Entrevista Adeilson Salles | Congresso Espirita de Juiz de Fora

Conecta Espiritismo TV 16/08/2025 (há 7 meses) 35:19 246 visualizações 30 curtidas

Entrevista com Adeilson Salles - Tema: O desafio de Viver

Transcrição

Ir Vou colocar, eu vou te marcar e aí se você quiser me repostar agora. Pessoal, boa noite. Nós estamos aqui, né, no em Juiz de Fora junto com o Conecta Espiritismo. Nós estamos aqui abrindo esse podcast nessa noite com a presença de uma pessoa maravilhosa que vai conversar com hoje com com a gente sobre o tema que é o desafio de viver, né? Ele é o Adeilson Sales, que a gente já conhece as suas mais de 100 obras, falando aí sobre todas essas questões para crianças, adolescentes e adultos, né? E tudo que nós vamos falar aqui hoje para todas as idades. Ele que é escritor, poeta, psicanalista clínico e também eh traz uma bagagem muito grande de filosofia pra gente, de toda a experiência de vida. Hoje nós vamos trazer um pouco desse desafio na vida. E nós temos aqui, né, com as obras dele Construtores de al de asas, perdão, que traz um pouco da questão dele para eh as pessoas da educação, que ele também tem uma carreira nisso, eh ouvindo Deus na tempestade e vários outros livros infantis também, eh, infantis, que vai trazer tudo isso. Então, queria dar boa noite pro Deísson falar que é um uma imensa honra ter você aqui, as suas palavras, a presença dele já deixa a gente mais calma, já mais leve. Então, eh, seja bem-vindo e vamos hoje falar sobre esse desafio que é viver. >> Boa noite, Larissa. Boa noite, amigos e amigas do IDAC, da Web Rádio Fraternidade, de todas toda a rede, né, de toda a mídia que está aqui no Conecta para divulgar esse Congresso Espírita de Juiz de Fora. Então, eu tô bem feliz de estar aqui, de poder participar de um evento dessa natureza, ressaltando que o conecta eh espiritismo é uma é um movimento, né, para dinamizar, para modernizar os eventos espíritas e trazer aí essa contribuição tão necessária, né? Nós temos uma mensagem tão rica, tão poderosa e precisamos de agregar cada vez mais valores, capacidade, técnica, enfim, para que essa mensagem chegue a tantos corações. Te agradeço, Larissa. Obrigado aos amigos e amigas pra gente falar um pouquinho sobre o desafio de

r cada vez mais valores, capacidade, técnica, enfim, para que essa mensagem chegue a tantos corações. Te agradeço, Larissa. Obrigado aos amigos e amigas pra gente falar um pouquinho sobre o desafio de viver. >> E hoje, né, nós temos aqui o Adeio Sonson justamente porque ele traz esse esse tema nas suas obras, nas suas falas, nas suas palestras, que é essa lidar com a questão da vida, né? E aí, eh, a gente começa a a perguntar, né, pro, proilson, eh, como é essa sua história, sua caminhada no no espiritismo e também, né, com as as crianças na sua na sua clínica também. Como é que você traz todo esse tema que é esse desafio de viver com todas essas atribulações que tem a vida? Eh, o que que você acha que isso que foi eh que te chamou nesse assunto que fez com que você se dedicasse nas suas obras e na sua vida a essa questão? Bem, enquanto eh como ser humano, eh evidentemente que eu precisei ao longo do tempo também com os meus aprendizados, as minhas necessidades, os meus anseios, os meus problemas emocionais e os problemas espirituais. E evidentemente, quando cheguei no espiritismo, não nasci em família espírita, eh à medida que o tempo foi avançando, houve um desdobramento do meu aprendizado. Eu nunca imaginei que eu fosse me tornar um escritor de um livro, quanto mais de 101 livros, né, Larissa? >> 101 livros. E aí, é claro que à medida que o tempo foi avançando e eu fui amadurecendo, né, eu comecei trabalhando paraas crianças, pros jovens, para todas as faixas de público, eu percebi que havia uma a necessidade de nós falarmos das questões que envolvem o emocional, o psiquismo. fiz fiz eh psicanálise, me formei e teve uma identificação muito grande, porque eu não percebia que anteriormente, antes de me formar como psicanalista, eu já abordava temas emocionais assim, naturalmente. >> Exatamente. >> E o olhar da psicanálise aprofundou essa minha visão. Então, hoje eu costumo dizer que onde existem problemas espirituais, existem problemas emocionais. E onde existem problemas

