#03 - Ana Guimarães - A Visão da Vida com Olhos de Paz - XIV Seminário Espirita Catarinense

INSTITUTO GOIANO DE ESTUDOS ESPÍRITAS IGESE 06/07/2025 (há 9 meses) 42:32 7 visualizações

XIV Seinário Espírita Catarinense Tema: Caminho para Deus Realização: Centro de Estudos Espirita Caminho da Luz - CEECAL Data: 05 de julho 2025 #03 - Ana Guimarães - A Visão da Vida com Olhos de Paz - XIV Seminário Espírita Catarinense Programação: 08h40 às 09h25 Cosme Massi Céu e o Inferno - Liberdade e Fatalidade 09h30 às 10h00 Raul Teixeira Caminho para Deus 10h30 às 11h00 Simone e Crema Momento Musical 11h05 às 11h50 Ana Guimarães A Visão da Vida com Olhos de Paz 13h30 às 14h15 NEA Peça teatral – O céu e o Inferno 14h25 às 15h15 Luiz Alberto Silveira Leis Eternas: O Caminho Sagrado do Corpo e do Espírito para Deus 15h20 às 16h10 Cosme Massi Fé, Esperança e Caridade - 5ª Palestra 16h45 às 17h15 Simone e Crema Momento Musical 17h20 às 18h10 Ana Guimarães Reencarnação, uma lição de Amor - 18h10 às 18h20 Encerramento - CEECAL 18h20 Prece de Encerramento Raul Teixeira Transmissão: TV CEECAL Retransmissão: Web Radio Fraternidade, Espiritismo e Mediunidade, IGESE, FEC TV, TV 14URE, Radio Portal da Luz, RAE TV

Transcrição

Gentees, isso é muito bom. Então, vamos nos encaminhando. Já está tudo certo aqui. E a terceira palestra desta manhã para abordar o tema Visão da vida com olhos de paz para Deus. Nós vamos anunciar a presença da senhora Ana Guimarães. Mas antes que chegue aqui o Luís Xerém, trabalhador do Centro Espírita Seara dos Pobres aqui de Floronópolis para que ele faça a oração e depois teremos então a palestra. Luiz, bom dia para todos. Então, tá, vamos lá. Então, agradeço pela oportunidade de estar aqui. Bem nervoso, mas tudo tem um momento, tudo tem um começo. Então, vamos lá. Agradecemos a Deus, ao Mestre Jesus, pela oportunidade de estarmos todos aqui. Agradecemos também essa espiritualidade que preparou todo esse ambiente, que trouxe todos nós aqui para nos esclarecer, trazer uma palavra consoladora para trazer conhecimento. Agradeço ao pessoal da equipe e vamos na oração que o mestre Jesus nos ensinou. Pai nosso que estais nos céus, santificado seja o vosso nome, venha a nós o vosso reino, seja feita a vossa vontade, assim na terra como é feito nos céus. O pão nosso de cada dia nos dai hoje. Perdoai as nossas ofensas, assim como nós devemos perdoar a quem nos tem ofendido. Não nos deixes cair em tentação. Leva-nos, Pai, de todo que seja mal. Essa prece, chamamos Ana Guimarães para a a palestra. Obrigado, Luiz. Está aí Ana Guimarães, é fundadora e diretora do grupo Espírita Caminho da Esperança na cidade do Rio de Janeiro, palestrante espírita no Brasil e no exterior. Para abordar o tema Visão da Vida, com olhos de paz para Deus. Aqui está e seja outra vez bem-vinda, senora Ana Guimarães. Bom, sem cair que a nossa técnica vai dar um jeito aqui. Tá querendo cair. Vou deixar. Meus caríssimos irmãos, que nos abençoe o Senhor Jesus, que ele nos conceda tranquilidade, harmonia, paz. Eu hoje estou tão triste. Eu precisava tanto conversar com Deus, falar dos meus problemas, também lhe confessar tantos segredos meus. Quem não se lembra, Nelson Ned cantando e naturalmente impactando

