossas ideias, no apoio inclusive a essas ideias, quando aparecem outras traições religiosas, né? Aí a gente deve encontrar a nossa maior contribuição, tá? Junto a isso, nesse combate ao materialismo, a gente vê o quê também, né? A difusão e a proposta que é característica dos espíritas, isso num num numa posição geral, né, numa opinião geral, né, que é o incentivo e o compromisso com a caridade, tá, no seu ponto de vista material, mas também moral, tá? Agora, isso nega o fato da gente entender o espiritismo como essa esse conjunto de ideias nesse ponto, isso ser mais adequado para nós. Isso nega uma uma necessidade de se melhorar o movimento espírita? Será que isso é jogar a toalha, dizer que tá tudo bem? Não é, tá, gente? É só a gente tentar entender eh talvez qual seja, qual seria a a expectativa real dos espíritos e de Kardec espíritas. talvez uma ideia de que as pessoas, de que todo mundo se tornasse espírita do ponto de vista de se dizer, né, confmente, né, talvez essa
seria a a expectativa real dos espíritos e de Kardec espíritas. talvez uma ideia de que as pessoas, de que todo mundo se tornasse espírita do ponto de vista de se dizer, né, confmente, né, talvez essa nunca tenha sido a expectativa dos espíritos. O nosso ponto está aí, divulgação da caridade, divulgação das ideias espiritualistas. Fabinho, eu só queria fazer uma provocação para para sua reflexão também, que é aquela famosa frase do Deni que tá num opúsculo bem singelo, síntese doutrinária e prática do espiritualismo sobra de diálogo e de caticismo, que ele diz o seguinte: "O espiritismo não é religião do futuro, é o futuro das religiões." Juntar com essa outra questão, por favor. Ótima. Ótima lembrança, meu caro. Acho que na mesma direção que o Daniel já enfrentou essa questão, eu queria propor uma reflexão da seguinte maneira. tem sido uma das minhas preocupações quando eu tenho lido a obra do Kardec, tenho mediado discussões sobre, vamos chamar aqui de hermenêutica espírita, que é o seguinte, quando se lê um texto, como os textos do Kardec, você pode adquir, você pode ter uma lente interpretativa mais fundamentalista ou você pode ter uma lente um pouco mais aberta. Por que que eu tô falando isso? Tô falando isso porque se a gente lê essas essa passagem que fala das três revelações de uma maneira muito estrita, muito fundamentalista, a gente corre o risco de fazer uma interpretação que tenha como consequência a exclusão de experiências religiosas enormes que estão fora desses três eixos que estão ali trazidos pelos espíritos da codificação. E eu acho que essa é uma leitura bastante equivocada por várias razões. Primeiro porque o que afinal é exclusivamente da terceira revelação à espírita. Conceito de reencarnação foi revelado no século XIX para Kardec e para os espíritas. Conceito de mortalidade da alma, de mediunidade. Esses elementos teóricos doutrinários da doutrina espírita são elementos tipicamente espíritas? Não são ideias que já acompanham a humanidade há
ritas. Conceito de mortalidade da alma, de mediunidade. Esses elementos teóricos doutrinários da doutrina espírita são elementos tipicamente espíritas? Não são ideias que já acompanham a humanidade há muitos, muitas gerações e fora inclusive do escopo dessa tradição que começa com judaísmo abraâmico, digamos assim. Então, a gente vê a inexatidão dessa proposta quando você faz um estudo um pouco mais aprofundado, como o próprio Leon faz inclusive na primeira parte do livro eh Depois da Morte, mostrando como que essas ideias espíritas são radicadas numa experiência humana que está lá nos hindus, nos eh budistas, nos egípcios, em várias tradições. Porque afinal de contas, a revelação divina, ela se manifesta de forma diferente, contextualmente adequada, numa linguagem, numa roupagem voltada para objetivos específicos em determinadas sociedades. Mas todas as revelações emanam do do mesmo princípio. Não há divergência do princípio do qual emanam todas as revelações. Então, a partir desse desse contexto, quando eu leio essa essa descrição das três revelações, eu compreendo que sim, efetivamente na ocasião em que o Espiritismo foi ali codificado, os espíritos que participaram e informaram Kardec e próprio Allan