T6:E12 • Transtornos Mentais • Transtorno Bipolar

Mansão do Caminho 01/05/2024 (há 1 ano) 58:46 6,742 visualizações 907 curtidas

Psicologia Espírita com Joanna de Ângelis Temporada 06 - Transtornos Mentais Episódio 12 - Transtorno Bipolar ► Referências Bibliográficas • O Homem Integral, cap. 9; • Em busca da verdade, cap. 1; • Autodescobrimento: uma busca interior, cap. 10; • Vida: desafios e soluções, cap. 4; • Conflitos existenciais, cap. 1. » Apresentação: Cristiane Beira com participação de Mariana Beira

Transcrição

Nós temos um encontro diferente para mim, muito especial, porque eu recebo Mariana Beira, minha filha, Dora Mariana, que é aquela pessoa que eu disse para vocês no primeiro encontro, que tem me ajudado, me apoiado com a parte psiquiátrica dos transtornos. E eu convidei a Mariana para conversar com a gente hoje. Eu gosto sempre de começar os nossos encontros eh contextualizando um pouco a parte simbólica, que tem muito a ver com aquilo que a gente lida em Joana de Angeles. Mas antes da gente entrar, eu gostaria que você se apresentasse pra gente e contasse um pouquinho de você. Claro. Então, eu queria primeiro agradecer o convite. Para mim é uma honra tá aqui, poder compartilhar um pouquinho, discutir um pouquinho do que eu sei, aprender também. Então, é muito gratificante isso para mim. Então, falando um pouquinho sobre mim, sobre a questão profissional, então eu fiz medicina, cursei na faculdade de medicina e depois eu tenho essa especialização na residência em psiquiatria. Então, a medicina a gente primeiro faz o curso geral e depois especializa na residência. No meu caso, eu escolhi a psiquiatria porque já desde sempre me interessei por essas questões de de mente, né? Eh, pela psicologia em si também. com esse olhar dentro da medicina e fiz também uma pós-graduação em psicossomática, que é essa esse estudo da relação mente e corpo, do ponto de vista, né, no âmbito desse olhar iunguiano, né, que é uma das linhas da psicologia. Então eu tenho aqui esses dois olhares, um mais da psiquiatria, que é um olhar mais fenomenológico, mais descritivo, mas tem esse ponto de vista mais da da acadêmicocientífico. E do outro lado esse olhar mais da psicologia yunguiana, especificamente da psicossomática. E a Mari tem também uma pós-graduação que acho que já deve estar terminando. Me perdi aí. eh com a homeopatia e eu acho que tudo conversa, né, Mariana, não tem como a gente isolar aquilo que a gente vai aprendendo. E hoje ela também tá tendo essa experiência fora do Brasil, podendo estudar, fazer outros

patia e eu acho que tudo conversa, né, Mariana, não tem como a gente isolar aquilo que a gente vai aprendendo. E hoje ela também tá tendo essa experiência fora do Brasil, podendo estudar, fazer outros cursos, tá se colocando aí na filosofia que também tem muito a ver. Então, sei que você tá se formando, fico muito feliz de observar esse espírito crescendo na terra, independente de ser filha, né, Mari? fico feliz e agradeço por você tá comigo. E com relação a ao transtorno bipolar, eu trouxe também a Mariana por conta desse dessa pós-graduação em psicossomática ter sido a o tema que a Mariana escolheu para fazer a sua monografia. Mari, quando eu falo em bipolar, eu falo em dois polos, né? Então a gente começa aí esse olhar simbólico. E eu me lembrei de uns 10 anos atrás, eu tava, eu acho que era no aeroporto e eu vi umas pulseiras que me chamaram atenção, elas eram de bolinhas. E eu fui lá porque aquilo mexeu comigo de alguma forma para entender o que que era. Eram coloridas e eram pulseiras feita por um, na época era um jovem até. E ele contava a história no cartãozinho que vinha, que ele olhando o avô que estava com o início do processo do Alzheimer, ele se deu conta do quanto a vida tem altos e baixos. E aquilo mexeu tanto com ele que ele criou um projeto simbólico para chamar a atenção das pessoas o mais cedo possível a respeito dos altos e baixos. Então essa pulseirinha ela era feita com água do Evereste e com lama do Mar Morto. Olha que interessante. Então a gente pode falar alto, Evereste, próximo do céu, do sol, luz, claro, água, purificação e ao mesmo tempo mar morto, abaixo de do nível do mar, lama escuro, morto. Então ele veio mostrar que tem conversa muito com o Jung dos opostos, do quanto que a gente se polarizar adoece e o quanto que para sair da doença a gente precisa integrar os polos, né? Procurar integrar, então circular mais entre os altos e baixos. E a polarização me parece que é um bom exemplo, porque ela vai trabalhar dois duas instâncias opostas em termos de estado de ânimo,

né? Procurar integrar, então circular mais entre os altos e baixos. E a polarização me parece que é um bom exemplo, porque ela vai trabalhar dois duas instâncias opostas em termos de estado de ânimo, não é? Então, a gente começando já com essa história aí de altos e baixos, de para fora e para dentro, para cima e para baixo, eh, a gente faz isso nesse âmbito que nem você tá dizendo, psicodinâmico da psicologia de UNG, mas traz pra gente, eu gosto de fazer e tenho tentado fazer trazendo a sua orientação, mas eu sei que de forma do meu tamanhinho aqui, mas eu tenho que tentar trazer o olhar da psiquiatria, mesmo que seja apenas apresentando aquilo que eu consigo. Se você puder fazer isso para mim hoje, ao invés de eu falar da parte psiquiátrica, você trazer uma uma breve explicação do transtorno bipolar, eu agradeço. Claro. Então, acho que é interessante falar eh sem tantos sem tanto detalhamento, mas uma forma geral pra gente entender quando a gente tá se referindo ao transtorno bipolar, do que que a gente tá falando, né? Eh, de uma forma geral, quando a gente ouve as pessoas que não são eh não acabaram não estudando de uma forma ali acadêmica esse assunto, pode-se ter a impressão de que a gente tá falando de uma pessoa que oscila muito, né, de humor. A gente traz isso de uma forma, né, leiga, assim, dizendo: "Nossa, essa pessoa é bipolar". Uma hora ela fala uma coisa, outra hora ela fala outra. como se fosse uma pessoa que, num caso, uma pessoa que muda muito de opinião, do ponto de vista da psiquiatria, não é isso que a gente tá falando quando a gente fala de um de uma pessoa que tem um transtorno bipolar. Então, primeiro, acho importante fazer uma distinção aqui. Quando a gente fala de um transtorno, a gente tá falando de um de uma vivência que a pessoa está tendo a um ponto de trazer prejuízo tanto na funcionalidade dela, em como ela age ali no dia a dia, no que ela tem que fazer no trabalho, quanto na qualidade de vida. Então, é algo além do que a gente chamaria aqui do normal, né? Como você