nte. >> Exatamente. >> E o olhar da psicanálise aprofundou essa minha visão. Então, hoje eu costumo dizer que onde existem problemas espirituais, existem problemas emocionais. E onde existem problemas espirituais, existem problemas emocionais. São duas instâncias que se tocam, que se cruzam e que precisam ser cuidadas. Por isso que eu eh mergulhei cada vez mais e eu percebi que quanto mais eu falava dessa desse universo, mais as pessoas gostavam. Então eu comecei a criar personagens infantis, eh, juvenis, adultos, além de fazer dissertações sobre o comportamento humano. E isso fez com que o meu trabalho ganhasse visibilidade, etc. E nós estamos aqui na condição de espírita e de psicanalista. Eu costumo dizer que aquilo que Freud não explica, Kardec explica e ajuda a compreender o universo emocional, que não é fácil, né, da criatura humana. a gente tem aqui e nas obras dele também, na fala dele, a visão que ele traz, né, sobre a questão emocional eh da comunicação do espiritismo eh para com a criança, para com o adolescente, para com o adulto e para com o idoso, né, tratando a comunicação e agora através do conecta espiritismo, ampliando essa comunicação cada vez mais para chegar, né, a espíritas e não espíritas aqui, né, porque as suas obras não são somente eh obras espíritas, tá? também tem obras, né, outras obras que trazem esse tema. E aí, eh, eu te pergunto, por que vale a pena viver esse desafio, né? Por que que vale a pena viver esse desafio diário, esse desafio de estar ali elaborando com todas as suas questões? É, qual a razão de não desistir? Veja, Larissa, eh, eu pela a experiência, né, isso é uma experiência pessoal e particular, portanto, deve considerado como uma opinião pessoal. Eu observando o mundo, a nos pacientes, eh a minha idade, o meu olhar para para vida, eu percebo muito claramente que as pessoas têm grande dificuldade de, primeiramente identificar a vida, o porquê da vida e a razão. Muita gente eh existe, mas não vive. Então são pessoas que estão alienadas

cebo muito claramente que as pessoas têm grande dificuldade de, primeiramente identificar a vida, o porquê da vida e a razão. Muita gente eh existe, mas não vive. Então são pessoas que estão alienadas quanto a própria essência e quanto a as próprias potencialidades que elas carregam na alma. Elas são mera ilustres desconhecidas de si mesmas. Por quê? Eu vou até citar uma frase que eu virou um mantra na minha boca. Eu venho dizendo em todas as palestras essa frase que não é minha, de um de um rabino eh paulista, Newton Bonder. A pior solidão é a ausência de si mesmo. As pessoas vivem a solidão de si mesmas. elas se abandonam porque elas entendem que a vida vai eh ter sentido à medida que eu me comportar como o modismo, como as propostas eh de consumo daquilo que o mundo vende paraas minhas sensações. A gente pode até passar pela pelo campo da filosofia e falar sobre o dualismo de Platão, em que ele falava sobre o mundo, trazia para nós, trouxe a proposta reflexiva sobre o mundo sensível e o mundo das ideias. A maioria dos seres humanos vive apenas no mundo sensível. Platão dizia que o mundo sensível ele nos ilude, nos engana. E é verdade, mas quando eu me detenho apenas no campo das sensações, buscando entender o mundo através dessa lente das sensações, daquilo que afeta meu corpo, de certa forma, eu vou obliterar, obliterar a minha capacidade sensorial como espírito de perceber que o mundo é além das sensações. Porque as sensações elas são como você beber água salgada do mar. pode beber o oceano atlântico inteiro que você vai continuar com sede. Então, existe uma outra necessidade >> de para uma saciedade que só o lado espiritual, emocional, uma visão um pouco mais crítica da vida e o mais difícil, né, para tornar a vida mais consentida e para vencer, eh, ter o entendimento de vencer esse desafio da vida, entender que a vida é cíclica, entender que ela vai ter sempre problemas, mas seja qual for o problema, É um é um período que eu estou vivendo e que vale a pena seguir em frente, vale a

