#08 • Jesus e Saúde Mental • Nossas sombras e o monturo
WEBSÉRIE • Jesus e Saúde Mental » Episódio 08: Nossas sombras e o monturo » Apresentação: Dr. Leonardo Machado
Ora direis: "Ou estrelas, por certo perdeste o senso. Eu vos direi no entanto, que para ouvi-las muitas vezes desperto e abro a janela pálido de espanto. E conversamos largo tempo enquanto a Via Láctea, como um palho aberto, senti-la. E quando vem um sol ainda saudoso e empranto, eu as procuro pelo céu deserto. Direis agora três locado amigos, que conversas com elas? Que sentido tem o que dizem quando estão contigo? E eu vos direi: Amai, porque só quem ama pode ter ouvido capaz de ouvir e de entender as estrelas. A poesia Via Láctea de Olavo Bilac, de certo modo, resume muito bem o nosso anseio de evoluir, a nossa fascinação em relação à luminosidade das estrelas, que trazem no seu bojo a ideia de uma perfeição. né, a ideia de que há algo muito mais belo do que nós imaginamos dentro de tantas sombras, de tanta escuridão. No entanto, aqueles que estamos na caminhada dessa trajetória evolutiva, ainda temos muito caminho a percorrer. E embora a gente queira encontrar a luz, embora a gente queira ser luz, embora a gente queira que brilhe a nossa luz, é importante que a gente perceba também a mensagem que há ao redor da luz, a mensagem que há também no céu noturno. E dessa maneira, além dessa luminosidade evolutiva que nos aguarda, nós temos um outra outra um outro setor, uma outra parte de nós que é muito importante de ser percebida, uma muito importante de ser olhada, porque essa outra parte de nós que precisa ser percebida, que precisa ser olhada, ela também precisa ser percebida e olhada no outro. percebida e cuidada no outro. Mas em geral, quando percebemos o nosso lado mais obscuro, quando notamos o nosso lado tão obscuro e quando observamos o lado obscuro do outro, nós temos uma postura de apontar o dedo, de colocar o dedo na ferida, de colocar numa linguagem popular às vezes mais lenha na fogueira, ao invés de direcionar essa brasa para um fogo que possa possa cozinhar algo positivo, algo saboroso. Ainda temos a tendência julgadora do outro e de nós mesmos. E dessa forma,
mais lenha na fogueira, ao invés de direcionar essa brasa para um fogo que possa possa cozinhar algo positivo, algo saboroso. Ainda temos a tendência julgadora do outro e de nós mesmos. E dessa forma, quando percebemos uma obscuridade dentro de nós ou uma obscuridade dentro da vida do outro, a tendência é não só de apontarmos, como também de eh exilarmos, de jogarmos essa obscuridade fora de nós. E aí caminhamos numa no mecanismo de negação de uma parte de nós. e também de não querer nenhum tipo de convívio com o outro que apresenta também essa obscuridade. Então, o desejo de luz, o desejo de luminosidade é um desejo fundamental que nos traz um uma ascensão, uma caminhada a partir da perfeição, já que nós somos perfectíveis, para usar uma palavra que gosto muito do bezerro de Menezes no livro A loucura sobre novo, sobre o novo prisma. Nós somos seres perfectíveis, temos possibilidade de ascensão. Mas é muito importante que nessa possibilidade de ascensão, nessa trajetória que a gente vai caminhando e construindo, a gente não exclua da nossa convivência partes que não são tão luminosas assim. Ora, Léo, o que é que você queria quer dizer, então, que a gente precisa olhar a nossa obscuridade e cultivar essa obscuridade. Cultivar esse lado que não é tão luminoso? Não é o cultivar do lado que não é luminoso, não é o cultivar o lado trevoso dentro de nós, mas é não ignorar que ele também nos traz algum aprendizado, que ele também nos traz algum ensinamento. Primeiro ensinamento que eu poderia dizer de forma geral e que eu aprendo comigo mesmo, olhando para esse lado, o ensinamento de ser um pouco mais humilde. Olha que coisa curiosa. ao observar as minhas dificuldades, ao observar as minhas limitações, ao observar as minhas falhas, ao observar as minhas obscuridades, eu consigo perceber que eu não sou eh essa perfeição toda que eu deve que eu gostaria de ser, que eu não tô na meta que eu ainda quero chegar. Então, a primeira lição que talvez observar essa obscuridade do céu noturno
