#62 • Jesus e Saúde Mental • A cura interior pelo trabalho

Mansão do Caminho 30/01/2024 (há 2 anos) 47:09 4,910 visualizações 860 curtidas

Websérie | Jesus e Saúde Mental » Episódio 62: A cura interior pelo trabalho » Apresentação: Leonardo Machado

Transcrição

Olá, muito boa noite. Eu queria abrir o livro dos espíritos no capítulo 3 da parte que ele fala das leis morais. O capítulo 3 nos fala da lei do trabalho. Na questão 674, Allan Kardec pergunta: "A necessidade do trabalho é uma lei da natureza?" E os benfeitores respondem: "O trabalho é uma lei da natureza pelo próprio motivo de ele ser uma necessidade. Só demos, e aí Allan Kardec continua, só devemos entender por trabalho as ocupações materiais? Não, o espírito trabalha como corpo. Qualquer ocupação útil é um trabalho. Qualquer ocupação útil é um trabalho. E com esta mensagem dos benfeitores, eu queria que a gente ficasse hoje conectado sobre a cura interior, a cura pelo verbo de Deus nos chamando para o trabalho. Ja. É muito possível, é bem provável que você conheça essa famosa frase "O essencial é invisível aos olhos". está escrita no grande livro, no pequeno livro chamado O Pequeno Príncipe. Eu particularmente conheci essa frase lendo o livro muito recentemente, quando a cerca de duas semanas eu abri um exemplar que me deram muito muito bonito exemplar grande com foto com ilustrações muito bem feitas, uma edição muito bem cuidada, mas aquele exemplar tava guardado. já havia ganhado já acho que há 6 anos e nunca havia lido. E há 15 dias eu resolvi ler parte por parte durante mais ou menos 7 dias quando ia colocar meu filho, meus filhos para dormir. Então meus filhos iam dormir e eu lia, né, uma parte do pequeno príncipe. Foi a primeira vez que eu li o Pequeno Príncipe e me encantei. De fato, muitas vezes eu me emocionei, especialmente talvez pela questão de estar com meus filhos, meus filhos fazendo perguntas, papai, e isso? Papai, e aquilo? Mas me emocionou também pela beleza que o autor quis passar para as crianças, biologicamente falando, e para as crianças de todas as idades. Porque todos nós temos uma criança ainda, eu, por exemplo, uma criança que nunca li o livro, estava lendo, aproveitando a oportunidade de ter crianças como filhos para ler novamente ou ler pela primeira

rque todos nós temos uma criança ainda, eu, por exemplo, uma criança que nunca li o livro, estava lendo, aproveitando a oportunidade de ter crianças como filhos para ler novamente ou ler pela primeira vez nesta existência aquele livro. E a mensagem é bem resumida, sim, por essa frase. O essencial é invisível aos olhos. Mas a gente vai se distraindo com o dinheiro, vai se distraindo com as facilidades materiais, vai se distraindo com a estética, vai se distraindo com a rotina, às vezes vai se distraindo também pelo excesso de ocupação. Em o livro dos espíritos, nessa questão do trabalho, Allan Kardec coloca muito bem, já que o trabalho é uma lei da natureza, né? é um é uma lei de natureza, porque toda ocupação útil é um trabalho. Ele também vai na questão do trabalho material, né? na questão da exploração do trabalho, na questão do excesso de trabalho. E de fato, às vezes nós ficamos tão eh sobrecarregados com um excesso de trabalho que esse trabalho mais nos exaure as energias, mais nos traz a exaustão do que nos traz um significado. E aí talvez a reflexão de hoje sobre a cura interior pelo trabalho traga algum paradoxo, porque especialmente nesse momento pós-pandemia, nós vemos uma grande pandemia da chamada síndrome de burnout. o burnout, uma síndrome ocupacional relacionada a uma questão não resolvida ou mal resolvida no trabalho, relacionado muitas vezes a um excesso de carga de trabalho junto com algum conflito, trazendo o adoecimento por meio de sintomas depressivos e sintomas de ansiedade. No final das contas, o burnout ele junta sintomas depressivos e ansiosos. Então, não é não é que traga um sintoma totalmente diferente do que a psiquiatria já estudava. No entanto, até então, a gente encontrava muito burnout em profissionais de saúde, profissionais da educação, eram os principais, assim, hoje o burnout está muito disseminado, porque também a gente vai começando a perceber uma certa falta de vazio, uma certa falta de significado. Estamos fazendo meio que no automático em algum