safio da vida, entender que a vida é cíclica, entender que ela vai ter sempre problemas, mas seja qual for o problema, É um é um período que eu estou vivendo e que vale a pena seguir em frente, vale a pena vencer a mim mesmo e seguir caminhando, porque a beleza da vida, ela vai se encontrar justamente nisso. A cada passo que eu dou, a cada problema que eu supero, nós já superamos tantos problemas, já vencemos tantos ciclos, mas é importante saber ter consciência. Nós temos momentos alegres, mas a vida perene, uma felicidade mais perene, como diz CECA no seu livro, a felicidade, ela se define por nós sermos fiéis aos nossos princípios. Isso traz segurança. Eu preciso as coisas que eu acredito, eu sou fiel ou quando surge uma ideia de gozo que o mundo me vende, eu vou me prostituir, eu vou vender a minha ideia em troca de uma sensação momentânea. Esse é o grande desafio que eu vejo. E quando a gente começa a fazer essa esse processo, vamos dizer assim, alquímico, promover essa alquimia dentro de nós mesmos, a transformar as sensações num olhar mais assertivo do que é a vida, a gente começa a viver momentos de mais estabilidade >> e por consequência também, eu acredito que de mais consciência. E aí, eh, conhecendo, né, você, conhecendo as suas ideias, você vê que toda essa expressão que aparece, né, no adulto ou no idoso teve o seu início lá na infância. E eu queria que você falasse um pouco mais paraa gente dessa questão da infância, né, dos do termo que você usa, né, os órfãos emocionais, explicasse um pouco mais pra gente sobre isso, né, sobre a importância dessa comunicação na infância e o entendimento, né, dos pais, dos profissionais de saúde, dos professores e de toda a sociedade, de todas as religiões, para esse olhar paraa criança que a comunicação será uma comunicação lúdica, né, e não uma comunicação que vai chegar a querer mudar ali opiniões da criança que talvez nem foram formadas ainda. Então, explica um pouco pra gente essa sua visão da da criança. >> É, eu vou basear a minha fala no

municação que vai chegar a querer mudar ali opiniões da criança que talvez nem foram formadas ainda. Então, explica um pouco pra gente essa sua visão da da criança. >> É, eu vou basear a minha fala no psicanalista e pediatra britânico Donald Winicut. O Winikut tem um vários livros, né? Ele é muito conhecido por ser muito assertivo nas questões emocionais de crianças e adolescentes. Ele tem um livro que se chama Tudo começa em casa. Tudo começa em casa. Então, quando você conversa comigo como uma mulher adulta, existem vestígios daquilo que começou lá na tua infância. E o Inicot fala de um processo de que o colo é o primeiro espaço em que a criança vai experimentar a segurança. O colo também é o primeiro espaço em que a criança vai experimentar as primeiras frustrações quando ela chorar, quiser ter os seus desejos atendidos, porque a princípio, né, a criança não se reconhece como ser individual, claro que não, mas ela se reconhece e no outro, nos cuidados que o outro tem, ela vai se sentindo segura e vai se desenvolvendo psicologicamente. as pessoas não dão valor para isso, mas isso influi já no desenvolvimento psicológico, na estruturação psicológica da criatura humana, desde o colo. Então, se eu demoro mais para pegar a criança quando ela chora, quando elas tá as demandas dela, eu já vou iniciando ela ali nos processos de frustração. E a frustração dentro da nossa constituição psicológica, digamos assim, do combo que nos constitui, é algo muito importante para que nós nos tornemos pessoas saudáveis. A criança precisa se frustrar, não é? Porque isso faz parte. A vida na Terra é uma sucessão de frustrações. >> Então, os nossos desejos, eles sempre nós sempre anelamos por circunstâncias que nós não estamos, na maioria das vezes preparados para viver. E quando vem a frustração, que segundo Chico Xavier era a visita da verdade, nós temos dificuldade de lidar com isso. Mas isso se começa realmente, Larissa, na infância. Mas a criança tem uma idade psicológica específica,

