#52 • Jesus e Saúde Mental • Perguntas e Respostas
WEBSÉRIE • Jesus e Saúde Mental » Episódio 52: Perguntas e Respostas » Apresentação: Leonardo Machado
Muito boa noite. Vamos começar mais uma vez Jesus e saúde mental. Mas como chegaram muitas perguntas, muitas questões, nós combinamos de algumas terças-feiras seguidas nós fazermos eh respostas, né, reflexões que possem ser úteis para várias pessoas em torno dessas questões propostas. Então, fica conosco e mais um Jesus e saúde mental. uma pergunta muito interessante sobre a questão do narcisismo, da vaidade, do orgulho, da rede social. E a pessoa pergunta assim: "Como é que a gente pode caminhar com os nossos narcisos neste momento onde as redes sociais povoam a essência do ser? Antes de responder, eu queria remeter a a essa temporada mesmo, né, que tá bem longa do Jesus e saúde mental, em que a gente falou sobre humildade em tempos de rede social. E essa palestra inteira foi focando nesse tema que eh foi colocado, mas é um tema tão importante que a gente vai dar uma outra resposta tentando sintetizar agora com essa questão do Narciso. Os Narcisos falam do nosso do nosso da nossa vaidade, do nosso orgulho, né, da nossa preocupação com a imagem, da nossa preocupação com eh a persona, a personalidade. Então, primeiro, isso faz parte da nossa vida. Como é que a gente pode lidar com eles? Primeiro, entendendo o que faz parte. Eh, as personas, as máscaras que a gente assume faz parte, fazem parte das nossas funções sociais. Não tem como fugir disso. Faz parte. Todos nós temos eh a vaidade primordial, que é uma que dá origem à nossa autoestima, né? Se pegarmos uma linguagem psicanalítica, o narcisismo primário, que deve ser construído na base do amor entre pais e filhos, para que os filhos entendam que tem importância para que aí sim eles possam construir uma autovalorização, uma autoestima saudável. Então, faz parte. Primeiro ponto é a gente entender que faz parte, tá? Eh, fugir disso, querer fugir totalmente disso, é uma ilusão narcísica, ou seja, uma ilusão que o próprio narcismo interno faz para a gente não olhar. Então, é mais uma negação do que uma realidade. Só que a rede social, né, e aí a
otalmente disso, é uma ilusão narcísica, ou seja, uma ilusão que o próprio narcismo interno faz para a gente não olhar. Então, é mais uma negação do que uma realidade. Só que a rede social, né, e aí a pergunta é muito bem feita. esses tempos em que a rede social parece invadir, povoar, o termo que a pessoa coloca, povoar a essência do ser. A, esse é um problema. Esse é o problema. Quando a gente sai desse caminho de faz parte, por exemplo, eu fazer um trabalho no bem, né? eu fazer um trabalho, eh, vamos pegar o espírita, fazer um trabalho espírita de palestra ou de dirigente de um centro ou de dirigente de uma mediúnica ou um trabalho de coordenação de juventude. Qualquer trabalho espírita, ele tem num grau maior ou menor uma visibilidade. Quanto maior a visibilidade, mais esse dilema dos Narcisos, ou seja, mais o dilema é egóico, mais o dilema da vaidade é posto. Mas todo trabalho, todo trabalho tem alguma visibilidade. Às vezes não é uma visibilidade na rede social, às vezes é uma visibilidade, sabe onde? Como uma pessoa me dizia, ela faz um trabalho aparentemente mais invisível dentro de um de uma instituição, só que para a realidade social em que ela nasceu e mora, não é invisível. Por quê? Porque ela sai de casa, ela ela mostra uma postura diferente do que as pessoas que estão ao redor dela eh estão acostumadas. E aí vem os rótulos. Ah, ela só quer ser boazinha. Ah, ela só quer ser melhor do que a gente. Ela só quer aparecer. Então, mesmo essa pessoa, entre aspas, que faz um trabalho mais invisível dentro eh de uma instituição, ela tem uma rede social visível, real, concreta, que são os vizinhos, que é a vizinhança, que é o bairro, que mete o bedelho, entendeu? mete o like lá antes mesmo de o like existir. A rede social só e aumenta, amplifica esse negócio porque você fica sabendo na hora, entende? Porque é é curioso. Eu tenho um na verdade ele é paraibano, mas ele se radicou em Pernambuco, Recife, um escritor chamado Areno Suasuna. Ele é muito espirituoso, né? Aí ele diz