r que eu não sou eh essa perfeição toda que eu deve que eu gostaria de ser, que eu não tô na meta que eu ainda quero chegar. Então, a primeira lição que talvez observar essa obscuridade do céu noturno nos ensina é a lição da humildade, de perceber as nossas carências, de perceber as nossas falhas, de perceber as nossas limitações e os nossos equívocos também. Ao mesmo tempo, se eu penso que já cheguei na meta sem ter chegado, eu posso criar um falso comodismo, né, vinculado a uma soberba, vinculada a uma prépotência, uma potência que vem antes do tempo. O que é que é o préptotente? Ele tem uma potência que está vindo antes do tempo e como consequência ele tem mais vaidade excessiva do que realmente potência em si. Então, para eu não chegar numa pré-potência, ou seja, para que eu possa continuar caminhando e não cair em um comodismo, essa humildade de perceber as minhas entranhas pode me levar também a uma motivação de mudar, a uma motivação da mudança. Então, nesse sentido, duas grandes mensagens gerais, né, que eu gostaria de compartilhar, que o olhar para as nossas sombras, colocando agora um termo técnico e um guiano, pode nos ajudar a fazer, é um senso de maior humildade e também uma motivação para uma mudança. Nesse sentido não nos acomoda, porque muitas vezes as pessoas acham assim: "Olha, se eu ficar apenas aceitando as minhas angústias ou aceitando as minhas dificuldades, eu posso ficar acomodado. E a aceitação não é acomodação. A aceitação mais madura é uma aceitação que me motiva a uma mudança. A aceitação mais madura é uma aceitação que percebe as dificuldades, mas movimenta para as potencialidades. Então, a aceitação não é ação no erro, no equívoco, mas a aceitação nos mobiliza para uma mudança. Então, há uma passagem do Evangelho de Lucas que eu queria abrir com vocês numa passagem chamada Monturo, no livro Pão Nosso de Chico Xavier por Emanuel. Eu abrirei aqui em Jesus e saúde mental. Muitas vezes esse livro, né, toda a coleção do Emanuel, mas particularmente tem um um uma carinho
mada Monturo, no livro Pão Nosso de Chico Xavier por Emanuel. Eu abrirei aqui em Jesus e saúde mental. Muitas vezes esse livro, né, toda a coleção do Emanuel, mas particularmente tem um um uma carinho todo especial pelo pão nosso. Quantas vezes eu não me sinto eh um monturo, como essa mensagem diz, e vocês vão entender. E essa página do Pão Nosso aberta ao acaso, ela me traz uma motivação, uma esperança, uma consolação, especialmente essa página. Eu me recordo a vez específica que eu abri, pelo menos que ficou na minha recordação, tanto que guardei e quando estávamos eh pensando, né, planejando essa websérie Jesus e saúde mental. Essas foi uma das mensagens que eu lembrei de colocar logo nesse início desses episódios, né, no oitavo episódio que estamos, Monturo, porque no final do capítulo 14, precisamente no versículo 35 do Evangelho de Lucas, Lucas traz uma passagem que Jesus disse: "Nem presta para a terra, nem para o monturo, então lança-no fora". E diz assim: "Quem tem ouvidos para ouvir, ouça." Mas é interessante a gente observar a avaliação de Emmanuel se detém nesse versículo ampliando, né, a percepção para todo capítulo. E é muito interessante porê, eh, nesse capítulo, o Lucas acaba trazendo algumas passagens de que qual seria, né, aquele servo que seria digno de ser discípulo. Então, um dos pontos eh diz assim, ó: "Se alguém vier a mim e não aborrecer a seu pai e a sua mãe, mulher, filhos, irmãos, irmãs e ainda também a sua própria vida, não pode ser meu discípulo." Jesus tá dizendo que para poder ser discípulo dele, para poder ser um seguidor mais profundo dele, a gente precisa, e aí é interessante que ele não é, não é a passagem do abandonar pai e mãe para segui-lo. Ele coloca eh aborrecer, ou seja, porque quando você tá envolvido em algum ideal diferente, às vezes esse ideal se descasa, se descola do companheiro, da companheira. do cônjuge, da cônjuge, dos irmãos, do pai. Mas se você tem essa percepção de que você tá eh envolvido num ideal nobre, no ideal bom, vale a pena seguir.