ação, que segundo Chico Xavier era a visita da verdade, nós temos dificuldade de lidar com isso. Mas isso se começa realmente, Larissa, na infância. Mas a criança tem uma idade psicológica específica, não é? Ela não sabe nominar os seus, as suas emoções, os seus sentimentos. Muitas das dos comportamentos que ela manifesta, como a birra e como outras eh situações em que ela reage, ela passa a dormir mal, ela não quer comer, nem tudo é é uma questão orgânica. Essas reações, digamos assim, da criança, essas manifestações que têm fundo psicológico, até mesmo a falta de apetite, elas podem nascer da insegurança de uma briga entre o pai e a mãe. E ela se sentiu ali fragilizada, porque a sua grande referência, que são os pais, de repente estão se mostrando ali num processo de ruptura. Ela pode não perceber até o vocabulário e entender perfeitamente, mas ela sente as energias hostis do ambiente. Tô falando no campo emocional, mas existe também o lado espiritual. O adolescente, a mesma coisa. Muita, o adolescente não sabe também nominar o que sente. Então, quando ele fala, ele não é respeitado, é frescura. A criança não é respeitada, porque as pessoas entendem que contemplar a criança com algo material vai fazer com que a birra seja minorada ou outras circunstâncias. Até momentaneamente pode ser minorada aquela circunstância de desconforto da criança, mas ela fica fica registrado para ela todo o processo em que ela se sente agredida emocionalmente, porque as energias da casa, porque a segurança que começa no primeiro mundo da segurança, que é o colo, vai sendo violentada, porque a do colo a gente passa pro espaço que é o lar, pra família e a gente vai procurando sempre. a gente quer transitar como adulto, como criança ou como adolescente no espaço que em que tenhamos segurança. >> Perfeitamente, Adilson. E ele traz muito bem aqui, né, na em toda a literatura dele, em todo o trabalho dele, essa comunicação que às vezes é uma comunicação que vai pra identificação de sentimento mesmo da criança, né? Ela não

le traz muito bem aqui, né, na em toda a literatura dele, em todo o trabalho dele, essa comunicação que às vezes é uma comunicação que vai pra identificação de sentimento mesmo da criança, né? Ela não sabe nominar, então vamos aprender a nominar os sentimentos. Eh, existe, né, tá sendo muito falado aí a questão da da adultização, né, da criança e tudo mais, mas muitas vezes a adultização acontece pelos próprios pais ou pelas pessoas ali responsáveis, né? E é necessário ter esse crio de de entender a criança com as necessidades dela ali, né? e esse desafio de viver trazendo que eh é necessário que essa que toda essa fase passe, né, e que tenha as suas a sua importância para que tenha um adulto ou um idoso saudável, né? Então, eh vamos falar um pouco mais sobre isso, sobre essa questão, né, de da criança ter ali o seu espaço, o seu momento e quando chegamos eh também a adultos e idosos frustrados, né? Com de encarar esse desafio de viver? Veja, quando eu imponho a criança a uma agenda adulta, eu quero que a minha filha e o meu filho passem o dia inteiro ocupados, porque eu, na minha concepção de homem adulto, se eles ficarem o tempo todo ocupados, eles estarão não estarão sofrendo eh riscos daquilo que a sociedade tá vendendo como felicidade. e sexualidade, tudo que a gente vê, né, acontecer, infelizmente, principalmente através das redes sociais. E aí, é claro que eu coloco a minha filha na escola de manhã, às 2 da tarde ela vai pro inglês, às 3 ela vai pra natação, às 4 da tarde ela vai pro judô. Então, ela tem uma agenda de uma pessoa adulta. E evidente que quando eu imponho a uma criança que não está preparada ainda para administrar uma uma agenda ou atividades, ela não tem compreensão para isso, porque ela precisa de tempo, tempo livre, tempo em que ela possa estar envolvida nas questões de criança, como o próprio brincar. O brincar é saudável. No brincar, uma criança vai revelar eh o seu lado emocional, como é que ela está diante da da vida que ela tá experimentando no contexto familiar,