bendo na hora, entende? Porque é é curioso. Eu tenho um na verdade ele é paraibano, mas ele se radicou em Pernambuco, Recife, um escritor chamado Areno Suasuna. Ele é muito espirituoso, né? Aí ele diz assim: "Olhe, se for para falar mal, que fale mal por trás". Porque falar mal na frente é muito deselegante, né? Fica você constrangido, fica todo mundo constrangido. Então, a rede social traz esse dilema. Antigamente as pessoas falavam mal por trás. O vizinho não era na hora que a pessoa tava eh eh passando na rua. E às vezes até sim, uma piada, né? Uma pessoa mais embriagada na hora, sem um senso de limite, alguma coisa acontecia. Mas com a rede social, você vê um comentário na sua rede social ou então no trabalho que você tá fazendo contra a pessoa, contra você, um negócio deselegante, no mínimo, para não dizer perturbado. Então, eh, se for para falar mal, o melhor não falar mal, mas se for melhor por trás, como disse Arenano Suassuna, a rede social, portanto, traz essas essas eh visibilidades excessivas, mas que já existem e já existiam em todo grau. Então, se você for fazer algo, você vai se tornar visível, né? E aí você vai ter que aprender a lidar com esse com isso. E acho que a grande situação que eu e outras pessoas amigas tentam fazer é que não povoe, esse é o ponto, não povoem o nosso ser para que a gente não viva apenas em função da postagem, que a gente possa ter o momento da curtição com o filho, por exemplo, e não só a postagem da curtição com o filho, entende? Porque o que às vezes é a distorção, eh, ao invés da gente curtir o momento com o filho, a gente tem que mostrar que está curtindo em real time, né? Ou seja, naquele momento. Tira uma foto, todo mundo vai ter várias fotos, faz uma postagem depois, por exemplo, na outra semana, tem um TBT da vida, faz depois para que aquele momento você esteja curtindo, para que ah essa questão não povoe o seu ser. O problema é esse, está povoando, está ditando a regra do meu ser. E a gente se acha livre, mas não é tão livre
a que aquele momento você esteja curtindo, para que ah essa questão não povoe o seu ser. O problema é esse, está povoando, está ditando a regra do meu ser. E a gente se acha livre, mas não é tão livre assim. Por quê? Porque ficamos presos no like, no dislike, nos seguidores, na opinião. Então, a gente tá começando a ter a percepção de que traz problemas, né? Traz problemas. Mas ao mesmo tempo eu não sou pessimista catastrófico em relação às redes sociais. Se elas foram colocadas na vida, eu hoje tenho convicção, né, maior maturidade sobre isso, de que é um toque de Deus na vida no sentido de possibilitar contatos, possibilitar presenças, possibilitar vínculos. Eu vejo e vou falar aqui pessoalmente, né? Eh, eu sempre fiz muito mais palestra presencial, muito mais, muito mais. E nessa nas redes sociais, né, na especialmente na pandemia, é muito curioso você ver pessoas que vem as palestras online no YouTube especialmente ou no Instagram e eventualmente lives e aí nunca me viram fisicamente falando e muito menos eu as vi fisicamente falando. E aí quando tem alguma oportunidade de uma palestra presencial, vão lá e agradecem assim: "Poxa, esses últimos 3 anos eu vi tanta coisa sua, foi muito útil para mim. Se não tivesse rede social, né, o vínculo não tinha se formado. Eu lembro