O justo por excelência, com Artur Valadares
5º Congresso Espírita de Mato Grosso do Sul, realizado em Campo Grande, entre os dias 8 a 10 de agosto de 2025. Tema central: “160 anos de O Céu e o Inferno”
Prezados amigos e amigas, uma boa tarde. início de noite para todos nós. Que o Senhor mais uma vez nos abençoe e nos envolva na sua doce paz. Na questão de número 879 do livro dos espíritos, dentro do escopo da lei de justiça, amor e caridade, Kardec vai perguntar aos benfeitores qual seria o caráter do homem que vivesse a justiça em toda a sua pureza. Em outras palavras, o que é o verdadeiro justo? O justo por excelência. E a resposta dos espíritos é muito interessante. Eles começam justamente com isso, o do verdadeiro justo, assim como Jesus, ou a exemplo de Jesus, porquanto praticaria também o amor do próximo e a caridade, sem os quais não há verdadeira justiça. Então, tanto eles nos dizem que para considerarmos verdadeiramente a justiça naquilo que ela é, em toda sua pureza, é preciso a consideremos em conjunto com o amor do próximo, com a caridade ou com outra palavrinha que deve ser sempre considerada por nós ou sempre colocada para e passo com a justiça, que é a misericórdia, filha dileta da própria caridade. Sem isso não haveria justiça. E mais, ele nos dizem que em Jesus nós temos o modelo, o exemplo do verdadeiro justo, o justo por excelência. Essa reflexão vai nos projetar naturalmente ao evangelho. E nós destacamos dentre as tantas cenas e passagens sempre tão belas do Evangelho, um momento em particular, já nas culminâncias da missão de Jesus neste mundo enquanto encarnado, quando ele se encontra já preso. E record-me aqui daquele que daquele registro que está em Mateus, capítulo 27, versículo 19, em torno da figura de Cláudia, também conhecida como Cláudia Prócula, esposa de Pilatos, aquela que justamente por essa fala seria mais tarde até reconhecida como santa pela igreja, Santa Prócula, porque certa feita ela teve um sonho com a figura de Jesus, em que recebe então uma advertência a ser transmitida para o esposo. Muito cuidado no julgamento deste homem, porque ele é um justo. Pilatos, lembra-te disso. Você estará diante de um justo. Pilatos guarda aquela advertência no seu
ncia a ser transmitida para o esposo. Muito cuidado no julgamento deste homem, porque ele é um justo. Pilatos, lembra-te disso. Você estará diante de um justo. Pilatos guarda aquela advertência no seu coração. Coração, como veremos, hesitante entre a justiça e os interesses do mundo. Mas somos levados então àquela cena em que encontraremos reunidos na corte de Pilatos o próprio Pilatos, o senador Públentos, representante do império naquela região, assim como Pilatos. e os demais participantes daquela corte. Naquele dia fatídico da história da humanidade, aquele homem, após 3 anos de tarefa pública, recebido triunfalmente na cidade de Jerusalém naquela Páscoa, havia sido preso pelas intrigas do farisaísmo e do Sinédrio, havia sido preso e agora era entregue a jurisdição de Roma. para que Pilatos pudesse decidir o que fazer com ele. Pilatos, hesitando, o envia a Herodes Antipas, o representante daquele povo acumpliciado com o domínio romano. No entanto, devolve aquele homem a Pilatos, talvez no movimento inconsciente de querer isentar-se da imensa responsabilidade envolvida naquele juízo. Mas ele não simplesmente devolve aquele homem a Pilatos, ele também escarnece de Jesus. lhe dá como cetro um pedaço de cana, como correspondente à túnica escarlate dos reis e dos imperadores, lhe veste de púrpura e o coroa dá-lhe uma coroa de espinhos. Eis Pilatos, o homem, a decisão cabe a ti. E é interessante notar que Emanu nos traz uma leitura psicológica de Pilatos. Ele que participou daquele momento. Não por acaso. Depois na mensagem que trazem o Evangelho Segundo Espiritismo, falando sobre egoísmo, ele ele cita justamente a figura de Pilatos, porque pôde conhecê-lo, esteve ali, participou daquelas cenas, daquelas deliberações. E Pilatos se via, digamos assim, pendente entre um chamado consciencial que havia sido talvez ainda mais aceso por aquele alerta de prócula e os interesses na condição de representante do império romano, a manutenção do seu poder, evitar ali uma sublevação, algo que