to na funcionalidade dela, em como ela age ali no dia a dia, no que ela tem que fazer no trabalho, quanto na qualidade de vida. Então, é algo além do que a gente chamaria aqui do normal, né? Como você tá trazendo, a vida faz parte, esses altos e baixos. Quando eu tô aqui trazendo o transtorno, eu tô falando de algo que tá além do que aquilo que a gente imagina que é o normal da vida. No caso do transtorno bipolar, a gente tem uma pessoa vivenciando dessa forma, né, que eu vou chamar aqui exagerada, patológica, altos, muito altos e baixos, muito baixos. Então, a gente tem duas fases eh que a pessoa vivencia. Uma é a depressão. Então, depressão, acho que a gente já tá mais habituado a esse termo, se usa muito aqui a depressão dentro do contexto da bipolaridade. Então, é períodos às vezes de semanas ou até meses em que a pessoa está num estado de depressão, o que quer dizer é que ela não tá oscilando, ela só está aqui embaixo, né, de novo, dessa forma, como a gente tem falado. Então, a pessoa não tem vontade de fazer nada, não tem energia, não dorme ou tem muito sono, não tem uma motivação, não vê um futuro, está desiludida, desamparada, desmotivada, desesperançosa. Podem vir pensamentos até de desejo de morte ou até de suicídio. Então, é o contexto do que a gente do que a gente ouve falar e entende por depressão. um outro polo, no polo então de cima, esse muito alto, a psiquiatria dá o nome de mania. Então é diferente do nosso contexto na sociedade de mania. A gente fala às vezes mania querendo dizer uma pessoa que tem um um hábito diferente, né, ou sempre faz alguma coisa. Aqui o termo mania é um termo que descreve esse estado aqui de cima, de muito de cima, que é um estado em que a pessoa fica ou muito alegre, eufórica ou muito irritada. De qualquer forma, é essa pessoa que tá muito acelerada, ela tá pensando um monte de coisa ao mesmo tempo, ela tá querendo fazer muita coisa ao mesmo tempo, ela não dorme, mas ela não tem sono, tem energia para dar e vender. Ela às vezes fisicamente vai se

ela tá pensando um monte de coisa ao mesmo tempo, ela tá querendo fazer muita coisa ao mesmo tempo, ela não dorme, mas ela não tem sono, tem energia para dar e vender. Ela às vezes fisicamente vai se vai se vestir de uma forma extravagante. De novo, não tô dizendo que essa pessoa é assim, ela está assim, tá diferente do normal, de como ela age normalmente. E ela pode começar, né, se engajar em comportamentos mais compulsivos, gastar muito, se endividar muito, perder um pouco a crítica de poxa, não, isso daqui eu não preciso. Então ela vai, eu não tô falando também de uma pessoa que sempre tá endividada porque compra muito, é nesses períodos ela acaba, por exemplo, comprando um monte de potinho, coisas que que às vezes não é ter um valor financeiro muito grande, que não faz sentido na vida dela. então, perdendo um pouco essa crítica ou eh engajando num comportamento de compulsão alimentar ou então em drogas. Então o estado aqui de cima é tudo a mais, é tudo em excesso, né? tudo, tudo que ela vai vivenciar vai ser uma intensidade muito grande. É como se fosse o polo polo oposto daqui da depressão. E o mais clássico desse da do transtorno bipolar, que é o que a gente chama de tipo um, não vou entrar em detalhes aqui, mas é o mais clássico, é que a pessoa vivence semanas, meses num polo e depois semanas e meses no outro polo. E aí o tratamento é para que ela chegue aqui no meio do caminho. Então, é um pouco, é diferente desse desse termo que a gente usa. Ah, pessoa que no mesmo dia muda muito. Quando eu tô falando do bipolar clássico, eu tô falando dessa pessoa em períodos da vida, né, fases da vida. Eu acho que eh depois você me fala se ficou alguma dúvida, alguma algum termo aqui, não ficou claro, mas isso um contexto mais geral do transtorno bipolar para a psiquiatria. Mário, acho que o que você tá trazendo e que eu vou destacar aqui para ficar bem claro é que a gente precisa diferenciar. O ser humano ele é diverso. A gente alterna estados emocionais. uma coisa aconteceu me deixa triste, mas pode ser

ndo e que eu vou destacar aqui para ficar bem claro é que a gente precisa diferenciar. O ser humano ele é diverso. A gente alterna estados emocionais. uma coisa aconteceu me deixa triste, mas pode ser que ao mesmo tempo eu esteja vivendo uma outra coisa e no mesmo dia eu eu alterne os estados de humor. Então o que você tá trazendo é quando a gente fala de transtorno significa isso tá mexendo na funcionalidade da vida da pessoa. Eh eh eh são exageros que são exageros gritantes até para quem tá de fora vendo. É algo que realmente a gente vê como preocupante. Só que a gente tem usado muito essa expressão. Ai, você é muito bipolar para justificar que me incomoda quando você fica mudando de humor, mas isso é ser humano. E aí eu me lembro inclusive de um mito que é Demeter e Peréfone, que nos apresentam a naturalidade das alternâncias do dentro e fora, do alto, baixo. sendo a mãe que teve Peréfone, sua filha raptada, pro mundo avernal de Ades, o mundo, o submundo, nesse sentido do de dentro, esse mundo inferno, né? Como se a gente tivesse fazendo uma alegoria para um inferno. E aí o mito fala a respeito disso e ele traz as estações do ano também para demonstrar as as alternâncias. Hoje a gente está sintonizada porque estamos de verde, só que eu tô aqui no calor, no ar condicionado, no verão e você aí quase que na neve quem com muito frio. Então os altos e baixos da deméter sendo a deusa da fertilidade dos do essa deusa solar no sentido de ela que sement a a encementação da terra e da germinação. E a Peréfon, essa deusa que vive um período do ano dentro, nesse lugar introspectivo, escuro, quieta, silêncio para dentro. E o mito vem trazer que a gente precisa fazer isso. Só que a nossa sociedade ela às vezes exige uma certa polarização dependendo do período histórico. Se a gente voltar, sei lá, dois, três séculos atrás, aqui o que é o estudioso, aquele que ficava bem para si, o introspectiva, era valorizado. O extrovertido que gosta de se mostrar festivo, esse não era. Hoje

e voltar, sei lá, dois, três séculos atrás, aqui o que é o estudioso, aquele que ficava bem para si, o introspectiva, era valorizado. O extrovertido que gosta de se mostrar festivo, esse não era. Hoje parece que inverteu, né? Então, o quanto que às vezes a própria sociedade ela interfere nas nossas dinâmicas dizendo que isso é certo, isso é errado, nos atrapalha, porque de repente hoje esses estados mais de mania talvez até passe despercebido, porque ah, hoje todo mundo faz, mas a depressão não. A depressão a gente corre a olhar porque essa pessoa não pode estar depressiva. você pelo viés da dos seus atendimentos psiquiátricos, você percebe isso que eu tô falando? Faz sentido? Isso faz muito sentido. É até uma coisa interessante, porque quando a gente vai investigar para fazer esse diagnóstico de bipolaridade, a gente tem que ter claro um período em que a pessoa passou num lugar, num estado e um período em que a pessoa passou no outro. Se ela teve só depressão, não é uma bipolaridade, é uma depressão simples, né, que a gente chama um transtorno depressivo maior. Agora, para investigar um período anterior de mania é muito difícil, porque as pessoas não conseguem muitas vezes identificar isso de uma forma facilmente, porque aquilo é como se fosse o normal hoje em dia, né? Então, a depressão é mais claro. A pessoa até mesmo percebe, nossa, eu tô vivenciando uma coisa que tá diferente aqui, não tá normal. Com certeza o redor dela percebe, mas muitas vezes a própria pessoa já consegue identificar isso maior, de uma forma melhor. Na mania, não. é muito mais difícil a pessoa identificar que aquilo tá errado, porque muitas vezes a sensação subjetiva interna boa, porque ela tá eufórica, por exemplo, e o redor dela muitas vezes também tem essa dificuldade de discriminar, justamente porque hoje em dia o que faz parte do quadro da mania é muito do que a gente valoriza como sociedade. E até fazendo um gancho aqui com esse ponto específico, depois você me fala se acha melhor falar disso agora ou de repente