sa, se descola do companheiro, da companheira. do cônjuge, da cônjuge, dos irmãos, do pai. Mas se você tem essa percepção de que você tá eh envolvido num ideal nobre, no ideal bom, vale a pena seguir. Então, perceba que não é eh aborrecer por aborrecer, porque às vezes também pode acontecer de a gente tá envolvido em um processo obsessivo, em um processo fascinatório. que essa ideia fixa, essa obsessão que vem dentro de nós nos dá a clareza de que a gente tá assim envolvido por algo muito bom, né? dá uma empolgação. Às vezes, eu queria frisar isso, um processo obsessivo, um processo fascinatório em especial, ele não traz um desprazer no primeiro momento. Muitas vezes ele traz uma sensação de prazer, uma sensação de que eu estou no caminho, etc. Eu estou me descobrindo, eu estou me empoderando. E eventualmente esse empoderamento traz um prazer muito grande para que a gente possa continuar, né, digamos assim, na cegueira espiritual ou na obscuridade espiritual da percepção para que mais na frente a gente se perturbe todo. Então, como é que a gente pode e esse caminho vai aborrecer aqueles também que estão ao nosso redor, que estão equilibrados. Porque o desequilíbrio também aborrece. Então, veja que curioso, nesse sentido de Jesus, o equilíbrio que você tá tendo vai aborrecer aqueles que estão ao redor, porque eles estão desequilibrados. Mas, por outro lado, pode acontecer também que o teu desequilíbrio num processo obsessivo, fascinatório, também aborrece aqueles que estão ao redor, porque deixam as pessoas espantadas do ponto de vista negativo. Como é que pode a pessoa tá caminhando assim? parece uma outra pessoa. Então, como diferenciar? A grande dica tá em Jesus também. Reconhece-se a árvore pelo fruto. O fruto ele não amadurece de um dia para o outro. Então, a imagem do fruto vem imbuído nela a imagem também do tempo. Então, quando a gente tá muito, digamos, eh, desesperado, numa mudança muito veloz, muito rápida, sem tempo dos frutos que estão ao nosso redor amadurecerem,
vem imbuído nela a imagem também do tempo. Então, quando a gente tá muito, digamos, eh, desesperado, numa mudança muito veloz, muito rápida, sem tempo dos frutos que estão ao nosso redor amadurecerem, a gente pode começar a pensar que talvez esse aparente equilíbrio seja um desequilíbrio, porque no desequilíbrio as coisas vêm atrapalhadas, ataoadas. Não quer dizer que uma mudança não seja, às vezes não precisa de uma um ponto de ruptura, não é isso. Mas perceba a vida de Paulo de Tarso. Depois daquele daquela momento, né, momento fundamental do contato que ele tem com Jesus na estrada de Damasco, ele sai se empolgado para tentar eh convencer, compartilhar o convencimento que ele tinha tido. E o que é que acontece? Ele precisa amadurecer, precisa ficar um tempo no deserto, meio que até isolado, amadurecendo os textos, aprendendo uma nova linguagem, porque ele estava aqui amadurecendo um novo fruto. Então, os frutos, né, da mudança, eles não acontecem de uma hora para outra. Esse essa seria uma sugestão, uma dica que a gente pega dentro do evangelho, mas ao mesmo tempo perceba o fruto ao longo do tempo, né? O fruto ao longo da das décadas. Veja como é que estão, né, as pessoas, eh, e você mesmo ao longo do tempo. Então, sim, quando nós estamos equilibrados no ponto, esse equilíbrio aborrece às vezes é o que está ao nosso redor, porque aborrece o desequilíbrio em alguma esfera. E é sobre isso que Jesus tá falando. A qualquer que não leve a sua cruz, né, e não vinha após de mim, também não poderá ser meu discípulo. E qualquer que não levar a sua cruz e não vier após mim, não pode ser meu discípulo. Ou seja, para ser meu discípulo, precisa ter alguma algum grau de renúncia, sabe? Algum grau de entrega. algum grau de sofrimento também, aborrecimento, carregar a cruz não significa que é leve, que é tranquilo, né? seria também um outro sinal, uma mudança que é muito tranquila e que não traz nenhuma dificuldade, é uma mudança que talvez não seja tão aprofundada nas suas raízes.