ncial que havia sido talvez ainda mais aceso por aquele alerta de prócula e os interesses na condição de representante do império romano, a manutenção do seu poder, evitar ali uma sublevação, algo que pudesse comprometer o poderio romano naquela região. E ele então indaga aos circunstantes, em especial ao senador, o que fazer em tal situação? Veja como Herodes Antipas me devolve prisioneiro. Eu hesito porque no fundo sinto que estou diante de um justo. Nesse momento, adentra aquele recinto um dos seus guardas chamado Políbios, que o alerta Pilatos. Se não tomares em breve a decisão, a multidão ameaça invadir a corte, a pontapés. A multidão é ensandecida, clama pela crucificação, pela morte desse homem. muitos, talvez daqueles mesmos que participaram há alguns dias do clamor na entrada triunfal para vermos o quanto as posições no mundo são volúveis, o quanto o poder e a fama no mundo são brumas de ilusão. Hoje se tem, amanhã não se tem. Hoje somos guindados ao alto pelas criaturas, amanhã somos relegados ao mais profundo dos abismos. A multidão ensandecida, portanto, ameaçava aquele ambiente. E Pilatos a refletir o que fazer e pergunta: "Mas e o prisioneiro? Qual a sua condição?" ao que Políbios então responde. O prisioneiro é extraordinário na sua serenidade e na sua resignação. Deixe-se conduzir docilmente como um cordeiro por seus algozes e nada reclama. Ainda que submetido ao supremo abandono daqueles mesmos que o seguiam até ontem. O cordeiro dócil, manso, extraordinário. É essa palavra, esse o adjetivo na sua serenidade e na sua resignação. acrescenta ainda políbios. Eu me aproximei dele, fazendo-o saber que talvez poderia recorrer, Pilatos, à vossa magnanimidade. Talvez ele poderia recorrer aos nossos processos, aos nossos mecanismos de justiça para provar a sua inocência. Ele, no entanto, não aceitou. disse que prescinde de qualquer proteção ou favoritismo do poderio político dos homens para se entregar somente à justiça soberana do seu pai que está nos céus.
nocência. Ele, no entanto, não aceitou. disse que prescinde de qualquer proteção ou favoritismo do poderio político dos homens para se entregar somente à justiça soberana do seu pai que está nos céus. Ao que Pilatos então responde: "Que homem extraordinário". Veja só, Pilatos, acostumado a mandos e desmandos, a vícios de toda sorte, mesmo aquele coração conseguia perceber, mais do que isso, sentir que estava diante de alguém extraordinário. Quanto a sabedoria, embora talvez ele próprio não alcançasse a sabedoria dessa frase, quando em apresentando Jesus a multidão, ele profere aquelas sublimes palavras que em latim ficariam gravadas para os séculos e inspirariam a muitos e muitos artistas. O Cristo ensanguentado com a cana às mãos, a coroa de espinhos, a túnica escarlate. Pilatos o mostra a multidão e diz: "Etiomo, eis o homem." Emanuel comentar, essa fala de Pilatos diz: "Talvez não soubesse ele a grandeza do que ele afirmava para os séculos porvindouros, eis o homem, eis o projeto divino, a imagem e semelhança do Criador. Ele sentia, ele se via diante daquele justo sobre o qual Prócula o havia alertado. No entanto, nele venceu o egoísmo. Por isso, Emanuel acrescento a mensagem dando ele como exemplo. Mas era um coração hesitante, pendia entre a virtude e os interesses. A questão, no entanto, que fica para nós, ao contemplarmos essa cena em sua grandiosidade espiritual, aqueles que têm olhos de ver, é, estamos nós diante da maior injustiça do mundo ou da maior expressão de justiça? Percebem o paradoxo dessa cena? Estamos nós olhando para essa cena, para essas descrições, para esse diálogo entre Pilatos, Pubulentulos, Políbios, estamos nós olhando para a maior injustiça que esse mundo já viu ou para a maior expressão de justiça que esse mundo já viu? E a resposta é: depende qual a ótica, por qual perspectiva analisamos a cena. Do ponto de vista da nossa ação para com ele, não há dúvidas. a maior injustiça já perpetrada neste mundo, mas e do ponto de vista dele para