Eu hoje estou tão triste. Eu precisava tanto conversar com Deus, falar dos meus problemas, também lhe confessar tantos segredos meus. Quem não se lembra, Nelson Ned cantando e naturalmente impactando com a voz bonita que Deus me concedeu, como a voz bonita dessa moça que cantava agora. Eu precisava tanto conversar com Deus. Quem de nós não teremos necessidade no momento de conversar com Deus, contar a ele os nossos segredos, confessar os problemas que nos afligem, desejando de alguma sorte ouvir-lhe a resposta. E então paramos o momento para passar a limpo os acontecimentos da vida. Quanta coisa. Desde a infância, onde palmilhamos os caminhos tão tranquilos, sem preocupação. A preocupação era do papai, da mamãe e nós apenas corríamos para o nosso futuro. A adolescência também sem tantos compromissos. Depois a idade adulta, os comprometimentos, a vida, o matrimônio, os filhos e a cada passo aquela vontade enorme de conversar com Deus, aquela vontade muito grande de que ele nos ajudasse a dirimir os problemas e a nos indicar o caminho melhor. para encontrarmos a paz, a tranquilidade, a harmonia. Então a gente vê como os poetas têm uma facilidade tão grande de falar dessa desse encontro com a tranquilidade, a paz, como José Soares Cardoso dizendo: "Como é bom viver contente e namoradas do bem, não guardar rancores na alma, não querer mal a ninguém, olhar com profundo Levo, o diálogo das flores e escutar dos passarinhos a linguagem da inocência. Sentir, amar, a beleza que os astros, a natureza, a própria vida contém. São palavras do do poeta. E eu perguntaria a mim mesmo se o poeta sentia realmente essas coisas bonitas, boas. poéticas dentro da sua alma. Guardaria ele também problemas, preocupações, dúvidas? É possível que sim. Eu sempre achei que religião, vindo do verbo latino religare, seria a ligação da criatura com o seu criador. Sempre acreditei isto. Então, a religião para mim era essa busca a a Deus, ao encontro com o Pai. Até que relendo o Leon Deni, depois da

latino religare, seria a ligação da criatura com o seu criador. Sempre acreditei isto. Então, a religião para mim era essa busca a a Deus, ao encontro com o Pai. Até que relendo o Leon Deni, depois da morte, ele dá uma conotação diferente a religião. diz que religião é aglutinação, aproximação das criaturas, daqueles que frequentam um templo religioso, não importa qual seja, mas que essas criaturas que buscam esse templo procurem também harmonizar-se, ser fraternos, amigos, acabar com as discórdias, os desencontros, que porventura existam, até mesmo a a divergência em opiniões, em pensamentos, em formas de entendimento mesmo da própria religião, que nós buscássemos de alguma sorte estabelecer no nosso templo de fé essa harmonia e que cada um olhasse para o outro com olhos de fraternidade. E quando estivermos no nosso templo de oração, que a gente procure entre os companheiros aqueles que nos sejam mais simpáticos, mais agradáveis, com os quais nos sintamos mais à vontade para a confraternização. E olhando esses companheiros, digamos para nós mesmos: "Bem, com esses eu já resolvi os meus problemas". E aí olhar aqueles outros que não são tão simpáticos, que não nos agradam tanto, que pelo contrário, até nos aborrecem um pouco e nos aproximássemos desses. Buscássemos então estar mais próximos, estabelecer um um clima de fraternidade, um clima de carinho, de respeito humano. E eu lendo Leon Deni, pensando nas coisas que ele havia dito, fiz uma conotação com a doutrina espírita, como é racional a ideia que ele nos dá de religião. Porque nós temos a nossa família consanguínea, papai, mamãe, irmãos, etc, etc. Nós temos esses com os quais nós precisamos nos harmonizar, nos entender, acabar com as dissidências do passado. a doutrina espírita nos ensina, mas esquecemos dessa família, família espiritual que se aglutina nos templos religiosos, com os quais também temos que derimir problemáticas que trazemos do passado ou que aconteceram no presente. Não importa. O objetivo real da nossa vida aqui é nos

