#12 • Jesus e Saúde Mental • Pegando o que é nosso sem culpa tóxica
WEBSÉRIE • Jesus e Saúde Mental » Episódio 12: Pegando o que é nosso sem culpa tóxica » Apresentação: Dr. Leonardo Machado
Como é a tua relação com a culpa? Você pega demais os problemas dos outros ou além disso, você está sempre se criticando e consequentemente sempre entrando no comportamento punitivo? Talvez o nosso programa de hoje, o nosso encontro, nossa palestra possa ser útil para você. Em o Código Penal da vida futura, no livro O céu e o inferno, Allan Kardec muito bem posiciona a culpa junto com a palavra arrependimento na possibilidade da evolução para podermos crescer para podermos amadurecer. É imprescindível a presença do arrependimento. E o arrependimento está muito ligado, está muito atrelado, muito ligado à culpa. Esse é o primeiro passo na tríade que Allan Kardec coloca como sendo o constituinte do Código Penal da Vida Futura. Então, nós nos arrependemos e por isso sentimos culpa. Junto com isso vem uma um passo seguinte eh natural, que é a expiação, o sofrimento, justamente pela percepção do erro, pela percepção, eh, do dano que causamos em terceiros ou no mundo ou em nós mesmos. E aí vem a culpa junto com esse processo de arrependimento, expiação. Mas aí vem o terceiro passo para podermos de fato eh angarear uma mudança evolutiva que é a reparação. Então, arrependimento, expiação e reparação seriam o conjunto dessa tríade que compõe o Código Penal da Vida Futura. Porque se eu apenas me arrependo, se eu apenas fico no arrependimento sem entrar numa reparação, eu pouco estarei fazendo para de fato driblar, para de fato sanar a questão do outro, porque o meu arrependimento em si não vai curar ou não vai atenuar as dores do outro. eventualmente o meu arrependimento faz com que eu sofra e o outro, ao perceber o meu arrependimento, ao perceber o meu eh sofrimento, já sente uma espécie de que olha, e eu queria pelo menos que ele se arrependesse. Quantas vezes alguém erra com você e você percebe que essa pessoa não tem a capacidade de se arrepender, nunca, digamos assim, eh, tem um insight, faz uma autocrítica e você teria: "Poxa, pelo menos eu queria que ela se arrependesse, pelo
ocê percebe que essa pessoa não tem a capacidade de se arrepender, nunca, digamos assim, eh, tem um insight, faz uma autocrítica e você teria: "Poxa, pelo menos eu queria que ela se arrependesse, pelo menos eu queria que ela pudesse fazer uma autocrítica". Verdade. Esse arrependimento, de certa forma, já gera algum alívio no outro. E se o outro for uma pessoa bem resolvida, eh, já vai poder até, digamos, se libertar com mais facilidade de um sofrimento que era gerado pela mágoa que ele tinha de nós a partir de um erro que nós cometemos para com ele. Mas se a gente parar para pensar no fundo, no fundo mesmo que o outro eh se sinta mais aliviado, porque pelo menos a gente se arrependeu, pelo menos a gente pediu desculpa, pelo menos a gente de fato percebeu a encrenca que cometeu e o outro consegue viver a vida dele. Isso não nos exenta de uma reparação. Eventualmente não é nenhuma reparação para com a pessoa em si que já conseguiu se libertar através do perdão. Então, ela já me perdoou, ela já te perdoou e não é necessariamente uma reparação para a vida dela que ela nem tá mais precisando. Mas aí vem a reparação que a gente precisa fazer para com a vida como um todo, para com a harmonia universal. Porque a questão dos erros, dos equívocos, das encrencas, elas não atingem apenas o outro em si, elas entram numa desarmonia do universo. Então o outro pode se resolver, pode resolver a mágoa que sente de nós a partir do perdão e se libertar. Mas eu continuo preso à necessidade de uma reparação, se não mais com o outro, com o universo. Então, no fundo, no fundo, um arrependimento junto com um sofrimento expiatório, que compõe aí a culpa na sua face mais profunda, ela não gera eh uma mudança profunda na nossa evolução. Para podermos gerar uma mudança profunda na nossa evolução e sentirmos que fizemos a nossa parte, sentirmos que não estamos mais em débito com ninguém, nem com o universo, a gente precisa fazer algo de bom para a vida. Precisa, portanto, reparar diretamente quando o outro ainda não conseguiu