pende qual a ótica, por qual perspectiva analisamos a cena. Do ponto de vista da nossa ação para com ele, não há dúvidas. a maior injustiça já perpetrada neste mundo, mas e do ponto de vista dele para conosco, porque aqui somos convidados a retornar ao conceito da verdadeira justiça. O exemplo de Jesus, especialmente nessa cena, nesses momentos da prisão à cruz, é a mais alta exemplificação que a humanidade já viu da lei de justiça, amor e caridade vivida em plenitude integralmente, parágrafo por parágrafo, aspecto por aspecto. Então, veja que vejam que maravilha é o estudo do Evangelho à luz do Espiritismo. Uma mesma cena se nos mostra como sendo a maior injustiças e a maior expressão de justiça verdadeira que este mundo já viu. E é isso que nos cabe a entender. O que é aquela justiça que o Cristo demonstra? O que é o que ele expressa para nós, ajudando-nos a renovar conceitos seculares, milenares de justiça, outrora, por exemplo, tão baseados na reciprocidade. Você fez isso, eu faço o mesmo a você. Você me deu A, eu te dou A. Você me deu C, eu te dou C. Assim, muitos entendiam justiça aqueles tempos, ainda nos moldes do código de Amurabe ou da lei de Talião. Dali paraa frente, do evangelho para a frente, a humanidade entra em um novo domínio de entendimento do que seja justiça, ser justo. Se antes justiça se baseava nessa reciprocidade, agora à luz do evangelho, a justiça se amplia. É o que estará registrado de maneira tão sublime no sermão da montanha, aquela parte em que Jesus faz o contraponto entre o que foi e o que passa a ser. Não que a lei divina se modifique, mas a nossa capacidade de entendê-la e de vivenciá-la modifica conosco, com o tempo, com a nossa evolução. Então, a fórmula do Evangelho é: "Ouvistes o que foi dito, eu porém vos digo, olha a maravilha, olha o divisor de águas." E recorde-me aqui de uma frase sublime que lia recentemente do nosso querido Néo Lúcio, Artur Joviano, quando ele assim define o cristianismo em sua essência, em sua alma. O
olha o divisor de águas." E recorde-me aqui de uma frase sublime que lia recentemente do nosso querido Néo Lúcio, Artur Joviano, quando ele assim define o cristianismo em sua essência, em sua alma. O cristianismo é a religião da segunda milha. Por que, meus amigos, aquele que te pede, caminhe uma, que é a reciprocidade, a equiparação, eu porém vos digo, caminha duas, vai além. Se o outro te integrou o ar, devolve o que seja o diferente do ar. Algo mais, algo mais divino, algo mais sublime, porque isso em verdade é ser justo. Se ele me feriu, me ferir de volta seria a justiça de ontem. Se ele me feriu, responder com o silêncio, com a prece, com a bondade é a nova visão de justiça. É ser justo de fato, porque como disse o livro dos espíritos ou os espíritos nos disseram, não há verdadeira justiça sem amor do próximo e sem caridade. Percebem, portanto, a lição sublime que Jesus nos está dando? Ele estava sendo submetido à maior das injustiças, mas justamente por não ter revidado, permanecido fiel à lei divina, ele nos ensinou o ápice da justiça. Porque aquele que está sujeito à injustiça não precisa se tornar injusto. Pode permanecer sendo justo se permanecer fiel. E essa foi uma das compreensões mais belas de Paulo quando em carta dirigida ao seu filho espiritual, a Timóteo. Segunda epístola a Timóteo, capítulo 2, versículo 13. Paulo diz assim: "Se nós somos infiéis, ele permanece fiel, porque não pode negar a si mesmo". Ora maravilha. E a grandiosidade disso, gente, o que é ser justo diante de quem comete injustiça? é justamente fazer diferente, não negar a mim mesmo no meu compromisso de fidelidade à lei de justiça, amor e caridade. Sendo, portanto, o Cristo o justo por excelência, se nós fomos para com ele infiéis diante da lei divina, ele permaneceu mais fiel do que nunca, porque ele nos deu a lição da justiça ante a injustiça, do perdão ante a agressão, do amor perante o ódio, da bondade perante a dureza. Essa é a religião da segunda milha. Essa é a culminância que o evangelho traz ao
eu a lição da justiça ante a injustiça, do perdão ante a agressão, do amor perante o ódio, da bondade perante a dureza. Essa é a religião da segunda milha. Essa é a culminância que o evangelho traz ao mundo na vida do Cristo quanto ao nosso entendimento acerca da justiça. Aquele que te bater numa face oferece a outra. Não é mera passividade. Isso é apresenta essa criatura um outro modo de viver. Demonstra ela que a vida não precisa ser vivida nesses termos. Se até hoje ela conheceu apenas aqueles que ao mal respondem com mal, seja o primeiro a mostrar para ela que diante do mal é possível, é preciso responder com o bem. Em outras palavras, seja justo. Seja justo. O mundo poderá ver como uma injustiça. Ora, o quanto de mal ele recebeu, ele só devolve com o bem. Isso é