faz parte do quadro da mania é muito do que a gente valoriza como sociedade. E até fazendo um gancho aqui com esse ponto específico, depois você me fala se acha melhor falar disso agora ou de repente mais paraa frente, mas a minha monografia trazendo esse olharunguiano da psicossomática tem muito a ver com isso. trabalhei a questão do episódio, pesódio maníaco, né, manif, que a gente chama esse estado dentro da bipolaridade em que o paciente tá em mania, como que ele, por que que ele estaria mais frequente hoje em dia ou qual relação que ele poderia ter com os valores que a nossa sociedade tem estimulado ou evidenciado como o bom, o positivo, o que a gente deveria buscar? né? E como que isso pode interferir, né? A gente tá estimulando um jeito de viver e ao mesmo tempo tá tratando quem tá vivendo assim, né? Mari, eu acho que é legal. Acho que você pode desenvolver um pouco mais, porque é muito rico, eu vi a sua a sua a sua reflexão e e acho que vai ajudar muita gente, principalmente. Eu acho que o que é mais difícil hoje é a gente ter referência para saber, porque existe muito esse essa padronização da performance do exuberante. Isso é super valorizado. E às vezes a pessoa tá na terra no sofrimento, no sentido de que aquilo não, ela não tá alinhada com a própria alma, ela não tá alinhada com o sentido de vida, com propósito, mas tá todo mundo batendo palma e achando lindo. Então é é é uma normatização de uma patologia porque ela combina com o padrão social, né? Então, por esse viés da psicologia yunguiana, da psicossomática, do simbólico, eu queria assim que você, se você puder, eh, entrar um pouquinho mais nessa diferenciação entre esses estados, até para ficar claro, porque eu sei que vai ter muita gente assim: "Nossa, mas será que esse meu estado alegre ele tá patológico?" "Não, será que?" Porque hoje ninguém mais consegue identificar. Parece que a gente tá todo mundo doente, todo mundo é depressivo, todo mundo tem toque, todo mundo tem bipolidade, todo mundo é autista, todo

será que?" Porque hoje ninguém mais consegue identificar. Parece que a gente tá todo mundo doente, todo mundo é depressivo, todo mundo tem toque, todo mundo tem bipolidade, todo mundo é autista, todo mundo, todo mundo é tudo. A gente perdeu um pouco as referências justamente porque mistura a diversidade interna que nós nós passamos por muitos estados psicológicos e emocionais e a cobrança do mundo de fora. Então, se puder, antes da gente entrar em Joana fazer mais esse aprofundamento, aproveitando o seu estudo. Uhum. Então acho que antes eu só gostaria de fazer um adendo aqui antes de falar desse olhar da minha monografia que é justamente que muitas vezes a gente pode se confundir no sentido do que é o equilíbrio. Do que que é viver esse equilíbrio? Nem lá nem cá. não viver, não se identificar na polaridade, no extremo. Porque pode parecer, se a gente não tiver um olhar mais atento, que o normal ou o que a gente deveria buscar é não ir para nenhum, não ir para nenhum polo, nenhum extremo, quando muita e viver como se fosse, vamos imaginar aqui, um morno, uma coisa que não é nem uma coisa nem outra, né? Então, uma pessoa que nunca tá triste, que também talvez não deveria estar tão feliz, isso que é o equilíbrio, será? Ou é muito você transitar pelos pelos pelos polos sem permanecer neles e sem ir para um lugar muito extremo, de muita intensidade, né? Então, acho que é um primeiro ponto aqui. Quando a gente fala e ouve muito falar de saúde mental e equilíbrio, a gente não tá falando que o bom é você não vivenciar a tristeza e alegria ou a irritação, porque são todos sentimentos que são importantes para o para o nosso desenvolvimento, para o nosso ser interno, né? Mas é justamente ter essa flexibilidade de transitar. Uma hora eu tô aqui, outra hora eu tô lá, como ciclos da vida, como, né, fazendo aqui a referência ao que você tava comentando, o que a gente vê na própria natureza, né, não é sempre primavera, não é sempre verão, não é sempre inverno e não seria bom que fosse.

, como, né, fazendo aqui a referência ao que você tava comentando, o que a gente vê na própria natureza, né, não é sempre primavera, não é sempre verão, não é sempre inverno e não seria bom que fosse. Então acho que uma primeira colocação aqui, né, paraa gente começar a tentar refletir um pouco disso, porque senão cada vez ou qualquer experiência que me tire, né, do desse desse meio do caminho, eu já posso achar, vivenciar como algo ruim ou errado, quando não é assim. Falando agora do ponto de vista da monografia, então a gente tem uma sociedade hoje em dia mais ocidental, né, mas essa sociedade mais globalizada que estimula muito um jeito, um específico de ser, né, um jeito específico, uma persona aqui muito limitada e específica. Como que é essa persona? Como que é essa máscara que a sociedade estimula? é uma pessoa super produtiva, que é performance, é a mulher que consegue equilibrar 100 pratos ao mesmo tempo. Ela é mãe, ela é cuida da casa, ela trabalha, ela e não só mulher, tô trazendo aqui esse estereótipo, mas o homem também. Então é essa pessoa que é, entre aspas, perfeito em tudo. Dá conta de triplicar as horas do dia e fazer várias coisas ao mesmo tempo. É a pessoa que tem sucesso. E qual que é esse sucesso? muitas vezes é ter uma carreira brilhante ou é conseguir dinheiro ou é ser mais bonito ou é o que consegue viajar mais, que aproveita a vida nesse sentido dos prazeres eh mais materiais da vida. Então, a gente tem muito essa idealização do que seria uma pessoa que tá de sucesso, uma um lugar em que a gente almejaria. E veja como é restrito isso, né? é muito polarizado, né, para esse lado do de fora, do daqui de cima, do não descanse, não durma, não precisa dormir. Você pode trabalhar sempre mais, mais, mais performance, produção. E aí a pessoa, então aqui agora falando um pouco da do lado de doença disso, como isso pode virar uma doença nesse olhar mais simbólico, pode se identificar demais com isso e não conseguir sair desse lugar. E de repente ela ela vira essa persona, a a