ue se aglutina nos templos religiosos, com os quais também temos que derimir problemáticas que trazemos do passado ou que aconteceram no presente. Não importa. O objetivo real da nossa vida aqui é nos melhorarmos, estabelecermos princípios verdadeiramente cristãos em nossas atitudes, na nossa forma de ser, de agir, de pensar, de nos aproximarmos das criaturas. E para isso, eh, Deus nos deu tantas coisas que podemos utilizar como instrumentos de regeneração de nós mesmos. O sorriso, como é bom ver o sorriso no rosto das pessoas. Eu vejo que que os poetas e os escritores falam muito do sorriso das crianças. Realmente é lindo sorriso das crianças, mas um sorriso que eu guardo na retina da memória com grande carinho foi um que eu vi já há algum tempo atrás de alguém que estava num palco dizendo: "Ó, que saudade que eu tenho da aurora da minha vida, da minha infância querida que os anos não trazem mais. E ele sorria. E aquele sorriso mostrava um dentinho único, enfeitando aquele sorriso. E eu guardei aqui no coração. E toda vez que eu lembro do Nelson Ned e imagino que hoje eu estou tão triste, eu me lembro daquele sorriso e me lembro também de dele dizendo que saudade eu tenho da aurora da minha vida. E então as coisas se modificam. Então, o sorriso é uma uma arma gentil que podemos utilizar para dirimir a problemática dos desajustes dos desencontros da juventude. moço, principalmente quando está apaixonado, a jovenzinha apaixonada, como se torna lindo o sorriso, porque eles sorriem por qualquer motivo ou sem motivo nenhum, sorriem e esse sorriso enche a nossa vida de esperança, de sonhos ou de lembranças dos nossos tempos também, de corações apaixonados. E aí a gente volta novamente a pensar em Deus. Eu gostaria tanto de pedir a Deus que esse momento não acabasse nunca. E então nos lembramos também em como a religião nos faz sorrir de contentamento ou mesmo sorrir de tristeza. Às vezes a gente sorri de tristeza também. Eu estava me lembrando do querido companheiro, cujas asas se abriram e partiu para um

a religião nos faz sorrir de contentamento ou mesmo sorrir de tristeza. Às vezes a gente sorri de tristeza também. Eu estava me lembrando do querido companheiro, cujas asas se abriram e partiu para um lugar no espaço de Valdo Franco, a forma com que eu o conheci. E foi tão sugêneres, porque eu ouvia falar muito a respeito dele. Eu estava começando a pregar também. e falavam a respeito de Divaldo Franco e eu tinha uma vontade de conhecê-lo, mas a época a tecnologia ainda não tinha dado tanta facilidade como nós temos hoje. Então era complicado uma foto ouvir a voz através de um gravador. Não era para para aquela moça pobrezinha que estava sonhando com as estrelas. Ainda não. Mas eu estava hospedada numa casa. A minha família morava ainda em Mato Grosso e eu morava no interior de São Paulo. Estava hospedado numa casa, queria hospedar também o Divaldo. E eu estava então muito feliz, eufórica. ia conhecer finalmente o Divaldo Franco tão falado. Mas os desencontros ocorreram durante todo o dia. Eu trabalhava, ele chegou e eu estava no trabalho. Ele almoçou e quando eu cheguei para almoçar, ele já tinha ido descansar. Quando eu voltei do trabalho, ele estava descansando ainda e eu tinha que ir para a escola. e fui para a escola na expectativa de terminar uma prova de português e retornar rapidinho para ouvir o Divaldo Franco naquela noite. Não me encontrei com ele. Então fui pra aula e nós éramos três colegas espíritas e resolvemos então vamos fazer a prova rapidinho e sair correndo para ir ouvir Divaldo Pereira Franco. E antes, quando estava a dona da casa estava arrumando a o quarto onde ele ficaria com todo requinte de carinho, de ternura, que ele nos merecia e nos merece, ela disse assim: "Ah, eu queria ter uma fronha nova para colocar no travesseiro". E eu disse: "Olha, por acaso eu tenho uma que não foi usada ainda. Só que mamãe naquele requinte de carinho, ela bordava as fronhas todas e colocava alguns discísticos. E eu fui buscar a fronha e trouxe e havia um um ramo de