injustiça? Não, isso é a perfeita justiça. Isso é ser justo. É o que aquele homem ensinava a ponto de sensibilizar o coração de um Pilatos que diz: "Que homem extraordinário! O que é isso que nós no império romanos nunca vimos? Que força é essa? Que fidelidade é essa? A quem ele serve que o torna assim tão forte? Que reino é esse tão mais poderoso que o nosso império? Isso é ser justo. Em outras palavras, ser fiel à consciência, a lei divina, não dos homens. Porque aquele que busca a verdadeira justiça não está mais sujeito somente a à jurisdição da justiça do mundo, porque ela é falha, ela é imperfeita, ela não alcança tudo. Quem busca a verdadeira justiça se submete agora à jurisdição do céu, do alto, que é o que Jesus fazia quando lhe ofertaram os recursos a Pilatos. Você não quer recorrer aqui à justiça dos homens, às vezes fazendo algumas concessões, não. Submeto-me apenas a justiça dos céus. Alo que mais tarde o próprio Paulo faria em cena muito bela quando ele preso injustamente em Cesareia, recebe a visita de Félix, que era o representante do Império Romano. Félix o visita na prisão e oferece a ele a liberdade por algum preço. Paulo, eu sei que você é uma pessoa influente, muitos conhecidos, seu pai,
ta de Félix, que era o representante do Império Romano. Félix o visita na prisão e oferece a ele a liberdade por algum preço. Paulo, eu sei que você é uma pessoa influente, muitos conhecidos, seu pai, se você conseguir algum recurso, talvez a gente consiga te libertar. Paulo responde apenas: "Perceba agora. Falais-me, me falais de uma justiça marcada pelos interesses, pelos caprichos criminosos dos homens. Tal justiça não me interessa. Serme a melhor encontrar a morte nesse cárcere, a me converter no obstáculo à redenção do mais humilde dos funcionários de Cesareia. Me será preferível morrer nesse cárcere. a com o meu gesto induzir a qualquer um dos funcionários aqui de Cesareia, a você mesmo, Félix, a um tropeço na jornada da evolução. Porque aceitar dar dinheiro por uma independência ilícita seria ensinar-lhes a se habituarem ao apego a bens terrenos que não lhes pertencem. Olha a grandiosidade desse homem. Nesse caso, a minha ação seria reconhecidamente perversa. Em outras palavras, o que que Paulo tá dizendo? Eu não me importo de sofrer qualquer injustiça, seja ela qual for. Eu me importo muito em ser eu aquele que sou injusto. E se eu levasse qualquer um de vocês à corrupção, ainda que aparentemente com o motivo nobre, então a injustiça não estaria fora de mim, estaria em mim. E isso eu não poderia suportar. A injustiça dos homens posso suportá-la quantas vezes se fizerem necessárias, mas a injustiça em mim, a luz do Cristo e a luz do evangelho, eu já não mais consigo suportar. Porque eu tenho fome e sede de justiça e da bem-aventurança que o Senhor prometeu aos que têm fome e sede de justiça. É isso que ele tá dizendo. Não foi exatamente o que se deu com outra grande figura da nossa história que diz Emmanuel aproximou-se até mesmo de Jesus em sua exemplificação. Sócrates euta, preso injustamente, mas submetido internamente à jurisdição do céu, chegaram à prisão e lhe ofereceram também a liberdade por meio de alguns acordos ali. Sócrates, faz alguns acordos aqui e tal e a gente consegue te
nte, mas submetido internamente à jurisdição do céu, chegaram à prisão e lhe ofereceram também a liberdade por meio de alguns acordos ali. Sócrates, faz alguns acordos aqui e tal e a gente consegue te colocar em liberdade. Colocar em liberdade? Em liberdade eu estou agora. Eu estou atrás de uma cela, mas em liberdade eu estou agora. Se eu aceitar o acordo, é então que não estarei livre. Aquele diálogo belíssimo, né, que o Emano menciona no livro A Caminho da Luz. Entre ele e a esposa, quando enfim sai a condenação. Condenada à morte. Chantipa, desesperada, comparece a prisão, volta-se para Sócrates e diz: "Sócrates, Sócrates, foste condenado à morte". E o que tem isso, Chantip? Não estamos todos condenados a ela. Mas a tua condenação é injusta, Sócrates, e você preferiria que fosse justa. Olha, olha a grandeza disso. O que você acha que para mim seria uma pior condição, Chantipa, eu estar aqui justamente preso ou estar injustamente preso? Em qual condição eu estaria mais preso ou de fato preso? Se houvesse motivo para eu estar aqui, mas como não há, então não estou. Eu estou