🎙️ Podcast CONECTA ESPIRITISMO – CONECTA.ON com Andrei Moreira
O espaço onde as grandes ideias ganham voz. Um bate-papo leve, inteligente e inspirador com as principais personalidades presentes no Congresso Espírita de Campinas 2026. Conversas que conectam experiências, ampliam visões e aproximam corações. Aqui, o conteúdo vai além do palco — ele pulsa, dialoga e transforma. Realização: Conecta Espiritismo Produção e Gestão: TV IDEAK 🌐 www.conectaespiritismo.com.br
Olá, amigos queridos participantes do congresso, do nosso congresso espírita de Campinas. Conectar Conecta Espiritismo Campinas. Peço desculpas aqui eh por esse equívoco do nome. Nós estamos muito felizes de reencontrar vocês recebendo hoje o nosso amigo querido Andrei Moreira. Ele é escritor de várias obras sensacionais. Nós estamos aqui com uma delas que chama muito a nossa atenção, que mexe muito com as nossas emoções. Se você não se curar do que te feriu, irá sangrar em cima de quem não te machucou. Andrei Moreira, boa tarde, bem-vindo. >> Olá, Gutemberg. Olhar os amigos que nos ouvem. Uma alegria a gente partilhar aí essas reflexões. Vocês participam de tanto congresso Cutemberg, é tanta é tanta bênção de transmissão, de coisa, que até a gente tem que atualizar o nome de onde que a gente tá. >> Nós estávamos ali embaixo conversando agora a pouco, né, com o Gustavo, com outros amigos sobre o congresso de Juiz de Fora. Aí eu fiquei com, já ia falar congresso de Juiz de Fora, mas estamos aqui no Conecta Espiritismo Campinas 2026. Frisando bem que esse evento tá maravilhoso, né, Andrei? Evento tá com a energia gostosa, expositores incríveis e o tema a dor. Então não podia faltar aqui no nosso bate-papo Andrei Moreira, que esse esse livro é um livro curativo, é um livro de profilaxia e de cura. Então por favor, Andrei, como é que foi a concepção dessa obra tão bacana? É sim, Gutemberg, essa obra ela é uma obra terapêutica, então ela vem do do meu percurso como médico homeopata, como terapeuta sistêmico, do trabalho com pessoas, casais, famílias, grupos. E algo que sempre me chamou muita atenção foi que muitos de nós temos todos os elementos cognitivos, racionais ou de informação para nos transformarmos, mas resistimos à transformação ou não a efetuamos? Então eu me ocupei de investigar os fatores de resistência dentro de nós, de fixação, de dificuldade para o novo, para a mudança. E aí eu cheguei nas feridas infantis, né, nos movimentos das feridas infantis, que >> o capítulo quatro que eu já tava aqui
ência dentro de nós, de fixação, de dificuldade para o novo, para a mudança. E aí eu cheguei nas feridas infantis, né, nos movimentos das feridas infantis, que >> o capítulo quatro que eu já tava aqui lendo enquanto você não chegava. >> É isso aí. e dentro da da visão reencarnacionista, feridas que atualizam feridas antigas que já vêm do passado e que geram novos efeitos dentro do processo pedagógico da reencarnação. Então, esse livro ele explora as feridas infantis, as defesas psicológicas que nós desenvolvemos, que são de dois tipos, de retração e de expansão. as os padrões afetivos que nós desenvolvemos ao longo da vida adulta, que são consequência daqueles que nós aprendemos na infância, somados às nossas defesas e como que isso repercute nos relacionamentos. uma parte como diagnóstico, como compreensão, como entendimento e outra como caminho de cura interior, que então o mais importante é se eu me conscientizo disso e se eu percebo isso, que movimento eu posso fazer dentro de mim diante daquilo que eu verdadeiramente necessito. >> Então, o primeiro passo é se conscientizar, né, de desse processo todo, >> é reconhecer que todos nós somos feridos. todos nós >> não tem ninguém que não seja não. >> Para dar assim um gostinho. Eu sei que muita gente já comprou, já leu o livro porque a obra realmente fantástica, >> mas eu queria explorar um pouquinho você quando você fala aqui no capítulo 4atro, ó, reconhecendo as feridas infantis, as defesas do ego e os movimentos de solução. Aí você fala de rejeição, de abandono, de injustiça, de humilhação, violência e traição. Que temas incríveis, hein? >> É, essas são as principais feridas infantis. Todos nós temos alguma delas, vários de nós temos várias delas e alguns de nós gabaritamos todas. Temos todas elas combinadas no meio de várias experiências. O interessante é que quando a gente fala do tema das feridas infantis, as pessoas geralmente associam a eventos traumáticos muito intensos, como uma violência, um abuso ou uma