caso eu tenho uma que não foi usada ainda. Só que mamãe naquele requinte de carinho, ela bordava as fronhas todas e colocava alguns discísticos. E eu fui buscar a fronha e trouxe e havia um um ramo de flor bordado e e a as palavras durma bem si, que era o meu apelido de infância". Eu disse: "Não tem importância ter." Ela disse: "Não, não, tá novinha". Colocou no travesseiro. Muito bem. Fiz a prova, saímos correndo às 3 para chegar e ouvir Divaldo Pereira Franco naquela correria chegamos e já foram nos dizendo: "Olha, o salão tá cheio, não tem lugar para nada". Eu falei: "A gente vai sentar no chão em algum lugar". E fomos entrando e tinha umas pessoas na entrada do cinema, algumas pessoas, a gente nem olhou direito quem eram aquelas pessoas. Eu fui passando, alguém me segurou pelo braço e eu me voltei. E era um jovem lindo, lindo, risonho, que me disse: "Eu dormi bem, Cici". Eu fiquei tão assombrada, falei: "Meu Deus do céu". Aí o o senhor que estava do lado, que era um conhecido, disse: "Este é o Divaldo." Eu falei: "Meu Deus do céu, como é que ele sabe que eu sou a Cisc se ele não me viu, nunca me viu?" Ele falou: "Dormi bem, Cis." E E eu saí, não sei como eu consegui entrar no meio daquela multidão. Me sentei no chão, eu estava nas nuvens, não enxergava nada. Aí só enxergava aquele moço falando, falando com voz de anjo, com a musicalidade das estrelas, tocando a alma da gente e nos mostrando os caminhos de Deus. Divaldo Franco, o orador, o médium. E eu fiquei imaginando quantos teriam sido preparados no mundo espiritual para falarem com voz de estrelas, com vozes de esperanças. E os anos já haviam passado e eu estava já morando no Rio de Janeiro, já consorciada com seu Guimarães. E eu fui falar em Niterói, numa casa espírita de Niterói. Os companheiros estavam nos esperando e fomos entrando por um corredor e de repente eu passei por uma janela e ouvi uma voz, uma voz diferente, uma voz bonita. Eu parei e voltei alguns passos e parei na janela para ouvir. Era um jovenzinho