arte, sentirmos que não estamos mais em débito com ninguém, nem com o universo, a gente precisa fazer algo de bom para a vida. Precisa, portanto, reparar diretamente quando o outro ainda não conseguiu perdoar a nós pelo erro. E aí a gente vai precisar através da ação, cuidar das feridas dele e aí sim ele perceber que nós mudamos de fato e que aquele arrependimento não é um arrependimento da boca para fora. ou então eh fazer um processo mais embrincado de e reconciliação ou então uma reparação para com o universo e no final das contas para conosco mesmo com para com as nossas a nossa lei de Deus que está na nossa consciência. Então, sim, a culpa está situada num processo necessário, num processo primordial, porque vem no primórdio de uma mudança evolutiva, especialmente porque nós aprendemos a evolução muito através dos erros. Dificilmente nós conseguimos na nossa trajetória evolutiva começarmos desde o princípio caminhando bem, de forma tranquila, evoluída, né? a gente acaba palmilhando e ainda palmilha muitas trajetórias equivocadas. Então, nesse sentido, a culpa é uma grande companheira de mudança. Mas aí vem a trajetória da culpa. Essa culpa que gera uma mudança de comportamento, que gera, portanto, uma reparação, é uma culpa saudável. É uma culpa que vem no conjunto o arrependimento, sofrimento. E aí é uma culpa saudável porque gera uma mudança. Mas existe a culpa mais patológica no que Joana Viangeles coloca na culpa tóxica. E fica muito fácil entender esse termo tóxico porque é é um termo que tem sido usado muito ultimamente em outras situações, né, relacionamentos tóxicos, etc. Porque é uma culpa, assim como um relacionamento tóxico, que não nos impulsiona. Não é uma culpa que impulsiona a nossa evolução, é uma culpa que nos aprisiona, assim como os relacionamentos tóxicos. Então, nesse sentido, a gente tem vários exemplos que a gente poderia aceitar, mas eu particularmente gosto de dois exemplos do Evangelho que mostram muito bem essas duas possibilidades de trajetória,
Então, nesse sentido, a gente tem vários exemplos que a gente poderia aceitar, mas eu particularmente gosto de dois exemplos do Evangelho que mostram muito bem essas duas possibilidades de trajetória, a trajetória de Pedro e a trajetória de Judas, porque os dois se equivocaram, os dois erraram. Um negou Jesus quando ele disse que não ia negar de forma alguma, porque ele eh estava todo, digamos assim, soberbo diante da sua força interior. Ele tinha uma pré-potência, né? Ele achava que tinha mais força do que realmente tinha. E na hora do testemunho, na hora culminante, ele fica eh em silêncio, né? Ele não só em silêncio, como ele nega três vezes. Jesus havia previsto porque certamente conhecia a sua personalidade e sabia que na hora do testemunho ele teria muita possibilidade de dar para trás. Além disso, Jesus, um ser iluminado, guia e modelo, modelo da humanidade, segundo a visão espírita, eh tem teve, né, muito provavelmente a possibilidade de fazer o que Allan Kardec fala, né, sobre a visão do futuro, sobre as profecias em a Gênese, quando vai analisar os milagres do evangelho. Então, imagine que a imagem que Allan Kardec cria é fantástica. Imagine que existe um ser que está em cima da montanha, em cima do penhasco, olhando para baixo. Ele tá no alto ou no edifício e tá olhando para baixo e tá conseguindo ter um raio de visão maior. Imagine outro que está lá embaixo do penhasco ou embaixo do edifício e não tá conseguindo ter o raio de visão quem quem tá em cima do prédio ou em cima do penhasco consegue ver. Então, quem tá em cima do prédio consegue observar que tá vindo um assaltante e consegue perceber que essa pessoa, se não mudar a trajetória, vai cruzar com o assaltante e muito provavelmente vai acontecer um assalto, um acidente, uma tragédia. Então ele vai fazer uma uma fala, né, que pode ser tida como profecia, porque anteviu o futuro e vai dizer: "Olha, aquele indivíduo vai ser assaltado logo naquela esquina ali." Quem tá de fora, se não perceber que ele