riança, como o próprio brincar. O brincar é saudável. No brincar, uma criança vai revelar eh o seu lado emocional, como é que ela está diante da da vida que ela tá experimentando no contexto familiar, onde quer que ela esteja inserida. Então ela precisa ser criança, ela tem que cumprir compromissos, evidentemente, mas ela não pode ter uma agenda de adulto. Caso contrário, ela já vai deflagrar processos de ansiedade por ter que atender exigências e uma e horários que não correspondem momentaneamente. É uma necessidade da criança, é uma necessidade dos pais que muitas vezes não tem tempo de cuidar dos filhos, não tem possibilidade de estar presentes e impõe uma agenda como essa. Aí se reflete, né, Larissa, no adulto, no idoso. >> Sim. Pero, sim. E nós eh temos aqui, né, eh graças a Deus vemos que estamos eh graças a a todos, né, que estamos desenvolvendo hoje. Já existe uma consciência maior dessa questão da criança, né, da questão tanto de de da visão sobre a birra, da visão sobre as emoções. Mas nem sempre foi assim. Nós sabemos que há pouco tempo que a criança foi entendida como criança. Ela era entendida como um pequeno adulto até o a questão de ser útil para o trabalho. Mas tirando isso, ela era um pequeno adulto e durante isso, muitas gerações se passaram sem esse entendimento, né? Então, hoje nós podemos ter adultos, né, como temos eh idosos frustrados, né, eh vendo essa esse desafio de viver com um olhar já mais desgostoso, talvez não tão eh não tão mais vivo para isso. O que fazer agora, Delson, nesse momento? Que bom, já estou com já, já passei da fase de infantil, adolescente e encontro as frustrações da vida que e são reflexos de todo de tudo isso. O que fazer nesse desafio de viver na busca, claro, da do bem-estar, da felicidade? >> Bem, um idoso de 2025 não é o mesmo idoso da década de 60. A dinâmica do mundo hoje é outra. Então, eh, quando o idoso percebe que tem mais passado do que futuro, a depender da sua construção familiar, trabalho, se ele viver num processo de

o da década de 60. A dinâmica do mundo hoje é outra. Então, eh, quando o idoso percebe que tem mais passado do que futuro, a depender da sua construção familiar, trabalho, se ele viver num processo de frustração, é evidente que ele vai estar mais vulnerável e mais frágil, porque ele não tem a compreensão de que cumprir um ciclo, ele não vai ter a visão espírita, por exemplo, para dizer assim: "Ah, não, eu vou ter uma nova oportunidade, então deixa eu aproveitar esse momento que eu tenho, aquilo que eu tenho pela frente, que eu não sei quantificar. Mas que eu posso dar qualidade de vida ao que eu tenho para fazer hoje, me tornando uma pessoa útil, me tornando uma pessoa produtiva, porque as pessoas acabam entendendo que se tornar idoso é sinônimo de viver parado, esperando a morte chegar. São compreensões equivocadas. A a a a a dinâmica de vida hoje atual moderna, ela traz também para a pessoa idosa um potencializa a frustração quando ela não conseguiu, não consegue gerir as suas emoções. Isso precisa ser falado. Então, da maneira que eu me preocupo com os cuidados emocionais da criança, do adolescente, do adulto, eu tenho que me preocupar com os cuidados emocionais do idoso. meio espírita, especificamente, as pessoas falam: "Vamos cuidar da evangelização infantil, evangelização infante juvenil." Eu venho dizendo, vamos cuidar também da evangelização dos idosos, dos idosos. É importante nós fazermos isso. Então, veja, o nosso período aqui na Terra, a nossa estadia, nas fases que nós enfrentamos, desde a infância até a Seneectude, são fases em que a a percepção cognitiva das pessoas vai mudando, vai mudando. A proximidade da morte física, ela traz um chamado à realidade de que a vida aqui é passageira. Então, eu preciso amadurecer, eu preciso eh olhar paraa minha história e perceber, caramba, eu não fui muito feliz nas escolhas que eu fiz, mas isso era lá naquele momento. Tô vivendo uma nova etapa agora. Eu posso ter uma nova atitude perante a vida e vou fazer das experiências fracassadas um recurso para