Kardec compreendeu essas três tradições num contínuo. Por isso que falam em primeira, segunda e terceira revelação, porque se compreende que a segunda revelação está ligada a primeira está ligada à segunda, ou melhor, a segunda está ligada à primeira, a terceira, a segunda. Ou seja, nós nos vemos como herdeiros do cristianismo primitivo, assim como os cristãos se viam como herdeiros dessa tradição eh da de sabedoria judaica mais antiga. Então, assim, nesse sentido, somos o terceiro passo de uma revelação que se desdobra em três momentos. Ora, isso não quer dizer que outras revelações não existiam, que essas são as únicas revelações, que essas são as mais perfeitas. Certamente não. Essa é a leitura que eu faço e eu trago assim em defesa também dessa leitura a experiência que a gente pode ter quando
essas são as únicas revelações, que essas são as mais perfeitas. Certamente não. Essa é a leitura que eu faço e eu trago assim em defesa também dessa leitura a experiência que a gente pode ter quando a gente lê as edições originais da codificação espírita e as suas reformulações. E lendo agora, por exemplo, a correspondência pessoal de Kardec, você vê que muitas daquelas ideias são refletidas, ponderadas. próprio Allan Kardec volta atrás em relação a algumas ideias, ou seja, o espírito da doutrina espírita não coaduna-se com o fundamentalismo que torna dos textos espíritas uma espécie de Bíblia intocável. Não são textos que servem paraa nossa reflexão. OK. Pode ser que outrora entender as três revelações como as únicas e tal, fossem a a maneira mais geral e mais comum de ler. Hoje, no momento de abertura, de diálogo interreligioso, de compreensão dessas outras tradições, a gente tende a compreender as três revelações como uma formulação que tem sua historicidade, seu momento, mas uma formulação que precisa ser levada em conta à luz de princípios mais gerais daquilo que nós chamamos revelação. Dito isso, eu concordo plenamente com o Daniel. Eu diria, aliás, que a contribuição espírita para o futuro das religiões, como Thiago trouxe, é para o futuro da humanidade e esse crescimento do espiritismo enquanto ideário que vai levar a humanidade a se emancipar do materialismo, talvez passe não somente por esses princípios que a gente vai chamar assim de mais doutrinários, tipo reencarna ção, mediunidade, mas talvez passe, eu penso aqui, não sei se Daniel estaria de acordo com aqueles princípios que estão, por exemplo, descritos na terceira parte do livro dos espíritos, das leis morais. Daniel enfatizou bastante a ideia da caridade, mas ali se fala também muito em liberdade, se fala muito também lei de trabalho. Então assim, a solidariedade, a princípio da caridade, o princípio da liberdade são princípios que sim, esses vão ser o legado do futuro para a humanidade. E se a gente contextualiza isso à época do
. Então assim, a solidariedade, a princípio da caridade, o princípio da liberdade são princípios que sim, esses vão ser o legado do futuro para a humanidade. E se a gente contextualiza isso à época do Kardec, quando Kardec tá elaborando junto com os espíritos essas esses princípios, qual que era a experiência religiosa que as pessoas conheciam? As pessoas conheciam uma experiência religiosa na França de uma teologia reacionária a uma reforma protestante, entre aspas, mais liberal. Eh, então tinha um catolicismo extremamente conservador, limitador, avesso a uma reflexão mais livre, mais pensada, mais reflexiva. Você tinha, por outro lado, um cientificismo, digamos assim, tá? talvez de forma imprecisa, tô me exprimindo, mas que era avesso a religiosidade, a espiritualidade. Então você tem formas muito sectárias de pensamento. Então, esse conteúdo que é espírita, que Kardec vai trazer no campo, olha, vamos avançar na filosofia espírita para trazer uma lente espiritual para ver a vida, inclusive a ciência, inclusive tudo que nós conhecemos. Isso é o futuro. Esse é o futuro mesmo. E se a gente olha paraas religiões, inclusive a católica, se na época do Kardecionalismo conservador, o próprio catolicismo ao longo do século XX sofreu a sua guada liberal. Eh, o Concílio, por exemplo, Vaticano II foi uma reforma enorme na compreensão do que é igreja. Por