#29 • Jesus e Saúde Mental - Como amar a si mesmo sem ser egoísta?

Mansão do Caminho 18/04/2023 (há 2 anos) 40:11 6,569 visualizações 900 curtidas

WEBSÉRIE • Jesus e Saúde Mental » Episódio 29: Como amar a si mesmo sem ser egoísta? » Apresentação: Leonardo Machado

Transcrição

O amor que move o sol como as estrelas. O verso de Dante é uma verdade resplandescente e curvo-me ante a sua magnitude. Ouço ensino ar sem a pretensão de contribuir para que se desvende o mistério amoroso que amar se aprende amando, sem omitir o real cotidiano, também matéria de poesia. É assim que começa Carlos Drodmon, o seu magnífico livro de poesia chamado Amarse Aprende Amando. E com esse conceito poético, eu queria que a gente pudesse começar o nosso encontro Jesus e saúde mental da noite de hoje. Amar se aprende amando. A proposta de Carlos Durum de Andrade é fundamental. Por quê? Porque há coisas na vida que de fato a gente precisa vivenciar, experimentar, viver para poder ter um aprendizado real, um aprendizado profundo, um aprendizado verdadeiro. É muito comum no perfeccionismo que nós nos habituamos a acharmos que vamos estar primeiro com uma teoria perfeita para podermos entrar numa prática, quando na realidade há algumas práticas que embasoria e mesmo que a pessoa tenha, né, uma concepção de algo muito boa na cabeça, quando ela vai colocar em prática é nesse colocar é nesse fazer que ela vai fazendo os ajustes necessários e, portanto, aprendendo de fato o objeto eh de que ela se debruça. Vou dar um exemplo. quando eu tenho alunos de doutorado ou de mestrado, eh, ou que estão terminando algum e alguma residência médica e tem que preparar, né, uma monografia, uma dissertação, uma tese. Às vezes o que trava os alunos é a ideia de que ele primeiro tem que conceber perfeitamente para depois escrever. E quando na realidade é o exercício da escrita que vai destravando, né, e vai na na medida que vai a tese sendo construída, vai havendo correções, vai havendo ajustes. Então essa ideia de que primeiro tem que est perfeito na cabeça para depois é ser colocado, de um certo modo é até um um uma espécie de vaidade no sentido de não se abrir a possibilidade do equívoco, porque quando eu não faço, eu acabo não me abrindo a possibilidade do equívoco. Mas também se eu não faço, se eu não me

m uma espécie de vaidade no sentido de não se abrir a possibilidade do equívoco, porque quando eu não faço, eu acabo não me abrindo a possibilidade do equívoco. Mas também se eu não faço, se eu não me abro a possibilidade do equívoco, eu também nunca irei acertar, porque eu nunca irei conseguir acertar algo se eu não me expuser a fazer esse algo. Então a gente vê claramente escrevendo livro, texto, teses, dissertações, que só dá para terminar a obra se você coloca algo no papel, algo, portanto, em prática. Se você experimento, só dá para escrever algo escrevendo. Não dá para ser assim um experto na escrita só em leitura. Você pode ser um crítico literário, mas um escritor você precisa escrever. Você pode ser um teórico do amor, mas alguém que ama, alguém que sabe o que é o amor, alguém que sabe o que é amar. É preciso estar vivenciando e nessa vivência se abrir as possibilidades dos equívocos e aí tentar corrigir. E aí então o aluno manda a versão da dissertação, eu leio, corrijo, depois a banca quando ele vai se submeter, corrige. Ou seja, nessa correção vai se chegando num pacote científico mais acertado, mais ideal. E quando ele submete a revista, vai também ter eh ajustes, correções. Então, algumas pessoas nunca conseguem ter, por exemplo, um livro publicado porque elas imaginam que o que vi, o que sai da cabeça dela já tem que ser perfeito. Então, às vezes nem sai nada, porque essa perfeição não é atingida nem depois de muitas correções. Imagina de primeira, tô falando do ponto de vista literário. E outros acabam não conseguindo publicar, não conseguindo e ter uma obra concretizada, quer seja científica, quer seja uma dissertação, quer seja um livro, porque também não se abre a possibilidade da correção de terceiros, de pessoas que são habilitadas para fazer isso. Então, como elas não se abrem a correção, elas não se abrem a o ajuste necessário e ficam sempre presas numa idealização, no mundo de um ideal, de uma ideia, e não no mundo de uma concretização. O amor é um ideal no