de uma senhora, esse me chamou atenção, ela uma senhorinha. durante a pandemia, portanto, teve que ter mais restrições sociais, sair menos de casa, se sentia muito sozinha, muito pouco preenchida. E ela me falou assim: "Eu posso chamar você de Léo?" É, pode, porque eu tenho tanta intimidade com você, você está lá na minha casa constantemente, me ajudou tanto a não me sentir só na pandemia, especialmente que a gente não podia sair e você até fazia mais, né? E eu queria muito agradecer você, isso ela falou anos depois, né? Eu a conheci, eu falei: "Poxa, muito obrigado por você me dizer isso, porque a gente sabe que naquela tela tem pessoas, mas a gente não materializa". E você agora materializou um um obrigado,
ois, né? Eu a conheci, eu falei: "Poxa, muito obrigado por você me dizer isso, porque a gente sabe que naquela tela tem pessoas, mas a gente não materializa". E você agora materializou um um obrigado, isso me estimulou. Obrigado. Então, a rede social tem muitas coisas boas, sabe? É porque a gente tá deixando ela povoar demais a nossa vida e de uma forma, porque acho que é muito boa a pergunta, né? eh, que é o o o aparecer mais do que o ser. Então, uma pergunta que eu faço para mim, jogo para você também, qual é a motivação dessa aparição? É apenas a motivação eh egoica do aparecer ou essa aparição vem no bojo de um porquê e um para que mais profundos? Por exemplo, uma causa, a causa de Deus. a causa do bem, se a motivação maior, né, nem que seja 51% a mais, ou seja, tem os 40% de você aparecer, mas 50, 60% do porquê, tô nem colocando nem 100%, 50, 51% do porque você tá fazendo isso, é motivado por uma presença de Deus, tá no caminho, não paralisa, não deixa. E aí vai criando estratégias, cada um vai criando as suas estratégias para poder lidar com esses dilemas que é um dilema de todos nós. É um dilema de todos nós, porque as redes sociais estão aí na vida. A gente pode achar que não tá, mas ah, eu não bosto nada na minha rede social, mas você fica vendo tudo, dando like, deslike, sentindo a inveja, a competição, a comparação. É um dilema teu. É um dilema de todos que têm algum tipo de rede social, que acessam o YouTube. É um dilema atual e que a gente precisa saber como lidar. Porque lidar com o Narciso não é só lidar com uma vaidade, é também lidar com a inveja. Porque a inveja é o narciso ferido. O narciso não sente só vaidade, aparição. O narciso sente inveja porque ele sente-se ferido porque o outro apareceu mais do que ele ou ele queria estar no lugar do outro. Então, lidar com esses até que ponto a inveja tá dominando o meu ser? E eu fico com tanta inveja que eu tenho que, sei lá, um hater, eu fico com tanta inveja que eu tenho que fazer um comentário meio ácido demais, fico
sses até que ponto a inveja tá dominando o meu ser? E eu fico com tanta inveja que eu tenho que, sei lá, um hater, eu fico com tanta inveja que eu tenho que fazer um comentário meio ácido demais, fico com tanta inveja. Então, esse é o tema. Eh, é um tema fundamental da gente pensar, repensar, responder, responder novamente paraa gente poder ir aprendendo como lidar, né, com esses esses dilemas narcísicos sem nos perder e sem perder o trabalho, sem sair do trabalho, né, da causa do bem, mas também se perder no trabalho e não sabe mais por tá fazendo motivação por trás. Esse é um dilema bastante comum, né? A gente, especialmente no meio espírita, eh, que é o excesso. O excesso, o excesso de bebida nem sempre é um dilema. O excesso de drogas também não é o dilema, né? Mas o excesso de comida. E aí tem aqui como é que a gente pode cuidar da mente quando surgir a vontade de comer excessivamente e a pessoa diz que não perde a série Jesus e saúde mental. Então eu acho interessante a gente poder parar