A Esquina de Pedra | Stela Martins | 16.11.25
A Esquina de Pedra | Stela Martins | 16.11.25 🎙️ Novo na transmissão ou querendo melhorar? Confira o StreamYard e ganhe $10 de desconto! 😍 https://streamyard.com/pal/d/5483594840801280
Quero mergulhar no meu silêncio. Quero usufruir da solidão. Quero na caverna o aconchego. Quase me esquecer dos meus lamentos, quase ver sorrir meu coração. Quero ouvir calar os meus ruídos e os gritos que agridem de fora. Jogar fora o que não faz sentido. Desacelerar, ficar comigo e sentir tristezas indo embora. Quero adormecer sob as estrelas que lá fora aguardam me sair. Nos meus poucos sonhos ser eu mesma, quase ser amada, quase aceita e assim me sentir quase feliz. Quero mergulhar no meu silêncio. Quero usufruir da solidão. Quero na caverna o aconchego. Quase me esquecer dos meus lamentos, quase ver sorrir meu coração. Quero ouvir calar os meus ruídos e os gritos que agridem de fora. Jogar fora o que não faz sentido. Desacelerar, ficar comigo e sentir tristezas indo embora. Quero adormecer sob as estrelas que lá fora aguardam me sair. Nos meus poucos sonhos ser eu mesma, quase ser amada, quase aceita e assim me sentir quase feliz. Nos meus poucos sonhos ser eu mesma, quase ser amada, quase aceita e assim me sentir quase feliz. Boa noite, gente linda. Boa noite para todos. Bom dia, boa tarde para quem for assistir esse essa live depois. Sejam todos muito bem-vindos ao nosso estudo, a nossa leitura e reflexão do Esquina de Pedra, essa obra tão linda do Alace Leal Rodrigues, que nós estamos acompanhando já faz algum tempo, já temos um caminho bem interessante andado. Se você não viu os primeiros capítulos, não se preocupe, nem se perturbe. Vai lá no canal Consolar Esclarecer, procura a playlist do A esquina de Pedra e assista os primeiros episódios, os nossos primeiros encontros, porque eles são todos muito lindos. Você vai gostar muito, tenho certeza. e compartilhe com todo mundo. Ah, e não se esqueça, já vou falar já, não se esqueça, inscreva-se no Consolar Esclarecer e inscreva-se também nos outros canais que são retransmissores da esquina de pedra. Inscreva-se, na verdade, em todos os canais espíritas, porque é dessa forma que a gente mostra pro YouTube que esses
e inscreva-se também nos outros canais que são retransmissores da esquina de pedra. Inscreva-se, na verdade, em todos os canais espíritas, porque é dessa forma que a gente mostra pro YouTube que esses são conteúdos que podem e devem ser oferecidos para outras pessoas também. Certo, vamos falar boa noite para quem já chegou. Shirley, boa noite. Não durma, meu amor. Não durma. Continue aí firme, acordada. Brincadeira, Shirley. Dorme sim. Se der sono, você dorme e depois amanhã você escuta. Amanhã você escuta a leitura do do livro, viu? Não sofre não. Bem, Rosiane, boa noite, querida turma da esquina. Isso mesmo. Bom estudo para nós todos. Nivalci, meu bem. Boa noite, esquineiros. Olguinha, boa noite para você também. Oi, Celina, hoje você vai conseguir assistir a Celina é da turma que assiste depois. Que bom que você tá aqui hoje, meu bem. Maria Rejane é a reformiguinha. Boa noite, meu bem. Dá um beijo no César, viu? Olha, hoje eu vou pedir desculpa para vocês. Eu tive um problema na no meu canal do YouTube, na minha página do YouTube, precisei mexer no Google Chrome e aí eu perdi todas as senhas e eu tô desconectada do Kindo. Então eu não vou conseguir compartilhar o texto de hoje com vocês na tela. Então eu vou ler. Quem tiver o texto vai acompanhando o texto por aí. E aqueles que não tiverem o texto hoje vão ter que prestar um pouquinho mais de atenção do que o normal, porque eu não consegui a a senha, recuperar a senha e recuperar minha conta a tempo da gente se encontrar aqui hoje. Certo? Mas nós estamos eh ho agora eh nós estamos no capítulo oito, né? Ou nove. Capítulo nove. Deixa eu ver aqui. Olha, eu perdida no capítulo. É que esse uns capítulo comprido, né? A gente já Ah, capítulo nove. Nós estamos no capítulo nove. A gente já conheceu o Cúrio, que é um personagem novo. Já conheceu Melécio, também personagem novo. E hoje nós vamos conhecer o Nícalu, outro personagem, viu? Então, vamos lá. Na esquina em que as duas principais ruas se encontram, detém-se Nícalo. Numa
. Já conheceu Melécio, também personagem novo. E hoje nós vamos conhecer o Nícalu, outro personagem, viu? Então, vamos lá. Na esquina em que as duas principais ruas se encontram, detém-se Nícalo. Numa direção irá ter a festa. Ao banquete, onde a Sociedade Patrícia, de que faz parte, seus companheiros de juventude vão se reunir. Ele é um romano, né? Porque a sociedade Patrícia, então ele é um romano, tem incompreensíveis caprichos. Nícola também os tem nesta noite. Entretanto, esse capricho tem forma de dúvida. Ele deve tomar uma certa direção, mas está parado. O céu noturno de Roma como que o imobiliza e absorve por um breve instante. É azul, mas o brilho das estrelas, o brilho do luar polvilhou-lhe, polvilhou-o de prata. Ele o contempla com a cabeça vazia de pensamentos. Mas a brisa da noite acarcia-lhe a pele com um sussurro de beijos. Sobre sua cabeça, a harmoniosa conjunção dos astros é como um convite para aqueles que desejam muito. Nicola, Nicolo, gosta de viver. Ele deseja-o muito, mas recusa o lugar para onde o seu nascimento conduz. simplesmente porque cada vez mais tudo aquilo lhe parece insensato e tolo. E aceitar não é razoável. Ele, Nícalo, tem direito à escolha. Dá um passo em direção ao Vozeril, a música da festa, mas se detém outra vez. Exatamente. Na direção oposta chamam-no. Nículo. Nículo, ele ouve. É um chamamento suave, amoroso. Embora a rua esteja vazia, chamam-no. Alguém o espera, uma voz que parece partir do peito mesmo da noite. Nícolus sabe agora que não vai à festa. Lança dos ombros a carga que lhe parece supérfula. Vira, vira-se, segue na direção oposta. Mas para onde o levará? É curioso, diz a si mesmo. É curioso porque ele tá sentindo um chamado que não sabe exatamente para onde vai, mas não vai mais para aquele lugar eh das festas, né, do vozeril, da mocidade. E aqui é bom a gente lembrar também que esse é um período, começa um período em Roma, no império romano, de decadência. Já tá começando aquele período em que eles vão se perder. eh, e deixar