s não se abrem a correção, elas não se abrem a o ajuste necessário e ficam sempre presas numa idealização, no mundo de um ideal, de uma ideia, e não no mundo de uma concretização. O amor é um ideal no sentido de nos inspirar, mas ele precisa ser uma prática no sentido de a gente ir ajustando a dosagem daquilo que a gente acha que é amor, né? a o direcionamento da ação daquilo que a gente acha que é amor na prática diária. Eita, eu me cedi, eita, eu me equivoquei. Eita, esse amor foi mais, na verdade, eh, posse, esse amor foi mais, eh, egoísmo. Então, acho é fantástica a proposta do Carlos Drumon de Andrade, quando ele diz que amar se aprende amando. Se a gente parafrasear uma visão espírita, né, a evolução só se faz evoluindo e evolução só se faz vivendo. Não dá para você ser evoluído só teoricamente, intelectualmente. É preciso você ter uma evolução moral. E a moral, né, vem na prática, ou seja, a evolução ética vem com o caminhar. E nesse caminhar a gente vai acertar às vezes de primeira, mas vai errar também às vezes eh de primeira. E aí esse esse esse erro a gente vai ter que tá aberto a à correção, porque aí vem um ponto, já que eu falei em evolução, às vezes o perfeccionismo, eh, numa esfera mais espiritual, numa esfera religiosa, ela se dá também por uma aspiração. De certo modo, nós temos uma ambição, nós temos uma aspiração, nós temos um desejo de evoluir, de evoluir para chegarmos uma perfeição. Temos a visão, conforme muito bem a nota, né, Bezerra de Menezes no livro A loucura sobre o novo prisma, temos uma percepção de que somos eh perfectíveis, ou seja, somos passíveis de chegar à perfeição. Perfectíveis. Essa perfectibilidade, essa possibilidade de a gente atingir a perfeição, traz assim uma ânsia, né, um desejo, uma ambição. Mas às vezes pode, em algumas situações, se não é colocada essa ideia junto com uma ideia de paciência, gerar em nós uma certa ansiedade, né, eh, e um certo perfeccionismo. A ideia da perfecta perfecibilidade, né? Ou seja, de ser passível, de ser

o é colocada essa ideia junto com uma ideia de paciência, gerar em nós uma certa ansiedade, né, eh, e um certo perfeccionismo. A ideia da perfecta perfecibilidade, né? Ou seja, de ser passível, de ser perfeito, não é para alimentar o nosso perfeccionismo, porque o perfeccionismo é o excesso de julgamento interior, né, que acaba travando os sentimentos. O perfeccionismo é rígido e é uma mensagem de pascal em o Evangelho Segundo o Espiritismo. Quando ele vai versar sobre o amor ao próximo, amar a si mesmo, ele vai dizer: "A rigidez mata os sentimentos". Porque então esse perfeccionismo, por ser muito rígido, ele mata o sentimento, porque ele nem deixa ação aflorar. Porque ele só deixa ação aflorar se ela for perfeita. Só que como a perfeição não consegue ser atingida sem uma ação, aí você entra num ciclo paradoxal, um ciclo vicioso. Eu não atuo na vida, eu não faço nada na vida porque eu tenho uma rigidez ligada a um perfeccionismo que me coloca a ideia de que eu só posso fazer algo correto, de que eu não posso errar, eu não posso me equivocar. E aí eu não, por não fazer nada, porque eu não quero me equivocar e como não tenho certeza se é certo ou errado, eu acabo ficando numa inércia, numa passividade, ou então ficando num eh numa num lodo, né? Porque eu fico estagnado e faço muito menos do que eu poderia fazer. E como eu não faço, eu também não me exponho aos acertos. Como eu não me exponho aos acertos, eu não vou me evoluindo, não vou me melhorando, não vou crescendo. Então fica ali um ciclo vicioso. Por isso que a ideia de de de ser perfectível, ou seja, passível de uma perfeição, ela precisa embutir dentro de si a ideia da paciência, de que um tempo é preciso acontecer, e a ideia também da humildade, a ideia de que eu posso errar, eu sou passível de erro, mas é justamente a vivência escrevendo uma tese, escrevendo, ou seja, criando, vivenciando o que eu vou Vou podendo entender o que é e o que não é o amor, o que é e o que não é o correto. É a partir dessa vivência. Então, essa