a do lado de doença disso, como isso pode virar uma doença nesse olhar mais simbólico, pode se identificar demais com isso e não conseguir sair desse lugar. E de repente ela ela vira essa persona, a a identidade dela é essa persona. E aí ela vai viver como sofrimento tudo que limita. Então, quando ela não puder fazer tudo que ela tá que ela tá querendo fazer, quando ela não puder eh eh comprar tudo o que ela quer ou viajar o quanto ela quer, ela vai vivenciar de uma forma de sofrimento qualquer limitação, né? Então, por um lado, tenho essa pessoa aqui que se identificou demais. Por outro lado, pode ter a pessoa que foi pro lado oposto. Eu não consigo fazer isso. Então, eu vou para cá, do lado da depressão, eu vou entrar num sofrimento que é o oposto daquilo que a sociedade vivencia como o ideal ou como o que a gente deveria buscar. Então veja que sempre tem esse descolamento dessa do que a gente tava comentando de transitar entre os entre o fora, o dentro, o alto, o embaixo para uma identificação exclusiva com um dos pontos e a vivência do oposto como ruim, como um sofrimento, como uma limitação, né? Então aqui ampliando um pouco para esse esse olhar da psicossomática yunguiana, é importante a gente manter consciência crítica, né, Mari, para não se deixar arrastar por esses padrões, por esses apelos, porque às vezes a questão tá fora, não sou eu que estou desequilibrado, é o que se espera de mim que está desequilibrado. Só que a gente faz essa leitura, né? Eu não deveria estar triste, por que não? Qual que é o problema? Se você tiver alegre, a sociedade tá OK. Se você tiver triste, os olhares são para você, porque você tá com algum problema. Então, a gente tem elegido um pouco eh demais algumas coisas do que outras. Então, eu acho que vale muito a pena se olhar para dentro, porque eu acho que dentro da gente nós vamos sentir se o negócio tá bom ou não. Não é porque o outro tá falando que eu tô doente, não é porque o outro tá dizendo que eu deveria ter mais performance.

, porque eu acho que dentro da gente nós vamos sentir se o negócio tá bom ou não. Não é porque o outro tá falando que eu tô doente, não é porque o outro tá dizendo que eu deveria ter mais performance. Se aqui dentro tá bom, tá bom. se aqui dentro não tá bom, é isso que me que pode ser um termômetro, né, para pra gente. Então, precisa ter uma consciência crítica mesmo pra gente não embalar no que a sociedade pede. Vamos entrar então em Joana e eu vou lendo alguns trechos que eu selecionei e aí a gente vai trocando a respeito, a gente vai comentando. Eu vou começar com o homem integral, capítulo 9. Joana vai falar um pouco do do enfrentamento que é necessário. O que acontece quando a gente não aceita esse enfrentamento? Ou seja, eu fujo, eu, né, como é que é uma pessoa que não que não aceita aquilo que tá acontecendo e acaba eh não se dispondo a fazer o trabalho que precisa para aprender com aquilo? Então, ela diz que neuroses e psicoses graves se estabelecem no indivíduo em em razão do medo da morte. A gente pode aqui simbolizar morte no sentido de perda, tudo aquilo que eu não vou dar conta, que eu não vou conseguir, que eu não vou atingir, que eu vou perder, que vai deixar de existir. E aí ela diz que neuroses e psicoses graves se estabelecem no indivíduo em em ração em relação a isso. Paradoxalmente nas expressões maníacodepressivas, levando o paciente até ao suicídio porque tem medo do que vai acontecer, ou seja, eu tenho medo de morrer, então eu me mato antes. Olha, olha onde que a gente chega de de descompensação. E numa análise psicológica profunda, o homem teme a morte porque receia a vida. Olha que bonita essa frase da Joana. Transfere inconscientemente o pavor da existência física para o da destruição ou transformação dos implementos que a constituem. acostumado a evadir-se, né, a fugir das responsabilidades mediante os mecanismos desculpistas, o inexorável acontecimento da morte se lhe torna um desafio que gostaria de não defrontar por consciência que de culpa

evadir-se, né, a fugir das responsabilidades mediante os mecanismos desculpistas, o inexorável acontecimento da morte se lhe torna um desafio que gostaria de não defrontar por consciência que de culpa às vezes, né, passando a detestar esse enfrentamento. Então eu destaquei essa história do enfrentar o medo de perder, de morrer, de o quanto que isso nos ajuda a manter esse esse equilíbrio, a não nos arrastar por algo que pode nos fazer mal, não é? A psiquiatria também propõe esse olhar de vamos enfrentar, vai dar certo no sentido de terapêutico. Ah, do ponto de vista da psiquiatria, o que a gente tem mais classicamente de indicação, no caso da, tô falando de um transtorno bipolar, é o tratamento medicamentoso, que daí não tem eh em todos os casos ele é necessário. E o que a gente indica do ponto de vista da psiquiatria clássica, essa que eu tô falando científica, eh, empírica, é a questão da da terapia cognitivo comportamental, porque é o que a gente tem mais estudo, né, levando em conta que é o que é mais fácil de reproduzir, eh, pela dinâmica que isso que ela se caracteriza. Mas se a gente olhar de uma forma mais ampla toda, e até aqui trazendo esse olhar da psicossomática, toda todo o sintoma, toda doença, ela vem, ela pode ser entendida como um convite, né? E é como se fosse um, uma forma do nosso corpo conversar com a gente, né? A gente pode fazer isso às vezes pelo sonho, pela fantasia, vivências e muitas vezes quando isso tudo não dá conta ou eu não estou consciente, né, olhando para isso, aparece de uma outra forma e pode vir como um sintoma, né? E aí, eh, numa, a minha opinião do que eu tenho visto, vivenciado e e aprendido em linkando aqui com Joana, é uma oportunidade muito importante para, de repente, a gente repensar e entender o que que esse corpo tá querendo me dizer com isso, com essa patologia, né? A gente tem no Evangelho a questão de da eh do bem-aventurados os aflitos, né? e a dor aquela para para aqueles que são eleitos para vivenciar. Então, a dor ela pode ser entendida, o

sa patologia, né? A gente tem no Evangelho a questão de da eh do bem-aventurados os aflitos, né? e a dor aquela para para aqueles que são eleitos para vivenciar. Então, a dor ela pode ser entendida, o sintoma aqui, a doença como uma oportunidade, mas ela só vai ser uma oportunidade se eu olhar para ela, se eu olhar para dentro, né, e conversar com ela, né, nesse sentido dialético, vamos falar assim, né, de para tentar entender qual que é esse convite, eh, que que é essa festa ou esse evento que eu tô sendo convidado, né? qual esse outro olhar da vida que eu tô deixando de lado. Então, além quando eu tô falando de um transtorno mesmo, eu preciso do tratamento, de medicação, enfim, mas ampliando paraa nossa vida de uma forma geral, eh, faz muito sentido esse essa reflexão interna, né, de autodescobrimento, do autoconhecimento. E a doença, o sintoma, né? Eu tô falando aqui de doença e sintoma, mas muitas vezes essa vivência interna de tristeza ou de alegria pode ser um momento para me chamar atenção disso, para me convidar para esse caminho, né? Ou seja, eu posso até recorrer ao que a psiquiatria tem para me oferecer, que é esse apoio para eu poder ter força. Mas você tá dizendo assim: "Não parecente um olhar de enfrentamento. Faça a sua parte em termos de escolha. escolha olhar para isso, conversar com isso, tentar entender o que que precisa, o que que isso me pede. E na psicossomática a gente aprendeu a fazer as perguntas, né? Para que isso vem? O que que isso me impede de fazer? O que que isso me obriga a fazer? E aí eu vou me perguntar: "Mede fazer aquilo que tava demais mesmo? Será que tava na hora de eu dar uma parada? Isso me obriga a fazer aquilo que eu deveria fazer e já não tô mais fazendo?" Então tem sim um convite eh bastante rico se a gente puder aproveitar fazendo esse enfrentamento ao invés de fugir, que nem Joana fala que muitas vezes a pessoa tem medo de morrer e acaba tirando a própria vida, que é uma coisa paradoxal. A gente vai agora pro em busca da