mocidade. E aqui é bom a gente lembrar também que esse é um período, começa um período em Roma, no império romano, de decadência. Já tá começando aquele período em que eles vão se perder. eh, e deixar o rigor do exército, né, e das conquistas e vão se perder na volúpia das das paixões. Eles não conseguem se distanciar eh da guerra e da violência e partir, por exemplo, como os gregos, para o conhecimento, para a filosofia. Os romanos não dão conta de fazer isso. E aí eles, como eles tinham muito dinheiro, eles tinham mundo a seus pés, isso deixa os meio perdidaços e aí eles se vão eh usufruir daquilo que eles conquistaram, né, que é o que normalmente a gente costuma fazer, sabe? Ah, eu conquistei aqui essa posição, eu conquistei esse lugar, então agora eu vou usufruir. Mas usufruir não pode ser se perder nas paixões, tem que ser usufruir também para o bem dos outros, para o trabalho em benefício dos outros. Mas é difícil, né? É difícil. É difícil. Maria José, boa noite. Que bom, querida de Portugal, seja bem-vinda. Bom, isso, ó lá, a Rê e a Maria José. Isso mesmo. E aí ele para, né, curioso. Para onde será que eu tô indo? Nícalo sente-se aliviado. Tem a sensação de que o sangue lhe flui provocando uma alegre sensação, um aguçamento, um amor desesperado pelo mundo. Em suma, a sensação do encontro com as coisas amadas há muito tempo esperadas. Deixa para trás a rua larga, anda pelos becos ao sabor da sorte. Não teme os riscos que o seu trage, que o seu trage de alto preço acarreta aos cobiçosos olhares das trevas. A noite é sua amiga, ela o guarda e protege. Tudo quanto desejamos se cumpre, diz-lhe uma voz interior. Todos os sonhos que florescem dão frutos. Batei e abrir-se vos vá. Pedi e obtereis. diz a tranquila e persuasiva voz que chega do desvão da muralha. É como um estranho prosseguimento de seus próprios pensamentos, de suas íntimas cogitações. Nícalo se detém, contorna a muralha e entra pela porta aberta. Por trás do singelo anteparo de juncos, muitas pessoas ouvem atentamente aquela mansa
s próprios pensamentos, de suas íntimas cogitações. Nícalo se detém, contorna a muralha e entra pela porta aberta. Por trás do singelo anteparo de juncos, muitas pessoas ouvem atentamente aquela mansa voz: "Tratarse da irmandade das pessoas pálidas?" Nícalo se põe a ouvir. É estranho. A mesma paz que ele traz em si se difunde na sala humilde, em ambiente de suavidade e recolhimento, embora o arrebatamento dos corações a se traduzir nos olhares. Dirigia-se a uma reunião, eo em outra. tão diferentes, porém e ao encontro dos grandes deste mundo. Aqui se encontra entre trabalhadores humildes, mães de família. Entretanto, Ncalo já aprendeu a real diferença entre os dois pontos de reunião. Num servem o banquete material, neste o banquete espiritual. Ele já entendeu tudo, né? Ele pode até não saber onde ele tá, mas ele já entendeu o que tá acontecendo. Maria das Graças, boa noite. Não, tá na hora, querida. Nós começamos agorinha mesmo. Para quem tá chegando agora, eu tô sem o Kindle para poder compartilhar na tela com vocês. Então, eu só tô fazendo a leitura hoje. Espero que vocês me perdoem. Bom, o discursador lê e comenta pergaminhos manchados, certamente de suor e lágrimas, e aquelas palavras são rapidamente filtradas por seu entendimento. Uma coisa, entretanto, está clara. Não se trata de uma reunião de neoplatônicos. Aquela gente não pertence à irmandade das pessoas. Suas próprias faces o revelam. E há mais. Pela primeira vez, razão e sentimento se reúnem nele ávidamente absorvendo o quê? O amor. Nícalo está ouvindo a mais fabulosa mensagem, a maior mensagem de amor que poderia esperar ouvir. É como se em todos os dias de sua vida estivesse anelando por aquela voz que o chamara e a qual atendera. Havia então algo mais excelente do que Plotino, e por isso até então ele ansiava ainda. Agora vai perseguir a cristalina e mágica torrente. Como não amar a fonte de onde jorrava? Uma criança choraminga junto dele e Nícalo, como que respondendo a sua própria ternura, envolve-a em seu
nda. Agora vai perseguir a cristalina e mágica torrente. Como não amar a fonte de onde jorrava? Uma criança choraminga junto dele e Nícalo, como que respondendo a sua própria ternura, envolve-a em seu custoso manto, aperta-a contra o peito e deixa que durma reconfortada por seu próprio amor, que se embale ao pulsar feliz do seu coração. Que delícia, não é? Que delícia. Estou nascendo hoje, diz a si mesmo e pede Jesus. Pois é tu, Jesus que estás presente aqui. Embora ainda que não me conheças, atende-me, torne em paz e luz a inexperiência de minha mocidade. Aceita-me, Senhor, com a pedra humilde da base do farol, de cujo simo, orientando os viandantes dos séculos, brilhará a tua eterna luz. Nossa, vou ler de novo. Jesus, pois é tu, Jesus, que estás presente aqui. Embora ainda que não me conheças, atende-me, torne em paz e luz a inexperiência da minha mocidade. Aceita-me, Senhor, como a pedra humilde da base do farol, de cujo simo, orientando os viandantes dos séculos, brilhará a tua eterna luz. Bonita, né? Não avaliei Ncalo de imediato. Agora já é a gala falando, né? Minhas faculdades estavam bloqueadas. Não me lembro bem do que disse. Lembro-me apenas de que uma pequena demora a vida a vida deu-me nos nervos e que me pareceu quase intolerável ficar ali na penumbra do alvorecer, articulando monossílabus quase incapaz de sentir ou de pensar. Seguimos a pé e o exercício na madrugada reanimou-me. Íamos pelos carreiros dos rebanhos sobre a step silenciosa. O caminho, por vezes, se aproximava do rio, envolto num branco vapor, pois que a noite na step é sempre fria. Ouvi as vozes dos outros e entre elas a de Prisco que me fazia estremecer. Já caminhávamos havia algum tempo, quando o alegre vento matutino agitou os arbustos anônimos e alvoroçou nossas mantas. Então se difundia no ar azul as primeiras claridades da manhã. Não sei como foi. Ele estava junto de mim. Sem falar, apontou-me as brumas sobre as águas do rio e que a brisa tangia em línguas vaporosas como labaredas
