#19 • Jesus e Saúde Mental • Sofrimento e superação: o livro de Jó (Parte 1)

Mansão do Caminho 31/01/2023 (há 3 anos) 39:25 8,065 visualizações 1,023 curtidas

WEBSÉRIE • Jesus e Saúde Mental » Episódio 19: Sofrimento e superação: o livro de Jó (Parte 1) » Apresentação: Dr. Leonardo Machado

Transcrição

Eu te conhecia apenas de ouvir, mas agora os meus olhos te vem. Essa é uma frase lapidar de um livro muito conhecido, mas talvez não tão aprofundado dentro da nossa perspectiva espiritista, o chamado livro de Jó. Essa frase está no final do livro, precisamente no capítulo 42, versículo 5. Eu te conhecia só de ouvir, mas agora meus olhos te vem. É Jó se referindo à divindade, Jó se referindo a Deus. Jó, depois de toda sua trajetória de sofrimento, chegando à conclusão de que ele era adepto do amor divino, ele era um homem justo, que amava a Deus, que fazia sua vida de acordo com a prescrição, digamos, do divino. No entanto, ele chega à conclusão depois de um momento grande de sofrimento, de que até ali ele apenas havia escutado falar sobre Deus e naquele momento ele tinha visto, né, os olhos deles vêm, ou seja, uma expressão de que por diversos motivos, especialmente porque no final ele tem uma experiência de transcendência. Essa experiência de transcendência havia se transformado não mais num machismo, não mais numa crença, mas sim em uma certeza que não é mais racional, mas é vivencial. Ele tinha a certeza de Deus não mais como uma certeza racional, teológica, mas sim uma convicção espiritual que nos fala da transcendência e que a gente só consegue atingir a partir de uma experiência ou de experiências. E que em geral essas experiências, como nos ensinam o livro de Jó, não são experiências de lá muito agradáveis. É a partir muitas vezes do sofrimento e a partir muitas vezes dessas experiências desagradáveis que nós somos convidados a passar pela vida, que nós também temos a possibilidade de transcender o que nós somos. E ao mesmo tempo que transcendemos o que nós somos, transcendemos a nossa relação com o divino. Então Jó conclui que eu te conhecia, sim, mas só de ouvir, só de ver passar, só de relance. Agora meus olhos te vem, agora eu te sinto, eu te experimento, eu tenho a ciência. da experiência do divino, portanto, da experiência transcendente em mim. E eu convido para que a gente

só de relance. Agora meus olhos te vem, agora eu te sinto, eu te experimento, eu tenho a ciência. da experiência do divino, portanto, da experiência transcendente em mim. E eu convido para que a gente possa analisar um pouco desse livro, que é uma grande metáfora sobre os aprendizados do sofrimento, que coloca grandes questões sobre por o homem justo sofre. Não é porque o homem injusto, o homem mau sofre. Para essa tipo de reflexão, a gente tem uma série de respostas que são muito convincentes para a nossa intimidade, mas para a questão do problema do mal que acontece mesmo com o homem justo, ou seja, mesmo para aquele que aparentemente, né, não tem nenhum tipo de encargo, débito, isso torna uma visão um pouco mais pessimista às vezes. em relação à divindade, em relação a tantas outras questões. Então, o o livro de Jó faz essa metáfora, né, e esse ensinamento. Alguns dizem que ele também é um livro que coloca a questão da fé como sendo algo fundamental e sem sombra de dúvida, mas a o problema do mal diante do homem justo, diante de alguém que não teria uma um porquê, né, de estar sofrendo, é o grande problema que inquieta os seres humanos e que cada um vai dando explicações. A doutrina espírita tem explicações, a gente vai também adentrar, mas a grande que a mais que o livro de Jó propõe é justamente essa experiência. Esse sofrimento faz com que a gente não apenas escute falar de Deus, mas sinta Deus, veja Deus. O sofrimento, portanto, como uma cicatriz que não coloca-nos masoquistamente no túmulo, mas que nos faz transcender a experiência de manência, né, para podermos ter uma experiência de transcendência. Então essa é uma grande resposta e que eu estou trazendo a uma conclusão, né, de Jó, mas que irei analisar com vocês, né, não só nesse programa, mas no próximo programa. E aí eu queria na próxima palestra, nos próximos encontros, e aí a gente precisa entender um pouco. Primeiro eu convidaria você, simpatizante do Espiritismo ou Espiritista, que nunca leu o livro de