exemplo, igreja como o lugar em que as pessoas estão não é mais espaço exclusivo do clero. Então assim, lendo Kardec, a época de Kardec, a gente vê um conceito bem específico e bem limitado de igreja. Agora, essa igreja também mudou. Então, nesse sentido, aquelas ideias espíritas que estavam ali presidindo o espiritismo foram sendo aos poucos generalizada para outras religiões. Então, o diálogo, a tolerância, o respeito, a liberdade, liberdade de consciência, de culto, a igualdade. Então, são princípios que foram formulados pelo espiritismo numa época em que eles não eram tão unânimes quanto nos parecem hoje. É até interessante, né, Fabinho, quando
iência, de culto, a igualdade. Então, são princípios que foram formulados pelo espiritismo numa época em que eles não eram tão unânimes quanto nos parecem hoje. É até interessante, né, Fabinho, quando a gente pensa, por exemplo, na questão de o céu e inferno, né, quando Allan Kardec vai fazer um estudo na primeira parte sobre os anjos, demônios, a doutrina da igreja e isso mesmo hoje a igreja já não pensa mais, né? Já tem concepções bem diversas, né? Eh, eh, a quarta questão é a seguinte. No lugar do grupo religioso cristão minoritário, que é o espiritismo, seria possível pensar numa concepção ecumênica da vivência religiosa ou da abertura para o diálogo com as demais grupos cristãos no país, inclusive grupos não cristãos também, né? Agora quem começa é, eu acho que é você, amigo. Eu já não sei. Mas olha só, eu não, eu particularmente não consigo pensar de outra forma, tá? Eu acho que sem esse diálogo, sem essa aproximação das demais tradições religiosas, né, como você corrigiu bem, eh eu acho que não há coerência com a proposta espírita, tá? e não há futuro. Se a gente pensa de forma sectária, né, daquela forma confessional de que as pessoas têm que se tornarem espíritas, né, eu acho que as nossas expectativas vão ser frustradas, tá? Eh, um ponto interessante é que essa diversidade de cristianismo, vamos pegar só o universo cristão, tá? Ainda que isso valha para as outras tradições também, essa diversidade pensamento cristão, ela ela aparece desde dos primórdios, tá? desde as primeiras comunidades, a própria organização dos textos bíblicos, né, do canon, tudo isso já reflete uma diversidade de pensamentos, de entendimento cristão desde o início, tá? Então, essa ideia de que a gente e que talvez alguns cristãos pensem, talvez alguns espíritas pensem, tá? De que vai haver uma unificação breve de todos os pensamentos, todo mundo pensar igual, na mesma direção, é uma ilusão, tá? você falou da do céu e inferno. Aí tem um texto de Kardec bem interessante lá logo no início, em que
ficação breve de todos os pensamentos, todo mundo pensar igual, na mesma direção, é uma ilusão, tá? você falou da do céu e inferno. Aí tem um texto de Kardec bem interessante lá logo no início, em que ele demonstra essa expectativa de que vai haver um futuro de unificação religiosa, mas não acredito que a gente esteja próximo disso. Unificação religiosa é que eu digo de pensamento idêntico, tá? Não acho que a gente esteja próximo disso. Porém, nós já estamos próximos, ou seja, ou melhor, nós já estamos numa realidade em que aquilo que interessa mais o pensamento religioso, principalmente do ponto de vista espírita, da caridade, do espiritualismo, como nós já comentamos aqui, isso já está nas tradições religiosas. Então, não há sentido a gente ter alguma um tipo de postura que nos afaste delas. Ah, não, o nosso discurso por ser entre aspas, retomando uma expressão da questão anterior, mais completo, então ele ele tem que ser separado, ele tem que ser superior, ele tem que ser diverso, né? Não, tá? Então, eh, eu, isso até vem de experiência pessoal minha no trabalho espírito ou de assistência promoção social como um todo, tá? nesse contato com outras tradições religiosas de observar que quando há esse diálogo, quando há essa proximidade, essa concepção ecumênica, né, como tá essa questão aqui, a gente tem resultados muito mais eh positivos, muito mais fraternos, muito mais efetivos, sabe? eh, por exemplo, no trabalho social, que é onde eu tive essas experiências, né, e ainda tenho, eh, quando a gente vê comunidades religiosas se juntando para fazer uma uma ação em prol de uma eh de uma população, em prol de algo que beneficie determinado grupo, sabe? A gente vê como que as coisas são, que as coisas frutificam, como que as divergências de ideias acabam e e que são válidas, claro, né? Acabam ficando em segundo plano em prol daquilo que é maior, tá? E um pensamento, uma uma frase, uma nota de Kardec que eu acho que reforça isso, que é uma nota questão 148 lá do livro dos espíritos, é quando ele vai nos