, assim, hoje o burnout está muito disseminado, porque também a gente vai começando a perceber uma certa falta de vazio, uma certa falta de significado. Estamos fazendo meio que no automático em algum momento no pequeno príncipe. Quando o Pequeno Príncipe vai sair do seu pequeno planeta, que onde ele tinha uma pequena rosa que ele cuidava e colocava num numa redoma e vai, porque ele estava um pouco decepcionado com essa rosa e vai conhecer outros planetas, ele passa por diversos planetas imaginários, né, que trazem o simbólico. E me chamou muita atenção alguns planetas que ele começa a ficar achando interessante porque as pessoas estavam trabalhando, tendo uma ocupação, fazendo algo, mas estavam fazendo de forma mecânica, eh, de uma forma sem entender, sem aprofundar. Allan Kardec pergunta sobre a responsabilidade das pessoas que usando do poder acabam explorando os outros e os benfeitores são muito categóricos ao dizer das consequências que essas pessoas vão ter. No entanto, o que nós vemos na atualidade e ficou muito evidente eh na pandemia é que hoje não necessariamente o chefe tirano está fora de nós, nos escravizando em um trabalho sem sentido e que nos tira a energia, nos escravizando a algo que não é essencial. Porque veja, no trabalho de professor, o essencial, né, o trabalho em si, não é a fala ensinando tecnicamente a matemática. Não é a fala ensinando tecnicamente o ao estudante de medicina alguma coisa da psiquiatria na minha na minha área, por exemplo. Não é a professora de redação ensinando tecnicamente a criança a escrever. é sobretudo a professora cuidando amorosamente daquela criança, ensinando o amor. Quando ela apenas ensina uma técnica, ela vira uma autômata. Quando ela ensina a técnica com o amor, ela entra no essencial e o amor é é invisível aos olhos. No final das contas, a utilidade de uma ocupação colocada em um livro dos espíritos, que traz a transcendência dessa lei que está na natureza, está justamente na invisibilidade, não no que é visível,

No final das contas, a utilidade de uma ocupação colocada em um livro dos espíritos, que traz a transcendência dessa lei que está na natureza, está justamente na invisibilidade, não no que é visível, porque o que é visível é mais a a mecânica das coisas, mas o invisível está nos sentimentos que nós colocamos no nosso trabalho. Nessa perspectiva, há uma reflexão muito importante de um filósofo mais contemporâneo, Bin Shan, ele fala da sociedade do cansaço. E trazendo a temática do burnout, trazendo não só a temática do burnout, mas a temática da depressão numa perspectiva mais filosófica e sociológica, ele faz uma consideração que eu considero muito verdadeira, que é a perspectiva que hoje os chefes tiranos que escravizam não estão fora de nós, estão dentro de nós. Hoje o homem é escravizado pela tirania que está dentro dele próprio. Ele é escravizado ao trabalho mecânico. Ele é escravizado a uma ocupação que ele não consegue ver mais utilidade por ele próprio. Não é mais o outro que está mandando. Então ele tem uma certa e uma falsa sensação de liberdade, ele tem uma falsa sensação de autonomia. No entanto, ele se escraviza de uma maneira muito mais difícil, porque quando o tirano está fora, há uma força para poder derrubar o tirano. Mas quando o tirano está dentro, nós imaginamos que estamos fazendo por liberdade. Estamos fazendo porque nós queremos. E hoje a grande tirania, o grande senhor tirano que temos dentro de nós, que nos escraviza até a exaustão do burnout, é a nossa sede de querer mais. É a nossa insaciabilidade de produzir mais, de fazer mais, de fazer mais quantitativamente falando, esquecendo da qualidade interna. Eu posso até fazer muito se eu tenho uma carga de trabalho, né? Se eu tenho alguma tarefa maior, eu tenho uma uma disposição, toda a ferramenta, certamente eu vou conseguir fazer mais quando há uma comparação entre pessoas. No entanto, quando eu me desconecto do o a quantidade e me desconecto da qualidade, quando eu desconecto o quanto do como, quando eu desconecto a

uir fazer mais quando há uma comparação entre pessoas. No entanto, quando eu me desconecto do o a quantidade e me desconecto da qualidade, quando eu desconecto o quanto do como, quando eu desconecto a quantidade do da qualidade, eu vou perdendo o sentido, vou perdendo o significado e consequentemente o trabalho não passa a ser mais vitalizador, passa a ser escravizador, passa a ser, portanto, adoecedor. E aí a temática burnout é extremamente válida pra gente poder pensar o excesso do trabalho e a tirania excessiva que nós estamos tendo. Pior é que em geral nós estamos produzindo muito para poder ter muito, financeiramente falando no na posse dos status, na questão do poder. nós estamos nos perdendo do essencial. Porque se nós somos, por exemplo, vamos pegar a visão espírita, o que é o essencial? O essencial na visão espírita não é este mundo de formas corpóreas, é o mundo eico ou e o mundo espiritual. Aqui estamos num estágio, no momento. E quando temos essa perspectiva, necessariamente precisamos mudar o olhar. O essencial é invisível, literalmente aos olhos na visão espírita. Porque o essencial na visão espírita não é o mundo corpóreo. O essencial é o mundo dos espíritos. É lá que nós guardamos o nosso planejamento reencarnatório, a a programação de trabalho que viemos para desempenhar, ou seja, a ocupação útil que nós devemos desempenhar na Terra. No entanto, quando aqui chegamos, quando aqui reencarnamos, encontramos uma série de argumentos que distraem a nossa mente, que nos deixam confortáveis, sem conflitos íntimos. No entanto, eh nos nos deixa também desocupados da utilidade. O argumento eh de que às vezes queremos temos que atingir mais pessoas, o argumento é de que estamos excessivamente, digamos assim, rígidos. Os argumentos são os mais diversos, que na verdade nada mais são do que fatores que nos distraem do essencial. É preciso que a gente não se distraia do que é essencial da na nossa existência. É preciso que a gente não se distraia do que é essencial

