#78 • Jesus e Saúde Mental • Estoicismo e Cristianismo (parte 8)
Websérie | Jesus e Saúde Mental » Episódio 78: Estoicismo e Cristianismo (parte 8) » Apresentação: Leonardo Machado
Muito bem, vamos continuar falando sobre estoicismo e cristianismo neste programa, o oitavo programa sobre essa temática e nós vamos querer nos debruçar no manual de Epicteto na parte em que ele fala sobre o que é que é necessário, o que é supérflo, qual é a nossa relação com o prazer e como isso está vinculado à nossa felicidade. Então, necessário, supérflo, prazer, ser feliz. Como é que a gente pode pensar essas temáticas do ponto de vista espírita, do ponto de vista do cristianismo, do ponto de vista do estoicismo? Pois bem, nós temos nos debruçado neste livro, o manual de Epicteto, A arte de Viver melhor. Nós temos aberto a edição desta editora e queremos hoje abrir o ponto 39. A partir do ponto 39, ele vai dizer o seguinte: o corpo de cada pessoa, o corpo de cada um constitui a medida para o que ele deve possuir, tal como o pé é a medida para o calçado. Quem investe, quem calça 39 precisa de um sapato tamanho 39. Quem calça 40, um sapato também 40. Com efeito, então dizeto, uma vez que se tenha excedido a medida, não há mais limite. Ele quer nos eh chamar a atenção que muitas vezes quando a gente excede a medida e essa medida já está posta no nosso corpo, já está posta, portanto, na própria natureza, a gente começa a se perder no suérflo, porque a gente vai não tendo mais o limite das coisas, o limite do que nos satisfaz. Vamos perdendo o parâmetro. É mais ou menos o paradigma que acontece em pessoas que têm algum tipo de dependência comportamental, por exemplo, uma dependência a eletrônicos, uma dependência à internet, que tem sido cada vez mais preocupante em jovens especialmente, mas também em idosos, como nós usamos a internet, como nós usamos os eletrônicos, mas a dependência química também, porque tudo isso aciona o nosso centro do prazer. o circuito do prazer que vai de uma região chamada área ventral até uma outra região chamada nucleacumbes e vai para o córtex pré-frontal. Então, às vezes, esse centro do prazer, esse circuito do prazer, ele tá totalmente,
ue vai de uma região chamada área ventral até uma outra região chamada nucleacumbes e vai para o córtex pré-frontal. Então, às vezes, esse centro do prazer, esse circuito do prazer, ele tá totalmente, entre aspas, bagunçado, porque o referencial do que gerava prazer, ele acaba sendo modificado. Então, é interessante que Epicteto, ele não tá fazendo referência a essa questão neurocientífica, mas esse princípio filosófico de exceder a medida e nessa esse exceder a medida eh não haver mais limite, a gente tem isso no paradigma das dependências, né? A gente tem uma medida que o nosso corpo precisa para ter motivação. Todo o nosso corpo precisa de prazer, porque o prazer tá vinculado à motivação. Então nós precisamos disso para poder nos motivar a um comportamento. No entanto, se a gente vai excedendo muito à medida de como lidamos com esse prazer, a gente vai perdendo o limite, a gente vai literalmente bagunçando o nosso sistema de recompensa, o nosso sistema motivacional. E aí fica complicado porque para ter motivação como antes, a gente precisa de estímulo maior. Por quê? Porque a medida foi perdida. Então cada vez mais estímulo vai tendo o que na dependência química, nas dependências comportamentais como um todo, a gente fala de tolerância. É preciso agora um uma quantidade maior, ou seja, uma medida maior para poder fazer com que o prazer e a motivação retornem, porque o meu nosso corpo já está habituado, ele já está tolerante, ele já está resistente àquele estímulo inicial. Então o epicteto vai continuar. Aí eu volto, era o ponto 39, agora a gente volta pro ponto 34. que ele vai dizer assim: "Olha, quando aprenderes pela inteligência uma ideia de algum prazer, guarda-te, como no caso de outras ideias, para não seres levado por ela." Ou seja, quando vem na tua cabeça, quando a tua cabeça captar algum desejo, alguma ideia vinculada a um desejo de sempre prazer, olha para essa ideia e guarda na tua cabeça, assim como você deve guardar com outras ideias, para que você possa analisar essas ideias para