a escrevendo uma tese, escrevendo, ou seja, criando, vivenciando o que eu vou Vou podendo entender o que é e o que não é o amor, o que é e o que não é o correto. É a partir dessa vivência. Então, essa vivência que nos chama atenção e que é aquilo que nos chama atenção, por exemplo, na vida de Jesus. Porque se a gente abrir, por exemplo, aqui o livro Levítico da Bíblia, no capítulo 19, versículo 18, a gente vai encontrar que lá nesse nesse versículo há uma proposta, portanto, anterior ao cristianismo, anterior a Jesus, uma proposta de amar ao próximo como a si mesmo. Se a gente, por exemplo, abrir o Deuteronômio, no capítulo 6, versículo 4 e e 5, a gente vai ver também que há uma proposta de amar a Deus acima de todas as coisas. Então, de certo modo, o mandamento maior, a gente fala o mandamento maior, eh, de Jesus, né, amar a Deus acima de todas as coisas e ao próximo como a si mesmo, eles já estavam antevos no Velho Testamento, em livros anteriores a Jesus. Mas quando a gente pensa nessas propostas amorosas, a gente lembra logo da figura de Jesus, porque ele ele levou essa proposta a uma potência gigantesca. E não foi pelo verbo fácil, não foi pela escrita fácil, ele próprio não escreveu, né? foi pela sua vivência, foi pela pelo exemplo, pela exemplificação. E essa vivência, sim, ele já chega aqui na Terra, né? Eh, já segundo a visão espírita, ele era já perfeito quando nós o conhecemos na sua eh nessa vida, né, como Jesus, porque ele é o guia, é o modelo da humanidade. E o guia e o modelo precisa ser perfeito, porque ele é o governador da terra, né? Aquele que comanda os passos da terra. Então ele já já vem perfeito, mas pela visão espírita, todos os seres, incluindo o ser que conhecemos como o nome de Jesus, ele eh foi criado sem complexidades, mas na simplicidade não era não foi criado perfeito e foi a vivência evolutiva que fez a perfeição. Há um abismo gigantesco entre as possibilidades que eu tenho e a possibilidade daquele que eu admiro maior, né, que tem admiração, a

foi criado perfeito e foi a vivência evolutiva que fez a perfeição. Há um abismo gigantesco entre as possibilidades que eu tenho e a possibilidade daquele que eu admiro maior, né, que tem admiração, a admiração maior Jesus, de poder fazer. Mas isso não impede de tê-lo como exemplo para tentar colocar na nossa pauta, tendo como eh meta chegar nele, tendo como meta a perfeição, tendo como inspiração, portanto, a perfectibilidade, mas não se apegando no perfeccionismo, porque perfeccionismo é rigidez. E como muito bem coloca eh eh Blaze Pascal no livro O Evangelho Segundo Espiritismo, a rigidez mata os sentimentos e consequentemente mata a possibilidade do amor, porque simplesmente a rigidez mata a ação com medo de se equivocar, com medo extremo de se equivocar. Então para não se equivocar eu não faço nada. Ou então, e aí abro mais uma vez o verso de Carlos Durmão de Andrade. Para poder acertar, eu espero os grandes momentos, os momentos poéticos, os momentos dantescos. E aí ele cita o verso de Dante, mas ele vai colocar: "Olha, eu não ouso encerrar o que é o amor, mas eu percebo que há também esse amor que há está no cotidiano. E o cotidiano também é matéria de poesia. E o livro Amar aprende Amando, ele traz uma série de poesias, não são epopeias. Muitas vezes, grande parte das poesias são poesias eh que trazem um retrato do dia a dia, do cotidiano, porque a ideia do amor não apenas para as epopeias, não apenas para os grandes livros, pros grandes momentos, mas o amor para esse momento diário do nosso do nosso dia a dia. Nesse sentido, eu queria abrir, né, eh, a questão 647 de O livro dos espíritos. A lei de Deus se acha contida toda no preceito do amor ao próximo ensinado por Jesus. E os benfeitores vão dizer, Allan Kardec: Certamente esse preceito encerra todos os deveres dos homens uns para com os outros. Amar acaba sendo um dever, mas ao mesmo tempo a gente também pode ver como um direito. Geralmente dever dá uma ideia de obrigação e direito dá uma ideia de presente,