de várias experiências. O interessante é que quando a gente fala do tema das feridas infantis, as pessoas geralmente associam a eventos traumáticos muito intensos, como uma violência, um abuso ou uma situação de espancamento ou de violência psicológica. muito clara e sem dúvida essas atitudes elas geram um efeito muito danoso na criança e por consequência no adulto. Mas a imensa maioria das nossas feridas não vem desse contexto. Elas são derivadas de micro traumas que repetidos se tornam um grande efeito ou uma grande marca em cada um de nós. Então, se tinha palavras de afirmação ou não naquela família, se tinha cuidado, se tinha afeto, se tinha presença, se os pais brigavam e se os filhos eram colocados no meio daquela relação de casal, se os filhos precisavam se ocupar uns dos outros como irmãos no lugar dos pais, que leitura nós fizemos do ambiente familiar, do afeto que estava ali ou não? Então, a maior parte das nossas marcas vem disso. Enquanto crianças, nós não temos força para resistir. O espírito retorna a reencarnação maleável. É como um barro fresco na mão do oleiro e ele vai tomar a forma que aquela mão intencionar, >> não é? para que depois ele possa na adolescência comparar aquela marca que recebeu com a os do passado, consolidar movimentos de renovação ou não através do seu próprio livre arbítrio. O fato é que na infância, então, esse barro fresco e moldável, ele tá muito sensível. sensível, porque nós priorizamos o vínculo. O vínculo ele é tão sagrado para nós na existência que sem ele a gente não existe. Então, para priorizar vínculo, a gente inibe autenticidade. Significa mais importante que a gente se sinta amado, tenha presença, tenha cuidado do que de sermos espontâneos, autênticos, afetuosos. Assim nós vamos nos conformando para caber e ao nos conformar nós nos deformamos. aquilo que era o natural em nós se esconde e a gente passa a desenvolver uma série de reações a esta conformação, defesas psicológicas, padrões afetivos e marcas que vão passar a vida inteira ativas em
quilo que era o natural em nós se esconde e a gente passa a desenvolver uma série de reações a esta conformação, defesas psicológicas, padrões afetivos e marcas que vão passar a vida inteira ativas em nós. E nós vamos ficar a vida inteira chamando de eu e de meu aquilo que não é nem eu nem meu. A minha baixa autoestima, meu controle, a minha rigidez, a minha vergonha, a minha culpa. Eu eh tímido, eu arrogante, >> se você tomasse posse dessas coisas, né? Então, tirar esse pronome possessivo da vida, né? >> Isso. Essas questões são todas recursos de sobrevivência que são hoje bem estudados pela psicanálise, pela psicologia e que eu tratei de colocar numa linguagem pedagógica para que ficasse na compreensão de todos. Mas o fato é que nós não somos as nossas defesas. Nós nos identificamos com a nossa dor e nos identificamos com a nossa defesa. Mas quem nós somos? Nós somos aquela espontaneidade que se escondeu. Nós somos aquela autenticidade que não pôde se manifestar. Nós somos aquela verdade que não teve lugar, né? Aquela voz que se calou, aquela alegria que se inibiu ou que teve que se hiper excitar para ser notada, para aparecer. >> Uhum. E o processo de desenvolvimento pessoal, de maturidade, de cura interior, é ao longo da vida nós irmos amorosamente visitando esse que existe dentro de nós para acolhermos a nossa própria vulnerabilidade. Porque se nós não fazemos isso, a nossa dor fica no comando, a nossa defesa fica permanentemente ativada e nós ficamos reagindo ao invés de agir, ficamos sobrevivendo ao invés de viver. né? Então, o processo de cura é esse movimento interior que aos poucos nós vamos visitando essa nossa história. Fernando Pessoa tem uma um versinho que eu gosto muito. Ele diz assim: "A criança que fui chora na estrada, deixei-a ali quando vinha a ser quem sou. E hoje que vejo que o que sou é nada, quero ir buscar quem fui, aonde ficou". Que lindo, maravilhoso, muito bom esse resgate aí de Fernando Pessoa. E a gente às vezes não se dá conta mesmo de como