desejo, alguma ideia vinculada a um desejo de sempre prazer, olha para essa ideia e guarda na tua cabeça, assim como você deve guardar com outras ideias, para que você possa analisar essas ideias para não ser capturado por elas, não ficar preso delas. Então, diz Epiquiteto, aguarda um tempo em relação à coisa. Ou seja, não vai logo paraa ação que a ideia te apresenta, não concretiza ação rapidamente, a ação que a ideia tá te apresentando. Permite-se alguma demora. Por quê? Na sequência, ao longo dessa demora, você não agindo logo como o a ideia mandou, você vai poder pensar por um período de tempo, eh, o momento em que você gozará o prazer e o momento posterior, uma vez que eu gozo, a vez que o prazer acabar. Essa é uma reflexão interessante, tá bom? Eu vou me sentir bem. Afinal de contas, é um prazer. Afinal de contas, vai mexer com o meu circuito de recompensa. Quando a pessoa usa algum alcoólico, quando a pessoa usa alguma substância química, o mais provável é que ela sinta um prazer. Ao sentir um prazer, não vai ser algo ruim naquele momento. O problema são as consequências. Depois, depois que acabar o prazer, como é que o como é que nós vamos ficar depois de termos passado muito muita especialmente isso, muitas vezes do nosso da nossa medida, como é que a gente vai ficar em termos de referencial? Então, lidar com o prazer traz e pcteto. Eh, é uma, é um convite para saber como refletir ao lidar com ele. E uma reflexão que o estoicismo convida a partir desse convite de pitetor é pensar no depois. Como é que você vai ficar depois do prazer? Então, quando vim a ideia relacionada ao prazer, não rejeita logo de cara. Ele não tá dizendo isso para você ter medo. Ao mesmo tempo, não acata logo de cara. Bota ela, digamos assim, em standby, analisa. E a principal análise que ele propõe é como é que você vai ficar depois de efetuar esse prazer quando ele for embora. Vamos então fechar o manual do epicteto e vamos abrir o evangelho nas epístolas de Paulo. Paulo aos Gálatas, no capítulo 5, versículo 13,
vai ficar depois de efetuar esse prazer quando ele for embora. Vamos então fechar o manual do epicteto e vamos abrir o evangelho nas epístolas de Paulo. Paulo aos Gálatas, no capítulo 5, versículo 13, ele fala muito interessante uma recomendação. Irmãos, vocês foram chamados para a liberdade. Agora, não usem essa liberdade para dar vazão, ocasião à vontade da carne. Ao contrário, sirvam uns aos outros mediante o amor. A vontade da carne seria essa vontade do prazer, seria essa ideia vinculada ao prazer. A gente não deve dar eh usar a nossa liberdade de escolha para ficar preso a essa vontade da carne. Por quê? Porque a vontade que deve predominar na visão paulina é a vontade do espírito, essa vontade que transcende. Por isso que ele vai dizer aos Coríntios de uma frase que é lapidar sobre esse temático, que é sobre a nossa relação com o prazer, a nossa relação com uma liberdade de prazer. Todas as coisas me são lícitas. Eu posso tudo, mas nem todas as coisas me convém. Todas as coisas me são lícitas. reafirma ele, mas eu não posso me deixar, eu não me deixarei dominar por coisa nenhuma. Eu não deixarei que a vontade da carne, a vontade de sentir o prazer apenas domineu dia a dia. Eu preciso direcionar também minha vontade para a vontade do espírito. E quando eu penso na vontade do espírito, na vontade espiritual, necessariamente eu estou pensando em alguma coisa futura. Então, a grande questão no primeiro momento não é negar, é saber o que de consequência vai trazer aquele ato, aquela atitude e lidar com essas consequências, aquela experiência. O que é que isso vai trazer? Obviamente depois de passar da experiência, a ideia é não ficar preso, não ficar preso pela culpa que te vincula mais uma vez a experiência. Então, finda a experiência. Vamos pensar, a gente tá falando antes de fazer, mas vamos pensar depois. Vamos imaginar que a pessoa decide, né, ou não decide. Ela foi levada pelos acontecimentos, levada pela turma, levada pela onda. enfim, e fez alguma coisa da qual ela se sente arrependida.