dos homens uns para com os outros. Amar acaba sendo um dever, mas ao mesmo tempo a gente também pode ver como um direito. Geralmente dever dá uma ideia de obrigação e direito dá uma ideia de presente, né? Quando eu tenho direito, é como se fosse assim, eu tenho um presente, eu tenho uma oportunidade. Então, o amor encerra um dever, mas só quem ama entende que ao encerrar um dever, ele também guarda um direito, o direito de amar, o direito de servir. A primeira vez que escutei diretamente para mim, falando essa questão, o direito de servir foi o próprio Divaldo Franco. Eu sempre pensei muito o servir ao bem, né? servir a causa do amor como um dever meu. Mas ao mesmo tempo quando ele quando ele colocou para mim o você tem o direito de servir a ideia de que olha a gente vai se habilitando, vai se habilitando, trabalhando, vivendo e esse se habilitar vai ganhando um espaço que é um espaço conquistado de confiança, por exemplo, no coração das pessoas que escutam a nossa proposta, que escutam a nossa interpretação, a proposta proposta, sem sombra de dúvida, é a proposta espírita, é a proposta cristã, mas o intermediário acaba trazendo a sua interpretação, a sua visão, o seu toque, né? Nós somos o carteiro, mas ao entregarmos a carta temos um jeito de entregar. E a vivência, a prática, o fazer vai nos dando não só a ideia do dever, que é uma ideia que pode trazer um peso, mas a ideia do direito. E a ideia do direito de fazer, né, dá a sensação de conquista. A sensação de conquista dá uma sensação de que coisa boa. E o amor é isso, é uma coisa boa que a gente sente. O amor gera em nós coisas boas. gera, portanto, alegria. E a alegria não é só um dever, a alegria também é um direito. Então, quando a gente eh consegue aprofundar a perspectiva do amor, a gente consegue entender eh na visão espírita que ela encerra os ensinamentos de Jesus, ou seja, ela resume os ensinamentos de Jesus. E nesse resumo há a ideia de mão dupla. No que eu faço, eu também recebo. E no que eu recebo, eu estou eh ganhando um direito.

a os ensinamentos de Jesus, ou seja, ela resume os ensinamentos de Jesus. E nesse resumo há a ideia de mão dupla. No que eu faço, eu também recebo. E no que eu recebo, eu estou eh ganhando um direito. E nesse direito, porque é um direito amoroso, eu estou incluído a ideia de retribuir amor e gratidão. Portanto, eles vão de mão dadas. Quando eu amo e quando eu estou recebendo amor, eu acabo também movimentando em minha gratidão e, portanto, eu vou fazer algo para o outro. Abro ainda o a a codificação espírita na mensagem do capítulo 11 do item oito de O Evangelho Segundo o Espiritismo. Uma mensagem muito famosa de Lázaro. O amor resume a doutrina de Jesus inteira, visto que esse é o sentimento por excelência. O amor é o sentimento por excelência e, portanto, resume a doutrina de Jesus inteira. na questão do livro dos espíritos, eh, há uma reafirmação disso ou uma afirmação disso, já que é anterior ao segundo Espiritismo, e coloca a ideia de eh de que encerra os deveres de uns para com os outros. E aí Lázaro vai dizer algo bem interessante. Os sentimentos são os instintos elevados à altura do progresso feito. Em sua origem, o homem só tem instintos. Quando mais avançado e corrompido, só tem sensações. Quando instruído e depurado, tem sentimentos. E o ponto delicado do sentimento é o amor. Não o amor delicado do eh não o amor no sentido vulgar do termo, mas esse sol interior que condensa e reúne em seu ardente foco todas as aspirações e todas as revelações sobrehumanas. A lei de amor substitui a personalidade pela fusão dos seres, extingue as misérias sociais. Então, é uma mensagem muito profunda. vê que ele traz aí a imagem eh que Dante trouxe, né, do amor como o sol, o amor que ilumina, o amor que aquece, o amor que dá vida, né, a imagem desse sol que condensa, portanto, a ideia da vitalidade, o amor também como sendo um um uma conquista, esse amor profundo como sendo uma conquista máxima de uma evolução, né? os instintos gerando sensações, as sensações gerando os sentimentos e os