gundo plano em prol daquilo que é maior, tá? E um pensamento, uma uma frase, uma nota de Kardec que eu acho que reforça isso, que é uma nota questão 148 lá do livro dos espíritos, é quando ele vai nos dizer assim, ó, anotei aqui, ó. O espiritismo é pois o mais potente auxiliar da religião. Olha que interessante. Então, ele vem com uma proposta de ideias, sim, diferentes, ainda que retome ideias antigas, como o Fábio colocou, sabe? uma proposta de que as religiões olhem para isso e pensem: "Pera aí, nesse aspecto aqui a gente tá divergindo, a gente pode caminhar nesse outro aqui." O espiritismo tá demonstrando inclusive os nossos pilares como de mortalidade da alma, né? Através da mediunidade. Essa é nessa direção que Kardec vai, né? E ele ainda conclui, ó, nessa mesma nota, né? Ó, se ele aí está, é porque Deus o permite. E o permite para que as nossas vacilantes esperanças se revigorem. Olha só, para que sejamos reconduzidos à senda do bem pela perspectiva do futuro. E quando tradição minoritária, como fazer isso já sem dialogar, sem andar de mãos dadas com as outras tradicões religiosas? Tem jeito. Sem dúvida. Eu concordo plenamente. Inclusive, eu diria que nós temos muito a aprender com os irmãos cristãos de outras igrejas, porque muito do que eles vivem enquanto prática, quanto acolhimento, podem ser bastante instrutivos para nós também nas nossas casas espíritas. Essa abertura, ela é, sem dúvida, enriquecedora, necessária. E eu digo ainda que o contrário dela, que seria uma espécie de sectarismo, seria sim cair nas mesmas armadilhas, nos mesmos lugares comuns que as religiões institucionalizadas historicamente caíram, quando elas se tornam eh religiões sectárias. E o sectarismo logo depois caminha paraa violência, então violência simbólica ou violência material mesmo, né? Então na história das religiões, quanta violência perpetrada em nome de sectarismos, de interpretações mínimas que são divergentes, mas que são inaceitáveis. Então eu sou totalmente favorável a uma
é? Então na história das religiões, quanta violência perpetrada em nome de sectarismos, de interpretações mínimas que são divergentes, mas que são inaceitáveis. Então eu sou totalmente favorável a uma a uma perspectiva ecumênica, aberta. Eu acho inclusive que a interpretação espírita ela é divergente e plural e essa pluralidade deve ser aceita. Eu acho que a gente não deve cair num nem num sectarismo e nem na ilusão de uma ortodoxia, porque isso tende a ser ruim para o nosso próprio movimento. Eu sei que isso não é exatamente a pergunta, mas me ocorre eh o que eu alguns discursos mais radicalizados que vez ou outra a gente ouve ou lê, sobretudo nas redes sociais, depois que o espiritismo vai pro mundo das redes, que supõe uma espécie de de leitura correta, eh leitura pura e começa a pensar o espiritismo em ismos, né? Não vou nem repetir aqui porque não vale a pena. Eu acho que todo esse movimento ele é muito ruim para nós. Nós somos, como tá na pergunta colocada, um movimento religioso minoritário. Não somos muitos no contexto brasileiro, mas eu acho que nós sim damos aqui a nossa marca. Acho que há um legado dos espíritas que nos precederam que a gente deve honrar, né? Inclusive em contextos quando os espíritas foram perseguidos. eh quando eles fizeram grandes movimentos de caridade que tornou uma espécie de marca registrada do espiritismo no Brasil. Então assim, existe um legado que nós carregamos, existe um futuro que nós precisamos elar. Então, se a gente não tá aberto para essa tolerância interna entre nós, diferentes concepções e com os vizinhos, né, com as outras igrejas e com as outras perspectivas, eu acho que a gente vai tá ali eh sendo condenado a insignificância ao desaparecimento mesmo. Excelente. Excelente. Muito bom. Eh, a quinta questão é a seguinte: se por um lado os dados revelam uma faixa pequena de pessoas que se declaram espíritas, por outro lado, o senso não apreende a adesão às ideias espíritas. Nesse sentido, é possível pensar que princípios espíritos, como reencarnação,