sar depois. Vamos imaginar que a pessoa decide, né, ou não decide. Ela foi levada pelos acontecimentos, levada pela turma, levada pela onda. enfim, e fez alguma coisa da qual ela se sente arrependida. Mas se ela fica muito presa, de certa forma ela está sendo dominada pelas coisas da carne, ou seja, ela está sendo dominada pelo passado. Então, a ideia dessas reflexões é pensando em uma tomada futura de uma tomada de decisão para o futuro. Mas pensando numa tomada de decisão para o passado, a nossa tomada de decisão deve ser vinculada à libertação, a liberdade, porque nós fomos chamados para a liberdade. E aí a gente tentando se desvincular do nosso passado de culpa, a gente vai direcionando a nossa liberdade para fazer algo diferente. Porque o que que acontece quando a gente fica aprisionado também ao passado? Muitas pessoas não conseguem mudar porque estão tão aprisionadas ao passado que acham que são perturbadas e não merecem nenhum tipo de de chance ou não tem condições de nenhum tipo de mudança. E já que não tem nenhum tipo de condição de mudança, aí é que no popular você diz: "Enfiam o pé na jaca mesmo, porque eu não tenho como sair, eu não tenho como mudar, então vou me lambuzar". Então eu estou sem querer me deixando aprisionado. Então esse aprisionamento não é a a a anterior, antes, é também depois de como nós lidamos, né, com as atitudes que tivemos, com o nosso passado. Porque a grande ideia é não ficar escravizado por coisa alguma, inclusive não ficar escravizado pela culpa, porque essa escravização pela culpa vai ser indiretamente uma escravização as coisas, a vontade da carne e a grande vontade espiritual é do amor, como diz eh Paulo de Tarso aos Gálatas. E o amor nos liberta. O amor nos convita, nos convida a uma mudança. Fechemos o Evangelho e abramos Leonir em O problema do ser, do destino e da dor. A gente vai pensar duas partes aí de Leon Deni. Primeiro, eu reafirmar, a gente já falou em outro programa, mas a gente encontra Leo Deni e citando algumas vezes o
roblema do ser, do destino e da dor. A gente vai pensar duas partes aí de Leon Deni. Primeiro, eu reafirmar, a gente já falou em outro programa, mas a gente encontra Leo Deni e citando algumas vezes o próprio apicteto, né? Porque esse manual que foi escrito por discípulos de Epicteto já existe há muito tempo. Então, é provável que outros pensadores, como o próprio Leon Deni, eh, teve contato, outros pensadores tiveram contato. Veja o que que Leo Deni escreveu. Epiceto dizia Epicteto que gostamos de citar, ou seja, Leon deixa transparecer aí pelo menos nessa parte três, no capítulo 26, eu tô pegando duas partes desse capítulo, eh, em que ele expressamente fala sobre epicteto, né, como gostamos de citar. Então, provavelmente ele teve contato com esse manual e esse é um dos motivos pelo qual a gente tá abrindo esse manual para poder se debruçar eh e tentar ver o que há de interessante, o que há de bom. E aí o Leon Denis nesse capítulo, né, nessa parte ele vai falar um pouco sobre essas questões que eu tô trazendo, mas eu acho interessantíssimo aí a gente poder eh pensar essa frase que Leo Denê escreve, né? Essa essa proposta, a dor e o prazer são as duas formas extremas de sensação. Para suprimir um ou outro, seria preciso suprimir a sensibilidade. São pois, insempáveis em princípio e ambos são necessários à educação do ser, que em sua evolução deve experimentar todas as formas ilimitadas, tanto do prazer como da dor. Veja que coisa interessante. Ele traz uma visão corretíssima, uma visão histórica, uma visão atual com a neurociência, nos mostrando que prazer e dor, prazer e desprazer, digamos assim, são relacionados à nossa capacidade de sentir, relacionados à nossa sensibilidade. Então, a nossa capacidade de ter sentir as emoções, a nossa capacidade de ter uma sensibilidade nos possibilita ter uma sensibilidade ligada ao desprazer. A gente chama isso inclusive na neurociência de emoções negativas porque dão desprazer, estão vinculados a um dor emocional e emoções que estão relacionadas ao prazer, né?