talidade, o amor também como sendo um um uma conquista, esse amor profundo como sendo uma conquista máxima de uma evolução, né? os instintos gerando sensações, as sensações gerando os sentimentos e os sentimentos gerando eh assim desembocando no amor. O amor como uma herança divina, já que Deus é amor e nós somos filhos de Deus, nós temos uma herança, uma gotícula desse amor na nossa, no nosso embrião, no nosso germe, na nossa intimidade. E aí eu queria fazer essa eh esse caminho proposto por Lázaro. Vamos pensar nos instintos, né? o instinto como sendo um rudimento do amor, porque a gente tá colocando lá extinto, sensação, sentimento, amor. Mas se a gente pensa Deus como criador e Deus sendo amor e nós temos tendo uma fagulha do amor no nosso embrião, a gente também pode pensar que o amor divino é que traz ali a formação do instinto no ser eh mais inferior, que nós éramos ainda mais e que ainda somos, mas bem menos do que antes, quando a gente pensa assim só nos instintos. o instinto como sendo, portanto, eh, a porta inicial de dentro do ser para o desenvolvimento do amor e essa porta sendo aberta, né, em por Deus em nós a partir do amor divino. Então, tudo bem, extinto. E qual o instinto que Allan Kardec traz muitas vezes eh na sua codificação? o chamado instinto de conservação, que dá a noção de sobrevivência. Esse instinto de conservação, de certa forma, nos preserva a vida e ele acaba gerando, né, dois movimentos, uma preservação do de si mesmo. Então, nessa preservação de si mesmo, é como se eu me colocasse mais importante do que os outros, porque eu preciso me preservar. Então, o que importa são os meus interesses. No entanto, quando eu vou e evoluindo um pouco mais e não preciso chegar numa evolução ainda muito grande, eu começo a perceber, tô colocando ali uma uma um um uma palavra, né, porque não é bem inconsciente isso, é um desdobramento da vivência, né, de múltiplas existências, inclusive de múltiplas formas de vida antes mesmo da forma humana, digamos

uma um um uma palavra, né, porque não é bem inconsciente isso, é um desdobramento da vivência, né, de múltiplas existências, inclusive de múltiplas formas de vida antes mesmo da forma humana, digamos assim. A gente vai entendendo enquanto ser que não dá para sobreviver sozinho. E um movimento instintivo inspirado pela conservação que os animais fazem é se juntar. Eles se juntam. Os animais eles se juntam para aumentar a chance de sobreviver. Então esse instinto de conservação ao mesmo tempo, que faz com que o animal brigue com o outro, né? eh, e tente matar o outro para poder preservar a vida. em algum momento também faz com que ele não seja um lobo solitário e sim, né, um lobo que se junta com outros lobos para poder se preservar com mais facilidade. Então, em algum momento, o instinto de conservação ele gera esses dois movimentos, um movimento mais para si, um movimento mais centrípeto para si mesmo e um movimento mais pro outro centrífogo. A ideia de preservação. Então a gente vai começar a entender a a geração das emoções, né, que aí os animais já começam a ter. As sensações elas estão muito ligadas às emoções. Quando eu sinto alguma emoção, eu sinto taquicardia, eu sinto o pelo arrepiado, eu sinto às vezes frio na barriga, eu sinto sensações. Os sentimentos são eh uma consequência das emoções, né, ou são ligados às emoções, mas os sentimentos já têm uma coisa mais racional. Nas neurociências a gente fala assim, emotional feelings, sentimentos emocionais. para exemplificar que os sentimentos geram também as sensações, mas não são apenas as sensações, eles têm uma uma racionalidade, uma intelectualidade do tipo, eh, eu estou alegre, tem um que aí instintivo, né, um que mais emocional, mas eu posso entender porque eu estou alegre e ao entender porque eu estou alegre, ativar essa alegria. Então, há uma via de mão dupla nos animais, as emoções básicas, né? Medo, raiva, tristeza, nojo, surpresa, alegria. Nos seres humanos, essas emoções básicas continuam, mas elas ganham essas emoções