para refletir porque eh é um dilema também, né? Qualquer comportamento excessivo eh denota algum tipo de sofrimento, certo? O excesso ele fala de uma escassez, sabe? O excesso de necessidade fala de alguma escassez. E aí a pergunta, né, da música, você tem fome de quê? É fome da comida que você tá comendo ou essa fome é algo mais interno, né, uma carência eh mais interna? Por isso que a gente tem as dependências químicas, mas também temos as dependências comportamentais. E aí a gente tem aumentado o número de devidências sobre a dependência de comida, porque não é uma substância química eh psicoativa, mas é uma substância que dá prazer, né? comer dá prazer. Nós temos uma área cerebral, na verdade, algumas áreas cerebrais que se juntam e formam o circuito de recompensa. Esse circuito de recompensa, ele é genérico, ele é ativado por qualquer coisa gratificante, música, sexo, comida, a substância psicoativa que se usa, né, incluindo álcool, maconha, cigarro, certo? alguns comportamentos, por exemplo, você
nérico, ele é ativado por qualquer coisa gratificante, música, sexo, comida, a substância psicoativa que se usa, né, incluindo álcool, maconha, cigarro, certo? alguns comportamentos, por exemplo, você e alguns mais do que outros, geralmente os comportamentos que eh geram expectativa. Por exemplo, tem música que é muito boa, você gosta, dá um prazer danado e e outras que são meio chatas, meio monótonas. E aí os estudiosos da música e da neurociência eh falam sobre a expectativa, a importância da expectativa para que a música gere uma sensação de bem-estar, né? ela sai daquela monotonia do script e traz alguma eh alguma algo inusitado, alguma expectativa, ela mexe mais com o circuito de prazer. Então, no final das contas, eh, esse circuito de prazer que passa pelo núcleo cumbs é uma região genérica do nosso corpo que faz acionar, eh, que é acionada por várias situações, mas há situações que podem ser acionadas não pela substância em si e gerida, mas também pensando. Por exemplo, eu escutei uma música, vamos supor, a nona sinfonia de Bethoven, né? O cântico da alegria. Se aquela música tá na minha cabeça, eu posso relembrar da música apenas imaginando a música. E só em imaginar a música, isso já gera um certo prazer, uma certa calma, uma certa tranquilidade. Por quê? Porque lembrar desse estímulo também aciona o circuito de prazer. A comida, a mesma coisa. Só em lembrar da comida que você gosta, você pode já dar água na boca, porque a memória é acionada, ou seja, voluntariamente você pode se lembrar ou involuntariamente por causa de algum outro estímulo, né, num condicionamento eh pareado e aí você sentir a água na boca, que seria a reação. Falando isso, para quê? Porque eh o comer excessivo também tem alguns termos que podem entrar. Pode ser um comer emocional, que é uma das coisas mais comuns. Você pode estar ansioso, ansiosa, estressada, estressado. E a comida vem para aliviar, porque dá uma sensação de prazer, né? dá um alívio, mas pode ser que já entre em algum
ma das coisas mais comuns. Você pode estar ansioso, ansiosa, estressada, estressado. E a comida vem para aliviar, porque dá uma sensação de prazer, né? dá um alívio, mas pode ser que já entre em algum quadro mais eh diagnosticado formalmente, como anorexia, como bulimias, certo? Transtornos compulsivos de alimentar de alimentação, né? TCAP, transtorno da compulsão alimentar periódica, você pode ter e esse TCAP, você pode eh ter compulsões mais clássicas que a pessoa come até perder o controle, quase tudo que tem na geladeira ou muita coisa mais do que habitual. Ou pode ser o big eating e comendo aos pouquinhos, beliscando. É o padrão beliscador, mas tá sempre beliscando e sempre beliscando coisas eh calóricas, né? que aí o