ilidade ligada ao desprazer. A gente chama isso inclusive na neurociência de emoções negativas porque dão desprazer, estão vinculados a um dor emocional e emoções que estão relacionadas ao prazer, né? que são emoções que a gente chama de positivas porque trazem um conforto emocional, são boas de sentir. Então, se a gente às vezes quer suprimir, e aí o problema da chamada felicidade tóxica é esse, a pessoa quer suprimir a dor e ao tentar suprimir a dor, ela não vai sentir alegria porque não vai sentir prazer. Então, ao tentar suprimir a tristeza, uma emoção negativa de dor, né, desprazerosa, ela não vai sentir alegria, uma emoção positiva prazerosa. Então, não dá para suprimir, porque quando a gente suprime, a gente fica achatado demais, fica anestesiado. E a anestesia é justamente isso, a a diminuição da sensibilidade, a diminuição do tôus de sensibilidade que a gente tem. Essa é a proposta, portanto, de leeni, que vem totalmente eh em consonância com o que a gente tá dizendo no estoicismo, com o que eu tô dizendo nas neurociências, eh porque são dois princípios inseparáveis, tá? Não dá para você fazer uma educação para a felicidade, senão a gente também não pensar em uma educação para as emoções mais difíceis. Então, uma coisa é relacionada à outra. O otimismo realista, ele leva em consideração os aspectos, digamos, positivos, mas também os aspectos negativos. E para a nossa evolução espiritual amplia Leonê, a gente precisa experimentar todas as formas ilimitadas, tanto do prazer como da dor. Então, veja que coisa curiosa, não é? Que a gente vai pegar essa frase e vai ficar com desculpiso, né? Ah, eu vou ficar com essa experiência aqui de dependência em relação a algum tipo de prazer destrutivo, porque a dependência é destrutiva. A dependência como característica traz a disfuncionalidade. E essa disfuncionalidade tem a ver com eh impactos funcionais negativos para minha vida ou para as pessoas ao meu redor e eu não consigo mudar. Então, eh, é uma experiência destrutiva. Então, não
ade. E essa disfuncionalidade tem a ver com eh impactos funcionais negativos para minha vida ou para as pessoas ao meu redor e eu não consigo mudar. Então, eh, é uma experiência destrutiva. Então, não é que a gente vai ficar dizendo assim: "Ah, eu tenho que ficar assim porque eu vou, vamos supor, eu tenho que ter tal dependência, porque tal dependência faz parte da experiência e faz parte, portanto, do aprendizado de evolução. Veja, pegar esse raciocínio para justificar perturbações, para justificar eh fixações num prazer que nos traz como uma água salobra, sede e mais sede, não é o caso. A questão é também ampliarmos a visão do que é prazer. Veja que Leudeni vai dizer as formas ilimitadas do prazer. que as formas ilimitadas do prazer a gente vai conseguindo encontrar também quando o nosso campo de percepção vai se ampliando, quando a gente vai entendendo o prazer de fazer o bem, o prazer de nos vincular a uma causa enobrecida, o prazer de nos vincular à espiritualidade maior, ou seja, outros tipos de prazer que vão expandindo o nosso circuito do prazer para outras motivações que são muito interessantes, porque não são eh não geram dependência, elas são mais tranquilas porque são mais maduras, são mais evoluídas. Da mesma forma, quando ele fala de experimentar a dor, ele nos está convidando para que a gente faça a experiência da Idade Média de se ficar eh mortificando, flagelando, martirizando, porque isso seria o quê? masoquismo e não experiência evolutiva. A ideia é que nenhuma dessas experiências sejam fixadas e nenhuma dessas experiências gerem apenas destruição, gerem uma construção a a a longo prazo. Então, não é um convite ao masoquismo, mas é um convite à aceitação da dor e o aprendizado de que a dor, né, é uma uma um auxiliar para que a gente possa aprender algo, para que a gente possa nem que seja ampliar a nossa esfera de emoções para não ficarmos achatados, insensíveis. às vezes é a dor que traz para nós um pouco de sensibilidade. Isso no sentido evolutivo, tá? É a dor. E aí a dor