fomos entrando por um corredor e de repente eu passei por uma janela e ouvi uma voz, uma voz diferente, uma voz bonita. Eu parei e voltei alguns passos e parei na janela para ouvir. Era um jovenzinho falando de Deus, dando uma aula para outros jovens a respeito de Deus. E eu fiquei encantada com aquela voz, com o timbre, com as notícias que dava. Fiquei ali uns 5 minutos. nem precisou de mais do que isso para me cantar com a voz de José Raul Teixeira, o jovem que estava dando uma aula sobre Deus em Niterói. E eu fiquei pensando que eu precisava tanto conversar com Deus, agradecer a ele por tudo o que ele nos tem oferecido de bom, de belo, de harmônico e de diretrizes para estabelecer um clima de vida melhor. pelos exemplos que fui colhendo ao longo das experiências da vivência espírita com o Chico Xavier, que tanta vez nos honrou com o seu carinho, com a sua atenção, de Divaldo Franco, da amizade do Raul e de tantas outras vozes que falaram os meus ouvidos, a consoladora mensagem da doutrina espírita. Então eu sempre pensei com os meus botões, eu tenho que amar essa doutrina, eu tenho que ser muito grata a Allan Kardec e tenho que buscar realmente tornar aquela imagem que ele nos ofereceu, fazendo a pergunta ao mundo espiritual e o espírito de verdade respond respondendo que o nosso modelo, o nosso guia é Jesus, deve ser Jesus sempre, em todos os momentos da nossa existência, em tudo, em todas as decisões que tenhamos que tomar em todas as palavras. que devemos emitir para os ouvidos dos outros, mormente quando estamos no ninho doméstico. E Deus, aquele com o qual temos tanta vontade de falar, nos honra com a sua confiança, porque é uma confiança tão gigantesca quando ele coloca em nossos braços os filhos. são os filhos dele que ele coloca em nossos braços para que nós os encaminhemos, os orientemos, para que nós possamos dar a eles um caminho que os leve de volta aos braços do verdadeiro pai. Então, pensando em tudo isso, a gente tem que agradecer a Allan Kardec

ós os encaminhemos, os orientemos, para que nós possamos dar a eles um caminho que os leve de volta aos braços do verdadeiro pai. Então, pensando em tudo isso, a gente tem que agradecer a Allan Kardec que nos oferece esses olhos com que olhamos para a vida. Estabeleçamos como meta a paz. A paz que só virá quando verdadeiramente nos conscientizarmos que somos espíritos imortais. E estamos fazendo uma trajetória em busca da evolução, em busca da perfeição. A nossa terra ainda está muito complicada, mas a complicação não é da Terra, não. A gente diz, a Terra está complicada, não. Nós estamos ainda muito complicados. Ainda não temos uma noção real do que seja Deus em nossa vida. A gente costuma ler, ouvir ou falar que a gente não deve tomar o seu santo nome em vão, mas isso são palavras. Dentro da conotação da nossa capacidade de entendimento, são palavras. E a gente se esquece de que a palavra também é uma das bênçãos concedidas por Deus, que nós devemos trabalhar para que a nossa palavra e a nossa voz se torne música no ouvido daqueles que nos ouvem. usar a palavra com equilíbrio, com bondade, com beleza também, trabalhando a nossa voz para que ela consiga mostrar às criaturas a presença de Deus em nós. Hoje as pessoas falam gritado, gritam tanto, falam tão alto. Às vezes eu fico, como eu estou muito jovem agora, e e a surdez começa a cantar alguma coisa nos meus ouvidos, complica. As pessoas falam muito alto, eu não consigo entender o que elas dizem. falo: "Meu Jesus, já tá na hora de cantar para subir, sair dessa encarnação, arranjar uma encadernação nova com os ouvidos melhores, mas nós vamos desgastando as ferramentas que Deus nos concede para estabelecermos o clima fraternal que a doutrina espírita nos acena e nos mostra o caminho." Então, nós temos o sorriso, a voz, o olhar. Os olhos falam daquilo que está em nossa alma. É tão lindo os olhos de um casal apaixonado. Que coisa linda que é. Como eles conseguem dar um brilho especial, diferenciado. Como é lindo o brilho dos olhos daqueles