zendo esse enfrentamento ao invés de fugir, que nem Joana fala que muitas vezes a pessoa tem medo de morrer e acaba tirando a própria vida, que é uma coisa paradoxal. A gente vai agora pro em busca da verdade, capítulo um, e ela diz: "Yung havia estabelecido que o ser humano é possuidor de uma estrutura bipolar, agindo entre esses dois diferentes estados da sua constituição psicológica. Qual ocorre com os arquétipos, né, por exemplo, ânima e ânimos? Toda vez eh que lhe ocorre uma aspiração, o polo oposto insurge se levando ao outro lado da questão. Qualquer comportamento de natureza unilateral, que é o que você tava falando, logo desencadeia uma reação interna inconsciente, em total oposição àquele interesse. Então vai adoecer. Quando eu fico muito de um lado, adoece o outro. É, é um chamamento. Tô aqui, você tá ficando só aqui, mas tem esse outro lado da história, né? Quando o indivíduo se exalta em qualquer forma de personalismo, está mascarando a outra natureza que também ele é inerente, a sua sombra. Mesmo encontrando compensação de prazer do impulso instintivo que o leva à compulsão do desejo, a insatisfação deuente da ansiedade do poder, empurra sua vítima ao transtorno depressivo, porque a sua ânsia de dominação termina por esvaziá-lo interiormente. Que é o que você falou, eu fico tanto num estado que depois eu despenco com a mesma força pro seu polo oposto. E aí eu lembrei de uma expressão que você usou aí em alguma explicação que você tava dando sobre flexibilização. E outro dia eu escutei de uma outra amiga minha, de uma amiga minha psiquiatra e ela disse que já tem estudos científicos falando de que essa mente mais flexível, uma pessoa mais flexível em termos de dinâmica de vida, ela é menor o índice, por exemplo, de uma demência futura, porque parece que o cérebro já está acostumado. E e essa essa história da demência tem muito a ver com, opa, onde eu tô chegando aqui, não tô gostando desse estado de decrepitude, porque a sociedade não não tem, não enxerga o valor que tem da

mado. E e essa essa história da demência tem muito a ver com, opa, onde eu tô chegando aqui, não tô gostando desse estado de decrepitude, porque a sociedade não não tem, não enxerga o valor que tem da dessa, desse período do ancião e do velho do arquétipo do velho sábio. Então, a pessoa não quer ir pra frente e aí ela acaba fazendo um movimento de vamos voltar para trás porque ali não tá legal, né? Então, que que é quando vocês falam dessa dessa pessoa mais flexível? Em que sentido que seria isso? a gente acaba usando esse termo muitas vezes para se referir a essa flexibilidade em termos cognitiva. Então o que que eu tô querendo dizer, né? O nosso cérebro ele tem essa capacidade de plasticidade, então ele pode desenvolver novas conexões dependendo do estímulo que eu dou. Então é nesse sentido que a gente fala sempre, olha, sempre mantenha uma mente ativa, porque senão é como se o cérebro fosse ficando preguiçoso. Por quê? Porque eu não tô treinando, eu não tô dando a os as ferramentas para ele desenvolver essas novas conexões, né? Quando a gente fala de uma demência, eh, ela vai se desenvolver mais rapidamente quanto menos eu tiver de conexão entre as partes do cérebro. né? Se eu desenvolvi vários caminhos, veja, eu vou pegar um exemplo, né? Uma um paciente que tem uma demência vascular, que que eu quero dizer? Fala isso. A pessoa, o paciente teve um AVC, então a parte do cérebro ficou sem receber sangue e acabou morrendo, né? acabou causando uma lesão ali, ele vai perder muitas vezes a função daquela área do cérebro, mas as consequências pro paciente vão ser tanto menores quanto maior for a flexibilidade. Porque imagina como se fosse um processo de irrigação, né, que a gente tem de planta. Se eu tenho outros lugares pra água fluir, ela consegue chegar. Então, se esse cano ou essa mangueira entupiu, ela vai por outra. Agora, se eu só tenho um lugar conectando as duas eh as os dois pontos, se ele foi o afetado, acabou e eu perco aquela habilidade. Então é nesse sentido que quanto mais a

a entupiu, ela vai por outra. Agora, se eu só tenho um lugar conectando as duas eh as os dois pontos, se ele foi o afetado, acabou e eu perco aquela habilidade. Então é nesse sentido que quanto mais a gente treinar a nossa mente, expor ela a coisas que estimulam, atividades que estimulam essa plasticidade, esse fazer novas conexões, eu vou est, entre aspas, né, possivelmente prevenindo uma questão demencial no futuro. É logo, lógico que é um a questão da demência, ela é multifatorial e tem outras coisas aqui envolvidas, né? Genética, hábitos, outras coisas. Mas quando eu falo especificamente da flexibilidade no em termos cognitivos, ela tem sim, ela pode ter uma atuação nesse sentido. E do ponto de vista prático, flexibilidade cognitiva, eu tô falando que a pessoa que eh pode muitas vezes pensar fora da caixa, se adaptar melhor a situações diferentes, a mudança. Então, uma pessoa que tem uma rigidez cognitiva, ela muitas vezes precisa daquele jeito, daquela situação como ela tá habituada, acostumada. Tudo que tira desse ambiente, dessa zona de conforto, é muito mais vivenciado, muito mais de uma forma difícil, né, sofrida. Se eu treino a ser mais flexível de pensar de uma forma diferente, ah, você não tá dando certo esse caminho, tudo bem por esse ou vamos eh pensar fora da caixa, né, como a gente costuma falar. Então, eh, se eu me exponho a mudanças, tanto de rotina, de hábitos, até fisicamente, eu vou estar treinando também eh o ter que me adaptar a um ambiente, a uma dinâmica totalmente diferente. Então, em termos de vida prática, são vários desses hábitos em que eu estou treinando ou estimulando o meu cérebro a fazer novas conexões que podem muitas vezes me ajudar no futuro, né? Porque ainda que uma não funcione tão bem, eu tenho outros caminhos para seguir aqui eh nas conexões do meu cérebro. Não sei se ficou claro, ficou mais ficou. Eu eu penso até na questão da resiliência, que é a gente se adaptar. A vida não tá indo para cá, vamos para lá. Se a vida tá me