a. Então, há uma via de mão dupla nos animais, as emoções básicas, né? Medo, raiva, tristeza, nojo, surpresa, alegria. Nos seres humanos, essas emoções básicas continuam, mas elas ganham essas emoções complexas que têm o conteúdo racional, a gente pode chamar de sentimentos, né? Eh, eu tô pegando a linguagem da da neurociência. Na atualidade, os sentimentos, né, que a gente conceitualiza no na na ordem clássica e o sentimento aqui na conceitualização de Lázaro bate muito com o que a gente chama de emoções complexas, tipo ciúmes, tipo inveja, tipo serenidade, que são emoções que se juntam, portanto, sensações diferentes com uma racionalidade. Pois bem, o ápice é o amor e o amor tem essas duas forças, uma força centrípeta e uma força centrífuga, uma força que movimenta a gente pra gente mesmo, desde lá do instinto de conservação para preservar a nossa espécie, mas uma força que também movimenta pro outro também para preservação da nossa espécie, quando a gente tem filhos, quando a a gente cuida dos filhos dos outros, quando a gente se reúne, ou seja, a gente está se reunindo para ficar mais fácil de sobreviver do que sozinho. A gente foi percebendo isso. Então, no final das contas, de uma forma inicial, é como se esse instinto de conservação gerasse um egoísmo ou pelo menos um egocentrismo, uma força para dentro. E esse instinto de conservação também gera uma força para fora, um altruísmo, né? Um egocentrismo e um altruísmo, digamos assim. Esse egocentrismo e no início, né, ele acaba se transformando num egoísmo, né? Por exemplo, a criança, ela não deixa de ser egocentrada, ela vê as necessidades dela e e o o meio inteiro se mobiliza para a necessidade dela. Agora, se ela foi vai se tornar egoísta, vai depender muito da quantidade de mimação, né? quanto ela é mimada ou não. O excesso de mimo, o excesso de proteção vai transformando aquela, aquele egocentrismo em um egoísmo. Esse é um ponto importante de a gente eh perceber, porque esse mesmo instinto de conservação que movimenta a gente pro

excesso de proteção vai transformando aquela, aquele egocentrismo em um egoísmo. Esse é um ponto importante de a gente eh perceber, porque esse mesmo instinto de conservação que movimenta a gente pro outro eh num num momento inicial, ele também acaba gerando um uma egoísmo também, né? Por quê? Porque a gente se se junta pensando naquele nos nós contra os outros, mas já é um egoísmo diluído, já é um um rudimento de um altruísmo, porque eu não tô pensando, digamos assim, só em mim. Eu continuo pensando em mim, na minha sobrevivência, mas já penso na sobrevivência do grupo. E aí vai se expandindo, se expandindo, né? Quando o grupo se torna a humanidade, quando a humanidade se torna o universo inteiro, a gente vai ampliando e essa, mas sem deixar de lado essa força egocentrada, né? Essa força centrípeta. Porque quando eu penso no universo como um todo, eu tô pensando em mim. Quando eu penso em preservar a vida, eu tô pensando eh em mim, nos meus. Quando eu penso em preservar a vida, por exemplo, com a reencarnação, de certa forma tô eh quando se fala da ecologia, olha, precisa preservar o ambiente para gerações futuras. Eu tô pensando um pouco nos meus, pensando nos meus filhos, pensando nos meus, mas já é uma forma menos egoísta, né? já é uma forma mais altruísta, porque já tá uma força mais em prol da coletividade. Se eu sou reencarnacionista, eu até vou poder dizer o seguinte: "Olha, vou cuidar do planeta porque depois eu quero reencarnar nele ainda. Eu preciso reencarnar nele ainda." Então veja, é um altruísmo que tá junto de um egocentrismo, uma força pro outro que tá dentro de uma força em mim. O que que eu tô querendo dizer? que o germe, né, dessa emoção, desse sentimento ruim, que é o egoísmo, acaba sendo o mesmo germe desse sentimento elevado, que é o amor, que é a máxima potência. Porque, como diz Lázaro, o instinto, as sensações, os sentimentos, o amor é a potência máxima dos sentimentos, mas você tem outros sentimentos. E esses outros sentimentos, eles vão às vezes eh até chegar nesse