a. E aí eu queria na próxima palestra, nos próximos encontros, e aí a gente precisa entender um pouco. Primeiro eu convidaria você, simpatizante do Espiritismo ou Espiritista, que nunca leu o livro de Jó, que pudesse fazer uma leitura do livro de Jó. O livro de Jó, ele se encontra na Bíblia junto a outros livros que são chamados sapienciais, porque eles trazem uma sabedoria sobre várias questões filosóficas do ser humano. E é uma resposta que o povo hebreu, né, encontrou ou encontrava eh para poder entender esses dilemas. Então, por exemplo, o nome Jó, ele aparece em dois momentos, pelo menos. na Bíblia, né? Mas eh um outro um momento em que ele seria eh o filho de Isacar, a gente vê aí no Gênesis capítulo 46, versículo eh 13. Então Jó aparece como sendo o terceiro filho de Isacá, mas não é esse Jó, né? Eh o o Jó que a gente tá colocando é o Jó do livro de Jó que está inserido, né, dentro dos livros sapienciais. Então, o Eclesiastes, tá? Você vai encontrar eh logo em seguida também os Salmos, né? Logo em seguida ao livro de Jó você encontra os Salmos. Então, são as uma série de eh de ensinamentos, reflexões que os hebreus faziam entre si, né? eh, e que tinha uma tradução, uma tradição oral e que ali em algum momento é colocado em escrita. Não se sabe ao certo. Alguns defendem que Jó não tinha tido uma historicidade em si, ou seja, Jó não existiu. Era mais uma simbologia, como se fosse algo da mitologia grega que não existiu, mas era uma resposta dos gregos para entender os dilemas humanos em determinado momento, préfilosofia. Alguns colocam mais ou menos assim, mas uma grande corrente também da dos teólogos, dos estudiosos, eh coloca que sim, Jó teria existido e a existência dele tem algumas marcas ali a favor, que também não é muito objetivo eh do nosso estudo. Mas eh em Jó existindo mesmo, digamos, numa história, numa biografia, eh é provável que ele tenha existido num momento préosaico, sabe assim, pré-lei mosaica, porque em nenhum momento no livro de Jó é citada, né, a lei mosaica,

o, digamos, numa história, numa biografia, eh é provável que ele tenha existido num momento préosaico, sabe assim, pré-lei mosaica, porque em nenhum momento no livro de Jó é citada, né, a lei mosaica, é citado ali o os mandamentos, enfim. Então, é provável que seja uma tradição hebraica pré mosaica, portanto, muito primordial. e que ali eh em algum momento eh se coloca em palavras, né, se escreve, se traduz essa tradição. Então, Jó era uma pessoa, né, que tinha posses, que tinha eh riquezas e ao lado dessas riquezas, ele também tinha muita justiça no coração, muita gratidão, né? era um ser que amava Yahé, amava, né, eh, Deus, mas também, eh, era um ser que tinha muita gratidão. Então, uma coisa leva a outra, né? Quando nós amamos, nós sentimos gratidão. Quando nós amamos, nós entendemos a a importância do outro ser na minha vida e que, de certa forma, por mais que eh o outro ser, algo, né, não me substitua, por exemplo, se essa gratidão é em relação a um ser vivo, a uma mãe, a um pai, a uma a um cônjuge, a um companheiro, a um filho, eu entendo que não é a minha cara metade que me complementa. Porque sem ela eu não sou. Eu entendo que eu preciso crescer e ter minha autonomia. Mas a gratidão faz também que eu entenda que a presença do outro em mim é fundamental para que eu possa ser o que eu sou. Afinal de contas, a gratidão torna muito patente a percepção de que eu só existo porque outras pessoas existem em mim. Eu só existo porque os meus professores me ensinaram, os meus professores deram um pouco da existência dele para mim, os meus pais, os meus irmãos, todas aquelas figuras que deram um pouco do seu amor, do seu tempo, deram também um pouco de si e me ajudaram a me formar e, portanto, a me completar. Então, sim, eu sou incompleto. Não que necessariamente seja a presença física do outro, material que me complete e aí eu precise da minha cara metade. Mas essas outras contribuições da vida me completam. Quando um autor, por exemplo, analisa o livro de Jó e eu lá lendo o livro de Jó, não vou captar