ou. E hoje que vejo que o que sou é nada, quero ir buscar quem fui, aonde ficou". Que lindo, maravilhoso, muito bom esse resgate aí de Fernando Pessoa. E a gente às vezes não se dá conta mesmo de como lá atrás alguma coisa ficou, né? Antigamente eu sou de uma geração em que os pais meio que induziam a gente o que que você vai ser quando crescer. Eu queria que você fosse e aí vem aquele aquele aquela receita de bolo prontinho, né? médico, advogado, sem dar sem se dar conta de que ali dentro daquela criança tem um espírito que tem a sua formação milenar, os seus desejos e propósitos reencarnatórios, né? Eu passei por isso que meu pai sempre gostava de quando chegava visitas dizer: "Fala para eles, meu filho, o que que você vai ser". Eu falava meio tímido porque na verdade era o que ele queria que eu fosse, o médico, porque já tinha muito advogado na família, tinha isso, tinha aquilo e médico não tinha. Então era a vontade dele que não realizou provavelmente na trajetória reencarnatória dele, né? E só fui me dar conta disso quando eu não passei no vestibular para medicina e resolvi fazer letras para esperar aquele ano passar e tentar de novo medicina até que passasse. E percebi que na faculdade de letras eu me encontrei, me tornei professor e me apaixonei. Eu consertei isso já na fase adulta. Então é muito interessante você colocar essa questão do do vazio existencial que pode trazer uma um adulto que teve a sua a sua infância reprimida, né, André? >> Muito lindo o seu caso e a sua seu exemplo. E que bom que você conseguiu fazer, porque muitos não dão conta. vão passar uma uma vida numa profissão que lhe insatisfaz para agradar pai, para agradar a mãe, ou vão casar com tal pessoa, vão ser de tal religião, ou vão morar colado na casa de pai e mãe ou dentro pro mesmo terreno. Ou seja, são muitas as formas. Os pais muitas vezes não percebem a projeção que fazem nos filhos da sua própria história e da dor da sua própria criança. Porque os pais não são maldosos quando estão fazendo
a, são muitas as formas. Os pais muitas vezes não percebem a projeção que fazem nos filhos da sua própria história e da dor da sua própria criança. Porque os pais não são maldosos quando estão fazendo isso, não. Eles fazem isso às vezes sem nem perceber que estão projetando ali, né, que estão dizendo pros filhos, seja a continuidade dos meus sonhos ou seja a realização dos meus sonhos. Mas o fato é que nenhum filho vem à vida para ser a realização dos sonhos do pai. Todos os filhos vem a vida para ser si mesmo. >> É, André. E eu queria aproveitar a sua grande experiência nesse nesse n relacionado ao tema que eu vou te perguntar, porque essa repressão, né, na infância, ela passa muitas vezes pela questão da sexualidade. É, eu tenho um amigo muito querido que na fase adulta ele ele se revelou, né? Uma pessoa que eu lhe dei a vida toda e ele reprimia até para mim que era amigossexual, ele não tinha liberdade de falar isso em casa, no grupo social, no grupo de amigos. Ele gostava de esporte, então o grupo de meninos que jogavam com ele provavelmente iam recriminá-lo, né? E só na fase adulta que ele pôde então se declarar, contou com uma uma tragédia familiar que foi a não aceita por parte do pai, a mãe acolheu e aí criou criou-se ali um problema entre o pai e a mãe, um apoiando, o outro não. Como é que fica a criança no meio disso tudo, Andrei, com a a mente tão imatura ainda, tão tão tenra, né? fica fortemente impactada pela pelos desejos dos pais, pelas expectativas e pelo conjunto de crenças da família. Foi a mesma coisa que aconteceu comigo, né? Eu só fui assumir minha homossexualidade com 21 anos de idade. Tentei me heterossexualizar de todas as formas. Não conseguia nem dizer para mim mesmo: "Sou homossexual". Tamanho nível da repressão e da homofobia internalizada. e só fui fazendo isso aos poucos, no final da adolescência, início da vida adulta, até dar conta de fazer esse passo. E foi um processo muito sofrido, né? Isso porque enquanto criança eu já percebia qual era a os pensamentos