a no ar azul as primeiras claridades da manhã. Não sei como foi. Ele estava junto de mim. Sem falar, apontou-me as brumas sobre as águas do rio e que a brisa tangia em línguas vaporosas como labaredas brancas. Unimo-nos repentinamente no mesmo sentimento de encantamento e surpresa. Eu suspirei e ele bruscamente olhou-me face a face. Uma pesada nuvem de tristeza toava o seu olhar. Isso, entretanto, não me preocupou. Eu mesma estava mudada. Emagrecera e o frio da manhã, por certo, empalidecia minha face. Passávamos agora por grupos de árvores cujo nome eu não sabia, por carpas e juníperos entrelaçados pelo vento. Eu pensava: "Todos estes dias, o que terá pensado?" Experimentava, por vezes, um desejo intenso de interrogá-lo. Como teriam aquelas mulheres tomado conhecimento de que eu existia? Como fora que se tinham revoltado tão intensamente contra mim? Mas afinal o que importava? Uma suave luminosidade crescia no ar frio. Respirei fundamente quando Filotemo se atrasou e inocentemente veio ficar ao meu lado. Entre Ncalo e Prisco, sua conversa se estabeleceu delicada e solícita. Não pude impedir que Prisco sentisse e pudesse friamente observar sua ternura muda, porém que encontrava mil pequeninos ensejos para se exteriorizar. E não precisei precisei ver o rosto dele para verificar o seu desgosto, mas aquilo fez com que eu despertasse. Falavam sobre pássaros, suas penas, cores e cantos. Nícalo era vivaz e culto, um preceptor grego. Atraíra-o, atraíra-o pelo estudo das ciências naturais. Era o primeiro e o maior interessado por tudo quanto encontrávamos. Seu mestre possuía um ibis embalsamado. Era um dos seus tesouros. É aquele pássaro esquisito que eu já mostrei para vocês algumas vezes, né? Trouxera-o do Egito, onde fora encontrado numa velha tumba. Nícalo era também cheio de entusiasmo e de calor, e me lembro do quanto aquela irradiante simpatia, aquele esfuziante entusiasmo fazia-me bem aquela manhã. Filemo, conhecera-o, não sabia onde e convidara-o para o para a excursão.
tusiasmo e de calor, e me lembro do quanto aquela irradiante simpatia, aquele esfuziante entusiasmo fazia-me bem aquela manhã. Filemo, conhecera-o, não sabia onde e convidara-o para o para a excursão. Nícalo trouxera Prisco. Nossa, que confusão, né? Prisco tinha que chegar nessa turma de algum jeito, né? para encontrar com ela. Aí estava como a coisa se tinha passado. No fundo, entretanto, um sentimento fatalista dizia-me que entre todos nós apenas o passado estava em ação, estabelecendo posições às quais não podíamos fugir. Não sei se já aconteceu com vocês, né? Mas não tem hora que acontece isso com a gente, que parece que as coisas rodam, rodam, rodam, rodam e aí pum, você tá lá de novo com aquelas mesmas pessoas que você não queria muito estar, mas que você precisa aprender a conviver com elas, né? Nós estamos aqui para isso. E aí você vai e volta, vai e volta, vai e volta no mesmo problema, na mesma questão, na mesma pessoa, difícil de lidar até a gente aprender, né? Enquanto a gente não aprende, a experiência não não deixa de acontecer. Ao passarmos por um pequeno maciço de rododendros, os moços puseram-se a colhê-los, enchendo-nos os braços, os de gema e os meus. Prisco, que também colhera-os, dividiu sua colheita ao meio. Talvez estivesse arrependido de ter vindo, talvez se aborrecesse. É certo que, ao contrário dos outros palmípedes, o Ibis empolera empolera-se nos galhos? Ele perguntou a Cirilo. Sim, era verdade. Muitas vezes os víramos empoleirados. Quantas espécies visitavam rallyis ou ralis? duas espécies, o branco com a extremidade das asas negro assisentadas e o cinzento com reflexos verdes e violetas. Foi esse que eu mostrei para vocês. Vocês lembram? Eu agora não tenho como procurar ele aqui, mas vocês lembram que eu já foi exatamente esse cinza aqui que eu compartilhei a imagem com vocês. E é certo que não se servem para beber da água suja dos baixinhos onde permanecem. Nós os víamos sempre na época coincidente com o avolumamento das águas e não sabíamos se incidentalmente
m com vocês. E é certo que não se servem para beber da água suja dos baixinhos onde permanecem. Nós os víamos sempre na época coincidente com o avolumamento das águas e não sabíamos se incidentalmente junto à confluência de arroos de águas limpas muito raros, aliás, que confluíam com o rio, as aves ali estacionassem. O ar claro ressoou com selvagens gritos e, antes que os víssimos, sabíamos que se encontravam ali. Estávamos nos aproximando de uma pequena e tranquila ensada. Esse passeio era justamente para ir ver os ibiss, né? Eles estavam lá para ver os pássaros mesmo. Outras vezes, vezes seguidas, o grito baixo e rouco chegou aos nossos ouvidos. Então silenciamos e cautelosamente fomos nos aproximando. Um pequeno cômoro ofereceu-nos um bom ponto de observação. Havia um grupo de seis e outro de oito aves. Nícalo contou-nos baixinho que a razão dos números pares era monogamia. Cada grupo era constituído por casais. Ficamos a olhá-los procurando descobrir porque eram motivo de tão antigas superstições. Não eram belos. Ai, a gente sabe, né? Eu também falei para vocês que eu achei eles bem bem fininhos mesmo. Oi, Terezinha, bem-vinda, querida. Eh, suas asas asas eram pequenas, o pescoço e as pernas altos demais. Tinham, entretanto, hábitos doces e aprasíveis. Podiam ficar horas inteiras no mesmo ponto, revolvendo a vasa com o bico, emitindo seus desagradáveis gritos ou andando com passos lentos por entre os juncos. Havia na step quem lhes comesse a carne vermelha e gordurosa, que podia ser guardada por muito tempo sem se deteriorar. Quando Cirilo falou a tal respeito, Prisco e Nícalo puseram-se a rir. Isso prova o quanto é relativo o conceito do sagrado entre os homens, disse Prisco. Não apenas o sagrado, ouvi João dizer, a carne do Ibis figura entre os alimentos impuros na legislação mosaica. Puro ou impuro, sagrado ou não, eu disse, o IBS é afinal apenas um ponto na escalada estabelecida pelo criador. Sim, concordou Filotemo, vindo em meu socorro. E quando mais, apenas um tema