de nada mais são do que fatores que nos distraem do essencial. É preciso que a gente não se distraia do que é essencial da na nossa existência. É preciso que a gente não se distraia do que é essencial na nossa vida numa perspectiva espírita. E nessa, nesse sentido, o essencial é que a gente acabe, continue sendo útil, produzindo mais, produzindo menos, desde que não nos desvitalizemos, desde que fquemos vitalizados, conectados e ancorados pela pelo senso de utilidade. Quando ficamos conectados da ocupação útil, essa essa utilidade nos vitaliza e essa vitalidade faz com que a gente faça mais. Então, é um ciclo virtuoso e a medida vai dizer Allan Kardec, vai, vão dizer, na verdade, os benfeitores, Deus dá liberdade aos seres humanos, porque no na lei de trabalho há também a necessidade do repouso aos limites em que nós conseguimos fazer. Esse limite é muito pessoal. Allan Kardec tenta perguntar qual é o limite e os benfeitores, ao invés de darem uma resposta concreta de qual seria o limite, eles eh eles individualizam o limite porque cada um vai tendo a sua capacidade, cada um tem a sua instrumentalização para poder conseguir fazer. Por isso que Deus dá essa liberdade. Um espírito que venha para a terra com maior amadurecimento, certamente ele vai conseguir fazer mais do que aquele que está num nível de amadurecimento menor. Um espírito que vem para a Terra com alguma eh tarefa junto com outras expiações, provavelmente ele vai com um planejamento e às vezes uma série de estudos num próprio mundo espiritual para poder conseguir fazer mais. Então, não é uma uma fala essa minha que venha contrafazer. É uma fala que vem ao encontro de fazermos com sentido, fazermos com um propósito, continuarmos alinhados nesse senso de utilidade para não nos distrairmos e ficarmos escravizados pela tirania interna. Se tivermos, por exemplo, numa perspectiva não espírita, a gente pode pensar que o essencial que é invisível aos olhos não necessariamente é o mundo espiritual. Essa perspectiva reencarnacionista que a

e tivermos, por exemplo, numa perspectiva não espírita, a gente pode pensar que o essencial que é invisível aos olhos não necessariamente é o mundo espiritual. Essa perspectiva reencarnacionista que a gente tá colocando. O essencial é ter paz, o essencial é ter bem-estar, o essencial é estar, digamos assim, eh feliz com a ocupação que nós temos. O essencial é estarmos satisfeitos. Então, uma outra distração que a gente tem nessa tirania interna que nos nos escraviza pelo excesso vem pela ilusão de que quanto mais nós tivermos de posses materiais, mais a gente vai ser feliz. Isso não é verdade. Grande parte das vezes é apenas uma ilusão, né, pra gente poder ficar distraído e uma ilusão que nos escraviza. Aí a fala de Jesus é extremamente importante. Não se pode servir a Deus e a mamã. Numa visão espiritista, nós temos uma uma certa literalidade disso. Não dá não tem tempo, não dá tempo de a gente, por exemplo, falar, né, ah, na mesma, eh, constância, na mesma persistência, na mesma qualidade, né, de coisas tão transcendentes se a gente se ocupa demais com coisas que são muito imanentes, que são muitos do do varejo da terra. né? Não dá para servir Deus e a mamon da mesma maneira, porque ou você vai olhar para um e vai esquecer de outro, ou você vai olhar para um e vai negligenciar o segundo. Nesse sentido, a proposta espírita é que nós sejamos uma pessoa no mundo. Estamos encarnados. Então, não é para a gente, digamos assim, se entregar a Deus e esquecer eh o restante, não é isso? A proposta espírita de se entregar a Deus é que a gente possa viver no mundo. Mas quando nós nos entregamos a mamon nessa linguagem eh crística, nós deixamos de estar no mundo e passamos a ser do mundo. as nossas ambições, as nossas metas, os nossos propósitos, o nosso eh sentido de utilidade vai se focando apenas na posse, vai se focando apenas nas mais variadas posses. Não é que a gente não possa ter, mas é que a gente não pode se perder para ter. Achei linda uma fala de uma criança de 8 anos. Eu fui pegá-la na casa de uma