e me complete e aí eu precise da minha cara metade. Mas essas outras contribuições da vida me completam. Quando um autor, por exemplo, analisa o livro de Jó e eu lá lendo o livro de Jó, não vou captar tudo. Eu não vou captar toda a leitura, né, eh, de um livro de Jó, todas as profundezas. Então, o que é que eu faço? Eu leio lá, releio. Ah, e por exemplo, agora dar um exemplo, eu conhecia o livro de Jó, mas nunca tinha lido como li, tenho lido nos últimos tempos, aprofundando, pegando todas as referências, né? Eh, e são pessoas que se debruçaram. Então, a minha visão era incompleta sobre a profundidade. Então, no que essas pessoas se eh dignificaram a escrever sobre esse assunto, elas completaram uma lacuna de entendimento e uma lacuna de sentimento em mim. Então, indiretamente, se eu tenho desenvolvido em mim um sentimento de mais humildade, de que eu não sou autossuficiente e não posso ser autodidata em tudo, eu vou entender que, olha, os livros completam a minha incompletude sapiencial, ou seja, eu não sei de tudo, os livros me ajudam a completar, então os autores que escreveram me ajudaram, então eles me completam. Então, a gratidão eh ela faz essa medida de que eu não sou completo, de que eu preciso de algo ou alguém para poder ser o que eu sou. Então, quando eu amo, isso fica muito mais fácil. Eu amo os livros, então fica mais fácil entender a importância do autor e ser grato ao autor do livro. Eu amo meu pai, minha mãe, então fica mais fácil entender a importância dele, dela na minha vida. Nesse sentido, quando Jó ama a Deus, né, na sua experiência de vida, ele também tem gratidão a Deus, gratidão à divindade. Então, por isso que eh eh o livro de Jó não só é um não é só não testa apenas a fé dele, né? o quanto ele ama Deus, mas o quanto ele é grato a Deus. E ele tem essa noção de que Deus pode, digamos assim, Deus é algo maior e que ele precisa dessa divindade para poder existir. Então, Jó é um homem que ama a Deus, mas também que é grato à divindade. E o que é colocado em cheque,

Deus pode, digamos assim, Deus é algo maior e que ele precisa dessa divindade para poder existir. Então, Jó é um homem que ama a Deus, mas também que é grato à divindade. E o que é colocado em cheque, né, não é só o quanto Jó ama Deus, o quanto ele, digamos, tem fé, mas também o quanto ele tem gratidão, né? É outra, é outra entrelinha eh que tá aí no na metáfora, né, no na no simbolismo profundo que tem o livro de Jó. Porque mesmo sendo uma, mesmo J tendo existido, vamos assumir isso, há uma metáfora que começa, por exemplo, na escrita do livro em que Deus, né, sabia da intimidade de Jó, sabia que Jó eh o amava, era justo, era grato, sabia das qualidades de Jó. Mas o livro começa ali também com um diálogo, uma um e aí um uma um diálogo simbólico entre Satanás, né, entre, digamos, essa figura diabólica e a figura da divindade. E o diabo propondo o seguinte: "Olha, ó, Jó, ele é, digamos assim, amoroso, é justo, ele acredita em Deus, ele tem fé em Deus, ele é grato à vida, porque também ele tem tudo. Até hoje ele nunca sofreu. Ele é uma proposta do Satanás, digamos assim, uma proposta capciosa. E é uma proposta muito interessante porque em geral a gente acredita nisso, né? Ah, você é feliz porque você tem tudo. E a ciência vem demonstrando que a maior parte das pessoas que tm um alto índice de felicidade, de bem-estar, eh, não é porque elas têm tudo, é por causa desse alto índice de bem-estar que elas conseguem conquistar as coisas, entende? E aí, obviamente, elas ao conseguindo conquistar as coisas, eh, entra-se num ciclo virtuoso. Quanto mais de bem com elas elas estão, elas estão mais leves, elas estão é mais são mais agradáveis de conviver, conseguem ter mais otimismo, força, entende? Então, é um ciclo virtuoso. Óbvio que sim, o os resultados bons da vida ajudam ao nosso estado emocional a ficar um pouco melhor. Mas é curioso que estudos em relação a a ganhadores de loteria, isso aí tá dentro da ciência da felicidade, que é uma área de pesquisa que eu estudo bastante. Muitas pessoas