ão mosaica. Puro ou impuro, sagrado ou não, eu disse, o IBS é afinal apenas um ponto na escalada estabelecida pelo criador. Sim, concordou Filotemo, vindo em meu socorro. E quando mais, apenas um tema da ascensão da religião do irracional para o racional, a partir da mitologia da natureza. Mas contrapôs Prisco, não se pode negar enquanto a imaginação que pode ver. naquela caudazinha em forma de crescente. A imagem da lua nova, isto é, o símbolo da deidade, o cinete da deusa, distinguindo este palmípede entre os demais. Então, ele tinha o formato da cauda, fazia com que eles achassem que ele era um pássaro com alguma relação com as divindades, né? Nícalo Russ disse: "Isso prova que no fundo és um sonhador". falou pro Prisco, né? Não, não sou. Se o fosse, não veria nos animais, como um bom romano vê, apenas dádivas para o propiciamento aos deuses. Essa observação doeu em mim. Não sei se meu rosto retratou essa oculta emoção. Filotemo olhava-me com seriedade. Não fugia esse olhar. Entre eu e Prisco, houveram começo e um fim simultâneos. Eu precisava deixar desconhecido quanto se passara. Creio ter ouvido um débil suspiro escapando-se de seu peito. Ele se lamentava. Ele me lamentava. Eu mesma não podia saber se a observação de Prisco era proposital ou não. E que importava final? Eu precisava ocultar isto sim. Eu precisava ocultar. Perguntei a Filotemo se Nícalo era o jovem romano, o legionário de que me falara. Imagino que tenha pronunciado o nome um pouco alto demais, pois Nícalos se voltou para nós e Filotemos se furtou a responder, desconversando a respeito da frutificação dos juncos. E assim também o comentário de Prisco pairou no ar, desconcertante, sem resposta. Mais uma vez os romanos se afastavam de nós e nós deles. O caminho que fora descendente na ida na volta fazia-se difícil para a gema. Eu, porém, era rija e desde que nascer trilhava aqueles terrenos. Cirilo e Nícalo auxiliavam, desculpa, Cirilo e Nícalo auxiliavam gema que facilmente se estafava. A gema
fazia-se difícil para a gema. Eu, porém, era rija e desde que nascer trilhava aqueles terrenos. Cirilo e Nícalo auxiliavam, desculpa, Cirilo e Nícalo auxiliavam gema que facilmente se estafava. A gema era da turma mais eh com condições econômicas melhores, né? Então ela não trabalhava que nem a gala, né? A gala era pastora de ovelhas, então já tava acostumada a andar sub pedra, descer montanha, sub monte, né? Ela tava acostumada já com isso. E a a gema não. Oi, charazinha, boa noite, querida. Eu me puser a retaguarda de João, não muito confiante e suas possibilidades. Porque João ficou doente. Lembra? João é o o que tava doente na casa da gema. Da gema, ó, desculpa. Da gala, sendo cuidado lá porque ele tava muito doente, quase a morte. Lembra disso? Então, então a Gala ficou atrás dele preocupada, achando que talvez ele não conseguisse, né, trilhar os mesmos caminhos ali. Filotemo e Prisco volitavam em derredor de mim. E quando tínhamos de nos alçar sobre os barrancos, embora eu pudesse lestamente fazer aquilo, davam-me as mãos. Oh, que dificuldade! Desculpa, gente, mas aí eu não posso. Sou mais uma leitora mesmo. Ah, meu Deus, os dois apaixonados por ela. Ela não gosta do filotemo, que era perfeito para ela, e gosta do Prisco que não dá. Como é que ela vai se relacionar com o Prisco? Que difícil, não é? Cadê? Gotas de suor pelaavam-me a testa. As mãos de Prisco nas minhas eram avalanches sobre meus propósitos. Fazia-se noite em mim. Porém, nas trevas loucas, lucilações elevavam-se, deslumbrando-me, cegando-me, enchendo-me de alegria e de desespero. Nossa Senhora, né? Ela não sabe se ela fica muito feliz porque ele dá a mão para ela ou muito triste. Houve um instante em que, fazendo-se muito estreito e o carreiro, Filotemo e eu ficamos para trás. "Perguntaste por Ncalo?", sussurrou-me. "Sim", respondi quase num sopro. "É o segundo?" "Eu não compreendi." E ele continuou. O segundo legionário. "E primeiro, quem é?" Prisco. Andei mecanicamente até o fim da o fim da trilha. Prisco. Mas aqui a lógica da
quase num sopro. "É o segundo?" "Eu não compreendi." E ele continuou. O segundo legionário. "E primeiro, quem é?" Prisco. Andei mecanicamente até o fim da o fim da trilha. Prisco. Mas aqui a lógica da situação, se lógica houvesse, se desmoronava. Era pois uma rematada tolice aquilo tudo. Já ouviste de Nícalo o suficiente para compreendê-lo? Eu disse a Filotemo. É um neoplatônico. Filotemo sorriu. Porém eu me fiz mais séria. Não te rias, pedi. Não me tem passado despercebido quanto tu e os outros discutis à noite. Na cidadela do cristianismo, eu conheci o suficiente sobre o neoplatonismo para identificá-lo como a um perigo. Era a torre brilhante e falaciosa que acolheria a teologia introducente. Não te assustes, Nicola. Nícalo foi um neoplatônico, hoje é cristão. Sim, mas e o outro? O tempo virá seu auxílio. Senti-me melhor depois desta fala. Minha imaginação se aquiietava. Olhei para Filotemo. Havia nele uma tranquilidade que por vezes me perturbava. Filotemo apenas esperava. E é interessante, né? Porque ela deve ter ficado mais tranquila, porque Filotemo via no Prisco a mesma coisa que ela via, que ela também via, né? Alguém que pudesse ser confiável, né? Um romano, um soldado romano, um rico romano que podia ser eh que não precisava ser temido pelo pelos cristãos, né? Acho que é é exatamente essa a leitura que Filotemo fez do do Prisco. Nícalo é um romano, é um militar. Deixei escapar reticenciosamente. Muitas coisas podem acontecer, ele me disse terno e paciente. É preciso confiar e esperar. Cirilo mudara o caminho de regresso. Disso me apercebi ao enxergar os nômades. Reuniam-se em torno de uma fogueira para a primeira refeição do dia. Eram sujos, maltrapilhos e detestados por todos. chegavam das terras a nordeste do ponto e estiavam pelas prisões romanas de cidade em cidade. Eram profissionais da pilhagem e do roubo. Encontrá-los era um mau sinal para as propriedades em derredor. Oi, Eurídice, boa noite. Paramos a observá-los um pouco à distância, porém a morrinha que exalavam