a que é leve, que é tranquilo, né? seria também um outro sinal, uma mudança que é muito tranquila e que não traz nenhuma dificuldade, é uma mudança que talvez não seja tão aprofundada nas suas raízes. Então, nesse sentido, ele vai colocando essas passagens e vai dizer sobre eh bom é o sal, o sal que tempera, o sal que conserva. E ali em outros momentos, por exemplo, em Mateus, no sermão do monte, Jesus vai falar de quê? De que nós somos o sal da terra. Então nós temos uma qualidade muito boa, né? E que a gente não pode perder a mão, porque se o sal degenerar, com que se há de salgar? Então veja, nós somos o sal da terra. Nós temos uma característica que pode conservar, mas também se for excessivo pode eh salgar demais e pode deixar degenerado, né? Ou seja, eh não ficar palatável. E mais uma vez, então, a medida, tudo que é muito excessivo, tudo que é muito rápido, que não tem um tempo, talvez esteja meio desequilibrado, meio atabalhoado, porque se for demais, né, ou seja, se o sal degenerar, como é que a gente vai conseguir continuar com as propriedades que ele pode nos dar? E aí vem então o último versículo, nem presta para a terra, nem para o monturo. O que é o monturo? Monturo é um amontoado de lixo. A gente pode traduzir monturo como sendo o lixo ou então o espaço em que se joga o lixo. E geralmente o espaço em que se joga o lixo, né, o lixão é meio afastado das cidades. Então é uma imagem muito interessante porque primeiro lixo é aquilo que a gente acha que não pode, que não pode usar ou que não deve mais usar. e em geral é afastado do centro. E aí tem tudo a ver com o conceito de sombra, porque quando a gente vai entender o que é a sombra, eh, é uma forma arquetípica. E aí eu tô colocando um termo técnico, mas o mais importante de você entender, porque que não é uma aula técnica em si, é um local da nossa cabeça, da nossa mente, do nosso psiquismo, em que o material, né, que foi reprimido da nossa consciência fica ali armazenado. Então, por exemplo, tendências, desejos, memórias que são
local da nossa cabeça, da nossa mente, do nosso psiquismo, em que o material, né, que foi reprimido da nossa consciência fica ali armazenado. Então, por exemplo, tendências, desejos, memórias que são rejeitadas por nós porque são incompatíveis com a persona, diria o Jung, né, nessa outra imagem arquetípica, aquilo que a gente apresenta socialmente, aquilo que a gente tem como papel social. Por exemplo, a persona do Léo como palestrante espírita, a persona do Léo como professor universitário, a persona do Léo como pai, ou seja, as funções, as imagens, né, que a gente desempenha. Então, imagine que a persona do professor Leonardo não cabe com tais características. Então, há uma tendência da minha cabeça de eu ir rejeitando essas características que teoricamente não cabem com a minha persona, né, conscientemente falando. E aí há aquela tendência do que eu falei de rejeitar a obscuridade, rejeitar a sombra. E nessa rejeição da sombra, eu vou rejeitando uma parte importante de mim e também vou rejeitando uma parte das pessoas, porque eu vou identificando também a sombra das pessoas, a obscuridade das pessoas, coisas que eu não queria ter, eu acabo percebendo nos outros. E veja que muitas vezes nós somos