h nas conexões do meu cérebro. Não sei se ficou claro, ficou mais ficou. Eu eu penso até na questão da resiliência, que é a gente se adaptar. A vida não tá indo para cá, vamos para lá. Se a vida tá me empurrando para cá, vamos fazer bom proveito do Então é a gente não brigar tanto, não ser tanto resistente. Lá no Evangelho também não resistais ao mal. É nesse sentido, eh, aceita, aprende com ele, supera, reformula. Então, de novo, quanto mais a gente conseguir transitar por essas diversidades da vida, quanto mais a gente conseguir ser feliz aqui e lá também, quanto mais a gente souber aprender com aquilo que nos chega, tanto mais saúde emocional, psicológica e até física e e mental a gente tem, né? É. E até interessante porque é esse aceitar resignado, mas ativo, né? no sentido de tudo bem, agora que eu sei disso, o que eu faço, né? Não aceitar passivo de eh estou me deixando levar, me entrego. Exatamente, né? Bom, vamos lá agora pro livro Autodescobrimento, uma busca interior, capítulo 10. E a benfeitora diz: "A amargura, então queria falar um pouco disso, né? A amargura deve ser racionalizada a fim de ser diluída e a sua vítima recuperar a beleza, a alegria de ser, de viver, tomando parte ativa nas realizações do meio social onde se encontra para fortalecimento dos valores e evolução. Os exercícios frequentes de pensamentos otimistas com reflexão, caminhadas em bosques, a beiramar, auxílio fraterno em obras de ajuda social e moral, entre outros, são de excelente resultado para a liberação da amargura. Igualmente a elaboração de programas de autoestima, participação em labores com grupos de apoio, tornam-se estimulantes para o restabelecimento da saúde emocional do indivíduo, livrando-o do do azedume, das sequelas da amargura. Joana tá dizendo que a gente pode interagir com aquilo que a gente sente, né? O que você falou, não é para sentir ficar sentada, ó céus, ó de azar, que pena que isso caiu em mim. Não é, vamos vivenciar isso, mas vamos também deixar essa energia circular. Não preciso

sente, né? O que você falou, não é para sentir ficar sentada, ó céus, ó de azar, que pena que isso caiu em mim. Não é, vamos vivenciar isso, mas vamos também deixar essa energia circular. Não preciso entrar e mergulhar na amargura. Eu tô sentindo, eu valido o meu sentimento, tá tudo certo, isso faz com que eu seja ser humano, todo mundo sente, mas eu vou lidar com isso, porque você está me incomodando, quais quais atividades que eu posso que eu posso fazer para sair? E ela traz essa questão do da saúde emocional, né? E e isso também eu queria ouvir um pouco de você, porque é um assunto que se fala. Toda vez que a gente chama um psiquiatra para fazer uma palestra, a gente fala: "Você pode falar de saúde emocional?" E aí a sua chance, Mariana. Você [risadas] veja que é interessante isso, porque eh quando a gente fala de o nosso mundo, o que o que que eu tô querendo dizer com interessante, né? O nosso mundo ele tá, infelizmente, né, por um lado, não quero vir aqui dar um um olhar pessimista, mas a gente tem, de uma forma geral eh um mundo adoecido que se torna muito importante a gente falar de um olhar preventivo, como viver de uma forma saudável, né, num mundo em que não está, que a gente não vê isso de uma forma mais na maioria das pessoas, né, em mundo que está doente. Então, de novo, é essa busca pelo equilíbrio. Num lugar de como o nosso mundo tá estimulando um polo específico, é aí que a gente vai ter que ter um um olhar mais atento pro polo oposto, né? Porque ele não vai vir no automático, né? Se a gente só se deixar levar pela rotina, pelo que a gente vê, no que o mundo fala para nós, a gente sabe que é muito mais provável que eu caia aqui nisso que o mundo tá trazendo como normal, que é o que a gente conversou aqui dessa coisa só para fora. Euforia, alegria, prazeres, performance, desempenho. Então, eu estando atento que é isso que o mundo vai me levar, não tô dizendo para não experimentar isso, né? A gente tá no mundo, a gente tem que viver o mundo, mas aí fica muito importante esse

enho. Então, eu estando atento que é isso que o mundo vai me levar, não tô dizendo para não experimentar isso, né? A gente tá no mundo, a gente tem que viver o mundo, mas aí fica muito importante esse meu olhar específico, vigilante para eu não ficar só nesse lugar. Então eu vou ter que, eu falo pro pros pacientes, pros meus pacientes, que a gente vai precisar reservar um horário do dia para atividades do outro polo, né? Porque a nossa rotina do dia a dia já vai automaticamente incorporar atividades para um polo. Se a gente não tiver esse olhar específico e ativo eh de colocar também reservar na agenda, né? Não é aquela coisa, ah, vou fazer e tudo mais, mas reservar na agenda um período em que a gente vai tá olhando para para esse outro lado. Dificilmente a gente vai fazer. E aqui eu não tô querendo dizer nada ideal também. Ai, vamos todos meditar 3 horas no dia. Eh, se pudesse, se a gente pudesse, que bom, né? Mas no tô falando de coisas às vezes simples do nosso dia a dia, que seja às vezes 5 minutos em que a gente para no dia e não pensa em nada para só experimentar o a gente, o como a gente tá se sentindo naquele momento, né? E a gente vai ver o como esses 5 minutos pode ser sofrido no começo, porque a gente não tá habituado a fazer isso, né? Como qualquer atividade, a prática que vai levar a maior facilidade e ficar mais confortável. E daqui a pouco aqueles 5 minutos vão virando 10, 15. Ou é antes de dormir eu eu tomar um banho quente ou ouvir uma música que me relaxe, que me leve para dentro. Então, às vezes são coisas simples do dia a dia, mas que no longo prazo fazem uma diferença muito grande, né? Então, quando a gente fala de saúde emocional, tem tanto, eu tô falando tanto desses aspectos que a gente mais ouve falar, então, atividade física e quanto isso ajuda na nossa saúde física e emocional, mental, uma dieta balanceada. Eh, mas também tô falando dessas outras coisas, eh, trazendo aqui esse esse contexto que a gente tem conversado do quanto é importante eu colocar na rotina