profissionais da pilhagem e do roubo. Encontrá-los era um mau sinal para as propriedades em derredor. Oi, Eurídice, boa noite. Paramos a observá-los um pouco à distância, porém a morrinha que exalavam chegava até nós, fazendo-nos reter a respiração. Pareci nos ignorar e até mesmo as crianças habitualmente curiosas fugiam ao nosso olhar. Eram tristes, mudos, estoicos. Suas faces escuras de expressão pesada. Seus olhinhos mongóis, ariscos e astutos davam-lhes a aparência de lobos. Retiramo-nos e eu notei que, enquanto foi possível, Prisco esteve a olhar para trás, as escuras sobrancelhas reunidas com preocupação. Para quem tá chegando agora, nós estamos fazendo a leitura do livro A Esquina de Pedra. Nós já estamos no capítulo 9, passamos na metade do capítulo na verdade estamos indo para o final do capítulo e hoje, excepcionalmente, eu não tô compartilhando o texto na tela. Porque eu fiquei sem o meu kind aqui no no notebook, eu não tô conseguindo compartilhar. Então, continuamos aqui na história, né? O Prisco já ficou meio ressambiado com aquela turma ali, um soldado, né? O que fizera? O que pensarem pensar em todos aqueles dias? Fiquei a pensar em como me era desconhecida a sua maneira de viver. Ignorava seus hábitos, suas relações. Mesmo daquele nícalo, nunca ouvira, nunca me falara. Contara-me de seu passado, não de seu presente. Agora via-o pelas costas e ao sol da manhã sua figura tinha a beleza de um deus fugido dos Olimpos. Sua cabeça era bem proporcionada e sua nuca bem feita. Ele caminhava, olhando rigidamente para a frente, mas se eu apertasse o passo, podia ver-lhe as sobrancelhas. E foi assim, não sei por, que me apercebi que ele carregava um fardo. Não oo de um nome, de uma condição social, de um passado incômodo que o vigiava no presente. Não estes fardos, mas uma espécie de cruz. Ele sofria e nunca me falara a respeito. Agora eu não tinha sombras de dúvida. Mesmo aqueles dias de ventura em que rompíamos com a realidade, nos refugiávamos na embriaguez de um sonho, eram fáceis de
le sofria e nunca me falara a respeito. Agora eu não tinha sombras de dúvida. Mesmo aqueles dias de ventura em que rompíamos com a realidade, nos refugiávamos na embriaguez de um sonho, eram fáceis de ser compreendidos. Eu nunca me perguntara, por exemplo, por que motivo ele fora parar nas ruínas. Uma nostalgia o levara para longe da cidade, para as steps, a necessidade de se isolar. Mamãe ofereceu-lhes o ientaculum. Acho que é assim que fala, hein, gente. Leite fresco, pão, queijo, frutos, o melhor que tínhamos. Quando chegamos de volta e eles entraram. Eu nunca imaginara Prisco em nossa casa e nem sei porque ele se modificou ali. Passeava os olhos pela estranha moradia, pelos cômodos rupestres que a habilidade de vovô e papai tinham fechado e transformar e transformado em seguros alojamentos. Posso imaginar que nossa pobreza honesta e limpa inspirava-lhe confiança. Cirilo explicou-lhe que ao longo da step todos moravam em casas construídas assim. Os penedos e as grutas que se aproveitavam tinham cores vivas e diferentes. O conjunto, depois que as paredes suplementares eram levantadas, nunca era de todo feio. Ele foi polido e simpático. Eu percebia que mamãe oferecia-lhes a hospitalidade cristã, mas que seu coração se inquietava. E de quando em vez ela olhava para vovô que cabis baixo encolhido fora se refugiar a um canto. Eles têm medo dos romanos, né? E não não falta motivo para isso. Medo das perseguições que já aconteceram. Lembrando a todos que o pai da gala foi morto exatamente por ser cristão, né? e que o avô ficou mudo porque teve a língua cortada por um soldado romano. Então, eh, não falta motivo ali para eles ficarem apreensivos, tendo dois soldados romanos. Tudo bem, dois mocinhos, né? Mas mesmo assim, dois soldados romanos em casa. Mamãe, todavia, não ser intensamente vulnerável à beleza e a misteriosa formosura de Prisco, o seu rosto varonil e tristonho, o fervor apaixonado de seus olhos noturnos, seu fugido sorriso, não lhe passavam desapercebidos.
r intensamente vulnerável à beleza e a misteriosa formosura de Prisco, o seu rosto varonil e tristonho, o fervor apaixonado de seus olhos noturnos, seu fugido sorriso, não lhe passavam desapercebidos. Ele tinha ainda a seu favor em face das mulheres, aquele inexplicável ar de menino que nos fazia sentir mães. Senti um dolorido desejo de vê-lo todos os dias de minha vida inteira, mas sem poder harmonizá-lo ali. E a visão de vovô foragida em seu canto, fez-me os olhos úmidos. Como é que ela ia casar e viver com Romano se o avô dela ficava eh apavorado só de só da presença dele ali, né? Entrei para os fundos e desci ao redil. Os animais me esperavam impacientemente. Eu já estava atrasada. Soltei o rebanho e tentei distrair-me, mas a emoção não se fora. Eu dava as costas à casa e deixava que as lágrimas escorressem. Aquele desejo intenso de vê-lo, de amá-lo com todos os sentidos, de vê-lo envelhecer, de assistir a chegada de seus cabelos brancos, brutalizava o meu propósito de renúncia. Desciam as escadas e preparavam-se para partir. "Rogo-vos permissão para voltar", ele disse à mamãe. Ah, e aí? E agora? Ela sentiu com a cabeça, meu Deus. E eu, mesmo de longe, pressenti uma dor em seu olhar. Ela poderia dizer-lhe: "Sim, volta. Vós e os vossos sempre voltais e a cada vez perdemos alguma coisa de nós mesmos." Tinha voltado quando meu marido foi levado e morto, quando meu pai teve a língua arrancada. Ela podia ter dito tudo isso. Oi, Ducineia. Boa noite, querida. Bem-vinda. Vocês imaginam que ela ainda disse, foi educada e disse para eles, né? Pode voltar, Prisco, pode voltar. Ai, meu Deus. Ele montou e deu a volta à casa passando por mim. Parecia avaliar o grau de resistência das paredes, a proteção que ofereciam as saídas. Percebi que argumentava com Cirilo e João sobre a perigosa proximidade com a tribo de Nômades. E esse cuidado foi um consolo e um reconforto para mim. Vale, assinou, acenou-me de longe e partiu. Que vocês estão achando? Que vocês acham que vai acontecer agora?