er uma uma fala, né, que pode ser tida como profecia, porque anteviu o futuro e vai dizer: "Olha, aquele indivíduo vai ser assaltado logo naquela esquina ali." Quem tá de fora, se não perceber que ele tava falando isso, porque ele estava com a vista acima, vai imaginar que é uma profecia, digamos assim, não é? Mas é uma visão mais ampliada do que quem estava embaixo. Então, nesse sentido, é muito interessante pensarmos Jesus como esse ser iluminado, esse ser guia e modelo, que tem uma visão mais ampliada, então mais ampliada da psicologia humana. E a partir daí, ao entender a profundidade humana, conseguia antever possíveis comportamentos, como quem tivesse em cima do penhasco, mas também uma visão mais ampliada e espiritual e certamente também tinha essa capacidade de deduzir alguns acontecimentos futuros que eram prováveis de acontecer. Então ele faz essa previsão de que de que Pedro o negaria três vezes. E quando Pedro cai em si, que é que ele faz? logo na hora tem um arrependimento e depois passa para um processo de sofrimento, um processo de expiação. É a culpa. E quando você vê o ato dos apóstolos ou na literatura espírita Paulo e Estevão, você vê a o tamanho daquele homem chamado Pedro, que me fascina muito, porque não era um homem divino a princípio, era um homem bem humano, um bem impulsivo que errou, que porém apesar do erro, não foi desacreditado por Jesus. continua, né, Jesus antevendo que acontecer isso, mas continua colocando o nome dele como uma rocha sobre a qual ele solidificaria o a igreja, simbolicamente falando. Então, Jesus percebendo essa característica bem humana que eu levaria ao equívoco, também percebia a sua potencialidade. E esse é o brilho do evangelho, não negar as nossas carências, mas não ficar fixada nas nossas carências, fazer com que a gente anteveja a nossa potencialidade de florescimento humano, de florescimento divino. Essa é a potência maior do evangelho em nossas vidas e a potência de Jesus na vida do cristianismo, na vida dos seres dos
eveja a nossa potencialidade de florescimento humano, de florescimento divino. Essa é a potência maior do evangelho em nossas vidas e a potência de Jesus na vida do cristianismo, na vida dos seres dos humanos, né, da terra, do guia. e do modelo. Então ele continua apostando em Pedro e Pedro vai lá e de forma muito eh íntegra, porque inteira e integral, ele não abandona por causa da culpa. Se ele estivesse mobilizado por uma culpa tóxica, ele ficaria preso ali, né, no arrependimento e no sofrimento. Mas ele faz um caminho de reparação. E aí vem aquela questão que eu estava dizendo no início, não é uma reparação necessariamente para Jesus, porque Jesus, esse ser iluminado, consequentemente, numa fala mais coloquial, bem resolvido, não ficou magoado com Pedro a ponto de ele precisar eh fazer um esforço muito grande para perdoar Pedro. Era um ser diferente, né? uma um psiquismo diferente, mas a gente entende que ele não ficou magoado porque ele próprio eh previu que isso acontecia, que isso aconteceria e não fez nenhuma retaliação, tirando, olha, por que você vai fazer isso? Você não vai ser mais, digamos, o chefe, a rocha da igreja que eu solidificarei? Então ele não fez retaliação. Se ele não fez retaliação, é porque ele não estava magoado. Aí sim ele não precisou do perdão, porque totalmente bem resolvido, né? Ou seja, evoluído. A reparação que Pedro teve que fazer não foi com