em que seja ampliar a nossa esfera de emoções para não ficarmos achatados, insensíveis. às vezes é a dor que traz para nós um pouco de sensibilidade. Isso no sentido evolutivo, tá? É a dor. E aí a dor simbolizada por pelo quando pelo momento em que o nosso ser começa a sentir culpa. Então, culpa, diz lá Allan Kardec, e depois vem a expiação. Então, dor, dor, culpa, arrependimento, tudo junto. Quando o nosso ser começa a sentir isso, aí ele começa um passo eh diferente na evolução dele, saindo de um traço de psicopatia e entrando em outros processos de reabilitação moral. Então, a dor despertando o quê? Uma empatia. A dor despertando uma sensibilidade, que é uma forma de empatia. Então, é nessa perspectiva mais eh ontológica, mas da existência que Leão DN nos coloca. E acho muito bom, muito profundo, né, a gente poder abrir Leão DN. Aí vamos fechar esses referenciais e vamos voltar para os gregos. Pensando então na felicidade que precisa ter contato com a dor, pensando então que para despertar a nossa sensibilidade num campo maior, a gente precisa também experimentar formas mais profundas dessas duas experiências, a gente traz três grandes escolas que falaram sobre eh a felicidade. Perceba que a visão histórica da qual a gente tá colocando, ela não faz uma proibição do prazer. De certa forma, ela nos fala pra gente ser eh mais livres, ou seja, preservar a nossa autonomia. preservar nossa autonomia e tentar ser feliz com ou sem os prazeres, desde que esses prazeres não nos aprisionem para que depois da gente efetuar esse prazer em nós, nós não fiquemos piores do que antes de entrar nele. Essa é a grande proposta, não é? aqui a gente vá fugir do prazer ou vai buscar o prazer desmedido. A gente vai tentar encontrar um limite, um equilíbrio, o limite do corpo, porque quando a gente passa do limite, né, dessa medida, a gente vai perdendo o limite e vai perdendo, portanto, a liberdade. Ao perder o limite, a gente vai ficando escravizado. E a ideia histórica é que a gente possa
nte passa do limite, né, dessa medida, a gente vai perdendo o limite e vai perdendo, portanto, a liberdade. Ao perder o limite, a gente vai ficando escravizado. E a ideia histórica é que a gente possa ser livre na autonomia da nossa escolha. Para isso pode usar o prazer. Agora veja como é que você vai ficar depois. Pondere uma outra escola chamada cinismo, ela é muito bem representada, embora não seja uma escola formal, porque enquanto os históricos tinham sede, né, tinham todo um corpo doutrinário, os epicuristas também, os cínicos, eles não tinham uma escola formal, eles viviam aquilo que eles acreditavam, né? Todas essas escolas, elas são derivadas em última análise de Sócrates. Então, o que que eh acontece? O cilmo ele vai ser representado por, por exemplo, Diógenes. E conta-se que Diógenes ele uma vez estava com uma roupa muito gasta, né, muito simples, parecendo até um mendigo na rua, até que vislumbra uma pessoa que tava bebendo água no poço com a mão. E aí quando ele vê a pessoa bebendo água do poço com a mão, ele tem um insight e fala assim: "Descobri mais uma coisa que não é necessária". Aí pega a caneca que ele guardava e joga fora. Por quê? Porque a caneca não era mais necessária para ele. Ele havia descoberto que precia beber água com as mãos. E os, e isso simboliza bem a visão do cinismo. A, o visão do cinismo era basicamente de ter não só uma relação com o prazer, mas com as posses do ponto de vista do estritamente necessário para que a gente vivesse quase uma vida igual à natureza, uma vida mais natural. Então, os cínicos, eles acabavam achando que se você tem alguma posse, você fica com medo de perder, então fica sem liberdade, ao cont eh automaticamente fica eh angustiado, fica sem felicidade. Ao mesmo tempo, quando você não tem e deseja ter, você fica também autonomia, porque você fica preso na frustração, no desejo de querer ter. Então, o cinismo, contemplando essa vida natural propunha essa seguinte relação de forma resumida. O melhor é não ter ou