livre, Xandipa. É o mesmo que Jesus nos ensinava. Ante a injustiça, não te tornes tu também justo. Não dê a por a, não dê mal por mal. Dê o bem pelo mal, então serás livre. Essa é a alma do discurso do mestre no sermão das bem-aventuranças. Ao que te bate numa face, apresenta- lhe a outra. Se a face do mal, apresenta do bem. Se é a face do ódio, apresenta do perdão. Se é a face da perseguição, ora por eles. E então serás verdadeiramente filho do vosso pai que está nos céus. Sereis verdadeiramente justos e sendo justos, livres. Assim Sócrates procedeu. Assim Paulo procedia ante a oferta de Félix, concluindo as suas considerações. Quando temos a consciência pura, Félix, ninguém nos pode tolher a liberdade. Sinto-me aqui tão livre quanto lá fora, na praça pública. Por isso ele nunca se disse prisioneiro dos romanos. Sempre se disse prisioneiro do Cristo, porque mesmo as suas prisões culminaram, foram úteis para a edificação do
quanto lá fora, na praça pública. Por isso ele nunca se disse prisioneiro dos romanos. Sempre se disse prisioneiro do Cristo, porque mesmo as suas prisões culminaram, foram úteis para a edificação do evangelho. Quantos ele não converteu na prisão, na prisão em Filipos, na prisão em Cesareia, na prisão em Roma, todas as vezes injustamente preso, mas perfeitamente livre para servir ao Cristo ainda mais. Como ele dizia, ele eu estou preso, o corpo está preso, mas a palavra do evangelho não está livre. a tal ponto que pela sua exemplificação e pelo seu testemunho, logo cativou o centurião que foi designado a levá-lo até Roma, Júlio. dali de Cesareé partiram e tão encantado com a exemplificação de Paulo Júlio ficou que o permitia fazer a jornada sem algemas, como um amigo, conversavam, tratavam dos assuntos, mas à medida que se aproximavam de Roma crescia no coração de Júlio uma inquietude. Porque ele sabia que chegando próximo da cidade ele teria que prendê-lo de novo. E é então muito sem jeito que nas proximidades da cidade imperial ele se aproxima de Paulo. Como eu dizer assim, Paulo, eu sinto muito, mas eu vou precisar te prender novamente. Ao que Paulo como bom amigo, como grande cristão, diz: "Meu amigo, por que esse constrangimento entre nós? Somos irmãos?" Estende-lhe os pulsos, dizendo: "Cumpro então o seu dever. Naturalmente que Júlio fica emocionado e diz para Paulo, ah, Paulo, como quisera eu ser como tu um prisioneiro do Cristo? Porque quem é prisioneiro do Cristo, quem prendeu o seu coração, a sua vida, o seu destino ao amor de Jesus, a sua verdade, a sua luz, esse alguém é aqui ou além, sempre livre. Estará aqui ou além, sempre livre. Por mais que seja vítima de quaisquer injustiças dos homens, estará livre. Porque livre por dentro. Então veja, nós estamos diante da maior injustiça do mundo, aprendendo o que é ser verdadeiramente justo. Se os outros são infiéis no sentido de se os outros se afastam da lei divina tornando-se injustos, nós, se quisermos seguir com o mestre, precisamos
undo, aprendendo o que é ser verdadeiramente justo. Se os outros são infiéis no sentido de se os outros se afastam da lei divina tornando-se injustos, nós, se quisermos seguir com o mestre, precisamos permanecer fiéis. Não, injustiça por injustiça. Justiça quem é injusto. Porque se a minha atuação depender mais do que o outro faz do que de mim mesmo, então não há virtude. Só será virtude quando diante da injustiça eu conseguir permanecer sendo justo. Só será a virtude de fato quando diante do mal eu consegui seguir fazendo bem, porque aí é algo que parte de mim. Aí é autonomia. Não é mais o outro quem define o que eu faço, como eu sinto. O outro não tem mais esse poder sobre mim, porque eu tomei para mim as chaves do meu destino e sendo justo, sou livre. Esse exemplo repercutiu em toda a história do cristianismo. A história dos mártires não é outra. Todos eles submetidos à injustiça, mas de modo nenhum cativos por ela. Todos eles livres porque justos. Vamos lá ao livro Ave Cristo para vermos também o caso de irmão Corvino, quintarro, submetido ao tribunal diante do representante do imperador Maximino. A multidão também ensandecida, ele entra no recinto, lança o olhar ao auditório e todos silenciam. porque sentiram a vibração de uma alma verdadeiramente justa. O legado, depois de se recuperar da surpresa, daquela presença, começa então a atacar, aceita Nazarena e tudo mais. E ele vai respondendo muito serenamente, a tal ponto que então aquele homem perde a paciência e diz: "Você não sabe que o seu destino está nas minhas mãos? Ao que irmão Covino responde, nosso destino já nas mãos de Deus. Mesma coisa Jesus diante de Pilatos. Pilatos fala assim: "Você não sabe que eu tenho autoridade para te prender ou te soltar?" Jesus responde: Nenhuma autoridade terias sobre mim se do alto não te fosse concedida. Em outras palavras, a sua jurisdição alcança o meu corpo, mas não alcança o meu espírito, não alcança a minha consciência. Então o legado fala: "Você não sabe que o seu destino já nas minhas mãos?"