m daquilo que está em nossa alma. É tão lindo os olhos de um casal apaixonado. Que coisa linda que é. Como eles conseguem dar um brilho especial, diferenciado. Como é lindo o brilho dos olhos daqueles que olham as pessoas com ternura. Os olhos falam tanto daquilo que está em nossas almas. olhos de paz, olhos de esperança, olhos de amor. E eu me recordo que das muitas vezes que estive a penitenciária para falar a convite de dona Idalinda Aguiar Ribeiro no Rio de Janeiro, eu sempre tinha uma preocupação tão grande, cada vez que ela me convidava para ir à penitenciária, eu me preocupava, será que eu terei as palavras corretas para falar aquelas criaturas? Falar a elas de quê? De esperança. Aquelas criaturas que estão cerciadas pelos muros enormes de um presídio, pelas grades que os cerceia do convívio com as outras pessoas. Será que eu conseguirei? E eram perguntas que estavam sempre no meu coração. E num domingo fomos juntamente com ela, ela era minha proteção, porque era uma senhora grande e eu menorzinha. Ela caminhava comigo à frente, assim como o Antônio Carlos faz, me protegendo aqui também. E ela ia caminhando e eu olhando pros lados e pensando o que eu vou falar. E ela havia me dado um tema amor. Meu Deus, falar de amor para essas pessoas cuja vida está tão desprovida de amor, como falar? E eu pedia a inspiração dos benfeitores, dona Benedita Fernandes, me ajude. Quando chegamos na sala, onde estavam cerca de uns 70 jovens, eram todos jovens, sentados e dois clérigos estavam no palco cantando. Um tocava violão e o outro cantava entusiasticamente. E eles diziam assim: "Eu quero crer na paz do futuro. Eu quero ter um quintal sem muros. Eu quero ter um milhão de amigos." E eu vi aqueles moços que levantavam os braços e cantavam também: "Eu quero crer na paz do futuro. Eu quero ter um milhão de amigos". E eu olhava para eles e uma dor no peito, pensando a paz do futuro. Onde eles iriam encontrar essa paz? nos muros da prisão, ter um milhão de amigos quando escapassem dos muros da prisão.

de amigos". E eu olhava para eles e uma dor no peito, pensando a paz do futuro. Onde eles iriam encontrar essa paz? nos muros da prisão, ter um milhão de amigos quando escapassem dos muros da prisão. Mas ali eu tinha que crer na paz do futuro. Eu tinha que ter no coração também um quintal sem muros e fazer daquelas criaturas um milhão de amigos. Quando os padres terminaram de cantar, eles iam sair. Dona os convidou para permanecer e ela me passou a palavra depois de uma prece. Eu me levantei e por uma dessas razões que a razão desconhece, um moço me chamou atenção. A expressão era de uma dureza tão grande, um rosto bonito, bem escanhoado, cabelo cortado, a escovinha, mas um olhar duro que ele colocava na minha pessoa e um sorriso que não era fraterno, um sorriso de morfa. Eu não sei por eu ia falar e eu olhava para ele. Eu virava para um lado, os olhos voltava para o moço e ele estava sempre preso ou eu estava presa aos olhos dele. Mas eu comecei a falar, a falar de Jesus, do evangelho, do carinho, do espírito de verdade, quando verteu para as mãos operosas de Allan Kardec as notícias do mundo espiritual, falando de nós mesmos, do que somos, de onde viemos, o que estamos fazendo aqui, qual o objetivo da nossa jornada. E comecei a lembrar do amor de Jesus pelas criaturas. Ele que, segundo o mundo espiritual, ao deixar a cruz, ao abandonar o corpo preso ao madeiro, a primeira coisa que fez foi ir ao encontro de Judas, Judas de Carot, para retirá-lo do corpo, já que havia se suicidado. pensando nessa nesse carinho de Jesus que não buscou a mãe ou o discípulo querido que estava ali ao pé da cruz ou aquele outros e todos aqueles que ali estavam por amor também, mas foi buscar o equivocado, foi abraçá-lo, foi aconchegá-lo, foi despertá-lo para a realidade do bem. E pensando nisso, eu me esqueci do moço e falamos durante 40 a 50 minutos, não me recordo. Terminou, os guardas vieram para nos acompanhar até a porta. Tínhamos que subir 3 degraus e quando eu estava no segundo, alguém segurou no meu