s poucos, no final da adolescência, início da vida adulta, até dar conta de fazer esse passo. E foi um processo muito sofrido, né? Isso porque enquanto criança eu já percebia qual era a os pensamentos dos meus pais a esse respeito mesmo, que eles não quisessem impor nenhuma eh vontade ou verdade. Aquilo já era transmitido naturalmente pela cultura, pela forma de reagir, pela rigidez familiar ou pelos códigos morais que que são vividos na família. Uma boa parte das pessoas vive isso, Gutemberg vai reprimir e vai viver na vida adulta. uma dificuldade muito grande de manifestar ou a sua bissexualidade ou de assumir a sua homossexualidade. Muitos só vão fazer isso depois de casar, ter filhos e às vezes de infelicitar a si mesmo e a outros dentro de relacionamentos, né? Que bom se os pais pudessem acolher os filhos com mais naturalidade. A gente tava ali embaixo conversando entre amigos, né? todos nós homossexuais a respeito disso. Você tava eh ali presente aquela hora, na hora que eu fui contar o meu caso. E a antes de eu contar, o o nosso querido Tarcis tava contando para mim a história dele e ele falou: "Ah, eu cheguei para minha mãe, para mim só foi difícil contar paraa minha mãe". E na hora que eu cheguei para ela, ela falou: "Eu acho que eu já sei, meu filho, que você vai me contar. Então me conte logo, mãe, que que você já sabe que facilita minha vida. Você gosta de meninos?" É, gosto. Ah, a gente já sabia. Ah, mas e painho? também já sabe. Aí falou assim: "Eu, vocês me deixaram viver nessa angústia esse tempo todo?" >> Você viu, >> você veja, é uma família que já tava preparada para aceitar, que já tinha percebido, mas não tinham coragem nem chegar pro filho para poder conversar sobre isso. E o filho lá vivendo o sofrimento de que que meu pai e minha mãe vão achar, até perceber que tinha dois corações amorosos e acolhedores dentro de casa que podiam dar suporte para ele, né? Então tem muit tem muitos cenários diferentes que geram muita muita pressão, né? Fato é que se os pais
ue tinha dois corações amorosos e acolhedores dentro de casa que podiam dar suporte para ele, né? Então tem muit tem muitos cenários diferentes que geram muita muita pressão, né? Fato é que se os pais puderem auxiliar os filhos a ser si mesmos, isso é muito importante. dizia antes, né, que os filhos não vem para ser o sonho dos pais, vem para ser si mesmos e claro que devem o máximo respeito e toda a honra, né, aos pais, uma conexão eh importantíssima, sistêmica de honra, mas conexão de honra não é uma obediência cega, não é seguir as vontades dos outros, porque na vida adulta cada um tem direito de ser si mesmo, naturalmente, né, de fazer as suas escolhas com a sua liberdade e também pagar o preço que custa eh cada escolha, né? Mas esse é um trabalho de individuação, de maturidade, de cura interior, de transformação, que é processual, demanda tempo e cada um faz de uma maneira. >> É, eu já ia justamente te perguntar quanto tempo demora isso, né? Porque às vezes demora uma vida, né, Andrei? >> E às vezes nem se nem se é feito durante uma vida. Então, tem gente que vai desencarnar e só vai lidar com aquilo que é verdadeiramente ou sente verdadeiramente do lado de lá. E isso é muito importante. Eu me lembro sempre do espírito irmão Jacó, que é o Frederico Figner, que foi presidente da Federação Espírita Brasileira e escreveu o livro Voltei. >> Ele tinha um trabalho magnífico do ponto de vista social e espiritual, mas ele se surpreende ao chegar no mundo espiritual e perceber que, apesar de ter sido acolhido numa colônia superior, ele não trazia o corpo espiritual iluminado, como os outros traziam. E ele sem vergonha. E aí eles dizem, né? Você trabalhou muito para fora e esqueceu-se de iluminar para dentro. Iluminar para dentro é esse autoconhecimento. É a coragem de poder olhar e iluminar a nossa sombra. Nossa sombra não é não chama sombra porque ela é negativa, não. Chama sombra porque está no lado oposto ao da luz da consciência. é o que não é visto na nossa sombra tem as