doce, por exemplo, é algo que eh assim é motivador, entendeu? Gera muito esse circuito de recompensa. Você parar para pensar quantas guerras foram feitas por especiarias, se veja temperos, entendeu? Tempero que bota na comida, né? Ou quando você descobriu a cana de açúcar, né? E aí você tinha o açúcar. Então, imagine como o nosso comportamento foi mobilizado para buscar essas ziguarias no sabor. Então, é uma questão interessante da gente pensar, eh, especialmente porque a gente tá falando de uma questão excessiva. Ninguém precisa entrar numa restrição alimentar que aí vira uma coisa anorética, né? Uma coisa meio também, por outro lado, problemática, mas no equilíbrio, né? No sentido equilíbrio dinâmico, não é? Clibe estático. Ah, eu só como isso, aquilo, aquilo, outro. Não tá numa festa. Se você não tem alergia, se isso não dá enxaquea em você, você pode ali eh possibilitar o provar, né, eh um bolo, enfim, comer, mas de forma mais eh tranquila. Então, como lidar? Primeiro, eu diria para você, de forma pragmática, colocar na tua vida outros estímulos prazerosos que possam estimular essa esse circuito do prazer que não seja excessivamente ou apenas a comida. Um desses é atividade física regular. Quando você faz atividade física regular, eu não tô falando aqui da função
estimular essa esse circuito do prazer que não seja excessivamente ou apenas a comida. Um desses é atividade física regular. Quando você faz atividade física regular, eu não tô falando aqui da função estética. da atividade física, que também é válida, mas a função eh saudável, o teu corpo, né? Porque não durante, é, depois a você vai tendo um aumento, né, de endorfinas de forma continuada no teu corpo e você fica saciado com mais facilidade. Todo mundo que faz atividade física regular e atividade física, especialmente com alta carga de demanda, vai dizer que fica um pouco mais saciado. precisa até comer menos o doce, porque eh naturalmente já fica um pouco mais saciado. Isso é a longo prazo. Uma outra estratégia muito útil pra questão do comer eh são estratégias cognitivas, é você fazer um balanço assim, rapaz, essa comida tá gostosa mais ou menos. Bem, se tá mais ou menos, vale a pena eu comer essa quantidade toda de calorias, porque só vale a pena se for muito boa, entendeu? Se você gosta muito, é muito boa, vale a pena. É feito quem vai para uma viagem é longe, mas o local valeu a pena. Então você tem que ver se vale a pena, né? Aí você faz esse balanço, vai aprendendo a fazer esse balanço. Outra coisa, para poder aumentar eh o prazer durante uma atividade como comer, coma mais devagar, sinta mais o sabor, saboreie mais o sabor. Isso vale para comida, mas vale para tudo. A gente faz as coisas muito rápidas e tudo ao mesmo tempo. Eu me recordo, ficou muito claro na minha cabeça isso, quando às vezes eu voltei para casa, tava com um celular respondendo mensagem, liguei a televisão, botei o meu jantar, comi o jantar e não sabia o que é que tinha comido. Na verdade, não sabia nem se tinha comido. P. E aí vi que o prato tava eh sujo, mas vazio. Aí eu falei: "Ah, então eu comi, mas o que eu comi", eu fiquei na dúvida. Aí eu tive que ir na geladeira ver o que que tinha lá. Aí foi quando descobri. Ou seja, eu me alimentei, eu comi, mas não saboreei. Então, como eu não saboreei, a