Jesus diretamente. A reparação foi para com a vida, não só para com a vida cósmica, né, a harmonia energética, mas também, de certa forma com a história, porque eh saber sabia-se, né, que de uma forma ou de outra eh a história de Pedro, por ser um seguidor de Jesus, ia passar adiante na vida. E a história dele de superação e, portanto, de reparação me ajuda e te ajuda a entender que nós também podemos reparar, mesmo que tenhamos nos equivocado no primeiro momento. E que esse equívoco não nos desautoriza, nem nos eh tira toda a possibilidade de trabalho. ao contrário, nos coloca no patamar de seres humanos com
smo que tenhamos nos equivocado no primeiro momento. E que esse equívoco não nos desautoriza, nem nos eh tira toda a possibilidade de trabalho. ao contrário, nos coloca no patamar de seres humanos com fragilidades e potenciais. Então, a reparação não foi só energética para aquele momento, é uma energética simbólica que passa pra história. Porque, como diz num livro que gosto muito de Víctor Hugo, pelas mãos de Edivaldo Franco, pela editora FEB, sublime expiação. As nossas vidas são livros que nós escrevemos e cada parte da nossa vida são capítulos que vamos traçando, vamos traçando. E a gente imagina que a nossa vida não é lida por ninguém, mas é lida sim por muitas pessoas. Mesmo que a gente não seja um digital influencer, mesmo que a gente não seja uma pessoa que tenha essa influência tão grande assim, a gente vai ter uma influência mínima que seja nos entes queridos, no nosso ambiente de trabalho, na nossa família, nos nossos filhos, na nossa mãe, no nosso pai, naqueles que estão ao nosso redor olhando nossa trajetória. Então, a nossa vida é, de certa forma, um livro aberto, por mais que a gente tente fechar. Ela é um livro aberto. A gente às vezes tenta fechar para esconder as nossas encrencas e tenta abrir só para mostrar as nossas benfeitorias, mas de uma forma ou de outra a nossa vida é um livro aberto. E nesse sentido nós influenciamos e, portanto, reparamos quando conseguimos manternos, né, nos manter fiéis ao nosso propósito, nos manter íntegros, inteiros, a gente vai influenciando porque as pessoas vão percebendo uma possibilidade. Da mesma forma que Pedro, ele faz essa reparação, continua a sua trajetória. um líder fundamental na história do cristianismo. Eu costumo dizer que a o livro Paulo e Estevão enaltecem ali essas duas figuras, né, centrais do livro. Mas eh eu fiquei muito também impressionado porque eu acho que li Paulo e Estevo antes mesmo de ler Atos dos Apóstolos, fiquei muito impressionado com a vida de Pedro, né? A importância dele para que a
as eh eu fiquei muito também impressionado porque eu acho que li Paulo e Estevo antes mesmo de ler Atos dos Apóstolos, fiquei muito impressionado com a vida de Pedro, né? A importância dele para que a igreja inicialmente não criasse uma divisão ali entre eh Paulo e Tiago, né? Paulo querendo levar o cristianismo para todo mundo e, portanto, apenas, não apenas para os circuncisados. Eh, e o Tiago mais querendo fazer uma atualização do judaísmo através do cristianismo. Portanto, uma um cristianismo mais para os judeus, um cristianismos mais para aqueles que estavam com circuncisão. Por isso que Paulo foi chamado também apóstolo dos gentios, né? Ou seja, de todos e não apenas dos judeus. era uma mensagem que ele não concebia ser apenas para o judaísmo. E Pedro, né, nessa questão de parecia inconciliável, consegue ter a temperança, o controle do impulso para poder chegar numa solução. a gente vê Pedro ali no Atto dos Apóstolos, em determinada passagem, eh, com tanta influência e tanto amor transbordando dele, que as pessoas começavam se aglomerar para que pelo menos a sombra de Pedro eh pousasse nelas e elas pudessem obter as suas curas. Então, antes era o discípulo que impetuoso não conseguiu na hora H manter a sua presença cristã. depois do erro, depois