a. Em outras palavras, a sua jurisdição alcança o meu corpo, mas não alcança o meu espírito, não alcança a minha consciência. Então o legado fala: "Você não sabe que o seu destino já nas minhas mãos?" Nossos destinos jazem nas mãos de Deus. Você não sabe que eu tenho poder aqui para lavrar a sua sentença de morte? Obedeça a César, ordenando o que lhe aprover. Eu obedecerei ao Cristo, submetendo-me à vossa vontade. Como é que se atemoriza alguém assim? Percebe como que aqueles voltados para o mal, para a tirania, ficam absolutamente sem recursos diante de uma alma assim? Por isso, às vezes partiam para agressão física, igual Saulo diante de Estevão, de Jesiel no Sinédrio. Jisel respondendo sempre serenamente. E Saulo, né? O Sinédrio tem meios de fazê-lo negar o Cristo. O Sinédrio tem mil meios, mil maneiras de me fazer sofrer ou chorar, mas desconheço neste mundo força capaz de me fazer renegar a Jesus Cristo. Isso é ser livre, é permanecer fiel mesmo diante daqueles que ainda não conseguem sê-lo na lei divina. É a segunda milha, é outra face. É o que Jesus nos ensinou. Não há justiça de fato se não houver misericórdia que compreende a possibilidade do outro, o alcance do outro. E por isso as suas derradeiras palavras naquela cruz passam para os séculos como ápice da vivência dessa lei. Ele, o injustiçado, rogando clemência ao Pai ante a lei de justiça, amor e caridade, dizendo a ele por todos nós: "Pai, perdoa-lhes porque não sabem o que fazem". Aos olhos do mundo pode parecer muito injusto o próprio injustiçado rogar clemência aos que o ferem. Mas isso é o ápice da justiça, do espírito que entendeu o que de fato é ser justo, clemente, misericordioso, não deixar que a injustiça nos contamine, não deixar que o mal define o nosso proceder, mas antes agindo fielmente, como Jesus nos ensinou, como Paulo tão bem registrou nas suas epístolas, tanto na orientação a Timóteo, se nós somos infiéis, ele permanece fiel, porque não pode negar a si mesmo, quanto numa de suas mais conhecidas
ensinou, como Paulo tão bem registrou nas suas epístolas, tanto na orientação a Timóteo, se nós somos infiéis, ele permanece fiel, porque não pode negar a si mesmo, quanto numa de suas mais conhecidas frases que aparece mais de uma vez nas suas epístolas, o justo viverá pela fé. E pensamos em fé apenas nos termos de crença, mas para Paulo fé, fé significa sobretudo fidelidade a Deus. Seja fiel a Deus, o que significa dizer à tua consciência, ao bem que já aprendeste. Por mais que no entorno, que no cenário que a vida te apresenta, o mal te serque ou a sombra busque te envolver, isso será ser justo e, por conseguinte, livre. Então, veja a beleza que transparece da vida desse que pelos espíritos foi denominado como sendo o justo por excelência. E é claro que ao longo dos séculos este exemplo inspirou e sustentou a tantos quantos submetidos, por sua vez à injustiça. quant os dos mártires. Embora o choque às vezes da dor física, do martírio, do desprezo e da humilhação, não se recordavam justamente nesse momento da figura augusta, inouvidável de Jesus. Estevão quando respondendo serenamente a Saulo diante do Sinédrio, é por ele atacado e agredido fisicamente? sente ali algo ainda de um amor próprio ferido, sente ali algo, uma pitadia que seja daquela dor da humilhação. Mas então se recorda ele daquele que nos antecedeu, do maior dos injustiçados. Se ele passou por aquele caminho, o que serão então os nossos caminhos, as nossas experiências difíceis? Se ele nada tinha a quear, nós ainda temos. se ele já havia alcançado a plena integração com a lei divina, nós temos muito ainda a experienciar e a aprender. Por isso, a cruz do Mestre e, acima de tudo, o seu exemplo folguram para os séculos como grande alento a todos os sofredores, a todos os humilhados, a todos os injustiçados ao longo da vida. Dali nasce um manancial de consolo, de esperança. Quando chegam os nossos testemunhos, como não lembrar dos dele? O que são os nossos diante daquilo que ele nos demonstrou? Record-me aqui da própria figura de Ian