especialistas em apontar o dedo de características alheias, porque justamente essa característica que tanto nos dói, que tanto a gente tem facilidade de reconhecer nos outros, às vezes são características que a gente tem muita dificuldade de reconhecer em nós e a gente acaba jogando lá pro porão da consciência, né, pras sombras, eh, proxando, da cidade, na periferia da cidade, pra gente poder não observar. No entanto, vai na no conceito yongiuiano, né? A sombra não é só uma força negativa. Sim, muitas coisas que a gente tenta não olhar são destruidoras. O grande exemplo, se a gente pensar na persona eh espírita, né, na persona que a gente tem como ideal de evolução, em geral, as eh energias mais agressivas e as energias mais sexuais tendem a ser muito reprimidas pela a religiosidade,
r na persona eh espírita, né, na persona que a gente tem como ideal de evolução, em geral, as eh energias mais agressivas e as energias mais sexuais tendem a ser muito reprimidas pela a religiosidade, né, pela religião em geral. Então, imaginemos, porém, eh, essa, porque a energia sexual, a energia da da libido, é uma energia criadora, é uma energia criativa, que fica muito visível essa energia criativa quando a gente tem o quê? Procri, então veja, procri a partir da sexualidade, a partir dos filhos. Isso fica muito visível, que a sexualidade é uma energia criadora, criativa, mas existem outras formas de criar-se com essa energia. Então, a gente pode pensar em artes, em tantas coisas que a gente pode criar. Então, se a gente reprime totalmente, né, sem olhar como se a gente não tivesse nenhum tipo de desejo, eh, ou nenhum tipo de agressividade, a gente tá perdendo uma grande força criadora, uma grande força, eh, de vitalidade, de espontaneidade. E é o que tem, por exemplo, às vezes nessa infância que a gente vai esquecendo da força criadora que a infância tem. Então, analisando o monturo, ele vai dizer o seguinte: "Olha, eh, e aí eu vou ler a passagem. Terra e lixo nesta passagem revestem-se de valor essencial", diz Emanuel. Com a primeira, a Terra, nós realizaremos a semeadura. Com a segunda, é possível fazer a adobação onde se faça necessário. Porque grande porção de nós aprendizes do evangelho, a gente acaba imitando a postura dos fariseus. E aí que tá dizendo essa fala: "O fariseu antigo, qual é a o a postura do fariseu antigo?" a postura de apontar e de fugir ao contato das primeiras zonas, diz Emânel, extercorárias do próximo. Então esse é um termo de Emmanuel. Grande porção dos aprendizes, imitando a atitude dos fariseus antigos, forge ao primeiro encontro com as zonas esteecorárias do próximo. Entretanto, tal se verifica porque eles desconhecem as expressões proveitosas. Que que ele tá dizendo? Essa zona extercorária, essa zona do monturo, essa zona do lixão, essa
esteecorárias do próximo. Entretanto, tal se verifica porque eles desconhecem as expressões proveitosas. Que que ele tá dizendo? Essa zona extercorária, essa zona do monturo, essa zona do lixão, essa sombra, essa obid obscuridade, no primeiro momento é motivo de rejeição. E a gente nem quer ter contato com pessoas que demonstram ou que têm visivelmente essa característica. Mas por quê? que a gente não consegue eh perceber as expressões proveitosas, pegando a ideia do do caral Gustavo Jung, essa sombra tem um potencial criador, mas ela também dá muito medo porque às vezes quando passa da medida ou ela acaba salgando demais e acaba sendo uma força destrutiva, destruidora ou muito comprometedora. Então, pra gente não lidar com isso, a gente nem olha, mas aí fica uma vida eh uma vida insípta, uma vida sem tempero. O evangelho