o que eu comi", eu fiquei na dúvida. Aí eu tive que ir na geladeira ver o que que tinha lá. Aí foi quando descobri. Ou seja, eu me alimentei, eu comi, mas não saboreei. Então, como eu não saboreei, a possibilidade de eu ficar saciado é menor e e fica uma uma refeição menos prazerosa. Se dá menos prazer em mim, provavelmente eu vou voltar a buscar novamente aquela refeição. Então, fazer as coisas com mais calma, sabe? sentindo mais os o gosto, apreciando mais. Então são três estratégias úteis, sabe, que a gente pode fazer para essa esse comer não virar excessivo, tá? Tentar atividade física mais regular, né? eh direcionar os prazeres, não colocando apenas eh na comida, tentar pensar em outras atividades prazerosas e a mesma atividade prazerosa da comida você eh tentar fazer aos poucos, sabe? E aí fazer aquela aquele balanço que seria o segundo ponto, né? balanço se vale a pena mesmo aquele tipo de alimentação. É uma questão aparentemente simples, mas traz muito problema eh em muitas pessoas, porque em tese a o comer tá liberado e tá liberado, mas tudo com moderação, né? A comida com moderação, tudo bem, porque você vai dar uma vitalidade, eh, vai provar da cultura do local. É muito interessante. Fica aí algumas dicas que aparentemente são simples, mas trazem dilemas enormes. Na saúde mental, a pergunta começa assim: como podemos separar o diagnóstico do comportamento? E aí é uma pergunta ampla, eu vou tentar direcionar para uma perspectiva que é o seguinte: imagine alguém que tenha um diagnóstico de transtorno depressivo, recorrente, transtorno de ansiedade generalizada, algum diagnóstico da psiquiatria e aí a pessoa quer saber aquilo que que ela tá fazendo é mobilizada pelo diagnóstico ou é ela que tá fazendo por ela própria. Bem, a gente entra num conceito chamado ganhos, tá? Nós temos um ganho primário. Qual o ganho primário? é a própria doença. A doença, numa visão psicanalítica, é uma consequência de algum sofrimento. E esse sofrimento, eh, ao se resolver, entre aspas, com um
mos um ganho primário. Qual o ganho primário? é a própria doença. A doença, numa visão psicanalítica, é uma consequência de algum sofrimento. E esse sofrimento, eh, ao se resolver, entre aspas, com um nome, né, com um direcionamento de sintomas, com um diagnóstico, ali você tem um ganho primário. Por quê? Porque o sofrimento sai de uma coisa genérica e agora pode ter um tipo de explicação, tratamento, resolve algum tipo de conflito, pelo menos parcialmente falando. Porque vou lhe dizer, se a gente não tivesse o corpo para somatizar, era muito mais difícil, entendeu? porque o nosso corpo nos ajuda. O nosso corpo é um parceiro através das somatizações para resolver alguns conflitos, né, para drenar alguns conflitos. O problema é que eh às vezes drena de forma tranquila, a gente bota lá a pomada, bota lá o espparadrapo e não pensa sobre o que é que aquilo tá nos dizendo, né, do ponto de vista amplo. Ou seja, não amadurece psicologicamente falando. E aí aquilo vai aumentando, vai aumentando, tá? Mas existe o chamado ganho secundário, que é o seguinte, é bom, né, você receber cuidado. Quando você tá gripado, você fica mole, né, sem força, mas ao mesmo tempo papai e mamãe leva a comida na cama, né? dá uma atenção toda especial a o teu companheiro, a tua companheira, porque afinal de contas você está gripado. Então a gripe gera algum tipo de ganho secundário que são os cuidados eh que as pessoas vão ter ou os cuidados médicos, né? As pessoas às vezes lembro de alguns de pacientes com uma condição financeira muito muito pobre, muito baixa, a parte social muito problemática. E ele falava assim: "Poxa, pelo menos quando fico internado, eu recebo tanto cuidado, tanta atenção, eh, comida, ou seja, são os ganhos que o adoecimento traz. E esses ganhos secundários podem gerar comportamentos, né, que ao invés de nos facilitar a saúde mantém eh o adoecimento. Então, quando fazem essa pergunta, como é que a gente vai diferenciando o diagnóstico eh do comportamento? a gente lembra dessa questão do ganho