omo diz Lázaro, o instinto, as sensações, os sentimentos, o amor é a potência máxima dos sentimentos, mas você tem outros sentimentos. E esses outros sentimentos, eles vão às vezes eh até chegar nesse amor agápico, nesse amor divino, a gente vai tendo uma série de versões. E aí, mais uma vez a ideia de Carlos de Mond Andrade. Só dá para aprender isso vivendo, só dá para aprender essas coisas reencarnando. Por isso que a gente se reencarna e não fica só teoricamente no mundo espiritual lendo, lendo, lendo, se preparando, se estudando, porque a gente precisa viver para poder de fato se apropriar dessas coisas que são eh que são sentidas, sentimentos. Eu preciso sentir, não posso só teorizar. Então, sim, é possível ser amar a si mesmo sem ser egoísta. E aí eu queria colocar um salto paradoxal. Olhando a criança, o que é que eu percebo? Eu percebo que a gente hoje tem uma dificuldade de lidar com o medo, né? Houve muito tempo em que Deus era temor. Eu devia temer a Deus. E eu lia recentemente os Eclesiastes, né, o livro Eclesiastes da Bíblia. E achei interessante que no final dizia e a recomendação é: "Olha, continua temendo a Deus". E eu acho interessante que no primeiro momento, na Idade Média, o temor era tão forte que é mais ou menos o que acontecia em gerações anteriores dos filhos para com os pais, né? falando até o pai mesmo, eh, biologicamente falando, a paternidade, biologicamente falando, era um medo tremendo e a educação era baseada no medo. E a educação quando era bem feita, ela também olhava para o todo, né? O que que acontece? A gente vai para novo momento. Deus é amor, sem sombra de dúvida. No entanto, assim como um pai é amor pro seu filho, mas precisa dizer algum não, a gente também precisa ter algum tipo de medo, porque nós ainda somos muito inferiores, perturbados, egocentrados, ainda somos muito infantis e não podemos desconsiderar essa força. que é, por exemplo, o medo. Será que o papai vai me amar se eu não fizer por onde ele me amar? Porque o que acontece é como se hoje os

inda somos muito infantis e não podemos desconsiderar essa força. que é, por exemplo, o medo. Será que o papai vai me amar se eu não fizer por onde ele me amar? Porque o que acontece é como se hoje os pais implorassem os seus filhos para eles poderem amar, né? E os filhos ficam lá eh extremamente mimados, né? E como se tudo fosse muito fácil. Então eu como pai digo, compartilho, é muito importante a gente usar um pouco do medo para que os filhos não tenham tantas certezas assim de tudo, porque o medo faz com que eles, por exemplo, eh tentem ser pessoas melhores, porque se ele não tem medo, né, de ferir o outro, como é que ele vai eh deixar de ferir, né? a gente, a primeira linguagem que a gente aprende tá nesses instintos, né, nessas emoções mais instintivas, essas emoções mais primárias. Medo é uma emoção primária que nos ajuda muito. Sem o medo a gente, sem o medo, por exemplo, de ferir o outro, sem o medo de ser pego pela justiça, sem o medo de, entende? Sem esses medos a gente não tolia as nossas eh asas perturbadas. Então, a gente precisa um pouco do medo, sim. Não é o medo, o temor gigantesco, mas precisa um pouco do medo para poder sair dessa visão egocentrada para uma visão amorosa e não sigarmos a ficarmos egoístas, porque o egoísta ele sempre quer, sempre quer, sempre quer. E ele não tá muito preocupado com o outro porque a opinião do outro tá pouco importando para ele. Aí às vezes as pessoas dizem: "Ah, não se importe com a opinião do outro". Veja, não fique paralisado com a opinião do outro. Não fique paralisado no temor da opinião do outro. Mas um pouquinho de medo da opinião do outro é importante para você não se tornar, né, não ser um psicopata. Psicopata não tá preocupado, ele não sente culpa. Então, essas emoções culpa, sabe, medo, essas emoções mais pesadas que to comportamento, ela nos dá uma sensação de dever. E amor também tem um dever. Ela nos dá uma sensação de que eu preciso fazer algo para papai e mamãe para ele me amar também, porque eu preciso honrar papai e mamãe. Então, se