do equívoco, talvez até por causa do equívoco, ele percebeu a sua fragilidade humana, a sua possibilidade também de errar e aí conseguiu ir para uma nova trajetória, se tornar uma fortaleza. E quando ele morre, condenado também à cruz, ele tem a uma a a força, né, e a humildade de dizer que não era digno de morrer da mesma forma que o mestre dele. Então, pede para que seja crucificado de cabeça para baixo. Então, esse homem nos mostra várias coisas a partir desse erro. Primeiro, um exemplo de humildade. Para entrarmos no caminho da reparação, a gente precisa ter humildade de entender que nós não somos infalíveis, entender que nós não somos invulneráveis. E talvez essa seja a função principal do erro. Não é que a gente devesse ficar errando
a gente precisa ter humildade de entender que nós não somos infalíveis, entender que nós não somos invulneráveis. E talvez essa seja a função principal do erro. Não é que a gente devesse ficar errando para aprender, mas já que faz parte do processo natural evolutivo, quando nós nos equivocamos, quando nós erramos, nós temos pelo menos a possibilidade de entender que nós não somos infalíveis, que nós não somos invulneráveis. Então isso pode vir ao encontro da nossa humildade e, portanto, nos ajudar na evolução. Nós vemos isso em Pedro, em ficar até consequentemente mais tranquilo, porque a pessoa que se acha invulnerável às vezes é muito eh impulsiva nas suas atitudes e, portanto, às vezes se equivoca demais, está sempre inquieta, intranquila, porque às vezes até acha que pode mudar o mundo inteiro. Então, humildade vai nos dando a tranquilidade de fazer o que a gente pode, né? sem acomodação, mas também afetação e sem afobação. Além disso, ele permanece trabalhando. Permanece trabalhando. O erro nos dá um outro tipo também de humildade de percebermos que, olha, se eu sou falível, se eu me equivoco e eu estava ali junto de Jesus, tinha um contato de muitas muitas eh passagens aconteceram na intimidade de um grupo de três apóstolos, Pedro incluído com a transfiguração, né, de Jesus. Então, imagine outras pessoas que não tiveram esse contato. Se eu posso, imagina o Pedro pensando com ele, se eu posso cair, imagina as outras pessoas. Então, essa humildade ajuda na relação social e ajuda para que eu seja menos julgador, porque eu comecei a ser menos julgador de mim mesmo e comecei a ser menos julgador do outro. Então, veja os benefícios do erro e de um caminho mais maduro de arrependimento, expiação e reparação. E que a reparação não é necessariamente para o outro, como não foi no caso de Pedro para com Jesus, mas da gente para com a vida, da gente para com o universo, com a energia e com a história. Ao lado de Pedro, nós temos o exemplo de Judas, uma outra figura que também se equivoca,
dro para com Jesus, mas da gente para com a vida, da gente para com o universo, com a energia e com a história. Ao lado de Pedro, nós temos o exemplo de Judas, uma outra figura que também se equivoca, talvez os dois principais próximos de Jesus que se equivocaram. A gente pode ficar medindo erro, medindo, medindo equívoco, mas entraríamos numa sera muito complicada. Ah, Judas errou mais do que Pedro. Eh, eu não tenho esse, digamos, errômetro, né? O termômetro para medir qual foi o erro maior. Os dois se equivocaram. Na minha percepção, né, eu eu vejo de fato o equívoco de Judas um tanto quanto mais eh danoso para aquele momento, né? Se eu penso assim numa pessoa que segue, porque foi uma não foi uma negação, né? Foi um erro mais de traição, mas certamente temos os atenuantes, assim como Pedro teve os atenuantes, né? Eh, Pedro ali, o homem prático, pragmático, também preocupado naquele primeiro momento com a família, com o filho, com a esposa, com a sogra. Ele era um homem eh prático, um homem de família que foi aos poucos eh se desvinculando apenas desse serviço paternal junto à família e foi se