está cheio de lições, diz Emanuel, justamente nesse setor do conhecimento iluminativo. E ele vai dizer dois paradigmas que eu acho muito interessante, que a gente já conversou em outros momentos, mas eu acho que vale a pena a gente reler. Se José de da Galileia ou Maria de Nazaré simbolizam terras de virtudes fartas, o mesmo não sucede aos apóstolos, que a cada passo necessitam recorrer à fonte das lágrimas que escorrem do monturo de remorços e fraquezas que são propriamente propriamente humanas, a fim de o quê? de fertilizarem o terreno empobrecido de seus corações. Então, ao longo do Evangelho, ao longo da boa nova, a gente tem sim pessoas que de cara já são ali virtuosíssimos, né? Uma terra fértil já, uma terra até inclusive com frutos. Maria de Nazaré, José da Galileia e tantos outros. Mas os apóstolos não. Os apóstolos a cada passo, Pedro, Judas e tantos outros, eles acabam mostrando os seus monturos, o seu lixão, as suas sombras. Isso vai causando um grande remorço quando ele não tem coragem, né? Por exemplo, se a gente for analisar, tecnicamente aqui, se a gente for analisar a negação de Pedro, né, ele não, ele vai negar, ele vai negar que
ndo um grande remorço quando ele não tem coragem, né? Por exemplo, se a gente for analisar, tecnicamente aqui, se a gente for analisar a negação de Pedro, né, ele não, ele vai negar, ele vai negar que poderia negar. Quando Jesus eh fala para ele, né, revela que ele antes do galo cantar negaria três vezes de forma alguma. E depois ele fica ali meio triste, né, decepcionado com ele próprio, mas ele nega que poderia negar. Veja aí, é essa é a negação psicológica que a gente tá dizendo. Ele nega que poderia fazer isso mesmo, que poderia fazer isso. Ele está mentindo para si mesmo. Então, uma negação é uma mentira que a gente vai contando consciente ou inconscientemente para nós mesmos. E às vezes a gente vai acreditando, negando a negação como Pedro. Então, o que é que acontece? ele acaba por não reconhecer que poderia ser falho nesse aspecto. Ele justamente acaba caindo nesse aspecto por não reconhecer, né? O que que seria a o negar Jesus? A dificuldade de ter coragem e de manter a integridade do ser. Algo que a gente nem imagina, porque Pedro era a rocha. A rocha significa uma certa estabilidade, uma certa força, mas ao mesmo tempo é aquele que na hora H inicial ele não consegue manter a própria força da estabilidade. Então são dois Pedros, num só o Pedro da sombra, que é ali o Pedro que não consegue manter a coragem, que tem ali a fragilidade, a fraqueza de não eh permanecer fiel ao a si mesmo. Mas o Pedro que também tem força, fortaleza, então digamos ali, fragilidade, fraqueza, fortaleza, né? Medo e coragem vem num só. E ao negar que ele pudesse fazer isso, ele acaba fazendo, ele acaba cometendo. E aí vem a lição da humildade que ele vai adquirindo quando ele consegue observar, porque no primeiro momento ele tá o quê? pré potente no sentido de não, eu não vou fazer isso, eu tenho uma potência, mas ele imaginava que tinha antes do tempo, né? ele foi ganhando essa robustez do, né, eh, do conhecido primeiro Papa da Igreja Católica, né, do pai da igreja, mas de uma figura de discípulo