uma faixa pequena de pessoas que se declaram espíritas, por outro lado, o senso não apreende a adesão às ideias espíritas. Nesse sentido, é possível pensar que princípios espíritos, como reencarnação, mediunidade, entre outros, estejam presentes na cultura religiosa brasileira. Eu acho que pode começar pelo Fabinho, né? Você bem breve, porque acho que a gente meio que tocou. Acho que sim. Eu acho que mesmo pessoas que não são espíritas ou que teriam até questão de entrar numa casa espírita, elas acabam direta ou indiretamente aderindo de forma mais ampla a princípios espíritas. Eu me lembro da minha avó que era extremamente católica, que assistia missas, assendia velas e ela sempre falava comigo: "Ai, Fábio, na próxima reencarnação eu não quero vir mulher". Então, assim, ela acreditava na reencarnação. Uma vez eu perguntei para ela: "Mas vó, você acredita em reencarnação?" "Claro, a gente vai voltar". E ela era super católica. Então, acho que pessoas como a minha avó são muitas, né? Sim. O o Fábio até chegou a tocar. Nós chegamos a tocar, né, naquela ideia de matriz religiosa brasileira, que até, se eu não me engano, é de um sociólogo, antropólogo, acho que o Bitencu Filho, ele que é o que desenvolve bem essa esse conceito, né, que que vai mostrar para nós que logo quando o espiritismo desembarca no Brasil, carregando toda aquela postura diferente, né, da França ali que a gente até comentou, ele chega aqui, o que que ele vê, né, um mar de tradições religiosas que já conham alguns dos seus conceitos, né? Então, eh, a gente vai falar dos santos católicos, que é algo tão forte no catolicismo brasileiro, desde, vamos dizer assim, antes até, né, mas no século XIX, quando o espiritismo vem, a gente vê ali o quê? Pessoas que conversam com os seus santos protetores, né? Então, isso se aproxima muito da própria concepção espírita, né, de mediunidade, desse intercâmbio constante, né, eh, a o próprio contato com as religiões de matriz africana que a gente vê aqui, que já estavam no
se aproxima muito da própria concepção espírita, né, de mediunidade, desse intercâmbio constante, né, eh, a o próprio contato com as religiões de matriz africana que a gente vê aqui, que já estavam no Brasil também, né? Eh, essas tradições já carregavam conceitos semelhantes, né, como até hoje tem a própria ideia de mediunidade, a ideia de reencarnação em algumas delas também, tá? Então, o espiritismo vem, ele se encaixa muito bem ali nesse nesse caldeirão, tá? E como a gente chegou a comentar, ele vai fortalecer esse tipo de ideia, né? As ideias do existência dos espíritos, a mediunidade, como nós falamos, a ideia de reencarnação, outros, né, assuntos relacionados. Então, ele vai fortalecer, vai favorecer essa ideia. Inclusive em mais de um artigo, nesse livro que eu citei para vocês aqui, esse do C 2010, que tem texto, ó, fantástico, tá? Fantásticos assim, interpretações muito legais que que são atuais ainda, claro, a partir desses dados novos que a gente tem aqui. A gente vê ali em mais de um texto essa e essa admissão, né, de que o pensamento espírita tem um dos autores, acho que é o próprio Faustino que ele vai usar a impregnação espírita na sociedade brasileira, ele vai falar isso, né? Então, é é innegável que essas ideias já fazem parte, né, do nosso da nossa concepção religiosa como um todo, tá? E como a gente comentou antes, se o espiritismo consegue fortalecer isto, né, a partir do seu trabalho de divulgação, né, e a importância do movimento espírita aí, né, através de filmes, a difusão, claro, dos livros, das ideias espíritas, das redes sociais, né, se a gente mais preocupado com isso do que em converter pessoas, porque claro, essa nunca foi a preocupação radical, né, do de Kardec, dos espíritos da codificação, se a gente tá mais, se a gente estiver mais preocupado com a divulgação, com a ação do movimento espírita, com essa, com esse objetivo, mais amplo de fortalecer essas ideias que já estão dadas aí, que já são bem aceitas pelas pessoas. Se a gente puder