l a ficar um pouco melhor. Mas é curioso que estudos em relação a a ganhadores de loteria, isso aí tá dentro da ciência da felicidade, que é uma área de pesquisa que eu estudo bastante. Muitas pessoas às vezes me perguntam: "Que que qual profissão?" Porque eu sou médico psiquiatra, né? psicoterapeuta, mas eu sou professor universitário, professor da Universidade Federal de Pernambuco e meu mestrado, doutorados, artigos científicos, eh, em grande parte publiquei na área da psiquiatria, da neurociência do comportamento, que é onde eu fiz o doutorado. Mas eu estudo não só o comportamento adoecido, eu gosto muito de estudar o bem-estar, a felicidade, a chamada psiquiatria positiva e a psicologia positiva. Dito isso, tem dentro desse campo estudo de pessoas que ganharam na loteria, né? Tipo, ah, se eu ganhar na loteria, meus problemas vão ser resolvido. Será que é verdade? Olha, se eu ganhasse na loteria, você ganhasse na loteria, é provável que a gente ficasse feliz e nossos índices de felicidade aumentassem bastante. Mas é provável também, porque é isso que acontece com quase todo mundo. Mas é provável também que acontecesse comigo e com você o que acontece com quase todo mundo. essa felicidade eufórica por ter ganho a loteria, ela vai diminuindo, diminuindo, a empolgação vai diminuindo e depois de um ano mais ou menos, o nível de bem-estar que eu e você sentiríamos pela loteria seria mais ou menos eh quer dizer, depois da loteria seria mais ou menos o nível de bem-estar que a gente já sentia antes de ganhar a loteria. Ou seja, essas coisas externas nos ajudam, mas elas não são definidoras, porque eventualmente esses sucessos trazem muitos desafios, muitos atrapalhos. O sucesso do dinheiro, por exemplo, J tem muito dinheiro, tem muitas posses, tem muitas condições. Um bocado de coisa também vem para administrar, sabe? Um bocado de dilema, a vida fica um pouco mais complexa, aparece pessoas querendo se aproveitar, né? Veja o exemplo de grandes artistas. Eu vou citar o exemplo do John Lennon,

para administrar, sabe? Um bocado de dilema, a vida fica um pouco mais complexa, aparece pessoas querendo se aproveitar, né? Veja o exemplo de grandes artistas. Eu vou citar o exemplo do John Lennon, um dos mais famosos, né? A relação com o pai muito de abandono, né? de ausência paterna, o pai sendo nenhuma influência ali ou pouca influência positiva, a mãe sendo pai e mãe ao mesmo tempo. E depois que ele tá no auge do sucesso, o pai reaparece na vida dele, mas não reaparece assim de uma forma eh desinteressada, né? era querendo tirar financeiramente também do filho. Então imagine a dor do John Lenon e de outros que não é só ele ali, tem outros que aparece ali a figura do pai e da mãe tirando, sugando por causa do sucesso. Se ele não tivesse tido sucesso, né, ele também não teria tido esse tipo de dor. Então o dinheiro, né, o você ganha loteria e aparecia um bocado de parente seu, né, que ia exigir de você, iam ficar ali às vezes como me perdoe a palavra, um sangue suga, sabe? Um parasita na vida. E se você não ajudasse, você era ruim e você não quer ser ruim, você é uma pessoa do bem, então você ia ajudar. Então veja aqui, Doc, daqui a pouco você se sente sobrecarregado, eh, porque não dá para aí, porque ajuda uma vez. Se essa pessoa que ele procurou for uma pessoa grata, ela vai ser ajudada e com a ajuda que você deu, ela vai tocar a vida e vai lhe ajudar. Mas o problema é que muitas vezes nós somos insaciáveis. E aí o ditado popular, a pessoa dá a mão, ela quer o pé. Dá o pé, entende? sempre quer algo mais, sempre é insaciável. Então, o sucesso, né, eh, traz também esse dilema de disso aí que eu tô colocando, mas outras responsabilidades, cobranças, né, eh, do que você deveria ser, do que você não deveria ser, você fica mais visado, qualquer postagem sua tem mais repercussão, então existem mais olhares que começam a cobrar mais. Então, todo eh todo toda posição, né, toda liderança que seja, traz também desafio muito grande e não é à toa a solidão do líder, a solidão daquele que, muito