ambém autonomia, porque você fica preso na frustração, no desejo de querer ter. Então, o cinismo, contemplando essa vida natural propunha essa seguinte relação de forma resumida. O melhor é não ter ou ter o mínimo necessário e não desejar ter, porque tudo isso quando a gente tem muito, a gente fica preso e fica com medo da perda. E quando a gente deseja muito, a gente fica também frustrado por não conseguir. Já osistas, eles passaram para isso pela história de uma maneira curiosa, eh, como se fossem quase que hedonistas, tão quase que devaços. E é um grande erro histórico, porque os epicuristas eles falavam da nossa relação com o prazer, mas eles não falavam da nossa relação com o prazer de forma devassa, de que a gente deveria ter o prazer de uma forma eh dependente, de uma forma perturbada. Ao contrário, eles também como históico, como cínicos, eles primavam, né, e prezavam muito a questão da liberdade, da questão da autonomia. Só que cada um eh falava de uma forma diferente e especialmente em relação à felicidade baseada na relação que a gente tem com as coisas, na relação que a gente tem com as posses e consequentemente com o prazer que muitas vezes está relacionado. Então os pecoristas falavam que olha, quanto mais prazer a gente tiver, a gente vai eh se sentir mais feliz. Então eles estimulavam uma busca pelo prazer para se sentir feliz. Porém, essa é a grande a grande questão, eles estudaram os tipos de prazer para poder não ficar aprisionados, porque o a mais importante para todos era a liberdade, era a autonomia. Então, para isso, já que eles estimulavam a busca do prazer para ser feliz, vamos estudar quais são os prazeres, porque a gente vai se vincular à aqueles que nos dão, que não fazem a gente perder eh liberdade, que nos faz, não fazem a gente perder autonomia. Então, vejamos, todos eles, né, eles tinham a felicidade junto da autonomia, porque conforme esse slide nos mostra, o conceito era evdaimonia ou eudaimonia. Evdaimonia significa a verdadeira
utonomia. Então, vejamos, todos eles, né, eles tinham a felicidade junto da autonomia, porque conforme esse slide nos mostra, o conceito era evdaimonia ou eudaimonia. Evdaimonia significa a verdadeira felicidade, uma felicidade mais madura. E essa felicidade, ela tem sobretudo vinculação à autonomia, portanto, a liberdade, a capacidade do indivíduo eh escolher e se manter autônomo nessa escolha. Uma ataraxia, que seria o quê? uma tranquilidade da alma, uma sensação de quietude e uma apateia, que seria uma sensação, que já falei aqui em outros programas, de eh não ficar dominado pelas paixões, pelas emoções. Então, essa era a felicidade comum, inclusive ambicionada por todos essas escolas, né? ou quer seja escola ou não, como os cínicos, como os estoicistas, como os epicuristas, como os os céticos, que a gente vai falar no outro programa, o programa nove sobre eh eh o manual de picteto. Então, todos eles tinham essa visão meio que concordante sobre o que era a felicidade. Se eu não tenho autonomia, eu não vou conseguir terdaimonia. Se eu não estou tranquilo, eu também não vou ter evdaimonia. Então, se eu também não tenho uma apateia, ou seja, se eu não penso com a minha razão, eu também vou ficar dominado pelas emoções. Eu preciso de uma certa tranquilidade também dos pensamentos. Óbvio que a partir daí, como eu já falei em algumas situações, essa apateia nos deu ao longo da história, ao longo dos séculos, uma visão meio equivocada de que as emoções por si só seriam ruins. Mas aí e acho que a gente pode passar adiante, porque eu já falei isso algumas vezes, aqueles que me acompanham eh e que acompanham aqui o programa e outros programas que a gente já gravou para mansão. e a ideia de que tá bom, não dá para ficar livre da emoção, não é se o não é esse o desejo, mas a ideia que talvez a gente possa pegar aí deles é de que as emoções, as paixões, né, essa esse excesso de prazer, ele não nuble a nossa razão, ele não deixa a nossa razão obscurecida para que a gente possa pensar com mais eh liberdade, com