o feliz nas escolhas que eu fiz, mas isso era lá naquele momento. Tô vivendo uma nova etapa agora. Eu posso ter uma nova atitude perante a vida e vou fazer das experiências fracassadas um recurso para ajudar outras pessoas, para que elas não fracassem como eu me sinto hoje. Eu já vou est sendo útil, né? Já vou est trazendo uma contribuição. A dificuldade é tirar as pessoas dessa letargia com relação à maneira como elas se olham, a maneira como elas se veem. Então, é esse o papel do espiritismo, não é? Não dos espíritas, porque nos infelizmente no meio espírita existem uma existe uma muita visão distorcida, né? A gente tem que ampliar, porque o espiritismo é um olhar para o futuro do ser espiritual, do ser emocional, para dizer para todo mundo: "Olha, errou, não deu certo". Mas vale a pena, você tem que continuar. Não importa se você sangrou, o importante é que o momento agora é outro, é de despertar. E um dia que a gente desperte, mesmo que a gente tenha passado um período nebuloso, já vai iluminar nossa trajetória de espíritos imortais. Perfeitamente. Eh, a gente fica, eh, emocionado, reflexivo com tudo isso e vendo que eh nessa nisso tudo a gente fala sobre muito sobre se conhecer, sobre se entender, sobre ser fiel a si mesmo, né? Sobre ser fiel a seus princípios e dormir com a consciência tranquila, já que você está atendendo a esses princípios, você tá se entendendo como esse ser imortal. Eh, como você disse, o idoso de 2025 não é o mesmo idoso do do de um da dos anos anterior. E vemos que talvez conflitos que eram eh geracionais de uma geração para outra, agora já se mostram conflitos pessoais. Eu, a Larissa não é a mesma pessoa, a mesma Larissa de 5 anos atrás. A Larissa já se vê diferente hoje, né? O Adeíson não é o mesmo de 10, 15 anos atrás. Então, há um conflito que talvez durasse uma geração, agora às vezes nos encontra na própria vida e nos eh faz nos mudarmos, né? Eh, como é que você vê isso hoje e até trazendo, se você puder, eh, o seu exemplo de vida, né, diante

ez durasse uma geração, agora às vezes nos encontra na própria vida e nos eh faz nos mudarmos, né? Eh, como é que você vê isso hoje e até trazendo, se você puder, eh, o seu exemplo de vida, né, diante disso, o seu exemplo eh com mais de 80 livros publicados e no momento que você teve também eh que nós temos que falar sobre isso, eh, que esse momento que ele no qual ele se descobre como pai, né, e conte essa história para nós, para que para que possamos estar aqui. É, é, queremos que vocês e ouçam essa história com coração, porque é uma história que mudou muitas famílias, muitas vidas. Então, eh, Adeilson, conte para nós, eh, toda essa sua história, essa sua trajetória. Eu acho que eu vou desencarnar falando, contando essa história, porque as pessoas querem, tem curiosidade em saber, né? Aquilo que a meu ver, pelos meus olhos, deveria ser natural na relação pais e filhos, parece que acaba se tornando dentro do meu universo uma algo que tem que ser destacado quando deveria ser visto como uma prática comum, >> perfeitamente, >> que foi o acolhimento da da minha filha trans, né? Eu conto essa história, muitas vezes as pessoas me pedem. Eu estive em João Pessoa em julho, fiz uma palestra e na na oportunidade eu abordei a história com a minha filha e uma mulher presente me procurou depois me pegou pelos braços e pediu que eu nunca deixasse de contar essa história, porque o marido dela estava lá e ele precisava ouvir essa história porque eles tinham um filho gay e ele estava rejeitando o próprio filho. Então depois ele até veio falar comigo após a palestra e ela ficou assim muito emocionada. a minha, o meu filho anos atrás, eh, passou por um processo de se descobrir como mulher trans. Então, quando ele me contou que era uma mulher e que tinha se descoberto, tava fazendo tratamento psiquiátrico ainda, e eu disse para ele que onde ele não fosse aceito, eu não seria aceito, onde ele não fosse bem-vindo, ele não seria bem eu não seria bem-vindo. Eu me deparei com um momento em que eu