m mais olhares que começam a cobrar mais. Então, todo eh todo toda posição, né, toda liderança que seja, traz também desafio muito grande e não é à toa a solidão do líder, a solidão daquele que, muito interessante, passando aí na, não sei quando você vai ver esse vídeo, mas passando o gato de botas dois, né, um filmezinho infantil e o gato de botas famoso pelos feitos. E aí mostra em determinado momento a solidão dele, né? Porque ele era o famoso, todo mundo requisitava-o, mas no final da noite era ele e o quarto sozinho do hotel, digamos assim, ou ele sozinho com as botas deles, com a bota dele. E aí ele vai ficando naquele dilema, né? E o filmezinho se coloca muito nisso. Eh, eu preciso, né? Ele tem nove vidas e tá perdendo a vida dele. E aí tem uma forma dele recuperar as vidas dele e ele voltar a ser o gato destemido de botas que ele era. Mas aí ele reencontra a possibilidade de de não ter esse sucesso todo, né? não ter mais vidas, mas ter apenas essa existência, mas eh guardando eh a intimidade do afeto com uma outra gata, um outro cachorrinho que tava meio abandonado. E aí ele encontra o afeto e aí trata muito bonito a solidão dos pop stars, do líder, né? Eu vi recentemente o filme do Elvis. Veja a solidão eh do Elvis ali e o final de vida melancólico, sabe? Então é importante a gente entender isso também, né? Que é muito fácil a gente pensar: "Ah, a pessoa é feliz porque tá tudo bem? Será? Será que esse tá tudo bem também não é um compromisso?" Ah, mas a pessoa nasceu com muitos. muito se pedirá aquele que muito recebeu. Então, às vezes, a pessoa reencarna sem maiores dilemas com os pais, com a mãe, né, sem um abuso, um problema maior, sabe? E a gente não entende muito bem, eh, até fica invejando, etc., Mas às vezes essa paz que ele tá recebendo durante esse período da infância, se maior traumas, é também uma energia para que ele possa eh fazer algo ao longo da existência dele. E ao longo da existência dele, você não sabe os dilemas que essa pessoa passa, apesar de

infância, se maior traumas, é também uma energia para que ele possa eh fazer algo ao longo da existência dele. E ao longo da existência dele, você não sabe os dilemas que essa pessoa passa, apesar de estar falando sobre Deus, sobre Jesus, sobre a sobre o livro de Jó, sobre tantas outras coisas, entende? Então, cada um traz intimidade os sofrimentos. E aí o Satanás, como coloca a metáfora, pergunta para fala assim para Deus: "Olha, e Jó, ele é assim porque ele ganhou muito. Eu quero ver se ele perder, ele vai continuar". E aí o o a divindade coloca assim, ele vai continuar porque ele é assim, não porque ele tem, ele é assim porque ele é. E ele sabe em sendo uma pessoa boa, justa, amorosa, eh fiel, digamos assim, a à a fé e a Deus, aí ele ajuda. Então, deixa eu testar, fala Satanás, né? deixa eu tirar todas as posses, deixa eu dar o sofrimento. E aí a divindade deixa, né? Eh, e aí acontece uma série de sofrimentos iniciais e Jó que aí, no caso, Jó acaba perdendo as posses, dando um bocado de praga nas plantações, mas ele continua fiel a à fé, a divindade, sabe? E aí vem Satanás e fala: "Ah, porque também tem isso, né? Ah, e o o outro, o Satanás, entre aspas, sempre fala assim: "Ah, mas isso aí é fácil, isso aí é fichinha, problema é o outro, sabe? Sempre diminui um pouco eh as dores alheias." E aí é interessante, eu acho, eh ser evoluído com as dores alheias é um ponto para você pensar. Aí vem, alguém diz assim: "Supere". Como assim superar? O que que é superar? sempre já passou por isso, entende? E então é muito interessante, muito cuidado, ter muito cuidado ali, eh, para poder falar. Eu lembro, lembrei aqui de uma senhorinha, né? Eu tenho muitas pessoas que atendo idosos e assim, visando, pegando na visão espírita, nessa existência, nessa existência, quer dizer, em outras existências, eu já passei pela fase idosa, né? Eh, talvez nem eu nem você eh passamos em outras existências por uma fase tão idosa, porque a vida era menor a em termos de quantidade de anos, né?