dá uma sensação de dever. E amor também tem um dever. Ela nos dá uma sensação de que eu preciso fazer algo para papai e mamãe para ele me amar também, porque eu preciso honrar papai e mamãe. Então, se eu preciso honrar papai e mamãe, eu preciso ter um dever para com ele. E as emoções que nos falam de um dever são as emoções que tolem, né, que dão uma certa sensação de culpa, eu faço porque eu preciso, entende? E aí eu vou me alinhando com a automaticamente essa outra emoção, eh, que leva a um direito. Mas se eu fico achando que eu só tenho um direito, eu vou ficar o quê? Mimado. Eu vou ficar spoil. Vou ficar, portanto, egoísta. Então, o amor é um direito, mas é um direito, né? O servir é um direito, mas é um direito que já embute nele um dever. Então, como a gente não é, né, a gente não partiu do ponto de saída, de chegada, a gente partiu do início. Então, esses outros, essas outras emoções mais corriqueiras, né, mais eh densas, pesadas, elas são importantes para nos colocar a rédia. Então, não é que eu esteja dizendo, nós precisamos temer a Deus, não. Deus é amor. Mas nesse amor, assim como o seu pai é amoroso, assim como o você como pai tenta ser amoroso, o amor verdadeiro precisa também de um pouco de imposição. Tá aí a lei, né? A lei de Deus. a lei de Deus que impõe o limite. E a gente tem a necessidade de ter um medozinho da lei de Deus para poder fazer o correto, para poder fazer o certo. Então, quando a gente coloca um pouco uma pitada dessa emoção medo, a gente automaticamente impute uma limitação, uma rédia nas nossas nas nossas e no nosso egoísmo. E essa rédea no nosso egoísmo vai drenando o nosso instinto de conservação para um amor mais complexo. Mas isso só se faz vivendo. Amar se aprende amando. Viver se aprende vivendo. E a gente vai então pensando, refletindo. Eita, será que eu usei de um medo excessivo para educar meu filho? Será que eu puni demais? Será que eu fui rígido demais? Como eu vi ontem uma mãe perguntando pelo amor que ela tem pelo filho, ela queria também saber, será que

m medo excessivo para educar meu filho? Será que eu puni demais? Será que eu fui rígido demais? Como eu vi ontem uma mãe perguntando pelo amor que ela tem pelo filho, ela queria também saber, será que eu tô exigindo demais dele? Então isso faz uma uma demonstração de humildade, de autocrítica, de percepção de que a gente pode errar, mas sobretudo nós não nos esquivamos de fazer, porque a coisa mais fácil do mundo, entre aspas, é ser ausente. A gente não erra, mas também não é um pai, porque pai precisa de presença. ser pai e mãe é preciso ser presente. E a história às vezes da humanidade é uma paternidade ausente porque não queria lidar com essa culpa, né, com essas questões todas. Enfim, foi querer viver a sua vida. Mas para poder acertar, a gente precisa de presença. E essa presença vai também criando espaço na nossa relação com os filhos, na nossa relação com as crianças, para elas entenderem que olha, esse não que eu tô dando, esse carão que eu tô dando, portanto, esse medo que você tá sentindo de mim, eu tô fazendo pro seu bem, porque eu dou o amor, eu estou aqui. Mas você também precisa entender que quando você passa do ponto, você precisa ter algum tipo de retaliação para você entender que esse comportamento não é o melhor, não é o mais saudável. Mas a gente só consegue fazer isso se a gente tiver presente. Só conseguimos fazer isso eh com a vivência. A ausência da vivência não nos leva à evolução a canto nenhum. A gente às vezes vai errar porque vai passar do ponto, mas aí a gente pode fazer essa autocrítica e pedir perdão para si mesmo, pro outro. Por isso que o amor em butute também o perdão, a indulgência, né, a caridade, a benevolência, todas essas outras características. Mas eu queria colocar hoje a ideia de que para não nos tornarmos egoístas, nos amando, a gente precisa ter um pouquinho de medo para fazer essa e essa transição, né, de amadurecimento, saindo de uma infância espiritual para entrar num adolescência, num adultez espiritual, numa maior maturidade. Amar

sa ter um pouquinho de medo para fazer essa e essa transição, né, de amadurecimento, saindo de uma infância espiritual para entrar num adolescência, num adultez espiritual, numa maior maturidade. Amar aprende amando. Até a próxima.

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