ado com a divulgação, com a ação do movimento espírita, com essa, com esse objetivo, mais amplo de fortalecer essas ideias que já estão dadas aí, que já são bem aceitas pelas pessoas. Se a gente puder contribuir nisso, gente, essa será, essa já é a grande contribuição que a gente pode dar. Daí a importância, tá, para que ninguém pense que a gente tá minimizando aqui, não estamos, né, a a ação do movimento espírita pelo espiritismo, né? Daí a importância do nosso movimento espírita, tá? para assim falar para aqueles que são espíritas cada vez melhor, de com linguagens mais eh atraentes, podemos até falar disso à frente, mas também de falar para o para o público que não se diz espírita, mas que adere ou quer aderir ou vai aderir a essas ideias de que a gente tanto fala. Excelente. Muito bom. Bom, uma última questão, deixa eu ver o tempo aqui. É, eu acho que é a última mesmo, gente. De que modos dados do senso podem ser úteis para nó para nos ajudar a pensar as práticas espíritas em nossas comunidades? Acho que agora o Daniel, né? Ah, sim. Olha, eu acho que é chamar atenção pro cuidado que a gente tem que ter na manutenção da nossa divulgação espírita, né? Claro, através de todos os exemplos que eu dei aqui, mas principalmente através da nossa vivência, né? É algo que a gente sempre bate e repete, né? Ainda que não cumpra plenamente, mas devemos, né? Através da nossa vivência dos postulados espíritas, tá? Então, coisas importantes aqui que eu vou falar brevemente, né? Eu tava observando alguns dados mais detalhados, né? E a gente vê, por exemplo, que de forma semelhante ao que acontece com o catolicismo, tá? Quanto mais eh avançada é a faixa etária, maior é a proporção de espíritos e de católicos e menor a de evangélicos. Porém, ao contrário, né? Quanto mais jovem a faixa etária analisada, mais ali os evangelhos se destacam, tá? Ou seja, do, né, até 14 anos depois tá olhando rapidamente ali, tá? Então ali eles têm um uma um avanço maior, né, um crescimento maior, uma
a etária analisada, mais ali os evangelhos se destacam, tá? Ou seja, do, né, até 14 anos depois tá olhando rapidamente ali, tá? Então ali eles têm um uma um avanço maior, né, um crescimento maior, uma manutenção maior, tá? Então isso chama atenção para nós em relação eh o ponto que se refere aos jovens, né, a nossa divulgação, nossa linguagem espírita à crianças e aos jovens, mesmo que sem essa preocupação de converter, né, mas para aqueles que se interessam, aqueles que buscam e aqueles que são nossos familiares, crianças, por exemplo, né, que a gente tem assim o compromisso de melhorar a nossa linguagem, melhorar a forma como a gente trata dos assuntos espíritas, né, trazer a tecnologia ao nosso favor. Eu acho que nisso até a gente já tá fazendo bem, tá? Mas tentar relacionar a proposta espírita com os desafios do cotidiano, com o cuidado de não cair na modinha e deixar de lado a base espírita, a base religiosa, não, né? Então é de se comparar, é de se fazer um diálogo entre as coisas. Então, estamos vendo problemas nas redes sociais. Como podemos debater isso no meio espírita, né? Não para falar apenas da tecnologia, mas de relações sociais, de relação entre as pessoas, né? de preocupações excessivas com o corpo físico, né? Alguns sintomas que a gente vê aí, né, do mau uso das redes sociais. Então, chama atenção para isso. Nós temos que ter uma preocupação com essa linguagem, né? Uma outra coisa interessante, eu acho que aí eu vou só pontuar aqui, tá? Mas pra gente refletir, as mulheres que tm menor taxa de fecundidade são as mulheres espíritas. Então, nisso pode estar também aí uma uma pista do por nós temos menos jovens do que a gente espera, tá? Mas eu nem vou entrar muito nisso aqui, não, que sei da pano para manga, mas algo pra gente pensar também, tá? E outra coisa que é importante, eh, existe uma discussão já no campo da ciência, da religião, né, da sociologia, da antropologia, né, que é aquela ideia de mercado religioso, né, que a gente observa as ideias, as religiões