se focando apenas nas mais variadas posses. Não é que a gente não possa ter, mas é que a gente não pode se perder para ter. Achei linda uma fala de uma criança de 8 anos. Eu fui pegá-la na casa de uma amiga para poder brincar com meus filhos. E aí ele assim que chegou no carro, ele falou assim: "Tio, do nada ele chegou assim: "Tio, tem uma coisa que eu não entendo e o que é que você não entende?" Eu acho que as pessoas, ele disse o nome, eu vou assim fazer um eufemismo no nome que é dizer, "As pessoas são pouco inteligentes". Eu acho que as pessoas são pouco inteligentes, tio. É o por você acha isso? Porque veja aí ele, eu tava no carro no carro e da minha esposa e um carro normal e ele falou assim: "Por exemplo, esse carro ele anda, ele faz tudo, né? Eh, mas veja um poste. Um poste, tio, é não sei quantos milhões, é 15 vezes. Não sei quanto é o valor, mas acho que é 15 vezes mais com esse carro aqui. Mas o poste faz a mesma coisa, anda tanto quanto esse. Aí eu fico pensando assim, tio, é como se a gente comprasse dois dois sapatos, só que a um tá na caixa e outro tá sem a caixa. E só porque tá a caixa, a gente paga milhões e sem a caixa a gente paga bem menos. Eu não consigo entender, tio. Eu achei fantástica essa essa conclusão profunda, porque a gente às vezes fica preso para ter a caixa que não tem muita utilidade. O que é mais útil é o tênis, é o sapato que protege o nosso pé. Mas ficamos tão focados em ter a caixa que passamos a trabalhar e produzir mais para ter e poder pagar a caixa, a marca, etc. E aí ficamos enclausurados dentro da caixa, ficamos enclausurados e aprisionados. Nessa perspectiva é muito interessante pensarmos com essa criança que veja, ele não trouxe um raciocínio deus e mamã. Ele não trouxe um raciocínio do que é moral ou imoral, não. Ele trouxe um raciocínio de inteligência. Às vezes, vamos agora pensar não na questão espiritual, vamos pensar no dia a dia, no varejo do nosso dia a dia. Às vezes é pouco inteligente a quantidade de energia que a gente dá para uma

eligência. Às vezes, vamos agora pensar não na questão espiritual, vamos pensar no dia a dia, no varejo do nosso dia a dia. Às vezes é pouco inteligente a quantidade de energia que a gente dá para uma ocupação que faz a gente comprar a caixa e não o conteúdo. Ficamos presos no continente e esquecemos do conteúdo. Aí ficamos desvitalizados. Aí entramos num excesso de exaustão. É óbvio que existem eh situações outras no burnout que tem a ver com o tirano externo, né? O chefe que tiraniza, o chefe que maltrata, o chefe que coloca a a uma forma excessiva e a pessoa não consegue eh sair daquela situação porque ela precisa. Não é isso que a gente tá analisando. É um outro ponto que a gente tá analisando. Quanto a gente realmente necessita para viver, o quanto a gente necessita realmente para ser feliz. Se a gente pensar nesse chefe externo numa condição socioeconômica menor, a gente também pode pegar o mesmo raciocínio, porque às vezes a pessoa tem um smartphone muito caro e não tem o básico para a subsistência. às vezes tem uma faz uma festa gigantesca e faz um endividamento para sempre que não estava no padrão dela. E o argumento que nós construímos para que ela possa fazer é dizer assim: "Ah, mas todo mundo tem direito a a ser feliz". Claro que todo mundo tem direito a ser feliz, mas quando falamos isso, a gente tá dizendo que o seguinte: a felicidade está no smartphone, a felicidade está nessa festa de pompa, a felicidade está, portanto, no Deus dinheiro. E sem querer, estamos pegando esse argumento que era para libertar qualquer classe econômica para poder usufruir de um prazer. Estamos pegando essa fala de excessiva produtividade para escravizar ainda mais, porque nós, aqueles que estamos numa classe eh financeiramente favorecida, às vezes já estamos já estamos escravizados, né, pela pelo prazer da terra e sem querer vamos também justificando as nossas perturbações com essas falas que parecem ser empoderadas, parecem ser libertadoras, mas que no final das contas aumentam a dívida no cartão,