vinculando a esse serviço maior junto à família universal. Então, há o atenuante ali para ele ter medo e fazer a negação. Certamente também eh Judas, o atenuante de ter uma outra cultura, né, ter uma outra forma de pensar, uma forma de pensar também mais pragmática, talvez eh achando que a moeda pudesse dar um acesso mais rápido ao reino de Deus, né, que seria construído na terra. uma pessoa com uma visão um pouco mais limitada e não conseguiu entender a abstração que era o reino de Deus, né? pensando algo que seria construído hoje, aqui, agora se esquecendo que Jesus havia falado que o reino, né, dos céus, eh, não vem com os reinos de pedra, porque ele está dentro de nós ou entre nós. Então, temos vários atenuantes, mas o fato é que os dois se equivocam, um pela negação e outro pela traição. E enquanto Pedro conseguiu entrar no caminho de reparação, Judas não consegue. Talvez por achar que a a o
ários atenuantes, mas o fato é que os dois se equivocam, um pela negação e outro pela traição. E enquanto Pedro conseguiu entrar no caminho de reparação, Judas não consegue. Talvez por achar que a a o erro foi mais intenso ainda, ele entra num processo de arrependimento e de sofrimento muito intenso, muito intenso, que não consegue fazer com que saia dali e transcenda para uma reparação. Então, qual o caminho que Judas acaba encontrando? um caminho, segundo relatos, né, de outras passagens, acaba encontrando o caminho do suicídio. Então, essa culpa, esse sofrimento, eh essa expiação foram tão grandes e simbolizando a culpa tóxica que fez com que ele entrasse no caminho de do suicídio. E nós não sabemos e não tivemos a então a oportunidade de ver como é que seria o Judas lidando com eh o futuro, porque ele abreviou ali o futuro dele dominado pela necessidade de punição. Então veja que Pedro não ficou preso na necessidade de punição. Então uma culpa saudável não nos deixa aprisionado na necessidade de punição. Por isso que a culpa saudável não nos faz autoboicote. Por quê? Porque o autoboicote é quando a punição não vem externamente e a gente vai se punindo. É uma culpa tóxica. Por isso que o problema das relações tóxicas, das relações mais abusivas, e aí eu não tô falando, digamos assim, uma situação de abuso sexual, tá? falando situação mais corriqueira, de relações mais tóxicas, relações mais conflituosas, problemáticas. Não é necessariamente só do outro que é problemático na nossa vida, mas às vezes da nossa culpa tóxica que leva a necessidade de punição. E essa punição, por não vir do outro, vem de nós mesmos, fazendo com que a gente se autoboicote em vários setores da vida. Então ali Pedro não fica na necessidade de punição, ele vai pro caminho da reparação. Enquanto Judas fica na necessidade de autopunição, porque não houve a punição externa no sentido de tirar a própria vida dele, ele ser punido, digamos assim, pelos cristãos e ele então se autopune. E aí eu chamo atenção para uma prática
e autopunição, porque não houve a punição externa no sentido de tirar a própria vida dele, ele ser punido, digamos assim, pelos cristãos e ele então se autopune. E aí eu chamo atenção para uma prática que talvez na tua na tua no teu derredor aconteça. vi, né, eh, aqui em Pernambuco, acho que outros estados também, quando chega ali no momento da Páscoa, às vezes existe eh uma punição coletiva, um boneco que se faz em eh simbolizando Judas e ali você faz uma série de punições. Mas aquele Judas de outrora que sim se puniu, não precisa mais da nossa punição de agora, dessa tradição. Essa punição de agora só nos leva a um comportamento de vingança, a um comportamento brutal, a um comportamento de de ser carrasco um do outro e de nós mesmos, que nos levaria, portanto, a um comportamento do suicídio constante como como possibilidade de reparação. O erro é tão grande que se mate. Não é isso, não é essa proposta cristã. Esse foi um caminho