utras existências, eu já passei pela fase idosa, né? Eh, talvez nem eu nem você eh passamos em outras existências por uma fase tão idosa, porque a vida era menor a em termos de quantidade de anos, né? Mas pode ser que sim, pode ser que você tenha sido e eu um dos anciões assim e vivido muito. Mas assim, nós passamos pelo por uma fase mais tardia da vida. Não é possível que você tenha desencarnado, eu tenha desencarnado sempre com 15 anos, com 20, né? Ou seja, a gente tem uma uma experiência de vida reencarnatória. Agora, nessa existência, Leonardo Machado ainda não pela passou pela experiência da fase tardia. Agora, é curioso que, apesar disso, muito idoso, né, eu vejo isso sempre em palestras que fiz 17 anos, escuta, sabe? Gosto do que falo, escuto o que falo, diz assim: "Poxa, eu me lembrei agora até uma senhorinha foi pro lançamento do meu primeiro livro. Eu era estudante de medicina, tava ali com, eu acho que tinha 19 anos e ela me, ela ela tinha visto as palestras minhas em Recife, via também os textos que eu publicava no Jornal do Comércio daqui. Ela gostava muito, todo o texto, ela tirava, guardava. E quando foi o lançamento que a gente divulgou, né, foram várias pessoas que eu não foram os amigos, família, né, que sempre vai, mas pessoas que eu não conhecia. E veio essa senhora que tinha uma debilidade física e aí foi levada pela filha, pela neta e ela me falou e aí me revelaram assim, olha, ela ela escuta tudo que você fala, que você escreve. Eu fiquei assim, eita, que responsabilidade. Foi a primeira vez. poxa, essa senhora. Ela me falou assim: "Meu filho, você já me ajudou tanto, suas palavras". E eu fiquei, caramba, pensando assim, e olha que eu sou reencarnacionista, eu sei, né? Mas eu me reservo o direito de me encantar e espantar, né, com as situações dessa. Eh, então sempre fico assim, acho curioso, né? Eu conversando com uma senhora ou outro um dia desses, ela melhor do quadro depressivo. E depois de muito tempo eu falava assim para ela: "Olha, e se você for senhora também, eh,

im, acho curioso, né? Eu conversando com uma senhora ou outro um dia desses, ela melhor do quadro depressivo. E depois de muito tempo eu falava assim para ela: "Olha, e se você for senhora também, eh, o senhor, olha, nessa, né, eu não tenho exatamente, não passei pela sua idade, não sei exatamente os dilemas que a senhora passa, mas eu já atendi muitos idosos". Eh, e eu lembro da minha avó, né? Minha avó Cristina, avó paterna. Eh, eu acho que uma das coisas que talvez a senhora precisa aprender conversando com ela é a se acomodar, porque a, digamos, a velice, sabe, ela precisa de uma acomodação, faz parte da vida, uma acomodação que eu diga um marasmo, aprender a lidar com um certo marasmo, a velocidade que fica um pouco mais lento, a cabeça que às vezes pensa do mesmo ritmo, mas o corpo não responde. E eu vi a minha avó ali um exemplo de renúncia, que é uma palavra que tá fora de moda, né? Mas é uma pessoa que sabia renunciar e sabia se adaptar. não era uma pessoa que, digamos assim, era acomodada, mas ela sabia que um pouco de acomodação as coisas da vida significa aceitação. Então, ela teve um adoecimento muito jovem que eu nunca exatamente soube o que era. Não sei se era alguma doença reumatológica, mas ela tinha as mãos assim, sabe? E então ela, eu sempre lembro dela cozinhando dessa dessa forma, com as mãos, com a deformidade e fazia um um almoçozinho simples, gostoso. E quando ela foi eh envelhecendo mais, envelhecendo mais, aí ela foi tendo mais limitações físicas, a cabeça lúcida até o final desta existência em termos de memória, em termos de de lúcida, de entender, de acompanhar. Agora lentificando, lentificando, porque faz parte do marasmo que a idade nos convida a aprender, a lidar. Só que ela já tinha uma uma resiliência, uma renúncia, uma aceitação maior. E quando chegou essa fase, ela conseguiu se adaptar muito, muito bem. Mas eu me recordo que em algum momento ela não conseguia andar sozinha, tinha que você andar com ela. E ela então passou nesse momento a