r da terra e sem querer vamos também justificando as nossas perturbações com essas falas que parecem ser empoderadas, parecem ser libertadoras, mas que no final das contas aumentam a dívida no cartão, aumentam o débito. E aí nós famos viramos uma sociedade de endividad, porque somos uma sociedade de escravizados, infelizes, insatisfeitos, insaciáveis internamente. E tudo isso vai nos tornando desvitalizados. Ler o Pequeno Príncipe, portanto, nessa altura da jornada com meus filhos me fez claramente refletir sobre o que é essencial e que muitas vezes o essencial é invisível aos olhos. Como vai dizer o Pequeno Príncipe, as pessoas vão esquecendo, vão perdendo a capacidade de sonhar. Há o diálogo lindo do Pequeno Príncipe com a raposa, em que a raposa era muito simples, igual a outra, mas era a raposa amiga dele. E ele vai trazer, por exemplo, a essencialidade da amizade, porque nós seríamos responsáveis por aquele que nós cativamos. E quando nós cativamos amor, quando nós cativamos amizade, nós ficamos de certa forma ligados, conectados. É bem verdade que essa conexão gera dor, porque essa pessoa não fica conosco eternamente nessa existência. Por exemplo, a partir desse amor que nós cultivamos e cativamos para essa pessoa, com essa pessoa, a gente vai ter algum momento de dor simbolizado pelo luto. Porém, para nos proteger do luto, para nos proteger da dor, nós estamos sem nos conectar aos outros. nos protegendo. E aí vem o o outro grande problema das dos tempos atuais, a solidão. tema de diversos estudos científicos na área da psiquiatria como um grande fator de risco para o adoecimento psíquico, a depressão, especialmente numa população que é muito bem estudada de idosos, onde esse tema da solidão ele fica às vezes mais palpável, porque no idoso ele não tem mais aquela energia e nem muito mais às vezes aqueles papéis sociais todo que ele tinha. Às vezes, de fato, os amigos já morrendo, já desencarnando, a solidão fica mais visível, o dilema da solidão. Mas eu diria que o dilema da solidão é

às vezes aqueles papéis sociais todo que ele tinha. Às vezes, de fato, os amigos já morrendo, já desencarnando, a solidão fica mais visível, o dilema da solidão. Mas eu diria que o dilema da solidão é tão estudado hoje, porque no final das contas nós nos sentimos solitários, porque a consequência direta da desvitalização, a consequência direta da escravidão interna, a consequência direta dessa sensação de desconexão que nós estamos sentindo é uma sensação de desconexão com os outros. Estamos com os outros, mas não estamos nos outros, nem eles estão em nós, porque nós não cativamos amor, nós proporcionamos convivências de conivências, né? Momentos prazerosos. Todos estamos tão aprisionados pelo Deus dinheiro. Todos nós estamos tão aprisionados pelo prazer material que nós nos conectamos a outras pessoas que estão também tão presas quanto. E no final das no final das contas, a pessoa está sozinha, eu estou sozinho. A solidão, portanto, não é um tema só do idoso, é um tema deste momento. E não é por, e não é à toa que as pessoas estudam, os cientistas estudam o efeito deletério na saúde mental da solidão. Nós somos responsáveis por aquilo que cativamos. Nós somos ainda bem responsáveis pelo amor que espalhamos. Ficamos no primeiro momento com medo, porque esse amor vai fazer a gente sofrer, porque a pessoa se vai, a gente vai sentir um luto. Mas é preciso amar a jornada, amar a caminhada sem se preocupar tanto com a reta final. Amar a caminhada sem se preocupar tanto com os objetivos finais. A utilidade, o propósito, o amor ama a trajetória e não só o o final que chega. 6 anos eu fiquei com esse livro porque foi uma jovem chamada Anne, e eu tenho permissão para poder contar. Ela me deu o livro com um sentimento de gratidão muito grande. Ela cresceu em uma família religiosa do interior de Pernambuco, mas não necessariamente vinculada a se dedicar ao trabalho caritativo, etc. Mas era uma família que deu valores amorosos, os eh pai médico, muitos familiares médicos e ela própria também