e iluminar a nossa sombra. Nossa sombra não é não chama sombra porque ela é negativa, não. Chama sombra porque está no lado oposto ao da luz da consciência. é o que não é visto na nossa sombra tem as dificuldades, mas tem também a nossa potência, a nossa verdade, a nossa autenticidade que se escondeu. E esse trabalho pessoal de entrar para dentro, reconhecer e sair para fora para servir a vida com aquilo que nós verdadeiramente somos, é o trabalho que cada um de nós precisa fazer. É autoiluminação, né, de transformar-se e poder servir a existência, mover-se na direção do outro. ir na direção do divino com a própria verdade, com aquilo, com aquilo que é marca de Deus em nós. >> O acolhimento, como você mesmo disse, acho que a grande palavra chave, né? É, eh, permitir que o filho, a filha e às vezes o pai e a mãe possam ter no outro, né, no no parente ali o acolhimento que precisa para se abrir, para contar o que sente, né? Mas eu quero dizer à equipe técnica que nossa nossa entrevista deve passar de 2 horas, viu? Se preparem aí porque o tema tá muito bom e a gente ainda tá explorando Andrei no capítulo 4. E aí, Andrei, tem uma uma uma outra um outro ponto que você toca aqui que é da dor a cicatrização. Você começa dizendo toda ferida dói. >> Toda ferida dói. Significa que todos nós temos sintomas das nossas feridas. Quais sintomas? O ciúme, a possessividade, o medo, a vergonha, a culpa, a arrogância, o controle são dores. A não aceitação, sobretudo aquela voz autocrítica dentro de nós que é profundamente cruel. A marca das nossas feridas infantis, quaisquer que sejam elas, são três sentimentos: medo, vergonha e culpa. E eles combinados, eles formam uma forte visão autocrítica dentro de nós que aponta o dedo o tempo todo. Você não dá conta, você não é, você não faz, você não é suficiente, você não é bonito, você não vai conseguir, mas o outro é melhor. Mas isso não é tão bom, mas talvez não seja verdade. Leva a gente a duvidar do afeto do outro, do elogio, do gera aquele
é suficiente, você não é bonito, você não vai conseguir, mas o outro é melhor. Mas isso não é tão bom, mas talvez não seja verdade. Leva a gente a duvidar do afeto do outro, do elogio, do gera aquele aquela luta interna consigo mesmo. Isso é a dor, mas isso não somos nós. Isso é só a voz das nossas feridas. O problema é que a gente se identifica tanto com isso que a gente passa a achar que a gente é isso. E o processo de cura é desenvolver uma voz autocompassiva, respeitosa, acolhedora, amorosa. Ser segurança para nós mesmos, criar relações e estruturas de segurança que nos faltaram, buscar curar as nossas feridas no caminho da reconciliação com as imagens internas de pai e de mãe. Por que que eu falo imagens internas? Porque às vezes as pessoas acham que tem que aceitar o pai ou a mãe do jeito que o pai e a mãe é. Então, se é pai e mãe, tem que aceitar daquele jeito e tem que horrar. Não, às vezes o pai é abusador, a mãe é narcisista, tem uma tem situações, você tem que reconciliar com a sua imagem interna de pai e mãe, aprendendo a olhar para aquilo que tá cheio daquela pessoa, poder tomar força da da de uma conexão que é honrada. a relação, como que vai ser uma consequência desse movimento. Às vezes vai poder ter proximidade, às vezes vai precisar de distância, às vezes vai, o afeto vai surgir espontâneo, às vezes não. Isso são movimentos que são consequências. Mas dentro de nós, nós temos que, através do movimento de autocompaixão, compromisso consigo mesmo, amoroso, terno, cuidador, a gente cuidar das nossas feridas internas e poder abraçar esse movimento de de expansão que a gente necessita. Então, tudo, toda a ferida dói, mas o remédio também tá dentro da gente. >> Existe também, né? E os cenários, como você mesmo colocou, são muitos, né? Existem aqueles, como você acabou de contar aí do nosso amigo querido, que teve o acolhimento e a percepção prévia dos pais. Existe também alguns que se impõem de forma muito agressiva ou abandonam lá, mesmo sem dialogar sobre