iquiátrico ainda, e eu disse para ele que onde ele não fosse aceito, eu não seria aceito, onde ele não fosse bem-vindo, ele não seria bem eu não seria bem-vindo. Eu me deparei com um momento em que eu tinha que pedir perdão pro meu filho, porque eu disse a ele que como palestrante em escolas e tudo mais, eu pedia para os pais prestarem atenção nos filhos e parece que eu não havia prestado atenção no meu filho. E ele com muito carinho me disse que eu não me preocupasse com isso. Mas eu me dava conta de uma dimensão muito maior. primeiro de trabalhar em mim uma gestação emocional e entender que o meu filho tinha morrido, entender que a minha filha estava nascendo. >> E num momento do seu filho, que já era um momento, né, eh, delicado para ele também já avançado, né, que ele já estava ali, né, ele tava três anos fazendo tratamento psiquiátrico, né, mas eu eu não sabia. Ele me comunicou que tava fazendo tratamento psiquiátrico porque havia se descoberto como mulher. Então eu entrei num processo de gestação emocional. Vai, eu denomino assim porque eu tinha que gestar uma filha, desconstruir um filho e gestar uma filha de que um filho homem adulto, né? E isso tudo foi eh de muito aprendizado para mim. acabei ocupando um lugar de fala nesse universo. Não carrego nenhuma bandeira. Eu carrego a bandeira da humanidade, da humanização das nossas relações, né, do entendimento. A minha bandeira é de que a gente não deve definir um ser humano pela cor da pele, pela orientação sexual, pelo uso de tatuagens, pelo uso de pixings. Isso não define o caráter de ninguém. E aí, evidentemente que diante do que o meu filho me trouxe, eu tive que entrar nesse aprendizado. E um mês depois eu fui encontrar pela primeira vez a filha. E chegando na porta do prédio, eu comprei flores numa floricultura em frente, fiz um cartão declarando meu amor, o meu apoio, meu carinho, etc. Peguei o elevador, 11 andares, cada andar um uma contração, né, no espírito, não era no ventre, mas no espírito. Até que cheguei no 11º andar e

rtão declarando meu amor, o meu apoio, meu carinho, etc. Peguei o elevador, 11 andares, cada andar um uma contração, né, no espírito, não era no ventre, mas no espírito. Até que cheguei no 11º andar e toquei a campanha do apartamento e de repente surgi uma mulher na diante de mim. Eu comecei a olhar para aquela mulher dos pés, as unhas pintadas, o calçado, a roupa, a maquiagem, os cabelos, né? Quando ela me viu com aquele com as flores nos braços, ela começou a chorar muito, né? Esse essa coisa de mulheres sensíveis. E eu comecei a chorar muito também. Essa coisa de quem é pai, eu não consigo compreender. Não entra na minha cabeça um pai que rejeite o filho. Eu não consigo entender isso. Não consigo entender alguém que defina filho por gênero. O que os outros vão pensar? Não, nunca amou o filho. Não tem compreensão da paternidade quem age assim, não é? E aí foi uma noite memorável, muito especial para mim, marcou minha vida, por isso eu tô aqui contando essa história. Eu já perdi as contas de quantas vezes eu contei essa história >> e ainda é necessário que se conte pro despertar de muitas outras pessoas. >> Eu tive num podcast, o rapaz fez um pílulas com essa minha fala e postou na internet e viralizou. Depois uma semana eu recebi mensagens de pessoas trans dizendo que gostariam que eu fosse pai delas. Aquilo mexeu comigo demais e fez eu entender que valeu a pena, sabe? Vale a pena, né? E mas a parte mais bonita, a minha parte é eu acho que é obrigação, né? De pai. A parte mais bonita é que o meu filho era casado, ele não tinha filhos. Quem ajudou ele quando surtou foi a esposa. Quem ajudou ele a fazer a transição do masculino pro feminino foi a esposa. E quem está casada com a minha filha, Ana Carolina, ela mora em Berlim, na Alemanha, é a esposa. A minha filha pediu exoneração. Ela tinha um emprego que todo mundo queria ter, funcionária pública federal, né? Funcionário público federal. E foi embora pra Alemanha. hoje é uma mulher muito bem-sucedida, trabalha como TI numa empresa de cartões