m manancial de consolo, de esperança. Quando chegam os nossos testemunhos, como não lembrar dos dele? O que são os nossos diante daquilo que ele nos demonstrou? Record-me aqui da própria figura de Ian Rus, nosso querido Allan Kardec em experiência pregressa, quando submetido ao interrogatório da Inquisição, depois de muito tempo preso, todas as tentativas e pressões psicológicas possíveis para que ele abrisse mão das suas visões renovadoras em torno do evangelho, no intuito de humilhá-lo, desenham ou constrói um chapéu de papel e desenham ali vários os demônios para colocar sobre a sua cabeça, como dizer que aquele era um instrumento dos demônios para perverter o entendimento do evangelho. E ele então diria: "Eu de muito bom grado colocarei esse chapéu, porque a mim ele me será muito mais leve do que aquela coroa de espinça. Ele era puro e nada tinha a resgatar. Eu, no entanto, tenho os meus pecados, tenho ainda as minhas imperfeições. Por isso, esse chapéu que para vocês é um instrumento de humilhação, para mim será uma coroa de glória, similar, claro, guardadas as devidas proporções à coroa de espinhos. Esse o justo por excelência. A grandeza da lei divina expressa numa vida que o Espiritismo vem hoje resgatar, desdobrando-a, desenvolvendo-a para nós, a fim de que possamos todos nos inspirar quando chegar a nossa vez de testemunhar. E temos a certeza, o caminho do discípulo do Cristo passa necessariamente pelos testemunhos. O convite proposto pelo mestre não é outro. Segue sendo mesmo aquele que quiser vir após mim. Negue-se a si mesmo, tome a sua cruz e siga-me. E ficamos a pensar no mundo com tantos convites, convites à perdição, à tentação, ao desvio, ao desequilíbrio. Como um convite como esse pode perdurar por tantos séculos e ainda hoje atrair a tantos corações, em verdade a cada vez mais corações. Que convite é esse que sou estranho? Um convite que promete não facilidades, não louros, glórias ou tesouros, mas promete a negação de si mesmo e a cruz. O que há
em verdade a cada vez mais corações. Que convite é esse que sou estranho? Um convite que promete não facilidades, não louros, glórias ou tesouros, mas promete a negação de si mesmo e a cruz. O que há por detrás desse convite que ainda assim seduz e fascina, senão a grandeza dessa alma e desse coração, senão esse manancial de vida que sabemos só ali existir. Longe disso, tudo é bruma, tudo é ilusão. Os testemunhos, portanto, virão. Facearemos a injustiça, a ingratidão, o desprezo, a humilhação. Fazis ocasião de diante da injustiça sermos enfim justos, como não temos sido por séculos, acreditando outrora que ser justo é fazer o mesmo, é devolver apenas nas bases da reciprocidade. Me feriu o filho de volta, me prejudicou o prejudico de volta. Isso ainda é mantermos no ouvistes o que foi dito. Eu, porém, vos digo, como quando mais uma vez seria preso em Corinto, os cristãos entram em desespero, querem ali de alguma maneira intervir, impedir aquela prisão. Saulo se ergue, voz retumbante, no recinto, e diz: "Irmãos, acaso quereis o Cristo sem testemunho? que Cristo quer seguir. Aquele que te dará um caminho rosado, limpo, aberto, onde viste esse Jesus? A cruz lá permanece com mensagem silenciosa e sublime para os séculos. Não as feridas, não o sangue, mas a mensagem espiritual que dali transparece. Só alcançaremos a verdadeira justiça quando soubermos embalá-la na misericórdia e na compreensão. E sem isso, meus amigos, não há libertação. Podemos nos deslocar por esse mundo inteiro em busca dos mais belos paraísos que firam os nossos sentidos. Poderemos ter todo o conforto possível em nossa alma. Não estaremos livres para alçar novos voos de inspiração, de sensibilidade, de emoção, de engrandecimento ante a maravilha da criação. Para isso é preciso liberdade. E foram os braços daquela cruz que nos ensinaram como de fato consegui-la. Ser fiel ao dever até o fim. Ser fiel, acreditar e confiar no bem, por mais sombrio seja o cenário, não há outro caminho que enfim nos liberte.