a e emocional, mental, uma dieta balanceada. Eh, mas também tô falando dessas outras coisas, eh, trazendo aqui esse esse contexto que a gente tem conversado do quanto é importante eu colocar na rotina atividades que me desacelerem, que me levem para dentro, né, nesse autodescobrimento também, né, é a gente se abrir e se permitir experimentar o tal do contraditório, porque a gente quer ficar sempre na zona de conforto, fazendo aquilo que a gente sempre soube fazer. E hoje também isso tá bem na moda. O contraditório tem que ser excluído, morto, cancelado, execrado. Não tem espaço para pra aproximação dos polos. É cada um num polo oposto tentando matar e odiar o outro. E a gente traz isso para dentro. Então eu fico distante de mim mesma quando eu me polarizo e quero ficar só de um lado, né? Então você tá propondo, experimente outras áreas de si, que a Joana também tá dizendo, experimente outras áreas de si que estão adormecidas, aquelas que não são confortáveis, né? Se permita isso, porque isso faz essa dança entre os entre os polos opostos que nos que nos traz mais saúde, né? Vamos lá então pro Vida desafios e soluções, capítulo 4. Então Joana deângeles diz: "Todo seo de frustrações leva o indivíduo à dependência emocional, criando tabus, buscando amuletos para sorte madrasta, buscando sobrenatural, procurando soluções mágicas, eh, para o que poderá tornar-se um desafio ao alcance da vitória na luta encetada. Essa dependência se transfere das crenças supersticiosas para as pessoas que as devem carregar psicológica, física e economicamente. Então, a Joana aqui tá trazendo esse esse peso que muitas vezes a gente coloca até nos outros, né? Como se tivesse, tem que ter uma fórmula mágica, é o médico que vai receitar isso para mim, é a escola que vai ajudar o meu filho que eu não tô sabendo como educar. Eu eu tô sempre procurando alguém para eu depositar o peso que eu não tô conseguindo carregar e aí eu mesma não me fortaleço, porque quando eu tento carregar minha cruz, eu faço minha

ndo como educar. Eu eu tô sempre procurando alguém para eu depositar o peso que eu não tô conseguindo carregar e aí eu mesma não me fortaleço, porque quando eu tento carregar minha cruz, eu faço minha musculatura psicológica, emocional e mental, né? Então, de novo, a gente volta nesse assunto do quanto a gente foge um pouco das da nossa realidade, quanto isso ainda é tentador pra gente e a gente acaba anestesiando, não é? Eu acho que você lida também bastante com essa busca por me dar um anestésico aí, porque eu não tô suportando. E quanto que é difícil deve ser difícil para você vendo que você precisa pôr essa pessoa para ela trabalhar aquilo e ela querendo simplesmente algo que a que ajude a se acalmar, né, má? É, quando a gente fala dessa questão da dependência, eh, aqui de novo, num olhar mais psicodinâmico, né, a psiquiatria ela traz muitas questões até de pesquisa mais orgânica em relação à neurotransmissora, vias cerebrais relacionadas a isso, que tem muita influência. Mas se a gente for olhar aqui do do ponto de vista psicodinâmico, relacionando com Joana, com o Jung, eh muitas vezes qualquer comportamento de dependência eh nos fala de uma parte nossa mais imatura, né? Uma parte nossa que a gente se que vê ali como se fosse um comportamento mais infantil, que é isso um pouco do que você tá falando de terceirizar uma responsabilidade, né? Porque o adulto ele pega para si, vamos falar assim, esse a figura que a gente tem do adulto é a pessoa que consegue dar conta das demandas, dos problemas, dos desafios e até de outros, né? Consegue às vezes tomar conta de outras pessoas. A criança não dá conta, então ela terceiriza ou ela busca um jeito de lidar que não de se responsabilizar por aquilo. Até porque na época da infância a gente não tem habilidade ou maturidade específica. Mas como adultos, muitas vezes pode ter aspectos nossos que não tão numa maturidade, né? E a gente pode para eh retomar esses comportamentos da infância de tentar eh compensar, fazer compensações, né?

Mas como adultos, muitas vezes pode ter aspectos nossos que não tão numa maturidade, né? E a gente pode para eh retomar esses comportamentos da infância de tentar eh compensar, fazer compensações, né? Então, se eu tô vivenciando uma coisa ruim, como que eu escapo disso e vou para uma uma compensação, uma compulsão alimentar de uso de droga, de enfim, tem várias, né? Ou por outra pro por outro em outro sentido, como eu encontro alguém que faça isso por mim? E aí a gente tá falando de das dependências de relacionamentos, de pessoas, né, desses relacionamentos que eventualmente se tornam ruins, patológicos pros dois lados, né? Porque tem essa simbiose, não tá? Não são duas pessoas inteiras se ajudando, mas duas metades tentando às vezes roubar, entre aspas, né? Não de uma forma consciente, mas inconsciente, eh se compensar. Então, eh, na minha opinião, tem um uma questão central de nosso relacionamento com as responsabilidades na nossa vida, né? Voltando um pouco o gancho até das nossas ansiedades, do do de forma geral, e a ansiedade da morte como um símbolo maior aqui, né? Mas de todas as nossas ansiedades e medos. Eh, muitas vezes e a gente acaba lidando com isso de forma a fugir da responsabilidade do que a gente tem que fazer, tentando nos anestesiar com esses comportamentos que são no mínimo ã uma solução parcial, temporária, inefetiva, superficial. Ali eu não tô trabalhando profundo, né? eu tô tentando fugir de uma situação que eh que eu estou entendendo como desagradável. Então, ao invés de assumir a responsabilidade e lidar com aquilo de forma da forma que a pessoa eh quiser, né, enfim, da forma que ela entender como a melhor, aqui a gente não tá dando uma solução mágica. Todo mundo tem que agir assim ou assado. Mas é importante que a pessoa se conscientize que a responsabilidade dela decidir e agir, porque até a falta de ação ou a indecisão é uma escolha, né? Então é é esse olhar de protagonismo paraa vida, né? E a gente só vai conseguir fazendo fazer isso se a gente se fortalecer

decidir e agir, porque até a falta de ação ou a indecisão é uma escolha, né? Então é é esse olhar de protagonismo paraa vida, né? E a gente só vai conseguir fazendo fazer isso se a gente se fortalecer internamente, que foi um ponto que você tá trazendo, porque senão realmente a o nosso nosso inconsciente, o nosso cérebro vai nos entender como incapaz e o natural disso vai vir tentar então jogar esse problema para outra pessoa, né? Bem interessante. Não tinha pensado sobre esse ponto de vista do imaturo, do infantil, do não desenvolvido muitas vezes. Então é isso. Nunca tinha pensado. Essa essa terceirização ou até a fuga para um anestesiante é uma mensagem dizendo: "Você não se sente grande o suficiente para suportar o que tá acontecendo. Então ou joga para alguém ou foge da situação. E muitas vezes é só uma leitura nossa, porque a gente é, a gente fala que Deus não dá o fardo maior do que as nossas forças, né? Então basta que a gente tenha calma e não se precipite para poder encontrar o próprio valor, o valor suficiente para poder enfrentar aquilo, lidar com aquilo. Basta que eu não seja acelerado para falar: "Não, não, isso daí é maior que eu e as minhas forças e eu já vou querer me livrar da história, né? Bem interessante. Tinha pensado, até porque você lidar com alguma coisa não quer dizer que você precisa fazer isso sozinho, né? Você veja que é uma é uma estratégia ruim, disfuncional, porque ao invés de eu pedir realmente uma ajuda de alguém, eu jogo o problema no colo do outro, né? Então não é nem uma coisa nem outra. eu me responsabilizar não quer dizer que eu não vou precisar pedir ajuda. Muitas vezes eu dou conta, mas outras vezes vai ser muito importante uma ajuda de outra pessoa. Agora, de novo, com essa com essa questão consciente de que sim, eu sou responsável por essa questão, né? E eu preciso agir de alguma forma e muitas vezes vai ser pedindo realmente ajuda de outra pessoa, né? Bom, eu tinha trazido tantas reflexões, tantas, tantos textos de apoio, mas a