o moço e falamos durante 40 a 50 minutos, não me recordo. Terminou, os guardas vieram para nos acompanhar até a porta. Tínhamos que subir 3 degraus e quando eu estava no segundo, alguém segurou no meu braço. O guarda de imediato segurou também. Eu disse: "Deixa, deixa". Era o moço, era aquele moço. E ele segurou o meu braço e eu desci mais um degrau e eu disse: "O que é meu filho?" Ele falou: "Eu estava olhando para você e estava pensando o que você teria para falar para nós que aqui estamos. Daqui a pouco o portão vai se abrir e você vai para liberdade e nós, o portão vai fechar e nós vamos continuar aqui na prisão. Falar de amor. Que amor, ô meu Deus, que amor pode haver aqui dentro. A senhora não tem noção do que seja a vida aqui dentro. Eu disse: "É verdade. Não que não tenha noção total. Eu posso ter uma noção do que seja a vida aqui. Não um conhecimento real, mas uma noção do que seja. Eu posso entender, entender você?" Ele disse: "Não, não pode. Eu sou inocente. E a senhora vai dizer que todos aqui são inocentes. Todos dizem a mesma coisa. Mas eu sou inocente de verdade. Estou aqui há 5 anos. Durante os dois primeiros anos, eu chorei. Ó meu Deus, eu chorei todas as lágrimas do mundo e nenhuma delas me deu paz. Tive notícias da morte do meu pai depois da minha mãe. Morreram de desgosto, de sofrimento, de dor. Então, à medida que as lágrimas corriam, o coração foi secando, foi secando e os olhos também. Há 3 anos que eu não sei o que é uma lágrima. Há 3 anos que eu tenho aqui no peito uma pedra de gelo. Ele não bate mais, não se movimenta mais. Congelou. E aqui eu tenho uma máquina, uma máquina que há 3 anos formula uma técnica, formula um jeito, procura alguma coisa. para ferir a sociedade. Eu vou sair daqui. Durante 3s anos eu estive pensando, maquinando as maldades que eu iria fazer no mundo, as coisas ruins que eu iria fazer, como eu iria agredir o ser humano, como eu iria maltratar o ser humano, como eu iria fazer com que pagassem gregos e troianos, que pagassem

e eu iria fazer no mundo, as coisas ruins que eu iria fazer, como eu iria agredir o ser humano, como eu iria maltratar o ser humano, como eu iria fazer com que pagassem gregos e troianos, que pagassem os dois anos de lágrimas e a vida de meu pai e da minha mãe. Eu pensava tudo isso quando eu vi a senhora ali tão jovem. Eu era, né, jovem naquele tempo, tão jovem. E eu pensei: "O que essa criatura vai dizer aqui para nós? essa criatura que não entende nada da vida ou de prisões. E a senhora começou a falar e eu estava sorrindo desdenhosamente. E à medida que a senhora foi falando, eu comecei a enxergar enxergar uma imagem, uma imagem que fazia tanto tempo não vinha a minha memória. A imagem que a minha mãe tinha de Jesus preso na parede do quarto. Aquela imagem foi se agigantando por trás da senhora e parecia que ele sorria para mim e parecia que ele falava através das suas palavras. E então eu senti algo quente que escorreu na minha face. Eu chorei há três anos eu não sabia o que era chorar. A senhora me fez chorar. Por favor, volte outras vezes, nem que seja apenas para me fazer chorar. E ele virou as costas e se foi. E eu fiquei pensando na força desse modelo e guia com que os espíritos acenaram para a nossa jornada. E eu ouvi Divaldo nas suas últimas falas dizendo que a gente lesse evangelho de Lucas todos os dias uma passagem do evangelho. E eu estou fazendo isso. O evangelho de Lucas é de uma doçura tão grande, diferente, porque ele retrata o pensamento da mãe de Jesus. o pensamento de Maria de Magdala e o pensamento de Paulo, o apóstolo dos gentios. Então, é de uma ternura. E eu lendo, vou me recordando das muitas vezes em que esse apóstolo de Jesus também, Divaldo Franco, nos acenou com a realidade do mundo espiritual, nos acenou com a bênção dessa doutrina que realmente nos conduz para tranquilidade, para uma paz que parece que um mundo de provas e de expiações não consegue nos dar, mas não importa, porque quando nos conscientizamos da imortalidade da alma, quando nos