e Pernambuco, mas não necessariamente vinculada a se dedicar ao trabalho caritativo, etc. Mas era uma família que deu valores amorosos, os eh pai médico, muitos familiares médicos e ela própria também eh buscou a medicina, buscou depois a pediatria e depois buscou a oncologia. Então ela era uma médica pediatra oncologista, né? Então era um oncologista pediátrica inteligente, foi até São Paulo fazer a sua residência, a sua especialização médica. em oncologia pediátrica e ela tinha um ideal tão forte de ajudar, mas também ao mesmo tempo uma certa rigidez e uma certa vaidade de achar que conseguiria curar. Então, quando eu entro na batalha, dizia ela, é para ganhar. Quando eu entro na batalha contra o câncer, é para salvar a vida. Era ainda uma infantilidade da vaidade humana que imagina que pode vencer todas as batalhas, especialmente contra doenças tão graves ou contra situações tão difíceis. Naturalmente, ela foi perdendo batalhas nessa visão dela ao longo da sua trajetória profissional e certamente isso foi decepcionando um pouco, mas a grande decepção veio depois. A grande dor que ela teve na vida depois, no interior que estava uma vez, ela foi assistir uma peça teatral de um grupo de teatro eh simples, né, de atores, de artistas que eh faziam por amor, né, e faziam esse teatro no interior em como no Nordeste tinha e tem para levar um pouco da arte, para levar um pouco da cultura para as pessoas. E nesse encontro, ela se encantou pela peça, pelo tema da peça, que no final das contas ia, de certa forma imitar o que aconteceu na vida dela, a arte imitando a vida e a vida imitando a arte. E acabou que com um tempo ela conheceu o dirigente da do teatro, o ator que estava, se apaixonaram, começaram a namorar e estavam para casar. Quando ele começou com uma dor, ele tinha tido no passado um câncer e agora meio que de forma inesperada, esse câncer havia voltado não só de forma inesperada, de uma maneira também muito sorrateira. E quando eles descobriram, ele já estavam numa situação bastante

cer e agora meio que de forma inesperada, esse câncer havia voltado não só de forma inesperada, de uma maneira também muito sorrateira. E quando eles descobriram, ele já estavam numa situação bastante difícil, mas eles já iam se casar. O casamento estava preparado, tudo estava pago, a casa estava planejada, os móveis pagos, tudo. No início, como a condição socioeconômica era muito diferente, a família dela eh desconfiada, não aceitou, até verdade foi muito contra e ela precisou fazer uma certa ruptura com os familiares para poder viver esse amor mais profundo que a vitalizava profundamente. E esse jovem não tinha um plano de saúde, não tinha condições financeiras. Ele quando adoeceu de forma inesperada, antes de poderem fazer um plano de saúde para ele, ele precisou ser atendido grande parte do tempo no hospital em que eu hoje sou professor, né? há 10 anos professor Hospital das Clínicas e onde essa jovem foi também estudante no passado, embora não tenha sido minha aluna, foi num num período anterior. E ela passou a jornada dela, né, se dividindo entre o Hospital das Clínicas, em outro momento, entre o Hospital da Restauração em Recife, lutando contra esse câncer. E ela se sentia profundamente derrotada, porque na visão antiga ela tinha que vencer o câncer. E a vida agora trazia um câncer na vida dela, no futuro marido dela e um câncer que cada vez se mostrava sem possibilidade de cura. E ela foi todo desvelo, ela se dedicou profundamente, tentando manter o trabalho para manter a subsistência, atendendo a dor, né? Porque médica, oncologista, pediátrica, é uma dor muito profunda sempre, mas também estendo a dor dentro de casa. E nesse desdobramento, com um tempo, houve uma cena muito bonita em que ele já percebendo que ia morrer, ele falou para ela: "Eu quero que você seja feliz. Eu quero que você continue a sua vida". E ela ficou extremamente com raiva, como se ele estivesse desistindo da luta. Brigou com ele. Houve um atrito no leito da morte. como que dizendo: "Não me deixe, não me

que você continue a sua vida". E ela ficou extremamente com raiva, como se ele estivesse desistindo da luta. Brigou com ele. Houve um atrito no leito da morte. como que dizendo: "Não me deixe, não me deixe, não deixe a batalha". Mas ele percebendo que há batalhas que não conseguimos vencer, entre aspas, na vida física, mas que há batalhas que vencemos na vida espiritual, no essencial, que é invisível aos olhos, trouxe essa verdade antecipada para a jovem Anne, a jovem médica Anne. E ela naquele momento não conseguiu entender e ficou com muita raiva. E houve um atrito grande naquele momento. se calou. Ele disse: "Eu lhe amo, eu sempre lhe amarei, mas tente viver feliz". Depois de um tempo, ele veio a desencarnar. E o luto foi extremamente profundo, porque o luto, a dor da perda, traz muitas vezes não só a saudade do passado, há no luto uma saudade do futuro, um futuro que não pode mais ser construído da maneira que a pessoa imaginava. E foi essa a saudade do futuro que doía tanto na Jovem Anne. Estava tudo planejado e ela meio que desesperadamente, né, um tanto quanto sem rumo, querendo se agarrar ao futuro que não chegaria, se mudou para casa que eles haviam construído, os móveis que eles haviam planejado, tudo que eles não chegaram a morar porque o câncer veio antes, não chegaram a concretizar o matrimônio, o ritual do matrimônio. Porque o câncer veio nessa trajetória meses antes, tirou a vida física dele e ela então se apegou a a essa lembrança do futuro que não chegou da maneira que ela queria. Mais ou menos nesse período, ela começou a conhecer a doutrina espírita e se vitalizar pela esperança da imortalidade. Ao mesmo tempo que se vitalizava, o luto profundo a deprimiu e ela entrou no quadro depressivo, mesmo estando renovada a visão pela doutrina espírita, mas não conseguiu atender mais como oncologista. Era uma dor muito grande ela estar todo dia atendendo crianças com câncer, se o câncer havia tirado a criança dela, porque ela fazia associação. Eu queria ser mãe, né, como pediatra,