roximidade com a tribo de Nômades. E esse cuidado foi um consolo e um reconforto para mim. Vale, assinou, acenou-me de longe e partiu. Que vocês estão achando? Que vocês acham que vai acontecer agora? Não vale quem já leu o resto do capítulo, hein? Não v, não pode comentar. Não vem dando spoiler na gente não. Mas vocês acham o quê? Vocês acham que ele vai voltar? Que ele vai visitar a Gala Prisco vai começar a frequentar a casa da Gala? Vocês acham que é possível isso? Nossa! Nas conversas familiares, uma série de referências vagas foram feitas relativamente aos dois moços. E eu pensei de mim para comigo que já era tempo de tentar de novo esquecer. Nícalo, entretanto, voltou a aparecer. O fato de ser um romano e um soldado da 19ª legião eram razões de sobejo para que nos causasse suspeita e desagrado a Maria das Graças. Pensamentos e sonhos criam jardins de flores lindas de várias cores, mas não vemos os espinhos. É verdade, é verdade. Bem, você tem toda a razão. A gente vai, vai vendo, vai só olhando as flores, né, e não quer enxergar que ali tem espinho, nem que ali é um lugar perigoso, que pode ter algum bicho, né, alguma coisa que possa nos ferir. A gente não quer ver, né? A gente só quer ver as flores. Tem toda a razão. Ele mesmo, todavia, veio a encontro dos íntimos pensamentos de vovô e mamãe, expondo-lhe sua convicção cristã. Isso e a estima que Filotemo parecia oferecer-lhe bastaram para sua admissão. Pensando bem, ouvi mamãe dizer: "O fato de ser um romano não pesa no mês de distri, quando Dioclesiano mandou arrasar as igrejas, lançar ao fogo o evangelho e destruir de suas funções, privar da liberdade os seguidores de Cristo, muitos romanos permaneceram fiéis". O preceptor de Nícalo foram um discípulo de Plotino. Nícalo se afinizava com o neoplatonismo, que como doutrina filosófica dizia dizia podia ser considerada uma irmã maior do cristianismo, imbuída, que estava de quase o mesmo espírito. Época houvera em que seu espírito se alegrara com aquele estudo. Não muito
a filosófica dizia dizia podia ser considerada uma irmã maior do cristianismo, imbuída, que estava de quase o mesmo espírito. Época houvera em que seu espírito se alegrara com aquele estudo. Não muito tempo se passara e qualquer coisa ocorrera, definida-se pelo cristianismo que dizia possuía mais luz. Mas Nícalo viera ao encontro de íntimos desejos de Filoteno. "A filosofia grega deve nos interessar", ele ponderava. Sobretudo agora. Ela se enraíza sutilmente no ensino de Jesus. Paulo comanda o momento. É preciso conhecer de tudo para conhecer o melhor, para escolher o melhor. Olha só se isso não tem tudo a ver com o ensinamento do Kardec, né? Kardec um um livreto, como ele ele mesmo chamava, um livreto. Tem um livreto eh eh orientando como montar uma biblioteca. E na montagem dessa biblioteca, uma parte dela é composta de livros que não são espíritas, muito pelo contrário, eles fazem oposição ao ao espiritismo. E Kardec disse que era preciso conhecer ao aqueles que duvidavam e que condenavam o espiritismo, exatamente para saber aonde é que a nossa fé tinha que melhor ser trabalhada. Então, eh, para você conhecer o cristianismo e conhecer o espiritismo verdadeiramente, você precisa também conhecer o materialismo e as doutrinas, filosofias e tradições que que são contra o espiritismo, para que a gente possa saber o em que ponto que eles não acreditam e como que a gente entende aquele ponto. que é dúvida para eles, né? É muito interessante isso. E é exatamente o que o Filotemo tá falando aqui, um dos ensinamentos do Kardec, né? Assim, aos escritos apostólicos vieram juntar-se às eneadas, contendo os escritos de Plótino, reunidos porfírio, chamado como seu discípulo mais eminente. Em menina, muitas vezes eu vira os filósofos ambulantes pregando nas praças públicas. Suas doutrinas, quase sempre eram inacessíveis ao homem comum. Papai gostava de ouvir os sofistas, os austeros mestres estóicos que ocasionalmente surgiam em Sebastes. Aqueles homens, papai nos explicava, ofereciam além de seus ensinamentos, o
eis ao homem comum. Papai gostava de ouvir os sofistas, os austeros mestres estóicos que ocasionalmente surgiam em Sebastes. Aqueles homens, papai nos explicava, ofereciam além de seus ensinamentos, o exemplo da probidade de suas vidas. Eram, pois, dignos de respeito e acatamento. Não me lembro de que, em alguma circunstância tenham sido perseguidos como os cristãos o foram. Recordo-me de que ao depararmos com eles, papai nos contava que ainda na fase fase inicial das pregações em praça pública, os apóstolos se aproveitavam daquela forma de ensino. tribe de atrib, palavra que não tinha o sentido que mais tarde lhe atribuíam, mas que tão somente significava os ensinos morais ou filosóficos morais, breves e variados, por vezes com exposições antagônicas de pareceres, eram quase sempre em forma dialogada e visavam divulgar entre as pessoas menos cultas as elocubrações, quer dizer, os pensamentos e os entendimentos. Eu tô achando que vocês já estão tudo dormindo aí, hein? Eu tô com essa com essa impressão porque hoje eu não tô nem compartilhando o texto, então tô achando que tá todo mundo aí dormindo, porque só Maria das Graças que comentou aqui a hora que eu perguntei. Então, dormiu todo mundo, como diz Jorge Larrar, não tem ninguém mais acordado. Ah, única que tem que tem licença hoje para dormir é a Shirley. A Shirley tá em outro fuso horário. Ah, Terezinha tá acordada. Terezinha, ainda bem. Ainda bem. Pelo menos a Terezinha tá acordada. E a Lília, a Lília tá operando aqui, ó. Tá nos bastidores operando aqui o programa. Ela tá acordada também. Lá, Olga acordada. Opa, eu estou acordadinha, Maria das Graças. A bom, né? Ah, bom. Eu já tava achando aqui que só a Lilian que tava me ouvindo. Ai, ai. Estou aqui ouvindo atentamente. Muito bem, xarazinha. Eh, aqui elocobrações é é no sentido de filosofar, né, de pensar, de refletir sobre alguma coisa. Algumas vezes eu vira um ou outro membro da irmandade das pessoas pálidas, como eram chamados pelo povo os seguidores de Plótino. Viviam em