potência, mas ele imaginava que tinha antes do tempo, né? ele foi ganhando essa robustez do, né, eh, do conhecido primeiro Papa da Igreja Católica, né, do pai da igreja, mas de uma figura de discípulo fundamental para qualquer outra visão eh religiosa cristã, porque é uma figura de centralidade do da boa nova no sentido da do cristianismo primitivo. Então, é mais ou menos disso que a gente tá dizendo. Quando o olhar ao monturo, o olhar pro nosso lixão faz a humildade de não acharmos que já somos potentes e ao mesmo tempo a motivação para mudança e não acomodação com o lixo, com o monturo. Foi isso que ele fez. Depois que ele percebe a partir do erro que ele comete, o que ele era capaz de cometer como erro, Pedro continua seguindo, seguindo, não desiste e vai ao martírio. Ele também morre crucificado. Mas aí o o a crucificação da humildade. me crucifiquem de cabeça para baixo, porque eu não tenho a estatura e nem a honra, digamos assim, de ficar crucificado da mesma forma que Jesus. Então veja ali, é ele humilde, é ele sereno, porque ele conseguiu fazer contato com esse essas duas esferas a partir do reconhecimento do seu equívoco. E aí era um homem mais inteiro. E é interessante a gente perceber o que próprio Jung coloca. O importante não é ser perfeito, o importante é ser inteiro. Porque na ânsia de ser perfeito hoje, a gente esquece dessa inteireza e fica um ser humano muito fragmentado que não consegue resistir às primeiras dificuldades da vida. Antes Pedro parecia ser muito mais aguerrido, porque ele era muito mais, na verdade, bruto. Era ali uma pedra bruta ainda rachada, achando que era muito aguerrido, porque não fazia contato com a sua inteireza. Depois ele passa a ser uma pedra mais lapidada, fica com a postura até mais serena ou temperante, com temperança, porque ele se torna uma pessoa inteira. E para podermos ser perfeitos, a gente precisa primeiro ser inteiro, juntar as nossas partes. Esse é um caminho que vai fazendo com que a gente vá crescendo. E aí Emanuel vai
torna uma pessoa inteira. E para podermos ser perfeitos, a gente precisa primeiro ser inteiro, juntar as nossas partes. Esse é um caminho que vai fazendo com que a gente vá crescendo. E aí Emanuel vai colocar de quanto adubo dessa natureza precisaram Madalena e Paulo, por exemplo, até alcançarem a gloriosa posição em que se destacaram. Então ele arremata. Eu acho fantástico esses essas duas últimas frases, né? Uma frase e um parágrafo. Transformemos nossas misérias em lições. Esse é um ponto que resume do que eu tô tentando trazer. Transformemos nossas misérias em lições. E aí ele complementa: Identifiquemos o monturo que a própria Grenorância amontoou em torno de nós mesmos. convertamo-lo em adubo da nossa terra íntima e teremos dado razoável solução ao problema dos nossos grandes males. Então, percebamos a fala bem abrangente de Emmanuel a partir dessa análise do capítulo 14, especialmente o versículo 35 de do Evangelho de Lucas, em que ele vai falando eh dessa sombra externa. né, que está externa a nós, mas ele vai colocando nossa terra íntima. Porque amar Maria de Nazaré, amar José da Galileia, ou seja, admirar essas figuras que já estão prontas, é muito mais fácil do que admirar aquelas que estão ainda incompletas. Da mesma forma, olhar pra gente e admirar o nosso lado luz é muito mais fácil do que olhar pra gente e admirar o nosso lado sombra, o nosso lado sombrio. é muito mais fácil admirar o adubo que já está transformando-se, né, numa fertilização de terra e criando uma nova planta do que olhar o adubo, né, na sua intimidade, que ainda é lixão, ainda é monturo. Mas é importante termos coragem de olharmos para isso, sem nos de gladiarmos, sem nos eh devorarmos interiormente, sem ficar estimulando esse lado eh que seria destruidor se todos nós estimulássemos, mas integrando e percebendo que ele pode ser um caminho de acesso também para ficarmos mais fortalecidos sobre o que nós somos. Então, transformemos as nossas misérias interiores, transformemos o nosso monturo interior,