os conduz para tranquilidade, para uma paz que parece que um mundo de provas e de expiações não consegue nos dar, mas não importa, porque quando nos conscientizamos da imortalidade da alma, quando nos conscientizamos de que essa vida é transitória e que nós temos uma bagagem enorme que vem lá do passado e nos acena com a realidade do presente, que nos traz dores, enfermidades, limitações, E a gente vai entendendo tudo isso faz com que a gente receba, como diz Alta de Souza, não igualzinho, mas ela diz assim: "Recebe com alegria a dor que te renova". Aí eu me lembro que quando, depois de uma cirurgia que fiz há um ano atrás, a doutora estava me entrevistando, conversando e ela disse: "Minha filha, quando você recebeu a notícia de que era portadora de um câncer, o que é que você sentiu?" E eu respondi com maior sinceridade. Falei: "Não senti nada. Senti nada. era portador de um câncer, então ele estava saindo porque alguém já havia dito a mim antes: "Olha, não fica triste comigo, porque em mim o câncer tá saindo. Fique triste ou ore ou chore por aqueles em cujo corpo o câncer está entrando." E eu pensei também, em mim tá saindo, graças a Deus, é mais uma dívida que está paga. Então, o caminho da paz não está lá. Além, alures em algum lugar está aqui, está em nós. Pensem como espíritos imortais, que um dia vamos sair do conglomerado celular, desta célula que de alguma sorte oblitera a nossa capacidade de nos expandir. Vamos lembrar que vai chegar a desencarnação e vamos esperá-la, não com temor, não com medo daquela figura que o Cosm desenhou aqui, aquela mulher de preto com a não sei o que que ele tinha na mão lá, a foice na mão, nada disso. Ela vai chegar e vai nos libertar, cortar os liames da vida e a gente adentra a outra vida, a vida espiritual. É o caminho da paz. Trago versos dentro da alma, como o sol traz luz em si. Eu vivo a vida cantando porque poeta nasci. Ouço cachoeiras rolando das alturas dos meus sonhos em dias claros, risonhos de luminosa beliza. Nesse plano eterizado, quando eu

como o sol traz luz em si. Eu vivo a vida cantando porque poeta nasci. Ouço cachoeiras rolando das alturas dos meus sonhos em dias claros, risonhos de luminosa beliza. Nesse plano eterizado, quando eu penso estar pensando, estou com a alma escutando a prece da natureza. Há no meu peito cascatas vibrando ternas sonatas no teclado das estrelas. E embora grandes distâncias, seja noite ou seja dia, com as lunetas da poesia, eu sempre consigo vê-las. Há no meu peito um garimpo de cristais e diamantes. E eu mesmo sou garimpeira que só procura brilhante que tem a cor de alvorada. Pedra conjaça ou defeito no garimpo do meu peito não quero seja encontrada. Naágaras, Paulo Afonso, sete quedas, Iguaçus, cataratando os meus sonhos. A quedas d'águas a flus, fontes líricas serenas, bandos de lindas falenas, dando mil cores ao dia. Jardim suspenso nos ares e outras notas singulares. Faz-me conhecer a poesia. Por tanta luz que vislumbro, pela aventura que tenho, por tanta paz que desfruto, sem que tais bênção mereça, eu não sei como agradeça a glória que Deus me deu. Sim, meu Pai, me sinto mudo porque vós me deste tudo, o dom de viver na terra com os olhos fitos nos céus. Muito obrigada pela atenção.

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