atrapalhado, autopunitivo, mobilizado pela culpa tóxica que Judas fez naquele momento antigo, mas depois de lá ele teve outras existências, outros momentos e hoje um espírito bem diferente, provavelmente eu não vou entrar aqui nas histórias, nas revelações que existem dentro do movimento espírita sobre a as outras, o futuro pós-mudas. Mas o fato é que já é um outro ser, não é mais aquele ser. E aquele caminho que ele adotou entrou pra história como às vezes um caminho de solução, mas é uma falsa solução. A solução maior é por que uma falsa solução? Porque primeiro ele acabou não entrando numa humildade mais profunda, né? A humildade mais profunda faz com que a gente tenha força para enfrentar as consequências da nossa encrenca. Ela foi uma humildade mais frágil, foi um rudimento para o futuro, né? Porque pior seria se ele nem se arrependesse, provavelmente, né? Ele tivesse feito e nem tivesse arrependido. Então, o arrependimento já mostra um passo a mais, né? que seria um espírito que não é psicopata porque se arrependeu. Então é um passo a mais, mas
te, né? Ele tivesse feito e nem tivesse arrependido. Então, o arrependimento já mostra um passo a mais, né? que seria um espírito que não é psicopata porque se arrependeu. Então é um passo a mais, mas é um passo ainda muito caótico quando fica preso na culpa tóxica e entra no caminho do autocido, do suicídio. Então, esses caminhos são muito importantes da gente lembrar. E veja que eu tô fazendo reflexões psicológicas, mas tudo dentro de passagens que a gente encontra na literatura espírita, na literatura eh da boa nova, né, do evangelho, caminhos que nós podemos também adotar ou não nossa existência. E aí perceber que a punição que Judas ele acaba caindo não é uma punição divina, não é uma punição de Jesus, não é porque Jesus estava magoado e o filho predileto de Deus teve que então ter uma uma punição maior. Não é isso? Porque veja o exemplo de de Pedro, é uma questão dele para com ele próprio. Então, nesse caminho da culpa, para que a gente não fique pegando demais o que é no que não é nosso, porque o nosso ombro não vai aguentar. E ficando ali numa culpa tóxica, a gente pode fazer um outro caminho, um caminho mais equilibrado, porque há também, amigos, eu tô falando de erros que aconteceram, mas às vezes a culpa ela é acionada não por erros que aconteceram de fato. Se a gente brincarse, se a gente falar assim, culpa no cartório, ou seja, existe erro de fato, tanto Judas quanto Pedro tinham erros, se equivocaram. Então, a culpa vai vir natural. Mas existem muitas situações que a culpa ela vem mesmo quando a pessoa não se equivoca. E vem porque a pessoa é crítica demais com ela própria. Ela tem uma autocrítica muito elevada. E como ela tem uma autocrítica muito muito elevada, constantemente ela acha que errou, ela acha que fez errado, ela acha que fez um problema. Então essa é uma outra problemática que a gente precisa tá de olho, porque especialmente espíritos, né, já antigos que nós somos, com outras encarnações, segundo a visão espírita, a gente já entra nessa vida com uma
a outra problemática que a gente precisa tá de olho, porque especialmente espíritos, né, já antigos que nós somos, com outras encarnações, segundo a visão espírita, a gente já entra nessa vida com uma bagagem inconsciente, no nosso inconsciente profundo, que é, digamos assim, o o registro das nossas outras existências. E isso traz uma tendência, uma tendência a se culpar. E aí a pessoa nessa existência não fez nenhum grande erro, mas ela se culpa tanto, ela se critica demais, entendeu? Então ela não fez nenhum grande erro nessa existência, mas muitas vezes traz uma bagagem de equívocos e ela não conseguiu se libertar, né? Aí fica naquela culpa tóxica que traz como consequência nesta existência uma autocrítica muito elevada, uma exigência para consigo mesmo muito elevada. E aí também vai trazendo