portante, eh, existe uma discussão já no campo da ciência, da religião, né, da sociologia, da antropologia, né, que é aquela ideia de mercado religioso, né, que a gente observa as ideias, as religiões competindo por fiéis, né, principalmente algumas, né, no campo evangélico, tá? A gente vê esse tipo de de postura. Será que nós estamos, já falamos disso, mas será que nós estamos, nesse mesmo ponto de vista, será que nós estamos competindo, né, por fiéis, por espíritas, por pessoas nesse mercado religioso? Mais uma vez, tá gente, não estamos, né? O nosso compromisso é com a e com o combate ao materialismo. Kardec vai falar disso mais de uma vez, né? O nosso compromisso é com a divulgação das ideias espiritualistas para que a gente se lembre mais de que é espírito imortal, de que não é corpo, de que a vida não é só isso aqui, de que isso aqui também é importante, mas de que a gente não pode olhar para essa vida material apenas com os olhos do corpo, né? A gente tem que olhar pro que vem na nossa experiência aqui na terra com os olhos do espírito. Então, se a gente pode chamar atenção para isso através da divulgação espírita para os espíritas, para o não, os não espíritas, né? a gente tá cumprindo o objetivo, a gente tá seguindo a proposta que vem lá desde de Kardec, né? E enfim, como é a última questão, né? Não é pra gente se desesperar, não, né? Igual o Fábio comentou no início, né? Não, mas é para chamar atenção, sim, tá? Esse resultado dos dados é pra gente pensar, para que a gente possa olhar pro nosso movimento em si, né? O que que a gente pode melhorar? Porque se tem algo que a gente deve fazer sem sectarismos e sem objetivos radicais, né? É divulgar, é levar a proposta espírita as pessoas para que elas possam, se elas se identificarem, conhecer mais, abraçar mais e levar paraas vidas delas, nas suas religiões ou não, né? A proposta central nossa. Isso aí. Eu diria que muito embora, né, a gente sempre ouça e repita e com correção que o espiritismo não tá assim preocupado em
s vidas delas, nas suas religiões ou não, né? A proposta central nossa. Isso aí. Eu diria que muito embora, né, a gente sempre ouça e repita e com correção que o espiritismo não tá assim preocupado em buscar prosélitos, seguidores, em catequizar ou em convencer, converter essas ideias todas. efetivamente não. Eh, é fato que quanto mais corações a mensagem espírita atingir, melhor para a humanidade. Então, os dados do senso, embora não seja algo que suscite uma preocupação desmesurada, um desespero, mas são é um dado que revela que existem elementos a partir dos quais a gente pode pensar o nosso movimento na busca da sua do seu aprimoramento e da sua expansão, né, no contexto cultural brasileiro. Evidentemente, queremos sim que o espiritismo expanda, que o Espiritismo toque mais pessoas, ainda que efetivamente elas não se declarem espíritas. Então, pensando sobre essas questões, muitas desses detalhes o Daniel inclusive já trouxe e eu falei na última vez como que nós temos também a aprender com outras religiões. Então, vou começar por aí. Eu, a partir da minha experiência, é claro que eu não sou aqui representando o movimento espírita como todo. Eu sei que ele é extremamente plural, diverso, né? Não dá para uma experiência dizer sobre o movimento, mas eu acho que muitos, muitas dessas igrejas, irmãs, cristãs, evangélicas fazem um trabalho muito aprimorado com a juventude no campo da arte, no campo da música e fazem um trabalho junto aos adultos e às famílias de acolhimento espiritual antes do contato com a doutrina dessas igrejas. Eu acho que um caminho que nós podemos avançar no espiritismo é o caminho do acolhimento e o caminho da arte. Eu acho que muitas vezes, eh, pelo menos a partir da minha experiência, eh, a, a vivência dentro do centro espírita favorece um tipo de espírita mais ligado à leitura, ao intelecto, à reflexão. Isso reflete inclusive no grupo que é mais espírita, como Daniel falou, mas eu acho que a gente tem que começar a tocar corações. Acho que a