aí deles é de que as emoções, as paixões, né, essa esse excesso de prazer, ele não nuble a nossa razão, ele não deixa a nossa razão obscurecida para que a gente possa pensar com mais eh liberdade, com mais autonomia. Então, nesse sentido, já que os ehuristas recomendaram o prazer, eles também estudaram os tipos de prazer. Aí eu acho que vale a pena a gente escutar os epicuristas, né, tirando o preconceito histórico que eles eh foram vítimas, né, porque tiveram de certa forma coragem de lidar que era importante o prazer. Eh, se a gente olhar para pensar, olhar para examinar, de certa forma lembra um pouco do que Epicteg colocou no manual, né? Pense um pouco sobre essa inteligência ligada ao prazer. A diferença é que os epicuristas eles foram mais diretos, eles recomendavam, né, a a uma buscar um prazer, mas estudaram que tipo de prazer vai ser melhor eh recomendado, né? aquele que deve ser realmente buscado. Verifiquemos que o próprio Leão Deniz, de certa forma também fala que a gente precisa ter o prazer nas suas variadas formas de formas ilimitadas. Então, por isso eu achei melhor, achei por bem terminar o nosso encontro com esse slide, porque os epicuristas diziam o seguinte: "Os prazeres eles podem ser divididos em eh aqueles que são naturais e necessários. Por quê? porque seriam os mais importantes, pois se não forem satisfeitos, eles provocam dor. Então, existem prazeres que são naturais. Existem prazeres que não só não são naturais, não só estão na natureza, como são necessários. Natureza externa como nossa natureza humana, eles são necessários, pois se não forem satisfeitos, eles podem gerar dor, né? Do ponto de vista do corpo, eh, ele precisaria não sentir fome, nem sede e nem frio. Do ponto de vista da alma, mais uma vez aqui, a alma nos epicuristas não era uma alma transcendente, não, viu? Não era uma alma como a gente tem ideia agora. Era, a gente tem uma ideia de alma, né, no espiritismo. O próprio Platão também abre para essa ideia, uma ideia da alma além do corpo.
endente, não, viu? Não era uma alma como a gente tem ideia agora. Era, a gente tem uma ideia de alma, né, no espiritismo. O próprio Platão também abre para essa ideia, uma ideia da alma além do corpo. O Epicurista, não, o Epicurista era atomista, então era uma alma material, era, digamos assim, a essência da pessoa. Então, do ponto de vista dessa alma material, né, da da nossa nossa mais psicológica, da nossa essência e tal, ele precisaria de prazeres que levassem à serenidade. Então, quais são os prazeres que os epicuristas recomendam? Aqueles prazeres que são naturais e aqueles que são necessários, porque se eles não forem satisfeitos, eles vão provocar dor, tá? Quais são os prazeres necessários e naturais do ponto de vista do corpo? Olha, basicamente o comer, o beber, né, o se aquecer. Por quê? Porque essas coisas todas, então se eu tenho um agasalho, eu estou protegendo meu corpo do frio, então tô me dando um prazer, mas é um prazer necessário e natural. Se eu bebo sede, eu estou eu bebo água, eu estou protegendo o meu corpo da sede. Então também é um prazer necessário. Então são esses prazeres que eles aprofundam e que a gente vai ver que de fato todo mundo mobiliza. Nosso centro de recompensa, eles não sabiam disso, mas nosso centro de recompensa nos faz isso também, nos motiva para a manutenção do nosso corpo, para a manutenção da nossa vida, tá? E do ponto de vista da alma, da essência, a gente precisa pensar em prazeres que são naturais. e necessários, aqueles que nos levam à tranquilidade. Por quê? Porque eles estão vinculados a uma sensação de autonomia, a uma sensação de ataraxia, a uma sensação de apateia, ou seja, a felicidade. E aí a serenidade era o parâmetro emocional que os filósofos utilizavam. Se eu estou sereno, se eu estou tranquilo, provavelmente eu estou num caminho de liberdade, num caminho, digamos assim, muito construtivo. Já os desejos naturais e não necessários, que estão vinculados a esses prazeres, que são naturais, mas não são necessários, eles não seriam