daquela cruz que nos ensinaram como de fato consegui-la. Ser fiel ao dever até o fim. Ser fiel, acreditar e confiar no bem, por mais sombrio seja o cenário, não há outro caminho que enfim nos liberte. Não queiramos bem-estar antes de estarmos bem. Não busquemos a vã ilusória liberdade do mundo que nos promete mundos e fundos para depois nos entregar o tédio e o desânimo. Busquemos antes a liberdade de servir, de tornarmos cativos, no bom sentido, ao sentimento do amor, prisioneiros como Paulo as lições do evangelho. Porque aquele que se prende ao dever e ao amor, cada vez mais se verá livre, livre para sentir a grandeza da vida que irradia de si próprio. Vida abundante em si mesmo. Ante o testemunho. Portanto, bem digamos, se a justiça nos alcança, eis a ocasião. Como mestre, o justo por excelência, mantermo-nos fiéis. Por isso recordamos Emmanuel em bonita mensagem no livro Fonte Viva, capítulo 46, intitulada justamente na cruz, em que ele vai nos apresentar aqui o que diz em outra mensagem, Fonte Viva 97. Ele vai nos apresentar a glória oculta da crucificação. Não quem vê a cena com os olhos do mundo, mas quem a lê pelos olhos do espírito. Diz aqui, Emmanuel, era o príncipe da paz e achava-se vencido pela guerra dos interesses inferiores. Era o salvador e não se salvava. era o justo e padecia suprema injustiça. Jazia o Senhor flagelado e vencido. Para o consenso humano, era a extrema perda, a máxima queda, a máxima humilhação. Mas aqui fecha-se a cortina para a perspectiva humana. Abrem-se as cortinas para a visão sublime do Espírito. A ira todavia na cruz, sangrando, mas de pé, supliciado, mas de braços abertos, relegado ao sofrimento, mas suspenso da terra, rodeado de ódio e sarcasmo, mas de coração isçado, erguido ao amor. Tombara o justo por excelência, vilipendiado e esquecido, mas no outro dia transformava a própria dor em glória divina. Que fazes da própria dor? A torna instrumento de crescimento para ti e para os outros ou cativeiro para ti e para os demais?
e esquecido, mas no outro dia transformava a própria dor em glória divina. Que fazes da própria dor? A torna instrumento de crescimento para ti e para os outros ou cativeiro para ti e para os demais? O Cristo converteu a dele em glória divina para a humanidade e para os séculos. Pendera-lhe a fronteada de sangue no madeiro, e ressurgia a luz do sol ao hálito de um jardim. Convertia-se a derrota escura em vitória resplandescente. Cobria-se o lenho afrontoso de claridades celestiais. para a terra inteira. Convertia-se a maior injustiça do mundo no maior exemplo da verdadeira justiça já vista nessa terra. Por isso, Emano conclui a mensagem dizendo: "Não acredites nos louros e nos triunfos aparentes dos injusti daqueles que cometem a injustiça." Não acredite na vitória do mal, na vitória dos que corrompem, dos que pervertem, dos que ferem. Não acredite nessa vitória aparente, porque da cruz ensinou-nos Jesus que só há uma verdadeira vitória, uma verdadeira liberdade. E ela passa pela justiça, mas pela justiça com espírito de caridade, com hálito, com o perfume da misericórdia e do amor. Somente assim seremos justos. Somente assim, meus amigos, seremos livres hoje e para a eternidade. Que Jesus abençoe a todos, a todos muita luz e muita paz. Ah.
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