prego que todo mundo queria ter, funcionária pública federal, né? Funcionário público federal. E foi embora pra Alemanha. hoje é uma mulher muito bem-sucedida, trabalha como TI numa empresa de cartões de crédito na Europa e a esposa também tem uma vida muito boa, muito confortável e a gente vale a pena viver. E quem me quem me ensinou essa frase do rabino Newton Bonder foi a minha filha, porque quando meu com relação à identidade de gênero, ele foi ao teatro assistir a peça do livro A alma e moral do rabino Newton Bondery. E a frase do livro é essa: "A pior solidão é ausência de si mesmo." Então, meu filho despertou. Estou estava ausente de mim mesmo. E foi aí que ele se decidiu a fazer a dar um passo em direção a gênero que com o qual ele se identificava. >> E aí nós temos a prova de que o amor não é pelo gênero do outro, né? Você você não ama o gênero do outro? >> Você não ama pela genitária. Pela genitália a gente mantém relação sexual e de intimidade e é um complemento para uma relação afetiva. Não resta dúvida. Mas as pessoas não podem ser identificadas pela genitária masculina nem feminina, porque não é através disso que o amor se se torna perene na vida de um ser humano. Porque com o tempo, com a idade, essa volúpia da paixão, do desejo, também vai a serenar. E o que vai ficar para nós é o prazer de conversar com quem a gente ama. Nós agradecemos eh pelo Odeilson ter sido fiel a ele mesmo e ter trazido para nós um exemplo não somente de pai, mas como ele fala, ele fala como obrigação, mas nós vemos como um exemplo que às vezes não é seguido pela maioria. Então é um um exemplo como pai, como espírita, como cidadão, como pessoa que tem empatia pelo sentimento dos outros, que tá cumprindo a sua função de ser eh útil na terra, né? Eh, eu eu admiro muito você, Ailson, agradeço muito e espero que todos nós continuemos com as suas, né, com toda com todo o seu aprendizado que sempre vai nos trazendo mais alegria de viver. Se você pudesse hoje, né, deixar um recado para as pessoas dizendo

ero que todos nós continuemos com as suas, né, com toda com todo o seu aprendizado que sempre vai nos trazendo mais alegria de viver. Se você pudesse hoje, né, deixar um recado para as pessoas dizendo que vale a pena esse desafio, eh, você se mantendo fiel a você mesmo, eh, qual frase você usaria para isso? >> Olha, Larissa, eu não sei se seria uma frase de efeito, né? Mas eu posso dizer a você que a sua vida vai se tornar mais consentida à medida que você se apropriar de si mesmo e saber quem você é, de parar de atender os modelos que o mundo tá vendendo e você tentar se adequar a esse modelo. É importante, importante demais que você esteja eh em sintonia consigo mesmo. Não se abandone, não viva a solidão de si mesmo. Ou como eu coloquei lá no meu livro Inimigo íntimo, que é um livro que eu escrevi como psicanalista, uma frase que diz assim: "O cúmulo da rebeldia é você morar sozinho e querer fugir de casa, mas da sua casa interior. Eu desejo que você permaneça em sua companhia e seja fiel a si mesmo." Pessoal, nós agradecemos muito e logo teremos a palestra do Odeísson aqui no nosso congresso de Juiz de Fora. E eu peço a você que siga ele nas redes sociais pra gente continuar com esse conhecimento compartilhado. Siga, siga também o Conecta e acompanhe as nossas próximas entrevistas aqui. Obrigado. Boa noite,

Mais do canal