de filosofar, né, de pensar, de refletir sobre alguma coisa. Algumas vezes eu vira um ou outro membro da irmandade das pessoas pálidas, como eram chamados pelo povo os seguidores de Plótino. Viviam em paz, pureza e acetismo num curioso contraste com as diversões ruidosas e o esplendor magnífico. A maldade da sociedade da época. Ah, é, mas a história é fascinante. É, sim. Bem, é fascinante. Caiu aqui a live e fiquei procurando a história embriaga. Melhor não perder o fio da meada. É verdade, tem razão. Ele o o texto é é fantástico, né? O texto também, além da história ser maravilhosa, o texto é muito bom. H, sorrindo maliciosamente, papai nos dizia que aí estava o traço de semelhança que tinham com os cristãos. A semelhança estava em nossas peles, sempre tostadas pelo sol. Nícalo tratava com prazer o assunto que conhecia tão de perto. Plotino dizia-nos: "Foi o que podemos chamar um grande espírito, sábio e tranquilo, ensinava sem pretensões retóricas. Fez das ideias de Platão uma mística estática, o que constituiu um traço fundamental em desacordo com a doutrina de Jesus, de uma maravilhosa dinâmica social". Ouvindo-o, eu pensava que num tempo como aquele em que no seio do cristianismo se esboçava a visão do mundo como um vale de lágrimas, Plotino nos trazia o conceito helênico do cosmo como característica a obra da glória divina. E aquela visão era nossa, pois que a nossa juventude, transbordando de fervor, repugnava a tristeza, a solidão, o cheiro de morte que ia pesar sobre o pensamento de Jesus. Comentava-se que a vida cética já era aceita e vista como prova de espiritualização. É você viver longe de todo mundo, né? Viver isolado nos mosteiros que estavam começando a aparecer. Eles não existiam nessa época e ou melhor, eles começam a existir nessa época que Gala tá se referindo 300 anos depois da crucificação, portanto, né? Ah, Rê tá aí também. Muito bem. Maria Rejane está aí. Oi, Estela, tá caindo tempestade. Puxa vida, hein? Puxa vida. Aqui parou de chover, graças a Deus.
300 anos depois da crucificação, portanto, né? Ah, Rê tá aí também. Muito bem. Maria Rejane está aí. Oi, Estela, tá caindo tempestade. Puxa vida, hein? Puxa vida. Aqui parou de chover, graças a Deus. Bom, então eles começavam a aparecer esses mosteiros, né, que vão ser chamados de mosteiros. Líderes de respeitadas igrejas como Alexandre de Alexandria, fundavam casas de isolamento e alguns entre nós dizia com desolação: "Não está certo, é incompatível". É incompatível. Então, olha só que como é que é o período que nós do livro, né? aqui ele tá a é um uma história sobre a gala, né, obviamente sobre a família dela, os amigos, essas relações e como elas se davam, a dificuldade que era se relacionar com pessoas que não eram do mesmo grupo, porque eles eram cristãos e aí você tinha que se relacionar com os romanos, que já era uma dificuldade. a gente tá acompanhando tudo isso, mas olha que interessante é que a gente tá podendo, a gente pode também nesse livro acompanhar como aconteceu a mudança. É a mudança a mudança de cristianismo primitivo, que era o que eles viviam até este momento para o catolicismo, que é onde eles vão chegar. Então, começa com a primeira discussão ali, ele já começa a ter muitos, muita hierarquia, né? Já tem muita gente no topo da cadeia alimentar e aquilo vem num descendo que já não era muito interessante, mas enfim, né? as a eclésias ou igrejas, né, que vão ser chamadas de igrejas depois, as eclésias eram independentes. E aí Alexandre de Alexandria e outros líderes daquele tempo começam a dizer que não dá para ser assim, que não é possível que não fale de um jeito. Então, precisa ser implantada uma homogeneidade. Só que nessa homogeneidade você tira a liberdade das pessoas. Então você já tem o a base do cristianismo que já estava nos pergaminhos que existiam nessas nessas eclésias, nessas igrejas todas. E aí era seguir o que tava no pergaminho, que não tinha muita coisa a ser feita. Só que para você implementar coisas novas, você precisa ter uma hierarquia vertical. Eu
eclésias, nessas igrejas todas. E aí era seguir o que tava no pergaminho, que não tinha muita coisa a ser feita. Só que para você implementar coisas novas, você precisa ter uma hierarquia vertical. Eu preciso dizer, eu digo o que tem que fazer e você vai me obedecer. Porque se cada eclésia puder fazer o que quer, não ter que obedecer um um um mando, uma ordem centralizada, eles não vão aceitar o que essa ordem centralizada tá determinando. E o que eles já queriam fazer? Eles queriam aproximar o cristianismo de tal forma do paganismo, que era a religião dos romanos, a ponto de não haver mais perseguição. E Constantino tinha interesse nessa aproximação dos cristãos, porque os cristãos estavam aumentando de número assim de forma muito rápida e muito grande. Então era melhor se unir a eles do que tentar acabar com eles, porque tava há 300, 400 anos eles estavam tentando acabar com os cristãos e não conseguiu. Era o contrário, né? Só aumentava. Então essa mudança foi uma mudança política e não religiosa. A gente faz política o tempo todo, né? Inclusive dentro da religião. Maria das Graças aqui, ó, deve ter sido ruim porque renegava-se de uma certa forma Jesus, pois tinha que ter muito cuidado nas palavras. É verdade, é verdade. Eles tinham um comport Eles, por isso que eles acabavam se eh se fechando, né, em grupos, porque se eles fossem conversar muito com outras pessoas, olha, vou falar de do que aconteceu ontem aqui em casa, né? Veio uma pessoa que me aqui em casa e nós começamos a conversar e aí ela perguntou deuns equipamentos que eu tenho. Aí eu falei: "Eu faço live, faz live sobre o quê?" E eu olhando para ela e pensando: "Isso aqui não sei se vai dar certo". Porque quando você fala para as pessoas que você é espírita, tem muita gente que acha bacana, mas tem muita gente que não gosta, né? Que acha complicado conviver com alguém espírita. entrar na casa de um espírita. Tem gente que tem medo, não é nem ai não, acho que eles são errados. Muita gente tem mesmo é medo, né? E aí