rcebendo que ele pode ser um caminho de acesso também para ficarmos mais fortalecidos sobre o que nós somos. Então, transformemos as nossas misérias interiores, transformemos o nosso monturo interior, transformemos as nossas sombras, transformemos os nossos dilemas, as nossas dificuldades em lições. Talvez essa seja uma grande uma grande questão para podermos solucionar eh, como ele próprio diz, essa equação, várias equações, mas uma equação que a gente pode solucionar com essa frase: "Transformemos as nossas misérias em lições, é como conciliar a aceitação com uma tentativa de mudança para melhor, como aceitar a minha sombra sem cair na acomodação de cultivar demais a minha sombra. Como aceitar o meu monturo sem cair na acomodação de cultivar demais? Uma estratégia, talvez para não cultivar é transformar a percepção de que aquilo é uma miséria, de que aquilo é um lixão que não serve para nada, de que aquilo pode sim trazer um aprendizado. E eu trago dois aprendizados que aprendo, né, diariamente, eu poderia dizer, mas especialmente quando há momentos específicos, momentos desafiadores da minha vida, em que eu sou levado a perceber o meu equívoco, eu sou levado a perceber a minha sombra interna, que é a percepção de ficar um pouco mais humilde e não cair na prepotência, e a lição de que eu preciso né, caminhar justamente porque eu não estou no alvo ainda que eu desejo. Como não estou no alvo que eu desejo, eu preciso caminhar para chegar até lá. Quando a gente transformar essas percepção de miséria em em eleição, a gente vai conseguir caminhar um pouco mais esperançoso. E é compartilhando essa página que li, porque foi num momento, especialmente essa vez que tô me recordando, eu estava me sentindo um lixo e você já deve ter se sentindo um lixo também. Você já deve conhecer, deve ter conhecido alguém que já se sentiu um lixo. Às vezes a gente se sente uma luminosidade, né? Se sente quando algo que fez, a gente fez algo de bom, alguma vitória, algum projeto que conseguiu ser executado, algo bonito, a
e já se sentiu um lixo. Às vezes a gente se sente uma luminosidade, né? Se sente quando algo que fez, a gente fez algo de bom, alguma vitória, algum projeto que conseguiu ser executado, algo bonito, a gente se sente uma luminosidade, mas muitas vezes também quando a gente faz contato com esse lado mais sombrio, obscuro, o monturo, a gente sente de fato um lixo. Mas nesses momentos vale a pena lembrar dessa mensagem de Jesus traduzida por Emmanuel em Pão Nosso. Transformemos nossas misérias em lições. Entendamos que o monturo também pode servir de adubo e de motivação para a mudança a partir da percepção de humildade que ele nos dá. Nesse sentido, a gente vai conseguindo entender a mensagem mais profunda de Olavo Belac. A hora direis ouvir estrelas. Por certo, perde o senso. Eu vos direi, no entanto, que para ouvi-las muitas vezes desperto e abro a janela pálido de espanto. E conversamos largo tempo, enquanto havia láctea, como um palho aberto senti-la. E quando vem o sol ainda saudoso e em pranto, eu as procuro pelo céu deserto. Direis agora, três loucado amigo, que conversas com elas? Que sentido tem o que dizem quando estão contigo? E nós diremos: "Amai!" Porque só quem ama pode ter ouvido capaz de ouvir e de entender as estrelas. Mas nós poderemos ainda complementar: Amai. Porque só quem ama na sua completude ou na sua maturidade um pouco maior, entende só a mensagem das estrelas, mas também a mensagem da obscuridade da noite. Não só a mensagem da luz, mas também a mensagem do monturo, porque transformou as misérias em lições. Muita paz para você, muita paz para todos. M.
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