acabou de contar aí do nosso amigo querido, que teve o acolhimento e a percepção prévia dos pais. Existe também alguns que se impõem de forma muito agressiva ou abandonam lá, mesmo sem dialogar sobre essa questão. Eh, como lidar também, Andrei, com a questão do perdão por parte daquilo que não foi compreendido? Porque isso pode também gerar uma relação de ódio que pode se expandir também para o resto da vida e até para outras vidas, né? Pode. E tem muita gente que não que não consegue, né? Eu lembro sempre do Milton Coinha, por exemplo, contando a história dele com os pais dele. Ele sofreu muita violência por parte do pai. E alguém pergunta para ele, né, e você conseguiu resolver isso há tempo? Ele não, não deu tempo, né? Ou seja, meu pai desencarnou sem que a gente pudesse se reconciliar. minha mãe também. E e ele mostra o caminho da sobrevivência dele, né, enquanto força que se afirma, dignidade que se afirma e mas a o caminho da reconciliação ele não foi, né, realizado. É interessante perceber que perdão é liberação de si mesmo. A consequência do perdão é um movimento na direção do outro, mas o perdão é liberação da dor. Enquanto aquele que foi ferido, incompreendido, não aceito, não amado, fica preso no universo dessa não aceitação, cultivando esse movimento, acaba se ferindo novamente, ressentindo o ato agressor. E a neurociência não explica que toda rememoração é reviver. Então, no momento que eu me lembro, eu revivo, eu produzo a neuroquímica cerebral e corporal semelhante aquele evento original. Então, se uma memória de um ato agressor, de uma violência, de um abuso, eu estou permanentemente me autoviolentando, me abusando e me maltratando. Assim, o perdão é uma exoneração da dor de si mesmo. É um carinho e um cuidado consigo, é liberar-se do peso do sofrimento. Todos merecem fazer por si aquilo que precisam, né? Shakespeare usava essa expressão tão interessante. Beber, guardar mágoa é beber veneno desejando que o outro morra. A gente guarda em nós desejando que seja atuado
azer por si aquilo que precisam, né? Shakespeare usava essa expressão tão interessante. Beber, guardar mágoa é beber veneno desejando que o outro morra. A gente guarda em nós desejando que seja atuado sobre o outro, mas ele vai agir em quem tá guardando. Então, a exoneração desse veneno que é guardado é uma ressignificação que cada um precisa fazer consigo mesmo, com a sua história. É um trabalho pessoal, é uma maturidade, é a escolha ética do que que você escolhe fazer com aquilo que te fizeram. é aquilo que você escolhe se tornar a partir do que te aconteceu. E é um sair do lugar de vítima pro lugar de responsável. vítima é quem a a gente fica na vítima quando a gente fica olhando para quem é culpado, quem é o autor da agressão, quem é o responsável por ter feito aquilo. A gente fica no lugar vitimado. E embora, por exemplo, nas nas feridas infantis todos nós sejamos vítimas, não nos convém ficar no lugar do vitimado, porque é um lugar de ausência de poder. Ser responsável não é ser ocupado por algo. é responsável é quem tem poder pessoal para fazer alguma coisa com aquilo agora. E no momento atual, quem pode atuar sobre os efeitos daquelas feridas, sobre as defesas, sobre o o núcleo que ainda dói, somos nós. Então, autorresponsabilização é o desenvolvimento de uma competência amorosa que se ocupa de si mesmo sem ficar preso no lugar vitimado. Isso é perdão. >> Muito bem. Eh, e eu estava aqui refletindo quando você falava eh sobre a importância do perdão e o que é de fato um perdão. Nós temos visto que as pessoas estão conseguindo dialogar um pouco melhor com a possibilidade de buscar ajuda, né? Eh, como é que você pode nos trazer essa questão? As pessoas estão buscando mais ajuda, devem buscar ajuda. Qual é o processo realmente para sanar esse problema? Todos nós precisamos de ajuda. Ninguém dá conta sozinho. Precisamos pedir ajuda, precisamos ofertar ajuda. Então, ajuda médica, ajuda psicológica, ajuda espiritual, ajuda emocional dos amigos, partilhar, dizer do que está sentindo,