invés de nos facilitar a saúde mantém eh o adoecimento. Então, quando fazem essa pergunta, como é que a gente vai diferenciando o diagnóstico eh do comportamento? a gente lembra dessa questão do ganho secundário. E aí a gente tem que ver até que ponto, não dá para responder de forma genérica, tem que ver de casa a caso, né, com o teu terapeuta, com a teu amigo, o teu psiquiatra, seja pessoas que estão ao redor, vendo até que ponto eh aquele ganho é útil, até que ponto tá trazendo problemas. Quando é que o ganho secundário é útil? quando ele nos leva a procurar ajuda. Ou seja, eu entendo que não consigo dar conta só e me abro a ajuda de familiares e a ajuda médica. É um ganho secundário de receber a atenção saudável. Problema é quando para receber essa atenção, a minha mente fica se boicotando para permanecer adoecida. Então, um parâmetro do chamado, popularmente falando, auto boicote, né? A pessoa que não consegue lidar com o sucesso, lidar quando tá bem. A gente acha que lidar com saúde é fácil, é nada. Lidar com doença tem um pouco mais de tranquilidade porque nos dá o ganho secundário. Quando a gente tem saúde, a gente faz um bocado de coisa para perder a saúde, né? né? Ou seja, um bocado de comportamento exagerado. A gente não sabe lidar com saúde e às vezes não sabe lidar com o bem-estar. A gente acaba fazendo comportamentos para perder. A gente sabe lidar com resolver problemas. Agora, quando as coisas estão dando certo, quando as coisas estão bem, esse é um dilema e viver a vida quando as coisas estão dando certo, sem se autoboicotar, sem fazer eh pequenas contribuições para cair. Pegando a pergunta sobre a alimentação, né, o alimentar excessivo, eu me recordo de um exemplo típico de autoboicote, de uma pessoa que tinha transtorno de compção alimentar e aí ela viajou eh e tava super bem em geral, tava lá, inclusive foi fazer a viagem e tudo mais. Ela tinha compulsão alimentar e tinha também depressão, mas na viagem ela resolveu trazer lembranças para familiares, lembranças para vários
m geral, tava lá, inclusive foi fazer a viagem e tudo mais. Ela tinha compulsão alimentar e tinha também depressão, mas na viagem ela resolveu trazer lembranças para familiares, lembranças para vários amigos, mas um bocado de gente que ela não via com tanta frequência assim. E as lembranças que ela resolveu comprar foram comidas, comidas gostosas, todas que ela gostava. Bem, eram pessoas que ela não via com frequência e ela ficou então em casa depois que voltou de viagem com várias lembrancinhas comestíveis de coisas que ela gosta. E as pessoas sem saber que ela tinha trazido lembrança e ela não via também com muita frequência. O que é que aconteceu? Em um momento, ela começou a comer todas as lembranças. O que é que ela sentiu? Muita culpa, sentiu muito decepcionado, né? E e aí foi interessante que ela falou: "Puxa vida, eh, percebeu?" E eu falei para ela: "Mas por que você comprou comida? Por que você não comprou outro tipo de lembrança?" Ela: "Pois é, eu acho que eu acabei colocando, né, fogo para me queimar. É alguém que tá querendo fazer uma e perda de peso e compra, né, a comida que mais gosta para estar em casa. Não pode estar tão perto. É aquela tentação perto de casa, entende? Ficar perto daquela tentação vai fazer com que você, eu vou provar se eu tô bem. Você não vai provar se você tá bem, você vai cair, entendeu? Porque você ainda não tá bem para resistir. Então o autoboicote vem às vezes nessa tentação, nessa prova de fogo que a gente se coloca de forma desnecessária ou antecipada demais. E aí a gente pode ir percebendo que aí tá um caminho mais eh patológico. Vamos reconhecer pelas consequências da atitude. Então é uma pergunta interessante da gente poder pensar sobre os ganhos secundários, né, que envolvem as nossas atitudes e que não são voluntários, são muitas vezes inconscientes. Что?
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