como oncologista. Era uma dor muito grande ela estar todo dia atendendo crianças com câncer, se o câncer havia tirado a criança dela, porque ela fazia associação. Eu queria ser mãe, né, como pediatra, ela havia escolhido, inclusive a especialidade pelo amor profundo que ela consegue ter as crianças, uma alma sensível. E quando ela vê o futuro ex-marido, porque nunca foi o marido fisicamente falando, ela pensa que nunca mais vai ter uma vida, nunca mais vai poder ser mãe, nunca mais vai amar como amor aquele ser, né, aquele homem. Então ela deixa a oncologia, os colegas eh entendem e ela passa a trabalhar apenas na pediatria geral, no plantão, nas emergências e nunca mais, durante muitos anos, conseguiu entrar no centro de oncologia do hospital onde ela trabalhava. Mas ao mesmo tempo ela foi se aprofundando na doutrina espírita, foi se vitalizando na doutrina espírita. procurou uma ajuda médica, psiquiátrica, tratou a depressão, procurou também ajuda da psicoterapia e semanalmente falava das suas dores, mas buscava alguma forma de se manter. A depressão é tão, tão sorrateira e a dor às vezes é tão grande que ela agora espírita entendia que não podia tirar a própria vida, entendia que o suicídio não era a solução. Até porque o objetivo ela pensava era se unir novamente a ele. E ela havia aprendido que com o espiritismo, a partir do suicídio, ela iria para um outro canto e o que ela gostaria, ela não conseguiria. As peças românticas de antigamente não trariam nenhuma verdade, ela entendia, porque se morresse pelo suicídio eram caminhos opostos. Então ela se manteve viva, mas muitas vezes dizia assim: "Quando eu vou no hospital, eu esqueço a máscara quando vou atender às vezes uma uma criança com uma tuberculose, com uma pneumonia. E não é algo voluntário. Eu até sei e quero, mas quando eu vejo eu não coloco. É como se eu desejasse e eu desejo que Deus me leve. está tão duro que se possível fosse, eu queria que Deus me levasse. Porque se fosse assim, eu não tava indo

uero, mas quando eu vejo eu não coloco. É como se eu desejasse e eu desejo que Deus me leve. está tão duro que se possível fosse, eu queria que Deus me levasse. Porque se fosse assim, eu não tava indo pro mundo espiritual pela morte do suicídio e talvez fosse o merecimento meu. A deação de suicídio indireta, né? A ideiação de suicídio passiva, mas apesar disso, ela se manteve encarnada, se manteve viva, procurando ajuda, como ela disse uma vez. Esse espaço de ajuda semanal na terapia, na psiquiatria, é como se fosse a minha hemodiálise. Assim como alguém que tá com uma insuficiência renal e precisa ir paraa hemodiálise, limpar o sangue, porque o rim já não tá mais fazendo isso, eu também preciso vir aqui, porque meu cérebro, eu sinto, não está trabalhando de forma adequada e eu preciso limpar os meus pensamentos. Eu achei fantástica essa fala porque nos dá um senso de humildade. Era a antiga médica amorosa, mas vaidosa, que queria vencer o câncer, ensina ensinada pela vida a ter humildade de procurar ajuda. Eu nunca iria fazer terapia antes se não fosse isso. Ela dizia, porque não conseguia conceber esse tipo de ajuda. E agora a terapia, a psiquiatria era a hemodiálise. E Deus, a partir da doutrina espírita, era o grande motivador para fazer o que ela fez, que foi se vincular ao trabalho. Ela continuou trabalhando como médica nos hospitais, não mais como oncologista, como médica pediatra geral. Mas o que chamou atenção profundamente foi a dedicação que ela encontrou em vários trabalhos voluntários. A semana dela era preenchida e você pode dizer: "Ah, ela estava fugindo da dor". Mas todos nós precisamos em algum momento de alguma fuga que seja para aguentar a angústia, que essa fuga seja inteligente, que essa fuga seja ampliada, que não seja para o excesso, para o excesso da droga, que não seja para o excesso do alcoólico, que não seja para o excesso do prazer que nos distrai indefinidamente, que seja uma fuga para algo que nos constrói uma base maior. Foi isso que ela fez. dedicou o tempo