or essa questão, né? E eu preciso agir de alguma forma e muitas vezes vai ser pedindo realmente ajuda de outra pessoa, né? Bom, eu tinha trazido tantas reflexões, tantas, tantos textos de apoio, mas a nossa conversa tá boa, então eu vou ter que pular alguns aqui, vai ficar para uma próxima, mas eu queria trazer esse pra gente já ir eh terminando. Vou eu vou trazer lá do conflitos existenciais capítulo um, porque eu acho que é até um jeito legal de terminar, que eu queria que você falasse um pouco dessa dessa função da fala, do quanto que o falar pode ajudar a elaborar o que você já trouxe, a questão da dialética, né? Então, Joana diz assim: "Alguns estados pré-depressivos igualmente decorrem da incapacidade de serem resolvidos os desafios existenciais, facultando ao indivíduo esconder-se do medo que o leva ao mutismo, ao afastamento do convívio social, familiar, como uma forma de se poupar do sofrimento. Muito curioso tal mecanismo de fuga, tendo-se em vista que o enfermo vai defrontar-se com aquilo que gostaria de evitar, desde que se torna infeliz, inseguro, no refúgio perigoso em que se homisia. Evidentemente, no transcorrer do tempo, aumenta a insatisfação com a existência e desce ao abismo da depressão. Então, parece que ela tá dizendo, não é uma boa solução você se calar, você se reprimir, você se isolar. É preciso então que você faça o caminho oposto, que é fale, peça ajuda, vai em busca, né? Bate bastante com o que você tá falando, que acho que seria uma forma interessante da gente terminar trazendo esse olhar terapêutico, né, de de como é que a gente pode, que que a gente pode oferecer de de acalento, de acolhimento para as pessoas que se identificam com essas instabilidades eh psicológicas e emocionais, né, Mar? Eh, é muito interessante esse assunto da fala, né? Porque se a gente pegar do ponto de vista histórico, né? Até pela filosofia, Sócrates se utilizava muito da dialética para chegar nas verdades do mundo, né? Então, é como se essa troca ajudasse,

, né? Porque se a gente pegar do ponto de vista histórico, né? Até pela filosofia, Sócrates se utilizava muito da dialética para chegar nas verdades do mundo, né? Então, é como se essa troca ajudasse, lógico, direcionada com uma técnica, a gente entender melhor a nós mesmos, ao mundo, à nossa volta. E mas aqui eu acho interessante, é importante ressaltar que quando a gente fala no ambiente terapêutico, isso pode ser muito hã produtivo paraa pessoa, né? Não aqui produtivo no sentido de eh eh que a gente entende no mundo, mas muito positivo. Ela pode construir, crescer muito nisso, porque muitas vezes as pessoas podem, e eu já ouvi isso de paciente, de pessoas de falar: "Olha, eu não preciso fazer a terapia porque eu converso muito, eu tenho muitos amigos e e eu tenho essa oportunidade de desabafar com essas pessoas em quem eu confio". Então eu acho que não teria necessidade de uma terapia. E não que esse essas questões não sejam importantes, lógico, você ter pessoas em que você confia para colocar para fora, não ficar só guardando os sentimentos ajudem muito, né? Uma pessoa às vezes que viver uma coisa semelhante, consegue te dar um consolo, eh, empatizar, a gente, nós como seres sociais ganhamos muito nessa troca. Mas quando a gente tá falando do ambiente da terapia, é um ambiente mais especial, entre aspas, no sentido dele ter um direcionamento ali. Eu tenho do outro lado um profissional que ele vai se utilizar de técnicas para nos ajudar a percorrer esses caminhos internos que tão difíceis de localizar, que muitas vezes a gente nem sabe que existem, né? Muitas vezes, não, a maioria das vezes a gente não sabe que existe. E é só esse olhar do de fora do outro sobre mim e direcionado, levando em conta o que ele estudou, o que ele aprendeu, que vai no me ajudar a percorrer esse esse caminho que muitas vezes é sinuoso, não é fácil, né? Então eu preciso da garantia que a pessoa do que que tá ali do outro lado está preparada para percorrer esse caminho comigo, né? Porque é um lugar sagrado,

que muitas vezes é sinuoso, não é fácil, né? Então eu preciso da garantia que a pessoa do que que tá ali do outro lado está preparada para percorrer esse caminho comigo, né? Porque é um lugar sagrado, né, para mim é um lugar interno sagrado. Então eu preciso ali desse acordo de que realmente nós estamos aqui com essa intenção, essa intencionalidade, né? Não não é uma coisa, é um compromisso que eu faço comigo mesmo e que eu coloco nas mãos de outra pessoa para andar comigo nesse caminho. Então eu ten que ser uma pessoa que tá realmente preparada, que vai trazer, que tem as ferramentas para ir junto comigo nesse lugar. E assim eu consigo tirar um proveito muito grande, tanto no ponto de vista desse autodescobrimento, de eu me conhecer melhor, quanto falando no da questão mais de preventiva em relação às doenças, mas quanto quando eu estou realmente já vivenciando uma doença ou um sintoma ou estou num momento da minha vida em que não tá muito bem, né? Como é que eu tiro de novo, olho isso, né? Eu experimento isso como uma oportunidade de crescimento e a esse lugar da terapia. Então, nesse ponto, levando em conta isso que a gente tá conversando, é um lugar muito especial e ele exige, claro, esforço. E aqui, ã, eu acho até interessante colocar que não é uma coisa que muitas vezes flui de uma forma natural, exige o nosso esforço, nossa, a nossa batalha, um trabalho ali que a gente tá fazendo, porque muitas vezes as pessoas também podem ter uma ideia errada de que, ah, eu não me adapto à terapia porque não sei, eu não sei o que falar ou eu não é uma coisa natural para mim, eu não sou uma pessoa que normalmente fala, mas as pessoas que realmente tiram proveito é as que insistem no processo, né? Porque é um processo longo, é uma caminhada que não é de uma hora para outra, eu preciso construir isso, mas com o passar do tempo de novo, assim como outras coisas, vai ficando mais fácil, né? Então é mais importante, no meu ver às vezes, muitas vezes, o insistir no processo e confiar

so construir isso, mas com o passar do tempo de novo, assim como outras coisas, vai ficando mais fácil, né? Então é mais importante, no meu ver às vezes, muitas vezes, o insistir no processo e confiar ali no caminho, né? né? A medida que você vai tirando proveitos, você vai percebendo como isso mexe em você, é confiar que esse caminho vai te levar a se conhecer melhor, né? Lógico que daí depende da da pessoa que tá ali do outro lado, mas de uma forma mais ampla é nesse sentido, por mais que exija o nosso esforço, a nossa dedicação, no meu ver, tudo que tem valor nessa vida precisa disso, né? A gente não consegue de uma hora para outra, né? Mário, uma delícia falar com você. Certamente eu vou te chamar de novo, apesar de não ter sido esse nosso contrato, mas acho que essa troca enriquece bastante. Muito obrigada pela sua presença, obrigada por todo mundo que tá com a gente e até a semana que vem, se Deus quiser.

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