e espírita mais ligado à leitura, ao intelecto, à reflexão. Isso reflete inclusive no grupo que é mais espírita, como Daniel falou, mas eu acho que a gente tem que começar a tocar corações. Acho que a gente tem que eh criar senso de comunidade, mais senso de comunidade. Eu não tô falando que isso não exista no espiritismo, mas eu acho que talvez isso não seja tão vivido quanto deveria ser. Eu acho que no campo da divulgação nós temos a aprender também. E eu falo que devemos aprender no campo da divulgação em dois sentidos. Primeiro, como Daniel falou, a gente tem que falar melhor para espíritas. Eh, eu acho que o cuidado com a formação dos trabalhadores é um cuidado que tem que ser muito vigilante. A qualidade das conferências, das palestras espíritas tem que ser evidente, né, pra gente não diluir, por exemplo, o espiritismo em uma série de ideias às vezes muito fraca, muito superficial. ou assim meio preconcebida. Então assim, eu acho que pensar na qualidade dos trabalhadores espíritos a partir da sua formação, eu acho que é um ponto que nós espíritas podemos melhorar. E acho também que a gente deve eh ampliar o nosso diálogo com a contemporaneidade e com a atualidade e com a sociedade como um todo. Muitas vezes, eh, se observa que o cultivo das letras espíritas fica muito fechada nelas próprias. Eu acho que, claro, a gente tem um rico, uma rica literatura. Eu acho que isso inclusive nos distingue das outras religiões. O espírita lê e consome livros e escreve livros. Isso é uma coisa que é, sem dúvida, meritório para nós, mas isso não nos deve impedir de fazer reflexões em diálogo com a atualidade, com outras questões atuais, eh não no sentido de entrar em contendas eh partidárias ou contendas eh que geram sectarismo. Não, não é disso que eu tô falando. Tô falando no diálogo mesmo com as grandes questões da sociedade contemporânea, a partir da ciência contemporânea, por exemplo, a partir da filosofia contemporânea, a partir da teologia, por que não? Eu acho que são pontos que
o com as grandes questões da sociedade contemporânea, a partir da ciência contemporânea, por exemplo, a partir da filosofia contemporânea, a partir da teologia, por que não? Eu acho que são pontos que dariam nos ajudariam a a dar o passo adiante, né, sem que a gente eh se sirva de uma shibata para nos autopunir no momento de meia culpa, né? Eu acho que não é esse o movimento que a gente tem que fazer. Eu acho que a gente tem que celebrar o movimento espírita tal qual ele se constituiu e vem se constituindo. São muitas mãos, muitos braços, muitas pessoas envolvidas na construção desse legado no Brasil. Nós fazemos parte dele, mas nós podemos sim avançar para que ele seja ainda mais abrangente na nossa sociedade. Excelente. agradecer e muito mesmo, Daniel e o Fábio, eh, muita reflexão e muito material também para examinarmos e, com certeza tentarmos colocar em prática, né? Então, dá o nosso boa noite aos amigos e amigas que nos acompanharam. Eh, novamente agradecer, né, o Daniel e o Fábio. E na próxima quinta-feira, quinta-feira não, segunda-feira estaremos de volta, né, com a programação normal. Nós estamos fazendo a introdução à filosofia de Leon Deni, não é? Então já fica o convite para todos nós. Um abraço apertado e até mais. Tchau tchau. Até mais pessoal. Meu abraço. O espiritismo surgiu como uma ciência de investigação das relações do mundo espiritual com o mundo material. Allan Kardec, o sábio mestre lionês, se utilizou das luzes do seu tempo para iluminar o mundo invisível e aclarar uma realidade nova. Não mais véus e mistérios, sobrenatural e nada, mas uma perpétua continuidade entre os dois mundos. Pesquisando a mediunidade com lógica e razão, Allan Kardec pavimentou uma estrada segura entre o além túmulo e o plano físico, demonstrando que o espírito triunfa sobre a morte e que céu e inferno são apenas estados de consciência. É pensando nisso que o espiritismo.net convida você e toda a comunidade espírita a se debruçar sobre o tema invisível, ciência investigativa como
e que céu e inferno são apenas estados de consciência. É pensando nisso que o espiritismo.net convida você e toda a comunidade espírita a se debruçar sobre o tema invisível, ciência investigativa como instrumento ético. O sexto congresso do espiritismo.net nos dias 27 e 28 de setembro de 2025 no Rio de Janeiro. Informações e inscrições no site www.espiritismo.net. pespiritismo.net/congresso Congresso.
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