a para o excesso do alcoólico, que não seja para o excesso do prazer que nos distrai indefinidamente, que seja uma fuga para algo que nos constrói uma base maior. Foi isso que ela fez. dedicou o tempo todo dela para ajudar várias creches como pediatra voluntariamente ganhava o que era necessário e o tempo outro ela se dedicava a atender a dor humana e esquecia da sua dor. solitária na sua dor. Ela buscava ajudar para que se tornando solidária, como muito bem disse Joana de Angângeles, não ficasse tão solitária no vazio que estava sentindo naquela momento. Era ela encontrando Deus no trabalho, era ela encontrando a ocupação no trabalho. E durante muitos anos foi fazendo isso como faz até hoje. ia para o interior, no sertão de Pernambuco, ajudar numa caravana linda, ajudar onde a dor estava, porque no final a dor estava nela e a ajuda era uma forma do trabalho vitalizando. Até que um dia pela misericórdia divina, depois de um tempo de tratamento, de ajuda, tratamento espiritual, de se vincular à visão espiritista de forma profunda, de tentar encontrar recados que fossem, vim aqui e acular, mas não eram recados tão eh eh tão incisivos assim. Era pel por um sonho, pela intuição de um médium, pela intuição de um amigo que o ajudava, pela intuição de outra médium, até que ela recebeu uma mensagem do próprio eh espírito que havia desencarnado e que trazia vários elementos, pelo menos uns sete nomes dos atores que estavam no palco encenando a peça naquele dia em que eles se encontraram. Dizia que a arte é apenas um reflexo da beleza que há no universo, que a vida é apenas uma passagem e falava Anne, o que dizer do amor que tenho por você? Continue era a mensagem no final das contas, trazendo uma veracidade que o médium não tinha como saber. O conteúdo que essa mensagem trouxe já estava assim espalhado pelas intuições que outras pessoas foram dando, médiuns, pelo sonho, mas não estava tão robusto como nessa mensagem que ela teve a oportunidade de receber. A oportunidade certamente veio pela construção do tempo

ções que outras pessoas foram dando, médiuns, pelo sonho, mas não estava tão robusto como nessa mensagem que ela teve a oportunidade de receber. A oportunidade certamente veio pela construção do tempo que ela deu, o mérito de receber algum lenitivo e como aquilo ajudou ela a entender que ela não estava traindo o futuro ex-marido, que ela estava, na verdade fazendo o que ele havia pedido, que eles haviam programado, continuando a trajetória, porque o tempo dela na existência ainda não havia acabado. Ela precisava continuar e ela continuou. Continua. abriu-se ao amor, aos poucos foi se desapegando do futuro que não pode mais ser construído, doando os pertences, modificando, no tempo dela, construindo um novo futuro. encontrou um jovem também espírita, que sabia da sua trajetória e de uma forma madura, não foi ficar com ciúmes de um amor transcendente, foi aprender com essa jovem que transcendeu pela dor. O pai lhe disse: "Ane, me perdoe". chorando, porque no passado eles haviam rompido por esse amor que a faixa econômica não foi muito bem visualizada. Ela acabou sendo mãe, acabou brotando nela a vida e ela dizia: "Como eu me sinto vitalizada!" Às vezes, só o tempo, só o trabalho faz com que a gente aguente as dores tão profundas da vida. Mas se a gente precisa, mas a gente precisa para isso se conectar ao que é essencial. Há 15 dias, por algum motivo, eu tive vontade de pegar esse livro. Meus filhos também quiseram escutar e eu falei para eles: "Quem me deu foi uma jovem médica que gosta muito de criança e hoje eu quero ler para vocês." Passamos a ler e eu aprendi ou reaprendi ou reafirmei que o essencial é invisível aos olhos. O que essa jovem encontrou na dor foi uma transcendência. O que ela encontrou na dor foi a oportunidade de entender que o trabalho não serve para vencer algumas coisas da vida, serve para vencer a si mesmo quando nós nos utilizamos dessa vitalidade. Eu venci na vida, falam alguns pelo trabalho que tiveram de sucesso, mas às vezes estão derrotados no interior. Eu

sas da vida, serve para vencer a si mesmo quando nós nos utilizamos dessa vitalidade. Eu venci na vida, falam alguns pelo trabalho que tiveram de sucesso, mas às vezes estão derrotados no interior. Eu venci a vida, poderia dizer a Anne, porque eu encontrei no trabalho de assistência ao outro uma ajuda para o meu próprio coração, para minha dor, que era invisível, mas que se tornou concreta na construção do bem. Que nós possamos então ocupar a nossa vida com utilidade, sem nos distrairmos do amor, continuarmos firmes. Muita paz.

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