gosta, né? Que acha complicado conviver com alguém espírita. entrar na casa de um espírita. Tem gente que tem medo, não é nem ai não, acho que eles são errados. Muita gente tem mesmo é medo, né? E aí eu falei: "Olha, eu faço live religiosa, né? Eu sou espírita". Aí ela olhou, olha, foi a melhor coisa que eu fiz. Eu toda apreensiva, achando que ela ia, que ela não ia reagir bem. Ela falou: "Ah, você manda para mim então que eu quero ouvir porque meu filho morreu tem seis meses." Ai ai, né? É isso. Ainda bem que eu falei, mas nem sempre é uma boa, né? Tem gente que olha torto. Mas vamos lá. Mas, né? Não era fácil. A vida ali. Não era fácil não, viu, Maria das Graças? em várias de várias formas diferentes. Bom, continuando aqui, perguntava-me sobre o futuro dos Evangelhos. Se Pedro, Mateus, Paulo ou Felipe, se se tivessem enclausurado entre quatro paredes ou se tivessem dedicado sistematicamente a espantar o sono. Mas a voz de Ncalo tirou-me desses íntimos pensamentos, não é verdade? Então, que teria sido, né? de tudo do cristianismo. Se Paulo tivesse resolvido, ao invés de andar pelo mundo divulgando a palavra de Jesus, se ele tivesse achado que era melhor ficar enclausurado, jejuando e não dormindo, né? Aí Ncalo e é Nícalo agora que vai falar: "Nenhuma de minhas ovelhas se perderá". Ele citava Jesus, nem no universo, nem na vida humana. Nunca existirá algo absolutamente perdido pelo mal. Ele repetia plotino. Olha só, né? Ele pegou o melhor dos dois mundos, o melhor do plátino e o melhor de Jesus. Que interessante, né? A própria matéria é uma emanação divina e a beleza do mundo é o resultado da ação combinada do espírito universal na matéria. Mas a matéria se corrompe e pode perverter o espírito humano. Porém, exatamente como alguém que se maculou no lodo pode se lavar e se tornar tão limpo ou mais limpo do que dantes, assim pode alijar da alma essa ganga impura. Como as escórias se separam do ouro impuro, recuperando a beleza e o brilho que lhe são próprios. Os seres humanos têm os
impo ou mais limpo do que dantes, assim pode alijar da alma essa ganga impura. Como as escórias se separam do ouro impuro, recuperando a beleza e o brilho que lhe são próprios. Os seres humanos têm os pés presos na lama, mas com a cabeça podem alcançar a unidade, a fonte da vida. Podem conhecer a Deus. Todo corpóreo é criado temporariamente e passa. Só é eterno o existente, a alma do universo. Mas por que Deus pôs a alma no corpo mortal? Porque essa mescla que possui, produz desejos, concupiscências e dores para se processar o desenvolvimento das forças forças da alma, dizia Plotino. No estágio Plótino, desculpa, no estágio da vida terrena, a alma aprende a agir, progride, se desenvolve, purifica-se pelo sofrimento. Ícalo parecia ganhar uma diafaneidade interior ao abordar o pensamento evangélico. Sua voz, seu vocabulário se tornavam outros. E aqui nós vamos parar. Pronto. Vocês vem que interessante, né? Esse é um um romance em que a gente aprende várias coisas, né? E eu vou repetir porque tem algumas pessoas que não estão aqui desde o começo, mas é importante a gente saber. Ah, as histórias todas, os romances todos espíritas não necessariamente são historicamente corretos. Então, nem tudo que se conta nos nos romances espíritas eh tem um tem uma uma conteúdo histórico eh comprovado, registrado, sabe? Porém, no caso da do Esquina de Pedra, o Alace Leal foi buscar nos registros históricos, na documentação original ou no em pesquisas históricas sérias, cientificamente eh que foram realizadas de forma cientificamente correta. se isso que tava sendo colocado no livro era o certo ou não era o certo. Então, as informações históricas que existem neste livro são as históricas de verdade. Então, o período do Alexandre de Alexandria, essa introdução dos do dos lugares de afastamento, né, de recolhimento espiritual que Alexandre começa a construir. Essas coisas todas estão historicamente corretas. a existência desses povos, o encontro deles em determinadas regiões, isso tudo
mento, né, de recolhimento espiritual que Alexandre começa a construir. Essas coisas todas estão historicamente corretas. a existência desses povos, o encontro deles em determinadas regiões, isso tudo tá tá historicamente correto. O que não é historicamente comprovado e nem precisamos dessa comprovação é a história da gala, né, do Prisco e e e todo esse enredo aí que o o AL nos apresenta. Mas é interessante para nós que somos espíritas prestar atenção nesse pano de fundo da história da da gala pra gente ver quais são as semelhanças do cristianismo primitivo com o espiritismo e para que tenhamos cuidado em não deixar essas semelhanças desaparecerem para que a gente se eh se ilumine com este comportamento, com esses hábitos dos cristãos primitivos e traga pros dias de hoje pelo menos o que for possível para nós trazer na prática do nosso dia a dia, que essa esse compartilhamento do que se tem, essa compreensão, essa esse posicionamento tranquilo, sem exaltação, respeitoso, sem eh agressão, sem ofensa, não é? Você veja que nenhum momento eles ficam apontando o dedo e não dizendo: "Que absurdo, vamos acabar com isso, não tem exaltação, é tudo feito com tranquilidade, com calma, ponderadamente, dando tempo para que as coisas aconteçam. Então ele é muito muito interessante eh nesse aspecto também, né? Além de ser um texto lindo, de ser uma história bonita, ele nos traz vários ensinamentos importantes e várias oportunidades de reflexão importantes também, muito interessantes. Mas por hoje a gente fica aqui. Eu espero que vocês tenham uma ótima semana e domingo que vem estaremos juntos novamente pra gente poder continuar a nossa leitura. E eu espero que aí compartilhando o texto com vocês para ficar mais fácil, tá bom? Ah, não. Por isso desta história que nos comoove. Tenho todos uma semana de luz para nós todos, para você também, Eurídice. Beijos. Boa live para nós todos. Um beijo grande para vocês. Fiquem com Deus e até a semana que vem. Até domingo que vem.
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