do chegou essa fase, ela conseguiu se adaptar muito, muito bem. Mas eu me recordo que em algum momento ela não conseguia andar sozinha, tinha que você andar com ela. E ela então passou nesse momento a morar, se mudou de Fortaleza e veio morar em Recife, na casa de meus pais e eu tava ali fazendo vestibular, estudando. Então tava muito em casa estudando, né? Quando eu não tava no cursinho, metade do tempo tava estudando, estudando e a coitada uma vez tava sem ninguém, só eu e ela. E ela, coitada doida para poder, né, ir aos banheiro, fazer as suas necessidades e ela sem conseguir andar e com vergonha de pedir para o netinho dela, né? E então depois que ela tava muito agoniada, ela fala comigo e eu falo: "Não, vovó, eu levo a senhora". Ela: "Não, meu filho, eu fico com vergonha". Eu falei: "Vovó, eu sou seu neto, não se preocupe, eu levo a senhora". E ali foi a primeira vez que eu cuidei dessa forma, como se fosse um cuidador mesmo, sabe, dela. E passei a cuidar dela, né, a o final da existência dela, eh, até ela estar aqui em Recife e fazer esse cuidado, esse cuidado numa numa avó que eu amava muito e amo muito, eh, porque na época das cartas, eu escrevia cartas para minha avó, sabe? E ela respondia com essa limitação física, respondia, até hoje eu guardo as cartas. Eu guardava a carta assim como um carinho, porque ela não morava perto. Eu não tive nenhum avô perto, eh, fisicamente falando. Então, era um carinho quando ela chegava. E ela muito pobre, quando eu chegava na casa dela, ela juntava o dinheirinho dela para comprar um um um brinquedozinho, um Rambo, sabe? Um brinquedo para eu brincar no esforço dela. E na casa dela simples eu me senti acolhida. Então, eh, aprender, sabe, o que a vida pode dar. Então, eu contei essa história da minha avó, como tô contando aqui, e só que agora eu vou aprofundar um pouco mais, porque não faz muito tempo, eu deitado no sofá, na casa dos meus pais, em algum momento naquele manhã descansando, mas passando por muitas tribulações na vida, meio preocupado com

undar um pouco mais, porque não faz muito tempo, eu deitado no sofá, na casa dos meus pais, em algum momento naquele manhã descansando, mas passando por muitas tribulações na vida, meio preocupado com o meu futuro, sabe? Eh, e eu então sinto a presença dela, né? carinhosa, amorosa. E ela então eh falando para mim: "Meu filho, não se preocupe. Vovó tá aqui para cuidar de você, assim como você me cuidou de mim no final da vida. E não só eu, várias pessoas, várias pessoas, vai dar tudo certo. E eu comecei a sentir mais fortemente a presença dela como como agora. E falando para para você que o sofrimento não é bom de ser passado, é ruim, dói, sofre. Mas se a gente tem a postura e nesse sentido Jó nos dá uma uma um significado muito intenso, um significado muito profundo, a gente vai aprendendo, nem que seja o que significa renúncia. E essa renúncia, essa aceitação faz com que a gente tenha gratidão pela vida, gratidão por Deus. E aí vem um segundo tipo de sofrimento que Satanás fala: "Olha, mas é porque foi só material. Quando é uma doença, quando atinge a pessoa, a pessoa fica desesperada. Eu duvido que Jó continue assim depois que ele passar por sofrimentos, por doenças". E aí vem a maior parte do livro de Jó, porque aí ele passa por vários, vários adoecimentos, eh, durante e aí vai ficando até irreconhecível, porque ele fica com doença, eh, na pele, né? A gente não sabe exatamente que tipo de adoecimento, porque lepra eh um nome genérico, nome geral, para qualquer doença de pele naquele momento, né? Não só a ranceníase, que, né? Não só ranceniz, qualquer tipo de adoecimento na pele que mudava, né, que dava alguma lesão na pele, podia ser lepra. Então parece que ele fica como se fosse uma lepra dessa, não a rancenase, porque ele volta a ficar bom depois e naquela época a rancenese não tem cura. Hoje a gente consegue sim tratamento, mas naquela época não tinha. Então alguma lepra de doença dermatológica que deixa ele inclusive identificável assim, né, irreconhecível.