Ninguém dá conta sozinho. Precisamos pedir ajuda, precisamos ofertar ajuda. Então, ajuda médica, ajuda psicológica, ajuda espiritual, ajuda emocional dos amigos, partilhar, dizer do que está sentindo, buscar alguém que possa te escutar, trabalho terapêutico em que você possa elaborar aquilo que sente, ajuda médica diante dos sintomas, das necessidades emocionais, né? Como eu trabalho com a medicina homeopática, eu conheço o efeito da homeopatia sobre essas questões físicas e emocionais, é de extremo auxílio, né, pro movimento do desenvolvimento pessoal. Então, a gente tem que pedir ajuda. Ah, mas eu tenho que aguentar sozinho ou eu tenho que dar conta sozinho. Essa é a voz do orgulho, essa é a voz da autossuficiência, é a voz do da hiperutonomia, que foram defesas que nós ativamos na infância para sobreviver. >> Uhum. quando não éramos notados, não éramos vistos, não éramos, não nos sentíamos amados, ou quando para poder acalmar aquela casa ou atender a a dor de um adulto, a gente se ocupou daquilo que não era responsabilidade nossa e aí passa pela vida com aquela ferida de abandono e a hiperautonomia no sentido de eu resolvo tudo aí e é a Mulher Maravilha, é o homem Superman, é o Durão, é o Ris rígido, mas que no fundo é uma criança abandonada, que ainda pede colo e carinho e afeto de si mesmo, né? E pedir esse colo é extremamente importante. Eu me lembro na minha final da minha adolescência, início da vida adulta, o quanto uma médica antroposófica me acolheu e como eu me sentia feliz quando eu saía daquele consultório, porque era o único espaço aonde eu podia ser eu mesmo. Eu não conseguia partilhar com os amigos, eu vivia uma solidão e uma hiperautonomia interior e naturalmente uma grande um grande sentido de falta e de rigidez. Mas ali eu relaxava. Então o poder de uma de um espaço de cuidado terapêutico, ele é muito importante. Pouco a pouco a ferida vai fechando, a gente vai desenvolvendo outras competências, vai nutrindo aquelas sementes que não puderam se desenvolver na infância, né?
o terapêutico, ele é muito importante. Pouco a pouco a ferida vai fechando, a gente vai desenvolvendo outras competências, vai nutrindo aquelas sementes que não puderam se desenvolver na infância, né? Nós vamos nos tornando pai e mãe de nós mesmos, não o que a gente teve, mas o que a gente precisou ter tido. Com o carinho afeto que a gente gostaria que os nossos pais tivessem tido, a gente vai se dando esse cuidado e aos poucos então essas competências novas, habilidades, afetos vão preenchendo esses lugares, né, de vazios dentro de nós. E embora um vazio sempre permaneça, porque faz parte da existência, a gente ter um vazio interior, a gente vai se tornando mais autônomo e mais capaz desse cuidado e do florescimento espiritual. >> E você é terapeuta e trata, dentre as várias formas de terapia que você emprega com as suas formações, a constelação familiar, né, Andr? Você pode falar pra gente como é que funciona? Posso, é até um ótimo tema falar disso, porque é um tema que tem sido muito desrespeitado, muito atacado por conta de ignorância e de informações falsas que circulam muito na internet. Eh, eu trabalho com a constelação desde 2014 de maneira muito séria e responsável. E aquela que eu conheço e pratico é uma fonte de bênçãos muito grande, porque é uma filosofia sistêmica que nos dá a compreender o nosso vínculo com o nosso sistema de origem, com os nossos pais, com nossos avós, com nossos bisavós, com os nossos antepassados, com a nossa ancestralidade e com a o movimento de amor que passa de geração para geração. E quando eu falo movimento de amor, não falo apenas do amor bonito, positivo e saudável. Falo também de um amor cego, um amor de lealdades invisíveis, de repetições, de vínculos emaranhados, que leva a gente a repetir destinos, repetir comportamentos, a manifestar características e e circunstâncias que estão ligadas a coisas que foram vividas lá atrás, né? Então, enquanto filosofia sistêmica, de uma aplicação muito prática, a constelação familiar, quando bem vivida