de liberdade, num caminho, digamos assim, muito construtivo. Já os desejos naturais e não necessários, que estão vinculados a esses prazeres, que são naturais, mas não são necessários, eles não seriam totalmente desaconscelhados. Afinal de contas, eles são naturais, mas é importante se pensar como é que se ficaria no futuro. Então, há alguns prazeres que são naturais e necessários. Esses a gente precisa fazer porque senão a gente vai até ficar pior. Agora, tem outros que são naturais e não são necessários. é um pouco do suérflo. Não é que a gente não possa utilizar desses outros, desses segundos prazeres, mas aí precisamos fazer algo, segundo os epicuristas, muito semelhante ao ao que o históico epicteto disse: pensar como é que a gente vai parar, analisar e pensar como é que a gente vai ficar depois de usufruir esse prazer. Mais uma vez para manter autonomia, liberdade, felicidade. E existem os desejos e os prazeres que nem são naturais e também não são necessários, como fama, riqueza. E esses tipos de desejos, eles são até desaconselhados, segundo os epicuristas. Então veja que os epicoristas eles não são devaos, eles não são os hedonistas devaços, eles são aqueles que primeiro, né, e um dos poucos que tiveram a coragem de estudar o prazer, de não ter medo de falar que o prazer é necessário paraa nossa felicidade. Veja que o próprio Leão Deni coloca isso, o prazer como sendo necessário paraa nossa evolução. O nosso corpo nos diz isso, o prazer necessário para motivar, mobilizar a nossa experiência reencarnatória. A questão é expandir, deixar o prazer de uma forma mais expandida, uma visão mais ilimitada. E aí os epicuristas eles são bem úteis de pensar nesses tipos de desejos, nesses tipos de prazeres. Será que é natural? Tá bom, é natural, então tudo bem. Ele não vai, ele pode ser útil de usar. Agora vamos ver. natural e necessário. Não é só útil como eu preciso usar, senão eu vou me sentir mal, vou me mortificar. Tá bom? Ele é natural, mas ele não é necessário. Então eu não necessito usar
. Agora vamos ver. natural e necessário. Não é só útil como eu preciso usar, senão eu vou me sentir mal, vou me mortificar. Tá bom? Ele é natural, mas ele não é necessário. Então eu não necessito usar ele, mas eu posso usar ele desde que eu não fique preso. E para não ficar preso, eu preciso pensar no depois, quando ele foram embora. E existem aquele outros que nem são naturais, nem são necessários. Ele dá dois exemplos, por exemplo, como fama, riqueza. Esses aí até são desaconselhados, porque em geral a gente não sabe lidar com essa expansão de medidas e passa dos nossos limites e acaba gerando sofrimento, infelicidade e intranquilidade. Eu espero que hoje a gente tenha conseguido pensar de uma maneira mais didática, de uma maneira mais pragmática, trazendo essas importantes contribuições filosóficas de uma forma mais simples que a gente pudesse entender, né? que não é um tratado filosófico, mas para que a gente possa saber lidar melhor com essas duas esférias, prazer e dor, que, como o Leão Denid nos fala, desperta a nossa sensibilidade e estão vinculadas à nossa capacidade de sentir e que, portanto, de forma ilimitada, expandida, são experiências importantes, necessárias para a nossa evolução espiritual. Que você fique bem, muita paz. Agora nós temos mais um encontro do epistoicismo e do cristianismo, o encontro nove. Para finalizar esse manual de epicteto. Se você já leu o manual, e bom, se você não leu, procura ler. Vai ser útil para poder agora com essas expansões que a gente tá podendo fazer de intercâmbio com o evangelho, com a doutrina espírita, a gente poder aprender um pouco mais. Fique com Deus.
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