consequências problemáticas porque vai se punindo, vai se exigindo demais e às vezes vai paralisando a própria existência. Quando nós nos equivocamos e temos culpa no cartório, a ideia é que a gente utilize o autoperdão como um antídoto para diminuir, né, essa diminuir essa tendência de ficar se punindo. E para termos o auto perdão, aí temos aí uma característica de termos um pouco mais de humildade, porque temos que reconhecer que de fato erramos. né, para podermos nos perdoar. Temos também que ter coragem para permanecer na vida e recebendo sim as consequências do nosso erro, mas tendo coragem para chegar no caminho de reparação, que não é uma reparação do outro, mas é uma reparação para nós mesmos. E aí fica mais fácil ter um autão. Mas para essa outra tendência que é uma autocrítica elevada demais, um nível de exigência elevado demais, que vê culpa em tudo, mesmo quando nós não temos, aí não é bem perdão, não é bem auto pererdão, porque auto pererdão é um antídoto para quando existe um erro no cartório, um erro de fato. para essas situações de auto uma culpa tóxica, ela é gerada por uma autocobrança excessiva, o antídoto melhor é a autocompaixão. Autocompaixão, que envolve algumas características,
o, um erro de fato. para essas situações de auto uma culpa tóxica, ela é gerada por uma autocobrança excessiva, o antídoto melhor é a autocompaixão. Autocompaixão, que envolve algumas características, segundo a terapia focada na compaixão, um tipo de terapia cognitiva, que a percepção da humanidade compartilhada, por exemplo, a ideia de que todos nós somos humanos e, portanto, o meu o a minha dor não é maior nem menor do que a outro, nem a dor do outro é maior ou menor do que a minha dor são dores e todos somos humanos, todos somos falhos, ninguém é perfeito. Então, essa necessidade de humanidade compartilhada faz com que eu tenha um olhar bondoso, um olhar doce para com o outro, mas faz também com que eu tenha um olhar bondoso, um olhar doce para comigo. Essa é a autocompaixão que faz a a que nos ajuda a diminuir a autocrítica elevada demais. autocrítica levada demais, pode ser fruto de outras existências, de erros em outras existências que ficam arquivadas no nosso inconsciente profundo, mas também podem ser questões dessa vida, dessa da forma de se criar, da criação, que também fica ali no nosso inconsciente. E aí vamos ser temas pra gente poder trabalhar em outras palestras, em outros programas, mas como consequência o amor. O amor que se se desdobra em auto perdão e se desdobra também em autocompaixão. Amar ao outro como a si mesmo. Então só dá para pensar em perdão maior do outro e compaixão para com o outro se a gente também pensar em amor a nós mesmos. Auto perdão e autocompaixão. Quando a gente faz isso, a gente consegue entender a mensagem mais profunda de Olavo Belaque. Ora dis: "Ouest estrelas! Por certo perdeste o senso. Eu vos direi no entanto, que para ouvi-las muitas vezes desperto. E abro a janela pálido de espanto. E conversamos largo tempo, enquanto havia láctea como um palho aberto senti-la. E quando vem o sol ainda saudoso e pranto, eu as procuro pelo céu deserto. Direis agora três loucado amigos, que conversas com elas, que sentido tem o que dizem quando
a como um palho aberto senti-la. E quando vem o sol ainda saudoso e pranto, eu as procuro pelo céu deserto. Direis agora três loucado amigos, que conversas com elas, que sentido tem o que dizem quando estão contigo? E nós diremos: "Amai". Porque só quem ama pode ter ouvido capaz de ouvir e de entender as estrelas que estão externamente, mas também de entender a nossa intimidade luminosa, de potencial, que foi o que Jesus fez com Pedro, as fragilidades, mas a estrela que Pedro poderia ser e já o era. Amai, porque só quem ama pode ter ouvido capaz de ouvir e de entender as estrelas. Muita paz.
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