cterísticas e e circunstâncias que estão ligadas a coisas que foram vividas lá atrás, né? Então, enquanto filosofia sistêmica, de uma aplicação muito prática, a constelação familiar, quando bem vivida responsavelmente, ela nos leva a ampliar a nossa percepção de nós mesmos, dos vínculos de amor que temos com o nosso sistema e, sobretudo das posturas que nos ajudam a entrar nos movimentos de liberação pessoal, não só nossa, mas daqueles que vem depois. Porque quem libera a si mesmo também libera aqueles que vêm depois. Cada vida que se torna mais leve, torna mais leve a vida dos seus descendentes. E esse é um bonito movimento de amor, né? Cada cada pessoa que se cura ajuda muitos outros a se curarem. Então é uma filosofia prática que ajuda a gente a olhar para essa natureza de vínculos. No entanto, como toda campo filosófico e terapêutico precisa ser feito por pessoas responsáveis, sérias. E esse é o problema da constelação. Nós não temos regulação no Brasil. Qualquer pessoa pode fazer um curso, pode fazer, pode se dizer constelador, pode aplicar. a imensa maioria das coisas que se diz que a constelação não é, são feitas de forma irresponsável e aí acabam como tudo tendo os seus movimentos de desacerto, né? Então é preciso que as pessoas que sentirem que esse pode ser um caminho de utilidade para elas, saibam com quem fazer. Primeiro conheçam porque não se faz nada porque tem que fazer. Nem porque outra pessoa diz: "Ah, vá fazer uma constelação, você tem que fazer". Não, ninguém tem que fazer. É só uma ferramenta que tá aí disponível, que pode ser útil para aquelas pessoas que estiverem na sintonia com ela, mas tem que conhecer, tem que saber, tem que procurar, tem que se instruir a respeito e procurar as pessoas sérias e as posturas adequadas para bem utilizar. >> Antes de passar paraas suas considerações finais, eh, queria te agradecer muito, tantos esclarecimentos. Os nossos internautas devem estar lá querendo que eu faça muitas outras perguntas, porque o tema é maravilhoso,
paraas suas considerações finais, eh, queria te agradecer muito, tantos esclarecimentos. Os nossos internautas devem estar lá querendo que eu faça muitas outras perguntas, porque o tema é maravilhoso, mas o horário, infelizmente, não nos permite. Eu queria te agradecer muito, Andrei, porque você viu, né, amigo internauta, quanto apaixonante é essa figura chamada Andrei Moreira. Então, meu amigo, suas considerações finais, queria que você deixasse nessas palavras uma mensagem de vida, de amor. M. essencial a nossa verdade mais profunda. Eu relembro a todos nós. Todos somos dignos de amar e de sermos amados. Nosso grande propósito existencial é sermos forças amorosas a serviço da vida. É reconectar com a nossa essência, sendo nós mesmos. E nessa autenticidade resgatada poder colocar a serviço da existência o que nós somos e o que nós temos, que é a própria marca de Deus. em cada um de nós e crescer com esse processo e nos alegrarmos com esse processo e servir a vida com aquilo que a gente tem para dar. Então, minha mensagem pros amigos que nos ouvem, para todos, é de que através do acolhimento amoroso, da compaixão, da ternura, nós podemos nos aproximar daquela nossa verdade que ficou escondida lá no mais profundo, quando a gente ao se conformar se deformou e poder encontrar hoje a melhor forma e a melhor forma que pode ser escolhida pelo nosso coração, pela nossa própria vontade, né? A imagem que eu tenho sempre é que quando o passarinho sai do ninho, ele constrói o ninho com o próprio bico. Ele escolhe aonde coloca a segurança, vai construindo passo a passo e ali ele reside, ali a vida segue e ali é o seu espaço de servir a vida. Assim também é conosco. >> Que maravilha de encerramento, que gostinho de Quero Mais, né, meus amigos? Andrei, muito obrigado. A nossa gratidão também por você partilhar um pouquinho da sua história pessoal e além de todo o conhecimento que você trouxe para nós nessa tarde. Que Jesus te abençoe, fique em paz. Espero poder estar com você em
ão também por você partilhar um pouquinho da sua história pessoal e além de todo o conhecimento que você trouxe para nós nessa tarde. Que Jesus te abençoe, fique em paz. Espero poder estar com você em muitos congressos por aí, mesmo trocando o nome do congresso. É isso aí, meus amigos. Mais uma entrevista maravilhosa com Andrei Moreira. Conecta Espiritismo Campinas 2026. Jesus nos abençoe.
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