a rancenese não tem cura. Hoje a gente consegue sim tratamento, mas naquela época não tinha. Então alguma lepra de doença dermatológica que deixa ele inclusive identificável assim, né, irreconhecível. E aí é quando eh ele permanece na fé, permanece aguentando. E aí quando três amigos deles, né, deixam seus afazeres e vão ao encontro de Jó, né, aparentemente para consolar. E o livro de Jó todo se desdobra nesse diálogo que Jó tem com os amigos e que a gente vai desdobrar em outros programas, né? Eh, mas já adianto que já adianto logo que vou lhe contar, viu, vieram três amigos. A, é um cada consolo que você fica, meu amigo, o cara veio consolar ou vuer mais culpa para Jó, né? Porque um deles basicamente diz: "Ó, você tá sofrendo porque você não é justo, não. Você é fez isso e aquilo outro." E Jó tem que basicamente se defender, eh, porque a tese era de que o sofrimento só vem para os injustos, entende? a a o sofrimento é proporcional à nossa maldade. E aí é essa a tese que é quebrada e Jó tem que se defender inicialmente, né? E passa por por sofrimentos e vem esses diálogos. Mas o fato é que no final essa presença de Jó de Deus em Jó, inclusive no final uma como se fosse uma experiência mística mesmo, sabem que Deus fala a Jó, digamos assim, Deus eh talvez pela visão espírita de forma figurativa. E aí Jó então fala: "Eu te conhecia só de ouvir falar, mas agora meus olhos te vem. o sofrimento, qualquer que seja, como sendo uma possibilidade, né? A resposta ao sofrimento na realidade sendo essa possibilidade de a gente entrando em contato com a transcendência, a gente identificar que antes a gente tinha uma outra postura, que depois de todas essas dores a gente consegue ter uma uma outra visão. Mas para que você não fique com a ideia masoquista, não é, que e de que você não pode se queixar, Jó se queixa, sofre. E é isso que os amigos também não deixam, né? Não deixa ele se queixar e ele lá, né? Ele praticamente, pelo que eu vejo assim, ele teve um quadro de muitos sintomas,

e se queixar, Jó se queixa, sofre. E é isso que os amigos também não deixam, né? Não deixa ele se queixar e ele lá, né? Ele praticamente, pelo que eu vejo assim, ele teve um quadro de muitos sintomas, eu diria até depressivos, talvez. Inclusive, a primeira vez que fui ler um pouco o livro de Jó foi lendo livros de psiquiatria, falando Jó como exemplo de uma depressão na Bíblia, sabe? de pessoas que tiveram depressão e estão lá na Bíblia e realmente cada frase de tristeza melancólica. Então ele tem o sofrimento, mas ele também tem a fé e a gratidão a Deus para entender que algo era, né, e eh digamos assim, alguma coisa estava sendo posta, embora ele não entendesse que coisa era essa. Só uma leve esperança em toda a vida de Jó, mais nada. conseguiu disfarçar a angústia do sofrimento dele. Ele entendeu que nem é mais a existência toda resumida, como foi a existência de Zó, de Jó, uma leve esperança malograda. E o sonho da alma na sua dor desterrada, sonho que ela que a coloca ansiosa e a faz embcida, é uma hora feliz que sempre vai ser adiada, mas que não chega nunca em toda a vida. E Jó consegue entender o que Vicente de Carvalho nos propõe. Essa felicidade que sonhamos, a árvore milagrosa que supomos, toda arreada, toda coberta de dourados pomos, existe sim, mas nós nunca a encontramos, porque ela está sempre apenas onde nós a pomos e nós nunca pomos onde nós estamos. A proposta inicial de Jó, que eu queria levantar é essa, a postura para encontrar, né, algo dentro de nós, dentro da vida, que nos dê essa convicção da transcendência. E mesmo que não diga: "Ah, eu sou feliz pelo sofrimento", não, não é isso. Mas o que eu passo me traz uma transcendência para que eu possa não só escutar Deus, ouvir falar de Deus, mas sentir Deus. ver Deus nessa perspectiva simbólica da experiência mística que Jó teve e que todos nós somos convidados a ter de uma forma ou de outra. Muita paz. Até a próxima palestra, até o próximo encontro também sobre o livro de Jó, aprofundando outros aspectos.

mística que Jó teve e que todos nós somos convidados a ter de uma forma ou de outra. Muita paz. Até a próxima palestra, até o próximo encontro também sobre o livro de Jó, aprofundando outros aspectos.

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